7 Dias de Viagem em Paris Para Casal
Paris em maio entrega o melhor da cidade sem o sufoco do verão. Sete dias bem desenhados para um casal aproveitar cada bairro no ritmo certo, com mesa boa, caminhadas longas e nenhum minuto perdido no metrô atravessando a cidade sem necessidade.

Antes de mais nada: por que maio muda tudo
Maio em Paris é aquele mês em que a cidade acorda de vez. Temperaturas entre 11°C e 22°C, as castanheiras dos boulevards estão cheias de copa, os jardins explodem de cor e a luz do fim de tarde se estica até quase dez da noite. Dá para sentar na beira do Canal Saint-Martin com um vinho às oito da noite e ainda estar claro. Essa é a grande vantagem prática: você ganha horas extras de cidade todo dia.
Mas maio também tem suas particularidades. Os feriados franceses caem em penca nesse mês: 1º de maio (Dia do Trabalho), 8 de maio (Dia da Vitória) e, dependendo do ano, a quinta-feira da Ascensão e o Pentecostes. Museus podem fechar, o comércio reduz horário, e alguns restaurantes simplesmente não abrem. Vale conferir as datas exatas do seu ano de viagem antes de bater o martelo em qualquer reserva. Por outro lado, maio ainda não é alta temporada. As multidões de julho e agosto ainda não chegaram, e os preços de hotel ainda não dispararam.
Onde ficar: a decisão que define a viagem
Fuja dos hotéis colados na Torre Eiffel e na Champs-Élysées. São bairros lindos de passar uma tarde, mas morrem à noite e cobram caro pelo endereço. Para uma semana de verdade, recomendo dois bairros.
O 11º arrondissement, especialmente perto da Praça da Bastilha ou da Rue Oberkampf, é onde a Paris real acontece. Bistrôs excelentes, vida noturna vibrante sem ser turística, feiras de rua, padarias de bairro que não cobram 8 euros num croissant. É jovem, é autêntico, e você vai ouvir francês nas mesas ao lado, o que já diz tudo. Um hotel 3 estrelas confortável por aqui gira em torno de €150 a €200 a diária para o casal em maio. Dá algo como R$900 a R$1.200 por noite.
A segunda opção é Le Marais (3º e 4º arrondissements), que já é mais conhecido, mas por bons motivos. Ruas medievais, galerias de arte, lojas interessantes, o Marché des Enfants Rouges para almoçar, e uma localização que te coloca a pé de quase metade do roteiro. O preço sobe um pouco: €180 a €280 a diária. A economia aqui está em pegar um apart-hotel com cozinha pequena e fazer café da manhã e uma ou duas jantas no quarto.
Dia 1: Chegada, respiro e Montmartre sem pressa
A primeira regra de ouro: não tente enfiar museu no dia da chegada. Você vai estar cansado do voo, do fuso, do deslocamento até o hotel. O corpo pede ar livre e ritmo lento.
Guarde as malas e suba para Montmartre. Mas não faça o caminho óbvio da Place du Tertre, aquela praça abarrotada de pintores cobrando 50 euros por um retrato de cinco minutos. Em vez disso, pegue o metrô até Lamarck-Caulaincourt (linha 12) e suba a pé pela Rue Lepic. Você passa pelo Café des Deux Moulins, onde o filme Amélie Poulain foi filmado, e sobe por ruazinhas laterais onde a coisa ainda respira. A Place Dalida, com a estátua da cantora, já vale a pausa.
Continue subindo até a Sacré-Cœur, mas entre na basílica pela lateral, não pela escadaria principal. A vista do alto é inegável, mas o que realmente vale em Montmartre é perder-se pelas ruelas atrás da igreja. A Rue de l’Abreuvoir, a Rue des Saules, a pequena vinha do Clos Montmartre, que ninguém visita e é um pedacinho de campo no meio do 18º arrondissement.
Para o almoço, Bouillon Pigalle, no Boulevard de Clichy. Não é segredo nenhum, mas é um clássico acessível com pratos franceses honestos por €6 a €12. O espaço é grande, então a fila anda rápido.
À tarde, se o corpo aguentar, caminhe até o Musée de Montmartre, um museu pequeno e charmoso que conta a história do bairro boêmio. O jardim nos fundos, com vista para a vinha, é parada obrigatória para um café.
Jantar no Bistrot des Dames, na Rue des Dames, já descendo para o lado do 17º. Cozinha francesa de bistrô sem firulas, frequentado por locais, terraço nos fundos que é um achado em maio.
Plano B para chuva: Troque Montmartre pelo Musée d’Orsay. Fica na margem esquerda do Sena, abriga a melhor coleção de impressionistas do mundo dentro de uma antiga estação de trem, e o café do quinto andar tem um relógio gigante com vista para Montmartre. Poético e coberto.
Dia 2: O Louvre que importa, Palais-Royal e o Sena ao entardecer
Acorde cedo, mas sem neurose. O Louvre abre às 9h. Se você chegar às 9h30, já está bom. A entrada pela Pirâmide é a mais famosa, mas a entrada pelo Carrousel du Louvre, o shopping subterrâneo, costuma ter menos fila.
Agora, sejamos honestos: ninguém vê o Louvre inteiro. A coleção tem mais de 35 mil peças expostas. Gastar seis horas ali dentro é garantia de cansaço, fome e briga de casal. Minha estratégia é focada em três asas, no máximo: a Vitória de Samotrácia, a Mona Lisa (rápido, sem ilusão, é pequena e sempre tem multidão), e a ala Richelieu, menos visitada, onde estão os apartamentos de Napoleão III e o pátio coberto de esculturas. Em duas horas você viu o essencial e ainda tem energia para o resto do dia.
Na saída, atravesse a Rue de Rivoli e entre nos jardins do Palais-Royal. As colunas de Buren, as arcadas com lojas discretas, os bancos sob as tílias. É um oásis a 200 metros do Louvre que quase ninguém explora direito. Almoce no Café Kitsuné, nos jardins, ou no restaurante do jardim, o Le Grand Véfour, se quiser uma experiência gastronômica de peso. Para algo mais simples, o mercado coberto da Rue Montorgueil está a dez minutos a pé e tem queijos, pães, ostras e vinho para um piquenique indoor.
À tarde, caminhe até a Île de la Cité. A Sainte-Chapelle é imperdível, mas reserve ingresso com horário marcado. Os vitrais são de cair o queixo, especialmente num dia de sol. Saia de lá e caminhe até a Pont Saint-Louis, a pequena ponte que liga a Île de la Cité à Île Saint-Louis. Tome um sorvete na Berthillon, a sorveteria mais tradicional de Paris, sem pressa.
Jantar no Le Trumilou, na beira do Sena, perto do Hôtel de Ville. Cozinha francesa clássica, pato confitado impecável, preço justo, e mesas na calçada com vista para o rio. Depois, caminhe pela margem até a Pont Marie e veja o Sena iluminado. É o tipo de noite que você não planeja e vira memória.
Plano B para chuva: Substitua o Palais-Royal e os jardins pelo Musée de l’Orangerie, no Jardin des Tuileries. As Nymphéas de Monet ocupam duas salas ovais inteiras e a experiência é hipnótica. Depois, almoce no Angelina, na Rue de Rivoli, famoso pelo chocolate quente, e siga para a Sainte-Chapelle, que funciona tão bem com chuva quanto com sol.
Dia 3: Le Marais, Île Saint-Louis e Quartier Latin sem roteiro
Hoje o dia começa no Marché des Enfants Rouges, na Rue de Bretagne, no coração do Marais. É o mercado coberto mais antigo de Paris, de 1615, e hoje funciona como uma praça de alimentação ao ar livre com barracas de comida marroquina, japonesa, italiana e francesa. Chegue cedo, peça um couscous ou um sanduíche e coma nos bancos comunitários.
Do mercado, saia caminhando sem direção pelo Marais. A Rue des Rosiers, o coração judaico do bairro, tem os melhores falafel de Paris no L’As du Fallafel. A Place des Vosges, a praça mais antiga da cidade, é perfeita para sentar na grama e descansar as pernas. As galerias ao redor abrigam lojas de arte e o Café Hugo, um bom ponto para um espresso.
Perto dali, a Rue Crémieux, uma rua de pedestres com casas coloridas que parece saída de um vilarejo italiano. É um desses cantos que turista nenhum conhece, mas que rende fotos lindas e zero multidão.
Atravesse a Pont de Sully para a Île Saint-Louis. É a ilha mais charmosa de Paris, menor e mais residencial que a Île de la Cité. Caminhe pela Rue Saint-Louis en l’Île, a rua principal, cheia de lojinhas e galerias. A sorveteria Berthillon merece uma segunda visita.
No fim da tarde, cruze para o Quartier Latin. A Rue Mouffetard, uma das ruas de mercado mais antigas de Paris, é o lugar certo para um aperitivo. O Bar à Vins, na Place de la Contrescarpe, é simples e honesto. Jante no Le Pré Verre, na Rue Thénard, um bistrô moderno com menu a €35 que vale cada centavo.
Plano B para chuva: Troque os mercados e caminhadas pelo Musée Carnavalet, no Marais, dedicado à história de Paris. É gratuito, belíssimo, e os jardins internos são um refúgio. Depois, Musée de Cluny, no Quartier Latin, que abriga as tapeçarias medievais da Dama e o Unicórnio. Ambos cobertos e fascinantes.
Dia 4: Versailles, mas com inteligência
Versailles merece um dia inteiro e merece planejamento. O castelo abre às 9h, e o ideal é pegar o primeiro trem da manhã: RER C, direção Versailles-Château Rive Gauche. O bilhete custa cerca de €8 ida e volta por pessoa, e a viagem leva 40 minutos.
Sobre ingressos: compre o Passaporte com horário marcado no site oficial com antecedência de pelo menos duas semanas. Em maio, os horários da manhã esgotam rápido. O passe custa em torno de €28 por pessoa e dá acesso a tudo: palácio, Trianon e jardins.
Dentro do palácio, a Galeria dos Espelhos é o auge. Mas o segredo de Versailles está nos jardins. São 800 hectares desenhados por André Le Nôtre que pouca gente explora de verdade. Alugue um barquinho a remo no Grand Canal, caminhe até o Petit Trianon e o Hameau de la Reine, a vila campestre que Maria Antonieta construiu para brincar de camponesa. É a parte mais autêntica de Versailles e a mais vazia.
Para o almoço, leve pão, queijo, patê e frutas de Paris e faça um piquenique nos jardins. Comer nos restaurantes de Versailles é caro e frustrante. O piquenique nos gramados do Grand Canal, vendo os barcos e os cisnes, é infinitamente melhor.
Volte para Paris no fim da tarde. Se sobrar fôlego, um drinque no Bar Hemingway, dentro do Hotel Ritz, na Place Vendôme. É caro (um coquetel gira em torno de €30), mas é uma experiência: o bar onde o próprio Hemingway bebia, pequeno, com apenas 25 lugares, paredes forradas de livros e fotografias.
Plano B para chuva: Versailles com chuva perde metade da graça, porque os jardins são o grande atrativo. Se a previsão for de tempo fechado, adie Versailles e faça o Museu do Louvre no lugar (se ainda não fez) ou o Centre Pompidou, no Marais, dedicado à arte moderna e contemporânea. O terraço do 5º andar tem uma vista panorâmica espetacular da cidade, mesmo com chuva.
Dia 5: Torre Eiffel do melhor ângulo, 7º arrondissement e um crepúsculo inesquecível
Chegou o dia da Torre Eiffel. Mas não da forma que você imagina.
De manhã cedo, vá direto ao Trocadéro. É dali que se tem a melhor vista da torre, não de baixo dela. A praça fica lotada ao meio-dia, então quanto antes, melhor. Desça os jardins do Trocadéro até a torre. Se quiser subir, compre ingresso com antecedência absurda: pelo menos um mês. O segundo andar já basta. O topo é caro, lotado e a espera pode levar duas horas. O segundo andar oferece uma vista mais interessante porque você ainda vê a cidade, não apenas um borrão distante.
Mas a melhor experiência com a Torre Eiffel acontece longe dela. Caminhe até a Rue Cler, uma rua de mercado no 7º arrondissement. É turística, sim, mas ainda tem personalidade. Compre queijos na Fromagerie, pães na boulangerie, frutas e um vinho. Depois vá para o Champ de Mars, o grande parque aos pés da torre. Sente na grama e monte seu piquenique. Em maio, o gramado está verde, as árvores estão cheias de folhas, e você tem a torre como pano de fundo sem pagar nada por isso.
À tarde, explore o 7º arrondissement. O Musée Rodin, instalado no Hôtel Biron, uma mansão do século XVIII, é um dos museus mais subestimados de Paris. As esculturas no jardim, incluindo O Pensador, são expostas ao ar livre entre rosas e buxos. A entrada custa em torno de €13 por pessoa.
Jantar no Le Florimond, na Avenue de La Motte-Picquet. Um bistrô pequeno, familiar, com menu que muda toda semana e um coulis de legumes recheado que virou lenda local. Reserva obrigatória.
Depois do jantar, volte ao Trocadéro para ver a torre acender. A cada hora cheia depois do anoitecer, as luzes cintilam por cinco minutos. É brega? Talvez. Mas você vai achar lindo. Todo mundo acha.
Plano B para chuva: Substitua o piquenique pelo Musée du Quai Branly, o museu das artes e civilizações da África, Ásia, Oceania e Américas, que fica literalmente ao lado da torre. O jardim vertical de Patrick Blanc na fachada já vale a visita. Almoce no Café Branly, dentro do museu, e depois siga para o Musée Rodin, que funciona bem em dia chuvoso porque parte da coleção está no interior da mansão.
Dia 6: Canal Saint-Martin, Belleville e o segredo mais bem guardado de Paris
Este é o dia que separa o turista do viajante.
Comece no Canal Saint-Martin, no 10º arrondissement. A vizinhança é jovem, descolada, cheia de parisienses que fogem dos cartões postais. A caminhada ao longo do canal, passando pelas eclusas e pontes de ferro, é um programa simples e genuíno. Pare no Holybelly, na Rue Lucien Sampaix, para um café da manhã caprichado. Os pancakes e os ovos com bacon são impecáveis.
Do canal, suba para Belleville, o bairro mais multicultural de Paris. A Rue de Belleville é uma sucessão de mercados asiáticos, padarias tunisianas, lojas de especiarias. Almoce no Le Baratin, na Rue Jouye-Rouve, um bistrô lendário entre chefs parisienses. A cozinha é basca, o ambiente é despojado, e o menu do almoço sai por cerca de €25. Reserva não é luxo, é necessidade: o lugar é pequeno e concorrido.
Depois do almoço, suba até o Parc de Belleville. Menos conhecido que o Buttes-Chaumont, mas com uma vista panorâmica da cidade que bate de frente com a do Sacré-Cœur, só que sem multidão. É onde os locais vêm com seus filhos e cachorros no fim de semana.
E aqui vai o segredo que turista nenhum encontra: La Campagne à Paris, na Rue Irénée Blanc, no 20º arrondissement. É um conjunto de ruas de paralelepípedo com casinhas geminadas cobertas de hera, jardins floridos e um silêncio absoluto. Parece um vilarejo da Normandia encravado dentro de Paris. Você anda por ali e se pergunta como um lugar assim existe a 20 minutos de metrô do Louvre. Ninguém conhece. Nem guia, nem blog grande costuma mencionar. É a Paris escondida de verdade.
Para o jantar, volte ao canal. O Chez Prune, na Rue Beaurepaire, é um clássico do bairro, com mesas na calçada e um plat du jour sempre interessante. Depois, um drinque no Le Comptoir Général, um bar instalado num antigo estábulo à beira do canal, com decoração que mistura África colonial, plantas tropicais e uma vibe que não existe em lugar nenhum da cidade.
Plano B para chuva: Troque o canal e Belleville pelo Musée de l’Histoire de l’Immigration, na Porte Dorée, um palácio Art Déco impressionante com um aquário tropical no subsolo. Depois, almoce no Marché d’Aligre, no 12º arrondissement, um mercado coberto vibrante onde parisienses fazem compras de verdade. À tarde, visite o Cimetière du Père Lachaise. Pode soar mórbido, mas é um parque-jardim com túmulos de escritores, músicos e artistas, e o túmulo de Jim Morrison segue sendo ponto de romaria. Funciona perfeitamente com chuva: as alamedas arborizadas protegem, e a atmosfera fica até mais poética.
Dia 7: Saint-Germain-des-Prés, Jardin du Luxembourg e a última noite
Último dia pede leveza. Saint-Germain-des-Prés, na margem esquerda, é o bairro dos cafés literários, das galerias de arte e das livrarias antigas.
Tome café da manhã no Café de Flore ou no Les Deux Magots. Sim, são turísticos, e sim, são caros. Mas no último dia da viagem, tomar um café onde Sartre e Beauvoir passavam as tardes inteiras é um ritual que se permite. Um café com leite e um croissant custam cerca de €12 por pessoa nesses endereços. Se a ideia for economizar, vá ao Coutume Café, na Rue de Babylone, uma torrefação excelente a cinco minutos dali.
Depois, caminhe até a Église de Saint-Germain-des-Prés, a igreja mais antiga de Paris, do século VI. É pequena, escura, silenciosa e completamente ignorada pelos roteiros convencionais.
A manhã segue para o Jardin du Luxembourg, o parque urbano mais bonito da cidade. As cadeiras verdes de metal espalhadas ao redor do lago, as estátuas, o Palácio do Luxemburgo ao fundo, as crianças empurrando barquinhos à vela na água. É o lugar para não fazer absolutamente nada. Sente, leia, veja as pessoas passarem.
Almoce no Marché Saint-Germain, um mercado coberto com barracas de comida, peixaria e açougue. Tem opções para todos os gostos e preços bem mais honestos que os restaurantes do bairro. Uma boa pedida é o comptoir de ostras, com taças de vinho branco.
À tarde, suba até a Rue de Seine e a Rue de Buci, cheias de galerias de arte e livrarias. A Librairie des Abbesses, pequena e especializada em edições raras, é um achado. Depois, caminhe até a Pont des Arts, a ponte dos cadeados, que hoje está limpa mas segue charmosa. Cruze para o Louvre e faça uma última caminhada pelos jardins das Tulherias.
Para a última noite, reserve mesa no Frenchie, na Rue du Nil, um dos melhores bistrôs de Paris na última década. O menu degustação de cinco tempos custa cerca de €65 por pessoa, e a cozinha do chef Gregory Marchand vale cada euro. Reserve com pelo menos um mês de antecedência. Se quiser algo mais acessível, o Frenchie Bar à Vins, do outro lado da rua, não aceita reserva e serve pequenos pratos por €12 a €18.
Plano B para chuva: Substitua o Luxembourg pelo Musée d’Orsay (se ainda não visitou) ou pelo Musée Delacroix, na Rue de Fürstenberg, uma pequena joia dedicada ao pintor Eugène Delacroix, instalada no apartamento onde ele viveu. Depois, passe a tarde nas galerias cobertas da Rue de Seine e termine no Bar du Marché, na Rue de Buci, um ponto de encontro clássico do bairro.
O custo real da viagem
| Item | Valor por pessoa | Valor total (casal) |
|---|---|---|
| Passagens aéreas BH-Paris (ida e volta, com escala) | R$ 5.500 a R$ 6.500 | R$ 11.000 a R$ 13.000 |
| Hospedagem 7 noites (hotel 3 estrelas, bom bairro) | R$ 3.500 a R$ 4.500 | R$ 7.000 a R$ 9.000 |
| Alimentação (média de €80/dia para dois) | R$ 2.800 | R$ 5.600 |
| Transporte público (passe Navigo semanal + bilhetes avulsos) | R$ 250 | R$ 500 |
| Atrações (museus, Versailles, Torre Eiffel) | R$ 800 | R$ 1.600 |
| Extras (souvenirs, drinks, cafés) | R$ 1.000 | R$ 2.000 |
| Total estimado | R$ 13.850 a R$ 15.850 | R$ 27.700 a R$ 31.700 |
Os valores em euro foram convertidos a aproximadamente R$6,00. Maio de 2026 pode trazer variações cambiais importantes, então considere uma margem de 15% para cima.
Onde dá para economizar sem estragar a experiência
Hospedagem. Um apartamento alugado em plataformas como Airbnb ou um apart-hotel no 11º ou 12º arrondissement pode sair 30% mais barato que um hotel no Marais ou em Saint-Germain. Com cozinha, você economiza no café da manhã (um croissant e um café na padaria custam €3; no hotel, €15) e em algumas jantas.
Alimentação. Paris tem uma cultura de bistrôs com menu de almoço a preço fixo. O formule midi, como chamam, sai entre €18 e €25 para entrada, prato e sobremesa. É a mesma cozinha do jantar pela metade do preço. Faça a refeição principal no almoço e à noite coma algo leve: um prato de queijos, pão, vinho e frutas no quarto ou num parque.
Transporte. O metrô de Paris é excelente e cobre tudo. Compre um carnet de 10 bilhetes (cerca de €17) em vez de bilhetes avulsos. Se a viagem cobrir uma segunda-feira, o passe Navigo Semaine compensa: €30 por pessoa para viagens ilimitadas de segunda a domingo, incluindo o RER para Versailles.
Atrações. O Paris Museum Pass de 4 dias custa cerca de €80 e cobre mais de 50 museus e monumentos. Se você visitar o Louvre (€22), Versailles (€28), Sainte-Chapelle (€12), Musée d’Orsay (€16) e o Arco do Triunfo (€13), o passe se paga sozinho. Além disso, você pula filas em vários lugares.
Onde as pessoas sempre gastam mais do que imaginam
Refeições com Torre Eiffel ou Champs-Élysées na calçada. Um café com leite num bistrô com vista para a torre custa €9. O mesmo café três ruas atrás, €2,50. A regra é simples: quanto mais próximo do monumento, mais inflacionado o preço.
Táxi do aeroporto. Um táxi do Charles de Gaulle até o centro custa entre €55 e €65. O RER B, o trem expresso, custa €11,40 por pessoa e leva o mesmo tempo. Só vale pegar táxi se você estiver com malas enormes ou chegando de madrugada.
Gorjetas embutidas. Na França, o serviço já está incluído no preço (a linha “service compris” no cardápio). Deixar troco extra é um gesto simpático, mas não obrigatório. Muitos turistas deixam 15-20% por hábito americano, jogando dinheiro fora sem perceber.
Água. Em qualquer restaurante, você pode pedir “une carafe d’eau” e receber água da torneira, gratuita e perfeitamente potável. Pedir água engarrafada é desnecessário e caro.
Mala de maio: o que levar
Maio em Paris pede camadas. De manhã, 11°C. À tarde, pode bater 22°C. E nove dias de chuva no mês, em média. A estratégia é vestir-se em camadas removíveis.
Bagagem de mão (carry-on)
| Categoria | Itens |
|---|---|
| Roupas de cima | 3 camisetas de algodão neutras, 2 blusas de manga longa leves, 1 camisa social ou blusa elegante para jantares |
| Roupas de baixo | 1 calça jeans escura confortável, 1 calça de sarja ou alfaiataria leve, 1 calça mais casual |
| Agasalhos de camada | 1 cardigã ou suéter de lã fina, 1 jaqueta corta-vento impermeável (a peça mais importante da mala) |
| Calçados | 1 tênis confortável já amaciado (vai andar 15 mil passos por dia), 1 sapato elegante e confortável para a noite |
| Acessórios | 1 cachecol ou echarpe de tecido leve (protege do vento e melhora qualquer roupa), 1 guarda-chuva compacto |
| Higiene e saúde | Protetor solar FPS 30 (sim, mesmo em Paris), hidratante labial, analgésico, antialérgico, band-aid (bolhas são reais) |
| Eletrônicos | Adaptador de tomada tipo C/E europeu, power bank, cabo USB, fone de ouvido |
| Documentos | Passaporte, reservas impressas e digitais, seguro viagem, uma cópia física do passaporte guardada separada do original |
Bagagem despachada
| Categoria | Itens |
|---|---|
| Roupas extras | 2 camisetas, 1 blusa de frio mais encorpada, 1 calça reserva, pijama |
| Roupa íntima | 7 pares de meia (ao menos 2 delas de algodão grosso para os dias de caminhada mais longa), 7 peças íntimas |
| Calçado extra | 1 par reserva (se um molhar na chuva, você agradece) |
| Cuidados | Necessaire completa com itens em frascos pequenos, um mini kit de costura, um saco impermeável para roupa suja ou molhada |
| Para trazer | Um espaço vazio para os queijos, vinhos e souvenirs que você inevitavelmente vai comprar |
Uma observação sincera: a maioria dos hotéis e apartamentos em Paris tem secador de cabelo. Não desperdice espaço e peso na mala com isso.
Pequenas coisas que fazem diferença
Compre ingressos online para absolutamente tudo que tiver fila. Louvre, Versailles, Sainte-Chapelle, Torre Eiffel, Musée d’Orsay. As filas físicas em maio já são moderadas. Sem ingresso comprado, você pode perder uma hora ou mais em cada atração só para entrar.
Aprenda quatro frases em francês: “Bonjour” (bom dia), “Merci” (obrigado), “S’il vous plaît” (por favor) e “L’addition, s’il vous plaît” (a conta, por favor). Parisiense não é antipático. Parisiense é formal. Entrar numa loja sem dizer “Bonjour” é considerado rude. Dizer “Bonjour” ao entrar e “Merci, au revoir” ao sair muda completamente a forma como você é tratado.
Não tente fazer tudo. Paris não se esgota em sete dias, nem em sete meses, nem em sete anos. A cidade recompensa quem desacelera. Um banco no Jardin du Luxembourg, um vinho na beira do canal, uma rua desconhecida que você entrou por curiosidade. É ali que a viagem acontece de verdade.