Roteiro de Viagem de Trem na Divisa de Itália e Suíça
Roteiro de 8 dias pela Suíça e norte da Itália, chegando por Zurique e terminando em Milão, com vilarejos alpinos, Lauterbrunnen, Bernina Express e Lago di Como apenas de trem.
A melhor forma de encaixar as vilas mais bonitas da Suíça em uma viagem que termina em Milão é seguir para o leste do país depois dos Alpes Berneses. Assim, o roteiro evita voltar pelo mesmo caminho e transforma os deslocamentos em parte da experiência.
A sequência fica assim:
Zurique → Lucerna → Interlaken → Lauterbrunnen → Wengen/Mürren/Grindelwald → Chur → Bernina Express → Tirano → Lago di Como → Milão.
É uma viagem com bastante paisagem, mas sem aquela sensação de passar mais tempo trocando de hotel do que aproveitando os lugares.
Dia 1: chegada em Zurique
Chegue por Zurique e fique perto da estação central, a Zürich HB. Isso facilita muito a logística, principalmente se o voo chegar cansativo ou no fim do dia.
Se houver tempo, vale caminhar pela margem do Lago de Zurique, passar pela Bahnhofstrasse e entrar no centro histórico, chamado Altstadt. A cidade tem um ritmo mais urbano do que o restante do roteiro, então funciona bem como porta de entrada antes dos lagos e das montanhas.
Onde dormir: Zurique, de preferência nos arredores da Zürich HB.
Dia 2: Zurique para Lucerna
Pela manhã, pegue o trem de Zürich HB para Luzern. A viagem costuma levar cerca de 45 minutos e é direta.
Lucerna não é uma vila alpina propriamente dita, mas merece entrar no roteiro. É uma cidade pequena, bonita, fácil de fazer a pé e cercada por montanhas. A Kapellbrücke, ponte de madeira coberta sobre o rio Reuss, é o cartão-postal mais conhecido, mas o melhor é caminhar sem pressa pelas ruas próximas ao centro.
Se quiser incluir uma montanha já nesse dia, há duas boas possibilidades:
- Monte Rigi, com trem cremalheira e, em alguns roteiros, barco pelo Lago de Lucerna;
- Monte Pilatus, mais dramático e alto, mas normalmente mais caro.
Para não deixar o itinerário corrido, eu escolheria o Rigi caso o clima esteja aberto. O visual dos lagos lá de cima costuma compensar.
Onde dormir: Lucerna.
Dia 3: Lucerna para Interlaken e Lauterbrunnen
Este é um dos trajetos mais bonitos de toda a viagem. Pegue o Luzern-Interlaken Express, trem panorâmico que liga Lucerna a Interlaken Ost em cerca de 1h50.
O percurso passa por lagos, campos verdes, vilas pequenas e montanhas cada vez mais próximas da janela. Não é necessário reservar para apreciar, embora seja bom verificar a lotação em meses de verão.
Ao chegar a Interlaken Ost, faça a conexão para Lauterbrunnen.
O trajeto citado por você é mesmo muito simples:
- Saída de Interlaken Ost
- Cerca de 20 minutos
- Trens frequentes, normalmente a cada 30 minutos
- Chegada direta ao vale de Lauterbrunnen
Lauterbrunnen é daquelas paisagens que parecem ter sido montadas para um filme: paredões enormes, chalés, campos e cachoeiras despencando dos dois lados do vale. A Staubbachfall, uma das cachoeiras mais famosas do lugar, fica bem perto da estação e já dá uma ótima primeira impressão.
Onde dormir: Lauterbrunnen. Fique aqui por três noites para evitar levar mala para cima e para baixo entre as vilas.
Dia 4: Lauterbrunnen e Wengen
Reserve o dia para explorar Wengen, uma das vilas alpinas mais agradáveis da região. Ela não tem carros particulares e fica em uma encosta acima do vale, acessível por trem a partir de Lauterbrunnen.
O caminho até lá já é parte do passeio. Aos poucos, a vista se abre para os picos do maciço de Jungfrau e para o vale abaixo.
Em Wengen, o melhor programa é simples:
- caminhar pelo centrinho;
- sentar em um café com vista para as montanhas;
- seguir por trilhas fáceis, se o tempo permitir;
- subir até Männlichen de teleférico para uma das vistas mais bonitas da região.
A trilha entre Männlichen e Kleine Scheidegg é conhecida por ser relativamente tranquila e muito panorâmica. Em dias claros, você vê de frente o trio de montanhas Eiger, Mönch e Jungfrau.
Volte a dormir em Lauterbrunnen.
Dia 5: Mürren, Gimmelwald e as cachoeiras do vale
No dia seguinte, vá para o outro lado do vale. A ideia é conhecer Mürren e, se houver disposição, Gimmelwald.
Mürren também é livre de carros, mas tem uma atmosfera diferente de Wengen. Fica em uma varanda natural acima do vale de Lauterbrunnen, com uma vista frontal impressionante para os Alpes.
O acesso pode variar conforme a rota e a época, mas geralmente envolve trem ou teleférico saindo de Lauterbrunnen. Use o aplicativo da SBB Mobile no dia anterior para conferir a melhor conexão.
Depois de Mürren, siga até Gimmelwald. É menor, mais silenciosa e menos estruturada, justamente o que dá charme ao lugar. Não espere uma lista enorme de atrações. A graça está em observar os chalés, os campos, os sinos das vacas e aquela paisagem alpina sem pressa.
Na volta, pare em Stechelberg, no fundo do vale, e visite a Trümmelbach Falls se estiver aberta. As cachoeiras correm por dentro da montanha e são bem diferentes das quedas abertas que você vê no restante de Lauterbrunnen.
Onde dormir: Lauterbrunnen.
Dia 6: Grindelwald e deslocamento para Chur
Pela manhã, saia de Lauterbrunnen para Grindelwald, outra vila muito conhecida da região de Jungfrau. O deslocamento costuma envolver Interlaken Ost e leva pouco mais de uma hora, dependendo da conexão.
Grindelwald é mais movimentada do que Wengen e Mürren, com mais restaurantes, lojas e hotéis. Ainda assim, é uma excelente parada, especialmente pela proximidade com o Monte Eiger.
Se quiser um passeio de montanha, duas opções costumam chamar atenção:
- First, acessível por teleférico, com mirantes e caminhadas;
- Kleine Scheidegg, excelente para quem quer ficar de frente para a face norte do Eiger.
Como ainda haverá deslocamento no fim do dia, escolha apenas um passeio curto. No meio ou fim da tarde, siga de trem para Chur, cidade que servirá de base para o Bernina Express no dia seguinte.
A viagem de Grindelwald a Chur leva algumas horas e exige conexões, mas é confortável. Se preferir uma noite mais tranquila, você pode sair cedo de Grindelwald ou até reduzir o tempo na vila.
Onde dormir: Chur.
Dia 7: Bernina Express de Chur a Tirano
Este é um dos grandes dias da viagem.
Saindo de Chur, embarque no Bernina Express rumo a Tirano, já na Itália. O trem percorre um trajeto classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO em trechos da Ferrovia Rética e passa por viadutos, lagos, geleiras e paisagens alpinas muito diferentes ao longo do dia.
O ponto mais marcante é o Viaduto de Landwasser, uma curva de pedra alta sobre o vale. Depois, o cenário vai mudando: florestas, vales, lagos de altitude e áreas mais abertas perto do passo de Bernina.
É uma viagem longa, normalmente ocupando praticamente o dia inteiro. Por isso, vale reservar assento com antecedência, especialmente entre junho e setembro. O trem panorâmico exige reserva, além do bilhete ou passe de transporte aplicável.
Chegando a Tirano, você tem duas escolhas:
- Dormir em Tirano, mais prático após um dia inteiro de trem;
- Seguir diretamente para Varenna, no Lago di Como, caso os horários sejam favoráveis e você ainda tenha energia.
Minha sugestão é dormir em Tirano se o Bernina Express chegar no fim da tarde. A viagem fica mais leve e você aproveita o Lago di Como no dia seguinte sem correria.
Onde dormir: Tirano ou Varenna.
Dia 8: Tirano, Lago di Como e chegada a Milão
De Tirano, pegue o trem regional em direção a Varenna-Esino, no Lago di Como. A viagem leva cerca de 1h30 a 1h40, dependendo do serviço.
Varenna é uma das melhores bases para conhecer o lago sem carro. É menor, mais tranquila e muito mais prática do que tentar se hospedar em Bellagio carregando malas pelas escadarias.
Ao chegar, caminhe pelo centrinho e pela margem do lago. Se o tempo permitir, pegue o barco para Bellagio, que fica do outro lado. Bellagio é mais turística, mas continua bonita e rende um ótimo passeio de algumas horas.
No fim do dia, volte de trem de Varenna para Milano Centrale. O trajeto normalmente leva cerca de 1 hora.
Onde dormir: Milão.
Dia 9: Milão e voo de volta
Se o voo for no fim do dia, aproveite a manhã em Milão para conhecer o Duomo, a Galleria Vittorio Emanuele II e a região de Brera.
Milão é uma mudança completa de cenário depois das montanhas. Ela fecha bem a viagem para quem quer combinar os Alpes suíços com gastronomia, arquitetura e um pouco da energia italiana.
Caso seu voo saia cedo, o ideal é acrescentar uma noite extra em Milão e transformar o roteiro em 9 noites.
Resumo dos deslocamentos
| Dia | Trecho | Tempo aproximado |
|---|---|---|
| 2 | Zurique → Lucerna | 45 min |
| 3 | Lucerna → Interlaken Ost | 1h50 |
| 3 | Interlaken Ost → Lauterbrunnen | 20 min |
| 4 | Lauterbrunnen → Wengen | 15 min |
| 5 | Lauterbrunnen → Mürren | 35 a 50 min |
| 6 | Grindelwald → Chur | 4h a 5h |
| 7 | Chur → Tirano pelo Bernina Express | cerca de 4h30 |
| 8 | Tirano → Varenna | 1h30 a 1h40 |
| 8 | Varenna → Milão | cerca de 1h |
Como organizar os bilhetes
Para a parte suíça, compare o Swiss Travel Pass com o Swiss Half Fare Card antes de comprar. O passe pode valer a pena se você fizer muitos deslocamentos e usar barcos ou transportes urbanos. Já o Half Fare costuma funcionar melhor para quem pretende pagar metade do preço nos trajetos e nas montanhas.
Alguns pontos importantes:
- O Bernina Express requer reserva de assento, mesmo para quem usa passe.
- Teleféricos e trens de montanha, como Jungfraujoch, First e Männlichen, podem ter desconto, mas nem sempre são totalmente incluídos.
- Para a Itália, compre separadamente os bilhetes de Tirano para Varenna e de Varenna para Milão.
- Consulte horários no aplicativo SBB Mobile para a Suíça e no Trenitalia para os trechos italianos.
- As conexões podem sofrer alterações sazonais, sobretudo em rotas de montanha e em períodos de manutenção.
Esse roteiro privilegia o que a Suíça tem de mais especial sem alugar carro: vilas alpinas onde o trem chega à porta, vales com cachoeiras, trilhas acessíveis e uma travessia de trem memorável até a Itália. Lauterbrunnen, Wengen, Mürren, Gimmelwald e Grindelwald têm estilos diferentes, e ficar alguns dias na mesma base ajuda a aproveitar cada uma delas sem transformar a viagem em uma corrida.