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As 10 Cidades Mais Visitadas do Mundo

Conheça as 10 cidades mais visitadas do mundo em 2025, com análise prática de cada destino, o que torna cada cidade um ímã de turistas e dicas reais para quem pretende incluir esses lugares no próximo roteiro.

Foto de Simranpreet Singh: https://www.pexels.com/pt-br/foto/cena-movimentada-de-rua-em-bangkok-com-transito-35888579/

Tem ranking que confirma o óbvio. E tem ranking que pega quase todo mundo de surpresa. O das cidades mais visitadas do mundo em 2025 fica no meio do caminho. Algumas posições eram esperadas, outras nem tanto. E a leitura desses números diz muito sobre como o turismo global mudou nos últimos anos, principalmente depois da pandemia, com novos eixos de fluxo se firmando e antigos cartões postais perdendo um pouco de espaço.

Bangkok, com 30,3 milhões de visitantes, lidera com folga. Paris, que muita gente apostaria no topo, aparece só em nono. Cidades como Antália e Macau, pouco lembradas no imaginário do brasileiro médio, figuram entre as dez mais visitadas do planeta. Vale entender o que está por trás de cada posição, porque cada cidade dessas conta uma história diferente sobre por que tanta gente decide ir até lá.

Vou passar por todas, uma a uma, com olhar de quem entende de planejamento de viagem e tenta enxergar além do número bruto.

1. Bangkok, Tailândia: 30,3 milhões de visitantes

Bangkok lidera de forma absoluta, e isso não é novidade. A cidade vem ocupando o topo desse tipo de ranking há vários anos seguidos, e os motivos se acumulam.

O primeiro é estrutural. Bangkok virou hub aéreo do Sudeste Asiático. Quem vai para qualquer destino na região, das praias da Tailândia ao Camboja, do Vietnã à Indonésia, frequentemente passa por ali. Muitos turistas contam como visita mesmo só passando dois dias antes de seguir adiante.

O segundo motivo é a combinação rara que poucas cidades entregam: gastronomia de rua extraordinária, hospitalidade tailandesa que vira marca, preços ainda razoáveis, vida noturna intensa, templos espetaculares, shopping de luxo e spas a cada esquina. Tudo na mesma cidade, no mesmo dia, sem precisar pegar nada além de um táxi ou o BTS, o trem aéreo que corta a região central.

A grande sacada de Bangkok é que ela funciona para quase qualquer perfil. Mochileiro com cinquenta dólares por dia se vira. Casal em lua de mel num hotel cinco estrelas à beira do rio também. Família com crianças num resort. Executivo em viagem corporativa. Todos cabem ali, em camadas diferentes da mesma cidade.

2. Hong Kong, China: 23,2 milhões de visitantes

Hong Kong na segunda posição mostra como a cidade se recuperou rápido depois dos anos turbulentos entre 2019 e 2022. O fluxo voltou com força, principalmente de turistas do continente chinês, que respondem por boa parte desse número.

A cidade tem um apelo único. É chinesa mas com herança britânica visível em cada detalhe, do trânsito pela esquerda à arquitetura colonial preservada em alguns bairros. O skyline da Ilha de Hong Kong visto do Star Ferry no fim da tarde continua sendo uma das paisagens urbanas mais marcantes do planeta.

A gastronomia em Hong Kong é capítulo à parte. Dim sum tradicional, alta cozinha cantonesa, restaurantes com estrelas Michelin que cabem em garagens pequenas, e uma cena internacional refinadíssima. Para quem viaja atrás de comida, é parada quase obrigatória na região.

Vale notar que Hong Kong funciona muito como porta de entrada para a Ásia. Muitos viajantes usam a cidade como base de três ou quatro dias e seguem para Tóquio, Seul, Cingapura ou cidades chinesas próximas. Esse trânsito todo infla os números, mas não diminui o valor da cidade como destino próprio.

3. Londres, Reino Unido: 22,7 milhões de visitantes

Londres mantém posição firme entre as três mais visitadas, e dificilmente sairá daí tão cedo. A cidade tem aquela combinação que poucas conseguem: peso histórico absoluto, infraestrutura turística madura, cena cultural permanente e papel central nas rotas aéreas globais.

O que Londres entrega de diferente é a profundidade. Dá para passar uma semana inteira só em museus, todos gratuitos. Dá para passar outra semana só em pubs históricos, mercados de bairro e parques. Dá para fazer uma viagem inteira só de teatro no West End. Cada recorte da cidade rende uma viagem completa.

O contraponto é o preço. Londres é cara. Hospedagem, transporte, alimentação, ingressos. Tudo pesa no orçamento. Mas o que muita gente esquece é que algumas das melhores experiências da cidade são gratuitas ou quase. British Museum, National Gallery, Tate Modern, Tate Britain, Natural History Museum, Science Museum. Tudo sem custo.

Para o viajante brasileiro, Londres ainda funciona bem como porta de entrada para o resto da Europa, com voos baratos para qualquer lugar do continente saindo dos cinco aeroportos da região.

4. Macau, China: 20,4 milhões de visitantes

Macau na quarta posição surpreende quem não conhece a região. A cidade, antiga colônia portuguesa devolvida à China em 1999, virou nas últimas duas décadas o maior polo de jogos do mundo, com faturamento de cassinos várias vezes maior que Las Vegas.

A maioria dos visitantes vem do continente chinês e de Hong Kong, atraída pelos resorts integrados que dominam a Cotai Strip. Venetian, Wynn, MGM, Galaxy. Os nomes são parecidos com os de Vegas, mas a escala é maior, mais nova, mais opulenta.

O que muita gente esquece é que Macau tem um centro histórico tombado pela UNESCO, com igrejas portuguesas, ruas calçadas com pedras portuguesas, fortes coloniais e uma culinária macaense que mistura Portugal, China e influências do mundo todo. Provar bacalhau, galinha à africana e tartes de Belém em pleno sul da China é experiência cultural rara.

Para o viajante brasileiro, Macau é destino fácil de combinar com Hong Kong, a uma hora de ferry. Vale incluir dois ou três dias se você estiver fazendo a região.

5. Istambul, Turquia: 19,7 milhões de visitantes

Istambul aparece em quinto e continua crescendo ano após ano. A cidade virou um dos destinos com maior expansão de fluxo turístico no mundo, e os motivos se conectam.

A posição geográfica privilegiada fez de Istambul um hub natural entre Europa, Ásia e Oriente Médio. A Turkish Airlines voa para mais países que qualquer companhia aérea do mundo, e isso por si só já traz milhões de viajantes em conexão estendida.

Mas Istambul é muito mais que escala. A cidade tem peso histórico imenso, com Hagia Sophia, Mesquita Azul, Topkapi, o Grande Bazar, as cisternas subterrâneas, o Bósforo. Cada esquina carrega séculos de Bizâncio e do Império Otomano sobrepostos.

A cena gastronômica turca está entre as três ou quatro mais importantes do mundo, e em Istambul ela aparece em todas as camadas, do tabuleiro de doces na esquina aos restaurantes refinados em palácios restaurados. O preço, em geral, é metade ou menos do que se paga em outras capitais europeias com qualidade equivalente.

6. Dubai, Emirados Árabes Unidos: 19,5 milhões de visitantes

Dubai consolida sua posição como destino global. A cidade que há trinta anos era praticamente um deserto com algumas torres se transformou no quinto ou sexto destino mais visitado do planeta, com investimento bilionário em estrutura turística.

O que Dubai faz bem é vender uma experiência que muito poucas cidades replicam. Hotéis em ilhas artificiais, shoppings com pista de esqui dentro, o prédio mais alto do mundo, restaurantes em arranha céus, safari no deserto a vinte minutos do centro. Tudo embalado em um marketing turístico que funciona globalmente.

A cidade virou destino corriqueiro de família brasileira. Voos diretos partindo de São Paulo, infraestrutura impecável, segurança alta, opções para todas as idades. Disney World do mundo árabe, com algumas vantagens e algumas críticas justas sobre artificialidade.

Vale entender que Dubai é destino de marca. Quem vai sabe o que vai encontrar. Não é uma cidade que entrega autenticidade cultural profunda. É uma cidade que entrega espetáculo executado em altíssimo nível. Cada perfil decide se isso faz sentido para o tipo de viagem que busca.

7. Meca, Arábia Saudita: 18,7 milhões de visitantes

Meca aparecer em sétimo lugar é particularidade que merece explicação. A cidade santa do Islã recebe milhões de peregrinos todos os anos, principalmente durante o Hajj, a peregrinação obrigatória para muçulmanos uma vez na vida, e durante o Umrah, peregrinação menor que pode ser feita em qualquer época.

Diferente das outras cidades da lista, Meca não é destino turístico no sentido convencional. O acesso é restrito a muçulmanos. Não muçulmanos não podem entrar na cidade. Isso significa que esses 18,7 milhões de visitantes representam quase exclusivamente viajantes religiosos.

A escala da infraestrutura para receber esse fluxo é impressionante. A Grande Mesquita comporta mais de dois milhões de pessoas simultaneamente. A região ao redor da Caaba foi totalmente redesenhada para fluxo massivo. Hotéis gigantescos cercam o complexo religioso, com torres como o Abraj Al Bait, uma das construções mais altas e mais caras já erguidas.

Para o viajante muçulmano brasileiro, a peregrinação a Meca é a experiência espiritual mais importante da vida. Para o não muçulmano, Meca segue sendo apenas referência cultural a ser respeitada.

8. Antália, Turquia: 18,6 milhões de visitantes

Antália é a segunda cidade turca na lista, e isso por si só já mostra a força do turismo na Turquia. A cidade fica no litoral sul, banhada pelo Mediterrâneo, e virou o maior destino de praia da Europa em volume.

O que torna Antália tão buscada é uma combinação específica. Praias longas de areia clara, mar morno por boa parte do ano, infraestrutura de resorts all inclusive que rivaliza com qualquer destino caribenho, ruínas romanas espetaculares como Aspendos e Perge nas proximidades, e preços muito mais acessíveis que destinos litorâneos europeus tradicionais.

A maior parte dos visitantes vem da Rússia, Alemanha, Reino Unido e Holanda, em pacotes operados por grandes empresas de turismo. Os resorts da região oferecem experiência completa, do café da manhã ao jantar, com bebidas inclusas, esportes aquáticos, animação infantil, e em alguns casos parques aquáticos dentro do próprio complexo.

Para o brasileiro que ainda não conhece, Antália é descoberta esperando para acontecer. A relação custo benefício é difícil de encontrar em outro lugar com nível similar de serviço.

9. Paris, França: 18,3 milhões de visitantes

Paris só em nono surpreende muita gente. A capital francesa, símbolo absoluto de turismo mundial, aparece atrás de cidades como Antália e Meca, e os motivos são interessantes.

A cidade tem capacidade limitada. Hotéis, restaurantes, museus, transporte público. Tudo opera próximo do limite na alta temporada. O preço é alto, o congestionamento turístico em pontos como a Torre Eiffel e o Louvre é intenso, e isso naturalmente regula o fluxo.

Mas Paris continua sendo Paris. Nenhuma outra cidade do mundo entrega a mesma combinação de arquitetura, gastronomia, moda, arte e atmosfera. A cidade não precisa lutar para se manter no topo, ela simplesmente está sempre lá, em camadas que vão se revelando para quem visita mais de uma vez.

A dica clássica para Paris é evitar julho e agosto. A maioria dos parisienses sai da cidade nesses meses, muitos restaurantes locais fecham, e o que sobra é uma versão mais turística e menos autêntica da cidade. Maio, junho, setembro e outubro funcionam muito melhor.

10. Kuala Lumpur, Malásia: 17,3 milhões de visitantes

Kuala Lumpur fecha a lista, e essa é mais uma posição que pega muita gente desprevenida. A capital da Malásia se firmou como hub do sudeste asiático e destino turístico próprio nas últimas duas décadas.

A cidade tem identidade marcante. Mistura malaios, chineses, indianos e expatriados de todo o mundo, com gastronomia que reflete essa diversidade de forma deliciosa. Comer em Kuala Lumpur é viajar por várias cozinhas asiáticas dentro da mesma quadra.

As Torres Petronas, durante muitos anos os edifícios mais altos do mundo, continuam sendo cartão postal indiscutível. Mas a cidade vai muito além disso, com cavernas hindus impressionantes em Batu Caves, mercados noturnos, bairros chineses tradicionais e uma cena de rooftop bar excelente.

Para o viajante brasileiro, KL costuma entrar como parada estratégica em roteiros pelo sudeste asiático. Voos baratos, hotéis com excelente relação custo benefício, e proximidade com destinos como Cingapura, Bangkok, Bali e Phuket fazem da cidade base perfeita para explorar a região.

Comparativo dos destinos mais visitados em 2025

PosiçãoCidadePaísVisitantes (mi)
BangkokTailândia30,3
Hong KongChina23,2
LondresReino Unido22,7
MacauChina20,4
IstambulTurquia19,7
DubaiEAU19,5
MecaArábia Saudita18,7
AntáliaTurquia18,6
ParisFrança18,3
10ºKuala LumpurMalásia17,3

O que esse ranking realmente diz sobre o turismo mundial

Olhando esses dez nomes em conjunto, alguns padrões saltam aos olhos. A Ásia domina absurdamente. Bangkok, Hong Kong, Macau, Kuala Lumpur. Quatro das dez primeiras. Se somarmos Istambul e Dubai como pontes entre continentes, fica clara a migração do eixo turístico mundial para o leste.

A Europa, antiga rainha absoluta do turismo global, aparece com apenas duas cidades, Londres e Paris. Os Estados Unidos não estão na lista. Nova York, Los Angeles, Miami, todas ficaram de fora. Isso reflete uma mudança real no perfil do viajante global, com classes médias asiáticas e do Oriente Médio se firmando como motor do crescimento, e destinos que falam essa língua absorvendo o fluxo.

Outra leitura importante é a presença de destinos religiosos. Meca, com seus 18,7 milhões de peregrinos, mostra como o turismo de fé continua sendo categoria gigante e frequentemente subestimada.

E talvez a observação mais útil para quem planeja uma viagem: destino badalado não significa destino bom para você. Cada uma dessas dez cidades tem perfil, ritmo e estilo bem diferentes. Bangkok funciona para um tipo de viajante. Paris para outro. Antália para outro completamente.

Como usar esse ranking para planejar uma viagem

Quem nunca viajou para fora pode usar a lista como ponto de partida, mas com filtros. Cidades como Bangkok, Istambul e Kuala Lumpur oferecem custo benefício excelente para quem está começando a explorar o mundo. Londres e Paris pesam mais no bolso, mas entregam profundidade cultural difícil de igualar.

Para o brasileiro especificamente, alguns desses destinos merecem atenção redobrada. Dubai virou rota comum com voos diretos. Istambul funciona como porta de entrada para Europa e Oriente Médio com a Turkish Airlines. Kuala Lumpur abre o sudeste asiático.

Quem busca evitar multidão deve pensar em ir nessas cidades fora da alta temporada. Bangkok em maio. Istambul em outubro. Londres em fevereiro, mesmo com frio. Paris em meados de setembro. Pequenos ajustes de calendário podem transformar completamente a experiência.

E uma última observação que sempre vale repetir: número de visitantes não é critério único de qualidade. As cidades mais visitadas do mundo são populares por motivos reais, mas existem dezenas de outras que entregam experiências tão boas ou melhores, com menos gente. Saber escolher entre o famoso e o menos óbvio é parte do que separa o viajante curioso do turista que só repete roteiros.

O melhor destino do mundo, no fim das contas, é sempre o que faz sentido para você naquele momento da vida. Esse ranking ajuda a entender o mapa. Mas o mapa, sozinho, nunca foi a viagem.

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