Dicas de Liquidações nas Lojas Para Fazer Compras em Londres

Planejar a viagem para Londres levando em conta o calendário de liquidações pode transformar completamente a experiência de compras — a diferença entre pagar o preço cheio e encontrar 50% de desconto nas mesmas peças é, muitas vezes, questão de algumas semanas no planejamento.

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Londres é, sem exagero, uma das melhores cidades do mundo para fazer compras. Isso não é opinião de turista apaixonado pela cidade — é um dado concreto. Só a Oxford Street concentra mais de 300 lojas ao longo de 2 quilômetros. O país tem uma cultura de liquidações enraizada, com datas específicas que os britânicos aguardam com a mesma ansiedade com que brasileiros esperam a Black Friday. E o que diferencia Londres de outros destinos de compras é que essas promoções são reais — não o tipo de desconto artificial que infla o preço antes para cortar depois.

Mas para quem vem de fora, entender como esse calendário funciona faz toda a diferença. Existe hora certa para chegar, loja certa para procurar cada categoria de produto, e bairro certo para cada bolso.


O Boxing Day: o dia de compras mais famoso do mundo

Se existe um momento que define a cultura de liquidações britânica, é o Boxing Day — 26 de dezembro. O dia seguinte ao Natal é tratado no Reino Unido como um evento esportivo de alto risco. Filas se formam antes do amanhecer na porta da Harrods, da Selfridges, da John Lewis e de dezenas de outras lojas. É caótico, barulhento, empolgante, e os descontos são genuinamente bons.

A tradição tem raízes no século XIX e nunca perdeu força. As grandes lojas de departamento costumam abrir com 30%, 40%, 50% de desconto já na abertura — e as peças mais disputadas somem rápido. Roupas de inverno, eletrônicos, utensílios domésticos, cosméticos, calçados — tudo vai para promoção ao mesmo tempo.

Para quem viaja especificamente para aproveitar o Boxing Day, o conselho prático é chegar cedo, com uma lista de prioridades definida, e ir direto ao setor que mais interessa. Tentar comprar tudo de uma vez no caos do dia 26 é receita para sair exausto e sem ter comprado metade do que queria.


As January Sales: quando os descontos ficam ainda mais profundos

O que muita gente não sabe é que o Boxing Day é apenas o começo. As chamadas January Sales duram todo o mês de janeiro — e em muitos casos os melhores preços aparecem não no dia 26 de dezembro, mas na segunda e terceira semana do ano novo, quando os estoques precisam girar e as lojas aumentam os descontos para liquidar tudo antes do inventário de fevereiro.

Em janeiro de 2026, por exemplo, a John Lewis operou com até 50% de desconto em categorias como eletrônicos, eletrodomésticos, moda e beleza. Itens como o Dyson Airwrap, que normalmente custa £479, apareceu por £399. Um MacBook Air M2 que estava a £849 foi encontrado por £699. Não são promoções simbólicas.

A Selfridges, a Marks & Spencer, a Next, a Boots e a ASOS também entram no período com descontos consideráveis. Para quem quer comprar produtos de beleza, perfumes importados ou cosméticos de marcas que custam o dobro no Brasil, a Boots em janeiro é um dos melhores destinos de compras da Europa nessa categoria.

O ponto de atenção: as January Sales não têm uma data oficial de término. Algumas lojas encerram em 31 de janeiro, outras esticam até meados de fevereiro. Vale acompanhar os sites antes de viajar para saber o que cada loja está oferecendo.


O Summer Sale: a outra grande janela do ano

O calendário britânico de liquidações tem dois picos principais. O segundo é o Summer Sale, que acontece a partir de junho e julho. Essa é a liquidação de verão — estação que, em Londres, dura muito menos do que os turistas esperam, mas que serve de justificativa perfeita para as lojas queimarem estoques de primavera.

Os descontos de verão costumam ser ligeiramente menores do que os de janeiro, mas a vantagem é que as lojas estão menos lotadas e o estoque ainda está mais completo. É uma boa janela para quem quer comprar roupas de primavera e verão britânicas — peças de linho, trench coats leves, vestidos de algodão — com 30% a 40% de desconto antes do fim da coleção.

Harrods, Liberty, Selfridges e a maioria das lojas da Oxford Street participam. A diferença de preço entre comprar uma peça de uma marca britânica em plena temporada versus em julho pode ser significativa o suficiente para justificar o timing da viagem.


Black Friday em Londres: crescendo, mas ainda diferente do Brasil

A Black Friday chegou ao Reino Unido com força nos últimos anos, mas funciona de forma diferente do Brasil. Não é um dia único — é uma semana inteira, geralmente a última de novembro, com descontos que começam a aparecer dias antes do Friday oficial.

O que chama atenção é que em Londres a Black Friday tem descontos fortes principalmente no online, não necessariamente nas lojas físicas. A Amazon UK, a Currys (eletrônicos), a John Lewis, a ASOS e a Boots são as mais agressivas nesse período. Quem está em Londres nessa época pode aproveitar combinando compras físicas com pedidos online entregues no hotel — muitas lojas fazem entrega no mesmo dia para endereços centrais.


Harrods: como funciona a liquidação de uma das lojas mais famosas do mundo

A Harrods, em Knightsbridge, é um capítulo à parte. A loja tem reputação de ser cara — e durante o ano é mesmo. Mas no Boxing Day e nas January Sales, os descontos chegam a categorias que normalmente não cedem nada: bolsas de grife, perfumes de nicho, porcelanas finas, eletrônicos premium.

A fila na porta da Harrods no dia 26 de dezembro é um fenômeno cultural tão britânico quanto o chá da tarde. Pessoas acampam do lado de fora. O movimento é imenso. Mas quem entra com foco sai com peças que custam três ou quatro vezes mais fora desse período.

Um detalhe importante: a Harrods tem política própria de tax refund para turistas de fora da União Europeia — incluindo brasileiros. Vale guardar todas as notas fiscais e verificar o processo de reembolso do IVA (VAT) antes de sair da loja. Em compras grandes, esse valor pode chegar a 20% do total.


Selfridges e Liberty: o melhor da moda britânica com desconto

Selfridges, também na Oxford Street, é onde a moda britânica se encontra com marcas internacionais num curadoria editorial impressionante. As liquidações de janeiro e verão dela têm características específicas: os descontos nas marcas próprias costumam ser mais agressivos do que nos produtos licenciados de outras grifes.

A Liberty, na Regent Street, merece atenção especial para quem busca tecidos estampados, artigos de decoração e moda com identidade britânica forte. É uma loja com personalidade única, diferente de tudo, e as liquidações de verão dela têm preços que compensam muito — especialmente nas coleções de tecidos e papelaria, que têm fãs no mundo inteiro.


John Lewis: o destino mais confiável para eletrônicos e casa

A John Lewis é a loja onde o britânico vai quando quer gastar bem, não necessariamente gastar pouco. Mas em janeiro, ela inverte essa lógica. Os descontos em eletrodomésticos, eletrônicos e itens de casa chegam a 50% — e o diferencial dela é a qualidade da curadoria: não é uma bagunça de produtos aleatórios, mas itens selecionados com cuidado, com garantia extensa e política de devolução generosa.

Para quem quer trazer um Dyson, uma Ninja, um produto da KitchenAid ou similares, a John Lewis em janeiro é provavelmente o melhor custo-benefício de toda a cidade. Há filiais na Oxford Street, no Westfield Stratford e no Westfield London.


Os outlets ao redor de Londres: onde a liquidação é permanente

Além das datas sazonais, Londres tem uma rede de outlets que funcionam o ano todo com descontos de 30% a 70%. Os principais:

Bicester Village é o mais famoso e o mais disputado. Fica a cerca de uma hora de trem de Londres (trem direto da Marylebone Station) e reúne mais de 160 boutiques de marcas de luxo e premium — Burberry, Coach, Mulberry, Ted Baker, Polo Ralph Lauren, Barbour e muitas outras. Os descontos são reais e consistentes. Em datas de sale, sobem ainda mais. É frequentemente visitado por turistas do mundo inteiro que planejam a viagem especificamente para ir ao Bicester.

Westfield London (White City) e Westfield Stratford City não são outlets no sentido tradicional, mas têm uma seção chamada “The Village” com lojas premium e eventos de sale frequentes. São shoppings modernos, bem organizados, e com opções para todos os orçamentos — do Primark ao Gucci.

Outlet Wembley — o London Designer Outlet, ao lado do estádio de Wembley — é uma opção menos conhecida pelos turistas internacionais, mas muito frequentada pelos residentes. Tem marcas como Nike, Adidas, Levi’s, Tommy Hilfiger e outros com descontos permanentes que ficam ainda melhores nos períodos de sale.


Oxford Street fora das datas de sale: ainda vale a pena?

A Oxford Street é o ponto de referência para compras em Londres independente de data. Mas fora dos períodos de liquidação, o que vale mesmo são as lojas que têm preços competitivos o ano todo: Primark (roupas básicas a preços imbatíveis, sem site de compras online — só na loja física), H&M, Zara, Uniqlo e & Other Stories.

O Primark merece uma menção especial. Para quem quer comprar roupas de qualidade razoável a preços muito baixos — básicos de algodão, pijamas, meias, roupas infantis — o Primark na Oxford Street é uma parada obrigatória que não depende de nenhuma data de sale. É o tipo de loja onde você entra com uma lista curta e sai com três sacolas.


Covent Garden, Carnaby Street e os bairros de compras com personalidade

Nem toda compra em Londres precisa ser numa grande rede. Covent Garden tem lojas independentes, joalherias artesanais e marcas que você não vai encontrar em nenhum shopping. Carnaby Street, famosa desde os anos 60, ainda preserva um charme de boutiques com estética própria. Shoreditch e Brick Lane são os endereços para quem quer vintage, streetwear e peças que ninguém em casa vai ter.

Esses bairros participam dos períodos de sale de forma menos coordenada do que as grandes lojas, mas os descontos aparecem — especialmente em junho e janeiro.


Devolução do IVA para turistas: dinheiro que muita gente deixa para trás

Esse é um dos pontos menos explorados por turistas brasileiros em Londres. O Reino Unido tem um sistema de Tax-Free Shopping para visitantes de fora do país, que permite a devolução parcial do VAT (Value Added Tax — o IVA britânico, que é de 20%).

O processo exige guardar os comprovantes de compra, preencher formulários nas lojas participantes e solicitar o reembolso antes do embarque no aeroporto. Nem todas as lojas participam, e o processo tem algumas regras de valor mínimo, mas em compras maiores — especialmente em lojas como Harrods, Selfridges e marcas de luxo — esse reembolso pode representar uma economia considerável.

Vale pesquisar como funciona o processo antes de viajar e verificar se as lojas onde você pretende comprar participam do esquema. A diferença no bolso, dependendo do volume de compras, pode pagar uma boa parte das passagens.


O que vale mais a pena comprar em Londres

Mais do que onde comprar, existe a questão do que comprar. Algumas categorias fazem mais sentido do que outras para trazer na mala:

Cosméticos e beleza — marcas como Charlotte Tilbury, Lush, The Body Shop e Boots own brand custam significativamente menos em Londres do que importadas no Brasil. A Boots em período de sale é um dos melhores lugares da Europa para comprar beleza.

Roupas de marcas britânicas — Barbour, Burberry (no outlet), Ted Baker, Reiss, AllSaints e Hackett são marcas com identidade fortemente britânica e preço muito mais justo na origem.

Eletrônicos — Dyson, em especial, é fabricado no Reino Unido e tem preços consideravelmente menores do que no Brasil. Produtos Apple também têm diferença de valor relevante.

Chás e artigos gourmet — Fortnum & Mason na Piccadilly é uma experiência à parte e as caixas de chá dali são o souvenir mais sofisticado e acessível que existe. Whittard of Chelsea tem opções mais em conta na mesma linha.

Fazer compras em Londres sem planejamento é desperdiçar uma das melhores oportunidades que a cidade oferece. Com o calendário de sales na cabeça, os bairros certos mapeados e o processo de tax refund entendido antes de embarcar, a experiência muda completamente. A cidade já é cara por natureza — mas sabe ser generosa nos momentos certos.

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