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20 Destinos Turísticos Para Viajar Ainda em 2026

Viajar em 2026 pode significar muito mais do que escolher uma praia famosa ou seguir o roteiro mais divulgado nas redes sociais. Em diferentes partes do mundo, cidades, ilhas e regiões rurais estão preparando novas atrações, trilhas, museus, festivais e projetos de conservação. Ao mesmo tempo, vários destinos tentam equilibrar o crescimento do turismo com a proteção de paisagens frágeis e a valorização das pessoas que vivem nesses lugares.

Viajar em 2026 pode significar muito mais do que escolher uma praia famosa ou seguir o roteiro mais divulgado nas redes sociais

A seleção apresentada neste artigo reúne vinte destinos destacados pela BBC Travel para 2026, mas não funciona como uma classificação. A proposta é mostrar por que cada local ganhou atenção e que tipo de experiência ele oferece. Alguns se destacam por um aniversário histórico. Outros passam por uma recuperação após terremotos, criam áreas protegidas ou abrem caminhos para que visitantes conheçam a cultura local de maneira mais respeitosa.

As datas de inaugurações, rotas, eventos e obras podem sofrer alterações. Antes de comprar passagens, é importante confirmar horários, exigências de entrada, orientações de segurança, disponibilidade de hospedagem e regras ambientais nos sites oficiais. Em regiões sensíveis, o modo de viajar faz tanta diferença quanto o lugar escolhido.

1. Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos: uma nova fase cultural no deserto

Abu Dhabi está ampliando a imagem de cidade ligada apenas a arranha-céus, compras e parques temáticos. O eixo dessa transformação é o Distrito Cultural de Saadiyat, onde museus e centros de arte formam um dos maiores projetos culturais do Golfo Pérsico.

O Louvre Abu Dhabi já havia iniciado esse movimento. Para 2026, a atenção se volta ao Museu Nacional Zayed, dedicado à história dos Emirados Árabes Unidos, às tradições de mergulho em busca de pérolas, à influência do islã e à formação do país. O museu reúne mais de 1.500 peças, segundo a apresentação divulgada pelo próprio projeto.

Outro espaço de interesse é o Museu de História Natural de Abu Dhabi, que aborda a geologia da região e a história da vida na Terra. O Guggenheim Abu Dhabi também aparece nos planos culturais da cidade, embora a data de abertura possa mudar. Quem prefere entretenimento encontrará novidades na Ilha Yas, com ampliações no Warner Bros. World e no Yas Waterworld.

A melhor maneira de compreender Abu Dhabi é combinar esses espaços modernos com bairros históricos, mercados, mesquitas e áreas de mangue. A cidade está construindo uma narrativa nacional para além da riqueza do petróleo. Para o visitante, isso significa observar como um país jovem apresenta seu patrimônio, sua memória e suas ambições culturais.

2. Argélia: ruínas romanas, cidades históricas e o Saara

A Argélia reúne três paisagens que raramente aparecem no mesmo roteiro: o litoral mediterrâneo, cidades com camadas de influência fenícia, romana, otomana e francesa, e o vasto deserto do Saara. Durante anos, regras de entrada e logística mais difícil afastaram muitos viajantes. Em 2026, novas excursões e mudanças para grupos organizados podem facilitar o acesso, mas as exigências de visto devem ser verificadas diretamente com as autoridades argelinas.

Argel costuma ser o ponto inicial. A capital combina construções costeiras, vielas antigas e marcas de diferentes períodos históricos. Constantine, erguida sobre desfiladeiros, oferece uma paisagem urbana muito particular e preserva testemunhos de milhares de anos de ocupação.

No interior, Timgad e Djémila apresentam alguns dos conjuntos romanos mais bem preservados do norte da África. Ruas, fóruns, templos e teatros permitem entender como funcionavam as cidades do Império Romano fora da península Itálica. A experiência é diferente de visitar sítios muito movimentados do Mediterrâneo, pois o fluxo de turistas tende a ser menor.

Para quem busca uma viagem de natureza e cultura, Djanet funciona como porta de entrada para o deserto. Oásis, dunas, formações rochosas e arte rupestre fazem parte dos roteiros. Guias locais, contratação regularizada e atenção ao calor são indispensáveis. O turismo pode gerar renda para artesãos e comunidades, desde que respeite os sítios arqueológicos e evite transformar tradições em simples espetáculo.

3. Vale de Colchagua, Chile: vinho, gastronomia e céu estrelado

A cerca de duas horas ao sul de Santiago, o Vale de Colchagua acompanha a área do rio Tinguiririca entre a Cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. A região se tornou um dos principais centros vinícolas do Chile, mas oferece mais do que degustações.

Vinícolas como Viu Manent, Los Vascos, Casa Silva e MontGras recebem visitantes interessados em conhecer o cultivo da uva, as técnicas de produção e a relação entre clima, solo e estilo do vinho. As variedades Carménère, Cabernet Sauvignon e Syrah aparecem com frequência nos rótulos locais. Em propriedades como Clos Apalta, a hospedagem entre os vinhedos amplia a experiência.

A gastronomia também ganhou força. O restaurante Fuegos de Apalta, associado ao chef argentino Francis Mallmann, trabalha com preparações sobre fogo e ingredientes da região. Pequenas cidades como Santa Cruz e Lolol oferecem mercados, casas de adobe e construções que ajudam a contar a história rural do centro do Chile.

O vale ainda conserva uma identidade ligada aos huasos, os trabalhadores e cavaleiros tradicionais do campo chileno. Rodeios, passeios por fazendas e caminhadas podem ser incluídos no itinerário. À noite, o céu limpo favorece a observação astronômica, especialmente em áreas afastadas das luzes urbanas. Em 2026, a Rota do Vinho do Chile marca trinta anos, o que deve estimular programação especial em algumas vinícolas.

4. Ilhas Cook: lagoas azuis e cultura polinésia

As Ilhas Cook ficam no Pacífico Sul, em uma associação política livre com a Nova Zelândia. Rarotonga é a ilha mais populosa e concentra uma combinação fácil de apreciar: montanhas cobertas de vegetação, uma lagoa de águas claras, praias, trilhas e manifestações da cultura polinésia.

A trilha Cross-Island leva ao interior montanhoso e passa pelo Te Rua Manga, formação conhecida como “A Agulha”. O percurso exige preparo físico, pois o terreno pode ser escorregadio. Para uma experiência mais tranquila, a estrada circular de Rarotonga permite conhecer vilas, praias e mercados em um ritmo lento.

Aitutaki é famosa por sua lagoa triangular e pelos pequenos motu, nome dado aos ilhotes da região. Outras treze ilhas oferecem uma sensação ainda mais remota. Hospedagens de menor escala e atividades conduzidas por moradores ajudam a distribuir os benefícios da visita.

O arquipélago também está reforçando a proteção de Marae Moana, uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo. Em Aitutaki, alguns ilhotes receberam regras especiais de conservação. O adiamento de pesquisas de mineração em águas profundas até pelo menos 2032 sinaliza a preocupação com os impactos ambientais. Novas conexões aéreas previstas para 2026 podem facilitar a chegada, mas o visitante deve lembrar que a infraestrutura insular é limitada e que reservar com antecedência é prudente.

5. Costa Rica: biodiversidade, bem-estar e proteção da Península de Osa

A Costa Rica é conhecida por florestas tropicais, vulcões, praias e parques nacionais. A Península de Osa, no sul do país, concentra uma parcela muito expressiva da biodiversidade terrestre costa-riquenha e abriga o Parque Nacional Corcovado.

A região permite observar araras, macacos, preguiças, répteis e uma grande variedade de plantas. Manguezais, enseadas e águas costeiras também fazem parte da experiência. Passeios de caiaque, observação de baleias, surfe e trilhas podem ser combinados com práticas de respiração, meditação e ioga.

O interesse para 2026 está ligado a ações de conservação em terra e no mar. Organizações locais trabalham para ampliar corredores usados por onças e fortalecer a proteção de tubarões migratórios. Eco-hospedagens e escolas de surfe comunitárias tentam reduzir o desperdício de água e energia. Alguns estabelecimentos usam painéis solares, tratam águas residuais e apoiam projetos de proteção de tartarugas.

Puerto Jiménez é uma das portas de acesso à península. O deslocamento até áreas mais isoladas exige planejamento e respeito aos horários das marés e dos parques. O viajante deve contratar operadores autorizados, não alimentar animais e evitar cosméticos que prejudiquem ambientes aquáticos. Nessa parte da Costa Rica, o luxo está menos ligado a grandes estruturas e mais à possibilidade de permanecer perto da floresta sem comprometer seu funcionamento.

6. Hébridas, Escócia: pedras antigas, praias claras e uísque

As ilhas Hébridas se espalham pela costa atlântica da Escócia e reúnem praias de areia clara, falésias, castelos, sítios neolíticos e comunidades pequenas. Na ilha de Lewis, as pedras de Calanais formam um círculo com mais de cinco mil anos, anterior a Stonehenge. Um novo centro de visitantes deve ajudar a organizar o acesso e financiar a conservação do local.

A ilha de Barra é conhecida por uma pista de pouso na praia, utilizada conforme a maré. O castelo de Kisimul, na baía de Castlebay, reforça o caráter histórico da ilha. Uma nova destilaria de uísque em Borve amplia a oferta de visitas ligadas à produção de bebidas tradicionais.

Islay, nas Hébridas do Sul, já é uma referência para uísques de malte com forte presença de turfa. Duas novas destilarias previstas para 2026 devem elevar o número de estabelecimentos da ilha para quatorze. A abertura do hotel Ardbeg House também aproxima hospedagem e cultura do uísque.

O festival Fèis Ìle, realizado em maio, costuma atrair muitos visitantes. Quem pretende ir deve reservar hospedagem e transporte cedo. Fora da alta procura, caminhar, observar aves e conhecer comunidades pesqueiras permite perceber que a identidade das Hébridas não se resume à bebida. Ela depende de paisagens frágeis, sotaques, músicas e formas de vida que precisam de visitantes atentos.

7. Ishikawa, Japão: artes tradicionais e reconstrução após o terremoto

A província de Ishikawa foi atingida por um terremoto de magnitude 7,6 no primeiro dia de 2024. A Península de Noto sofreu danos em casas, estradas, negócios e patrimônios culturais. Em 2026, lideranças locais desejam receber visitantes para apoiar a reconstrução econômica e social.

Kanazawa, no sul da província, fica a cerca de duas horas e meia de trem-bala de Tóquio. O jardim Kenrokuen, oficinas de folha de ouro e o tecido tingido Kaga Yuzen são alguns de seus principais atrativos. A cidade oferece uma alternativa aos circuitos mais concorridos de Quioto, com forte presença de artesanato e culinária regional.

No norte, pousadas instaladas em casas de fazenda convidam os hóspedes a participar de atividades sazonais, como o plantio de arroz. Parte da renda pode contribuir para a manutenção das plantações em terraços de Shiroyone Senmaida. Noto também é conhecida pelo peixe e frutos do mar, pela laca Wajima-nuri e pelo saquê produzido por mestres locais.

A visita precisa ser planejada com sensibilidade. Algumas áreas ainda podem ter acesso restrito, e negócios podem operar em horários diferentes. Comprar diretamente de artesãos, comer em restaurantes reabertos e escolher hospedagens familiares são formas concretas de apoiar a recuperação, sem tratar o desastre como atração turística.

8. Ilhas Komodo, Indonésia: dragões, recifes e controle de visitantes

O Parque Nacional de Komodo, no mar de Flores, é um dos ambientes naturais mais impressionantes do Sudeste Asiático. Colinas secas, praias rosadas, enseadas e recifes formam o cenário de uma área protegida que abriga o dragão-de-komodo, o maior lagarto do mundo.

Passeios conduzidos por guardas permitem observar os animais com distância segura. O parque também protege mantas, tartarugas, peixes e jardins de coral. Em 2026, o aniversário de 45 anos do parque deve ser acompanhado por novos programas de conservação e medidas para controlar o fluxo de pessoas.

Labuan Bajo é a principal base de chegada, com conexões diretas previstas ou disponíveis a partir de cidades asiáticas como Singapura e Kuala Lumpur. De lá, o viajante pode fazer passeios de um dia, dormir em eco-hospedagens ou embarcar em um phinisi, barco tradicional de madeira usado em roteiros entre ilhas.

Permissões, taxas e acompanhamento de guias são parte essencial da visita. Não se deve tentar alimentar animais, sair das trilhas ou tocar em corais. A receita do parque precisa beneficiar a administração da área e as comunidades vizinhas. A força de Komodo está justamente na possibilidade de observar uma fauna extraordinária sem transformar o território em um parque de diversão.

9. Loreto, Baixa Califórnia Sul, México: deserto, baleias e conservação marinha

Loreto combina uma cidade histórica, montanhas secas, ilhas e águas ricas do Golfo da Califórnia. O Parque Nacional da Baía de Loreto protege mais de 200 mil hectares e abriga baleias-azuis, tartarugas marinhas e colônias de leões-marinhos.

A região se prepara para ampliar áreas protegidas com os parques nacionais de Nopoló e Loreto II. A ideia é conservar cânions, manguezais, corredores de fauna e trechos costeiros. Antigos pescadores vêm sendo treinados como guias naturalistas, conduzindo passeios de caiaque, observação de baleias e caminhadas no deserto.

O visitante pode participar de limpezas costeiras, festivais de conservação e atividades de ciência cidadã. Nesses projetos, moradores e turistas ajudam a registrar espécies e mudanças no ambiente. Refeições comunitárias e passeios organizados por cooperativas aproximam o viajante de famílias, cozinheiros e artesãos.

A cidade tem ruas claras, uma missão histórica e a Serra de la Giganta ao fundo. Para aproveitar Loreto, vale alternar os passeios marítimos com caminhadas curtas e momentos de descanso. O clima seco exige hidratação, proteção solar e cuidado com os horários de maior calor.

10. Montenegro: a Baía de Kotor e as montanhas dos Bálcãs

Montenegro marca vinte anos como Estado independente em 2026. O país tem menos de 650 mil habitantes e uma história marcada por influências ilírias, romanas, otomanas e iugoslavas. A costa é a área mais conhecida, sobretudo pela Baía de Kotor, com cidades muradas, igrejas e antigas construções venezianas.

Kotor, Perast e Budva costumam receber a maior parte dos visitantes. Para fugir da concentração no litoral, o roteiro pode seguir para Cetinje, antiga capital real, onde palácios, mosteiros e museus ajudam a compreender a formação montenegrina.

O lago Skadar é uma importante área para aves na Europa e abriga cerca de 281 espécies registradas. Já a cordilheira Prokletije apresenta picos, florestas e lagos glaciais. Lobos e ursos vivem em áreas de difícil acesso, enquanto trilhas conectam comunidades rurais.

O caminho Peaks of the Balkans percorre 192 quilômetros por Montenegro, Albânia e Kosovo. O projeto busca gerar renda em povoados montanhosos e reduzir o abandono dessas áreas. A caminhada exige guias, documentos adequados e atenção às regras de fronteira. Em 2026, Montenegro pode ser uma boa escolha para quem quer juntar patrimônio marítimo com aventura em uma região menos urbana.

11. Costa do Oregon, Estados Unidos: estrada cênica e acesso para mais pessoas

A costa do Oregon se estende por quase 370 milhas, ou cerca de 595 quilômetros, entre a região do rio Columbia e as florestas próximas à fronteira com a Califórnia. Toda a faixa litorânea do estado é pública, graças a uma lei de 1967.

Falésias, faróis, praias, florestas de coníferas e comunidades pesqueiras formam um dos grandes roteiros rodoviários dos Estados Unidos. A estrada US-101 é tradicional, mas 2026 traz alternativas para quem não quer dirigir todo o percurso. Um ônibus sazonal conecta Portland a localidades costeiras, e a rede de carregamento para veículos elétricos está crescendo.

Também existe uma rota ciclística de ponta a ponta, com cerca de 370 milhas. Em várias cidades há bicicletas e serviços voltados a ciclistas. Mobi-Mats e cadeiras de rodas próprias para a areia ampliam o acesso às praias. Uma parceria de mapeamento ajuda a localizar hospedagens e atividades mais adequadas a pessoas com diferentes necessidades de mobilidade.

A pesca local continua importante para a economia. Iniciativas que mantêm o pescado do Oregon nos restaurantes da própria região apoiam famílias que dependem do mar. Ao escolher negócios locais, usar transporte coletivo quando possível e respeitar áreas de nidificação, o visitante contribui para que o turismo não pressione ainda mais a costa.

12. Oulu, Finlândia: cultura ártica e mobilidade no inverno

Situada perto do Círculo Polar Ártico, Oulu será uma das Capitais Europeias da Cultura em 2026. A programação deve se espalhar por doze meses, com apresentações, instalações, exposições e eventos em bairros e vilas próximas.

A cidade já tem uma identidade particular. É conhecida pelo Campeonato Mundial de Air Guitar e se apresenta como capital mundial do ciclismo de inverno. Pedalar em temperaturas baixas exige equipamentos adequados, mas faz parte da vida cotidiana local e não apenas de uma atividade para turistas.

O Arctic Food Lab valoriza ingredientes moldados por solos e estações extremas. Jantares e degustações devem apresentar sabores nórdicos e árticos. A trilha de arte pública Climate Clock reúne sete instalações criadas por artistas e cientistas para refletir sobre mudanças climáticas e a passagem do tempo natural.

Além da programação cultural, Oulu oferece ilhas ventosas, faróis, caminhadas ao entardecer e saunas. A visita ganha qualidade quando o viajante aceita o ritmo local, em vez de tentar encaixar muitas atrações em poucas horas. O inverno pode ser escuro e frio, mas também proporciona uma relação intensa com a paisagem.

13. Filadélfia, Estados Unidos: 250 anos de história, arte e esporte

Filadélfia ocupa um lugar central na história dos Estados Unidos. Foi ali que a declaração de independência foi aprovada em 4 de julho de 1776. Em 2026, o país marca 250 anos, e a cidade preparou uma programação de história, arte e esporte.

O projeto 52 Weeks of Firsts apresenta, a cada semana, acontecimentos e instituições associados à cidade. Bairros diferentes recebem encontros, performances e atividades que relacionam invenções, movimentos sociais e lugares históricos. A programação ajuda a sair do circuito formado apenas pelo Independence Hall e pelo Liberty Bell.

Entre fevereiro e setembro, o Franklin Institute deve sediar uma exposição sobre parques temáticos da Universal, abordando engenharia, cenografia e design. A organização Mural Arts Philadelphia também planeja mais de cinquenta oficinas de gravura conduzidas por artistas. Parte dos passeios guiados por murais financia programas de arte comunitária e educação.

O calendário esportivo será movimentado, com partidas da Copa do Mundo da FIFA, o All-Star Game da Major League Baseball, etapas do torneio universitário March Madness e o PGA Championship. O RockyFest, ligado aos cinquenta anos do filme Rocky, marca a mistura de memória popular e orgulho local.

14. Phnom Penh, Camboja: arquitetura, comida de rua e uma nova porta de entrada

A capital cambojana durante muito tempo foi ofuscada por Siem Reap e pelos templos de Angkor. Em 2026, Phnom Penh ganha atenção com a abertura do Aeroporto Internacional Techo, grande projeto de infraestrutura que deve ampliar as conexões internacionais.

O novo terminal pode trazer rotas adicionais a partir dos Emirados Árabes Unidos, Turquia, China e Japão. Como datas e operações podem mudar, é importante conferir as informações da companhia aérea antes de planejar o itinerário.

Na cidade, a Chaktomuk Walk Street transforma uma área ribeirinha em espaço para pedestres nos fins de semana. Comida khmer, artesanato e música ao vivo ocupam a rua. Tuk-tuks elétricos associados a estabelecimentos locais podem diminuir parte da poluição do transporte turístico.

A herança do arquiteto Vann Molyvann também está sendo retomada. Sua antiga casa reabriu como café e pequeno museu ligado ao design, enquanto prédios modernistas são restaurados por jovens criadores. Boutiques, destilarias e cafeterias administradas por uma nova geração refletem um movimento de retorno de cambojanos que estudaram ou trabalharam fora.

Fora da capital, Mondulkiri oferece turismo de conservação. Projetos locais conduzem caminhadas para observar gibões e cuidam de elefantes resgatados sem passeios montados ou truques.

15. Guimarães, Portugal: patrimônio medieval com agenda verde

A cerca de 65 quilômetros do Porto, Guimarães foi a primeira capital de Portugal e é associada à formação do país no século XII. O centro histórico reúne praças de pedra, ruas estreitas, palácios, restaurantes e construções medievais preservadas.

O passado não impede a cidade de ter vida jovem. Guimarães é uma das cidades universitárias mais antigas de Portugal, e uma parcela expressiva de sua população tem menos de trinta anos. Galerias contemporâneas ocupam espaços próximos a conventos antigos, enquanto fábricas reaproveitadas recebem bares, estúdios e projetos criativos.

Em 2026, a cidade será Capital Verde Europeia. O título reconhece anos de políticas voltadas à sustentabilidade. Novas áreas verdes, margens de rios recuperadas, edifícios reaproveitados e ônibus elétricos fazem parte da agenda urbana.

A Citânia de Briteiros, assentamento fortificado anterior à presença romana, fica a curta distância e amplia o roteiro histórico. Guimarães funciona bem como passeio de vários dias a partir do Porto, especialmente para quem prefere uma cidade caminhável, com patrimônio expressivo e um ritmo menos acelerado.

16. Samburu, Quênia: fauna rara e observação do céu

O condado de Samburu, no norte do Quênia, oferece paisagens semiáridas ao longo do rio Ewaso Nyiro e uma alternativa a áreas de safári mais conhecidas, como a Reserva Masai Mara. A região trabalha com conservações comunitárias e projetos ligados à cultura do povo Samburu.

O chamado “Samburu Special Five” reúne espécies encontradas no norte do país: a girafa reticulada, a zebra de Grevy, o órix-beisa, o gerenuk e a avestruz somali. A observação deve ser feita com guias, mantendo distância e evitando qualquer tentativa de atrair os animais.

Projetos como o Reteti Elephant Sanctuary cuidam de elefantes órfãos e oferecem educação ambiental. Também há atividades de acompanhamento de rinocerontes negros e brancos. Novos acampamentos previstos para 2026 devem ampliar as opções de hospedagem associadas à conservação.

O céu é outro atrativo. Um projeto de astroturismo inclui planetário, noites em acampamentos ao ar livre e histórias sobre constelações narradas por guias indígenas. Como a região permite ver estrelas dos dois hemisférios, a experiência une ciência contemporânea e conhecimento tradicional. A escolha de empreendimentos comunitários ajuda a manter recursos na economia local.

17. Santo Domingo, República Dominicana: patrimônio, música e grandes eventos

Santo Domingo é a cidade europeia mais antiga das Américas e possui uma Zona Colonial com construções dos séculos XVI e XVII. Em 2025, fachadas históricas e ruas de pedra passaram por obras de restauração. Em 2026, a cidade sediará os Jogos Centro-Americanos e do Caribe, de 24 de julho a 8 de agosto.

O Centro Olímpico Juan Pablo Duarte foi atualizado com recursos de acessibilidade, incluindo piso tátil para orientar pessoas com deficiência visual. O legado dos Jogos pode ser observado não apenas nas competições, mas também na melhoria de espaços públicos.

A música está no centro da identidade local. Merengue e bachata aparecem em bares, festas e festivais. O Carnaval ocorre em fevereiro, o Festival de Merengue ocupa vários dias no verão, e o Isle of Light retorna em março. O Presidente Festival também deve voltar depois de uma pausa de dez anos.

Além da cidade, praias próximas e a Península de Samaná ampliam o roteiro. Samaná tem baías, florestas e águas claras. A província foi reconhecida como área de ecoturismo em 2025. A visita fica mais interessante quando combina arquitetura, música, culinária e natureza, sem reduzir o país a férias de resort.

18. Vale de Slocan, Canadá: uma trilha para lembrar uma injustiça

O Vale de Slocan, na Colúmbia Britânica, tem lagos, florestas e montanhas das cadeias Purcell e Selkirk. Em 2026, a Japanese Canadian Legacy Trail deve criar uma nova forma de conhecer a região e lembrar a história de milhares de famílias.

Entre 1942 e 1946, mais de 22 mil canadenses de origem japonesa foram retirados de comunidades costeiras e enviados para locais de confinamento no interior do país. Sandon e outras áreas do vale receberam pessoas que perderam casas, negócios e redes comunitárias. Mesmo em condições difíceis, elas criaram escolas, jardins e espaços culturais.

A trilha autoguiada terá cerca de 60 quilômetros e poderá ser percorrida de carro, bicicleta ou a pé. O caminho conecta museus, jardins de memória, locais de confinamento e exposições feitas com a participação de famílias nipo-canadenses.

Entre uma parada e outra, o visitante pode remar no lago Slocan, conhecer ateliês, comer em cafés que trabalham com produtores locais, entrar em fontes termais e praticar shinrin-yoku, o chamado banho de floresta. O roteiro não trata a paisagem como cenário neutro. Ele mostra como beleza natural e memória dolorosa podem coexistir no mesmo lugar.

19. Uluru, Austrália: território sagrado e caminhada conduzida por proprietários tradicionais

Uluru é uma formação de arenito no centro da Austrália e um lugar sagrado para o povo Anangu. Em outubro de 2025, passaram-se quarenta anos desde a devolução formal da área aos seus proprietários tradicionais. A escalada foi proibida em 2019, encerrando uma prática que contrariava os valores culturais do local.

Para 2026, a principal novidade é a Uluru-Kata Tjuta Signature Walk. A jornada de cinco dias e quatro noites percorre 54 quilômetros entre Kata Tjuta e a base de Uluru, passando por trechos de floresta de casuarina, planícies de spinifex e dunas vermelhas normalmente fechados ao público.

A caminhada inclui acampamentos ecológicos, hospedagem integrada à paisagem, observação do céu e oficinas conduzidas por indígenas. Parte da receita retorna para parceiros comunitários. O visitante precisa entender que não está apenas diante de uma formação geológica famosa, mas dentro de um território vivo, com histórias, leis e responsabilidades próprias.

À noite, o espetáculo Wintjiri Wiru usa drones, luzes e narrativa Anangu. O Field of Light, instalação com 50 mil hastes luminosas, marca dez anos em 2026. A visita deve ser feita com respeito às orientações culturais e ambientais dos proprietários tradicionais.

20. Uruguai: tango, campos, lagoas e energia renovável

Entre Brasil e Argentina, o Uruguai oferece distâncias menores e grande variedade de paisagens. Montevidéu concentra mais da metade dos cerca de 3,5 milhões de habitantes do país e combina porto, rambla, bairros históricos, parrillas e vida cultural.

A capital é considerada um dos berços do tango e recebe um carnaval que pode durar pelo menos quarenta dias entre janeiro e março. A experiência urbana inclui música, mercados, arquitetura e pratos baseados na pecuária nacional. O país também é reconhecido por sua política de inclusão e costuma ser apontado como um destino seguro para viajantes LGBTQIA+.

O Uruguai gera cerca de 98% de sua eletricidade a partir de fontes renováveis, segundo a informação citada pela BBC Travel. A campanha Uruguayans by Nature incentiva atitudes de cuidado ambiental e apoio a negócios locais.

Colonia del Sacramento, fundada pelos portugueses, preserva ruas e edificações de grande interesse histórico. No litoral, Cabo Polonio tem dunas e uma atmosfera rústica; Laguna de Rocha e Laguna Garzón atraem aves, incluindo flamingos; e diferentes cidades costeiras oferecem surfe, festas ou praias mais silenciosas. A variedade faz do país uma opção interessante para uma viagem sem pressa, com deslocamentos terrestres e contato próximo com moradores.

Como escolher entre os vinte destinos

A lista reúne experiências muito diferentes. Quem busca museus e grandes eventos pode considerar Abu Dhabi, Filadélfia, Oulu, Phnom Penh ou Santo Domingo. Para patrimônio arqueológico, Argélia, Guimarães, Ishikawa e Montenegro oferecem caminhos variados. Viajantes interessados em fauna e áreas protegidas encontram opções em Costa Rica, Komodo, Loreto e Samburu.

Há também destinos em que a viagem tem relação direta com memória e reconstrução. Ishikawa precisa de visitantes que apoiem negócios atingidos pelo terremoto. O Vale de Slocan usa a caminhada para tornar visível o confinamento de nipo-canadenses. Uluru apresenta uma mudança importante: o contato com a paisagem passa a ser guiado pela autoridade cultural dos proprietários Anangu.

Em todos os casos, o planejamento responsável é parte da experiência. Dar preferência a guias locais, hospedagens familiares, transporte de menor impacto e atividades com regras claras ajuda a manter dinheiro na comunidade. Também é essencial respeitar limites de áreas protegidas, não comprar peças arqueológicas, evitar contato com animais e consultar avisos oficiais sobre clima, saúde, segurança e entrada no país.

O valor de um destino para 2026 não depende apenas de ser fotogênico ou de receber uma nova atração. Ele está na relação entre o visitante e o lugar. Uma viagem bem planejada pode apoiar a recuperação de uma região, preservar um patrimônio, fortalecer um pequeno negócio e deixar uma lembrança mais profunda do que uma sequência de pontos turísticos visitados às pressas.

Planejamento prático para uma viagem em 2026

A escolha do destino deve começar pelo calendário. Eventos culturais, festivais de música, temporadas de observação de baleias e períodos de neve atraem mais gente e elevam os preços. Em contrapartida, viajar na meia-estação pode oferecer clima agradável, hospedagem mais acessível e contato mais tranquilo com os moradores. Em ilhas e regiões remotas, a baixa temporada também pode significar menos opções de transporte, por isso é necessário confirmar quais serviços permanecem funcionando.

O segundo ponto é a documentação. Regras de visto, autorização eletrônica, validade do passaporte e comprovantes de vacinação mudam de país para país. O Portal Consular do Ministério das Relações Exteriores do Brasil reúne orientações úteis, mas a decisão final pertence às autoridades do destino. Companhias aéreas podem exigir documentos no embarque, mesmo quando a permanência prevista é curta.

Seguro de viagem merece atenção especial em roteiros com trilhas, mergulho, safári ou atividades em áreas sem atendimento médico próximo. A apólice deve informar limites para transporte de emergência, internação, bagagem e cancelamento. Em caminhadas como Peaks of the Balkans, a Signature Walk de Uluru ou trilhas na Península de Osa, o viajante precisa comunicar suas condições de saúde ao operador e levar medicação de uso contínuo.

Como reduzir a pressão sobre os lugares visitados

Em áreas protegidas, seguir a trilha não é uma formalidade. O caminho definido evita erosão, protege ninhos e diminui encontros perigosos com animais. No Parque Nacional de Komodo, por exemplo, a distância entre pessoas e dragões deve ser mantida conforme a orientação dos guardas. Na Costa Rica, não alimentar macacos ou aves impede mudanças de comportamento que podem prejudicar os próprios animais.

A água também exige cuidado. Ilhas, desertos e áreas mediterrâneas enfrentam períodos de escassez. Banhos mais curtos, reutilização de toalhas e escolha de hospedagens que tratam seus efluentes são medidas simples. Em ambientes marinhos, o visitante deve evitar tocar em corais e utilizar produtos indicados para locais onde a água recebe grande fluxo de pessoas.

Comprar diretamente de artesãos, cozinhar com restaurantes familiares e contratar guias residentes são escolhas que deixam uma parcela maior do gasto no território. Isso vale para uma oficina de folha de ouro em Kanazawa, para uma cooperativa de Loreto ou para uma pousada rural no interior de Montenegro. A compra deve respeitar preços e regras locais, sem pressionar produtores a vender peças de origem duvidosa.

Experiências para perfis diferentes de viajante

Famílias podem preferir cidades com transporte público, museus e atrações acessíveis, como Filadélfia, Guimarães e Abu Dhabi. Pessoas interessadas em fotografia de natureza podem considerar Loreto, Samburu, Komodo e a Costa de Oregon. Quem gosta de comida e bebida encontra o Vale de Colchagua, Islay, Montevidéu e Phnom Penh. Para uma viagem voltada à história, Argélia, Ishikawa, Uluru e o Vale de Slocan oferecem temas muito distintos.

Viajantes que procuram silêncio devem olhar para as Ilhas Cook, as Hébridas, Oulu e algumas áreas do Uruguai. Ainda assim, silêncio não significa ausência de regras. Uma praia remota pode ser área de reprodução de aves; uma ilha pequena pode ter pouca água potável; uma aldeia pode não dispor de atendimento para grupos grandes. Viajar com expectativa realista é uma forma de respeito.

Para pessoas com deficiência, a acessibilidade precisa ser confirmada com antecedência. A presença de uma cadeira de rodas para areia, de piso tátil ou de ônibus elétrico não garante que todas as etapas do roteiro sejam acessíveis. É necessário perguntar sobre rampas, banheiros, transferências, largura de portas, inclinação de trilhas e disponibilidade de intérpretes. A Costa do Oregon e Santo Domingo mostram avanços, mas o planejamento individual continua indispensável.

O que torna 2026 um ano interessante para viajar

Os destinos desta seleção não dependem apenas de paisagens famosas. Muitos estão em uma fase de mudança. Abu Dhabi abre museus que ajudam a narrar sua identidade. Oulu transforma um título cultural em programação distribuída pela cidade. Guimarães liga seu patrimônio medieval a uma política urbana verde. Phnom Penh usa novas conexões e projetos de pedestres para reimaginar a capital.

Outros lugares apresentam uma relação direta entre turismo e conservação. Komodo aprimora o controle de visitantes; Loreto amplia áreas protegidas; Samburu cria experiências de observação do céu ligadas à educação; a Costa Rica fortalece corredores de fauna. Nesses casos, a qualidade da viagem depende de o dinheiro arrecadado ser convertido em proteção e trabalho local, não apenas em mais infraestrutura turística.

Há ainda destinos que convidam a uma postura reflexiva. Em Ishikawa, a chegada do visitante pode apoiar uma comunidade que se recupera de um terremoto. No Vale de Slocan, uma trilha torna visível uma política de confinamento que marcou o Canadá. Em Uluru, a experiência passa a obedecer à autoridade dos Anangu. Esses roteiros lembram que conhecer um lugar envolve ouvir sua história e reconhecer que nem todo patrimônio está disponível para consumo.

Uma escolha de viagem mais consciente

Não é necessário visitar todos os vinte destinos. Escolher um deles e permanecer mais dias pode gerar benefícios maiores do que percorrer várias cidades em sequência. A permanência prolongada reduz deslocamentos, aumenta a chance de usar negócios locais e permite compreender hábitos, preços e limites ambientais.

Também vale aceitar que uma atração anunciada para 2026 talvez seja adiada. Obras culturais, aeroportos, hotéis, trilhas e vôos dependem de licenças, clima, financiamento e segurança. O planejamento deve incluir atividades alternativas, reservas com cancelamento possível e consulta recente aos canais oficiais. Em vez de tratar uma inauguração como garantia, é melhor encará-la como uma possibilidade a ser confirmada perto da data.

No fim, os vinte destinos apontam para uma mudança de olhar. Viajar bem não é acumular fotografias, nem escolher o lugar mais comentado. É observar o que está sendo protegido, perguntar quem se beneficia do turismo e adaptar o próprio comportamento às necessidades do território. Em 2026, essa atitude pode transformar uma viagem bonita em uma experiência culturalmente significativa e ambientalmente mais cuidadosa.

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