Como são as Ilhas de Himmafushi e Huraa nas Ilhas Maldivas

Himmafushi e Huraa são duas pequenas ilhas locais do Atol de Malé Norte, vizinhas e ligadas por uma travessia rápida de barco, que oferecem praias paradisíacas, surfe de qualidade, mergulho com tubarões e tartarugas, hospedagem acessível e uma vivência autêntica das Maldivas a poucos minutos da capital.

Fonte: Civitatis

Quando se fala em ilhas locais nas Maldivas, os nomes que aparecem primeiro são quase sempre Maafushi, Gulhi, Dhigurah ou Thoddoo. Himmafushi e Huraa ficam em uma categoria menos badalada, mas que tem ganhado força entre viajantes que querem fugir do turismo de massa sem abrir mão de praticidade. As duas ilhas estão tão próximas uma da outra que muita gente acaba conhecendo as duas na mesma viagem, sem nem precisar planejar isso com antecedência.

Vou contar separadamente como é cada uma e depois comparar, porque apesar da proximidade geográfica, elas têm personalidades bem diferentes.

Onde ficam e como chegar

Tanto Himmafushi quanto Huraa pertencem ao Atol de Malé Norte, do lado oposto da capital em relação a Maafushi e Gulhi (que ficam no Atol de Malé Sul). Estão a cerca de 18 a 20 quilômetros a nordeste de Malé, o que faz delas algumas das ilhas locais mais próximas do aeroporto.

A speedboat é a forma mais usada para chegar. O trajeto leva entre 30 e 40 minutos saindo do terminal próximo ao aeroporto, e custa entre 25 e 35 dólares por pessoa, ida. Como em outras ilhas, as guesthouses costumam organizar o transfer.

O ferry público também atende as duas ilhas, com saída do porto de Malé. Custa apenas alguns dólares, mas leva entre 1h30 e 2h30 dependendo da rota e das paradas. Os horários são limitados a alguns dias da semana, então só compensa para quem viaja com flexibilidade total de agenda.

Entre Himmafushi e Huraa, a travessia de barco local leva cerca de 10 minutos. Tem dhonis (os barquinhos tradicionais maldivos) fazendo esse trajeto várias vezes ao dia por preços bem baratos, em torno de 10 a 20 rufiyaa, menos de um dólar e meio.

Himmafushi: a ilha dos surfistas

Himmafushi tem cerca de 700 metros de comprimento por 200 de largura. Vivem ali aproximadamente 1.200 pessoas, e a ilha tem uma característica curiosa que poucas outras compartilham nas Maldivas: ela é colada a uma ilha vizinha chamada Thulusdhoo por uma série de ilhotas e bancos de areia, formando um conjunto de spots de surfe que está entre os mais conhecidos do país.

O surfe, aliás, é uma das principais razões pelas quais Himmafushi entrou no radar do turismo internacional. O pico chamado Jailbreaks, que fica logo em frente à ilha (o nome vem da prisão local que existe na vizinhança, Maafushi prison), é considerado uma das ondas mais consistentes e rápidas das Maldivas. Funciona melhor entre março e outubro, com tamanho variando de 1 a 2,5 metros, e atrai surfistas do mundo todo.

Outros picos próximos, como Sultans, Honkys e Cokes, ficam a uma curta viagem de barco e estão entre os mais cobiçados do arquipélago. Várias guesthouses de Himmafushi vendem pacotes de surfe com transporte diário para os picos, aulas para iniciantes e aluguel de pranchas. Uma diária com transporte para os spots costuma sair entre 30 e 60 dólares.

Para quem não surfa, Himmafushi oferece uma Bikini Beach modesta, mas bem cuidada, na ponta sul da ilha. Não é tão extensa quanto a de Maafushi, mas costuma estar bem mais vazia, e a qualidade da água e da areia branca é igual ou superior. Tem algumas redes amarradas em palmeiras, espreguiçadeiras alugáveis e um pequeno bar que serve sucos e água de coco.

A ilha tem entre 15 e 20 guesthouses, número que cresceu nos últimos anos mas ainda é bem inferior ao de Maafushi. As diárias variam entre 60 e 180 dólares, dependendo do padrão e da estação. A maioria oferece café da manhã incluso e organiza passeios.

A vida fora das praias é bem tranquila. Tem algumas ruas internas com mercadinhos, dois ou três cafés, uma mesquita central e a sensação genuína de vilarejo. Não tem o burburinho de Maafushi nem a estrutura turística de centro consolidado. É menor, mais calmo, mais íntimo.

Huraa: a ilha quase desconhecida

Huraa é ainda menor. Tem cerca de 600 metros de comprimento por 150 de largura, e a população fica em torno de 1.000 pessoas. A ilha entrou no circuito turístico mais tarde do que Himmafushi, e até hoje recebe um volume bem menor de visitantes.

Isso se traduz numa atmosfera quase de descoberta. As ruas têm areia compactada, sem qualquer tipo de calçamento, e as casas de moradores misturadas às poucas guesthouses dão a impressão de que o turismo ainda não tomou conta do lugar. Tem talvez 8 a 12 guesthouses ativas, número modesto que mantém o equilíbrio entre quem visita e quem mora.

A Bikini Beach de Huraa está entre as mais bonitas que se encontra em ilha local. Fica na ponta oeste, é maior do que a de Himmafushi, e a água tem um tom de azul que parece exagerado. A areia é fina, branquíssima, e o fundo do mar permanece raso por dezenas de metros. Em maré baixa aparece um banco de areia que se estende para fora da praia, formando um cenário daqueles que param qualquer fotógrafo.

A vida marinha ao redor é abundante. Tartarugas verdes aparecem com frequência em pontos específicos próximos à ilha, e tubarões de recife de ponta preta circulam em águas rasas, especialmente no fim da tarde. Os passeios saem da ilha em barcos pequenos, geralmente com guia local, e custam entre 25 e 50 dólares por pessoa, dependendo da duração e do destino.

Huraa também é conhecida por uma curiosidade histórica. A ilha foi por séculos um dos centros de pesca de tartarugas e construção naval do atol, e ainda hoje alguns artesãos locais fazem dhonis tradicionais usando técnicas passadas de geração em geração. Caminhar pelas ruas internas e topar com um barco em construção é uma cena que se repete com certa frequência.

Os preços de hospedagem em Huraa são, em média, ligeiramente mais baixos do que em Himmafushi. Diárias em guesthouses simples começam em torno de 50 dólares e podem chegar a 150 nas opções mais confortáveis. Quase todas oferecem pacotes com pensão completa, o que faz sentido considerando que a ilha tem pouquíssimas opções de restaurante independente.

Os passeios mais procurados

A região do Atol de Malé Norte tem alguns pontos de mergulho e snorkel famosos, e tanto Himmafushi quanto Huraa servem como base para acessá los. Os mais procurados são:

PasseioO que se vêPreço médio (USD)
Sandbank picnicBanco de areia isolado25 a 45
Snorkel com tartarugasTartarugas verdes em recifes rasos30 a 50
Tubarão de ponta pretaSnorkel em águas rasas25 a 45
Manta point (sazonal)Arraias gigantes50 a 90
Naufrágio próximoMergulho autônomo intermediário70 a 90
Pesca tradicionalPesca com vara ao pôr do sol30 a 50
Pôr do sol em dhoniPasseio cênico de barco25 a 40
Resort day tripDiária em resort vizinho80 a 200

O resort day trip é uma opção interessante para quem está hospedado nessas ilhas e quer experimentar o luxo dos resorts maldivos por um dia. Resorts próximos como o Bandos Maldives, o Kurumba Maldives e o Paradise Island Resort oferecem pacotes diários com acesso à infraestrutura, almoço e algumas atividades inclusas. Saem mais em conta do que se hospedar, mas o valor ainda é considerável.

Comida e estrutura

A oferta gastronômica em Himmafushi é mais ampla do que em Huraa, mas nenhuma das duas chega perto da variedade de Maafushi. Em Himmafushi tem cerca de 5 a 8 restaurantes voltados para turistas, com cardápios que misturam comida maldiva, indiana, ocidental e algumas opções asiáticas. Os preços ficam entre 8 e 20 dólares por refeição.

Em Huraa, as opções são bem reduzidas. Tem talvez dois ou três cafés simples, e a maioria dos hóspedes acaba comendo na própria guesthouse. Não é necessariamente ruim. As pousadas costumam servir comida caseira de qualidade, com peixe fresco, curry, arroz e frutas tropicais. Mas quem busca variedade gastronômica vai sentir falta.

Vale lembrar que ambas são ilhas muçulmanas, então álcool é proibido em todo o território. O barco flutuante para drinks fica ancorado em águas internacionais e atende as duas ilhas, com passeio saindo no fim da tarde por aproximadamente 30 a 50 dólares por pessoa.

Comparando Himmafushi e Huraa

Para quem está em dúvida sobre qual escolher, ou sobre se vale a pena visitar as duas, esse resumo pode ajudar:

CaracterísticaHimmafushiHuraa
TamanhoPequena, 700mBem pequena, 600m
População1.200 habitantes1.000 habitantes
Guesthouses15 a 208 a 12
Restaurantes5 a 82 a 3
SurfeExcelente, picos famososLimitado
Bikini BeachBoa, modestaExcelente, mais ampla
Vida noturnaQuase nulaInexistente
Movimento turísticoModeradoBaixo
Preço médioLevemente mais altoLevemente mais barato
Indicada paraSurfistas, casais ativosQuem busca silêncio total

Não dá para dizer que uma é melhor do que a outra. São perfis diferentes. Himmafushi atende quem quer um pouco de movimento, atividades e estrutura. Huraa atende quem quer desacelerar de verdade, numa ilha onde quase nada acontece além do mar e do sol.

Quando ir

Os mesmos princípios das outras ilhas das Maldivas se aplicam aqui. A alta temporada vai de dezembro a abril, com tempo seco, mar calmo e visibilidade alta para mergulho. Os preços sobem e a procura aumenta, mas o clima é mais previsível.

A baixa temporada, entre maio e novembro, traz chuvas mais frequentes, geralmente curtas e intensas, intercaladas com sol. As diárias podem cair pela metade nessa época. Para Himmafushi, especificamente, esse período coincide com a melhor temporada de surfe, então as ilhas recebem mais surfistas do que turistas tradicionais. Para Huraa, é a época mais vazia do ano.

Para arraias manta na região do Atol de Malé Norte, os meses ideais costumam ser entre maio e novembro, quando elas se concentram em pontos específicos do atol. Tubarões de ponta preta e tartarugas aparecem o ano todo.

Custos para uma semana

Uma estimativa realista para sete noites em Himmafushi ou Huraa, com hospedagem em guesthouse intermediária, dois ou três passeios e refeições locais, fica nessa faixa:

ItemCusto aproximado (USD)
Hospedagem 7 noites500 a 900
Refeições220 a 400
3 passeios de barco100 a 200
Transfer ida e volta60 a 80
Aluguel de snorkel20 a 40
Compras e extras50 a 150
Total estimado950 a 1.770

Fora a passagem aérea do Brasil, que continua oscilando entre 5.000 e 9.000 reais ida e volta, dependendo da época e da antecedência.

Vale a pena escolher essas ilhas?

A grande vantagem de Himmafushi e Huraa é a combinação de proximidade com Malé e a sensação de descoberta que ainda mantêm. Estão perto o suficiente para tornar o transfer barato e rápido, e ao mesmo tempo recebem um volume de turistas bem inferior ao de outras ilhas locais consolidadas.

Para surfistas, Himmafushi é uma das melhores escolhas das Maldivas. Os picos próximos estão entre os mais consistentes do oceano Índico, e a logística para acessá los é simples e bem organizada pelas guesthouses locais.

Para quem busca silêncio absoluto, contato genuíno com a cultura local e praias praticamente desertas, Huraa é uma das ilhas locais mais autênticas que ainda restam dentro do circuito turístico das Maldivas. Não tem grande infraestrutura, não tem variedade de restaurante, não tem agitação. Tem mar transparente, areia branca, vida marinha abundante e pessoas que ainda não cansaram de receber visitantes.

A possibilidade de conhecer as duas ilhas em uma única viagem, dividindo a hospedagem ou fazendo bate volta entre elas, é um dos pontos mais atraentes desse destino. Em uma semana dá tempo de aproveitar o que cada uma tem de melhor sem correria, e ainda sobra fôlego para um dia em resort ou para uma volta de barco em algum banco de areia distante.

Para quem vai pela primeira vez às Maldivas e prioriza estrutura, Maafushi continua sendo a aposta mais segura. Mas para quem já conheceu o básico do país e quer ir um passo além, em direção a algo menos turístico e mais verdadeiro, Himmafushi e Huraa entregam exatamente isso. Ilhas que ainda não perderam aquele jeito de paraíso descoberto por acaso, com o conforto de estarem a menos de uma hora da capital.

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