As Melhores Viagens de Bate e Volta a Partir de Florença

Florença é uma das melhores bases de toda a Itália para quem quer explorar a Toscana — e não só ela — sem trocar de hotel a cada dois dias. A localização é quase perfeita: cidade central, bem conectada por trem e estrada, e cercada por alguns dos destinos mais bonitos e históricos da Europa.

https://pixabay.com/photos/florence-firenze-italy-tuscany-5208579/

O que muita gente não percebe ao planejar a viagem é que ficar parado em Florença o dia inteiro, todos os dias, pode até ser pecado. A cidade merece dois, três dias sem pressa. Mas a partir do quarto dia, sair para explorar os arredores é quase uma obrigação — e as opções são boas demais para ignorar.

Aqui estão os melhores bate e voltas que valem cada minuto da viagem.

Powered by GetYourGuide

Siena — A Rival Medieval que Nunca Perdeu o Charme

Siena é, para muita gente que conhece a Toscana a fundo, a cidade mais bonita da região. Não tem o peso histórico de Florença nem a fama turística de Pisa, mas tem algo que as duas não têm: uma coerência urbana medieval praticamente intacta. Você caminha pelas ruas e o século XXI some.

A Piazza del Campo é o coração da cidade e uma das praças mais impressionantes da Itália. Em forma de concha, levemente inclinada, ela é o palco do Palio di Siena — a corrida de cavalos mais famosa do país, que acontece em julho e agosto. Fora do período da corrida, a praça funciona como sala de estar da cidade. As pessoas conversam, tomam espresso, tiram fotos, sentam no chão de paralelepípedo como se tivessem chegado para ficar.

O Duomo de Siena é outro nível. A fachada de mármore branco e verde-escuro é uma das mais elaboradas do gótico italiano, e o interior guarda o Pavimento di Siena — um mosaico de mármore que cobre todo o chão da catedral com cenas bíblicas. Parte do mosaico fica coberta para proteção, mas durante um período específico do ano (geralmente agosto a outubro) é totalmente revelado. Se a visita acontecer nessa época, é imperdível.

Como ir: O melhor jeito é de ônibus, não de trem. Parece contraintuitivo, mas a estação ferroviária de Siena fica longe do centro histórico e as conexões de trem com Florença são lentas e irregulares. O ônibus da empresa Flixbus ou da SENA/Baltour faz o trajeto em cerca de 1h15, saindo da rodoviária perto da Estação Santa Maria Novella. Compre a opção “corsa rapida” — a “ordinária” para em vários pontos pelo caminho.


San Gimignano — A Manhattan Medieval da Toscana

É exagero chamá-la de Manhattan? Talvez. Mas quando você chega e vê aquelas torres medievais se erguendo no skyline de uma colina toscana, o apelido faz mais sentido. San Gimignano tinha mais de 70 torres no auge da Idade Média — eram símbolo de poder e rivalidade entre as famílias nobres da cidade. Hoje restam 14, mas é suficiente para criar uma silhueta única no cenário da Toscana.

A cidade é Patrimônio Mundial da Unesco e não decepcionou ninguém que foi até ela com expectativa. O centro histórico é pequeno, percorrível a pé em poucas horas, mas cada metro quadrado tem algo a mostrar: igrejas medievais com afrescos bem preservados, lojas de produtos locais (o Vernaccia di San Gimignano, vinho branco da região, é uma denominação de origem controlada que merece atenção), e aquela sensação rara de estar num lugar que o tempo resolveu poupar.

Um aviso importante: San Gimignano recebe um volume de turistas desproporcional ao seu tamanho. A melhor hora para chegar é cedo da manhã, antes dos grupos de excursão. Depois do meio-dia, o movimento aumenta bastante e a experiência muda de qualidade. Quem for em julho ou agosto, prepare-se para encontrar a cidade bastante cheia.

Como ir: San Gimignano não tem conexão direta de trem com Florença. O jeito mais comum é pegar o trem até Poggibonsi (cerca de 40 minutos) e de lá pegar um ônibus até San Gimignano (mais 20 minutos). De carro, o trajeto é de cerca de 50 km pela SP429 — e esse é um dos percursos mais bonitos da Toscana, passando por vinhedos e olivais.


Pisa — Além da Torre Inclinada

Pisa sofre de um problema de imagem. O mundo conhece a Torre, tira a foto clássica segurando-a com a mão e vai embora. A cidade em si, que é muito mais do que aquele campo de milagres, acaba sendo ignorada pela maioria dos turistas de passagem.

A Piazza dei Miracoli — que reúne a Torre, a Catedral e o Batistério — é de fato extraordinária. A catedral romanesca é uma das mais belas da Itália central, e o Batistério tem uma acústtica tão impressionante que os funcionários fazem demonstrações ao vivo em determinados horários. A Torre em si pode ser escalada (reserva com antecedência obrigatória, os ingressos esgotam rápido), e a experiência de subir pelos degraus inclinados é surpreendentemente vertiginosa.

Mas vale caminhar até o Lung’Arno — as margens do Rio Arno, com seus palazzi coloridos refletindo na água. É uma das cenas mais elegantes de toda a Toscana e raramente aparece nas fotos de viagem sobre Pisa.

A cidade também tem uma vida universitária vibrante. A Scuola Normale Superiore di Pisa é uma das melhores universidades da Itália, e isso dá à cidade um ritmo diferente das cidadezinhas medievais ao redor — bares cheios de estudantes, mercados, uma energia mais contemporânea que contrasta com os mármores do século XII.

Como ir: Trem direto de Florença Santa Maria Novella até Pisa Centrale, com frequência de 15 a 30 minutos. O trajeto dura cerca de 1 hora. Da estação até a Piazza dei Miracoli dá para ir a pé (uns 20 minutos) ou de táxi. É o bate e volta mais fácil logisticamente de todos.


Lucca — A Cidade que Cabe Dentro de Suas Muralhas

Lucca é o tipo de lugar que não grita. Ela não tem uma Torre Inclinada nem uma Piazza del Campo. O que ela tem é uma muralha renascentista completamente intacta que circunda o centro histórico — e que foi transformada em um parque linear por onde os moradores caminham, correm e andam de bicicleta todos os dias.

Subir nas muralhas e percorrer o perímetro de bicicleta (os aluguéis são fáceis de encontrar e baratos) é uma das atividades mais gostosas que a Toscana oferece. Você vê o centro histórico por cima, as árvores que crescem sobre as muralhas, os telhados de terracota das igrejas medievais.

Dentro das muralhas, Lucca tem uma dignidade tranquila. A Piazza dell’Anfiteatro foi construída sobre as fundações de um anfiteatro romano do século II — a forma oval ainda é claramente visível na disposição dos prédios ao redor. É uma das praças mais originais da Itália, sem ser badalada.

Lucca combina muito bem com Pisa no mesmo dia. As duas cidades ficam a apenas 30 minutos de trem uma da outra, e dá para visitar Pisa de manhã e Lucca à tarde sem sentir que está correndo. É um dos bate e voltas mais equilibrados que saem de Florença.

Como ir: Trem direto de Florença Santa Maria Novella até Lucca, com duração de 1h30 aproximadamente. Ou combinar com Pisa: Florença → Pisa (1h), Pisa → Lucca (30min), Lucca → Florença (1h30).


Cinque Terre — Cinco Vilarejos Impossíveis de Existir

Tecnicamente as Cinque Terre ficam na Ligúria, não na Toscana. Mas a distância de Florença é razoável — cerca de 2h30 de trem — e o destino é tão extraordinário que nenhum roteiro sobre bate e voltas a partir de Florença pode ignorá-lo.

São cinco vilarejos encarapitados em penhascos com vista para o Mar de Ligúria: Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore. Cada um tem um caráter diferente. Monterosso é o maior e tem praia. Vernazza é considerada a mais fotogênica, com seu porto natural em forma de ferradura. Manarola tem aquela imagem icônica de casas coloridas sobre o rochedo que aparece em todo cartão postal da Itália.

Entre os vilarejos passam trilhas de caminhada com vistas espetaculares para o mar — o trecho entre Vernazza e Corniglia é fisicamente exigente mas recompensa em cada curva. Para quem não quer caminhar, o trem regional conecta os cinco vilarejos em questão de minutos.

O problema das Cinque Terre é o mesmo de San Gimignano: a popularidade criou uma pressão de turismo que está bem visível. Em julho e agosto, o movimento é pesado. A UERP (organização gestora do parque) já implementou sistema de cotas e reservas para as trilhas em alta temporada. Ir na primavera (maio, início de junho) ou no outono (setembro, outubro) muda completamente a experiência.

Como ir: Trem de Florença Santa Maria Novella com baldeação em La Spezia Centrale (ou trem direto em alguns horários). O trajeto total fica entre 2h e 2h30. De La Spezia, o trem regional leva a qualquer um dos cinco vilarejos em menos de 30 minutos. É um dia longo mas perfeitamente viável saindo cedo de Florença.


Arezzo — O Segredo que os Turistas Não Descobriram Ainda

Arezzo é para quem quer sair do circuito turístico mais batido. Não que seja desconhecida — quem assistiu ao filme A Vida é Bela de Roberto Benigni vai reconhecer imediatamente a Piazza Grande, onde várias cenas foram filmadas. Mas Arezzo não tem as filas de Pisa, não tem os grupos de excursão de San Gimignano, e mantém aquela vida urbana italiana que os turistas adoram observar sem sentir que estão dentro de um parque temático.

A Basilica di San Francesco guarda os afrescos de Piero della Francesca sobre a Lenda da Vera Cruz — considerados pelos especialistas uma das obras mais importantes do Renascimento italiano. Não estão numa lista de hits, não têm fila de uma hora, mas são de uma qualidade extraordinária.

Todo primeiro fim de semana do mês acontece a Fiera Antiquaria di Arezzo, uma das maiores feiras de antiguidades da Itália. A Piazza Grande e as ruas ao redor ficam tomadas por objetos de séculos diversos, e o ambiente é completamente diferente do turismo convencional. Se o timing da viagem coincidir, vale muito o desvio.

Como ir: Trem direto de Florença Santa Maria Novella até Arezzo, com duração de 40 a 50 minutos. É uma das conexões mais rápidas e frequentes. A estação fica a poucos minutos do centro histórico a pé.


Cortona — No Alto da Colina, Como no Filme

Quem assistiu ao Sob o Sol da Toscana sabe o que é Cortona antes mesmo de chegar. A cidade ficou gravada no imaginário popular como símbolo da Toscana idílica — e a realidade corresponde à expectativa com uma honestidade rara.

Cortona fica no topo de uma colina com vista para o Vale do Chiana e, em dias claros, para o Lago Trasimeno na Úmbria. A perspectiva de lá de cima é uma das mais bonitas da região. A cidade em si é pequena, com ruas íngremes em pedras irregulares, uma Piazza della Repubblica agradável, e um Museu Diocesano que guarda obras de Fra Angelico e Pietro Lorenzetti.

Não é um destino para quem quer ver grandes monumentos. É para quem quer sentir a Toscana num ritmo lento — tomar um almoço sem pressa numa osteria local, caminhar até os mirantes ao anoitecer, comprar vinho local para levar para casa.

Como ir: Trem de Florença até Camucia-Cortona (cerca de 1h15), e de lá ônibus ou táxi até o centro histórico, que fica no alto da colina (cerca de 10 a 15 minutos). O translado final é que desanima algumas pessoas, mas não é complicado.


Antes de Sair: O Que Vale Saber

A Trenitalia é a principal operadora ferroviária e cobre a maioria desses destinos. Para viagens curtas de trem, os bilhetes regionais são baratos e podem ser comprados no dia — diferente dos trens de alta velocidade, que precisam de reserva antecipada.

Para Siena, o ônibus é melhor do que o trem, como mencionado. Para San Gimignano, o carro dá muito mais liberdade e permite parar em vinícolas do Chianti pelo caminho — uma experiência à parte.

Se o plano é fazer mais de um bate e volta, vale considerar alugar um carro por um ou dois dias específicos. A estrada da Chianti (SS222) entre Florença e Siena é um dos percursos mais bonitos da Europa — uma sequência de colinas, vinhedos, olivais e cidadezinhas que parecem não ter chegado ao século XX. Esse trajeto por si só justifica o aluguel do carro.

Florença, no fundo, não é só uma cidade para visitar — é uma cidade para usar como base estratégica enquanto se entende melhor porque a Toscana existe numa categoria própria no imaginário de quem ama viajar.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário