Roteiro de Viagem de 11 Dias na Tailândia
Guia completo para montar sua viagem em família pela Tailândia de forma independente, com templos, cidades históricas e praias, organizando traslados, hospedagem e passeios sem depender de operadora.

Fazer a Tailândia por conta própria assusta no começo, mas é bem mais tranquilo do que parece. O país tem uma infraestrutura turística madura, transporte interno barato e gente acostumada a receber estrangeiro. Peguei aquele roteiro clássico de operadora, aquele de dez dias que sai de Bangkok e termina em Phuket, e reescrevi pensando em quem vai viajar em família, com criança ou com os pais, sem guia carregando plaquinha. A ideia aqui é que você tenha liberdade para acordar mais tarde, mudar de planos no meio do caminho e não ficar preso a horário de van coletiva.
Vou seguir a mesma espinha dorsal do roteiro original, dia a dia, mas trocando tudo que era “nosso assistente” e “traslado incluído” por instruções práticas de como fazer sozinho. No fim você vai perceber que dá pra economizar bastante e ainda viajar com mais conforto.
Antes de tudo: o que resolver com antecedência
Três coisas você precisa deixar encaminhadas antes de embarcar.
A primeira é o transporte interno. Esse roteiro cobre uma distância grande, de Bangkok até o extremo norte em Chiang Rai e Chiang Mai, e depois um salto para o sul em Phuket. Fazer tudo de carro alugado com a família dá trabalho, porque a direção é na mão inglesa e o trânsito de Bangkok é caótico. A saída mais sensata é combinar vôos internos baratos (AirAsia, Nok Air, Thai Lion) com um motorista particular contratado por dia para os trechos rodoviários do norte.
A segunda é a hospedagem. Reserve tudo pelo Booking ou Agoda, que na Tailândia funciona melhor que qualquer outro. Prefira hotéis com boa localização e café da manhã incluído, já que o roteiro original previa isso todo dia.
A terceira é o chip de celular. Compre um eSIM antes de viajar ou um chip da AIS ou TrueMove assim que chegar no aeroporto. Sem internet, viajar por conta própria vira sofrimento na hora de chamar Grab ou achar endereço.
Dia 1 (segunda): chegada em Bangkok
Você vai desembarcar no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi (BKK). Sem assistente esperando, o caminho é simples: siga as placas até o Airport Rail Link, o trem que liga o aeroporto ao centro por algo em torno de 45 baht por pessoa. Se estiver com muita mala e crianças cansadas depois do vôo longo, um táxi oficial ou um Grab compensa. Pegue sempre a fila de táxi com taxímetro no piso inferior, nunca aceite motorista que te aborda dentro do terminal.
Bangkok é uma das cidades mais antigas do sudeste asiático e mistura templos e mercados com shoppings modernos. É onde vive a família real, onde funciona o governo e onde se concentra a maior parte da atividade comercial e financeira do país. Abriga cerca de um décimo da população tailandesa e é a principal porta de entrada para o turismo.
Depois do check-in, deixe o resto do dia livre de verdade. Não force nada no primeiro dia. Vôo longo com fuso pesado derruba qualquer um, e ainda mais quem viaja com crianças. Uma caminhada curta perto do hotel e um jantar leve já bastam.
Dica de bairro para se hospedar em Bangkok com família: fique perto de uma estação do BTS Skytrain, como Sukhumvit ou Siam. Facilita muito a locomoção.
Dia 2 (terça): o centro histórico de Bangkok no seu ritmo
Café da manhã no hotel e depois o passeio pelo coração histórico da cidade. Comece cedo, antes das 9h, por dois motivos: o calor e as multidões.
Primeiro o Grande Palácio Real, um dos exemplos mais bonitos das cortes do Sião, que já foi residência dos reis da Tailândia. Lá dentro você vê os palácios usados em diferentes ocasiões, o funerário, o de recepção, a sala do trono, a sala de coroação, a casa de hóspedes reais e o famoso templo do Buda de Esmeralda. Atenção ao código de vestimenta: ombros e joelhos cobertos, para adultos e crianças. Levam isso a sério na entrada.
Na sequência, vá a pé até o Wat Pho, ali do lado. É o grande complexo de templos reais que guarda o Buda reclinado de 46 metros e os chedis, que são os túmulos dos reis. É um dos templos mais antigos de Bangkok e virou monastério real no reinado de Rama I.
Depois desse bloco de templos, faça o passeio de tuk tuk até o cais e pegue um barco pelo rio até o Icon Siam, o shopping mais impressionante da cidade. São mais de 7.000 lojas e uma praça de alimentação enorme, ótima para o almoço com a criançada. O barco é uma experiência à parte e as crianças adoram.
Aqui está a vantagem de fazer sozinho: sem operadora, você negocia o tuk tuk direto (combine o preço antes de subir) ou simplesmente chama um Grab com ar-condicionado, que num dia de 35 graus faz toda a diferença. A volta ao hotel é por sua conta mesmo, então nem muda nada em relação ao roteiro original.
Dia 3 (quarta): Bangkok, Ayutthaya, Lopburi e Phitsanuloke
Esse é o primeiro dia longo de estrada, e é onde entra o motorista particular. Contrate um carro com motorista para o dia inteiro. Costuma sair bem em conta dividido pela família e você para onde quiser, no seu tempo.
Saída cedo rumo a Ayutthaya, onde fica o Parque Histórico, com aqueles templos maravilhosos. Ayutthaya foi capital do reino de mesmo nome de 1371 até por volta de 1700, quando virou o Reino do Sião e cobria boa parte da atual Tailândia e do Camboja. Visite os principais templos, o Wat Chaiwathanaram e o Wat Phra Srisampetch. Almoce num restaurante local da cidade, tem várias opções à beira do rio.
Depois siga para Lopburi, uma das cidades mais antigas da Tailândia, até o Templo dos Macacos, o Prang Sam Yod. É de origem khmer e data do século XIII. Um aviso importante para quem vai com criança: os macacos são atrevidos, roubam óculos, garrafa, celular. Segure bem os pertences e não leve comida na mão.
De Lopburi, siga viagem até Phitsanuloke, onde você dorme. Chegada ao hotel e descanso.
Dia 4 (quinta): Phitsanuloke, Sukhothai e Chiang Rai
Outro dia de estrada, então mantenha o esquema de motorista particular ou combine desde o dia anterior que ele te leva até o próximo trecho.
Comece pelo templo mais sagrado de Phitsanuloke, as ruínas de Wat Phra Sri Ratana Maha That, um templo real do século XIV. Os moradores chamam de “Wat Yai”. Foi fundado pelo rei Lithai de Sukhothai e guarda uma famosa imagem dourada de Buda.
Depois, o Parque Histórico de Sukhothai, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e considerado o primeiro reino tailandês, do século XIII, anterior a Ayutthaya. Aqui vale muito alugar bicicleta e passear pelos jardins planos, entre ruínas e lagos. É tranquilo, as crianças curtem e o clima é totalmente diferente da correria de Bangkok. Não deixe de ver o grande Buda Branco de Wat Sri Chum, o Templo da Árvore Sagrada, cuja mão coberta de folha de ouro apoiada no joelho é muito venerada pelos moradores.
Almoço em restaurante local e, à tarde, siga para Chiang Rai. Faça a parada no pitoresco lago Phayao, no vale do rio Ing, para esticar as pernas. Chegada ao hotel.
Dia 5 (sexta): Chiang Rai e Chiang Mai
De manhã, visite o Templo Branco, o Wat Rong Khun, obra do artista Chalermchai Kositpipat, que começou o projeto em 1997. É diferente de tudo, quase surreal. Depois o Wat Rong Suean Ten, o “Templo Azul” ou “Templo do Tigre Dançante”, um santuário budista novo marcado pelo contraste entre o azul e o amarelo por fora e o branco das figuras de Buda por dentro.
Ainda pela manhã, visite o famoso Triângulo Dourado, ponto de encontro entre Laos, Birmânia e Tailândia. Do alto da colina você vê o rio Mekong e o afluente Ruak, que dividem a fronteira dos três países naquele desenho triangular. Em seguida, a Casa do Ópio, que conta a história da região.
Almoço em restaurante local e depois o trajeto de estrada de Chiang Rai até Chiang Mai. Como esses trechos do norte encadeiam bem, o ideal é fechar com o mesmo motorista os dias 3, 4 e 5, ou contratar diária a diária conforme for chegando. Chegada ao hotel em Chiang Mai.
Dia 6 (sábado): Chiang Mai, elefantes e Doi Suthep
Reserve com antecedência a visita a um Santuário de Elefantes. Isso é fundamental fazer sozinho, porque você escolhe um santuário ético, e não qualquer atração que explora os animais. Procure os que não permitem montaria e que trabalham com resgate e bem-estar. Nesses refúgios os elefantes têm boa qualidade de vida e cuidado, e você conhece as histórias deles e pode alimentá-los sob supervisão da equipe. É um dos momentos que a família mais lembra depois.
Na sequência, uma plantação de orquídeas, planta muito cultivada na cultura tailandesa, com jardim de borboletas de espécies incomuns por dentro. Almoço em restaurante local.
À tarde, suba ao templo mais conhecido de Chiang Mai, o Wat Doi Suthep, no alto de uma colina a uns 15 km a noroeste da cidade. A vista lá de cima compensa a subida das escadarias. Volta ao hotel.
Para esse dia em Chiang Mai, contratar um motorista local por meia diária resolve bem, já que o santuário costuma ficar afastado e a estrada até lá é bonita, mas sinuosa.
Dia 7 (domingo): fim do roteiro base ou seguir para Phuket
Aqui o roteiro se divide, igual no original.
Se você encerra em Chiang Mai: aproveite a manhã livre, faça as últimas compras e vá por conta própria até o aeroporto de Chiang Mai (CNX) para o vôo de volta. Grab ou táxi resolvem o traslado tranquilamente.
Se você emenda a extensão para Phuket: depois do café, saia com tempo de sobra até o aeroporto de Chiang Mai para o vôo até Phuket. Reserve esse vôo interno com antecedência, porque é um trecho longo, de norte a sul do país, e os preços sobem perto da data. Chegada em Phuket, traslado por conta própria (Grab funciona bem no aeroporto) e resto do dia livre para relaxar. Depois de tanto templo e estrada, esse dia de descanso na praia cai muito bem.
Dia 8 (segunda): Phuket e o passeio a Phi Phi
Dia livre. A grande dica é fazer o passeio a Phi Phi de lancha, que no roteiro de operadora só vinha incluído em pacote opcional. Por conta própria, você contrata direto com uma agência local em Phuket, escolhe o horário e muitas vezes paga menos. As ilhas Phi Phi têm mar cristalino verde esmeralda, praias de areia branca, montanhas cobertas de mata e recifes de coral cheios de vida marinha.
Prefira sair cedo para fugir da multidão de barcos que chega no meio da manhã. Se a família tem crianças pequenas, avalie um passeio privativo ou em barco menor, mais confortável que a lancha coletiva lotada.
Dia 9 (terça): Phuket livre
Mais um dia livre na ilha. Dá para fazer mergulho ou snorkeling, ou uma visita à baía de Phang Nga, com aquelas formações de rocha saindo do mar, incluindo a famosa ilha que apareceu em filme do James Bond. Todas essas atividades você contrata na hora, direto em Phuket, comparando preços entre duas ou três agências.
Se quiser um dia mais tranquilo, simplesmente aproveite a praia do seu hotel e a piscina. Nem tudo precisa ser passeio.
Dia 10 (quarta): volta para casa
Café da manhã e tempo livre até o traslado ao aeroporto de Phuket, que você faz de Grab ou táxi. Fim da viagem.
Comparativo: operadora x por conta própria
| Item | Com operadora | Por conta própria |
| Traslados | Incluídos, horário fixo | Grab e táxi, no seu tempo |
| Trechos de estrada | Van coletiva | Motorista particular |
| Vôos internos | Já embutidos | Você compra e escolhe |
| Passeios opcionais | Pacote fechado | Contrata local, mais barato |
| Flexibilidade | Baixa | Alta |
| Preço médio | Mais alto | Costuma sair menor |
O que muda de verdade fazendo sozinho
A diferença central não é só preço, embora ele conte bastante. É liberdade. Com a família, poder acordar mais tarde num dia cansativo, trocar um templo por uma tarde de piscina ou esticar o almoço sem alguém apressando o grupo muda a experiência inteira.
O ponto que exige mais atenção é a logística dos deslocamentos longos. Os três vôos ou trechos rodoviários entre Bangkok, o norte e Phuket são o esqueleto da viagem. Deixe isso amarrado antes de sair de casa. O resto, hospedagem, comida, passeios de praia, você resolve com folga já em solo tailandês.
Uma última coisa que aprendi olhando roteiros assim: não tente cumprir tudo à risca. Esse itinerário é intenso, com muita estrada e muito templo em poucos dias. Se em algum momento a família pedir uma pausa, dê. A Tailândia recompensa quem viaja com calma.

