Os Destinos Mais Incríveis do Alasca Para Conhecer

Os destinos mais incríveis do Alasca reúnem geleiras, fiordes e cidades históricas que transformam qualquer viagem numa das mais memoráveis que você pode fazer.

Foto de Andrew Hanson: https://www.pexels.com/pt-br/foto/montanhas-natureza-agua-barco-5429709/

Os Destinos Mais Incríveis do Alasca Para Conhecer

Tem lugares no Alasca que parecem inventados. Você olha e pensa que aquilo só pode ser uma pintura exagerada, ou um cenário de filme com efeito digital. Aí o navio desliza mais um pouco, a névoa abre, e a geleira azul está ali na sua frente, real, rangendo, soltando pedaços de gelo na água com um estrondo que ecoa pelo fiordo inteiro. É nesse momento que você entende por que esse estado figura na lista de tanta gente.

O problema do Alasca é quase o oposto da maioria dos destinos. Não falta o que ver. Sobra. E como o território é gigantesco, com boa parte sem estrada, escolher para onde ir já é metade do planejamento. Vou passar pelos lugares que considero imperdíveis, sejam eles vistos do convés de um navio ou de dentro do estado, por terra.

Glacier Bay, o lugar que dá nome à viagem

Se existe um destino que define o Alasca, é o Glacier Bay National Park. É aquele tipo de lugar que vale organizar o roteiro inteiro em torno dele.

O parque limita quantos navios podem entrar por dia, então nem toda companhia tem autorização pra navegar ali. Quando você for comparar cruzeiros, olhe com atenção se Glacier Bay está incluído. Se estiver, ótimo, é meio caminho andado pra uma boa viagem. Dentro do parque, o navio desliza devagar diante de paredões de gelo que chegam a dezenas de metros de altura, enquanto focas descansam sobre blocos flutuantes e águias passam por cima. É silencioso de um jeito que mexe com a gente. Você fica ali parado no convés, no frio, e simplesmente não consegue ir embora.

Hubbard Glacier e Tracy Arm, as alternativas que não decepcionam

Nem todo roteiro entra em Glacier Bay, e tudo bem. Existem geleiras alternativas que são, por mérito próprio, espetaculares.

O Hubbard Glacier é uma das maiores geleiras de maré da América do Norte, com uma frente larguíssima que costuma soltar grandes blocos de gelo direto no mar, o famoso calving. Quando um pedaço desaba, o som vem antes da imagem, e o navio inteiro corre pra mesma murada. Já o Tracy Arm é um fiorde estreito e profundo, cercado por paredões de granito e cachoeiras que descem da neve derretida. Navegar por ali é entrar num corredor de natureza bruta, com a Sawyer Glacier esperando no fundo. Os dois entregam a mesma sensação de pequenez diante de algo antigo e imenso.

Juneau, a capital que só se alcança por água ou ar

Juneau tem uma característica curiosa que muita gente desconhece: é uma capital de estado à qual não se chega de carro. Não existe estrada conectando a cidade ao resto do continente. Você chega de barco ou de avião, e ponto. Isso já diz muito sobre o Alasca.

A grande estrela por ali é a Mendenhall Glacier, uma geleira acessível, com centro de visitantes, trilhas e cachoeiras ao redor. É um dos poucos lugares onde dá pra chegar relativamente perto de uma geleira sem grande esforço. Juneau também é um dos melhores pontos de partida pra observação de baleias. As jubartes aparecem com frequência na temporada, e ver uma delas saltar inteira pra fora da água é o tipo de coisa que fica gravada. Se eu tivesse que escolher uma excursão paga em toda a viagem, seria a de baleias saindo de Juneau.

Skagway e o cheiro da corrida do ouro

Skagway é pequena, mas carrega história pesada nas costas. Foi um dos pontos de entrada da corrida do ouro do Klondike, lá no fim do século 19, e a cidade preserva esse clima de fronteira com construções de madeira que parecem ter parado no tempo.

O grande passeio daqui é o trem histórico White Pass & Yukon Route. A locomotiva sobe por trilhos cravados na montanha, atravessando desfiladeiros, túneis e pontes, com vistas que abrem pra vales inteiros. É uma daquelas experiências que parece simples no papel, andar de trem, mas que na prática vira um dos momentos mais bonitos da viagem. A subida segue mais ou menos o caminho que os garimpeiros enfrentaram a pé, carregando suprimentos, e dá pra imaginar o tamanho do sacrifício deles enquanto você admira a paisagem do conforto do vagão.

Ketchikan, totens e casas sobre a água

Ketchikan é uma das cidades mais charmosas do roteiro clássico. Construída parcialmente sobre palafitas, com casas e lojas erguidas acima da água, ela tem um ar pitoresco que rende boas caminhadas e fotos.

A cidade é conhecida como a capital mundial do totem, e reúne uma das maiores coleções desses mastros entalhados pelos povos nativos da região. Visitar os parques de totens é uma forma de entender que o Alasca tem uma história humana profunda, anterior a qualquer corrida do ouro ou cruzeiro turístico. Ketchikan também é uma das cidades mais chuvosas dos Estados Unidos, então não estranhe se chover. Faz parte. A floresta ao redor, a Tongass, a maior floresta nacional do país, é verde justamente por causa dessa água toda.

Denali, o teto da América do Norte

Aqui a gente sai do mar e entra no interior. O Denali National Park abriga o Monte Denali, antigo McKinley, o pico mais alto da América do Norte, com mais de 6.000 metros de altura. Ver essa montanha por inteiro é quase um sorteio, porque ela costuma ficar escondida atrás das nuvens. Quando o céu abre e ela aparece de corpo inteiro, é um privilégio que nem todo visitante recebe.

O parque é vastíssimo e selvagem de verdade. É território de ursos pardos, alces, caribus e lobos, percorrido por uma única estrada onde, em boa parte, só circulam ônibus do parque pra proteger a fauna. Pra chegar ao Denali, normalmente se combina o cruzeiro com um trecho por terra, e o trem panorâmico que liga a costa ao interior é uma viagem dentro da viagem. Quem só conhece o Alasca pela costa perde uma metade inteira dele. O interior tem outra alma.

Seward e o Kenai Fjords

Seward é a porta de entrada de um dos parques mais subestimados do Alasca, o Kenai Fjords National Park. É aqui que muitos cruzeiros de só ida começam ou terminam, e vale a pena reservar tempo na cidade em vez de apenas passar correndo.

O destaque é o passeio de barco pelos fiordes, que leva você pra perto de geleiras de maré, colônias de aves marinhas, leões-marinhos e, com frequência, baleias e golfinhos. A Exit Glacier, acessível por trilha, é um dos poucos lugares onde dá pra caminhar até bem perto de uma geleira a pé. É também um retrato visível das mudanças no gelo, com placas mostrando até onde a geleira chegava em décadas passadas. Impressiona e dá o que pensar.

Anchorage, base de tudo

Anchorage não é o destino mais bonito do Alasca, e seria injusto compará-la às geleiras. Mas é a maior cidade do estado e o ponto de apoio de praticamente qualquer viagem por terra. É onde você chega de avião, se reabastece, dorme antes ou depois das aventuras, e organiza a logística.

Dito isso, a cidade tem seus encantos. Está cercada de montanhas, tem boa gastronomia com peixe fresquíssimo, museus que contam a história dos povos nativos e fácil acesso a trilhas e mirantes. Vale usar Anchorage não só como escala, mas como ponto de partida pra explorar a região ao redor, que é cheia de paisagem.

Veja a tabela de distâncias entre os principais destinos do Alasca. Vale um aviso importante antes: muitos desses lugares não se conectam por estrada. Juneau, Skagway e Ketchikan ficam na Inside Passage e só se alcançam por barco ou avião, então nesses casos a distância é marítima ou aérea, não rodoviária.

Distâncias Entre os Principais Destinos do Alasca

TrechoDistância aproximadaComo se desloca
Anchorage → Seward200 kmCarro ou trem (estrada)
Anchorage → Denali380 kmCarro ou trem (estrada)
Anchorage → Whittier95 kmCarro ou trem (estrada)
Seward → Denali580 kmCarro ou trem (estrada)
Anchorage → Juneau920 kmAvião ou barco (sem estrada)
Juneau → Skagway145 kmBarco ou avião (sem estrada)
Juneau → Ketchikan380 kmBarco ou avião (sem estrada)
Skagway → Ketchikan520 kmBarco ou avião (sem estrada)
Ketchikan → Vancouver870 kmBarco (rota do cruzeiro)
Seattle → Juneau1.350 kmBarco (rota do cruzeiro)

Pontos que valem destaque

  • Triângulo terrestre do interior: Anchorage, Seward e Denali são os únicos grandes destinos da lista realmente conectados por estrada e trem. É por isso que os pacotes terrestres giram em torno desses três.
  • A Inside Passage não tem estrada: Juneau, Skagway e Ketchikan funcionam quase como ilhas em termos de acesso. É exatamente por isso que o cruzeiro faz tanto sentido no Alasca. O navio resolve uma logística que, de outra forma, seria complicada e cara.
  • As distâncias marítimas são aproximadas: a rota de um navio não segue linha reta, ela contorna ilhas e fiordes. O número real navegado costuma ser maior do que a distância em linha reta entre os pontos.

Se quiser, posso montar também uma versão com tempo estimado de deslocamento (horas de trem, voo ou navegação) em vez de quilometragem, que costuma ser mais útil na hora de montar o roteiro de fato.

Um resumo pra organizar o roteiro

Pra facilitar a visualização do que cada lugar entrega de melhor:

DestinoO que não perder
Glacier BayNavegação entre paredões de gelo
Hubbard / Tracy ArmGeleiras de maré e fiordes estreitos
JuneauMendenhall Glacier e baleias
SkagwayTrem histórico White Pass
KetchikanTotens e casas sobre a água
DenaliA montanha mais alta da América do Norte
Seward / KenaiPasseio de barco pelos fiordes
AnchorageBase logística e cidade cercada de montanhas

O que eu colocaria no centro de qualquer viagem

Se você só pode fazer a costa, num cruzeiro, garanta Glacier Bay ou uma geleira de peso, e reserve as baleias de Juneau como prioridade. Se tem tempo e fôlego pra ir além, emende o interior, com o Denali e os fiordes do Kenai, porque é ali que o Alasca revela a outra metade da personalidade dele, a terrestre, selvagem, de montanha e floresta.

No fim, o que torna esses destinos incríveis não é cada um deles isolado. É a soma. É acordar diante de uma geleira, almoçar numa cidadezinha de palafitas, andar de trem por uma montanha à tarde e dormir embalado pelo balanço do mar. O Alasca não entrega um cartão-postal. Entrega uma sequência deles, um atrás do outro, até você perder a conta. E aí volta pra casa já planejando como fazer de novo.

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