Por que Visitar a Coréia do Sul Está tão na Moda?

A Coréia do Sul bateu recorde histórico em 2025, recebendo quase 19 milhões de turistas estrangeiros, impulsionada pelo boom do K-pop, K-dramas e uma combinação rara de tecnologia, segurança e cultura preservada.

A Coréia do Sul bateu recorde histórico em 2025, recebendo quase 19 milhões de turistas estrangeiros, impulsionada pelo boom do K-pop, K-dramas

Não é exagero dizer que a Coréia do Sul se tornou, nos últimos anos, um dos destinos mais desejados do turismo mundial. E os números confirmam isso sem deixar espaço para dúvida: o país recebeu 18,5 milhões de turistas até dezembro de 2025, superando a marca pré-pandemia de 2019, que era de 17,5 milhões. A projeção oficial do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo da Coréia era terminar o ano com 18,7 milhões de visitantes, mas o resultado final ultrapassou essa expectativa.

O curioso é que esse crescimento não aconteceu por acaso. Existe uma explicação bem clara para esse fenômeno, e ela tem nome: Hallyu, a chamada “onda coreana”.

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O Efeito K-Pop e K-Drama no Turismo

Se você acompanha um pouco de cultura pop, sabe que o K-pop deixou de ser um nicho e se tornou um fenômeno global. Grupos como BTS, Blackpink e outros conquistaram fãs em praticamente todos os continentes, e isso teve um impacto direto no turismo sul-coreano.

Um exemplo recente e bem específico: o sucesso do filme de animação “K-Pop Demon Hunters” na Netflix, vencedor de dois Oscars e com mais de 300 milhões de visualizações, provocou uma verdadeira corrida de fãs para Seul. Somente em julho de 2025, a capital recebeu 1,36 milhão de visitantes estrangeiros, um crescimento de 23,1% em relação ao ano anterior. As reservas internacionais de voos para o país aumentaram 25% no mesmo período, com destaque para turistas do Canadá, da Ásia e da Austrália.

Locais que aparecem no filme, como a Vila Hanok de Bukchon, a região de Myeongdong, a Praça K-Pop do COEX e o Parque Naksan, passaram a receber um fluxo enorme de visitantes querendo recriar cenas e tirar fotos nos mesmos pontos. Até os famosos spas coreanos, os jjimjilbang, registraram um aumento de 115% nas reservas depois do lançamento do filme. Parece exagero, mas é o retrato exato do que a cultura pop consegue fazer pelo turismo de um país.

Além disso, dados da plataforma Booking.com mostraram que, em junho de 2025, as buscas internacionais por Seul e Busan cresceram 30% e 50%, respectivamente, na comparação ano a ano. O motivo? Um calendário cheio de eventos de K-pop, incluindo o retorno do BTS após o serviço militar dos últimos integrantes, o Busan One Asia Festival e os shows do Seoul Music Awards.

De acordo com o Ministério da Cultura sul-coreano, cerca de 32,1% dos turistas que visitam o país afirmam que o principal motivo da viagem foi o contato prévio com algum conteúdo do Hallyu, seja música, drama ou filme. É um número expressivo, que mostra como a cultura pop se transformou em motor econômico real.

Não é só K-Pop: a Coréia Também Vende Experiência de Vida

Mas reduzir o boom turístico sul-coreano apenas ao K-pop seria simplificar demais. Existe algo mais profundo acontecendo, que tem a ver com a forma como o país entrega experiência para quem visita.

As lojas de K-beauty, como a rede Olive Young, se tornaram destino obrigatório de compras. Somente no ano passado, 9,42 milhões de clientes estrangeiros de 189 países passaram por essas lojas, e os estrangeiros já representam mais de 26% do faturamento total da marca no primeiro semestre. Não é pouca coisa.

A gastronomia coreana também vive seu próprio momento. Depois que o CEO da Nvidia, Jensen Huang, visitou uma loja de frango frito coreano em Seul durante a cúpula da APEC e elogiou publicamente os pratos, a rede teve um salto imediato nos pedidos em todo o país. Pequenos episódios como esse acabam viralizando e gerando curiosidade sobre a comida coreana, que já vinha em ascensão havia anos.

Muito Além do K-Pop e dos Doramas

Existe um erro comum entre quem nunca visitou o país: reduzir a Coréia do Sul a k-pop, doramas e cultura pop. Essa visão, apesar de compreensível dado o alcance do Hallyu, ignora praticamente tudo que torna o país interessante de verdade.

A Coréia do Sul é uma das maiores economias do mundo, com um parque industrial e tecnológico que vai muito além da música e do entretenimento. Empresas como Samsung, Hyundai, LG e SK Hynix moldaram boa parte da tecnologia que usamos no dia a dia, de semicondutores a carros elétricos. Não é exagero dizer que boa parte do avanço tecnológico global das últimas décadas passou, de alguma forma, pelas mãos de engenheiros e empresas sul-coreanas.

A natureza do país também surpreende quem só conhece a Coréia pelas ruas urbanas de Seul. Ilhas como Jeju, por exemplo, oferecem paisagens vulcânicas, praias e trilhas que nada têm a ver com a imagem tecnológica que normalmente associamos ao país. É um destino cada vez mais procurado por quem busca contato com a natureza sem sair do território sul-coreano.

Para quem tem interesse em história recente e geopolítica, a Zona Desmilitarizada (DMZ), na fronteira com a Coréia do Norte, é uma das visitas mais impactantes que existem. Andar por ali e ouvir explicações sobre a divisão da península depois de 1945 dá uma dimensão completamente diferente sobre o que o país viveu para se tornar o que é hoje.

A gastronomia coreana também vai muito além do que aparece em vídeos de mukbang ou cenas de doramas. Pratos como o bibimbap, o kimchi jjigae, o samgyeopsal e o hanjeongsik, que é uma refeição tradicional composta por diversos pratos servidos ao mesmo tempo, mostram uma culinária rica, equilibrada e cheia de história, muito antes de qualquer influência da cultura pop.

E tem ainda o lado histórico e espiritual do país, que muita gente desconhece. Templos budistas centenários, como os que ficam nas montanhas ao redor de Gyeongju, antiga capital do Reino Silla, guardam séculos de tradição e arquitetura preservada. Gyeongju, inclusive, é chamada por muitos coreanos de “museu sem paredes”, justamente pela quantidade de sítios históricos concentrados numa única região.

Ou seja, quem viaja para a Coréia do Sul pensando em ver apenas cenários de doramas ou tirar fotos em lugares ligados ao k-pop acaba perdendo uma parte enorme do que o país realmente tem para oferecer. A cultura pop é a porta de entrada, sem dúvida, e foi ela que trouxe grande parte do interesse turístico recente. Mas quem fica só nisso, sai do país sem conhecer boa parte do que faz da Coréia do Sul um destino tão completo.

Minha Experiência Visitando o País em 2025

Visitei a Coréia do Sul em 2025 e posso confirmar, com base no que vi de perto, boa parte do que os números e as reportagens descrevem. Alguns pontos me marcaram de um jeito que vale a pena registrar.

A limpeza das cidades impressiona de verdade. Não é só uma questão de “estar limpo”, é uma organização urbana que parece funcionar de forma quase automática. Ruas, metrô, banheiros públicos, tudo extremamente cuidado, mesmo em áreas de grande movimento como Myeongdong ou Gangnam. Dá para andar horas pela cidade sem ver lixo acumulado ou qualquer sinal de descuido urbano.

A educação e a timidez do povo sul-coreano também chamam bastante atenção. As pessoas são extremamente educadas, mas ao mesmo tempo reservadas, principalmente com estrangeiros. Não existe aquela abordagem espontânea que a gente vê em outros países latinos, por exemplo. É um comportamento mais contido, respeitoso, quase discreto. No início pode parecer frieza, mas depois você entende que é apenas um jeito cultural diferente de se relacionar.

E, apesar dessa timidez inicial, tive algumas situações durante a viagem que me surpreenderam de um jeito muito bom. Em mais de uma ocasião, coreanos se aproximaram espontaneamente perguntando se eu precisava de ajuda, geralmente quando percebiam que eu estava um pouco perdido tentando entender uma placa do metrô ou o funcionamento de alguma máquina de bilhete. Explicavam com calma, às vezes até me acompanhando até a plataforma certa, mesmo com a barreira do idioma. Foi um gesto simples, mas que mostrou uma gentileza genuína por trás daquela timidez aparente, algo que ficou marcado como uma das melhores lembranças da viagem.

Até hoje, é o país mais tecnológico que já visitei. Isso vai muito além dos prédios modernos ou dos gadgets nas lojas. É a tecnologia integrada ao dia a dia: sistemas de transporte público extremamente eficientes, pagamentos digitais em praticamente qualquer lugar, telas interativas em pontos turísticos, iluminação urbana inteligente. A sensação é de estar caminhando por uma cidade do futuro, mesmo em bairros mais tradicionais.

A vida noturna nas grandes cidades, especialmente em Seul e Busan, é agitada de um jeito surpreendente. Bares, restaurantes e ruas de entretenimento funcionam até tarde, com um movimento constante de gente jovem e turistas circulando pelas madrugadas. Em Busan, a região perto da praia de Haeundae tem um clima totalmente diferente do resto do país, mais solto e voltado para o turismo internacional.

E, por fim, o país preserva muito bem suas heranças históricas e culturais, mesmo estando cercado por tanta modernidade. Os palácios de Seul, como o Gyeongbokgung, são mantidos com extremo cuidado e continuam recebendo visitantes vestidos com hanbok, o traje tradicional coreano, criando um contraste interessante entre passado e presente. Templos budistas espalhados pelo país também mantêm suas cerimônias e rituais originais, sem se transformarem apenas em atrações turísticas esvaziadas de sentido.

Um detalhe que impressiona qualquer estrangeiro é o nível de segurança do país, tanto de dia quanto de madrugada. Em Seul e Busan, é comum ver pessoas caminhando sozinhas às três ou quatro da manhã, celulares em cima de mesas de café enquanto o dono vai ao banheiro, bicicletas estacionadas sem cadeado. Não é falta de cuidado, é reflexo de uma cultura onde o crime contra o visitante praticamente não existe. Andei por ruas escuras e becos estreitos durante a madrugada em Seul sem sentir o mínimo desconforto, algo bem diferente da vigilância constante que a gente costuma manter em outras grandes cidades pelo mundo. Essa sensação de segurança acaba sendo um dos fatores que mais pesam na hora de recomendar o país para quem viaja sozinho ou em grupos pequenos.

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Um Destino que Une Passado, Presente e Futuro

O que torna a Coréia do Sul tão especial, no fim das contas, é justamente essa combinação difícil de encontrar em outros lugares: tecnologia de ponta convivendo lado a lado com tradições centenárias, cultura pop conquistando o mundo sem apagar a identidade histórica do país.

Os números do turismo comprovam essa força. Mas quem visita de verdade percebe que vai muito além de estatística. É a sensação de estar em um país organizado, seguro, culturalmente rico e tecnologicamente avançado, tudo isso em um único lugar.

Se a tendência de crescimento continuar como nos últimos anos, é bem provável que a Coréia do Sul continue entre os destinos mais procurados da Ásia, senão do mundo, pelos próximos anos.

Uma Estrutura Turística de Primeiro Mundo

Outro ponto que impressiona qualquer visitante é a qualidade da estrutura turística do país. Não é apenas limpeza ou tecnologia isoladas, é um conjunto de fatores que funcionam de forma integrada e que fazem toda a diferença na experiência de quem viaja.

O sistema de transporte público é, sem dúvida, um dos melhores que já experimentei em qualquer lugar do mundo. O metrô de Seul é gigantesco, com linhas que cobrem praticamente toda a região metropolitana, sinalização em coreano, inglês, chinês e japonês, e um sistema de bilhetagem simples de entender mesmo para quem está visitando o país por poucos dias. Os trens são pontuais, limpos e frequentes, chegando a intervalos de poucos minutos mesmo fora dos horários de pico.

O aeroporto Internacional de Incheon, principal porta de entrada do país, é constantemente eleito um dos melhores aeroportos do mundo em rankings internacionais. Tem estrutura completa para conexões, áreas de descanso, lojas duty free bem organizadas e um processo de imigração relativamente rápido, mesmo com o volume enorme de passageiros que passam por ali diariamente.

A sinalização turística em geral é outro ponto forte. Placas bilíngues, aplicativos oficiais de turismo bem desenvolvidos, mapas digitais interativos em pontos estratégicos das cidades e informações turísticas disponíveis até em quiosques físicos espalhados por áreas de grande fluxo. Para quem não fala coreano, isso facilita muito a locomoção e reduz a sensação de estar perdido em um país de idioma tão diferente do nosso.

A rede hoteleira também acompanha esse padrão elevado. Existem opções para todos os perfis de viajante, desde hostels simples e bem localizados até hotéis de luxo internacional, mas mesmo nas categorias mais econômicas, a qualidade do serviço e a limpeza costumam ser bem superiores à média que encontramos em outros destinos com preços parecidos.

Wi-fi gratuito e de qualidade está disponível em praticamente toda parte, desde estações de metrô até parques públicos e praças centrais. Isso, somado à alta cobertura de sinal de celular em qualquer canto do país, faz com que o turista nunca fique realmente “desconectado”, o que hoje em dia facilita bastante desde a tradução de idiomas até a localização em tempo real.

Some tudo isso à segurança já mencionada, à limpeza impecável das ruas e à eficiência dos serviços públicos em geral, e fica fácil entender por que a Coréia do Sul consegue receber um volume tão grande de turistas sem parecer sobrecarregada ou desorganizada. É uma estrutura pensada nos mínimos detalhes, do tipo que só encontramos em países que investiram de forma consistente e por décadas na experiência do visitante.

Jornada Mundial da Juventude 2027: Mais um Motivo para Visitar o País

E se tudo isso já não fosse suficiente motivo para colocar a Coréia do Sul no roteiro, existe um evento gigantesco se aproximando que vai atrair jovens do mundo inteiro para o país: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2027, que vai acontecer em Seul entre os dias 3 e 8 de agosto de 2027, sob a liderança do Papa Leão XIV.

Essa será a 42ª edição do evento e a primeira vez que a JMJ acontece na Ásia desde 1995, quando foi realizada em Manila, nas Filipinas. O tema escolhido, “Tende coragem: eu venci o mundo”, já começou a mobilizar a organização local, que está preparando toda a estrutura de hospedagem, transporte, segurança e assistência médica para receber jovens peregrinos de praticamente todos os continentes.

Antes do evento principal em Seul, os participantes estrangeiros serão recebidos em 15 dioceses espalhadas pelo país entre os dias 29 de julho e 2 de agosto de 2027, numa espécie de fase de acolhimento que antecede os atos centrais na capital. É uma logística parecida com a que vimos em edições anteriores, como Lisboa 2023, mas em um contexto completamente diferente, misturando fé católica com a cultura asiática e toda a infraestrutura tecnológica que a Coréia do Sul já oferece.

Vale lembrar que o cristianismo tem crescido de forma consistente no país nas últimas décadas. Hoje, cerca de 29% da população sul-coreana se declara cristã, sendo aproximadamente 11% católica, um salto enorme se comparado ao início do século 20, quando os cristãos representavam menos de 1% da população local.

Para os brasileiros, esse evento é uma oportunidade e tanto. Além de vivenciar um momento histórico de fé em solo asiático, é a chance perfeita de conhecer de perto tudo que descrevi neste artigo: a limpeza impressionante das cidades, a tecnologia presente em cada detalhe, a segurança que permite andar tranquilo a qualquer hora, e claro, essa mistura única entre tradição milenar e modernidade que só a Coréia do Sul consegue entregar dessa forma. Quem já estava pensando em visitar o país, agora tem um motivo extra e com data marcada.

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