Scandic Hotels: A Maior Rede Hoteleira dos Países Nórdicos

Tudo começou num motel de beira de estrada em 1963. Não numa cidade grande, não num endereço glamouroso — em Laxå, uma cidade pequena no interior da Suécia, onde a Esso abriu o primeiro Esso Motorhotell para atender a nova onda de viajantes que estavam descobrindo o prazer da estrada. O conceito era simples e revolucionário ao mesmo tempo: um lugar confortável, padronizado e previsível ao longo de uma rota. Seis décadas depois, o que nasceu como uma rede de motéis de rodovia se transformou na maior operadora hoteleira dos países nórdicos, com quase 280 hotéis, 58 mil quartos e presença em seis países europeus.

Haymarket by Scandic

A Scandic não é uma empresa que se vende pela pompa. Ela se vende pela consistência, pela localização e, cada vez mais, por uma agenda de sustentabilidade que deixou de ser enfeite e virou parte real do produto. Mais de 95% dos hotéis da rede são certificados com o Nordic Swan — o rótulo ecológico mais exigente dos países nórdicos, com mais de 44 critérios obrigatórios que vão de consumo de energia e água até a porcentagem de alimentos orgânicos servidos no café da manhã. Isso não é marketing. É operação.

A rede está listada na Nasdaq de Estocolmo desde 2015 e gera resultados financeiros que impressionam qualquer analista do setor: no terceiro trimestre de 2025, a taxa média de ocupação chegou a 74,2%, com crescimento orgânico de 5,3% em relação ao período anterior. Para uma rede de quase 280 hotéis operando em mercados tão exigentes quanto os escandinavos, esses números falam por si.


O que esperar quando você reserva um Scandic

Antes de entrar nas cidades e nas unidades específicas, vale entender o padrão. A Scandic não é uma rede econômica — ela trabalha no segmento midscale a upper-midscale, dependendo da unidade. Os quartos são bem equipados: Wi-Fi gratuito em toda a propriedade, academia em praticamente todos os hotéis, sauna em boa parte das unidades escandinavas (porque sauna não é luxo por lá, é necessidade), cafeteria ou restaurante próprio e uma política de acessibilidade que a rede leva a sério. Cada hotel Scandic tem quartos adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, e a rede tem premiações europeias nessa área.

O café da manhã buffet é uma constante — e costuma ser bom. Não é incluso automaticamente em todas as tarifas, mas é amplamente elogiado. Nos hotéis noruegueses e suecos, o buffet tende a ser generoso no sentido escandinavo: pães artesanais, salmão, queijos curados, arenque marinado, ovos, frutas, iogurtes, sucos e café que funciona de verdade. Nas unidades fora da Escandinávia, o padrão se mantém, mas com adaptações locais.

O programa de fidelidade Scandic Friends é o maior do setor hoteleiro nórdico — e tem uso real. Pontos acumulados por estadia que viram noites grátis, sem prazo de expiração enquanto você mantiver atividade na conta. Descontos em reservas diretas e nas unidades de restauração da rede. Para quem viaja com frequência pela Escandinávia, é um programa que vale ativar antes mesmo da primeira reserva.

Em março de 2026, a rede lançou o Scandic Go, uma nova categoria de hotéis voltada para o segmento mais econômico — com o primeiro deles inaugurado em Oslo, na Grensen. A ideia é disputar o mercado de viajantes que querem o padrão Scandic a preços mais acessíveis. Isso amplia o alcance da marca sem diluir as unidades principais.


Suécia: 92 hotéis no país onde a rede nasceu

A Suécia tem a maior presença da Scandic — 92 unidades distribuídas de Malmö ao extremo norte. E algumas dessas unidades estão entre as mais interessantes do portfólio global da rede.

Haymarket by Scandic, Estocolmo

O Haymarket é o que acontece quando uma rede hoteleira decide que uma das suas unidades pode ser algo mais. Localizado no Hötorget 13-15, no coração de Estocolmo — a mesma praça onde fica o Konserthuset, o mercado ao ar livre e a entrada para o metrô da cidade —, o hotel ocupa um edifício histórico Art Déco que foi restaurado com cuidado obsessivo.

A pontuação no Hotels.com é 9,0 de 10 e o TripAdvisor o coloca entre os 60 melhores de Estocolmo, com mais de 2.500 avaliações. Os hóspedes do Trustpilot escrevem sobre o Haymarket com a mesma afetividade que reservam para os melhores hotéis independentes que já frequentaram. Dois restaurantes, uma cafeteria, um bar estiloso, academia, seis salas de reunião, concierge. E aquela atmosfera de edifício que tem história, que não precisa fingir ser nada que não é.

Para quem está em Estocolmo e quer uma experiência que vai além da hospedagem funcional — sem precisar pagar pelos grandes nomes de luxo da cidade —, o Haymarket é frequentemente a resposta certa.

Scandic Grand Central, Estocolmo

Ao lado da Estação Central de Estocolmo, com aquela energia de hotel urbano que nunca dorme, o Grand Central é outra das joias da rede na capital sueca. O mesmo espírito dos grandes hotéis ferroviários europeus, atualizado para o século XXI. Avaliações de hóspedes no Trustpilot descrevem o lugar com “sensação de Nova York” — e quem conhece o bairro ao redor da Estação Central de Estocolmo sabe que não é exagero.

Além de Estocolmo, a rede tem unidades em Gotemburgo, Malmö, Uppsala, Umeå, Kiruna e dezenas de outras cidades que cobrem o país de norte a sul. Kiruna merece menção especial: é a cidade mais ao norte da Suécia, a 145 quilômetros acima do Círculo Ártico, perto da famosa Igreja de Madeira de Kiruna e a caminho do Ice Hotel de Jukkasjärvi. Ter um Scandic ali não é trivial.


Noruega: 81 hotéis num país que a rede conhece de cor

A Noruega representa 28% da receita global da Scandic. São 81 hotéis distribuídos por um país que tem a lógica geográfica mais desafiadora da Europa Ocidental — e que, por isso mesmo, cria demanda hoteleira em lugares onde outras redes simplesmente não chegaram.

Oslo tem presença forte da rede, com unidades em diferentes partes da cidade e para diferentes perfis de viajante. O Scandic Vulkan, no bairro de Grünerløkka — aquele que virou símbolo da renovação cultural de Oslo, com mercado de comida artesanal, cervejarias locais e estúdios de arte —, é um exemplo de como a Scandic sabe se posicionar no ambiente urbano contemporâneo.

Bergen e os fiordes

Bergen tem múltiplas unidades, das quais o Scandic Neptune, na área do porto, é uma das mais citadas. Bergen é daquelas cidades que causam impacto imediato: rodeada de sete montanhas, com o Bryggen banhado pela chuva constante que faz parte da personalidade do lugar. Quem vai a Bergen para os fiordes — Hardangerfjord, Sognefjord, Nærøyfjord — e escolhe o Scandic acerta na praticidade: localização central, café da manhã que sustenta uma manhã longa de trekking ou de viagem de barco.

O extremo norte: Tromsø, Bodø, Hammerfest, Vadsø

A Scandic tem presença em cidades acima do Círculo Ártico que a maioria dos viajantes internacionais sequer consegue pronunciar de primeira tentativa. Tromsø — maior cidade do norte da Noruega e destino número um para aurora boreal — tem unidade Scandic bem avaliada. Bodø, que é o ponto de partida para as Ilhas Lofoten. Alta, famosa pelo rio e pelos petróglifos da Idade do Gelo que são Patrimônio da UNESCO. Hammerfest, que compete com Longyearbyen pelo título de cidade mais ao norte do mundo acessível por estrada.

Essa cobertura do extremo norte não é acidental. A Scandic entende que o viajante que vai à Noruega profunda — não apenas a Oslo e Bergen — precisa de uma rede confiável, e a rede capturou esse nicho com décadas de antecedência.

Hafjell e as estações de ski

A Noruega tem uma cultura de esportes de inverno que a maioria dos países do mundo só vê nos Jogos Olímpicos. Hafjell, em Øyer, é uma das principais estações de esqui do país — e o Scandic Hafjell Øyer existe para quem vai às pistas. A experiência é diferente das unidades urbanas: o hotel é orientado para viajantes ativos, com estrutura para grupos e famílias.


Finlândia: 54 hotéis num país que leva a hospitalidade a sério

A Finlândia representa 22% da receita da Scandic. São 54 hotéis espalhados por um país que tem Helsinque como centro gravitacional mas que oferece muito mais — especialmente para quem se aventura pelo interior dos lagos e pelas regiões da Lapônia.

Scandic Grand Central Helsinki

O Scandic Grand Central Helsinki é, sem exagero, um dos hotéis mais impressionantes do portfólio global da rede. O edifício é uma obra de Eliel Saarinen — o arquiteto finlandês que deixou marca permanente no Art Nouveau europeu e que depois de emigrar para os Estados Unidos influenciou toda uma geração de arquitetos americanos. O prédio data de 1909 e funcionou por décadas como a sede administrativa das ferrovias nacionais finlandesas.

Quando a Scandic o transformou em hotel, em 2021, o desafio era não estragar o que existia. O resultado, segundo a revista The Hotel Journal que fez uma avaliação detalhada da propriedade, é surpreendente: 491 quartos — 373 no edifício original e 118 numa extensão posterior — com corredores largos, pé-direito alto que parece de museu, átrio interno para contemplação silenciosa, mobiliário de inspiração nórdica com tons de mel e madeira e aquela presença física que os edifícios históricos têm e que o dinheiro sozinho não compra.

Não é um hotel padrão Scandic. É um hotel que a Scandic soube proteger enquanto tornava funcional.

Marski by Scandic, Helsinque

O Marski é outro. Fica no centro de Helsinque — literalmente colado ao Parque Esplanade, a 100 metros da Stockmann e a 200 metros do Design District —, com nota 9,0 de 10 no Hotels.com e 1.652 avaliações. Tem sauna, academia, restaurante próprio, cinco salas de reunião e quartos que vão do compacto Classic ao Grande Sauna com banheiro privativo de sauna a vapor.

O Design District de Helsinque, ao lado, é uma das coisas mais interessantes da cidade: mais de 200 lojas, galerias, restaurantes e estúdios de designers finlandeses concentrados em cerca de 25 quarteirões. Iittala, Marimekko, Artek — tudo está ali. Ficar no Marski é estar a cinco minutos a pé de toda essa densidade criativa.

A Finlândia além de Helsinque

A Scandic cobre Tampere, Turku, Jyväskylä, Oulu, Rovaniemi — sim, Rovaniemi, cidade natal oficial do Papai Noel, na Lapônia finlandesa, onde o inverno tem um sentido completamente diferente do resto do mundo. Para quem vai à Lapônia em busca de aurora boreal, renas e da experiência de atravessar uma paisagem nevada de conto de fadas, ter um Scandic em Rovaniemi é a diferença entre se concentrar na viagem ou se preocupar com onde dormir.


Dinamarca: 28 hotéis num mercado exigente

A Dinamarca tem 28 unidades da Scandic. Copenhague concentra boa parte delas, mas a rede também cobre Odense, Aarhus, Aalborg e cidades menores.

O Scandic Copenhagen, na Vester Søgade 6, é um dos mais antigos e tradicionais da rede na capital dinamarquesa. Fica ao lado dos lagos de Copenhague — aquela faixa de água artificial que separa o centro histórico dos bairros mais residenciais — com quartos que em algumas categorias têm vista para a água. Com quase 4.000 avaliações no TripAdvisor, é um hotel que reúne anos de experiência com a cidade.

O Scandic Sydhavnen, mais periférico, conta outro tipo de história. Fica num bairro industrial à beira do mar, com acesso por trem rápido ao centro (duas estações), mas com uma estrutura que compensa a distância: 391 quartos, 20 salas de reunião, academia com sauna, hot tub externo, mini golfe, sala de jogos para crianças, restaurante com cardápio vegetariano e wi-fi gratuito em todo o hotel. Para famílias ou grupos que viajam a trabalho e precisam de espaço, essa unidade faz muito sentido.


Alemanha: 9 hotéis numa presença cirúrgica

A Alemanha não é o território central da Scandic — mas os 9 hotéis que existem ali estão em cidades onde a rede identificou demanda real para o seu perfil de produto.

Scandic Hamburg Emporio

O Hamburguer Emporio é a unidade mais comentada da rede na Alemanha, e por boas razões. Fica na Dammtorwall 19, a 100 metros da estação de metrô Gänsemarkt e a 800 metros do Jungfernstieg — a avenida central de Hamburgo que corre paralela ao lago Alster. Com nota 9,2 de 10 no Expedia e mais de 1.000 avaliações, é um dos hotéis melhor avaliados do centro de Hamburgo no seu segmento.

São 340 quartos com aquela estética escandinava limpa e funcional, academia, sauna de pedra quente, café da manhã buffet premiado, bicicletas para aluguel (Hamburgo é uma das cidades mais cicláveis da Alemanha), carregadores para carros elétricos e uma coleção de prêmios de sustentabilidade que a rede orgulhosamente expõe. O restaurante fecha para jantar aos domingos — detalhe que convém saber antes de chegar com fome numa noite de fim de semana.

Hamburgo por si já justifica a visita: a Speicherstadt (Cidade dos Armazéns), Patrimônio UNESCO, fica a minutos de trem. A Filarmônica do Elba — o edifício mais caro já construído na Alemanha e um dos mais belos da Europa contemporânea — fica na outra margem do porto. E o Reeperbahn, com toda a sua mistura de lenda e realidade, está a menos de 15 minutos.

A rede também tem hotéis em Frankfurt, Berlim e outras cidades alemãs, completando uma presença que cobre os principais centros de negócios e turismo do país.


Polônia: 2 hotéis em cidades que merecem mais atenção

A Polônia é o mercado mais recente da Scandic, com apenas duas unidades — mas em cidades que justificam o interesse.

Scandic Wrocław

Wrocław (pronuncia-se aproximadamente “Vrótsvaf”) é uma cidade que o turismo internacional ainda subestima, mas que está mudando rápido. Capital da Silésia, com uma história que passa por alemães, austríacos, tchecos e poloneses em séculos de mudanças de fronteira, Wrocław tem um centro histórico extraordinário — uma Praça do Mercado com casas coloridas que rivaliza com Cracóvia em beleza, mas com menos turistas. E duzentos anões de bronze espalhados pela cidade, uma instalação artística urbana que virou atração por conta própria.

O Scandic Wrocław aparece no TripAdvisor entre os 20 melhores hotéis da cidade, entre 86 opções, com nota 4,2 de 5. Para quem visita a Polônia e quer ir além de Varsóvia e Cracóvia — os dois nomes que todo mundo menciona —, Wrocław é uma revelação. E ter o padrão Scandic disponível ali facilita a decisão de incluir a cidade no roteiro.


Por que a Scandic importa num mapa tão grande

Existem redes hoteleiras maiores em número de quartos. Existem redes mais luxuosas, mais baratas, mais antigas. O que a Scandic faz que poucas redes de escala similar conseguem é cobrir um território geograficamente impossível — da Lapônia finlandesa ao centro de Hamburgo, das Lofoten ao centro de Copenhague — com uma consistência de produto que permite ao viajante saber o que vai encontrar antes de abrir a porta do quarto.

A sustentabilidade deixou de ser promessa: as metas de emissões de carbono da rede foram validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi) em março de 2026, o que coloca a Scandic numa posição de liderança real no setor hoteleiro europeu em termos climáticos. A energia nos quartos é 100% renovável. O plástico descartável foi eliminado dos restaurantes. A água servida nas mesas vem em garrafas de vidro próprias. Resíduos são separados nos quartos. São detalhes que, somados, constroem uma diferença que o viajante com algum nível de consciência ambiental começa a notar.

O Scandic Friends é o maior programa de fidelidade hoteleiro dos países nórdicos — e funciona de forma prática, sem a burocracia de pontos que expiram ou categorias de elite que ninguém entende. Noites se acumulam, noites grátis aparecem.

E a rede continua crescendo. Em setembro de 2025, a Scandic anunciou um acordo de franquia para um hotel em Florø, na Noruega. Assinou um contrato para um novo hotel em Hamburgo com 430 quartos, previsto para abrir em 2030. Está em processo de adquirir operações da Dalata Hotel Group, o que representaria uma expansão significativa para além dos seis países atuais.

Sessenta anos depois do primeiro motel de beira de estrada em Laxå, a Scandic ainda está em movimento. E é exatamente essa continuidade que torna a rede uma referência para quem percorre a Europa do Norte com alguma regularidade — não por nostalgia do passado, mas pela confiabilidade construída ao longo de seis décadas de estradas percorridas.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário