Os Melhores Hotéis Para Hospedar em Reiquiavique

Reiquiavique é uma cidade que engana quem olha de longe. Pequena no mapa, enorme na experiência. Você chega esperando frio, paisagem lunar e aurora boreal — e encontra tudo isso, mas também uma capital vibrante, com uma cena gastronômica surpreendente, ruas coloridas, museus excelentes e uma hospitalidade que não tem nada de protocolar. E, nesse contexto, onde você dorme importa muito.

Black Pearl Apartment Hotel

A cidade não é grande. Quase tudo no centro histórico fica a poucos minutos a pé. Mas mesmo assim, a escolha do hotel pode mudar completamente o tom da sua viagem. Não estou falando só de conforto — estou falando de como você vai acordar, de que janela vai ver o nascer do sol às duas da manhã no verão, ou se vai ter onde guardar os casacos pesados que você inevitavelmente vai trazer em demasia.

Esses sete hotéis abaixo representam o que há de melhor na cidade, cada um por razões diferentes. Alguns são perfeitos para famílias, outros para casais, outros para quem viaja a trabalho ou quer aquele toque mais histórico. Mas todos têm uma coisa em comum: são endereços que você vai lembrar.


Black Pearl Apartment Hotel — Luxo com alma de apartamento

Na Tryggvagata 18, a poucos passos do Porto Antigo, o Black Pearl é um desses lugares que parece bom demais para ser verdade — até você entrar no quarto e confirmar que é exatamente isso.

São apenas 23 suítes, o que já diz tudo sobre o nível de atenção ao hóspede. Não é um hotel de massa. Cada unidade tem piso de mármore com aquecimento, cozinha totalmente equipada com máquina de café expresso Nespresso, varanda privativa e, nos apartamentos maiores, dois banheiros conectados. A maior suíte ultrapassa 180 m² — um tamanho que seria generoso em qualquer cidade do mundo, e em Reiquiavique beira o absurdo positivo.

O café da manhã é servido diretamente na suíte. Esse detalhe, que parece pequeno, faz toda a diferença num destino onde o tempo do lado de fora pode ser completamente imprevisível. Você não precisa sair da sua bolha quente para comer bem pela manhã.

O acesso aos andares é feito por elevadores privativos por andar — um recurso que não encontrei em nenhum outro hotel da cidade nessa categoria. A avaliação nas principais plataformas fica consistentemente acima de 9.2, o que, considerando o volume de avaliações (mais de 590), é praticamente uma unanimidade entre os hóspedes.

Para famílias maiores ou grupos, o Black Pearl oferece suítes com capacidade para até seis pessoas. Tem estacionamento privativo no local, o que em Reiquiavique é um diferencial real — a cidade não é generosa com vagas.


Kvosin Downtown Hotel — Boutique de verdade, não de fachada

Existe uma diferença enorme entre um hotel que se chama boutique e um hotel que realmente é boutique. O Kvosin é o segundo tipo.

Instalado no edifício histórico Kirkjuhvoll, construído em 1901 — o primeiro prédio de apartamentos de Reiquiavique a ter aquecimento central, curiosidade que o hotel faz questão de contar —, o Kvosin tem apenas 24 quartos. Todos diferentes. Todos com kitchenette, cama excepcionalmente confortável, máquina Nespresso e Wi-Fi de alta velocidade gratuito.

A localização é, possivelmente, a mais privilegiada de toda a cidade: ao lado do Parlamento Islandês, da Catedral de Reiquiavique e do parque Austurvöllur. Você acorda e já está no coração histórico da capital. Não precisa pegar táxi, não precisa planejar. É só sair pela porta.

O bar Aldamót, no térreo, é outro ponto forte. O nome significa literalmente “encontro de séculos” — uma referência à virada do milênio — e o lugar faz jus à poesia do título. Coquetéis premiados, cervejas artesanais locais e um ambiente que parece um segredo bem guardado da cidade.

A equipe de concierge funciona 24 horas por dia e tem reputação de genuinamente resolver problemas, não apenas sorrir. Os quartos do andar superior têm duas varandas com vista para a cidade — reservar um desses vale o custo adicional sem discussão.


Hotel Reykjavík Saga — Tradição com vista para a baía

O Hotel Reykjavík Saga ocupa uma posição diferente no espectro da hospedagem local. É um hotel maior, mais convencional no formato, mas com atrativos que justificam a escolha para quem viaja a trabalho ou prefere o conforto de uma estrutura mais completa.

A vista para a Baía de Faxaflói é um dos pontos mais comentados pelos hóspedes. Acordar com a imensidão do Atlântico Norte enquadrada na janela é um privilégio que nenhuma foto consegue capturar direito. E quando as condições estão favoráveis no inverno, é possível enxergar as auroras boreais da própria janela do quarto, sem sair do calor da cama.

O hotel conta com restaurante próprio, bar, academia e uma equipe experiente em lidar com grupos e conferências. Para quem viaja a trabalho e quer manter a produtividade sem abrir mão do conforto, é um endereço sólido.


Reykjavik Residence Apartment Hotel — Para quem quer se sentir em casa

Há um tipo de viajante — e eu conheço bem esse perfil — que não se sente confortável em hotel tradicional por mais de dois ou três dias. Precisa de espaço. Precisa de cozinha. Precisa do silêncio de quem tem seu próprio canto.

O Reykjavik Residence Apartment Hotel foi feito para esse viajante.

São apartamentos espaçosos, totalmente equipados, distribuídos em localização central. A proposta é simples e funciona muito bem: você tem a liberdade de um apartamento alugado com a segurança e os serviços de um hotel. Pode fazer compras no supermercado, preparar suas próprias refeições, receber amigos — ou simplesmente ficar em casa assistindo série depois de um dia longo de passeios.

Para estadas mais longas, essa opção é imbatível. O custo por noite, diluído ao longo de uma semana, costuma ser mais vantajoso do que a maioria dos hotéis boutique da cidade. E para famílias com crianças pequenas, ter uma cozinha funcional não é luxo — é necessidade.


House of the Snowbird — O charme da escala humana

Há hotéis que você encontra, e há hotéis que você descobre. O House of the Snowbird está na segunda categoria.

Pequeno, aconchegante, com uma personalidade própria que os grandes hotéis raramente conseguem replicar, o House of the Snowbird é o tipo de endereço que vira recomendação de boca a boca entre viajantes que sabem o que procuram. Não é o hotel mais famoso da cidade, mas tem lá sua legião de fãs fiéis.

A proposta é quase residencial — e isso é um elogio. Você se sente acolhido de uma forma diferente, menos formal, mais humana. Para viajantes solo ou casais que querem fugir da impessoalidade dos grandes hotéis, é uma escolha com personalidade.

A localização central garante que você está perto de tudo sem estar no meio do barulho. Às vezes, essa distância de meia quadra faz toda a diferença na qualidade do sono depois de um dia de trilha na neve.


Canopy by Hilton Reykjavik City Centre — Moderno, verde e bem conectado

O Canopy by Hilton representa uma proposta diferente dentro do ecossistema Hilton — menos corporativo, mais voltado para o viajante urbano que quer estilo sem abrir mão da confiabilidade de uma grande rede.

Com 112 quartos e suítes, o hotel foi projetado para se integrar ao bairro, não para ignorá-lo. A certificação como hotel verde, seguindo o padrão internacional ISO 14001, é um detalhe que vai além do marketing: é uma postura que faz sentido numa cidade como Reiquiavique, que leva sustentabilidade a sério de verdade.

O restaurante Geiri Smart, com chefs premiados que usam produtos locais, é um dos melhores argumentos para se hospedar aqui. O café da manhã já está incluído em alguns pacotes, e o bar no segundo andar serve coquetéis, sucos naturais, cervejas artesanais e vinhos. O ambiente convida a ficar — o que é um problema excelente de se ter quando você está tentando sair para explorar a cidade.

Para reuniões pequenas, o hotel tem a “Danish Living Room”, uma sala que acomoda até 40 pessoas para coquetéis ou 12 para reuniões mais formais. Prático sem ser frio.

O Wi-Fi é gratuito em todo o hotel, há academia completa e quartos acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Uma estrutura bem pensada, em todos os sentidos.


Iceland Parliament Hotel, Curio Collection by Hilton — Arquitetura, arte e história no mesmo endereço

Se existe um hotel em Reiquiavique que conta a história da cidade pelo próprio espaço que ocupa, é o Iceland Parliament Hotel.

Construído em um complexo de sete edifícios — alguns reconstruídos, outros preservados — o hotel fica literalmente à porta do Alþingi, o Parlamento Islandês. Entre os marcos históricos que rodeiam o endereço estão a Escola das Damas, o Salão da Independência e o antigo Landsímahúsið, sede histórica da Telecom islandesa. O restaurante Hjá Jóni e o Telebar funcionam no que foi o prédio da companhia telefônica — e recebem tanto hóspedes quanto moradores locais.

São 163 quartos, todos equipados com TV de 55 polegadas, máquina de café espresso e minibar. Mas o detalhe que mais chama atenção é outro: dentro do hotel está exposta parte de uma das maiores coleções privadas de arte islandesa do mundo. Você não precisa ir a um museu — o museu fica no seu hotel.

A localização, nas proximidades de três praças animadas da cidade, coloca o hóspede a poucos passos da Catedral de Reiquiavique, do Harpa Concert Hall, da Câmara Municipal e do Porto Antigo. No inverno, a vista do porto para as auroras boreais é um espetáculo que dispensa qualquer legenda. No verão, o sol da meia-noite ilumina a cidade de um jeito que parece irreal até você ver com os próprios olhos.


Como escolher entre eles?

A resposta honesta é: depende do que você veio buscar.

Se você quer o máximo de conforto e privacidade, com tratamento de hotel cinco estrelas sem abrir mão do espaço de um apartamento, o Black Pearl é imbatível. Se você quer mergulhar na história da cidade e ficar literalmente ao lado do Parlamento, a escolha é entre o Kvosin e o Iceland Parliament Hotel — e ambos entregam muito.

Para quem viaja em família e precisa de espaço e cozinha sem gastar uma fortuna por noite, o Reykjavik Residence resolve com elegância. Para quem quer modernidade, sustentabilidade e um restaurante realmente bom dentro do hotel, o Canopy by Hilton tem o melhor conjunto. E para quem quer aquela experiência mais íntima, quase doméstica, o House of the Snowbird tem um charme que os hotéis maiores não conseguem comprar.

O que todos esses endereços têm em comum é que estão no centro da cidade, a pé de tudo que importa. Reiquiavique não é grande — e essa é, talvez, a melhor notícia para o viajante. Você não vai perder tempo em trânsito. Vai perder tempo no bom sentido: vagando pelas ruas coloridas, tomando café nas padarias locais, parando para olhar para o céu esperando o verde aparecer.

E quando aparecer, você vai querer estar num quarto com uma boa janela.

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