Como é Fazer Turismo em Sevilha na Primavera

Descubra Sevilha além do óbvio, com arte em um antigo mosteiro, lojas de design no bairro Alfalfa, passeios de stand up paddle pelo Guadalquivir, jazz ao vivo e terraços com vista para a Giralda.

Foto de Maria Carmona: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ponto-de-referencia-ponto-historico-torre-espanha-12200742/

Sevilha é uma cidade que muda completamente conforme a estação. No verão, o calor andaluz pode ser brutal, com termômetros passando dos 40 graus tranquilamente. No inverno, a cidade fica mais quieta, com dias curtos e noites frescas. Mas na primavera acontece algo especial. As laranjeiras ficam floridas, o cheiro de azahar invade as ruas, os dias esticam, o Guadalquivir reflete céus rosados no fim da tarde e os sevilhanos voltam a tomar suas ruas. É a melhor época para conhecer a capital da Andaluzia sem encarar nem o calor extremo nem a alta temporada turística mais cheia.

O que poucos viajantes percebem é que Sevilha tem uma cena cultural bem mais variada do que a imagem clássica de flamenco, tapas e Catedral. A cidade tem mosteiros que viraram centros de arte contemporânea, bairros com lojas autorais cheias de personalidade, esportes aquáticos no rio e descobertas arqueológicas que continuam revelando como os romanos viveram ali. Aqui vai um roteiro pensado para quem quer fugir um pouco do óbvio.

Arte contemporânea em um antigo mosteiro

A Cartuja de Santa María de las Cuevas, ou simplesmente La Cartuja, é uma das visitas mais interessantes e menos lotadas de Sevilha. O lugar tem várias camadas de história sobrepostas. Foi mosteiro por séculos, hospedou Cristóvão Colombo antes da viagem às Américas, e mais tarde virou fábrica de cerâmica.

Em 1990, ganhou nova vida como centro de arte contemporânea. Hoje abriga o Centro Andaluz de Arte Contemporáneo, conhecido pela sigla CAAC, com programação que mistura exposições temporárias, shows de jazz e sessões de DJ ao lado do acervo permanente. A combinação entre as paredes históricas e a arte atual funciona muito bem. É o tipo de visita que rende uma tarde inteira tranquila, longe das filas do centro histórico.

Site oficial: caac.es

Compras autorais no bairro Alfalfa

O bairro Alfalfa se tornou o ponto mais criativo de Sevilha. As ruas estreitas concentram lojas independentes, ateliês e cafés com personalidade própria, e dá para passar uma manhã inteira garimpando coisas que não se acha em nenhum outro lugar.

A La Coleccionista virou parada obrigatória entre quem gosta de design. A loja tem uma legião de fãs leais e funciona como uma curadoria do que há de mais interessante em produção artesanal local. Já a The Sevillaner se especializou em pôsteres com temas tipicamente sevilhanos, além de mapas lindamente ilustrados pela artista Carolina Sainz.

A Tenderete oferece cerâmicas elegantes, com peças que incluem azulejos hispano-mouriscos em azul e branco que são uma maravilha de levar para casa. Próximo dali, a galeria Espacio Derivado é um foco de artistas emergentes, com instalações e eventos culturais bem interessantes.

Para se localizar nas redes e sites: lacoleccionista_sevilla, tendereteseville, espacioderivado.com

Stand up paddle pelo Guadalquivir

Com dias mais longos na primavera, os sevilhanos voltam a aproveitar o rio. Uma das atividades que mais cresceu nos últimos anos é o stand up paddle pelo Guadalquivir. Deslizar pelo centro histórico em cima de uma prancha dá uma perspectiva da cidade que praticamente nenhum turista experimenta. Você passa por baixo de pontes antigas, vê a Torre del Oro de um ângulo diferente e cruza paisagens que parecem cenografia.

O melhor horário é no fim da tarde, quando o céu fica rosado e a água reflete tudo. Mesmo quem nunca pegou uma prancha consegue se equilibrar relativamente rápido, porque o trecho usado nos passeios é tranquilo, sem ondas nem correnteza forte.

Empresa de referência: paddlesurfsevilla.com

Jazz ao vivo em Las Setas

O flamenco é a trilha sonora oficial de Sevilha, mas há uma cena de jazz vibrante para quem quer variar. O Gallo Rojo é um clube acolhedor, com iluminação cuidadosa, programação consistente e muito apreciado pelos locais. Fica perto da estrutura moderna gigante chamada Las Setas, ou Metropol Parasol, aquele monumento de madeira em forma de cogumelos que virou ponto de encontro da cidade.

Combinar uma subida no topo das Setas no fim da tarde com uma noite de jazz no Gallo Rojo é um programa redondo, daqueles que mostram a Sevilha menos óbvia.

Site: gallorojo.es

Os melhores terraços com vista

Sevilha é uma cidade para olhar de cima. Os telhados oferecem outra dimensão da paisagem, com a Giralda dominando o horizonte e os tons quentes dos prédios refletindo a luz andaluza. Três terraços merecem destaque.

O Pura Vida Terraza Bar, no topo do hotel Los Seises Sevilla, oferece vistas privilegiadas da Giralda, a torre de 12 séculos que originalmente foi minarete. As performances de flamenco que acontecem aos domingos à noite e nos fins de semana fecham a experiência com chave de ouro.

Site: puravidaterraza.com

Para ajudar a escolher o terraço certo conforme o estilo da sua viagem, veja a tabela abaixo.

TerraçoAtmosferaMelhor horário
Pura Vida TerrazaSofisticado, com flamencoPôr do sol e noite
Bares no centroAnimado e jovemInício da noite
Hotéis boutiqueRomântico e tranquiloFim da tarde

Vinhos romanos no Mercado de Feria

Uma das descobertas mais recentes em Sevilha é o resgate da cultura vinícola romana. A região onde fica a cidade era a antiga Hispalis, e os romanos produziam vinho ali há mais de dois mil anos, usando uvas antigas e técnicas que se perderam ao longo dos séculos.

O bar Arqueo Gastronomía, dentro do Mercado de Feria, faz exatamente esse trabalho de reconstrução. O cardápio oferece vinhos elaborados com variedades antigas, harmonizações cuidadosas e aulas de degustação para quem quer entender o que está bebendo. É um programa diferente, que mistura história, gastronomia e curiosidade, num clima descontraído de mercado popular.

Site: arqueogastronomia.com

Como chegar e se locomover

Sevilha tem aeroporto internacional, o San Pablo, com voos diretos de várias capitais europeias. Quem vem do Brasil costuma fazer conexão em Madri, Lisboa ou outra cidade europeia. Do aeroporto até o centro, o trajeto é rápido. Um ônibus expresso faz o percurso em cerca de 35 minutos, e táxis levam em torno de 20.

Outra forma muito boa de chegar é de trem. O AVE, o trem-bala espanhol, liga Madri a Sevilha em cerca de duas horas e meia. Quem está montando um roteiro pela Espanha pode incluir Sevilha com facilidade entre Madri e Granada ou Córdoba.

Dentro da cidade, o melhor é caminhar. O centro histórico é compacto e a maioria das atrações fica a distâncias curtas. Para deslocamentos mais longos, o sistema de bicicletas públicas Sevici é prático e barato. Táxis e aplicativos como Cabify funcionam bem.

Quando ir

A primavera, entre março e maio, é a estação ideal para conhecer Sevilha. As temperaturas ficam entre 18 e 27 graus durante o dia, as flores estão por toda parte, e acontecem dois eventos icônicos da cidade, a Semana Santa e a Feria de Abril. Vale lembrar que durante essas duas semanas o turismo aumenta muito, e os preços de hospedagem disparam.

Outubro também é uma boa opção, com clima parecido com a primavera e menos multidões. Junho começa a esquentar bastante. Julho e agosto são meses bem complicados pelo calor extremo, embora muitos restaurantes e bares mudem para horários noturnos e a cidade ganha um ritmo diferente, mais lento durante o dia e ativo até de madrugada.

Onde se hospedar

A escolha do bairro faz toda a diferença em Sevilha. Veja algumas opções para se orientar.

BairroPerfilVantagem
Santa CruzHistórico e charmosoPertinho da Catedral
AlfalfaJovem e criativoCenas de bares e lojas
TrianaTradicional e autênticoVida de bairro real
ArenalCentral e bem servidoBoas opções de hotel

Quem quer ficar em algo realmente especial pode olhar o Los Seises Sevilla, ligado ao terraço Pura Vida, ou hotéis boutique em palacetes restaurados pelo centro histórico.

O que comer em Sevilha

A capital andaluza é uma das melhores cidades da Europa para experimentar tapas. O ritual é simples. Você anda, entra em um bar, pede uma ou duas tapas, toma uma taça de vinho ou uma cerveja, paga e vai para o próximo bar. Os clássicos para experimentar são:

  • Salmorejo, uma sopa fria de tomate mais densa que o gazpacho, finalizada com presunto e ovo cozido picado
  • Espinacas con garbanzos, espinafre com grão-de-bico, prato simples e cheio de sabor
  • Solomillo al whisky, lombo de porco em molho de uísque com alho
  • Pescado frito, uma seleção de peixes pequenos fritos crocantes
  • Tortilla española, a clássica omelete de batata

Acompanhe com rebujito na época de feira, uma mistura refrescante de manzanilla com refrigerante, ou com fino, vinho de Jerez seco que combina muito bem com tapas salgadas.

Roteiro sugerido para três dias

Três dias inteiros são suficientes para conhecer bem Sevilha. Veja uma sugestão de divisão.

Dia 1: comece pela Catedral de Sevilha, suba na Giralda, depois visite o Real Alcázar, com seus pátios e jardins de tirar o fôlego. Almoce em algum bar de tapas em Santa Cruz e passe a tarde caminhando pelo bairro judeu. À noite, busque um show de flamenco em uma casa tradicional.

Dia 2: dedique o dia a La Cartuja e ao CAAC pela manhã. Depois do almoço, vá para o bairro Alfalfa, faça as compras autorais e tome um café entre as lojas. No fim da tarde, suba em Las Setas para ver o pôr do sol, e termine no Gallo Rojo para uma noite de jazz.

Dia 3: comece com stand up paddle pelo Guadalquivir, almoce no Mercado de Feria provando os vinhos romanos no Arqueo Gastronomía. À tarde, atravesse para Triana, conheça as cerâmicas tradicionais e jante em algum bar do bairro, com vista para o rio. Encerre com um drink no Pura Vida Terraza.

Dicas práticas para aproveitar melhor

Algumas coisas que fazem diferença na hora de planejar.

Reserve a Catedral e o Alcázar pela internet com antecedência. As filas presenciais costumam ser longas, especialmente na primavera.

O horário do almoço em Sevilha começa tarde, normalmente entre 14h e 16h, e o jantar raramente antes das 21h. Vale ajustar os horários para acompanhar o ritmo local.

A maioria dos lugares aceita cartão sem problemas, mas pequenas tapas e mercados costumam ser mais ágeis com dinheiro vivo.

Em maio, comece a tarde mais cedo. Os dias esquentam rápido e o melhor é descansar no auge do sol, entre 14h e 17h, voltando para a rua quando o calor passa.

O que fica de Sevilha

Sevilha tem uma personalidade forte que combina o tradicional e o contemporâneo sem esforço. Você sai com a sensação de ter visto uma cidade viva, que ama o flamenco mas também tem jazz, que respeita seus mosteiros antigos mas usa eles como espaço de arte atual, que prepara tapas seguindo receitas centenárias mas resgata também o vinho da era romana.

O melhor é que Sevilha não tenta agradar todo mundo da mesma forma. Cada bairro tem cara própria, cada terraço tem um clima diferente, cada esquina pode esconder uma loja interessante ou um bar que vai virar lembrança da viagem. E na primavera, com as laranjeiras floridas e o rio refletindo a luz rosada do fim do dia, fica fácil entender por que os sevilhanos têm tanto orgulho da cidade onde vivem.

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