10 Dias de Viagem em Londres Para Casal em Setembro
Setembro é provavelmente a melhor época para conhecer Londres, e vou te explicar exatamente como aproveitar cada dia sem cair nas ciladas de sempre.

Deixa eu começar sendo honesto com você sobre uma coisa: Londres em setembro é um presente. O verão europeu já esvaziou as filas absurdas de julho e agosto, as crianças voltaram pra escola, e o clima fica naquele ponto raro de agradável, entre 12 e 20 graus, com dias ainda longos no começo do mês. Mas chove. Chove de repente, chove sem avisar, e depois abre o sol como se nada tivesse acontecido. Quem viaja pra Londres achando que vai ter dez dias de céu azul se decepciona. Quem entende que a chuva faz parte do ritmo da cidade se diverte muito mais.
Montei esse roteiro agrupando as coisas por região, porque Londres é grande e o erro clássico é atravessar a cidade quatro vezes no mesmo dia. Você vai perceber que cada dia gira em torno de dois ou três bairros vizinhos, com espaço pra respirar. Não enchi tudo. Deixei buracos de propósito, porque as melhores coisas que acontecem numa viagem raramente estavam no papel.
Antes de tudo: onde ficar
Recomendo dividir a hospedagem ou escolher uma base central bem conectada. Meu conselho de sempre para casal é ficar em Bloomsbury ou South Bank/Borough. Bloomsbury tem aquele charme de bairro literário, ruas arborizadas, perto de tudo e mais tranquilo à noite. Borough é mais vibrante, do lado do rio, com o melhor mercado de comida da cidade na esquina.
Evite Leicester Square e a região imediata de Piccadilly para dormir. É caro, barulhento e cheio de gente perdida às três da manhã.
O que usar pra se locomover
Esqueça o cartão Oyster de plástico. Hoje você simplesmente encosta o cartão de crédito por aproximação (ou o celular) na catraca do metrô e do ônibus. O sistema tem teto diário automático, então depois de um certo número de viagens no dia, para de cobrar. Simples e mais barato do que comprar bilhetes avulsos.
Uma dica que quase ninguém aproveita: os ônibus vermelhos de dois andares são o melhor city tour gratuito de Londres. Sente na frente no andar de cima. As linhas 11, 15 e 24 passam por meia cidade.
Dia 1 – Chegada e Westminster no ritmo lento
Você vai chegar cansado, provavelmente de manhã depois de um vôo noturno. Não force. Deixe as malas, tome um banho e saia para uma caminhada leve.
Vá até St. James’s Park, na minha opinião o parque mais bonito de Londres, muito mais charmoso que o Hyde Park apesar de menor. De lá você vê o Palácio de Buckingham de longe, sem precisar disputar espaço na grade com trezentas pessoas. Caminhe pela ponte do laguinho, o ângulo dali é lindo.
Almoce leve e depois desça a pé até o rio para ver o Big Ben e o Parliament do outro lado, atravessando a Westminster Bridge no fim da tarde, quando a luz fica dourada.
À noite, jante num pub de verdade. O The Speaker ou o St. Stephen’s Tavern funcionam bem, mas se quiser algo com mais alma, pegue um táxi curto até o The Harp, em Covent Garden, um dos pubs mais premiados da cidade e frequentado por gente local.
Plano B (chuva): troque o parque pela National Gallery, entrada gratuita, e fique horas ali sem pressa. É perto de tudo.
Dia 2 – South Bank, Borough e o rio
Comece o dia no Borough Market cedo, antes das onze, quando ainda dá pra circular. Café na Monmouth Coffee ali do lado, que é onde os londrinos sérios sobre café realmente vão. Prove o queijo grelhado do Kappacasein, o brownie da Bread Ahead.
Depois caminhe pela margem do rio em direção ao Tate Modern, museu de arte moderna, gratuito, dentro de uma antiga usina elétrica. Suba até o mirante do último andar, poucos sabem que ele existe e a vista do rio é de graça.
Atravesse a Millennium Bridge até a Catedral de St. Paul. Você pode só admirar por fora, ou pagar pra subir na cúpula se as pernas aguentarem.
À noite, volte pra South Bank. Tem sempre algo acontecendo no Southbank Centre, música, feira de livros usados debaixo da ponte Waterloo. Jante no Padella, massa fresca, sem reserva, chega antes das 18h ou depois das 21h pra fugir da fila.
Plano B (chuva): os museus já cobrem boa parte do dia. Se o mercado estiver impossível, refugie-se no Tate Modern e estenda a visita.
Dia 3 – A coisa que os turistas não acham
Reservei esse dia pra você conhecer o Leadenhall Market e a City num domingo ou dia calmo. Mas o segredo de verdade é este: o Sky Garden.
É um jardim tropical no topo de um arranha-céu, com vista de 360 graus de Londres, e a entrada é gratuita. A maioria dos turistas paga fortunas no The Shard sem saber que o Sky Garden oferece uma vista comparável de graça. Só precisa reservar online com antecedência, os horários abrem umas três semanas antes. Marque o café da manhã ou o fim de tarde lá.
Depois explore os becos escondidos da City, o Leadenhall Market vitoriano (cenário do Beco Diagonal em Harry Potter), quase vazio nos fins de semana. Caminhe até as ruínas do muro romano perto de Tower Hill, pedaços de Londres de dois mil anos que quase ninguém para pra ver.
À noite, atravesse pro lado de Shoreditch, o bairro mais descolado da cidade. Jante na Brick Lane um curry (a rua inteira é de restaurantes indianos e bengaleses) e termine num bar de coquetéis escondido.
Plano B (chuva): o Sky Garden funciona sob qualquer clima, e a vista com nuvens dramáticas é até melhor. Substitua a caminhada externa pelo Museum of London Docklands.
Dia 4 – Museus de South Kensington e Notting Hill
Manhã nos museus gratuitos de South Kensington. Escolha um, não tente fazer os três. O Natural History Museum tem a fachada mais linda e é ótimo pra casal, o V&A (design e moda) é meu favorito pessoal e costuma ser o mais subestimado.
Almoce e pegue o metrô até Notting Hill. Caminhe pelas ruas de casas coloridas, muito mais bonitas ao vivo que nas fotos. Se for sábado, o Portobello Market está a pleno vapor, mas vá cedo.
Fim de tarde no Hyde Park ou nos Kensington Gardens, alugue uma daquelas espreguiçadeiras à beira do lago Serpentine e não faça nada. Isso é parte do plano.
À noite, jante em Notting Hill mesmo. O The Cow, gastropub honesto, é ótimo.
Plano B (chuva): os museus enchem o dia inteiro sem problema. Notting Hill fica pra outro momento.
Dia 5 – Passeio de bote e Camden
Pegue o dia com mais calma. De manhã, faça o passeio de barco pelo Regent’s Canal, entre Little Venice e Camden. Poucos turistas fazem isso e é uma Londres completamente diferente, casas flutuantes, patos, silêncio, o zoológico visto de dentro.
Desembarque em Camden. O mercado é caótico e turístico, admito, mas a comida de rua ali é boa e barata, e o clima vale a passada. Coma de tudo um pouco no Camden Market.
À tarde, suba a Primrose Hill, um morro com a melhor vista panorâmica gratuita do skyline de Londres. É onde os londrinos levam vinho ao pôr do sol. Leve o seu.
Plano B (chuva): pule o barco e vá direto de metrô a Camden, os corredores do mercado são cobertos. Primrose Hill fica para outro dia de sol.
Dia 6 – Bate e volta: escolha uma
Depois de cinco dias intensos, saia da cidade. Minhas recomendações honestas:
| Destino | Tempo de trem | Por que ir |
|---|---|---|
| Oxford | 1h | Faculdades antigas, clima acadêmico, andável a pé |
| Bath | 1h30 | Termas romanas, arquitetura georgiana linda |
| Cambridge | 1h | Passeio de punt no rio, mais bucólica que Oxford |
| Rye/Costa | 1h30 | Vilarejo medieval, quase nenhum brasileiro conhece |
Meu voto pra casal é Bath. É compacta, romântica e dá pra fazer tudo a pé. Compre a passagem de trem com antecedência online, muda tudo no preço.
Plano B (chuva): Bath e Oxford funcionam na chuva porque as atrações principais são internas. Se o trem falhar, transforme no dia da Torre de Londres, que estava no dia 7.
Dia 7 – Tower of London e East End
Manhã na Tower of London, uma das poucas atrações pagas que valem cada centavo. Chegue na abertura, faça o tour com os Beefeaters, veja as Joias da Coroa antes da multidão.
Caminhe pela Tower Bridge (a ponte de verdade, que muita gente confunde com a London Bridge, que é feiosa e sem graça ali do lado).
Almoce e explore Spitalfields, mercado coberto vitoriano, e as ruas de arte de rua ao redor de Shoreditch. Tem Banksy escondido por ali.
À noite, jante numa cervejaria artesanal da região, o cenário de bares em Shoreditch e Hoxton é dos melhores da cidade.
Plano B (chuva): a Torre tem bastante área coberta. Spitalfields também. Foque nos ambientes internos.
Dia 8 – Greenwich e o tempo do mundo
Pegue o Uber Boat (barco pelo Tâmisa) até Greenwich. Só o trajeto de barco já é um dos melhores programas de Londres, e usa o mesmo cartão de crédito por aproximação.
Em Greenwich, pise na linha do meridiano zero no Royal Observatory, veja o Cutty Sark, caminhe pelo parque e almoce no Greenwich Market, coberto e cheio de comida boa.
A vista de Londres do alto do parque de Greenwich é de tirar o fôlego e pouca gente sobe até lá.
Volte pra cidade no fim da tarde. Noite livre, use pra voltar naquele restaurante ou bar que você descobriu sozinho e adorou.
Plano B (chuva): se o barco não estiver rodando bem, o DLR (trem automático) chega a Greenwich em 20 minutos. As atrações são cobertas.
Dia 9 – Soho, Covent Garden e teatro no West End
Dia de centro. Comece com café na Soho, o Bar Italia funciona há décadas e tem alma. Perca-se pelas ruazinhas de Soho e da Chinatown.
Covent Garden tem artistas de rua, lojas e o mercado coberto. Turístico, sim, mas encantador quando você já viu o resto da cidade.
Reserve a noite pra um musical no West End. É uma daquelas coisas que parecem clichê mas são inesquecíveis. Compre ingressos com desconto no dia na bilheteria oficial TKTS em Leicester Square, não nos vendedores de rua.
Jante antes do teatro no Dishoom de Covent Garden, comida indiana num ambiente lindo, um dos meus lugares favoritos em Londres. Chegue cedo ou aceite esperar, vale.
Plano B (chuva): dia perfeito para chuva, quase tudo é interno. Se não conseguir teatro, veja um filme no cinema histórico Prince Charles.
Dia 10 – Manhã livre e despedida
Depende do horário do vôo. Se for à tarde ou noite, use a manhã pra voltar num café que você amou, comprar aquela última lembrança, ou fazer o que ficou faltando.
Uma boa despedida: café da manhã caprichado e uma última caminhada por um parque. Londres se despede melhor devagar.
Plano B (chuva): guarde compras de última hora para um shopping coberto ou volte a um museu preferido.
Quanto isso tudo custa de verdade
Vou te dar valores realistas para um casal, em setembro de 2026, saindo do Brasil. Uso libra e converto por alto.
| Item | Custo (casal, 10 dias) | Observação |
|---|---|---|
| Vôos (ida e volta) | R$ 9.000 a R$ 14.000 | Depende muito da antecedência |
| Hospedagem | R$ 9.000 a R$ 15.000 | £150 a £250 por noite, bem localizado |
| Alimentação | R$ 6.000 a R$ 9.000 | Mistura mercado, pub e restaurante |
| Transporte local | R$ 700 a R$ 1.000 | Teto diário do cartão ajuda muito |
| Atrações pagas | R$ 1.500 a R$ 2.500 | Torre, teatro, bate e volta |
| Extras e compras | R$ 2.000 a R$ 4.000 | Colchão de segurança |
No total, algo entre R$ 28.000 e R$ 45.000 para o casal, dependendo do padrão. Dá pra fazer por menos com esforço, e pra gastar muito mais com facilidade.
Onde economizar sem estragar a viagem
A maioria dos melhores museus de Londres é gratuita. British Museum, National Gallery, Tate, V&A, Natural History. Você poderia passar dias sem gastar um centavo em cultura.
Coma no almoço em mercados e pubs, e reserve os jantares mais caros pra poucas noites especiais. O truque do teto diário no transporte já economiza sozinho. E o Sky Garden dá a você a vista do Shard de graça.
Vôos: comprar com três a cinco meses de antecedência para setembro faz uma diferença enorme.
O que costuma custar mais do que a pessoa espera
Bebida em pub é cara, uma cerveja passa fácil de £6 a £7. Táxi preto tradicional é lindo mas caríssimo, use pouco. Água em restaurante: peça “tap water”, que é de graça e potável, senão te empurram garrafa cara. E cuidado com os restaurantes turísticos de Leicester Square e Piccadilly, comida medíocre e conta salgada.
Lista de bagagem para setembro fazendo o que você vai fazer
O clima vai variar entre 12 e 20 graus, com chuva possível todo dia e vento. A palavra-chave é camadas. Você vai andar muito, então conforto nos pés é inegociável.
Bagagem de mão (leve o essencial aqui)
- Passaporte e cópia digital
- Cartões de crédito por aproximação (o principal meio de transporte)
- Celular, carregador e power bank
- Adaptador de tomada tipo G (o padrão britânico, três pinos)
- Uma muda de roupa completa (caso a mala despache atrase)
- Casaco leve impermeável ou corta-vento
- Óculos de sol (setembro ainda tem sol forte às vezes)
- Remédios de uso contínuo e um kit básico
- Guarda-chuva compacto de boa qualidade
- Fones de ouvido para o vôo
Bagagem despachada
- 2 a 3 calças ou jeans confortáveis
- Camisetas e blusas de manga longa para sobreposição
- Um ou dois suéteres finos
- Uma jaqueta mais quente para as noites
- Roupa um pouco mais elegante para o teatro e jantares
- Cachecol leve, faz mais diferença do que parece
- Tênis muito confortável já amaciado (o principal item da viagem)
- Um segundo par de sapatos, à prova d’água de preferência
- Meias em quantidade e roupa íntima
- Pijama
- Necessaire completa
- Sacola dobrável reutilizável para compras e mercado
O que não levar: guarda-chuva grande (compra um barato lá se precisar), muita roupa pesada de inverno (setembro não pede isso), secador de cabelo (todo hotel tem).
Se eu pudesse te dar um único conselho para essa viagem, seria este: não tente ver tudo. Londres não se entrega para quem corre. Ela se abre pra quem senta num banco de parque, entra num pub sem motivo, pega o ônibus errado e descobre um bairro que não estava em plano nenhum. Deixei esses espaços vazios no seu roteiro de propósito. Preencha eles do seu jeito. É aí que a viagem vira sua.