Como Evitar Erros na Escolha de Assento no Avião

Guia prático para escolher o melhor assento no avião e evitar erros comuns que podem transformar sua viagem em uma experiência desconfortável, com dicas reais de quem voa com frequência.

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Como Evitar Erros na Escolha de Assento no Avião: Dicas Para uma Viagem Tranquila

A escolha do assento no avião é uma daquelas decisões que parecem irrelevantes até você se ver preso em uma poltrona ruim por dez horas seguidas. Aí, a coisa muda de figura. O que era um detalhe vira o motivo principal pelo qual você chega ao destino esgotado, com dor nas costas, sem ter dormido nada e jurando que da próxima vez vai prestar mais atenção no momento de marcar o lugar. Acontece que, quando chega a próxima vez, o passageiro repete o mesmo erro, escolhe no automático, ou pior, deixa o sistema escolher por ele.

Pode parecer dramatização, mas qualquer pessoa que viaja com alguma frequência sabe que a poltrona certa transforma o vôo. Vôo de seis horas sentado no corredor da última fileira, ao lado do banheiro, com o banco que não reclina, é um castigo. Vôo de seis horas em uma saída de emergência, com espaço de sobra para esticar a perna, sem ninguém te incomodando para passar, é quase relaxante. A diferença entre um e outro às vezes é só conhecimento sobre como funciona a configuração do avião e na hora certa de fazer a escolha.

Vou tentar reunir aqui o que aprendi observando, errando e acertando. Não é regra, é mais uma orientação prática para quem quer evitar surpresas e tirar o melhor proveito do espaço que paga para usar.

A escolha começa antes de você pensar nela

A maioria das pessoas só pensa no assento na hora do check-in. Erro clássico. Quando o check-in abre, normalmente vinte e quatro horas antes do vôo, os melhores lugares já foram escolhidos por quem comprou a opção paga de seleção antecipada, por quem é membro de programa de fidelidade da companhia, ou por quem simplesmente entendeu que vale a pena pagar um valor extra para garantir o lugar que importa.

Em vôos internacionais longos, especialmente, deixar para escolher na última hora é praticamente garantir que vão sobrar só os assentos do meio, encaixados entre dois desconhecidos, em fileiras espremidas no fundo do avião. A boa notícia é que, na maior parte das companhias, é possível escolher o assento no momento da compra da passagem, mediante pagamento de uma taxa. Em vôos longos, esse investimento costuma valer cada centavo.

Outro ponto que ajuda muito é olhar a configuração do avião antes de comprar. Existem sites especializados, como o SeatGuru, que mostram o mapa das aeronaves de praticamente todas as companhias do mundo, com observações sobre quais fileiras têm menos espaço, quais não reclinam, quais ficam próximas demais do banheiro ou da copa. É consulta rápida, leva cinco minutos, e evita arrependimento depois.

Janela, corredor ou meio: a velha pergunta

Esse é o debate eterno entre passageiros, e não existe resposta única. Cada opção tem prós e contras, e a escolha depende muito do tipo de pessoa que você é e do tipo de vôo que vai fazer.

A janela é a opção dos que gostam de dormir encostados na lateral, dos que querem ver a paisagem, e de quem prefere não ser interrompido a noite inteira por vizinhos pedindo licença para ir ao banheiro. Em vôo longo noturno, a janela permite criar um cantinho próprio, encostar a cabeça e apagar de vez. Por outro lado, levantar com o vizinho dormindo é desconfortável. Se você bebe muita água ou tem bexiga sensível, pode acabar segurando o xixi para não atrapalhar.

O corredor é o assento dos práticos. Quem prefere ir ao banheiro a hora que quiser, esticar a perna no corredor de vez em quando, levantar para caminhar sem pedir licença, escolhe corredor sem pensar duas vezes. É também a opção mais segura para quem tem problema de circulação, que precisa se mexer com frequência durante o vôo. A desvantagem é receber esbarrões do carrinho de comida e de outros passageiros passando, especialmente em vôos cheios. E em alguns aviões mais antigos, o corredor é tão estreito que o cotovelo recebe trombadas a cada passagem.

O meio, popularmente o pior assento, só vale a pena em uma situação. Quando você está viajando com alguém querido e fica entre essa pessoa e a janela, ou entre essa pessoa e o corredor. Aí, o meio deixa de ser ruim. Fora isso, tente evitar. Você fica espremido entre dois desconhecidos, sem apoio nas laterais, brigando pelos dois apoios de braço, sem privacidade para nada.

Tem uma exceção interessante. Em aviões de configuração três por três por três, comum em rotas internacionais, a fileira do meio tem três assentos. O do meio dessa fileira, apesar de ser do meio, é considerado por muitos viajantes o pior dos piores. Já o assento do meio das fileiras laterais costuma ser ainda menos disputado, e por isso, em alguns vôos, sobra com fileira parcialmente vazia. Quando isso acontece, é o jackpot. Você pode acabar com três assentos para deitar.

As fileiras que mudam tudo

Existem fileiras estratégicas em qualquer avião comercial, e conhecê-las faz diferença real. A primeira delas é a saída de emergência. É a fileira com mais espaço para as pernas em qualquer aeronave, geralmente quase o dobro do espaço normal. O preço é que essas poltronas costumam ter restrições. Não podem ser ocupadas por crianças, gestantes, idosos com mobilidade reduzida, ou pessoas que não falam o idioma da tripulação. Em emergência, quem está ali tem que ajudar a abrir a porta. Quase sempre, a companhia cobra um valor extra para reservar.

A primeira fileira de cada classe, conhecida como bulkhead, é outra preferida. Não tem ninguém na sua frente reclinando a poltrona em cima de você, e o espaço para esticar a perna costuma ser bom. Por outro lado, geralmente não tem onde colocar a bagagem de mão na sua frente, porque não existe poltrona à frente. Tudo precisa ir para o compartimento superior. E em alguns aviões, é nessa fileira que as mães com bebês usam o berço de parede, então pode haver bebê chorando ao seu lado, o que muda o cenário.

As fileiras logo atrás das saídas de emergência geralmente têm um detalhe ruim. Em muitos modelos, essas poltronas não reclinam, justamente para não atrapalhar a saída de emergência atrás. É o tipo de informação que você só descobre quando senta. Por isso o mapa do SeatGuru é tão útil, ele indica esses casos.

As fileiras do fundo do avião costumam ser as menos procuradas, e existe motivo. Ficam próximas dos banheiros, com gente passando e fazendo fila o tempo todo. Ficam perto da copa onde a tripulação prepara as refeições, com barulho e luz. E em muitos aviões, as poltronas do fundo não reclinam ou reclinam menos, porque a parede da fuselagem está logo atrás. Por outro lado, o fundo do avião é o último a ser ocupado, então existe chance maior de fileira vazia, especialmente em vôos com baixa ocupação.

As fileiras sobre as asas têm a vantagem de serem as mais estáveis em turbulência. Quem tem medo de avião ou enjoa fácil deveria sempre tentar ficar entre as fileiras das asas. A turbulência se sente menos ali, é questão de física simples. O ponto fraco é que, se você gosta de olhar pela janela, a vista da asa é bem limitada.

A frente do avião, em qualquer classe, costuma ser mais silenciosa que o fundo. Os motores ficam atrás das asas, e o ruído se concentra mais para trás. Quem tem sono leve agradece esses metros a mais de distância dos motores.

A escolha muda dependendo do tipo de vôo

Vôo curto, daqueles de uma hora ou pouco mais, dentro do Brasil, exige menos planejamento. Praticamente qualquer assento serve, porque o vôo passa rápido. Ainda assim, vale evitar o fundo, perto dos banheiros, e o meio, sempre que possível. Em vôos curtos, o corredor costuma ser a escolha mais prática, porque permite sair rápido na hora do desembarque, especialmente se você está com conexão apertada.

Vôo médio, de três a cinco horas, já começa a importar mais. Aqui, o conforto das pernas e a proximidade do banheiro entram na conta. Para esse tipo de vôo, costumo preferir corredor, em uma fileira do meio do avião, longe de família com criança pequena se possível. Isso é uma loteria, claro, mas dá para tentar evitar a primeira fileira da classe econômica em algumas companhias, que é onde costumam alocar passageiros com bebês.

Vôo longo, acima de seis horas, é quando a escolha vira prioridade absoluta. Em vôo longo, a poltrona certa é a diferença entre dormir bem e chegar destruído. Aqui vale pagar pela seleção antecipada sem dúvida nenhuma. Vale pesquisar a configuração da aeronave, vale considerar a saída de emergência, vale gastar um pouco mais para garantir uma fileira boa. Em vôos noturnos transatlânticos, eu sempre prefiro janela, para encostar e dormir. Em vôos diurnos longos, prefiro corredor, para poder levantar e caminhar.

Vôo com conexão merece atenção redobrada. Se a conexão é apertada, o assento na frente do avião ajuda a desembarcar mais rápido. Se a conexão é tranquila, qualquer lugar serve. Em alguns casos, vale escolher trecho a trecho, com mapas diferentes para cada perna do vôo.

Tabela com características dos principais tipos de assento

Tipo de assentoVantagem principalDesvantagem principal
JanelaPrivacidade e dormir encostadoDifícil sair sem incomodar
CorredorLiberdade de movimentoEsbarrões e carrinho de comida
MeioQuase nenhumaEspremido entre dois
Saída de emergênciaMais espaço para pernasRestrições e taxa extra
Bulkhead (primeira fileira)Sem ninguém reclinando na frenteBagagem só no compartimento alto
Sobre as asasEstabilidade em turbulênciaVista limitada pela asa
Fundo do aviãoPode haver fileira vaziaBarulho, banheiros e cheiro

Cuidados específicos que poucos lembram

Existem alguns detalhes que escapam até de quem viaja com frequência. Um deles é a posição em relação às cortinas que separam as classes. Sentar na última fileira da classe econômica premium, por exemplo, parece ótimo, mas você fica colado na cortina que abre e fecha o tempo todo, com luz da galera entrando. O mesmo vale para a primeira fileira da econômica logo atrás da executiva.

Outro detalhe é a presença de assentos que ficam ao lado da divisória dos banheiros. Em alguns aviões, principalmente nos modelos mais antigos da Boeing 737, a última fileira tem a parede do banheiro logo atrás, e o reclínio é zero. Sentar ali em vôo longo é tortura. O mapa do avião costuma indicar isso com símbolos discretos, e vale a pena conferir antes.

Tem também a questão das tomadas. Aviões mais novos têm tomadas em quase todas as fileiras, mas em modelos mais antigos, especialmente em rotas regionais, a tomada pode existir só em algumas fileiras, ou só na classe executiva. Se você depende do notebook ou precisa carregar o celular durante o vôo, vale verificar.

A iluminação da janela é outro ponto que poucos consideram. Em vôos diurnos cruzando vários fusos, alguns vôos com configuração ruim deixam a janela do lado do sol pelo trajeto inteiro, o que aquece a poltrona e dificulta o sono. Saber em qual lado o sol vai bater dá para descobrir olhando o trajeto e a hora. Em vôo do Brasil para Europa, por exemplo, voando à noite, o nascer do sol pega o lado direito do avião primeiro. Quem prefere dormir mais um pouco, escolhe o lado esquerdo.

E para quem tem alguma condição específica, tipo perna mais comprida que a média, problema de circulação, claustrofobia leve ou simplesmente não tolera espaço pequeno, vale considerar o upgrade para premium economy ou mesmo executiva, em vôos muito longos. O custo extra existe, mas o benefício é proporcional. Não é luxo, é qualidade de vida durante a viagem e nos primeiros dias após a chegada.

Erros que se repetem e custam caro

O primeiro erro que vejo gente cometendo é confiar no check-in automático. A companhia aérea não tem incentivo nenhum para te dar um bom assento de graça. Ela vai te alocar onde sobrar. Se você não escolheu, vai ficar com o que ninguém quis. Simples assim. A solução é sempre tentar escolher antes, mesmo que dê algum trabalho.

Outro erro é achar que pagar pela seleção é dinheiro perdido. Em vôos curtos, talvez seja exagero. Em vôos longos, é dos melhores investimentos da viagem. Eu já economizei em hotel, em refeição, em transfer, mas em assento de vôo longo nunca economizei. A diferença na chegada é gritante.

Tem também o erro de escolher poltrona na frente do banheiro. Parece prático, mas é o pior lugar do avião em vôo longo. Fila constante, porta abrindo e fechando, cheiro, luz acendendo a cada uso. Se a opção é entre essa poltrona e qualquer outra mais para trás, é melhor a outra.

Ignorar o tipo de aeronave também é erro. Boeing 777, Airbus A350, Boeing 787, todos têm configurações diferentes, larguras de poltrona diferentes, espaço entre fileiras diferente. Em alguns Airbus A350 a poltrona da econômica tem 18 polegadas de largura, enquanto em alguns Boeing 777 antigos é 17 polegadas. Parece pouco, mas em dez horas de vôo, essa polegada faz diferença real, principalmente para quem tem mais corpo.

E aquele erro de viajar em grupo e não escolher juntos. Família com três pessoas que não escolhe assento na hora da compra acaba dispersa pelo avião, e ainda tenta trocar com desconhecidos na hora do embarque, gerando aquela cena chata. Se você viaja em grupo, escolha junto, no mesmo momento, mesmo que pague taxa.

A escolha do assento como parte do planejamento da viagem

A gente costuma pensar em viagem como destino. Hotel, passeios, comida, fotos. Mas o vôo é parte da viagem, e em vôos longos, é parte significativa. Doze horas dentro de um avião não passam em branco. Você pode chegar bem ou pode chegar destruído, e isso impacta os primeiros dias do destino. Quem desembarca após noite mal dormida em poltrona ruim perde, fácil, o primeiro dia de turismo.

Por isso, encarar a escolha do assento como parte do planejamento, e não como detalhe burocrático, muda a experiência. É o tipo de cuidado que parece pequeno mas tem retorno enorme. Cinco minutos pesquisando o mapa do avião, mais cinco minutos avaliando o melhor lugar disponível, e às vezes um valor extra que cabe no orçamento da viagem. É só isso.

E vale lembrar que cada companhia tem suas peculiaridades. Companhias low cost cobram por praticamente todos os assentos, com valores diferentes para cada fileira. Companhias tradicionais costumam liberar parte dos assentos sem cobrança no check-in, mas as boas posições já foram tomadas antes. Companhias do Oriente Médio, como Emirates e Qatar, têm aviões com configurações generosas mesmo na econômica, e a escolha pesa menos. Conhecer essas diferenças faz parte do jogo.

Voar continua sendo uma das experiências mais incríveis disponíveis para qualquer pessoa hoje em dia. O fato de você poder atravessar continentes em poucas horas é coisa que, há cem anos, era ficção científica. Reduzir o desconforto desse trajeto, escolhendo bem o lugar onde vai passar essas horas, é só uma forma inteligente de aproveitar essa tecnologia. A poltrona certa não vai mudar a sua vida, mas vai mudar a sua viagem. E em viagem boa, cada detalhe conta.

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