Destinos de Viagem na Europa Para Voar Barato com a Ryanair

Quem já passou um tempo rodando pela Europa sabe que existe um divisor de águas na hora de planejar o roteiro: descobrir como funciona a Ryanair. A companhia irlandesa não é exatamente sinônimo de luxo, e qualquer pessoa que diga o contrário provavelmente nunca pegou um vôo dela. Mas é, sem dúvida, a forma mais inteligente de transformar uma viagem de duas semanas em algo parecido com seis cidades, três países e ainda sobrar dinheiro pro jantar.

Foto de Wayne Jackson: https://www.pexels.com/pt-br/foto/aviao-aeronave-aviacao-aeronautica-9227608/

A graça toda está em entender o jogo. A Ryanair não tenta ser o que não é. Ela vende uma passagem barata, cobra por tudo que vier depois disso, e pronto. Se você aceita as regras, consegue voar de Milão a Dublin por menos do que custa um almoço numa trattoria romana. Se você briga com as regras, sai bufando do aeroporto jurando nunca mais. Já vi os dois tipos de viajante, e a diferença entre eles costuma ser apenas atenção aos detalhes.

Por que a Ryanair virou rainha das viagens baratas na Europa

A Ryanair opera mais de 230 destinos espalhados por mais de 30 países europeus, e tem uma malha tão densa que parece teia de aranha quando você abre o mapa de rotas no site. Isso muda completamente a lógica de planejamento. Em vez de pensar em ir só para Paris, você começa a pensar em fazer Paris, Bruges, Cracóvia e Valência num único mês, gastando em passagens aéreas o que normalmente se gastaria num único trecho transatlântico.

O modelo de negócio é simples e meio implacável. A tarifa básica leva você e uma mochila pequena que precisa caber embaixo do banco da frente. Tudo o mais é extra. Mala despachada, escolher assento, embarcar antes, imprimir cartão de embarque no aeroporto, comer durante o vôo, respirar com calma. Brincadeira, respirar ainda é grátis. Mas a sensação às vezes é essa.

O que muita gente não percebe é que esse modelo, quando bem aproveitado, libera o viajante de coisas que pareciam obrigatórias. Você viaja mais leve. Aprende a usar mochila pequena. Descobre que não precisava daquela terceira jaqueta. Vira uma escola.

A pegadinha dos aeroportos secundários

Antes de listar os destinos, precisa avisar uma coisa que ninguém fala com clareza nas matérias de viagem: a Ryanair adora aeroportos secundários. E secundário, no vocabulário dela, às vezes significa um campo de pouso a 100 km da cidade que aparece no nome do vôo.

Voa para Paris Beauvais? Beauvais fica a 85 km de Paris. Voa para Frankfurt Hahn? Hahn fica a 120 km de Frankfurt. Voa para Bruxelas Charleroi? Charleroi é praticamente outra cidade. Isso não é defeito, é parte do esquema que torna o bilhete barato. Só que, na hora de comparar preços, você precisa somar o ônibus, o trem ou o transfer até o centro. Às vezes o vôo de 19 euros vira uma viagem de 50 quando você inclui tudo. Continua valendo a pena, mas o cálculo precisa ser honesto.

Existem exceções importantes. Dublin, por exemplo, é o hub principal e o aeroporto fica perto da cidade. Madri, Barcelona, Roma Ciampino, Lisboa, todos esses funcionam bem. Mas vale checar antes de comprar.

Destinos que valem cada centavo da passagem barata

Vou separar por regiões, porque faz mais sentido pensar geograficamente quando o objetivo é montar um roteiro encadeando vôos.

Europa Ocidental

Dublin, Irlanda. A casa da Ryanair, e talvez por isso seja onde aparecem as tarifas mais imbatíveis. Dublin é uma cidade que merece pelo menos três dias. O Trinity College, o Livro de Kells, os pubs do Temple Bar, a Guinness Storehouse. Mas o segredo está em alugar um carro e sair pela costa. Cliffs of Moher, Galway, Connemara. A Irlanda é um daqueles lugares onde a paisagem faz o trabalho pesado por você.

Londres Stansted, Inglaterra. Stansted é longe de Londres central, cerca de 65 km, mas o trem expresso resolve em 50 minutos. Londres não precisa de apresentação, mas o que talvez precise é de aviso: é caro. A passagem barata da Ryanair compensa só até a chegada, depois o orçamento aperta.

Edimburgo, Escócia. Aqui sim, uma joia. Vôos da Ryanair saindo de várias cidades europeias chegam regularmente por preços baixos. Edimburgo no inverno é meio sombria e absolutamente charmosa, no verão é festival atrás de festival.

Porto, Portugal. Tarifas baixíssimas, especialmente saindo de outras capitais europeias. Porto tem um centro histórico compacto, vinhos do Douro a preço justo e uma comida que humilha muita coisa que se vende como gourmet por aí.

Lisboa, Portugal. Outro hub forte da Ryanair. De Lisboa, você consegue conexões baratas para praticamente tudo no sul da Europa.

Itália, o paraíso da Ryanair

A Itália é provavelmente o país com mais opções de vôos baratos na malha da companhia. Tem aeroporto Ryanair em quase todo lugar.

Milão Bergamo. Bergamo fica a uns 50 km de Milão, mas a própria Bergamo Alta é uma cidade medieval murada deslumbrante. Não passe direto. Reserve um dia.

Roma Ciampino. Mais perto do centro do que muita gente imagina. Uns 15 km. Roma é Roma, não há o que discutir. Só evite agosto, que vira forno.

Veneza Treviso. Treviso fica a 40 km de Veneza, mas o ônibus da ATVO leva você direto à Piazzale Roma. Veneza no inverno, com neblina, é uma experiência completamente diferente da Veneza turística do verão.

Nápoles, Bari, Palermo, Catânia. O sul da Itália ficou acessível graças à Ryanair. De Nápoles você visita Pompeia, Costa Amalfitana, Capri. De Bari você atravessa pra Albânia ou desce pelos trulli de Alberobello. Palermo e Catânia abrem a Sicília inteira.

Europa Central e do Leste

Aqui está, na minha opinião, o melhor custo benefício da Europa hoje. Países onde o dinheiro rende, cidades lindas, e a Ryanair voando barato.

Cracóvia, Polônia. Talvez o destino mais subestimado da Europa. Centro histórico tombado pela UNESCO, mina de sal de Wieliczka, e Auschwitz a uma hora dali. Cracóvia merece quatro dias inteiros, e ainda assim você sai querendo voltar. Restaurantes ótimos por 15 euros. Cerveja por 2 euros. Sério.

Budapeste, Hungria. Os banhos termais, o Danúbio cortando a cidade em duas, os ruin pubs. Budapeste tem um clima meio decadente meio glamouroso que poucas cidades conseguem. Vôos baratíssimos chegando de várias partes da Europa.

Praga, República Tcheca. Mais turística e mais cara que Budapeste e Cracóvia, mas ainda assim acessível. Praga merece pelo menos três dias.

Bratislava, Eslováquia. Pequena, gostosa, e a uma hora de Viena de ônibus. Combinação perfeita para quem quer visitar Viena gastando pouco com hospedagem.

Vilnius, Riga, Tallinn. As capitais bálticas. A Ryanair voa para todas. Tallinn tem um centro histórico medieval intacto que parece cenário de filme. Riga é elegante e meio melancólica. Vilnius surpreende.

Espanha, terra das tarifas absurdas

A Espanha tem mais aeroportos atendidos pela Ryanair do que qualquer outro país junto.

Madri, Barcelona, Sevilha, Valência, Málaga, Palma de Maiorca, Bilbau, Santiago de Compostela. Já vi tarifa de 9 euros entre cidades espanholas saindo no site. Não é miragem.

Sevilha em abril, durante a Feria, é uma experiência cultural daquelas que ficam. Valência tem praia e a Cidade das Artes e Ciências. Bilbau tem o Guggenheim e uma cena gastronômica subestimada. Santiago de Compostela é o fim do Caminho, mas funciona muito bem como início de viagem também.

Os charmosos do Norte

Bruxelas Charleroi, Bélgica. Charleroi fica longe, mas a Bélgica vale o esforço. De Bruxelas, escapa pra Bruges em uma hora de trem. Bruges é tipo um cenário de Disney que existe de verdade.

Berlim, Alemanha. Tarifas baixas, cidade enorme. Berlim precisa de tempo. Cinco dias, no mínimo, para começar a entender.

Copenhague, Dinamarca. A passagem é barata. O resto, não. Mas vale uma escapada de três dias.

Tabela de aeroportos Ryanair e distância dos centros

AeroportoCidade RealDistância
Paris BeauvaisParis85 km
Frankfurt HahnFrankfurt120 km
Bruxelas CharleroiBruxelas55 km
Milão BergamoMilão50 km
Veneza TrevisoVeneza40 km
Roma CiampinoRoma15 km
Londres StanstedLondres65 km
Barcelona ReusBarcelona105 km
Estocolmo SkavstaEstocolmo100 km

Olhando essa tabela, dá pra entender por que muita gente se decepciona quando chega. Mas também dá pra planejar com inteligência.

Como comprar passagem da Ryanair sem cair em armadilha

Comprar pela Ryanair tem manha. Vou contar o que funciona na prática.

Primeiro, sempre compre direto pelo site oficial ou pelo aplicativo. Sites de terceiros tendem a embutir taxas que somem quando você compra direto. Segundo, se você pode escolher datas, voe em terça, quarta ou sábado. As tarifas são consistentemente mais baixas. Sexta à noite e domingo à tarde são os piores dias.

Terceiro, e isso é crucial: faça o check in online com pelo menos 2 horas de antecedência. Se você chegar no aeroporto sem o cartão de embarque, paga uma taxa que pode ser maior que o valor da passagem. Isso não é boato, é prática consolidada.

Quarto, sobre bagagem. A bagagem incluída é uma mochila ou bolsa pequena, 40x20x25 cm, que precisa caber embaixo do banco. Se você quer levar uma mala de cabine de tamanho normal, precisa pagar a Priority Boarding ou comprar a mala despachada. Não tem jeito. E sim, eles medem. Têm aqueles compartimentos de metal no portão de embarque, e se a mala não couber, você paga a taxa na hora, que é absurda.

Quinto, instale o aplicativo. Tem desconto pra quem compra pelo app, e o cartão de embarque digital evita a confusão de impressão.

Estratégia de roteiro encadeando vôos baratos

Aqui está onde a Ryanair brilha de verdade. Em vez de comprar uma passagem cara para uma única cidade, monte um circuito.

Um exemplo de roteiro que faz sentido financeiramente: você sai do Brasil para Lisboa, fica três dias, voa Lisboa-Cracóvia por 30 euros, fica quatro dias, voa Cracóvia-Roma por 25 euros, fica três dias, voa Roma-Sevilha por 35 euros, fica três dias, e volta de Sevilha para Lisboa por 20 euros para pegar o vôo de volta ao Brasil. Total nas internas: cerca de 110 euros para quatro vôos. Difícil reclamar.

A lógica é começar e terminar a viagem na mesma cidade ou em cidades atendidas pela mesma companhia transatlântica. Isso evita a passagem aérea de longa distância em multi destinos, que costuma ser mais cara.

O que ninguém te conta sobre voar Ryanair

A pontualidade da Ryanair é boa, melhor do que muita companhia tradicional, na verdade. Mas quando atrasa, atrasa feio. E o suporte ao cliente é, digamos, espartano. Se algo der errado, prepare-se para resolver sozinho.

Os assentos não reclinam. As janelas estão em posições estranhas em alguns aviões. A iluminação é fluorescente e os anúncios dentro do avião são uma maratona de propagandas. Tem gente que ama, tem gente que odeia. Eu vejo como o preço a pagar pela tarifa.

Outra coisa: a Ryanair vive mudando rotas. Uma rota que existia ano passado pode não existir esse ano. Sempre cheque diretamente no site antes de planejar nada baseado em informação de terceiros.

Quando comprar e quando esperar

A janela ideal para comprar passagens da Ryanair fica entre 2 e 4 meses antes da viagem. Muito antes disso, os preços ainda não baixaram. Muito depois, eles já subiram.

As promoções relâmpago da Ryanair são reais. Aparecem geralmente terças e quartas. Vale assinar a newsletter, mesmo que ela enche a caixa de entrada. Uma boa promoção compensa.

Janeiro, fevereiro e novembro são os meses mais baratos para voar pela Europa. Dezembro fica caro por causa do Natal. Julho e agosto também, por causa do verão europeu. Setembro e outubro têm clima ótimo e preços ainda razoáveis.

Vale mesmo a pena?

Vale. Com ressalvas, mas vale.

A Ryanair democratizou viajar pela Europa. Antes dela, fazer um roteiro de cinco cidades era luxo de quem tinha dinheiro sobrando. Hoje, com planejamento, é luxo de quem tem tempo. E tempo, comparado com dinheiro, é algo que muita gente consegue organizar com mais facilidade.

A experiência dentro do avião é o que é. Você senta, voa duas horas, chega. Não é a Emirates. Não tenta ser. Para trechos curtos dentro da Europa, faz total sentido. Pra quem está cruzando o continente em um mês, encadeando cidades como contas de um colar, ela é insubstituível.

O segredo está em entrar nesse jogo sabendo das regras. Mochila pequena, check in feito, cartão de embarque pronto, aeroporto secundário no GPS. Cumprida a lista, a tarifa de 19 euros entrega o que promete: você do outro lado da Europa em duas horas, com dinheiro sobrando pra um jantar decente quando pousar.

E é isso que faz a viagem virar viagem de verdade. Não é o avião. É o que vem depois dele.

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