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Como Fazer uma Viagem de Baixo Custo na Suíça

Como fazer uma viagem de baixo custo na Suíça sem abrir mão de conforto, boa localização, paisagens e experiências que realmente valem o dinheiro.

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Como Fazer uma Viagem de Baixo Custo na Suíça

Viajar pela Suíça gastando menos não significa dormir longe de tudo, viver de lanche ruim ou passar a viagem inteira calculando centavos. O país é caro mesmo, especialmente para quem chega com o referencial de preços do Brasil ou de outros destinos europeus. Mas há uma diferença enorme entre viajar sem planejamento e viajar com escolhas inteligentes.

A lógica mais eficiente é simples: gastar bem no que muda a experiência, como hospedagem com acesso fácil ao transporte, um roteiro geograficamente coerente e alguns passeios realmente especiais. O resto pode ser ajustado sem reduzir a qualidade da viagem.

A Suíça funciona muito bem para esse tipo de estratégia porque o transporte público é integrado, as cidades são organizadas, os supermercados têm boa qualidade e muitas das paisagens mais impressionantes são gratuitas. Lagos, centros históricos, trilhas, mirantes acessíveis por trem comum e trajetos ferroviários já entregam muito do que se espera do país.

O erro mais caro é tentar conhecer tudo em poucos dias, mudando de hotel o tempo inteiro e comprando passe de transporte sem fazer conta. O segundo é achar que só existe uma Suíça cara, feita de hotéis cinco estrelas, restaurantes turísticos e montanhas com ingressos altos. Existe essa Suíça, claro. Mas não é a única.

Comece pelo roteiro, porque é nele que o orçamento se decide

A forma mais prática de reduzir custos é montar um roteiro com poucas bases. Em vez de dormir uma noite em Zurique, outra em Lucerna, depois Interlaken, Zermatt e Genebra, vale escolher duas ou três cidades bem conectadas e fazer deslocamentos curtos.

Trocar de hotel frequentemente aumenta gastos de várias maneiras: você perde tempo de passeio, compra mais refeições fora por estar em trânsito, paga tarifas piores em hospedagens de uma noite e pode acabar usando táxi ou transfers para resolver a logística com malas.

Para uma primeira viagem de baixo custo, estas combinações costumam funcionar bem:

  • Zurique + Lucerna, para uma viagem curta de quatro a seis dias;
  • Zurique + Interlaken ou Thun, para lagos, vilarejos e montanhas da região de Bernese Oberland;
  • Lugano + Lucerna ou Zurique, especialmente para quem chega pela Itália;
  • Basileia + Lucerna, boa ideia para quem encontra voos mais baratos para a região;
  • Lausanne ou Montreux + Genebra, para explorar a parte francesa do país.

Lucerna é uma das bases mais equilibradas para quem visita a Suíça pela primeira vez. A cidade é compacta, bonita, tem estação central ao lado do lago e permite fazer passeios de um dia para montanhas e cidades próximas. Já Interlaken tem localização excelente para explorar os Alpes, mas a hospedagem pode ser cara. Nesse caso, dormir em Thun, Spiez, Wilderswil ou até Brienz pode melhorar bastante a conta, desde que você avalie o custo e o tempo do deslocamento diário.

A economia verdadeira não está necessariamente em escolher a cidade mais barata do mapa. Está em escolher uma hospedagem que evite longos trajetos, conexões cansativas e gastos repetidos com transporte.

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Chegar pela Itália pode ser uma das melhores formas de economizar

Para brasileiros e viajantes que montam um roteiro europeu maior, entrar na Suíça pela Itália pode reduzir bastante o custo total. Milão costuma ter mais opções de voos, conexões e hospedagem em comparação com cidades suíças, além de ser uma porta de entrada muito prática para Lugano e Lucerna.

O trecho entre Milão e Lugano é curto e simples de fazer de trem. A partir de Milano Centrale, há conexões para Lugano que costumam levar pouco mais de uma hora. Depois, é possível seguir para Lucerna, Zurique ou outras regiões da Suíça.

Essa combinação tem uma vantagem concreta: você pode passar uma ou duas noites em Milão, onde hotéis, restaurantes e supermercados tendem a ser mais acessíveis, e entrar na Suíça já com parte do roteiro resolvida. Não é uma gambiarra de viagem, nem exige abrir mão de conforto. É apenas usar uma cidade com melhor relação entre custo, conectividade e oferta de voos.

Outro ponto importante: se Lugano estiver no seu roteiro, considere dormir na região do Ticino por uma ou duas noites. Hóspedes de hotéis, hostels e campings participantes recebem o Ticino Ticket, que oferece uso gratuito do transporte público no cantão durante a estadia. Isso pode substituir gastos relevantes com trens e ônibus locais, além de facilitar passeios por Lugano, Bellinzona, Locarno e vales próximos.

Não compre o Swiss Travel Pass automaticamente

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O Swiss Travel Pass é muito conhecido, muito prático e, em alguns roteiros, excelente. Mas praticidade não é sinônimo de economia.

O passe tende a valer mais para quem faz deslocamentos longos em dias consecutivos, quer manter o roteiro aberto e pretende usar bastante trem, barco, ônibus e transporte urbano. Para quem ficará quase todos os dias em uma mesma cidade, fará poucas viagens intermunicipais ou tem roteiro concentrado, comprar bilhetes avulsos pode custar menos.

Antes de decidir, monte uma lista realista com todos os trajetos:

  1. Aeroporto até o hotel.
  2. Deslocamentos entre cidades-base.
  3. Bate-voltas planejados.
  4. Transporte urbano que não esteja incluído na hospedagem.
  5. Subidas de montanha e teleféricos.

Depois, compare o valor total dos bilhetes individuais com o custo do passe. Faça isso com base no seu roteiro, não no roteiro idealizado de quem pretende cruzar o país todos os dias.

A companhia ferroviária suíça, a SBB, vende dois produtos que merecem atenção de quem quer gastar menos:

  • Supersaver Tickets, descontos de até 50% em trajetos específicos;
  • Saver Day Pass, um passe diário que permite circular pela rede válida do GA Travelcard durante o dia escolhido.

O Saver Day Pass custa, oficialmente, a partir de CHF 52 em segunda classe para quem não tem o Half Fare Travelcard, desde que comprado com antecedência e sujeito à disponibilidade. A SBB informa que esses passes podem ser adquiridos entre um dia e até seis meses antes da viagem. Em dias com vários deslocamentos, ele pode ser bem mais vantajoso que comprar cada trecho separadamente.

Mas há uma condição importante: os bilhetes promocionais são menos flexíveis. Se seu roteiro depende de clima perfeito, especialmente em montanhas, não compre tudo de forma rígida meses antes. A economia de CHF 20 ou CHF 30 pode sair cara se você ficar preso a uma subida em um dia de neblina, chuva forte ou baixa visibilidade.

A estratégia mais equilibrada costuma ser esta:

  • comprar com antecedência os grandes deslocamentos que têm data certa;
  • usar tarifas promocionais para os dias urbanos ou de rota definida;
  • deixar flexíveis os dias destinados a montanhas e trilhas;
  • comparar o custo do passe antes de fechar.

A segunda classe dos trens suíços é confortável, limpa e adequada para praticamente qualquer viajante. Pagar primeira classe raramente é a melhor forma de melhorar uma viagem econômica. Esse dinheiro costuma render mais em uma noite melhor de hotel, um restaurante especial ou uma atração que realmente estava nos planos.

Hospedagem barata na Suíça não precisa ser mal localizada

A hospedagem normalmente será o maior gasto do orçamento, junto com alimentação e transporte. Por isso, escolher bem o bairro ou a cidade-base pesa mais do que caçar a diária aparentemente mais baixa.

Uma pousada barata distante da estação pode custar mais no conjunto, principalmente se você tiver de pagar transporte extra todos os dias ou voltar cedo porque o deslocamento ficou cansativo. Na Suíça, localização perto de estação, ponto de ônibus principal ou centro caminhável costuma valer bastante.

Hostels suíços são uma opção interessante mesmo para casais ou viajantes que não querem quarto compartilhado. Muitos têm quartos privativos, cozinha coletiva bem equipada, café da manhã decente e áreas comuns organizadas. Em destinos de montanha, essa estrutura ajuda muito a reduzir refeições fora.

Apartamentos com cozinha também funcionam bem, sobretudo em estadias de três noites ou mais. Não é necessário cozinhar almoço e jantar todos os dias. Basta garantir um café da manhã reforçado, frutas, lanches para o trem e duas ou três refeições simples à noite. A diferença no orçamento aparece rápido.

Na hora de comparar hospedagens, olhe além da diária:

  • distância real até a estação;
  • taxa turística;
  • café da manhã incluído ou não;
  • cozinha disponível;
  • custo de transporte até as atrações;
  • política de cancelamento;
  • cartão de transporte local oferecido pela cidade ou pelo hotel.

Em várias regiões, hóspedes recebem cartões locais com transporte urbano gratuito ou descontos em atrações. A Suíça Turismo informa que muitos destinos oferecem guest cards para estadias de pelo menos uma noite, normalmente com transporte público local gratuito e reduções em passeios. Berna, Interlaken, Basileia, Lausanne e regiões do Ticino têm exemplos desse tipo de benefício.

Em Lausanne, por exemplo, a hospedagem que cobra a taxa turística normalmente entrega a Lausanne Transport Card, válida para o transporte público em zonas específicas durante a reserva. É um detalhe que parece pequeno, mas evita comprar bilhetes urbanos todos os dias.

Comer bem sem transformar cada refeição em uma conta alta

A alimentação é uma das áreas em que mais dá para economizar sem perder qualidade. A Suíça tem bons supermercados, produtos frescos, padarias excelentes e uma cultura bastante favorável a refeições simples, mas bem feitas.

Reduzir o custo não significa passar fome nem sobreviver de macarrão instantâneo no quarto. A ideia é usar restaurantes com critério.

Um modelo que funciona muito bem é:

  • café da manhã incluído no hotel ou preparado na hospedagem;
  • almoço leve com produtos de supermercado, padaria ou mercado local;
  • jantar em restaurante apenas em alguns dias escolhidos;
  • uma refeição típica que realmente faça sentido, sem obrigação de comer fondue toda noite.

Coop, Migros, Lidl, Aldi e Denner são redes úteis para compras do dia a dia. Migros e Coop costumam ter seções prontas com saladas, sanduíches, sopas, frutas cortadas, iogurtes e pratos quentes. Não são necessariamente os lugares mais baratos do país, mas entregam boa qualidade por um valor bem menor que um restaurante em área turística.

Padarias também podem ser ótimas para café da manhã ou almoço. Um pão fresco, queijo local, fruta e bebida comprados em supermercado podem render um piquenique excelente à beira do Lago de Lucerna, nas margens do Lago de Zurique ou em um parque de Berna.

A Suíça é muito segura e organizada para esse tipo de almoço ao ar livre. E não há nada de “economia porca” em sentar num banco com vista para um lago alpino e comer bem sem pagar o equivalente a uma refeição completa em restaurante turístico.

Restaurantes do centro histórico, arredores de estações e pontos turísticos costumam cobrar mais. Caminhar duas ou três ruas para fora dessas áreas muitas vezes já muda o preço. Também vale observar os menus de almoço durante a semana, quando alguns restaurantes oferecem pratos executivos melhores do que o cardápio noturno.

Uma boa regra é reservar restaurantes para experiências específicas. Uma fondue em uma noite fria, um prato regional em Lucerna, uma refeição em um restaurante com vista realmente bonita ou um jantar especial em Montreux pode valer o gasto. Comer em restaurante três vezes por dia, todos os dias, dificilmente vale.

Montanhas são incríveis, mas escolha poucas e bem escolhidas

A Suíça tem algumas das montanhas mais conhecidas da Europa, e os preços dos teleféricos acompanham essa fama. O problema não é pagar por uma montanha. O problema é tentar subir todas.

Monte Titlis, Jungfraujoch, Matterhorn Glacier Paradise, Schilthorn, Pilatus, Rigi e Gornergrat são passeios muito diferentes em preço, visual e logística. Não existe uma resposta universal sobre qual é a “melhor”. Existe a que faz mais sentido para seu roteiro e seu orçamento.

Quem está em Lucerna pode priorizar Monte Rigi ou Monte Pilatus. O Rigi costuma ter uma experiência mais leve e panorâmica, com opções de trem e barco, enquanto o Pilatus é mais dramático e próximo da cidade. Se o orçamento estiver apertado, comparar os dois e escolher apenas um já evita um gasto desnecessário.

Na região de Interlaken, o Jungfraujoch é uma experiência marcante, mas cara. Ele pode ser prioridade para quem sonha em ver a estação no topo da Europa e paisagens glaciais. Porém, não é obrigatório para que a região seja incrível. Lauterbrunnen, Mürren, Wengen, Grindelwald, Thun e Brienz oferecem paisagens espetaculares, muitas trilhas e trajetos ferroviários memoráveis sem exigir o ingresso mais caro do país.

Em Zermatt, o Gornergrat costuma ser uma alternativa muito forte para vistas do Matterhorn. A cidade por si só é cara, então vale evitar uma permanência longa se o objetivo principal for apenas conhecer a montanha.

O melhor uso do dinheiro é escolher uma grande montanha paga para cada região visitada e completar o roteiro com paisagens gratuitas ou de baixo custo. A memória da viagem não melhora porque você acumulou teleféricos. Ela melhora quando você teve tempo de aproveitar um lugar sem correr.

Também é essencial acompanhar a previsão do tempo. Em destinos alpinos, um dia nublado pode comprometer o principal motivo da subida. Se possível, deixe o passeio mais caro para o dia com melhor visibilidade. Aplicativos meteorológicos locais e webcams oficiais ajudam bastante nessa decisão.

Use a paisagem gratuita a seu favor

A Suíça é um destino raro em que parte das melhores experiências não exige ingresso. Caminhar é uma atividade central no país, não um improviso para economizar.

Em Lucerna, a Ponte da Capela, o centro histórico e a margem do lago são gratuitos. Em Zurique, caminhar pela margem do Lago de Zurique, pelo centro antigo e pelas áreas junto ao rio Limmat não custa nada. Em Berna, o centro medieval, os mirantes e as arcadas são programas completos. Em Genebra, o lago, o Jet d’Eau visto da margem e os parques oferecem um ótimo dia sem gastar muito.

Na região de Interlaken, os lagos de Thun e Brienz já entregam cenários impressionantes. Lauterbrunnen, com seu vale e cachoeiras, é um lugar que merece ser explorado devagar. O mesmo vale para vilarejos como Spiez e Brienz.

O segredo é não tratar esses passeios como “tempo livre entre atrações pagas”. Eles são parte da experiência suíça. A viagem fica mais agradável e o orçamento respira.

Faça compras e pagamentos de forma inteligente

A moeda suíça é o franco suíço, identificado por CHF. Embora alguns estabelecimentos aceitem euro, pagar em euro raramente é a melhor escolha. O câmbio usado pode ser desfavorável e o troco, quando existe, costuma vir em francos.

Cartões de crédito e débito são amplamente aceitos. Ainda assim, vale usar um cartão internacional com conversão competitiva e sempre escolher ser cobrado em CHF, não em reais ou euros, quando a maquininha oferecer essa opção. A conversão dinâmica de moeda costuma embutir uma taxa pior.

Dinheiro em espécie pode ser útil para pequenas despesas, mas não é necessário carregar grandes valores. O país é muito preparado para pagamentos eletrônicos.

Para compras, convém manter expectativas realistas. A Suíça não é um destino de compras baratas. Se você pretende comprar relógios, chocolates, roupas ou souvenirs, defina um orçamento antes. Compras por impulso têm grande chance de pesar na viagem, principalmente em zonas turísticas.

O reembolso de imposto, ou tax free, também não deve ser tratado como desconto garantido. A Suíça Turismo informa que estrangeiros podem pedir restituição do imposto em compras superiores a CHF 300, incluindo o IVA, desde que os bens deixem o país em até 30 dias. O imposto sobre valor agregado padrão é de 8,1%, mas taxas administrativas reduzem o valor efetivamente devolvido. É útil para uma compra grande planejada, não uma razão para gastar mais.

Um orçamento enxuto, mas confortável, precisa de margem

Em viagens pela Suíça, tentar definir um orçamento rígido até o último franco é arriscado. O ideal é separar uma margem para clima, mudanças de roteiro, uma refeição especial, bagagem, transporte inesperado ou uma atração que pareça valer a pena quando você estiver lá.

A economia que preserva qualidade é aquela feita antes da viagem:

  • reservar hospedagem com antecedência;
  • comprar trechos de trem definidos com antecedência;
  • reduzir deslocamentos desnecessários;
  • escolher poucas montanhas pagas;
  • alternar supermercado, padaria e restaurantes;
  • aproveitar cartões locais de transporte;
  • evitar pagar em euro e conversão ruim no cartão.

Já a economia que estraga a experiência costuma acontecer durante a viagem: dormir longe demais, economizar num hotel ruim, comprar bilhete de trem errado, deixar de fazer um passeio importante por falta de planejamento ou tentar encaixar cinco cidades em quatro dias.

A Suíça não precisa ser um destino barato para ser financeiramente viável. Ela precisa ser planejada com foco. Uma viagem bem montada permite ficar em bons lugares, deslocar-se com conforto, comer produtos excelentes, visitar uma ou duas montanhas memoráveis e aproveitar os lagos, cidades e trilhas sem a sensação de estar sempre pagando demais.

Viagem de baixo custo na Suíça custa, de forma realista, entre CHF 110 e CHF 160 por pessoa ao dia, sem passagem aérea e sem abrir mão de segurança, boa localização e alimentação decente.

Faltou mesmo colocar essa régua de realidade. Na Suíça, “baixo custo” não significa gastar o mesmo que em Portugal, Espanha ou Itália. Para quem recebe em reais, criar uma expectativa de viagem por CHF 50 ou CHF 70 ao dia normalmente leva a escolhas ruins, deslocamentos cansativos ou a um roteiro que não fecha na prática.

A referência mais honesta é esta:

Perfil de viagemOrçamento diário por pessoaO que esse valor costuma permitir
Econômico bem apertadoCHF 90 a CHF 110Hostel, supermercado, poucos passeios pagos e roteiro concentrado
Baixo custo realistaCHF 110 a CHF 160Hospedagem simples bem localizada, alimentação mista e transporte planejado
Conforto controladoCHF 160 a CHF 220Quarto privativo simples, alguns restaurantes e atrações pagas selecionadas
Padrão turístico comumAcima de CHF 220Hotel convencional, refeições fora com frequência e deslocamentos sem tanta conta

Os valores consideram a viagem dentro da Suíça, sem passagem do Brasil, seguro-viagem, chip internacional, compras e gastos pessoais. Também não incluem atividades caras de montanha, como Jungfraujoch, Gornergrat, Titlis ou teleféricos famosos, que podem acrescentar dezenas ou até centenas de francos em um único dia.

O que cabe em um orçamento de CHF 110 a CHF 160 por dia

Essa é a faixa que eu chamaria de baixo custo com dignidade. Não é uma viagem de luxo, claro, mas também não exige dormir longe de tudo, sobreviver de miojo ou passar o dia inteiro tentando economizar algumas moedas.

Uma divisão razoável seria:

CategoriaFaixa diária estimadaComo manter a qualidade
HospedagemCHF 50 a CHF 85Hostel bem avaliado, quarto compartilhado ou hotel simples reservado com antecedência
AlimentaçãoCHF 25 a CHF 40Café incluso, mercado no almoço e uma refeição simples fora ou pronta
Transporte local e regionalCHF 15 a CHF 35Roteiro com poucas trocas de base, passes escolhidos só quando compensam
Passeios e extrasCHF 10 a CHF 25Prioridade para atrações gratuitas e uma atividade paga pontual
Reserva para imprevistosCHF 10 a CHF 15Água, café, bagagem, pequenas compras e variação de preços

Em sete dias, isso representa algo entre CHF 770 e CHF 1.120 por pessoa, já considerando os gastos cotidianos no país. É um valor mais útil para planejar do que promessas de “Suíça barata” que ignoram hospedagem, deslocamentos e alimentação.

O ponto que mais pesa: hospedagem

A hospedagem define se o orçamento continua baixo ou sai completamente do controle. Em cidades como Zurique, Genebra, Lucerna e Interlaken, um hotel convencional pode facilmente consumir CHF 150, CHF 200 ou mais por noite, especialmente em alta temporada.

Para um viajante que quer economizar sem piorar demais a experiência, vale mirar em:

  • hostels com nota alta e café da manhã incluído, mesmo que o quarto seja compartilhado;
  • hotéis simples perto de estação de trem, mas fora do centro histórico;
  • cidades-base menos disputadas, conectadas por trem;
  • hospedagens que ofereçam algum cartão local de transporte.

Esse último ponto muda bastante a conta. Muitas regiões suíças entregam um Guest Card para hóspedes, com transporte urbano gratuito e descontos em atrações. No cantão do Ticino, onde ficam Lugano, Bellinzona e Locarno, o Ticino Ticket dá uso gratuito do transporte público regional para hóspedes de hotéis, hostels e campings participantes. Em Lausanne, hóspedes que pagam a taxa turística recebem transporte urbano incluído durante a estadia.

Não é um detalhe pequeno. Em uma cidade suíça, alguns trajetos avulsos por dia podem custar o equivalente a uma refeição de supermercado.

Alimentação barata não precisa ser alimentação ruim

A pior economia na Suíça é insistir em restaurante turístico no almoço e depois tentar cortar gastos no restante do dia. Uma refeição simples sentada pode passar de CHF 25 a CHF 35 por pessoa, e restaurantes em áreas muito visitadas sobem rápido daí.

A estratégia mais equilibrada é fazer uma refeição boa, mas não necessariamente em restaurante, e alternar com mercado.

Coop e Migros são os dois supermercados mais úteis para isso. Eles vendem saladas prontas, sanduíches, frutas, iogurtes, pães, queijos, pratos aquecidos simples e opções vegetarianas. Um almoço de mercado bem montado pode ficar entre CHF 10 e CHF 16. À noite, dá para comprar ingredientes para uma refeição leve ou escolher pratos prontos sem pagar o custo de serviço de um restaurante.

Uma conta bastante possível por dia seria:

  • café da manhã incluído na hospedagem;
  • almoço de supermercado: CHF 10 a CHF 16;
  • lanche, fruta ou café: CHF 5 a CHF 8;
  • jantar simples de mercado, cozinha do hostel ou restaurante casual: CHF 12 a CHF 22.

A água da torneira é potável em boa parte do país, e carregar uma garrafa reutilizável evita gastos repetidos. Apenas confira a sinalização em fontes públicas, porque algumas não são próprias para consumo.

Transporte: o passe não é automaticamente a opção mais barata

O Swiss Travel Pass é excelente pela praticidade, mas não deve ser comprado no automático. Para quem tem poucos dias, vai dormir em uma única cidade e fará deslocamentos curtos, bilhetes avulsos ou passes regionais podem sair melhor.

O passe vale mais a pena quando o roteiro tem vários deslocamentos longos, como Zurique, Lucerna, Interlaken, Montreux e Zermatt em sequência. Já quem vai passar quatro noites em Lugano, por exemplo, pode economizar bastante usando o Ticino Ticket fornecido pela hospedagem e comprando apenas os trechos de chegada e saída.

A regra prática é simples: antes de comprar qualquer passe nacional, some o valor dos trajetos que realmente pretende fazer no site ou aplicativo da SBB, a companhia ferroviária suíça. Compare o total com o preço do passe e considere também os descontos em museus, barcos e algumas montanhas. Se o passe só “empata”, eu tenderia a preferir os bilhetes avulsos, porque o roteiro fica menos pressionado a fazer deslocamentos apenas para justificar a compra.

Outra economia boa, sem perder qualidade, é reduzir as trocas de hotel. A Suíça parece pequena no mapa e os trens funcionam muito bem, mas mudar de cidade a cada noite toma tempo, aumenta o custo de hospedagem e cria gastos extras com armários, lanches e trajetos locais.

O que encarece a viagem sem parecer, à primeira vista

Existem gastos que parecem pequenos individualmente, mas desequilibram o orçamento:

  • café em áreas turísticas;
  • refeições em estações e aeroportos;
  • teleféricos e trens de montanha comprados de última hora;
  • hotéis em destinos famosos no pico do verão ou do inverno;
  • táxis, especialmente à noite;
  • pagar em reais ou euros quando a maquininha oferece conversão própria.

Na hora de pagar com cartão, a escolha mais segura costuma ser cobrar em francos suíços, deixando a conversão para a instituição do seu cartão. A conversão oferecida pela maquininha, conhecida como conversão dinâmica de moeda, frequentemente usa uma cotação pior.

Também é importante não usar o preço em euro exibido por algumas lojas como referência. A moeda local é o franco suíço, e o troco pode vir em CHF. Planeje o orçamento nessa moeda desde o início.

Quanto reservar em reais?

Como o câmbio entre real e franco suíço varia todos os dias, o melhor é fazer a conta com a cotação do cartão, já incluindo IOF e possível spread. Mas a lógica é esta:orc¸amento em reais=orc¸amento em CHF×cotac¸a˜o final do CHF no seu meio de pagamentoorc¸​amento em reais=orc¸​amento em CHF×cotac¸​a˜o final do CHF no seu meio de pagamento

Se a cotação final do franco no seu cartão ou conta global estiver, por exemplo, em R$ 6,50, uma viagem de sete dias no padrão de baixo custo realista ficaria aproximadamente assim:

Orçamento em CHFEquivalente aproximado em reais, com CHF a R$ 6,50
CHF 770R$ 5.005
CHF 900R$ 5.850
CHF 1.120R$ 7.280

Isso é para os gastos na Suíça. A passagem aérea, o seguro-viagem e eventuais noites em cidades de conexão na Europa entram à parte.

A economia que vale a pena fazer

Uma viagem barata na Suíça funciona quando o viajante escolhe bem onde dormir, concentra o roteiro em uma ou duas bases, faz compras de mercado e define antecipadamente quais passeios pagos realmente fazem sentido.

Não funciona tentando fazer todas as montanhas famosas, comer em restaurantes turísticos três vezes ao dia, ficar no centro de Lucerna ou Interlaken no auge da temporada e usar táxi como plano B.

O valor de CHF 110 a CHF 160 por dia é uma expectativa realista para conhecer a Suíça com conforto básico, bons deslocamentos e espaço para aproveitar o país. Abaixo de CHF 90 por dia pode acontecer em situações específicas, como hospedagem muito barata, viagem em dupla dividindo quarto, estadia em camping ou uso intenso de cozinha. Mas eu não trataria isso como orçamento padrão para alguém saindo do Brasil.

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