Roteiro de Viagem em Borjomi, Rabath e Vardzia Saindo de Tbilisi
Roteiro completo de três dias por Borjomi, Akhaltsikhe (Rabath) e Vardzia saindo de Tbilisi, com passeio pela floresta termal, fortaleza otomana restaurada e a cidade-caverna do século XII escavada na rocha.

A região sudoeste da Geórgia é uma das mais subestimadas do país. Quem foca a viagem em Tbilisi, Kazbegi e Kakheti acaba deixando de lado um circuito que oferece três experiências completamente distintas em poucas horas de estrada. Borjomi, com sua tradição centenária de águas termais e florestas encantadas, vira destino de relaxamento. Akhaltsikhe, com a fortaleza Rabath restaurada de forma controvertida, conta a história de um cruzamento de impérios cristãos e muçulmanos. E Vardzia, a cidade-caverna escavada numa parede vertical de rocha durante o reinado da rainha Tamar, no século XII, é um daqueles lugares que ficam guardados na memória pelo resto da vida.
Combinar os três num roteiro saindo de Tbilisi exige no mínimo dois dias com pernoite, e o ideal são três para fazer com calma. Vou organizar aqui como planejar essa viagem, com detalhes de cada parada, opções de transporte, hospedagem, gastronomia e algumas observações práticas que ajudam a evitar frustrações comuns.
Onde ficam e como se conectam
Borjomi fica a 160 km a oeste de Tbilisi, num vale fluvial cercado pelas montanhas do Cáucaso Menor. O trajeto leva cerca de 2h30 a 3h de carro pela estrada que passa por Gori e Khashuri. Akhaltsikhe está mais 50 km adiante de Borjomi, totalizando 210 km de Tbilisi, e a viagem direta da capital leva em torno de 3h30. Vardzia, por sua vez, está a mais 60 km de Akhaltsikhe, no fim da estrada que segue ao longo do rio Mtkvari em direção à fronteira com a Turquia, totalizando cerca de 270 km de Tbilisi.
A configuração geográfica facilita o roteiro. As três paradas estão na mesma direção, formando uma linha quase reta que se aprofunda no sudoeste do país. Quem sai de Tbilisi entra primeiro em Borjomi, depois em Akhaltsikhe, depois em Vardzia, e na volta percorre o mesmo caminho. Não há razão para ziguezaguear.
As opções de transporte:
Carro alugado: a forma mais prática. As estradas estão razoavelmente conservadas, e ter o próprio carro permite parar em mirantes, vilarejos e pontos de interesse pelo caminho. Aluguel sai em torno de 70 a 120 lari por dia em Tbilisi.
Marshrutka (van coletiva): vans saem do terminal Didube em Tbilisi várias vezes ao dia para Borjomi (10 a 15 lari) e Akhaltsikhe (15 a 20 lari). De Akhaltsikhe sai uma marshrutka para Vardzia, com horários menos frequentes (5 a 8 lari). Funciona, mas exige planejamento de horários e perde-se a flexibilidade.
Tour privado: motoristas de Tbilisi fazem o circuito completo em três dias por 600 a 1.000 lari, com motorista esperando entre as visitas. Boa opção para grupos de quatro pessoas que dividem o custo.
Tour em grupo: agências em Tbilisi oferecem o circuito de três dias com hospedagem incluída por 350 a 600 lari por pessoa. O ritmo é apertado, mas funciona para quem não quer organizar tudo sozinho.
Trem: existe linha ferroviária de Tbilisi a Borjomi, com saídas matinais. A viagem leva em torno de 4h, e o preço fica abaixo de 10 lari para classe econômica. De Borjomi para frente o trem não chega, e o deslocamento até Akhaltsikhe e Vardzia depende de marshrutka ou táxi.
Dia 1: Tbilisi até Borjomi
A primeira parte da viagem, no caminho entre Tbilisi e Borjomi, oferece algumas paradas que valem o pequeno desvio.
Gori e Uplistsikhe
A cidade de Gori, a 80 km de Tbilisi, ficou conhecida no mundo inteiro por uma razão polêmica. É a cidade natal de Joseph Stalin. O Museu Stalin, no centro da cidade, é um dos lugares mais incômodos e fascinantes do país. Foi construído em 1957, ainda nos anos soviéticos, como homenagem ao líder, e mantém até hoje um tom celebratório que choca visitantes ocidentais. Tem a casinha onde Stalin nasceu (transferida e protegida sob um pavilhão neoclássico), o vagão de trem blindado que ele usava em viagens pela União Soviética, objetos pessoais e fotografias de toda a vida. A entrada custa 15 lari.
A 10 km de Gori está Uplistsikhe, um complexo de cidade-caverna pré-cristã, escavada na rocha entre os séculos VI a.C. e I d.C. É uma das estruturas urbanas mais antigas do Cáucaso, com salas de banquete, templos pagãos, ruas e uma grande sala de audiências esculpida diretamente na pedra. O lugar foi habitado continuamente até o século XIII, quando os mongóis o destruíram. Comparado a Vardzia, Uplistsikhe é menor e menos espetacular, mas ajuda a entender a tradição georgiana de cidades escavadas em rocha. A entrada custa 15 lari.
Quem sai cedo de Tbilisi consegue parar nas duas atrações antes do almoço, e ainda chegar em Borjomi à tarde para começar a explorar.
Chegando em Borjomi
Borjomi é uma cidade pequena, com cerca de 10 mil habitantes, encaixada num vale estreito entre montanhas cobertas de floresta. O rio Borjomula corta a cidade ao meio, e as duas margens estão conectadas por pontes que dão a impressão de estar num resort termal centro-europeu do início do século XX. E é mais ou menos isso que a cidade é.
A história de Borjomi como destino termal começou nos anos 1820, quando soldados russos do Regimento Khersonsky descobriram fontes de água mineral gaseificada nas margens do rio. As águas tinham sabor metálico característico e propriedades curativas evidentes. A notícia chegou rápido à corte imperial. Em 1841, o governador-geral do Cáucaso enviou amostras para análise, e a corte do czar Nicolau I confirmou as virtudes da água. A cidade virou estação termal oficial do Império Russo em 1850.
O grão-duque Mikhail Romanov, irmão do czar Alexandre II, construiu sua residência de verão em Borjomi em 1862, transformando a cidade num destino aristocrático. Toda a infraestrutura urbana atual, com pavilhões neoclássicos, parques desenhados, casas de banho e estações de embotelhamento, vem dessa época imperial. No século XX, a água Borjomi virou uma das marcas mais conhecidas da União Soviética, exportada para todo o bloco. Ainda hoje é um dos produtos georgianos mais reconhecidos no exterior, junto com os vinhos.
Parque Central de Borjomi
A primeira parada para quem chega na cidade é o Parque Central, um parque arborizado que se estende ao longo do vale do rio. A entrada custa 5 lari. No fundo do parque está a fonte original de água Borjomi, com torneiras públicas onde qualquer um pode encher garrafa e provar a água diretamente da fonte.
O sabor é específico. A água é gaseificada naturalmente, mineralizada com bicarbonato de sódio, e tem gosto distintamente salgado, com notas metálicas. Não agrada a todo mundo no primeiro gole. Os locais bebem desde a infância e juram pelas propriedades digestivas. Vale a experiência, mesmo que se faça careta no primeiro contato.
O parque tem ainda um pequeno parque de diversões soviético, com brinquedos antigos restaurados, uma roda gigante com vista para o vale, e cafés ao longo das alamedas. É lugar de passear sem pressa.
Cabine telefônica funicular
Saindo do fundo do parque, há um teleférico que sobe a colina norte da cidade até um platô elevado onde funciona um pequeno parque de atrações e mirante panorâmico. Custa 5 lari ida e volta, e a vista do alto é espetacular, especialmente no fim da tarde quando o sol bate na floresta da encosta sul.
Primeiro pernoite
Borjomi tem boa oferta de hospedagem, da pousada simples ao hotel histórico. Algumas opções:
| Hospedagem | Estilo | Faixa de preço (diária) |
|---|---|---|
| Crowne Plaza Borjomi | Hotel de luxo soviético renovado | 500-1.000 lari |
| Rixos Borjomi | Resort termal moderno | 600-1.500 lari |
| Hotel Borjomi Palace | Charme histórico médio | 200-450 lari |
| Anania Guesthouse | Pousada familiar | 80-180 lari |
Para jantar, o restaurante Inka serve cozinha georgiana sólida com pratos clássicos. O Cafe Inka também é boa opção mais informal.
Dia 2: Floresta de Borjomi e seguir para Akhaltsikhe
A manhã do segundo dia é dedicada ao Parque Nacional Borjomi-Kharagauli, uma das maiores áreas protegidas da Europa, com 850 km² de floresta caucasiana preservada. Foi criado em 1995 e é um dos primeiros parques nacionais reconhecidos com padrão europeu na Geórgia.
Trilhas e piscinas naturais de Likani
A trilha mais popular para quem tem apenas algumas horas é a que leva às piscinas naturais de água sulfurosa em Likani. O percurso começa no fim da rua que sobe pelo lado oeste de Borjomi, passa pela igreja de Likani e segue por trilha florestal por cerca de 2,5 km. O caminho é leve, predominantemente em sombra de coníferas e bétulas, com o rio correndo paralelo ao percurso.
No fim da trilha estão duas pequenas piscinas naturais de água sulfurosa, escavadas na encosta, com temperatura entre 27 e 30 graus o ano inteiro. A entrada custa 5 lari. As piscinas são pequenas, comportam algumas pessoas de cada vez, e o ambiente é completamente despretensioso. Não há vestiário sofisticado, apenas cabines simples para trocar de roupa. A água tem cheiro característico de enxofre e propriedades terapêuticas reconhecidas pela tradição local.
A combinação trilha pela floresta e banho termal natural no fim é uma das experiências mais memoráveis que se pode ter em Borjomi. Reservar uma manhã inteira para o passeio é a recomendação.
Khareba Wineries em Kvareli (alternativa)
Quem não quer fazer trilha pode optar por outras atividades em Borjomi, como visitar a fábrica de embotelhamento da água mineral, fazer tour de degustação no Bag Borjomi (produtor local) ou simplesmente passar mais tempo no parque central. A cidade pede ritmo desacelerado.
Estrada para Akhaltsikhe
À tarde, partida para Akhaltsikhe, a 50 km de Borjomi. A estrada é cênica, atravessando o vale do Mtkvari (Kura), com paisagens que mudam aos poucos, do verde alpino para tons mais secos e amarelados que prenunciam a região do extremo sul.
Akhaltsikhe e a Fortaleza Rabath
A cidade de Akhaltsikhe tem cerca de 17 mil habitantes e é a capital da região de Samtskhe-Javakheti. Não é uma cidade especialmente bonita ou interessante por si mesma. O centro é funcional, com prédios soviéticos e construções dos anos 2000. O motivo de visitar é uma só estrutura. A Fortaleza Rabath.
Rabath é um complexo fortificado que ocupa toda uma colina dentro da cidade, com muralhas, torres, igrejas, mesquita, madrasa, residência do paxá, sinagoga em ruínas, museu, cafés e até um hotel funcionando dentro do perímetro histórico. A história do lugar atravessa pelo menos mil anos, com ocupações sucessivas de georgianos cristãos, otomanos muçulmanos, persas e russos.
A fortaleza original é do século IX. Foi sede do principado de Samtskhe-Saatabago durante o medievo georgiano. Em 1578 caiu para os otomanos, que dominaram a região por dois séculos e meio, transformando Rabath em centro administrativo de uma província muçulmana. O nome “Rabath” vem do árabe e significa “subúrbio fortificado”. A mesquita central, com cúpula azul, foi construída no século XVIII.
Em 1828, durante a guerra russo-turca, o exército russo conquistou Akhaltsikhe e expulsou os otomanos. A fortaleza decaiu por 180 anos. Em 2011 e 2012, sob o governo de Mikheil Saakashvili, passou por uma restauração massiva e controversa, que reconstruiu boa parte das estruturas com cimento, materiais modernos e design conjeitural. O resultado divide opiniões. Para alguns, é uma reabilitação de patrimônio que devolveu a fortaleza ao circuito turístico. Para outros, é uma reconstrução excessiva, mais Disney que arqueologia, que perdeu a autenticidade das ruínas originais.
A entrada na cidadela superior (parte mais antiga, com museu e residência do paxá) custa 7 lari. A parte inferior, com a mesquita, igreja e shopping, é de acesso gratuito. A visita completa leva de 2h a 3h. À noite, a fortaleza é iluminada e ganha aspecto cinematográfico, vale incluir um passeio depois do jantar.
Hospedagem em Akhaltsikhe
A oferta de hospedagem é menor que em Borjomi, mas funciona:
| Hospedagem | Estilo | Faixa de preço (diária) |
|---|---|---|
| Gino Wellness Rabath | Hotel dentro da fortaleza | 300-600 lari |
| Lomsia Hotel | Hotel central confortável | 180-350 lari |
| Old Rabath Hostel | Hostel para mochileiros | 50-120 lari |
| Guest House Vania | Pousada familiar simples | 70-150 lari |
Para jantar, o restaurante Roast House e o Tsiskvili servem cozinha georgiana com bom preço. Há também alguns lugares dentro do complexo Rabath, com vista privilegiada para a cidadela iluminada.
Dia 3: Vardzia, a cidade-caverna
O terceiro dia é dedicado a Vardzia, e justifica todos os deslocamentos do roteiro. A 60 km de Akhaltsikhe, a estrada segue ao longo do rio Mtkvari, atravessando uma paisagem cada vez mais árida e dramática. Em alguns trechos a estrada corta paredes verticais de rocha amarelada, com o rio correndo ao fundo do desfiladeiro. A viagem leva cerca de 1h30 de carro, com algumas paradas valiosas no caminho.
Khertvisi
A 30 km de Akhaltsikhe, a Fortaleza de Khertvisi se ergue numa colina rochosa onde dois rios se encontram, o Mtkvari e o Paravani. É uma das fortalezas mais antigas da Geórgia, com fundação atribuída ao século II a.C. e camadas construtivas que vão até o século XIV. As muralhas atuais, em pedra escura, estão razoavelmente preservadas, e a subida até o topo dá vista panorâmica do vale fluvial.
A entrada é gratuita. A visita leva cerca de 30 a 45 minutos. É boa parada para quebrar a viagem e ter uma noção da paisagem militar histórica da região, que sempre foi fronteira entre impérios.
Chegando em Vardzia
Vardzia é uma das visitas mais espetaculares e singulares da Geórgia. É um complexo monástico escavado na parede vertical do monte Erusheti, com mais de 600 cavernas distribuídas em 13 níveis, ao longo de 500 metros de extensão e 50 metros de altura. Foi construído no final do século XII, durante o reinado da rainha Tamar (1184-1213), o período áureo da história medieval da Geórgia.
A história da fundação tem versões. A mais lendária diz que Tamar, ainda criança, brincando de esconde-esconde com seu tio, gritou “Ac var, dzia!” (“estou aqui, tio!”) de uma das cavernas naturais da parede, dando origem ao nome Vardzia. A versão histórica mais sóbria atribui a fundação ao pai dela, o rei Giorgi III, em 1156, com expansão massiva durante o reinado de Tamar.
O complexo foi originalmente projetado como cidade-fortaleza. Sua função era proteger a fronteira sul do reino contra invasões mongóis e turcomanas. Tinha capacidade para abrigar até 50 mil pessoas em situações de emergência, com sistema de irrigação para vinhedos plantados na encosta, refeitórios, estábulos, biblioteca, padarias, depósitos de armas e a igreja principal de Nossa Senhora da Assunção, com afrescos do final do século XII em ótimo estado de preservação.
Em 1283, um terremoto severo destruiu boa parte da estrutura, fazendo desabar a primeira camada de cavernas que ficava encoberta pela parede natural. O que era cidade interna escondida virou complexo aberto e exposto, com cavernas visíveis de fora. Os mongóis invadiram pouco depois, e Vardzia perdeu a função militar. Continuou habitada por monges até 1551, quando os persas safávidas conquistaram a região e profanaram o lugar, queimando os afrescos da igreja principal (algumas pinturas foram salvas).
Durante o período soviético, Vardzia foi praticamente abandonada. Apenas em 1989 voltou a ter atividade monástica regular, com um pequeno grupo de monges ortodoxos que vive em algumas das cavernas até hoje.
A visita
A entrada custa 15 lari, e o ingresso permite acesso a todo o complexo aberto à visitação. A visita leva pelo menos 2h30 a 3h para ser feita sem pressa. É preciso estar em forma física razoável, porque envolve subir e descer escadas íngremes, atravessar túneis estreitos e baixos, andar por passagens com piso irregular.
O percurso típico começa na base do complexo, sobe pelos primeiros níveis, atravessa o salão central onde está a igreja principal, e segue por um sistema de túneis que conecta diferentes seções da cidade. Algumas das cavernas têm informações em placas, outras estão totalmente vazias. Em algumas seções os monges atuais barram o acesso, indicando áreas privadas de oração.
A igreja principal, conhecida como Igreja da Assunção, é o ponto alto da visita. Os afrescos do final do século XII, com retratos da rainha Tamar e do rei Giorgi III, estão entre as obras-primas da pintura medieval georgiana. O retrato de Tamar é uma das poucas representações da rainha feitas em vida, e por isso tem valor histórico imenso. As cores ainda são vivas, especialmente o azul lapis-lazuli usado nas vestes da Madonna.
Hospedagem perto de Vardzia
A maioria dos visitantes faz Vardzia como bate-volta de Akhaltsikhe. Mas há quem prefira pernoitar mais perto, em pousadas próximas ao complexo. A vila de Tmogvi, a 5 km de Vardzia, tem algumas guesthouses pequenas com diárias de 80 a 200 lari. O Vardzia Resort, na entrada do complexo, é a opção mais sofisticada, com diárias acima de 350 lari.
Pernoitar perto de Vardzia tem uma vantagem específica. É possível visitar o complexo no fim da tarde, quando os ônibus de turistas já partiram, ou bem cedo na manhã, antes da chegada das excursões de Tbilisi. Em ambos os horários, o silêncio é completo, a luz é melhor para fotografia, e a sensação de estar num lugar fora do tempo é muito mais intensa.
Volta para Tbilisi
A volta de Vardzia para Tbilisi cobre 270 km, com 4h30 a 5h de viagem direta. Quem está com tempo apertado pode fazer no mesmo dia. Quem prefere quebrar a volta pode pernoitar novamente em Borjomi ou Akhaltsikhe.
Sugestão de cronograma resumido
| Dia | Manhã | Tarde | Noite |
|---|---|---|---|
| Dia 1 | Saída Tbilisi, paradas Gori e Uplistsikhe | Chegada Borjomi, Parque Central | Pernoite Borjomi |
| Dia 2 | Trilha e termas de Likani | Estrada para Akhaltsikhe, Fortaleza Rabath | Pernoite Akhaltsikhe |
| Dia 3 | Khertvisi e Vardzia | Volta para Tbilisi | Chegada Tbilisi |
Esse roteiro de três dias é o equilíbrio que recomendo. Em dois dias dá para fazer, mas com a sensação de pular pontos. Em quatro dias dá para fazer com luxo, incluindo as termas de Sapara ou desvios secundários.
Quando ir e como se vestir
A região tem clima continental moderado, com variações importantes entre estações:
| Estação | O que esperar | Considerações |
|---|---|---|
| Inverno | Frio, neve frequente em Borjomi e Vardzia | Estradas para Vardzia podem fechar |
| Primavera | Florestas verdes, chuvas ocasionais | Boa época, mas levar capa |
| Verão | Calor moderado em Borjomi, mais quente em Vardzia | Alta temporada, mais turistas |
| Outono | Cores espetaculares na floresta de Borjomi | Melhor época para fotografia |
A janela ideal é maio, junho, setembro e início de outubro. Maio traz a floresta de Borjomi-Kharagauli no auge da primavera, com flores silvestres e cachoeiras cheias do derretimento de neve. Setembro e início de outubro oferecem cores de outono espetaculares, com tons de amarelo, laranja e vermelho cobrindo as encostas. O inverno é uma experiência distinta, com Vardzia coberta de neve formando contrastes incríveis com a pedra amarelada, mas as estradas exigem cuidado e algumas seções podem ficar bloqueadas.
Para roupas, pensar em camadas. A diferença térmica entre Borjomi (mais alto, mais úmido) e Vardzia (mais baixo, mais seco e quente) pode ser de 8 a 10 graus no mesmo dia. Calçado fechado e firme é essencial para as trilhas e para Vardzia. Para entrar nas igrejas, mulheres precisam cobrir cabeça e pernas, e a maioria dos lugares tem panos disponíveis na entrada.
Algumas observações finais
Borjomi, Akhaltsikhe e Vardzia oferecem três experiências muito distintas ligadas por uma mesma estrada. A primeira é experiência de cidade termal aristocrática, com herança imperial russa, parques arborizados e a tradição de tomar águas que continua viva. A segunda é experiência de fortaleza palimpsesto, onde camadas de cristandade georgiana, dominação otomana e restauração contemporânea se sobrepõem em um mesmo perímetro de muralhas, gerando uma cidadela que pode parecer artificial mas conta uma história verdadeira. A terceira é experiência de monastério escavado em rocha vertical, com 800 anos de história medieval cristã, afrescos preservados de uma rainha lendária e silêncio quase absoluto que continua atraindo monges até hoje.
A combinação dos três no mesmo roteiro é generosa. Não tem como sair daqui sem ter visto coisas que não se repetem em nenhum outro lugar do país, e em poucos lugares do mundo. A floresta protegida de Borjomi-Kharagauli é uma das maiores reservas naturais europeias, ainda subexploradas pelo turismo de massa. Rabath, com toda a polêmica da restauração, é uma janela única para entender a coexistência cristã-muçulmana que marcou o sul da Geórgia por séculos. E Vardzia, simplesmente, é Vardzia, o tipo de lugar que muda quem visita.
Vale guardar uma observação para o final. A região do sudoeste georgiano ainda não passou pela pressão turística que atinge outros pontos do país. As estradas estão razoáveis, as filas são curtas, os preços são acessíveis e a infraestrutura funciona sem ser saturada. Daqui a alguns anos, especialmente quando as obras de melhoria do aeroporto de Akhaltsikhe e da estrada para Vardzia forem concluídas, é provável que o cenário mude. Por enquanto, ainda é possível ter Vardzia quase só para si numa manhã cedo, ainda é possível conversar com monges nas cavernas, ainda é possível tomar água da fonte original de Borjomi sem fila. Para quem chega agora, a recompensa é justamente essa janela específica de tempo, em que turismo organizado convive com autenticidade preservada. E essa janela, como toda janela, não fica aberta para sempre.