Vôos da Ryanair a Partir de 15 Libras Esterlinas em Londres

Stansted é o aeroporto que melhor traduz a filosofia da Ryanair. Quem chega ali pela primeira vez sente uma mistura de rodoviária europeia com terminal de baixo custo: corredores longos, painéis de embarque enormes, fila para o McDonald’s às 5 da manhã, e uma quantidade impressionante de gente arrastando malinhas de cabine pelas escadas rolantes. Stansted fica a quase 60 quilômetros do centro de Londres, e isso é parte do truque que permite tarifas tão baixas quanto 15 libras para o outro lado da Europa.

Foto de Wayne Jackson: https://www.pexels.com/pt-br/foto/9091622/

Quem nunca viajou por Stansted talvez torça o nariz com a distância. Mas, na prática, o trem Stansted Express resolve em 50 minutos a viagem até Liverpool Street, e existem ônibus da National Express e da Terravision que custam metade do preço para quem não tem pressa. Resolvido o transporte, o que sobra é uma das maiores bases da Ryanair no mundo, com vôos para mais de 45 destinos a partir de 15 libras esterlinas mais taxas. É volume suficiente para montar quase qualquer roteiro pela Europa usando Londres como ponto de partida.

A lista é grande, então vou agrupar por região para o texto fluir melhor. No fim, algumas observações práticas sobre como aproveitar essas tarifas sem cair nas armadilhas da própria Ryanair.

Por que Stansted é o paraíso das tarifas baixas

Stansted nasceu como o terceiro aeroporto de Londres, atrás de Heathrow e Gatwick, e durante anos foi visto como o primo pobre. A Ryanair chegou nos anos 90, fez dele sua principal base no Reino Unido, e transformou o aeroporto numa máquina de vôos baratos. Hoje, Stansted opera quase como um terminal exclusivo da companhia, com mais de 150 rotas servidas pela empresa.

Esse volume é o que permite as tarifas promocionais. Vôos cheios, aeronaves girando rápido, taxas aeroportuárias negociadas em escala. Quando aparece a promoção de 15 libras, ela não é uma jogada de marketing isolada. É o resultado direto da forma como a Ryanair opera nesse aeroporto.

Reino Unido e Irlanda: vôos curtos e práticos

Saindo de Stansted, a Ryanair atende várias cidades do Reino Unido e da Irlanda com vôos curtos, ideais para fim de semana esticado.

Edimburgo e Glasgow

As duas grandes cidades escocesas. Edimburgo é a mais turística, com seu castelo no alto da Royal Mile, os pubs antigos e o festival de agosto que toma a cidade. Glasgow é mais rude, mais musical, mais industrial, e costuma surpreender quem espera só uma versão menor de Edimburgo. Vale combinar as duas num roteiro só, já que estão a 50 minutos de trem uma da outra.

Dublin, Cork, Shannon, Kerry e Knock

Cinco destinos na Irlanda. Dublin é o óbvio, com sua cena de pubs, a Trinity College, o bairro de Temple Bar. Cork é a segunda cidade do país, mais tranquila, porta de entrada para a costa sul e o famoso Castelo de Blarney. Shannon dá acesso aos Cliffs of Moher e à região oeste. Kerry e Knock são aeroportos pequenos, perfeitos para quem quer mergulhar na Irlanda profunda, com aldeias de pescadores, paisagens da Wild Atlantic Way e nada de turismo de massa.

Belfast Internacional

A capital da Irlanda do Norte vem ganhando turistas a cada ano. O Titanic Quarter, o tour pelos murais políticos, a proximidade com a Calçada dos Gigantes na costa. Vôo curto saindo de Stansted e uma cidade que merece pelo menos três dias.

Newquay Cornwall

Esse é o destino exótico do Reino Unido. Newquay fica na ponta sudoeste da Inglaterra, na Cornualha, terra de surfe, falésias e pubs de pescador. Não é uma cidade que aparece em roteiro padrão de Londres, e justamente por isso vale o vôo.

França: além de Paris

A Ryanair tem uma rede impressionante de vôos para a França saindo de Stansted, e quase nenhum deles vai para Paris. Isso é proposital, porque os preços de Paris seriam mais altos. Em compensação, dá para descobrir uma França que muito brasileiro nunca pensou em conhecer.

Carcassonne e Beziers

Duas cidades do Languedoc, no sul. Carcassonne tem aquela cidadela medieval inteira preservada, com muralhas e torres que parecem cenário de filme. Beziers fica perto e é base boa para visitar o Canal du Midi.

Toulouse e Perpignan

Toulouse é a cidade rosa, com seus prédios em tijolo aparente, a indústria aeroespacial e uma vibe universitária forte. Perpignan fica praticamente na fronteira com a Catalunha espanhola e mistura culturas das duas regiões.

Limoges, Poitiers e Tours Val de Loire

Três aeroportos no centro-oeste francês. Tours é a porta de entrada para os castelos do Vale do Loire, talvez o roteiro mais romântico da França. Poitiers tem o Futuroscope e centro histórico encantador. Limoges é famosa pela porcelana e fica numa região verde, tranquila, perfeita para quem aluga um carro.

Nantes

Cidade na costa atlântica, conhecida pelas Machines de l’Île, aquele elefante mecânico gigante que virou símbolo da cidade. Boa base para esticar até a Bretanha.

Itália: do norte ao Adriático

A Itália aparece com força na lista, com destinos que cobrem o norte industrial até a costa adriática.

Milão Bergamo e Milão Malpensa

Dois aeroportos atendendo Milão. Bergamo é o tradicional da Ryanair, fica longe do centro de Milão mas a própria cidade de Bergamo Alta é linda e merece o dia. Malpensa é o aeroporto principal, com trem direto Malpensa Express para o centro de Milão em 50 minutos. Se a tarifa de 15 libras aparecer para Malpensa, é tarifa de ouro.

Bolonha

Para mim, Bolonha é uma das melhores cidades para se voar barato na Itália. A comida é provavelmente a melhor da Itália inteira. Tagliatelle al ragù de verdade, mortadela, tortellini in brodo. Cidade universitária, com pórticos cobrindo quilômetros de ruas, e base perfeita para esticar até Florença ou Modena.

Turim e Gênova

Duas cidades subestimadas do norte. Turim, capital do Piemonte, tem palácios reais, museu egípcio impressionante e cafés históricos. Gênova é porto, é mar, é focaccia quente saindo do forno e ruelas estreitas que descem para a Riviera.

Ancona, Pescara e Perúgia

Três destinos no centro e leste da Itália que abrem regiões pouco visitadas. Ancona fica no Adriático, é porta para as Marche. Pescara dá acesso ao Abruzzo, com montanhas e praias. Perúgia é o coração da Úmbria, a vizinha tranquila e barata da Toscana, com aldeias medievais como Assis a meia hora.

Alemanha: cuidado com os nomes dos aeroportos

A Alemanha é o exemplo clássico de como a Ryanair usa aeroportos secundários e dá nomes que confundem o turista. Atenção redobrada aqui.

Frankfurt Hahn

Não é Frankfurt. Hahn fica a quase 120 quilômetros de Frankfurt, no meio do nada, e o ônibus para a cidade leva quase duas horas. Por outro lado, fica perto da região do Mosela e do Reno, então se o seu plano é fazer rota de vinho ou chegar a Luxemburgo, faz sentido.

Memmingen (Munique)

Memmingen está a uns 110 quilômetros de Munique. Mesma lógica do Hahn. O ônibus FlixBus resolve, mas calcule o tempo e o custo. Memmingen em si é uma cidade pequena agradável, na Bavária, e fica perto de castelos como o Neuschwanstein.

Karlsruhe / Baden-Baden

Aeroporto regional que serve as duas cidades, no sudoeste da Alemanha, perto da fronteira francesa. Baden-Baden é cidade termal histórica, daquelas que parecem paradas no tempo. Karlsruhe é mais funcional, sede do tribunal constitucional alemão.

Hamburgo, Bremen, Colônia, Lubeck e Münster

Aqui sim são aeroportos próximos das próprias cidades. Hamburgo é o porto, os canais, o bairro de St. Pauli. Bremen é pequena e charmosa, com aquela praça medieval da Bremer Stadtmusikanten. Colônia tem a catedral gótica gigantesca e fica às margens do Reno. Lubeck é cidade hanseática preservada, patrimônio da UNESCO. Münster é universitária, ciclística, com centro histórico bem cuidado.

Espanha e Portugal Ibérico

Barcelona El Prat

Barcelona com vôo direto para o aeroporto principal, El Prat, é praticamente uma promoção que não pode ser ignorada. Quinze libras para chegar na Catalunha, com Sagrada Família, Park Güell, praias, tapas. Difícil pedir mais.

Zaragoza

Capital de Aragão, no norte da Espanha. Zaragoza não está no roteiro turístico óbvio, mas tem a Basílica del Pilar, centro histórico interessante e fica numa posição estratégica entre Madri e Barcelona, com trem rápido para as duas.

Norte e Leste Europeu: o ouro dos roteiros alternativos

É aqui que a promoção fica realmente interessante para quem quer fugir do óbvio.

Oslo

Quinze libras para a Noruega é tarifa que parece erro. Oslo é cara depois que você chega, com cervejas a 12 euros e refeições caríssimas, mas para quem nunca pisou na Escandinávia, é a oportunidade de conhecer uma capital nórdica gastando o mínimo no transporte. O fiorde de Oslo, o museu Munch novo, a ópera de mármore branco.

Malmo

Cidade do sul da Suécia, ligada a Copenhague pela ponte do Øresund. Voar para Malmo e ir de trem para Copenhague em 35 minutos é uma jogada clássica para quem quer dois países pelo preço de um vôo só.

Szczecin, Gdansk e Poznan

Três cidades polonesas, e cada uma vale o esforço. Gdansk é a mais bonita, cidade hanseática no Báltico, com a Rua Longa, a beira do rio Motlawa, a história do Solidariedade. Poznan tem praça do mercado colorida e cena gastronômica em alta. Szczecin é menos turística, perto da fronteira alemã, boa para quem gosta de cidades que ainda estão se descobrindo.

Cluj e Kosice

Cluj fica na Romênia, na Transilvânia, e é uma das cidades mais surpreendentes do leste europeu. Café terceira onda, cena cultural ativa, e perto de Sighisoara e do interior transilvano. Kosice fica no leste da Eslováquia, cidade pequena com centro histórico bonito e preços ainda baixíssimos para padrões europeus.

Ostrava

Terceira maior cidade da República Tcheca, fica perto da fronteira com a Polônia. Não é Praga, mas é uma porta de entrada barata para o leste europeu, e dá para combinar com Cracóvia ou com a própria Praga de trem.

Klagenfurt

Sul da Áustria, perto da fronteira com a Itália e a Eslovênia. Klagenfurt fica às margens do lago Wörthersee, é base linda no verão e ponto de partida para os Alpes austríacos.

Holanda, Bélgica, Luxemburgo

Eindhoven

Cidade do sul da Holanda, conhecida pelo design e pela Philips. Aeroporto eficiente, ônibus direto para o centro. De Eindhoven, dá para chegar a Amsterdam de trem em uma hora e meia.

Luxemburgo

Pequeno, caro, mas charmoso. Luxemburgo cidade tem fortaleza no alto, vales profundos, e o transporte público no país inteiro é gratuito, o que ajuda a economizar depois que você chega.

Comparativo de regiões e tipo de viagem

RegiãoCidades na promoçãoPerfil
Reino Unido e Irlanda9Fim de semana
França7Cultural e rural
Itália7Comida e história
Alemanha7Cidades e regiões
Espanha2Capital e regional
Norte da Europa2Caro mas único
Leste Europeu7Barato e autêntico
Holanda, Bélgica, Lux2Bem conectado

O que está incluído nos 15 libras

Como toda tarifa Ryanair, os 15 libras cobrem você e uma bagagem pequena de mão, do tamanho de uma mochila grande, que cabe embaixo do banco da frente. Mais nada. Nada de mala de cabine grande, nada de assento marcado, nada de comida a bordo, nada de prioridade no embarque. Tudo isso pode ser comprado à parte, e cada item tem um preço.

A tarifa de 15 libras é real e é honesta dentro do que ela promete. O que mata o orçamento de muita gente é a tentativa de transformar a Ryanair em companhia tradicional. Se você precisa despachar bagagem, marcar assento e ter conforto, vai pagar mais e talvez valha a pena olhar a British Airways ou a easyJet para comparar o preço final.

As taxas, por sinal, costumam ser modestas em Stansted. Geralmente entre 5 e 15 libras, dependendo do destino e das tarifas aeroportuárias do outro lado.

Dicas práticas para garantir a tarifa

Algumas observações que aprendi olhando o site da Ryanair com frequência:

Os 15 libras aparecem mais em terças e quartas, e em meses fora de temporada como fevereiro, março, novembro e início de dezembro. Em julho e agosto, esquece, os preços disparam.

Reservar com 6 a 8 semanas de antecedência costuma pegar bons preços, mas a Ryanair também libera tarifas baixas em cima da hora para encher vôos.

Fazer o check-in online com antecedência é obrigatório. Se você só fizer o check-in no aeroporto, paga uma multa que pode passar de 55 libras. Sério, é a maior pegadinha da empresa.

Cuidado com os aeroportos secundários. Frankfurt Hahn não é Frankfurt. Memmingen não é Munique. Bergamo não é Milão centro. Inclua sempre o custo e o tempo de transporte na conta total.

Usar só a mochila pequena, fazer check-in pelo app, não escolher assento, é a fórmula que mantém os 15 libras como 15 libras.

Roteiros possíveis saindo de Stansted

Com tantos destinos, dá para inventar combinações infinitas. Alguns que fazem sentido na prática:

Stansted, Bolonha, Florença de trem, Milão Bergamo de volta. Roteiro de comida e arte na Itália, com vôos de menos de 40 libras somados.

Stansted, Edimburgo, Glasgow de trem, voltando de Glasgow. Fim de semana escocês completo.

Stansted, Cluj, ônibus para Sighisoara, volta por Cluj. Mergulho de uma semana na Transilvânia, gastando muito pouco.

Stansted, Malmo, trem para Copenhague, volta por Malmo. Dois países nórdicos sem pagar vôo separado.

Stansted, Tours, carro alugado pelo Vale do Loire, volta por Tours. Roteiro romântico de castelos.

Vale a pena voar pela Ryanair saindo de Stansted

Voar de Ryanair é uma experiência sem firulas. Avião novo, operação eficiente, gente cobrando por tudo o que não está incluído, e uma capacidade quase mágica de te levar para outro país por menos do que você gastaria num jantar em Londres. Para distâncias curtas dentro da Europa, é praticamente imbatível.

Stansted, com sua localização longe do centro de Londres, exige um pouco mais de planejamento na hora de sair de casa. Mas, depois que você está dentro do terminal, abre-se uma das maiores redes de vôos baratos do mundo. Mais de 45 destinos a partir de 15 libras significa que você pode visitar uma cidade europeia diferente por mês durante quatro anos sem repetir lugar, gastando em transporte aéreo o equivalente a uma viagem rodoviária no Brasil.

Da próxima vez que aquela ansiedade de viajar bater, vale abrir o site da Ryanair, escolher Stansted como origem, e simplesmente clicar em “qualquer destino”. É o tipo de exercício perigoso, porque você sai do site com uma passagem comprada para um lugar que, dez minutos antes, você nem cogitava visitar. Acontece. E quase sempre dá certo.

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