Stratford-upon-Avon: Cidade Natal de Shakespeare na Inglaterra

Conheça Stratford-upon-Avon, a charmosa cidade inglesa onde William Shakespeare nasceu e viveu, com seus teatros, casas históricas, jardins floridos e hospedagens cheias de personalidade.

Fonte: Civitatis

Stratford-upon-Avon é daquelas cidades que parecem ter saído de um cartão postal antigo, e isso tem um motivo bem específico: foi ali, em 1564, que William Shakespeare nasceu, e a cidade soube preservar com cuidado os lugares ligados à vida do escritor mais influente da língua inglesa. O apelido de “Doce Cisne do Avon”, dado por seu contemporâneo Ben Jonson, ainda faz sentido quando se caminha pelas ruas. Casas de madeira escura com paredes brancas, ruas tortuosas e um rio que corta tudo com tranquilidade dão o tom do passeio.

A graça de visitar Stratford é justamente essa mistura. Por um lado, a história está em toda parte, em cada placa, em cada porta baixa, em cada teto baixo de séculos passados. Por outro, a cidade não virou um museu congelado. Tem teatros ativos, restaurantes bons, jardins bem cuidados e uma cena cultural que continua girando em torno do legado de Shakespeare, mas sem cair na armadilha de virar apenas um parque temático.

Para quem viaja pela Inglaterra, especialmente em abril, mês do aniversário de Shakespeare, vale incluir a cidade no roteiro. É uma parada de um ou dois dias que funciona muito bem entre Londres e outras cidades do interior, como Oxford ou as vilas dos Cotswolds.

Onde encontrar a Stratford de Shakespeare

A presença do escritor está espalhada por vários pontos da cidade, e dá para visitar a maior parte deles caminhando. O ponto de partida natural é a Igreja da Santíssima Trindade, no extremo sul de Stratford. Foi ali que Shakespeare foi batizado e também enterrado. A construção fica às margens do Rio Avon, cercada por árvores antigas, e tem uma atmosfera tranquila que combina bem com a visita.

Bem no centro da cidade está a casa onde Shakespeare nasceu, na Henley Street. Foi nessa propriedade, comprada pelo pai dele, John, que William veio ao mundo e passou os primeiros anos da infância. A casa também foi onde Shakespeare começou a vida de casado com Anne Hathaway. Hoje, a propriedade pode ser visitada e ajuda a entender como era o cotidiano de uma família de classe média do século 16. Cuidado com os tetos baixos. Quem é alto vai se lembrar disso por uns dias.

A poucos minutos a pé está a casa chamada Nash’s House, propriedade ligada à neta de Shakespeare, com jardins encantadores e bronzes representando algumas das peças do autor, esculpidos por James Butler. Entre lavanda, plantas trepadeiras e roseiras, há também onze bustos de bronze dos personagens shakespearianos. Vale uma volta sem pressa.

A pouco mais de um quilômetro do centro fica o Anne Hathaway’s Cottage, uma casa rural de telhado de palha onde a esposa de Shakespeare cresceu. É provavelmente a construção mais fotografada da região, com um jardim que muda de cara conforme a estação. Em março, os campos próximos ficam cobertos de campainhas azuis, aquela flor azul-violeta típica da Inglaterra. Vale o passeio só pela paisagem.

E o teatro?

Assistir a uma peça em Stratford é praticamente obrigatório. A cidade é sede da Royal Shakespeare Company, uma das companhias de teatro mais respeitadas do mundo, e o Royal Shakespeare Theatre, às margens do Avon, é o palco principal. O prédio tem status de patrimônio histórico classificado como Grade II, e a programação inclui montagens de altíssimo nível.

Ao lado dele, fica o Swan Theatre, com cerca de 400 lugares, focado em obras de contemporâneos de Shakespeare. E há ainda o The Other Place, um espaço menor e mais íntimo, com cerca de 200 assentos, onde a RSC apresenta novas dramaturgias e experimentações.

Para quem não fala inglês fluentemente, o desafio existe. Mas a montagem cênica, os figurinos e a atuação muitas vezes compensam. Quem já leu a peça antes de viajar consegue acompanhar bem o enredo, mesmo sem entender cada linha. E em algumas montagens existem legendas em inglês acessíveis pelo aplicativo da companhia.

Para esticar as pernas: natureza e arredores

Quando bate o cansaço dos passeios urbanos, Stratford oferece boas opções ao ar livre. A cidade é cercada por trilhas, parques e áreas verdes. Os jardins do Welcombe Hills, parte da Reserva Natural Stratford-upon-Avon, oferecem vistas amplas da paisagem de Warwickshire, com campos cobertos de campainhas e borboletas em determinadas épocas do ano. É uma caminhada leve, perfeita para uma manhã antes de pegar o trem de volta.

Outra opção é simplesmente caminhar à beira do Avon. Há trechos com cisnes, barcos e bancos espalhados pelo caminho. Cisnes, aliás, são parte do imaginário local, o tal “doce cisne” do apelido de Shakespeare não veio do nada.

Onde se hospedar

A escolha do hotel em Stratford pode mudar bastante a experiência da viagem. A cidade é pequena, então praticamente tudo fica perto, mas algumas hospedagens têm história própria e merecem destaque.

O Arden Hotel fica em frente ao Royal Shakespeare Theatre, posição ideal para quem vai ao teatro à noite. Ao longo dos anos, a propriedade hospedou muitos atores famosos, então tem aquele ar de bastidor. Foi também ali, no século 17, que William Shakespeare se envolveu em uma renovação arquitetônica original que mudou o estilo da fachada. Algumas referências históricas ainda aparecem nos jardins. O bar Number 44 e o restaurante No 44 Brasserie oferecem cardápio com pratos como cogumelos pré-jantar e fricassê de carne com cogumelos.

Do outro lado do rio está o Swan’s Nest Hotel, uma construção georgiana em tijolo vermelho do século 17. É um hotel ainda mais antigo, e funciona como pub há centenas de anos, então não estranhe se quiser apenas tomar uma pinta ali. A Shakespeare Suite, mais luxuosa, é uma opção interessante para quem quer comemorar algo especial na viagem.

Para uma referência rápida de preços, considerando a alta temporada:

Tipo de hospedagemDiária aproximadaVantagem principal
Bed and breakfast simples£ 80 a 120Bom custo-benefício
Hotel histórico padrão£ 150 a 220Charme e localização
Hotel boutique premium£ 250 a 400Experiência diferenciada

Os valores variam bastante conforme a época. Em abril, com as comemorações do aniversário de Shakespeare, a procura aumenta e os preços sobem. Reservar com antecedência ajuda.

Como chegar

Stratford-upon-Avon não tem aeroporto próprio, mas chegar é simples. De carro, fica a pouco mais de duas horas de Londres pelas rodovias M40 e M25, cobrindo cerca de 160 quilômetros. Quem prefere o trem pode pegar a linha que sai da estação londrina de Marylebone, com baldeação em Leamington Spa, e o trajeto fica em torno de duas horas. Saindo de Birmingham, a viagem é ainda mais rápida, com cerca de uma hora de trem direto.

Para quem viaja sem carro, a boa notícia é que tudo em Stratford fica perto. Não é preciso pegar transporte público dentro da cidade. Apenas para chegar ao Anne Hathaway’s Cottage, fora do centro, pode valer um táxi ou uma caminhada de cerca de 25 minutos.

Quando ir

A melhor época para visitar Stratford depende do que você quer ver. Abril é simbólico, por causa do aniversário de Shakespeare, comemorado no dia 23. A cidade organiza desfiles, eventos especiais e a programação dos teatros costuma ser mais robusta. Em compensação, o tempo ainda é instável, com frio, chuva e ventos.

Maio e junho oferecem dias mais longos, temperaturas amenas e jardins floridos. É o período que muitos viajantes consideram ideal. Julho e agosto trazem mais turistas e preços mais altos, mas também a estação mais quente e ensolarada. Setembro e outubro são meses interessantes para quem quer evitar multidões, com a chegada das cores de outono.

O inverno, de dezembro a fevereiro, tem seu charme. Stratford fica mais vazia, alguns jardins fecham, mas os teatros continuam ativos e os pubs ganham aquela atmosfera acolhedora que só existe em cidades pequenas inglesas no frio.

O que comer

A culinária inglesa anda bem mais interessante do que costumava ser, e Stratford acompanha esse movimento. Os pubs históricos são parada certa para experimentar pratos clássicos como o fish and chips, o shepherd’s pie, ou um bom roast dominical, geralmente servido entre meio-dia e o início da tarde aos domingos.

O Garrick Inn, na Stratford High Street, é o pub mais antigo da cidade. Aliás, dizem que ele é um dos lugares mais mal-assombrados de Warwickshire, com histórias de fantasmas que incluem um suposto salteador de estradas assassinado. Verdade ou não, o ambiente é ótimo, com lareiras, vigas tortas e cervejas locais bem tiradas.

Para quem prefere algo mais contemporâneo, há cafés e restaurantes modernos espalhados pelo centro, alguns com cardápio sazonal usando produtores da região de Warwickshire.

Roteiro sugerido de dois dias

Para quem tem pouco tempo, dá para aproveitar bem a cidade em dois dias bem montados.

Dia 1: começar pela casa onde Shakespeare nasceu, na Henley Street, logo cedo, antes da chegada dos grupos turísticos. Seguir caminhando pelo centro, parando para um café. Visitar a Igreja da Santíssima Trindade no início da tarde, depois passar pelos jardins de Nash’s House. À noite, jantar em um pub histórico e ir ao Royal Shakespeare Theatre, se houver programação que interesse.

Dia 2: dedicar a manhã ao Anne Hathaway’s Cottage, indo a pé ou de táxi. Aproveitar para caminhar pelos arredores e ver os campos de campainhas, se for a estação certa. À tarde, percorrer a margem do Avon, fazer um passeio de barco se o tempo permitir, e fechar com chá da tarde em algum salão tradicional.

O que não deixar passar

Algumas coisas que valem o esforço extra:

A visita guiada pelos prédios ligados a Shakespeare costuma incluir narrativas que dão contexto às propriedades. Vale o ingresso combinado, que sai mais em conta do que comprar entradas separadas.

Os passeios de barco no Avon são curtos e baratos, e oferecem outra perspectiva da cidade, com vistas para o teatro e a igreja.

E aquela pinta no fim do dia, em um pub antigo, depois de um dia de caminhada, faz parte da experiência tanto quanto qualquer monumento.

Vale a pena combinar com outros destinos?

Sim, e essa é uma das grandes vantagens de Stratford. A cidade fica em uma região central da Inglaterra, então combina muito bem com outras paradas. Os Cotswolds, com suas vilas de pedra dourada como Chipping Campden, Broadway e Bourton-on-the-Water, ficam pertinho. Warwick, com seu castelo medieval imponente, fica a meia hora de carro. Oxford e Birmingham também estão a curta distância.

Quem está com pouco tempo na Inglaterra pode fazer Londres como base e ir e voltar de Stratford em um dia. Mas a cidade rende mais quando se passa pelo menos uma noite, porque a atmosfera muda completamente quando os ônibus de turismo vão embora no fim da tarde e a cidade volta a ser dos moradores e dos hóspedes.

O charme que fica

Stratford-upon-Avon não impressiona pelo tamanho nem pela grandiosidade. Ela impressiona pela densidade. Em poucas quadras, cabem séculos de história literária, teatros de primeira linha, jardins bem cuidados, ruas com aquele jeito inglês inconfundível e uma quantidade considerável de boas histórias para contar. É uma cidade que se entrega no ritmo do caminhar, não no ritmo da pressa.

Para quem gosta de literatura, é quase uma peregrinação. Para quem gosta de paisagens inglesas, é uma das mais autênticas que sobraram. E para quem simplesmente está montando um roteiro pela Inglaterra e quer fugir um pouco do óbvio de Londres, é parada certa. Não é a cidade mais empolgante do país, e talvez seja exatamente por isso que tantos viajantes acabam saindo dali com a sensação de que valeu cada minuto.

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