Erros que te Fazem Pagar Mais Caro na Passagem na easyJet
Os erros mais comuns que fazem você pagar mais caro na easyJet são comprar bagagem no aeroporto, pesquisar preços com cookies ativos, escolher assento desnecessariamente, ignorar o limite de 45x36x20 cm da bagagem pessoal, fazer check-in no balcão em vez de online, comprar com pouca antecedência, voar em sextas e domingos, confundir aeroportos como Gatwick com Heathrow, e cair na pegadinha das tarifas Inclusive sem precisar dos benefícios.

A easyJet tem uma fama meio injusta. Muita gente diz que ela é cara disfarçada de barata, que tem taxa escondida em tudo, que no fim sai mais caro do que uma TAP. Não é bem assim. A easyJet é, sim, low cost de verdade. Mas ela só recompensa quem entende as regras do jogo. Quem não entende, paga o preço duas, três vezes.
Já vi viajante experiente cair em armadilha boba. Já vi gente comprando bagagem no balcão por 60 euros quando teria pago 15 online. Já vi casal pagando escolha de assento sem precisar, separados mesmo assim porque o sistema bugou. Já vi todo tipo de erro, e quase todos têm algo em comum: poderiam ser evitados com cinco minutos de atenção antes da viagem.
Vou listar aqui os erros que mais aparecem, pela ordem do estrago que fazem no bolso. Do mais caro ao mais sutil.
Comprar bagagem no aeroporto
Esse é, disparado, o erro mais caro que existe. E o mais comum.
A política da easyJet é clara: bagagem comprada online custa muito menos do que bagagem comprada no aeroporto. Uma mala de porão de 23 kg que sai por 18 ou 25 euros adicionada à reserva online pode custar 60, 70 ou até 80 euros se você só lembrar dela no balcão de check-in.
E não é um caso isolado. É política deliberada da companhia para forçar o passageiro a planejar antes. Funciona como punição por desorganização.
Pior ainda é o cenário em que você passa direto para o portão de embarque com uma mala de cabine que não cabe nas dimensões permitidas. Aí o agente da easyJet, com aquele sorrisinho que só quem trabalha em low cost consegue dar, te cobra 48 euros para despachar a mala ali na hora. Já vi isso acontecer dezenas de vezes em Gatwick, em Lisboa, em Genebra. Sempre o mesmo roteiro.
A solução é ridícula de simples: na hora da reserva, ou no máximo até 24 horas antes do vôo, adicione qualquer bagagem que vá levar. Se mudou de ideia depois, melhor pagar 30 euros pelo upgrade online do que 60 no aeroporto.
Pesquisar preços com cookies ativos no navegador
Esse erro é mais sutil, e a easyJet nunca vai admitir que ele existe. Mas existe.
Quando você pesquisa o mesmo trecho várias vezes pelo mesmo navegador, sem limpar cookies ou usar aba anônima, os preços tendem a subir. É um comportamento comum em sites de companhias aéreas e agências de viagem. O algoritmo identifica o interesse e ajusta o preço para cima.
Nem sempre acontece, mas acontece com frequência suficiente para virar hábito tomar precauções. Antes de fechar uma compra na easyJet, abra uma aba anônima ou apague os cookies. Compare o preço. Se estiver mais baixo, compre por ali.
Outra dica que funciona: pesquisar de dispositivos diferentes. Já encontrei o mesmo vôo 12 euros mais barato no celular do que no notebook, simplesmente porque o navegador do celular estava sem histórico. Pode parecer paranoia, mas é o tipo de paranoia que economiza dinheiro real.
Comprar passagem em cima da hora
A janela ideal para comprar vôos da easyJet fica entre 8 e 12 semanas antes da partida. Quem compra com menos de três semanas de antecedência paga, em média, o dobro. Quem compra com menos de uma semana, sem ser ocasião excepcional, paga o triplo.
O algoritmo de preço da easyJet sobe a tarifa progressivamente conforme o vôo enche. Os primeiros assentos são vendidos baratos para garantir um piso de ocupação. Os últimos são vendidos caros porque a companhia sabe que quem precisa do vôo vai pagar.
Comprar com pouca antecedência só compensa em duas situações: quando há promoção específica daquele trecho (raro), ou quando o vôo está vazio e a easyJet baixa o preço para encher (mais raro ainda).
A regra prática é: nunca, jamais deixe para comprar passagem da easyJet na semana do vôo se houver alternativa. E nunca compre seis meses antes achando que está fazendo um bom negócio. O ponto doce existe, e fica naquela faixa de 60 a 80 dias.
Pagar pela escolha de assento sem precisar
A easyJet cobra entre 5 e 30 euros por assento escolhido, dependendo do trecho e da posição na aeronave. Janela ou corredor na frente custa mais. Lugares no meio da aeronave custam menos. E lugares aleatórios são, claro, gratuitos.
A maioria das pessoas paga pela escolha sem necessidade. Se você viaja sozinho, não tem mobilidade reduzida e não se importa em sentar onde calhar, deixe a easyJet escolher. Vai funcionar bem na maioria das vezes.
A escolha paga só faz sentido em duas situações reais:
Quando você viaja em grupo ou com criança e precisa garantir que vai ficar junto. Aqui pagar 5 ou 8 euros por pessoa pode evitar muito estresse.
Quando você é alto e precisa de espaço extra para as pernas. Os assentos da fila de emergência têm bem mais espaço, e às vezes saem por 12 ou 15 euros. Para vôos de 3 ou 4 horas, vale.
Fora isso, é dinheiro jogado fora. O check-in online libera a escolha automática 14 dias antes do vôo (ou 30 dias para clientes Plus), e na maioria das vezes o sistema atribui assentos razoáveis. Se você está viajando com alguém e quer aumentar a chance de sentarem juntos sem pagar, façam o check-in juntos, no mesmo dispositivo, exatamente quando a janela abrir. Funciona quase sempre.
Confundir os aeroportos da easyJet
Esse erro custa caro de duas formas: dinheiro perdido com transfer e horas perdidas no caminho.
Em Londres, a easyJet voa principalmente para Gatwick e Luton. Quem reserva achando que vai chegar em Heathrow ou Stansted descobre tarde demais que precisa atravessar metade da Inglaterra. Gatwick fica a 45 minutos de trem do centro, Luton a 1h. O transfer pode custar entre 15 e 30 libras, dependendo do horário.
Em Milão, a easyJet opera em Linate (perto do centro) e em Malpensa (a 50 km de distância). A diferença entre voar para um ou outro pode ser de 1h30 de transporte e 15 euros de transfer.
Em Paris, a easyJet usa Charles de Gaulle e Orly. Charles de Gaulle tem trem direto para o centro (RER B), Orly precisa de combinação. O transfer não é tão dramático quanto em Londres ou Milão, mas ainda assim faz diferença.
Em Berlim, agora tudo se concentra em Brandenburg, então o problema é menor. Mas vale checar.
A regra é simples: antes de fechar a compra, confira em qual aeroporto o vôo pousa, e calcule o transfer no Google Maps. Se você economizou 20 euros no vôo mas vai gastar 30 em transfer e 1h30 a mais de viagem, não economizou nada.
| Cidade | Aeroportos da easyJet | Distância do Centro |
| Londres | Gatwick / Luton | 45 km / 56 km |
| Paris | Charles de Gaulle / Orly | 25 km / 18 km |
| Milão | Linate / Malpensa | 7 km / 50 km |
| Berlim | Brandenburg | 24 km |
| Lisboa | Humberto Delgado | 7 km |
| Madri | Barajas | 13 km |
Não conferir as dimensões da bagagem antes de sair de casa
A easyJet permite uma bagagem pessoal gratuita de 45x36x20 cm, com até 15 kg. Esse limite é generoso comparado a outras low cost, mas o tamanho exato é menor do que parece.
Muita gente acha que está dentro do limite e não está. Aquela mochila que parecia pequena tem 50 cm de altura. Aquela mala de cabine antiga tem 22 cm de profundidade. Tudo isso passa batido em casa, mas no portão de embarque vira problema.
Quando o vôo está cheio e os agentes da easyJet começam a medir bagagens nos portões, qualquer milímetro a mais custa caro. Já vi gente pagando 48 euros para despachar uma mochila que tinha 1 cm além do permitido. Não tem argumento que convença o agente. Ou cabe no medidor, ou paga.
Antes de viajar, meça a bagagem com fita métrica em casa. Se estiver no limite, considere pagar 7 ou 10 euros antecipadamente pela mala de cabine grande. É infinitamente mais barato do que ser pego no portão.
E uma observação prática: o limite de 15 kg para a bagagem pessoal raramente é checado em balanças. O que importa mesmo é o volume e o tamanho. Já viajei com mochila pesando uns 12 kg e nunca fui pesado. Mas se sua mochila parece estar estourando ou se você não consegue levantá-la sem esforço visível, pode ser questionado.
Não fazer check-in online
A easyJet libera o check-in online 30 dias antes do vôo para clientes Plus, e 14 dias antes para os demais. É gratuito. Demora dois minutos. Pode ser feito pelo aplicativo.
Quem não faz check-in online e tenta fazer no balcão paga taxa. E mais: corre o risco de não conseguir o assento que queria, já que os melhores costumam estar tomados pelos passageiros que se anteciparam.
Não tem desculpa razoável para esse erro. Baixe o aplicativo da easyJet, faça login, ative as notificações. Quando o check-in abrir, o app avisa. Você confirma em segundos e pronto. O cartão de embarque fica salvo no celular, sem necessidade de imprimir nada.
Esse é o tipo de erro que custa pouco em valor absoluto, mas é totalmente evitável. E se você não fez check-in online por descuido e ainda precisa pagar para imprimir o cartão de embarque no aeroporto, o estrago pode passar de 25 euros por trecho.
Voar em sextas, domingos e feriados sem necessidade
A easyJet, como toda low cost, cobra mais nos dias de pico. Sexta à noite e domingo à tarde são os piores momentos para voar. Os preços sobem entre 30% e 80% comparados com terça ou quarta.
Quem precisa voar nesses dias por compromisso de trabalho ou agenda fixa, ok. Mas quem está organizando uma viagem de lazer e tem flexibilidade não precisa entrar nessa briga de preço.
Mover a partida de sexta para quinta pode economizar 40 euros. Mover o retorno de domingo para segunda pode economizar outros 40. Em casal, isso são 160 euros a menos numa viagem só.
E mesmo dentro do dia, o horário importa. Vôos de madrugada ou início da manhã são geralmente mais baratos. Vôos do meio do dia, mais caros. Vôos noturnos, intermediários.
A flexibilidade de calendário é a maior arma do viajante low cost. Quem viaja com data inflexível paga sempre mais.
Cair na tarifa Inclusive sem precisar dos benefícios
A easyJet vende tarifas em três categorias principais: Standard (a básica), Standard Plus e Inclusive. As duas últimas incluem bagagem despachada, escolha de assento, embarque prioritário e Speedy Boarding.
Para quem realmente vai usar todos esses extras, a tarifa Inclusive geralmente compensa. Para quem não vai, é dinheiro jogado fora.
O problema é que o site da easyJet apresenta as tarifas de uma forma que faz a Inclusive parecer mais vantajosa do que é. Aparecem comparações visuais, ícones, destaques. Muita gente acaba clicando na Inclusive achando que está fazendo uma escolha inteligente, quando na verdade está pagando 30 ou 40 euros a mais por benefícios que não vai usar.
A regra que sigo é simples: se você viaja só com a bagagem pessoal gratuita, escolhe Standard pura. Se vai precisar de mala de cabine grande ou despachada, faz a conta entre adicionar avulso ou pegar Standard Plus. Só compensa Inclusive se você realmente quer todos os benefícios.
Não comparar com outras companhias
Esse erro é mais comportamental do que técnico. Muita gente vira fã de uma companhia e para de comparar. Faz sentido para quem coleciona milhas em programas tradicionais, mas não faz nenhum para viajante low cost.
A easyJet é ótima em muitas rotas. Em outras, perde feio para Ryanair, Vueling, Wizz Air ou até para companhias tradicionais com promoção. Para Lisboa-Madri, por exemplo, a Iberia às vezes bate o preço final da easyJet quando você inclui bagagem. Para rotas envolvendo aeroportos secundários, a Ryanair quase sempre ganha.
Antes de fechar qualquer compra, abra Skyscanner ou Google Flights e compare. Some os extras de cada companhia (bagagem, assento, transfer do aeroporto) e veja qual fica mais barato no total. Às vezes é a easyJet, às vezes não.
A fidelidade cega ao “voar low cost” tem que ser à categoria, não à marca. easyJet é uma das opções, não a única.
Reservar vôo de conexão como se fosse contínuo
Esse erro é grave e raro, mas quando acontece destrói a viagem. A easyJet vende trechos individuais. Se você comprar dois vôos separados (por exemplo, Lisboa-Genebra e Genebra-Berlim) e o primeiro atrasar, a easyJet não tem nenhuma obrigação de te recolocar no segundo. Você perde o vôo. Ponto.
Conexões precisam ser tratadas como duas viagens independentes. Sempre deixe pelo menos 4 horas entre vôos quando os trechos forem comprados separadamente. Em alguns aeroportos com migração e bagagem, o ideal é 6 horas ou pernoite.
Para conexões mais curtas, vale considerar serviços como Kiwi.com, que oferecem garantia em caso de perda de conexão. Não é perfeito, mas dá uma camada de segurança que a easyJet sozinha não oferece.
Esquecer dos extras escondidos no checkout
Aqui está outro ponto onde muita gente perde dinheiro sem perceber. Durante o processo de compra, a easyJet oferece dezenas de extras: seguro de viagem, transfer, aluguel de carro, hotel, prioridade no embarque, refeição a bordo. Tudo com checkbox marcado por padrão em alguns casos, ou com botões grandes que parecem parte do fluxo obrigatório.
Já vi gente pagando seguro viagem de 35 euros achando que era taxa do bilhete. Já vi reserva de hotel acidental. Já vi upgrade de tarifa que apareceu quase como confirmação automática.
A regra de ouro é ler com calma cada tela do checkout. Não clique em “continuar” no automático. Confira o valor total antes de cada confirmação. Se algo parece estar inflando o preço sem explicação, volte uma tela e veja o que foi adicionado.
A easyJet não esconde os extras de forma desonesta, mas usa o velho truque de tornar fácil aceitar e difícil recusar. Quem clica rápido paga mais.
A maior lição depois de tantos erros
Tem uma frase que fica martelando na cabeça depois de muitas viagens com a easyJet: low cost não é barato por acaso, é barato porque o passageiro faz parte do trabalho. Você é seu próprio agente de check-in, seu próprio carregador de mala, seu próprio fiscal de tamanho de bagagem.
A easyJet não te entrega nada de bandeja. Ela coloca à sua disposição uma estrutura que pode ser muito barata ou pode ser muito cara, dependendo de como você usa. Os passageiros bem informados pagam pouco. Os desinformados subsidiam o lucro da companhia.
Não tem nenhum mistério. Tem método. Quem aprende o método voa Lisboa-Berlim por 35 euros e desembarca rindo. Quem ignora paga 180 euros pelo mesmo vôo, mais bagagem extra no aeroporto, mais transfer porque escolheu o aeroporto errado, mais assento, mais seguro acidental no checkout. E ainda sai falando que low cost é enganação.
A diferença está nos detalhes. E os detalhes, neste caso, são a diferença entre uma viagem que cabe no bolso e uma que vira dor de cabeça financeira. A easyJet te dá a ferramenta. Cabe a você usar com inteligência.