Guia de Lugares Incríveis Para Visitar na Toscana

Guia completo para conhecer a Toscana fora do óbvio, com Colle Val d’Elsa, San Gimignano, Volterra, Montepulciano, Pienza, Montalcino, Torri, Chiusdino e as abadias de San Galgano, Monte Oliveto Maggiore e Sant’Antimo. Roteiro com dicas práticas de visitação, gastronomia regional, vinhos como Brunello, Vino Nobile e Vernaccia, custos médios, melhores épocas para visitar e como combinar essas cidades em uma viagem de carro pela Toscana interior.

Foto de Christian S.: https://www.pexels.com/pt-br/foto/36796657/

A Toscana que aparece nos cartões-postais já está bem mapeada. Florença, Siena, Pisa, Lucca, todo mundo já viu. Mas a Toscana mais interessante de verdade, aquela que justifica uma viagem mais demorada pela região, está nas dezenas de cidades pequenas espalhadas pelas colinas, em vilarejos medievais quase intocados pelo turismo, em abadias isoladas em meio a olivais, em vinícolas onde se produz alguns dos melhores vinhos do mundo sem nenhuma cerimônia.

Esse roteiro reúne alguns dos pontos mais especiais dessa Toscana menos óbvia, distribuídos entre o sul de Siena, o Val di Merse, o Val d’Orcia e a região do Brunello. A viagem completa pede de cinco a sete dias para ser feita com calma, com carro alugado, idealmente fora dos meses de pico de julho e agosto. Maio, junho, setembro e início de outubro oferecem clima ideal, paisagens em melhor estado e movimento turístico bem menor que no auge do verão.

Colle Val d’Elsa, a capital italiana do cristal

A cidade fica entre Siena e San Gimignano, em posição estratégica para quem viaja pela região, e ainda assim recebe um fluxo de visitantes muito menor que as vizinhas. É responsável por noventa e cinco por cento da produção italiana de cristal e quinze por cento da produção mundial, com vários showrooms, oficinas e museus espalhados pela cidade.

O Museo del Cristallo, no centro, na Via dei Fossi, com telefone 0577 912260, abre durante a temporada turística em dois horários, das dez ao meio-dia e das quatro às sete e meia da tarde. Sempre fechado às segundas. A exposição percorre a história da produção de cristal na região, com peças de diferentes épocas e técnicas. Ingresso modesto, em torno de cinco euros.

A cidade tem duas partes distintas. A parte baixa, mais moderna, com comércio cotidiano e movimento normal de cidade italiana média. A parte alta, chamada de Colle Alta, é o centro histórico medieval, no alto da colina. Para subir, dá para pegar o elevador público gratuito que sai da parte baixa e leva direto à cidade antiga, ou subir a pé pelas escadarias e ruas íngremes em caminhada de cerca de quinze minutos.

A Colle Alta é o que justifica a parada. Ruas estreitas em calçamento de pedra, vista espetacular sobre o vale, restaurantes e lojas com cara muito menos turística que em outras cidades toscanas. A Via del Castello é a artéria principal, com palácios renascentistas em pedra dourada. O Duomo, dedicado a Sant’Alberto e em estilo gótico tardio, guarda obras importantes.

Na parte baixa da cidade, a feira de sexta-feira pela manhã é boa oportunidade de ver a vida local. Para uma refeição interessante com cozinha criativa baseada em ingredientes da região, o Sbarbacipolla é endereço bastante recomendado por quem conhece a cidade.

Reserve duas a quatro horas em Colle Val d’Elsa, com tempo para a parte alta, alguma loja de cristal e uma refeição tranquila.

San Gimignano, a Manhattan medieval

Das setenta e duas torres originais que ergueram a fama da cidade na Idade Média, sobraram quinze. Mesmo assim, o conjunto continua impressionante. O perfil de San Gimignano contra o horizonte das colinas, com as torres verticais dominando a paisagem, é um dos mais reconhecíveis da Toscana.

A cidade se desenvolveu em planta característica em forma de estrela, ao longo da antiga via Francigena, rota de peregrinação que ligava Canterbury a Roma. As torres foram construídas pelas famílias mais poderosas como demonstração de status, em competição que chegou a regulamentações específicas sobre altura máxima permitida. Hoje patrimônio mundial da UNESCO, San Gimignano recebe milhões de visitantes por ano, e em alta temporada fica genuinamente lotada.

Algumas torres podem ser visitadas. A Torre Grossa, ao lado do Palazzo Comunale, é a mais alta ainda acessível, com cinquenta e quatro metros e vista panorâmica espetacular. Ingresso integrado com o Museu Cívico custa cerca de doze euros.

A Collegiata di Santa Maria Assunta, conhecida também como Duomo, abriga ciclos de afrescos importantes nas paredes internas. Cenas do Antigo Testamento de um lado, cenas da vida de Cristo do outro, com obras de Bartolo di Fredi, Lippo Memmi e a Capela de Santa Fina decorada por Domenico Ghirlandaio. Ingresso a cinco euros.

San Gimignano é o lugar ideal para provar a Vernaccia di San Gimignano, primeiro vinho italiano a receber a denominação DOC, em mil novecentos e sessenta e seis. Branco seco e estruturado, perfeito com peixe, frango ou queijos não muito intensos. Várias enotecas no centro oferecem degustações.

Para se refrescar no calor, a Piazza della Cisterna é parada obrigatória. A famosa Gelateria Dondoli, várias vezes premiada como uma das melhores do mundo, fica nessa praça. As fileiras costumam ser longas, mas o gelato é genuinamente excelente, com sabores criativos que vão muito além do tradicional.

Para evitar as multidões piores, vale chegar cedo, antes das nove da manhã, ou no fim da tarde depois das cinco, quando os grupos de excursão saem em direção aos ônibus. Hospedar-se dentro da cidade resolve esse problema, porque depois das sete da noite San Gimignano volta a ser cidade tranquila, com atmosfera medieval que justifica a fama.

Reserve quatro a seis horas para a cidade.

Volterra, a Toscana etrusca

Volterra fica em planalto alto cercado por colinas vulcânicas, a meio caminho entre Siena e o mar. Foi uma das mais importantes cidades etruscas, e mantém vestígios de todas as épocas históricas, da etrusca à renascentista. O fato de receber muito menos turistas que outras cidades toscanas é uma das suas grandes vantagens. Quem visita encontra atmosfera mais autêntica, com vida cotidiana ainda visível.

O Teatro Romano, descoberto nos anos cinquenta, está em estado de conservação notável, com cávea, orquestra e estrutura cênica reconhecíveis. Pode ser visto de cima por terraço gratuito ou visitado de perto com ingresso a oito euros.

O Museo Etrusco Guarnacci é um dos mais importantes do mundo na sua categoria. A coleção tem mais de seiscentas urnas funerárias etruscas em alabastro, com cenas mitológicas e domésticas esculpidas em relevo. A peça mais famosa é a Ombra della Sera, escultura em bronze de figura humana extremamente alongada que parece obra contemporânea, mas tem mais de dois mil anos. Ingresso a oito euros.

A Pinacoteca Civica guarda obras importantes do gótico ao maneirismo, incluindo a Deposição da Cruz de Rosso Fiorentino, marco do maneirismo italiano. Ingresso a oito euros.

Volterra é também tradicional centro de produção de alabastro. O material é extraído nas pedreiras da região e trabalhado por artesãos locais há séculos. Várias oficinas no centro permitem ver os artesãos trabalhando e comprar peças direto da fonte, com preços bem melhores que em outras cidades.

O centro histórico é construído quase inteiramente em pedra panchino, de cor amarelo-acinzentada. Caminhando pelas ruas, é possível encontrar conchas fossilizadas embutidas no pavimento, vestígios geológicos da época em que a região esteve sob o mar. Reserve metade do dia para a cidade.

Montepulciano, terra do Vino Nobile

A cidade fica empoleirada em crista de colina vulcânica entre dois vales, em uma das posições mais espetaculares da Toscana. A arquitetura renascentista impressiona, com palácios projetados por arquitetos importantes do Renascimento como Antonio da Sangallo il Vecchio e Vignola. A Piazza Grande, no ponto mais alto, reúne o Palazzo Comunale com torre que ecoa o Palazzo Vecchio de Florença, a catedral inacabada e palácios nobres em volta.

O Palazzo Comunale pode ser visitado, com subida à torre para vista panorâmica que em dias claros alcança o Lago Trasimeno na Úmbria. Ingresso modesto, em torno de cinco euros.

A Chiesa di San Biagio, abaixo das muralhas, é uma das obras-primas da arquitetura renascentista italiana. Projetada por Antonio da Sangallo entre mil quinhentos e dezoito e mil quinhentos e quarenta e cinco, em planta de cruz grega, com cúpula central e dois campanários, é exemplo perfeito do classicismo renascentista. Acesso gratuito.

A atração principal de Montepulciano para muitos visitantes é o Vino Nobile di Montepulciano DOCG, tinto produzido com base na uva Sangiovese, localmente chamada de Prugnolo Gentile. Vinho elegante, estruturado, com excelente potencial de envelhecimento. Várias adegas no centro oferecem degustação, e muitas estão instaladas em cantinas históricas escavadas na rocha vulcânica, com ambientes impressionantes em vários níveis subterrâneos. Cantine Contucci, De’ Ricci, Avignonesi e Poliziano estão entre os produtores mais reconhecidos.

Visitar Montepulciano em uma quinta-feira tem a vantagem da feira semanal, que enche o centro de barracas com produtos locais, embutidos, queijos, doces, roupas e artesanato. Reserve metade do dia a um dia inteiro para a cidade.

Pienza, a cidade ideal do Renascimento

Pienza fica a apenas dez minutos de Montepulciano, e a visita combinada faz todo sentido. A cidade é caso único na história do urbanismo. Era originalmente o povoado de Corsignano, vilarejo modesto onde nasceu Enea Silvio Piccolomini, que se tornaria o Papa Pio II no século quinze.

Quando se tornou papa, em mil quatrocentos e cinquenta e oito, Piccolomini decidiu reconstruir o vilarejo natal segundo os ideais renascentistas da cidade perfeita. O arquiteto Bernardo Rossellino foi contratado para o projeto, e em apenas três anos transformou Corsignano em Pienza, com nova catedral, novo palácio papal, novo palácio municipal e nova praça central. O conjunto é hoje patrimônio mundial da UNESCO.

A Piazza Pio II é considerada uma das praças renascentistas mais perfeitas da Itália. A composição harmoniosa do Duomo, do Palazzo Piccolomini, do Palazzo Comunale e do Palazzo Borgia, todos planejados em conjunto, cria sensação de equilíbrio raramente encontrada em centros históricos.

O Duomo, com fachada em pedra dourada e interior em estilo de igreja-salão alemã, guarda retábulos importantes de mestres sieneses. O Palazzo Piccolomini pode ser visitado, com belos jardins suspensos e vista espetacular sobre o Val d’Orcia. Ingresso a sete euros.

Pienza é também famosa pelo Pecorino di Pienza, queijo de leite de ovelha que está entre os mais reconhecidos da Itália. Versões frescas, semi-curadas, curadas, com tartufo, com folhas de nogueira, com vinho. As várias queijarias artesanais do centro permitem degustação e compra direta. Vale levar para casa.

A vista do Val d’Orcia a partir das muralhas de Pienza é uma das mais fotografadas da Toscana, com colinas onduladas, fileiras de ciprestes solitários, fazendas isoladas no horizonte. Reserve duas a três horas para a cidade.

Montalcino, a casa do Brunello

Montalcino é cidade próspera no alto de colina a mais de seiscentos metros de altitude, com vista magnífica sobre as paisagens em volta. O centro histórico mudou pouco desde o século dezesseis, com palácios em pedra clara, ruas estreitas e atmosfera de cidade vinícola tradicional.

A fama global da cidade vem do Brunello di Montalcino DOCG, considerado um dos maiores vinhos italianos. Produzido exclusivamente com a uva Sangiovese Grosso, com envelhecimento mínimo obrigatório de cinco anos antes da comercialização, sendo dois deles em barricas de carvalho. Vinho de estrutura imponente, com excelente potencial de guarda, e preços que partem de trinta euros indo facilmente a centenas para garrafas mais raras.

O Rosso di Montalcino DOCG, irmão mais jovem do Brunello, é feito com a mesma uva mas com regras de envelhecimento mais brandas. Mais acessível em preço, entre quinze e trinta euros para boas garrafas, e excelente porta de entrada para o estilo da região.

A Fortezza, construída no século quatorze, fica no ponto mais alto da cidade. A subida pelas muralhas oferece vista panorâmica espetacular. Dentro da fortaleza funciona uma das enotecas mais conhecidas da Toscana, com seleção ampla de Brunelli para degustação em taças, entre dez e trinta euros por taça dependendo do produtor. Para quem não tem tempo de visitar as vinícolas individualmente, é a melhor opção para provar diferentes produtores em um único lugar.

O escritório de turismo na Piazza del Popolo, no centro, fornece listas e mapas das dezenas de produtores locais. Entre os reconhecidos internacionalmente estão Biondi-Santi, Casanova di Neri, Soldera, Conti Costanti e Poggio di Sotto. Entre os menos famosos mas muito apreciados, vale considerar Le Potazzine, Piombaia, Caprili e Salvioni. Visitas a vinícolas precisam de agendamento prévio, geralmente com taxa entre vinte e cinquenta euros incluindo degustação de três a quatro vinhos.

Para quem não bebe ou já está cansado de degustação, a Piazza del Popolo é boa para observar o movimento. O Caffè Fiaschetteria Italiana, fundado em mil oitocentos e oitenta e oito, é instituição da cidade com ambiente original e cardápio que vai do café da manhã ao jantar.

Reserve um dia em Montalcino, com tempo para uma vinícola ou para a enoteca da Fortezza, almoço com calma e caminhada pelo centro.

Torri, um vilarejo quase intocado pelo tempo

Torri é um vilarejo medieval murado de origem antiga, no Val di Merse, conhecido pelo esplendor que teve na Idade Média. A surpresa para quem chega é descobrir povoado quase inteiramente sem lojas, sem bares, sem restaurantes, sem qualquer infraestrutura turística convencional. É a Toscana medieval congelada no tempo.

O destaque é o claustro do antigo mosteiro, com colunas elegantes e refinadas. O piso é em tijolos dispostos em espinha de peixe alternados com travertinos brancos e pretos românicos, técnica que indica construção medieval. A graciosa varanda voltada para o sul, que mantinha os monges em comunicação com a natureza ao redor, permanece inalterada até hoje.

O acesso ao claustro é limitado. Aberto apenas nas manhãs de sexta-feira e segunda-feira, das nove ao meio-dia. Quem quer visitar precisa planejar o roteiro especificamente para esses dias. A entrada é gratuita.

Reserve uma hora para Torri. A visita é breve mas memorável justamente pela sensação de estar em lugar fora do circuito.

Chiusdino, a terra de São Galgano

Chiusdino é vilarejo típico de colina, com aglomerado de casas em pedra cinza dispostas ao longo de ruas estreitas, íngremes e sinuosas. É terra natal de Galgano Guidotti, cavaleiro do século doze que se converteu e virou eremita, depois canonizado pela Igreja. A história dele é o pano de fundo para várias atrações da região.

A cidade é a maior da série de pequenos povoados do Val di Merse, e está praticamente fora do circuito turístico. Quem visita encontra uma das experiências mais autênticas de vida toscana de pequena cidade.

Vale percorrer a piazza pitoresca, observar as vistas do campo em volta, visitar a Casa di San Galgano onde teria nascido o santo, a Cappella della Compagnia e a igreja paroquial românica simples e bonita. Tudo isso pode ser feito em uma hora a uma hora e meia.

Chiusdino é parada ideal antes ou depois da visita à Abadia de San Galgano, alguns quilômetros adiante.

Abbazia di San Galgano, a igreja sem teto

Cerca de quinze quilômetros a sudoeste, pela rodovia setenta e três, virando à direita no posto de gasolina na SS 441 para os últimos três quilômetros, está a dramática ruína da igreja de San Galgano, do século treze.

A abadia foi construída em estilo gótico cisterciense francês, e por séculos foi um dos centros monásticos mais importantes da região. Caiu em ruína a partir do século quinze, com o teto desabando completamente nos séculos seguintes. O resultado é hoje espetacular justamente pela ausência de cobertura. As paredes laterais, os arcos góticos, a fachada e o transepto continuam de pé, abertos ao céu, com grama crescendo onde antes havia ladrilhos.

O efeito é único na Itália. Em dias claros, com a luz natural entrando por todos os lados e o azul do céu visível através das rosáceas vazias, a ruína tem força emocional rara. Em dias nublados ou com névoa baixa, a atmosfera fica ainda mais misteriosa.

Vale subir a colina acima da abadia, onde fica a notável capela circular de Monte Siepi, local da milagrosa espada na rocha de São Galgano. A lenda conta que o cavaleiro, depois de sua conversão, cravou a espada em uma pedra como símbolo da renúncia à vida guerreira. A espada continua ali, em estado original, dentro da capela, conservada sob proteção de vidro. Pesquisas científicas modernas confirmaram que a lâmina é do século doze, compatível com a história. Acesso gratuito a ambos, abadia e capela.

A meio caminho entre a abadia e a capela, no morro, fica uma encantadora vinoteca que serve antepastos durante todo o dia, com mesas ao ar livre e vista magnífica do vale e das montanhas ao oeste. É lugar perfeito para um aperitivo no fim de tarde, especialmente no horário do pôr do sol. Aberta das dez da manhã às sete da noite. Fechada às quintas-feiras.

Reserve duas a três horas para o conjunto da abadia, capela e aperitivo.

Abbazia di Monte Oliveto Maggiore, mosteiro vivo

Localizada a cinco quilômetros a leste de Buonconvento, a abadia funciona ativamente como sede da ordem dos beneditinos olivetanos. Aberta ao público das nove ao meio-dia e meia e das três às sete da tarde, com restaurante, loja de produtos herbais e hospedagem nas dependências.

Os monges continuam vivendo segundo a Regra Beneditina, combinando oração, trabalho e estudo, e recebendo os peregrinos modernos que vêm rezar e admirar o extraordinário ciclo de afrescos do alto Renascimento que decora o Grande Claustro. As trinta e seis cenas representam a vida de São Bento, com obras iniciadas por Luca Signorelli em mil quatrocentos e noventa e sete e completadas por Sodoma entre mil quinhentos e cinco e mil quinhentos e oito. É um dos maiores ciclos renascentistas da Itália, e raramente fica lotado.

A grande biblioteca monástica, no andar de cima, contém edições raras e manuscritos únicos, com salas em madeira trabalhada. O jardim de ervas, ainda em plena atividade, fornece ingredientes para o farmacêutico do mosteiro, responsável pela produção dos licores beneditinos famosos no mundo inteiro.

As vésperas vespertinas na capela barroca ressoam com canto gregoriano. Para quem consegue alinhar o horário com a celebração, é experiência espiritual única, com música executada como há séculos. Acesso gratuito à abadia e ao claustro. As doações são bem-vindas.

A loja de produtos herbais vende mel da própria abadia, licores, ervas medicinais, sabonetes e produtos artesanais. Tudo produzido pelos monges. Vale comprar lembranças únicas e de qualidade.

A poucos minutos de carro fica também o Bosco della Ragnaia, jardim contemporâneo criado por artista americano que viveu na região, com inscrições filosóficas, mirantes, alamedas em ciprestes e atmosfera única. Acesso gratuito.

Reserve duas a três horas para Monte Oliveto.

Abbazia di Sant’Antimo, joia românica em meio às oliveiras

Para chegar, siga as placas para Castelnuovo dell’Abate. Vésperas de segunda a sábado às cinco da tarde. Aos domingos às seis e meia da tarde.

A abadia é uma das mais belas da Itália, e segundo destino principal de Montalcino além do Brunello. A lenda local atribui a fundação ao imperador Carlos Magno, entre setecentos e quarenta e dois e oitocentos e quatorze, embora o edifício atual date apenas de mil cento e dezoito.

A localização é absolutamente espetacular. A abadia fica sozinha em meio a olivais, ao longo da antiga estrada de peregrinação que ligava Roma a Santiago de Compostela na Espanha. Foi construída em travertino local e em alabastro luminoso cor de mel proveniente das pedreiras de Volterra. A combinação dos dois materiais, com luz natural entrando pelas janelas, cria efeito interno único.

A arquitetura é românica de tipo francês, raro na região, com influências da Borgonha. As colunas internas têm capitéis trabalhados em motivos vegetais, geométricos e figurativos, e merecem observação detalhada. O coro elevado e a cripta sob o altar-mor completam a composição.

Os monges da ordem dos norbertinos, que vivem em casa de fazenda próxima, enchem a igreja cavernosa diariamente com cantos gregorianos etéreos em intervalos regulares, evocando uma sensação de história e mistério que transporta os visitantes para a Idade Média. Para quem consegue alinhar com o horário das vésperas, a experiência é inesquecível.

Acesso gratuito. Reserve uma hora a uma hora e meia, com tempo para a chegada por estrada panorâmica entre olivais.

Sugestão de roteiro de cinco a sete dias

DiaRoteiro sugeridoPernoite
1Colle Val d’Elsa e San GimignanoSan Gimignano ou agriturismo na região
2Volterra com calma, retornoVolterra ou Siena
3Torri, Chiusdino, Abadia de San GalganoAgriturismo na Val di Merse
4Montepulciano com degustaçãoMontepulciano ou agriturismo
5Pienza e visita a queijariaPienza ou agriturismo no Val d’Orcia
6Montalcino e Abadia de Sant’AntimoMontalcino
7Monte Oliveto Maggiore e Bosco della RagnaiaSaída ou retorno

Resumo dos principais custos da viagem

ItemValor médio
Aluguel de carro compacto (por dia)50 a 90 euros
Combustível (por dia)25 a 40 euros
Estacionamento nas cidades (por dia)8 a 20 euros
Hospedagem para casal (por noite)90 a 220 euros
Refeições para duas pessoas (por dia)60 a 130 euros
Degustação em vinícola (por pessoa)20 a 50 euros
Ingressos a museus e monumentos (por dia)15 a 40 euros

Para um casal em viagem de sete dias seguindo o roteiro completo, o orçamento total varia entre mil e quinhentos e três mil euros, dependendo da categoria de hospedagem e da frequência de refeições mais sofisticadas.

Gastronomia e vinhos pela região

A culinária toscana é cozinha de tradição rural, com pratos simples mas marcantes que merecem ser provados em cada parada.

Pici é a massa típica, espessa, feita à mão, geralmente servida com molhos rústicos. Em San Gimignano, Volterra, Montepulciano e Pienza aparece em quase todos os cardápios.

Pappardelle al cinghiale são massas largas com molho de javali, preparo tradicional da Toscana interior.

Crostini di fegatini com patê de fígado de frango são abertura clássica de refeições toscanas.

Bistecca alla fiorentina apesar do nome florentino é servida em toda a Toscana, com qualidade frequentemente igual ou superior à de Florença, e preços geralmente mais baixos.

Pecorino di Pienza em diversas curadas e versões merece atenção especial.

Cinta Senese é a raça suína nativa da região de Siena, produzindo embutidos e carnes de excepcional qualidade. Vale provar prosciutto e salames da raça.

Tartufo bianco di San Miniato aparece em pratos especiais durante a temporada, entre outubro e dezembro, com preços altos mas valor compatível com a raridade.

Vinhos que merecem destaque incluem o Vernaccia di San Gimignano DOCG, branco da região; o Chianti Colli Senesi DOCG, tinto produzido nas colinas em torno de Siena; o Vino Nobile di Montepulciano DOCG, tinto estruturado da região de Montepulciano; o Brunello di Montalcino DOCG, considerado um dos maiores vinhos italianos; e o Rosso di Montalcino DOCG, irmão mais jovem do Brunello.

Cuidados práticos e o que evitar

Carro é praticamente obrigatório para esse roteiro. As distâncias são curtas, mas o transporte público entre essas cidades é escasso e demorado. Carro compacto com câmbio manual reduz custo e facilita estacionamento em centros históricos.

ZTL em todas as cidades históricas. Estacione sempre fora das muralhas, nos parcheggi públicos. Multas por entrar em zona restrita chegam meses depois pela locadora.

Reserve agriturismos com antecedência. Os melhores costumam ter mínima de várias noites em alta temporada, com chegada e saída apenas em dias específicos.

Evite restaurantes turísticos óbvios. Cardápios em quatro idiomas com fotos quase sempre indicam qualidade duvidosa. Procure trattorias frequentadas por locais, com cardápio do dia em italiano, geralmente em ruas laterais.

Não compre vinho em lojas turísticas genéricas. Vá direto às vinícolas ou às enotecas especializadas. A diferença em qualidade e preço pode ser significativa.

Cuidado com horários de fechamento em pequenas cidades. Muitas lojas, restaurantes e até alguns museus fecham no horário do almoço, entre meio-dia e meia e três da tarde. Vários estabelecimentos têm dias de fechamento semanal específicos, geralmente segunda ou terça.

Verifique horários das vésperas com antecedência. Os horários podem variar ligeiramente conforme a estação. Para uma experiência completa nas abadias, vale planejar a chegada para coincidir com o canto gregoriano.

Águas das fontes públicas são potáveis. Carregue garrafa reutilizável.

Considerações importantes

A Toscana interior recompensa quem aceita o ritmo lento. Tentar fazer esse roteiro em três ou quatro dias é possível, mas estraga justamente o que cada parada tem de melhor. Sete dias dão respiração adequada, com tempo para uma vinícola por dia, refeições sem pressa, caminhadas tranquilas pelos centros, momentos de aperitivo no fim da tarde em terraços com vista.

A mistura de cidades muito conhecidas como San Gimignano e Pienza com pontos quase secretos como Torri, Chiusdino e Sant’Antimo cria experiência mais completa. Os locais turísticos famosos ajudam a entender a Toscana como ela aparece no imaginário internacional. Os locais menos visitados mostram a Toscana como ela ainda é, com sua dimensão rural, espiritual e silenciosa.

Quem viaja pela região esperando apenas vinhos premiados e paisagens fotogênicas encontra muito mais que isso. As abadias românicas, os mosteiros ativos com canto gregoriano, os vilarejos quase desabitados, os artesãos de cristal e alabastro, os queijeiros tradicionais, os produtores de vinho que continuam trabalhando como há gerações. Tudo isso compõe uma camada da Toscana que não cabe em postais.

E talvez o conselho mais importante. Não tente comparar essas cidades menores com Florença ou com Siena. São experiências de natureza diferente. Florença é o museu vivo do Renascimento. Siena é a cidade medieval pulsante. Mas Volterra, Montepulciano, Montalcino e os outros pontos desse roteiro oferecem algo que as cidades maiores perderam, que é o sentido de comunidades ainda funcionando como sempre funcionaram, com tradições vivas, ritmo próprio, e uma autenticidade que se reconhece imediatamente. É essa Toscana que costuma deixar as memórias mais duradouras.

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