Roteiro de Viagem de 8 Dias no Japão em Família
Viajar pelo Japão com a família sem depender de operadora é mais simples do que parece. O país tem uma infraestrutura de transporte invejável, sinalização em inglês nas principais estações e um povo extremamente solícito com turistas. Este roteiro de 8 dias percorre Osaka, Quioto, Nara e Tóquio com total autonomia. E o melhor: sem aquela sensação de estar sendo conduzido em rebanho, com horários rígidos e paradas obrigatórias em lojas de conveniência da operadora.

Antes de Embarcar: O Que Resolver no Brasil
O planejamento começa muito antes do vôo. A primeira providência é o passaporte com validade mínima de seis meses na data de entrada no Japão. Brasileiros não precisam de visto para turismo em estadias de até 90 dias, o que facilita bastante.
O segundo passo é adquirir o Japan Rail Pass. Este passe é a chave para percorrer o país de trem-bala sem gastar uma fortuna. Para este roteiro, o JR Pass de 7 dias cobre perfeitamente o trajeto Osaka-Quioto-Tóquio e os deslocamentos regionais. Importante: o JR Pass precisa ser comprado fora do Japão. Você adquire um voucher online, recebe em casa e troca pelo passe físico assim que chegar. O valor atual gira em torno de 50.000 ienes para o passe de 7 dias (adulto), com desconto para crianças de 6 a 11 anos. Menores de 6 anos não pagam, desde que não ocupem assento.
Terceiro: internet. O Japão é um país onde o Google Maps salva vidas, especialmente quando você está tentando decifrar qual saída da estação de Shinjuku leva ao seu hotel. As opções são alugar um pocket wifi (retira no aeroporto na chegada e devolve na saída) ou comprar um eSIM antes de embarcar. Para famílias, o pocket wifi pode ser mais prático porque conecta vários dispositivos ao mesmo tempo. Custa cerca de 5.000 a 8.000 ienes por uma semana.
Quarto: reserve hotéis com localização estratégica. No Japão, estar perto de uma estação de trem ou metrô faz diferença entre uma viagem fluida e um pesadelo logístico. Em Osaka, a região de Namba ou Umeda são ideais. Em Quioto, prefira hotéis próximos à estação de Quioto. Em Tóquio, Shinjuku, Shibuya ou a área da estação de Tóquio funcionam bem.
Quinto e último ponto de preparação: o dinheiro. O Japão ainda é um país onde o dinheiro físico reina em muitos estabelecimentos, especialmente em templos, mercados de rua e restaurantes menores. Leve uma parte em espécie (dólares ou reais para trocar lá, ou ienes comprados no Brasil) e conte com os caixas eletrônicos das lojas 7-Eleven, que aceitam cartões internacionais sem complicação. Informe ao seu banco que você estará no Japão nas datas da viagem para evitar bloqueios.
Dia 1: Chegada a Osaka
A porta de entrada mais comum para este roteiro é o Aeroporto Internacional de Kansai (KIX), que atende Osaka. Dependendo da companhia aérea e da disponibilidade de vôos saindo do Brasil, você pode chegar por Kansai ou desembarcar em Tóquio (Narita ou Haneda) e pegar o trem-bala para Osaka no mesmo dia.
Se você chegar diretamente por Kansai, a conexão com a cidade é descomplicada. O trem JR Kansai Airport Express (Haruka) leva cerca de 50 minutos até a estação de Osaka, e o JR Pass cobre esse trajeto. Outra opção é o Nankai Airport Express, que vai até Namba em aproximadamente 45 minutos. Com crianças e malas, o Haruka costuma ser mais confortável e espaçoso.
Ao desembarcar, passe na máquina de troca do JR Pass (o escritório da JR fica no aeroporto, com funcionários que falam inglês) e ative o passe para começar a valer neste mesmo dia. Aproveite também para retirar o pocket wifi se tiver feito a reserva.
Chegando ao hotel, a dica é não programar nada muito ambicioso para este primeiro dia. O jet lag pesa, especialmente para quem viaja com crianças. Saia para uma caminhada leve pelo bairro, tome um lámen em uma das casas de ramen da região e comece a absorver a atmosfera japonesa sem pressa.
Se o vôo chegar em Tóquio e você precisar se deslocar para Osaka no mesmo dia, o processo é mais trabalhoso mas perfeitamente viável. Do aeroporto de Narita, pegue o Narita Express (N’EX) até a estação de Shinagawa (cerca de 70 minutos). De Haneda, o trajeto até Shinagawa é mais curto (cerca de 20 minutos de trem local). Em Shinagawa, você embarca no trem-bala Nozomi com destino a Osaka. Este é o shinkansen mais rápido, fazendo o percurso Tóquio-Osaka em aproximadamente 2 horas e meia.
É fundamental que seu vôo chegue a Tóquio até as 17h para conseguir fazer essa conexão sem correria. Vôos que pousam depois das 18h podem inviabilizar o último Nozomi do dia. E aqui vai uma observação importante sobre malas: no trem-bala, cada passageiro tem direito a transportar duas malas de até 160 cm lineares (altura + largura + profundidade) sem custo adicional. Malas entre 161 e 250 cm exigem reserva de assento com espaço para bagagem grande, algo que se faz gratuitamente na máquina de reservas da JR. Para famílias carregando várias malas, é bom dimensionar isso com antecedência.
Uma alternativa engenhosa que muitos turistas usam é o serviço de envio de malas (takkyubin). Você despacha a mala no aeroporto e ela chega ao hotel em Osaka no dia seguinte. O custo gira em torno de 2.500 a 3.500 ienes por mala. Só que isso significa que você precisa levar na mochila tudo o que vai usar na primeira noite e na manhã seguinte: pijama, muda de roupa, itens de higiene. Para quem viaja com crianças pequenas, isso exige um certo malabarismo, mas a liberdade de não arrastar malas pesadas em trens e estações lotadas compensa o esforço.
Dia 2: Osaka em Ritmo Próprio
O segundo dia em Osaka pode seguir dois caminhos completamente diferentes.
Se a sua família é do tipo que adora parques temáticos, a Universal Studios Japan é uma experiência que justifica cada iene investido. O parque tem atrações que vão do Nintendo World (com o castelo do Bowser e o Mario Kart em realidade aumentada) até a área de Harry Potter. É intenso, é caro, é lotado. E justamente por isso exige planejamento: os ingressos precisam ser comprados no site oficial da USJ com antecedência. Nada de deixar para a bilheteria no dia, porque os ingressos esgotam, especialmente em fins de semana e feriados japoneses. O Express Pass, que permite furar filas, é vendido separadamente e custa quase o mesmo que o ingresso normal, mas para famílias com crianças impacientes pode ser um investimento que salva o dia.
Agora, se a ideia for explorar Osaka no seu ritmo mais autêntico, o dia livre é uma oportunidade de ouro. Comece pelo Mercado Kuromon, um paraíso de barracas de comida de rua que funciona desde o período Edo. É o lugar onde você prova takoyaki (bolinho de polvo) feito na hora, espetinhos de wagyu grelhados ali mesmo e ouriço do mar fresco. As crianças costumam se divertir com a variedade visual e os vendedores que interagem com os clientes.
Do mercado, caminhe até Dotonbori, o coração pulsante de Osaka. Durante o dia, a região tem uma energia diferente da noturna: menos multidão, mas ainda vibrante. O letreiro do Glico Man, os caranguejos mecânicos nas fachadas, o cheiro adocicado de okonomiyaki saindo das grelhas. Tudo ali é um espetáculo sensorial.
Para almoçar, as galerias comerciais cobertas como a Shinsaibashi-suji oferecem dezenas de opções. O kaitenzushi (sushi em esteira) é uma experiência que diverte adultos e crianças, e os preços costumam ser bem mais em conta do que em restaurantes tradicionais.
À tarde, o Parque do Castelo de Osaka é um respiro verde no meio da selva urbana. O castelo em si é uma reconstrução (o original foi destruído várias vezes ao longo dos séculos), mas o museu interno conta a história do Japão feudal de forma acessível. Subir os oito andares até o mirante no topo rende uma vista panorâmica da cidade que ajuda a entender a escala de Osaka. Entre março e abril, as cerejeiras transformam o parque em um dos cenários mais fotografados do país. Se sua viagem coincidir com essa época, prepare-se para multidões e para o hábito japonês do hanami (piquenique sob as cerejeiras), que você pode e deve imitar comprando bentôs e sentando na grama.
Dia 3: De Osaka a Quioto, Com Paradas que Valem Cada Minuto
Este é um dia intenso. A logística pede um bom café da manhã e saída cedo do hotel, por volta das 8h. A primeira parada é o Castelo de Osaka, caso você não o tenha visitado no dia anterior. Mas se já explorou o castelo no dia livre, pode seguir diretamente para Dotonbori pela manhã, quando as ruas estão mais tranquilas e a luz para fotos é melhor. O canal que corta o bairro oferece passeios de barco que duram cerca de 20 minutos e custam pouco. É uma forma diferente de ver as fachadas extravagantes.
O almoço pode ser resolvido na própria Dotonbori. O restaurante Mizuno, especializado em okonomiyaki desde 1945, é uma referência. Mas há fila. Para quem não quer esperar, as ruas paralelas ao canal têm casas igualmente boas e menos hypadas.
Após o almoço, siga para a estação de Osaka e embarque no trem local JR com destino a Quioto. São cerca de 30 minutos de viagem. O JR Pass cobre o trajeto.
Quioto pede presença. E a primeira impressão precisa ser marcante, então comece pelo Pavilhão Dourado, o Kinkaku-ji. O templo zen refletido nas águas do lago-espelho é uma imagem que não se apaga da memória. A visita é relativamente curta: o interior não é acessível, então se percorre o jardim ao redor, sempre com o reflexo dourado como pano de fundo. O contraste entre o ouro do pavilhão e o verde meticulosamente aparado dos pinheiros japoneses cria uma composição que parece ter sido pintada à mão.
O ingresso do Kinkaku-ji custa 500 ienes para adultos e 300 ienes para crianças. Não se compra antecipadamente, é na bilheteria do local mesmo.
De lá, pegue um táxi ou um ônibus até Arashiyama. O táxi em Quioto não é barato, mas para famílias com crianças cansadas depois de um dia longo, compensa. O bosque de bambu de Arashiyama é um corredor verde que se eleva a mais de 20 metros de altura. O som do vento batendo nos colmos é hipnótico. A trilha principal tem cerca de 500 metros e pode ser percorrida em 20 minutos, mas a dica é ir devagar, especialmente no final da tarde, quando a luz fica mais suave e a multidão começa a se dispersar. Nos arredores do bosque, o Templo Tenryu-ji, com seu jardim de pedras, merece ao menos meia hora do seu tempo.
No final do dia, siga para seu hotel em Quioto. A região da estação central é prática para check-in, mas se você puder se hospedar em Higashiyama ou perto do rio Kamo, a experiência de acordar em Quioto fica ainda mais especial.
Dia 4: Fushimi Inari e Nara, o Dia Mais Japonês da Viagem
Comece cedo. Fushimi Inari abre 24 horas e as primeiras horas da manhã são o momento ideal para visitar o santuário sem disputar espaço com milhares de turistas. O complexo fica a apenas duas estações da estação de Quioto pela linha JR Nara (coberta pelo JR Pass). Em cinco minutos você está lá.
Os milhares de torii vermelhos que formam túneis serpenteando a montanha são uma das imagens mais icônicas do Japão. A trilha completa até o topo do monte Inari leva de duas a três horas, mas com crianças pequenas o mais sensato é subir até o mirante Yotsutsuji, que fica mais ou menos na metade do caminho. A vista de Quioto lá de cima é uma recompensa honesta, e dali você pode decidir se continua ou se volta. As raposas de pedra que guardam o santuário (mensageiras de Inari, a deusa do arroz) rendem boas fotos e despertam a curiosidade das crianças.
Do santuário, volte para a estação e pegue o mesmo trem JR Nara (direção Nara). O trajeto de Inari até Nara leva cerca de 40 minutos. Desça na estação de Nara e caminhe em direção ao parque. Em menos de dez minutos você já estará cercado pelos cervos sagrados que se aproximam sem cerimônia. Os biscoitos shika senbei são vendidos em barraquinhas espalhadas pelo parque (cerca de 200 ienes o pacote) e os cervos aprenderam a fazer uma reverência com a cabeça para ganhá-los. É um comportamento condicionado, claro, mas encanta crianças e adultos.
O Templo Todaiji está dentro do parque, a uma caminhada de 15 minutos. O Grande Salão do Buda é a maior estrutura de madeira do mundo e abriga uma estátua de Buda com 15 metros de altura. A escala é impressionante. Há um pilar com um buraco na base que, segundo a crença local, tem o mesmo tamanho da narina do Buda. Quem conseguir passar por ele terá iluminação garantida. As crianças costumam se espremer com facilidade, enquanto os pais… bom, nem todos têm a mesma sorte.
O almoço pode ser feito em Nara mesmo. Os arredores da estação e as ruas que levam ao parque estão cheios de restaurantes. Kakinoha-zushi, um sushi envolvido em folhas de caqui, é a especialidade local e uma experiência gastronômica diferente do sushi convencional.
No fim da tarde, o trem JR devolve você a Quioto com tempo para um jantar tranquilo. O bairro de Gion, com suas casas de chá e a possibilidade de avistar uma gueixa caminhando para um compromisso, é um bom programa noturno. Mas vá com expectativas realistas: as gueixas não posam para fotos e os turistas insistindo com câmeras são um incômodo real para elas e para os moradores.
Dia 5: Dia Livre em Quioto, com Hiroshima no Horizonte
O quinto dia é uma bifurcação no roteiro. Há quem prefira mergulhar fundo em Quioto, que tem templos suficientes para uma semana inteira. E há quem queira fazer o deslocamento até Hiroshima.
Quioto por conta própria neste dia rende muito. O bairro de Higashiyama concentra alguns dos cartões-postais mais batidos do Japão e ainda assim não decepcionam. Comece pelo Kiyomizu-dera, o templo do terraço de madeira suspenso sobre a encosta. A vista do pôr do sol dali é coisa de cinema. Depois, caminhe pelas ruas de paralelepípedo de Sannenzaka e Ninenzaka, becos inclinados ladeados por casas de chá, lojinhas de cerâmica e cafés minúsculos. As crianças vão gostar das lojas de doces tradicionais e dos sorvetes de matchá.
O Templo Ryoan-ji, com seu jardim zen de 15 pedras dispostas sobre areia branca, é um convite a sentar e não fazer nada por alguns minutos. Observar o jardim é o programa. Pode soar entediante descrito assim, mas a experiência é curiosamente calmante, especialmente depois de dias de caminhada intensa.
Agora, se você optar por Hiroshima, saiba que é um dia longo e emocionalmente pesado, mas absolutamente necessário para quem quer entender o Japão moderno. O trem-bala Nozomi (coberto pelo JR Pass) faz Quioto-Hiroshima em 1 hora e 40 minutos. De lá, um bonde leva até o Parque Memorial da Paz em cerca de 15 minutos.
O Museu da Bomba Atômica é impactante. As fotografias, os objetos retorcidos, os depoimentos. Famílias com crianças muito pequenas talvez queiram pular essa parte, porque algumas imagens são realmente perturbadoras. O Parque da Paz em si, com o Domo Genbaku (a cúpula que sobreviveu à explosão) ao fundo, é um espaço de reflexão a céu aberto. As crianças podem soltar as mil garças de papel coloridas que outros visitantes deixam no monumento em homenagem a Sadako Sasaki.
De Hiroshima, pegue um bonde e depois uma balsa até a ilha de Miyajima. O portal torii flutuante do Santuário Itsukushima é uma visão que merece o desvio. Na maré baixa, dá para caminhar até a base do portal. Na maré alta, ele parece flutuar. Os cervos de Miyajima andam soltos pela ilha também. O almoço pode ser o anago-meshi, enguia grelhada sobre arroz, que é a especialidade local.
A volta para Quioto segue o mesmo caminho: balsa, bonde, trem-bala. Chegue ao hotel no início da noite e descanse, porque o dia seguinte é de mudança para Tóquio.
Dia 6: Rumo a Tóquio, com o Pacote Completo no Mesmo Dia
Este é o dia mais denso logisticamente. Acorde cedo, tome um bom café da manhã e despache as malas grandes. O serviço de takkyubin (envio de bagagem) está disponível na recepção dos hotéis. Basta preencher um formulário com o endereço do hotel em Tóquio e pagar a taxa (cerca de 2.500 ienes por mala). As malas chegam ao destino em 24 horas. Portanto, separe o necessário para uma noite e carregue na mochila. Essa logística de envio de malas é um dos segredos mais subestimados para viajar com conforto pelo Japão.
O trem-bala Nozomi parte da estação de Quioto. A viagem até a estação de Tóquio dura aproximadamente 2 horas e 15 minutos. O JR Pass cobre o trajeto. Sente-se do lado direito para ver o Monte Fuji quando o céu estiver limpo. A montanha aparece majestosa no horizonte e as crianças costumam ficar grudadas na janela.
Chegando a Tóquio, a estação já é uma atração por si só. Um labirinto subterrâneo de lojas, restaurantes e corredores que se estendem por quilômetros. Mas não se perca agora: o dia de visitas começa imediatamente.
A primeira parada é o Santuário Meiji, em Harajuku. Acessível pela linha Yamanote (a linha circular que o JR Pass cobre), o santuário está incrustado em uma floresta de 70 hectares plantada por voluntários há mais de cem anos. O contraste entre o silêncio do bosque e o caos urbano de Harajuku a poucos metros dali é desconcertante. O portão torii de madeira na entrada é o maior do Japão.
Caminhe pela floresta, faça a purificação ritual no temizuya (lavatório) e observe os ema, plaquinhas de madeira onde os visitantes escrevem desejos. As crianças podem colocar os seus.
De Meiji, pegue o metrô (linha Ginza) até Asakusa para visitar o Senso-ji, o templo budista mais antigo de Tóquio. A entrada pelo portão Kaminarimon, com sua lanterna vermelha gigante, já entrega o tom do lugar. A rua comercial Nakamise, que leva até o templo principal, é um corredor de barracas que vendem de tudo: leques, quimonos de algodão, bonecos daruma, biscoitos de arroz e ningyo-yaki (bolinhos recheados com pasta de feijão doce, em formato de bonecos). É impossível sair dali sem algumas lembrancinhas.
O almoço pode ser resolvido na própria Asakusa. As vielas perto do templo têm restaurantes especializados em tempurá e unagi (enguia grelhada). O Asakusa Unatetsu é uma referência, mas o preço é salgado. Para algo mais acessível, os restaurantes de soba (macarrão de trigo sarraceno) espalhados pelo bairro funcionam bem.
À tarde, siga para os jardins do Palácio Imperial. O palácio em si não é aberto ao público (exceto em duas datas específicas do ano), mas os jardins orientais são uma amostra generosa do que foi o Castelo de Edo. As muralhas, os fossos e as pontes compõem um cenário que mistura natureza e história. A caminhada é leve e o espaço é amplo, o que é um alívio no meio da metrópole mais densa do mundo.
O encerramento do dia é em Shibuya. O cruzamento mais famoso do planeta, com suas cinco faixas de pedestres convergindo e milhares de pessoas atravessando ao mesmo tempo, é um espetáculo urbano que deve ser visto de cima. A Starbucks em frente à estação tem um bom ponto de observação no segundo andar, mas a dica é o terraço gratuito do Shibuya Scramble Square (que exige reserva antecipada pelo site). A vista do 45º andar, com Tóquio se estendendo até onde a vista alcança, é de tirar o fôlego.
De Shibuya, siga para o hotel e descanse. O check-in em Tóquio pode ser feito antes ou depois das visitas, dependendo da localização da hospedagem.
Dia 7: Tóquio no Seu Ritmo
O sétimo dia tem dois caminhos naturais. Um deles é a Disneyland de Tóquio. O outro é explorar Tóquio fora do circuito óbvio.
A Disneyland de Tóquio é considerada por muitos a melhor do mundo. É impecável, organizada e tem o bônus de contar com a DisneySea, um parque exclusivo do Japão com temática náutica que não existe em nenhum outro lugar. A compra de ingressos precisa ser feita online, diretamente no site Tokyo Disney Resort, com bastante antecedência. Os ingressos para a DisneySea em particular esgotam rápido.
Para famílias que não querem enfrentar filas ou já visitaram outras Disneys, Tóquio oferece alternativas menos previsíveis. O bairro de Ueno concentra museus, um zoológico e um parque que no verão explode em cores com os lótus do lago Shinobazu. O Museu Nacional de Ciências e Natureza tem exposições interativas que agradam crianças e adolescentes, com um acervo que inclui desde meteoritos até robôs.
Oden, outra opção, é o bairro de Odaiba, uma ilha artificial com shopping centers, um parque temático indoor (Joypolis, da Sega) e uma réplica da Estátua da Liberdade com a Rainbow Bridge ao fundo. Chega-se lá pela linha Yurikamome, um monotrilho que passa sobre a baía e oferece vistas panorâmicas. O trajeto em si já é um programa.
Akihabara, o paraíso da cultura otaku e da eletrônica, é outra pedida. Mesmo para quem não é fã de mangá ou anime, as lojas de vários andares vendendo todo tipo de bugiganga tecnológica são uma atração à parte. Os arcades (fliperamas) de Akihabara são um mergulho na cultura pop japonesa, com máquinas de ritmo, luta e garra que viciam adolescentes e adultos.
Dia 8: Despedida e Retorno
O último dia segue um ritual simples e conhecido de qualquer viajante: café da manhã, check-out e traslado ao aeroporto.
O Narita Express, que sai das estações de Tóquio, Shinagawa, Shibuya e Shinjuku, leva ao Aeroporto de Narita em cerca de 60 a 90 minutos, dependendo do ponto de embarque. O JR Pass cobre o N’EX. Se o seu vôo sair de Haneda, o monotrilho de Tóquio ou a linha Keikyu são as opções, com trajetos que não passam de 30 minutos.
No aeroporto, as lojas duty-free vendem os últimos souvenirs: Kit Kats de sabores que só existem no Japão (matchá, wasabi, cheesecake de morango), saquê, uísque japonês e cosméticos. É útil chegar com pelo menos duas horas e meia de antecedência para vôos internacionais e ter tempo de passar nessas lojas sem correria.
Quanto Custa Esse Roteiro? (Estimativa por Pessoa)
| Item | Valor Aproximado (em ienes) |
| JR Pass 7 dias (adulto) | 50.000 |
| Hospedagem (7 noites, hotel 3 estrelas) | 70.000 a 100.000 |
| Alimentação (média de 3.000 ienes/dia) | 24.000 |
| Ingressos: Kinkaku-ji, Todaiji, Fushimi Inari (grátis) | 1.500 |
| Universal Studios Japan (opcional) | 9.400 |
| Disneyland Tóquio (opcional) | 9.400 |
| Transporte local (metrô, ônibus) | 8.000 |
| Takkyubin (envio de malas, 2 vezes) | 5.000 |
| Internet (pocket wifi, valor por pessoa no grupo) | 3.000 |
| Total estimado por pessoa (sem opcionais) | 161.500 |
Os valores são médias e flutuam conforme a cotação do iene e a época do ano. Viajar na primavera (março-abril) e no outono (outubro-novembro) é mais caro devido à alta temporada. O verão japonês (junho-agosto) é mais barato, mas o calor e a umidade são implacáveis.
O Que Levar na Mala (Lista Realista)
Japão em qualquer estação tem suas particularidades. No inverno (dezembro a fevereiro), as temperaturas em Tóquio e Quioto podem cair para perto de zero, então um bom casaco impermeável é indispensável. No verão, roupas leves, mas com mangas para se proteger do sol, e calçados extremamente confortáveis: você vai caminhar o triplo do que imagina. Em qualquer época, leve meias sem furos. A cultura japonesa exige tirar os sapatos em templos, ryokans e até em restaurantes com tatame.
Um adaptador de tomada: o Japão usa plugues de dois pinos chatos (tipo A), os mesmos dos Estados Unidos, com voltagem de 100V. A maioria dos carregadores modernos de celular é bivolt e funciona sem problemas.
Remédios básicos: analgésico, antialérgico e algo para o estômago. A culinária japonesa é segura, mas o corpo pode estranhar a mudança de dieta. Não arrisque levar medicamentos que contenham pseudoefedrina ou codeína: o Japão tem leis rígidas sobre substâncias controladas e pode barrar a entrada.
Uma mochila pequena para o dia a dia: você vai usá-la em todos os deslocamentos. Nela cabem as garrafas de água (a água da torneira no Japão é potável), os documentos, o pocket wifi e as compras de rua.
Erros Comuns que Vale Evitar
O primeiro erro é subestimar as distâncias dentro das cidades. As estações de metrô em Tóquio podem ter várias saídas, e a saída errada significa caminhar 15 minutos a mais. Use o Google Maps e preste atenção no número da saída indicada.
O segundo erro é não levar dinheiro em espécie. Templos, mercados, casas de chá e restaurantes menores simplesmente não aceitam cartão. Acredite: você vai precisar de cédulas.
O terceiro erro é comprar o JR Pass sem calcular se ele realmente vale a pena para o seu roteiro. Para este itinerário específico (Osaka-Quioto-Tóquio com ida e volta regional para Nara), o passe de 7 dias se paga com folga. Mas existem calculadoras online de JR Pass para você conferir.
O quarto erro é tentar fazer tudo. O Japão cansa. A quantidade de estímulos visuais, a caminhada constante e a barreira do idioma (que existe, por mais que a sinalização em inglês ajude) drenam a energia. Programe pausas. Um café num konbini (loja de conveniência), um banco de praça em um parque, uma parada inesperada em uma casa de chá. Esses momentos de respiro são os que mais ficam na memória.
Viajar pelo Japão por conta própria com a família é uma decisão que muda a qualidade da experiência. Você dita o ritmo, escolhe onde comer, decide se fica mais dez minutos admirando um jardim ou se acelera o passo. E quando algo dá errado, o que invariavelmente acontece em qualquer viagem, resolver por conta própria traz uma satisfação que nenhum pacote fechado entrega. O Japão é um dos países mais seguros e organizados do mundo para se fazer isso. Aproveite essa vantagem.