Como Voar Mais Barato com a easyJet na Europa
Voar pela Europa com a easyJet pode custar menos do que um jantar em Paris se você souber o que fazer: reservar com antecedência, viajar leve dentro dos 45x36x20 cm da bagagem pessoal gratuita, escolher rotas saindo de bases como Londres Gatwick, Genebra, Milão Linate ou Lisboa, e fugir dos extras que inflam o preço final.

A easyJet é, para mim, uma daquelas companhias que parece simples por fora e tem mil camadas por dentro. Quem já vôou sabe: o bilhete de 25 euros que aparece na busca raramente é o que você paga no fim. Mas também é verdade que, com uma estratégia minimamente decente, dá para atravessar a Europa gastando menos do que um trecho doméstico no Brasil. Já fiz Lisboa-Genebra por 29 euros, Milão-Berlim por 35, e cheguei a achar Porto-Basileia abaixo dos 25 num dia de sorte. Não é mito. Mas exige método.
Vou contar o que funciona, o que é armadilha, e algumas coisas que só se aprende depois de errar.
Por que a easyJet ainda vale a pena em 2026
A easyJet ocupa um espaço interessante no mercado europeu. Não é tão agressiva quanto a Ryanair na cobrança de extras, mas também não é uma companhia tradicional. Está no meio: usa aeroportos principais (Gatwick, Linate, Charles de Gaulle, Lisboa Humberto Delgado), o que poupa tempo e dinheiro de transfer, e mantém um padrão de pontualidade razoável para uma low cost.
A frota é praticamente toda de Airbus A320 e A321neo. Vôo limpo, tripulação geralmente educada, e o aplicativo funciona bem, o que não é pouca coisa quando você precisa resolver um check-in às pressas.
A pegadinha está nos extras. Bagagem grande, escolha de assento, embarque prioritário, alteração de vôo. Tudo cobrado à parte. Se você não prestar atenção, sai pagando o triplo do anúncio. E aí a easyJet vira cara. O segredo é justamente saber o que adicionar e o que deixar de fora.
A primeira regra de ouro: antecedência sem exagero
Existe uma janela mágica para reservar vôos da easyJet, e ela fica entre 8 e 12 semanas antes da partida. Antes disso, os preços costumam estar inflados porque a companhia ainda não abriu as tarifas mais baixas. Depois disso, especialmente nas últimas três semanas, os algoritmos sobem o preço a cada nova reserva confirmada no vôo.
Já vi pessoas comprando bilhete com seis meses de antecedência achando que estavam fazendo o melhor negócio do mundo. Quase sempre estavam pagando caro. A easyJet libera as tarifas promocionais em ondas, e a faixa entre 60 e 80 dias antes da viagem costuma ser o ponto doce.
Para datas muito específicas, como feriados europeus ou fins de semana de eventos grandes em cidades como Amsterdã ou Barcelona, o jogo muda. Aí compre assim que ver um preço justo, porque ele só vai subir.
Uma coisa que aprendi observando os preços ao longo dos meses: terça-feira à tarde e quarta-feira de manhã (horário de Londres) costumam ser os melhores momentos para encontrar tarifas mais baixas. Não é uma regra absoluta, mas acontece com frequência suficiente para virar hábito.
Voar nos dias certos faz diferença real
Se há uma coisa que separa quem voa barato de quem voa caro na easyJet, é a flexibilidade de calendário. As tarifas variam absurdamente entre dias da semana.
Terça e quarta são, disparado, os dias mais baratos. Quinta segura o tipo. Sexta e domingo são os piores, especialmente nos vôos que fazem sentido para finais de semana prolongados (Londres-Lisboa, Genebra-Barcelona, Milão-Paris). Sábado, curiosamente, costuma ser mais barato que sexta, porque pouca gente começa viagem de sábado.
Para horários, a regra é parecida com qualquer low cost: vôos muito cedo (antes das 7h) e vôos muito tarde (depois das 21h) costumam ser os mais baratos. O preço do desconforto. Mas se você considerar que vai economizar uma diária de hotel ao chegar de manhã cedo no destino, o cálculo pode compensar.
| Dia da Semana | Faixa de Preço Típica | Recomendação |
| Segunda | Médio | Aceitável |
| Terça | Baixo | Ótimo |
| Quarta | Baixo | Ótimo |
| Quinta | Médio | Aceitável |
| Sexta | Alto | Evitar |
| Sábado | Médio-Baixo | Bom |
| Domingo | Alto | Evitar |
A bagagem é onde você ganha ou perde dinheiro
Aqui mora o ponto mais importante da estratégia. A easyJet permite que todos os passageiros levem gratuitamente uma mala de cabine pequena, que precisa caber embaixo do assento da frente. As medidas são 45x36x20 cm, incluindo alças e rodas, com peso até 15 kg.
Esse limite é generoso comparado com a Ryanair, que cobra praticamente qualquer coisa além de uma bolsa miúda. Mas o tamanho 45x36x20 é menor do que parece. Uma mochila de viagem padrão de 40 litros geralmente passa, mas uma mala de cabine tradicional não cabe ali. É preciso medir antes.
Se você precisar levar mais bagagem, existem três opções:
Mala de cabine grande (56x45x25 cm, até 15 kg): vai no compartimento superior. Custa entre 7 e 30 euros, dependendo da rota e do momento da reserva. Inclui Speedy Boarding, ou seja, embarque prioritário.
Bagagem de porão: pode ser de 15, 23 ou 26 kg. Os preços variam muito, mas para um trecho médio europeu fica entre 10 e 35 euros se comprado online com antecedência. No aeroporto, esses valores praticamente dobram.
Tarifa Standard Plus ou Inclusive: já incluem bagagem despachada e mala de cabine grande. Para viagens mais longas ou quando você sabe que vai precisar de tudo, costuma sair mais barato comprar o pacote do que ir adicionando os extras um a um.
Minha experiência diz que vale a pena testar as duas opções no momento da compra. Às vezes a tarifa Standard sem extras mais a bagagem avulsa fica mais barata. Às vezes a Inclusive Plus compensa. Não tem regra fixa, e o algoritmo da easyJet adora variar.
Uma observação: se você só leva mochila pequena, ignore tudo isso e voe Standard puro. É onde o desconto fica mais visível.
Bases da easyJet que fazem diferença no preço
A easyJet opera com hubs principais espalhados pela Europa, e vôos partindo dessas bases costumam ser mais baratos do que conexões. As bases mais relevantes para quem busca preço são:
- Londres Gatwick e Luton: maior operação da companhia, com tarifas frequentemente abaixo de 30 euros para destinos europeus.
- Genebra: ponto forte para a Europa central e Mediterrâneo. Vôos para Lisboa, Porto e cidades italianas costumam ter preços excelentes.
- Milão Malpensa e Linate: Linate é especialmente bom porque fica perto do centro da cidade.
- Berlim Brandenburg: boa base para a Europa do Leste e Sul.
- Lisboa e Porto: com vôos diretos para Genebra, Basileia, Bordeaux, Nantes, Luxemburgo, entre outros.
- Amsterdã, Paris Charles de Gaulle, Madri e Barcelona: todos com presença forte da easyJet.
Saber em quais cidades a easyJet tem base ajuda a montar roteiros mais eficientes. Se você quer ir do Porto a Praga, por exemplo, pode ser mais barato fazer Porto-Genebra-Praga em duas reservas separadas (uma com easyJet, outra com outra low cost) do que pegar um vôo direto de outra companhia.
O truque do Localizador de Tarifas Reduzidas
A própria easyJet tem uma ferramenta que poucos exploram a fundo: o Localizador de Tarifas Reduzidas (no site, aparece como “Localizador de preços baixos”). Você define a cidade de origem e ele mostra os destinos mais baratos a partir dali, com um calendário de meses.
É a melhor ferramenta para quem viaja com flexibilidade. Já encontrei vôos saindo de Lisboa para Funchal por 25,49 euros, para Madri por 28,99, para Genebra por 22,99. De Londres, dá para encontrar dezenas de destinos abaixo de 25 libras se você for flexível com datas.
Outra coisa que ajuda muito: usar o Google Flights ou Skyscanner em paralelo, definindo a easyJet como filtro. O Skyscanner tem o recurso “Mês inteiro” que mostra um calendário completo com os preços dia a dia. Para quem busca a tarifa mínima absoluta, isso é ouro.
easyJet Plus: vale a pena ou não?
O programa easyJet Plus custa cerca de 240 euros por ano. Inclui escolha de assento gratuita, mala de cabine grande sempre incluída, Speedy Boarding e Fast Track na segurança em alguns aeroportos.
Faz sentido para quem voa pelo menos seis ou sete vezes por ano com a easyJet. Para o viajante ocasional, não compensa. Mas se você mora na Europa e usa a companhia com frequência, o programa praticamente se paga em duas ou três viagens.
Tem um detalhe que vale mencionar: o Speedy Boarding muda o jogo nos vôos lotados de verão, quando o espaço nos compartimentos superiores acaba rápido e bagagens ficam sendo despachadas no portão. Quem é easyJet Plus não passa por esse aperto.
Os erros mais caros que vejo as pessoas cometendo
Depois de organizar dezenas de viagens com a easyJet, alguns padrões se repetem. São esses erros que transformam um bilhete barato em uma viagem cara.
Comprar bagagem no aeroporto. Os preços no balcão são absurdos. Uma mala despachada que custaria 18 euros online pode chegar a 60 euros pagos no check-in. Sempre, sempre adicione a bagagem online, nem que seja na véspera do vôo.
Esquecer de fazer check-in online. A easyJet não cobra pelo check-in online, mas se você chegar ao aeroporto sem ele e precisar fazer no balcão, há cobrança. Faça em casa, pelo aplicativo. É grátis e abre 30 dias antes do vôo (para clientes Plus) ou 14 dias antes (para os demais).
Pagar pela escolha de assento sem necessidade. Se você viaja sozinho e não se importa com janela ou corredor, deixe a easyJet escolher o assento. É grátis e quase sempre funciona. A escolha paga só faz sentido para grupos ou famílias com crianças que precisam ficar juntos.
Confundir Gatwick com Heathrow ou Linate com Malpensa. Em Londres, a easyJet opera principalmente em Gatwick e Luton. Em Milão, ela está em Malpensa e em Linate. Reservar achando que vai chegar em outro aeroporto pode custar uma fortuna em transfer e tempo perdido.
Não medir a mala antes de sair de casa. Os agentes da easyJet medem a bagagem nos portões em vôos lotados, e cobram caro pelo excesso. Aquela mala que cabia “tranquilamente” na sua geladeira pode ter 1 cm a mais e custar 48 euros no embarque.
Estratégias que uso para encontrar vôos abaixo de 30 euros
A primeira coisa é manter alertas de preço ativos no Google Flights, Skyscanner e Hopper para as rotas que me interessam. Os alertas avisam quando um trecho cai abaixo do que você definiu. Já consegui vôos por 19 libras assim, sem precisar ficar checando todos os dias.
A segunda é seguir as promoções relâmpago da easyJet, que costumam acontecer em janeiro (para o verão europeu) e em setembro (para o inverno). São promoções com bilhetes a partir de 19,99 ou 24,99 euros, e duram poucos dias. Quem está com alerta ativo no email aproveita.
A terceira é considerar vôos noturnos ou de madrugada. Não são confortáveis, mas costumam custar metade dos vôos diurnos. Para trechos curtos (até 2h30), funciona bem. Você sai à noite, dorme um pouco, chega cedo no destino.
A quarta é evitar os fins de semana puros. Se você puder voar quarta para sábado, ou domingo para terça, vai pagar bem menos do que sexta a domingo.
E a quinta, talvez a mais importante: não compre o primeiro preço bom que aparecer sem comparar. Mesmo na easyJet, a diferença entre dois vôos da mesma rota no mesmo dia, com duas horas de diferença de horário, pode ser de 40 ou 50 euros. Vale gastar mais 15 minutos na pesquisa.
Quando a easyJet não é a melhor opção
Honestidade acima de tudo: nem sempre a easyJet ganha. Para rotas muito curtas (como Lisboa-Madri ou Genebra-Lyon), a Vueling, a Ryanair ou até trens de alta velocidade podem sair mais baratos. Para conexões com bagagem despachada incluída, a Iberia ou a TAP às vezes batem o preço final da easyJet.
A regra que sigo é simples: pesquisar sempre em pelo menos três comparadores e somar os extras (bagagem, assento, transfer do aeroporto) antes de decidir. O bilhete mais barato no anúncio nem sempre é o mais barato no fim.
Outra situação onde a easyJet perde força é quando o destino é atendido por aeroportos secundários. A Ryanair voa para Bergamo, Charleroi, Hahn, Beauvais. São aeroportos longe das cidades, mas com vôos baratíssimos. A easyJet prefere os principais, e isso encarece um pouco a passagem mas economiza no transfer. Na soma final, geralmente fica parecido.
Pequenas coisas que fazem grande diferença
Levar uma garrafa de água vazia e encher depois da segurança. Os preços de água no avião e nos aeroportos europeus são abusivos.
Comer antes de embarcar. A easyJet cobra caro pela comida a bordo, e a qualidade não justifica o preço. Sanduíches, snacks, frutas. Tudo dá para resolver no terminal.
Baixar o aplicativo. O cartão de embarque digital evita filas e qualquer cobrança extra com impressão.
Tirar fotos da bagagem antes de despachar, caso ela seja extraviada. A easyJet tem um histórico razoável nesse quesito, mas quando dá problema, a foto ajuda muito no processo de reclamação.
Ler com calma os termos da tarifa antes de comprar. Algumas tarifas promocionais não permitem alteração nem reembolso. Se há qualquer chance de mudar a viagem, considere pagar um pouco mais pela flexibilidade.
E talvez o conselho mais valioso que posso dar: viaje leve. Sério. A easyJet, como todas as low cost, foi desenhada para o passageiro que carrega pouco. Quanto mais você se aproxima desse perfil, mais barato vai voar. Quanto mais você tenta esticar os limites, mais a companhia ganha em cima de você.
Voar pela Europa por menos de 30 euros não é fantasia. É planejamento. É clicar nos lugares certos, escolher os dias certos, dispensar o que não precisa. A easyJet dá essa possibilidade. Resta saber se você vai aproveitar ou cair nas pequenas armadilhas que ela espalha pelo caminho.