Festival das Lanternas na Tailândia: O Yi Peng em Chiang Mai
O Yi Peng em Chiang Mai reúne lanternas khom loi, rituais budistas e o Loy Krathong em uma das celebrações mais bonitas do mês de novembro.

Festival das lanternas na Tailândia: como é o Yi Peng em Chiang Mai
A cena de pessoas acendendo e soltando lanternas de papel voadoras, enquanto dezenas delas sobem e iluminam o céu noturno, é associada principalmente ao Yi Peng Lantern Festival, realizado em Chiang Mai, no norte da Tailândia.
As lanternas recebem o nome de khom loi. São feitas de papel fino, geralmente em formato cilíndrico, e sobem graças ao ar quente produzido por uma pequena chama instalada em sua base. Quando centenas ou milhares delas são soltas ao mesmo tempo, o efeito é impressionante, mas o significado da celebração vai bem além da fotografia que costuma circular nas redes sociais.
O Yi Peng é uma tradição antiga da cultura Lanna, ligada ao norte da Tailândia. Ele acontece no mesmo período do Loy Krathong, uma festa celebrada em várias regiões do país e marcada por pequenos barquinhos decorativos, chamados krathongs, colocados em rios, lagos e canais. Em Chiang Mai, os dois eventos se misturam na prática: há luzes no céu, velas na água, procissões, templos iluminados e uma cidade inteira em ritmo de celebração.
Para quem planeja viajar à Tailândia em novembro, entender essa diferença é importante. Nem toda lanterna vista no céu faz parte de um evento público gratuito. E nem toda imagem famosa foi feita no centro de Chiang Mai. Hoje, muitos dos grandes lançamentos simultâneos de lanternas ocorrem em espaços privados, com ingresso e regras específicas.
O que é o Yi Peng Lantern Festival?
O Yi Peng, também grafado como Yee Peng, é um festival tradicional do norte tailandês. Seu nome vem do calendário Lanna, usado historicamente na região: “Yi” remete ao segundo mês, e “Peng” está relacionado à lua cheia.
A comemoração costuma acontecer na lua cheia do segundo mês do calendário lunar Lanna, geralmente em novembro no calendário ocidental. As datas mudam de ano para ano, justamente por dependerem do ciclo lunar.
Em 2026, a previsão mais divulgada para o período do Yi Peng e do Loy Krathong em Chiang Mai é entre 24 e 25 de novembro, com o Loy Krathong coincidindo com 25 de novembro. Ainda assim, quem pretende viajar deve conferir a programação oficial mais perto da data, porque os eventos, os locais liberados e as regras de soltura podem mudar.
O coração simbólico do Yi Peng está no ato de liberar a lanterna ao céu. Para muitos participantes, isso representa deixar ir o azar, as preocupações e aquilo que pesa emocionalmente. Ao mesmo tempo, a lanterna pode carregar um pedido, uma intenção ou um desejo para o ciclo que começa.
É um gesto de renovação. Não existe uma obrigação de fazer pedidos específicos nem uma fórmula universal. A dimensão religiosa e espiritual varia conforme a pessoa, a família e o contexto da celebração.
Yi Peng e Loy Krathong: qual é a diferença?
É comum encontrar os dois nomes usados como se fossem sinônimos. Eles acontecem perto um do outro, dividem a presença de luzes e estão ligados a tradições budistas e locais, mas não são exatamente o mesmo festival.
O Yi Peng é característico do norte da Tailândia, especialmente de Chiang Mai, e é conhecido pelas lanternas que sobem ao céu.
Já o Loy Krathong é uma celebração mais ampla, realizada em diversas cidades tailandesas. Nela, as pessoas colocam na água pequenos recipientes flutuantes decorados com folhas, flores, velas e incenso. Esses recipientes são os krathongs.
| Aspecto | Yi Peng | Loy Krathong |
|---|---|---|
| Principal símbolo | Lanternas voadoras, ou khom loi | Barquinhos flutuantes, ou krathongs |
| Onde é mais tradicional | Norte da Tailândia, sobretudo Chiang Mai | Várias regiões da Tailândia |
| Elemento central | Luz subindo ao céu | Luz seguindo pela água |
| Época | Normalmente em novembro, na lua cheia | Normalmente em novembro, na lua cheia |
Em Chiang Mai, a coincidência entre os dois cria uma experiência visual muito particular. Ao caminhar perto do rio Ping, dos fossos que cercam a Cidade Antiga ou de alguns templos, é possível ver velas, lanternas decorativas e pessoas carregando krathongs. Em áreas autorizadas e eventos organizados, entram em cena as khom loi.
A imagem clássica de centenas de lanternas de fogo subindo juntas, porém, não deve ser tratada como algo que acontece livremente em qualquer rua da cidade. Isso mudou bastante com o passar dos anos.
Por que as lanternas voadoras têm regras em Chiang Mai?
As khom loi usam fogo e sobem sem controle direto depois de serem liberadas. Por isso, envolvem riscos evidentes: incêndios, acidentes em áreas urbanas, interferência em aeroportos, danos à fiação elétrica e impactos ambientais.
Chiang Mai possui aeroporto próximo à área urbana, e as autoridades locais costumam impor restrições ao lançamento de lanternas. Em determinados anos, a soltura é proibida em boa parte da cidade ou permitida apenas em horários, zonas e eventos autorizados.
Isso explica uma diferença que decepciona alguns viajantes mal informados: chegar a Chiang Mai no festival não significa que será possível comprar uma lanterna em qualquer esquina e soltá-la do hotel, da ponte ou da rua.
Além de poder ser perigoso, isso pode infringir regras locais. O melhor caminho é participar de uma celebração licenciada ou acompanhar os eventos comunitários sem tentar reproduzir por conta própria o que aparece em fotos e vídeos.
Essa precaução também ajuda a preservar o festival. Um evento tão ligado a tradição, comunidade e crença não deveria ser reduzido a um cenário para foto.
Onde acontecem os lançamentos de lanternas em Chiang Mai?
Há duas experiências bastante diferentes durante o Yi Peng: a programação pública espalhada pela cidade e os grandes eventos privados com lançamento coletivo de lanternas.
Celebrações públicas em Chiang Mai
Durante o período do festival, Chiang Mai costuma ter decoração luminosa, procissões, cerimônias em templos, apresentações culturais e atividades nas margens do rio Ping. A Cidade Antiga, o entorno dos portões históricos e as áreas próximas a pontes e canais geralmente ficam mais movimentados.
A programação pública pode ser gratuita, mas não deve ser confundida com um grande lançamento garantido de lanternas voadoras. A experiência urbana tem muito a ver com caminhar sem pressa, observar a movimentação local, visitar templos e ver o Loy Krathong acontecendo perto da água.
É uma opção interessante para quem quer vivenciar a cidade durante a festa sem necessariamente comprar um ingresso caro. Também exige paciência: as ruas lotam, o trânsito para e alguns deslocamentos simples levam muito mais tempo do que o previsto.
Eventos privados com ingresso
Os lançamentos sincronizados que aparecem em muitas imagens promocionais costumam ser realizados em eventos privados, geralmente fora do centro. Alguns incluem jantar, performances tradicionais, transporte, um ou mais krathongs, lanternas e áreas reservadas para fotos.
Os nomes e produtores desses eventos variam. O ponto essencial é verificar se há organização clara, local definido, transporte confiável e autorização para o lançamento.
Não vale comprar ingresso apenas porque um anúncio promete “milhares de lanternas”. Na época do Yi Peng, há muita procura e também anúncios confusos, revendas sem garantia e páginas que usam fotos antigas ou de outros locais.
Antes de fechar a compra, confira:
- se o organizador informa endereço e horários detalhados;
- se há instruções de transporte de ida e volta;
- se a lanterna está incluída ou é cobrada separadamente;
- se o evento é oficialmente autorizado;
- quais são as condições de reembolso;
- se o ingresso será enviado por canal verificável;
- se a programação inclui o lançamento ou apenas acesso a uma área temática.
Um evento privado pode custar algumas centenas de reais, e as opções mais disputadas podem custar bem mais. O preço costuma aumentar conforme a proximidade da data.
Como escolher entre um evento pago e a programação gratuita
A escolha depende menos de orçamento do que da experiência que a pessoa espera ter.
Quem sonha especificamente com o momento de soltar uma lanterna junto de uma multidão, em um espaço preparado para isso, provavelmente precisa considerar um evento pago e licenciado. É onde há maior chance de viver aquela cena coletiva, organizada e visualmente marcante.
Quem prefere conhecer a parte cultural, circular por Chiang Mai, visitar mercados, acompanhar rituais e observar o Loy Krathong pode aproveitar muito bem a programação pública. Não será necessariamente a mesma experiência das imagens de lançamento simultâneo, mas pode ser mais espontânea e conectada à vida da cidade.
Misturar as duas coisas costuma funcionar bem: reservar uma noite para um evento de lanternas, se isso for prioridade, e deixar outra para caminhar pelo centro, pelos templos e pelas margens do rio.
Quando ir para Chiang Mai durante o festival
Chegar apenas no dia principal do festival é uma decisão arriscada. A cidade recebe muitos visitantes, os hotéis encarecem e a logística fica mais complicada.
O ideal é planejar ao menos quatro noites em Chiang Mai. Assim, há margem caso o evento escolhido seja alterado, o vôo atrase ou a programação principal fique concentrada em apenas uma noite.
Uma divisão prática seria:
- chegada com antecedência para se adaptar e retirar ingressos, se necessário;
- uma noite dedicada ao centro histórico e ao Loy Krathong;
- uma noite para o evento de Yi Peng com lanternas;
- um dia extra para conhecer a cidade em ritmo mais tranquilo.
Novembro costuma marcar o início de um período mais seco e agradável no norte tailandês. Ainda pode haver variações de temperatura e pancadas pontuais, mas as noites tendem a ser mais confortáveis do que nos meses mais quentes. Levar uma camada leve para o fim do dia é uma boa ideia, principalmente em áreas abertas.
Onde se hospedar em Chiang Mai no Yi Peng
A localização do hotel faz diferença, mas não resolve tudo. Durante o festival, até trajetos curtos podem se tornar demorados por causa de bloqueios, multidões e carros de aplicativo em alta demanda.
A Cidade Antiga, ou Old City, é uma escolha conveniente para quem quer ficar perto de templos, mercados e parte da programação urbana. É uma área muito procurada, com hospedagens de diversos preços, mas esgota cedo.
A região do rio Ping é interessante para acompanhar o clima do Loy Krathong e encontrar restaurantes, hotéis maiores e uma atmosfera mais tranquila em alguns trechos. Ainda assim, os valores sobem bastante na semana do festival.
Nimman, bairro moderno e cheio de cafés, também é uma boa base para quem prefere uma estrutura mais contemporânea. Só não é o lugar ideal para depender de deslocamentos rápidos até o centro durante os horários de pico.
Para eventos privados fora da cidade, confirme o ponto de saída do transporte antes de reservar o hotel. Alguns organizadores incluem traslado a partir de áreas centrais; outros exigem que o visitante chegue por conta própria a um local específico.
Reservar hospedagem com antecedência é uma das partes menos glamourosas do planejamento, mas provavelmente é a mais importante. Para novembro, esperar uma promoção de última hora pode significar ficar longe do centro ou pagar muito mais.
Cuidados com a etiqueta cultural e a segurança
Assistir ao Yi Peng pede uma postura respeitosa. A presença de turistas é enorme, mas o festival não nasceu como atração turística.
Em templos, use roupas discretas, com ombros e joelhos cobertos quando solicitado. Tire os sapatos antes de entrar em espaços religiosos e evite apontar os pés para imagens de Buda. Fotografar é comum em muitas áreas, mas cerimônias religiosas exigem discrição.
Caso participe de um lançamento de lanterna, siga as instruções da equipe. A chama precisa estar estável antes de soltar o papel, e tentar apressar o processo pode queimar as mãos ou fazer a lanterna cair ainda acesa. Não solte lanternas perto de fios, árvores, telhados ou fora das áreas permitidas.
Também é importante pensar no material usado. Prefira, quando houver escolha, lanternas e krathongs feitos com elementos biodegradáveis. Itens com plástico, isopor, glitter e materiais sintéticos deixam um impacto que contradiz o sentido de cuidado e renovação associado à festa.
Como chegar a Chiang Mai saindo do Brasil
Não existem vôos diretos entre o Brasil e Chiang Mai. O caminho mais comum envolve uma conexão internacional para Bangkok e, depois, um vôo doméstico até Chiang Mai.
Outra possibilidade é chegar por hubs asiáticos como Doha, Dubai, Istambul, Singapura ou cidades chinesas, dependendo da companhia aérea e das condições de entrada em cada país. A rota ideal muda conforme preço, duração da conexão e necessidade de visto de trânsito.
A partir de Bangkok, o vôo para Chiang Mai é curto, geralmente pouco mais de uma hora. Há também trem noturno e ônibus, opções que podem ser interessantes em uma viagem mais longa pela Tailândia, mas que exigem reserva antecipada no período do festival.
Para brasileiros, regras de entrada, exigências sanitárias, validade de passaporte e condições de visto podem mudar. Antes de emitir passagens, confirme as orientações atualizadas em fontes oficiais da Tailândia e da companhia aérea.
Quanto custa viajar para o Yi Peng?
O orçamento varia muito porque novembro é alta temporada em Chiang Mai. A cidade em si pode ser relativamente acessível em outras épocas, mas o festival puxa os preços para cima.
Os itens que mais pesam são:
- passagem aérea internacional;
- hospedagem durante a semana do evento;
- ingresso para um lançamento privado, se essa for a escolha;
- deslocamentos em horários de pico;
- restaurantes e experiências mais concorridas.
É possível aproveitar o período sem comprar ingresso para evento fechado, especialmente para quem valoriza a parte urbana do Loy Krathong. Mas quem deseja participar do lançamento coletivo precisa colocar esse custo no planejamento desde o começo.
Vale ainda reservar uma margem financeira para transporte. Aplicativos de carro, táxis e songthaews, as caminhonetes coletivas típicas do norte da Tailândia, podem enfrentar congestionamentos e cobranças maiores em noites de grande movimento.
O que torna o Yi Peng uma viagem especial
O Yi Peng chama atenção pela imagem das lanternas, naturalmente. Poucos eventos criam uma cena tão reconhecível. Mas a viagem ganha outra dimensão quando não fica limitada à busca pela foto perfeita.
Chiang Mai é uma cidade que convida a desacelerar. Há templos antigos, mercados noturnos, culinária do norte tailandês, cafés, artesanato e paisagens montanhosas nos arredores. Em novembro, o festival adiciona uma camada de energia à cidade, mas não substitui o resto dela.
A melhor expectativa é equilibrada: esperar emoção, beleza e muita gente. Haverá filas, trânsito, preços altos e momentos em que a experiência parece mais organizada para turistas do que íntima. Isso faz parte. Ao mesmo tempo, as cerimônias, as luzes refletidas na água e o silêncio breve que se forma quando as lanternas começam a subir podem ser muito marcantes.
O Yi Peng não é apenas um festival de lanternas. É uma celebração ligada à passagem do tempo, à intenção de recomeçar e ao modo como luz, água e comunidade ocupam a cidade por algumas noites.