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Como Funcionam as Alianças Aéreas Star Alliance, Oneworld e SkyTeam

Descubra como funcionam as alianças aéreas Star Alliance, Oneworld e SkyTeam, e aprenda a usar essas redes para viajar melhor, acumular milhas e acessar salas VIP.

Foto de Pedro Roberto Guerra: https://www.pexels.com/pt-br/foto/37778273/

Entender o que são e como funcionam as alianças aéreas é o primeiro passo para quem deseja viajar o mundo com mais conforto, otimizando o acúmulo de milhas e garantindo conexões seguras entre diferentes companhias. O mercado da aviação comercial parece um grande quebra-cabeças visto de fora. Você compra uma passagem no site de uma empresa, chega ao aeroporto e descobre que o avião tem o logotipo de outra companhia totalmente diferente. Isso causa confusão na cabeça de muitos viajantes. No entanto, existe uma lógica muito bem estruturada por trás disso.

Na prática do planejamento de viagens, dominar o conceito das alianças aéreas separa o viajante comum daquele que consegue extrair o máximo de valor do seu bilhete. Não se trata apenas de marketing. Trata-se de uma infraestrutura global compartilhada que afeta desde o despacho da sua bagagem até o seu direito de tomar um banho quente em uma sala VIP durante uma conexão longa.

Para compreender o cenário atual, precisamos olhar para as três grandes forças que dominam os céus: Star Alliance, Oneworld e SkyTeam. Juntas, elas respondem por mais da metade de todo o tráfego aéreo global de passageiros. Elas formam grandes clubes. Quando uma companhia aérea entra para um desses clubes, ela concorda em cooperar com as outras integrantes em diversos níveis.

A primeira grande vantagem de uma aliança para o passageiro é a conectividade. Imagine que você precisa voar de Belo Horizonte para uma cidade secundária na Ásia, como Chiang Mai, na Tailândia. Nenhuma companhia aérea do mundo faz essa rota inteira sozinha. Sem as alianças, você teria que comprar uma passagem para a Europa, recolher suas malas, fazer um novo check-in, comprar outra passagem para Bangkok, repetir o processo com as malas, e comprar um vôo local tailandês. O risco de perder um desses vôos e ficar com o prejuízo seria gigantesco.

Com as alianças aéreas, esse problema desaparece. O sistema permite que você compre um bilhete único. Você despacha sua mala no Brasil e só a encontra na esteira em Chiang Mai. Se o primeiro vôo atrasar e você perder a conexão na Europa, a responsabilidade de reacomodar você no próximo vôo disponível é das companhias aéreas parceiras, sem custo adicional. Essa malha de proteção é o benefício mais invisível e, ao mesmo tempo, o mais valioso das alianças.

Outro ponto crucial é o codeshare, ou compartilhamento de vôos. É exatamente aquilo que gera a confusão mencionada no início. Duas ou mais companhias vendem assentos no mesmo avião. O vôo é operado por uma empresa, mas o número do vôo no seu cartão de embarque pode ser o da companhia parceira com a qual você comprou a passagem. Isso amplia virtualmente a malha de destinos de todas as empresas envolvidas.

Agora, vamos analisar detalhadamente cada um desses três grandes blocos, suas características, forças e fraquezas. O mapa global da aviação não é dividido de forma igualitária. Cada aliança tem seus redutos de domínio absoluto e seus pontos cegos.

A Star Alliance é a pioneira e a maior de todas as alianças aéreas. Fundada em 1997 por cinco companhias (Air Canada, Lufthansa, Scandinavian Airlines, Thai Airways e United Airlines), ela cresceu de forma assustadora. Hoje, é um verdadeiro leviatã da aviação comercial. O tamanho gigantesco traz uma grande vantagem de capilaridade. É muito difícil pensar em um destino no planeta, por mais remoto que seja, onde a Star Alliance não consiga te levar com no máximo duas ou três conexões.

A força da Star Alliance na Europa Central é inquestionável. O grupo Lufthansa (que inclui a própria Lufthansa, a Swiss, a Austrian Airlines e a Brussels Airlines) domina os principais hubs do continente, como Frankfurt, Munique, Zurique e Viena. Para nós brasileiros, a presença da TAP Air Portugal é fundamental. A TAP funciona como a principal ponte entre o Brasil e a Europa para os membros da Star Alliance. Na América do Norte, a United Airlines e a Air Canada garantem uma cobertura exaustiva de costa a costa.

Na Ásia, a Star Alliance tem pesos pesados reconhecidos pela altíssima qualidade de serviço, como a japonesa ANA (All Nippon Airways), a Singapore Airlines e a EVA Air, baseada em Taiwan. Na África, a Ethiopian Airlines e a South African Airways fornecem a principal malha de conectividade do continente.

Contudo, ser a maior aliança tem seu preço. A qualidade do serviço dentro da Star Alliance é extremamente desigual. Você pode voar em uma luxuosa suíte de Primeira Classe da Singapore Airlines em um dia e, no outro, enfrentar um serviço bastante básico e aeronaves antigas em parceiras menores como a EgyptAir ou a Air India (embora esta última esteja passando por um processo intenso de renovação). A coesão de produto não é o forte do grupo.

Companhia Aérea (Star Alliance)Principal Base (Hub)
United AirlinesEstados Unidos
LufthansaAlemanha
TAP Air PortugalPortugal
Air CanadaCanadá
ANAJapão
Turkish AirlinesTurquia
Copa AirlinesPanamá

A Oneworld, por sua vez, segue uma filosofia diferente. Fundada em 1999, ela é a menor das três grandes em número de membros, mas é amplamente considerada a favorita dos passageiros frequentes corporativos. O foco da Oneworld sempre foi recrutar companhias aéreas de primeira linha que dominam rotas de negócios altamente lucrativas.

A aliança tem uma presença brutal na América do Norte com a American Airlines, e no Reino Unido com a British Airways. A parceria entre essas duas gigantes domina a rota transatlântica mais rentável do mundo (Nova York para Londres). Na península ibérica, a Iberia é a ponte principal para a América Latina.

No entanto, o verdadeiro brilho da Oneworld está no Oriente Médio e na Ásia. A Qatar Airways é frequentemente eleita a melhor companhia aérea do mundo e oferece uma rede de conexões impressionante a partir de Doha. A Cathay Pacific, baseada em Hong Kong, e a Japan Airlines (JAL) oferecem produtos de primeiríssima linha no mercado asiático. A Qantas domina o mercado australiano, sendo praticamente a única opção viável de aliança forte na Oceania.

Para a América do Sul, a Oneworld sofreu um golpe duro quando a LATAM deixou a aliança há alguns anos. A saída deixou um vazio no continente sul-americano, o que significa que viagens regionais dentro da nossa América do Sul ficaram mais difíceis de emitir usando milhas das empresas deste grupo.

A grande cartada da Oneworld frente aos concorrentes é o reconhecimento de status dos passageiros frequentes. O nível máximo da aliança (chamado de Emerald) permite que os passageiros acessem as exclusivas salas VIP de Primeira Classe, mesmo voando em classe econômica. Nem a Star Alliance nem a SkyTeam oferecem esse benefício de forma padronizada.

Companhia Aérea (Oneworld)Principal Base (Hub)
American AirlinesEstados Unidos
British AirwaysReino Unido
Qatar AirwaysCatar
IberiaEspanha
QantasAustrália
Japan AirlinesJapão
FinnairFinlândia

A SkyTeam é frequentemente vista como a terceira força, mas subestimá-la é um erro crasso no planejamento de viagens. Formada no ano 2000, ela tem uma estrutura muito centrada em grandes alianças comerciais e joint ventures dentro da própria aliança. A espinha dorsal da SkyTeam é a forte ligação entre a norte-americana Delta Air Lines e o grupo europeu Air France-KLM. Essa trinca movimenta um volume absurdo de passageiros entre as Américas e a Europa.

Na América Latina, a SkyTeam tem presença com a Aeroméxico e a Aerolíneas Argentinas. A Delta também comprou uma participação gigante na LATAM. Embora a LATAM não tenha entrado formalmente para a SkyTeam, a integração de benefícios entre LATAM e Delta é imensa na prática diária.

A SkyTeam tem uma força considerável na Ásia, especialmente na China, com a China Eastern e a XiamenAir, além da Korean Air, que é uma excelente companhia com base em Seul. Uma curiosidade interessante sobre o dinamismo desse mercado é que a SAS (Scandinavian Airlines), que foi uma das fundadoras da Star Alliance, recentemente mudou de lado e ingressou na SkyTeam, impulsionada por investimentos da Air France-KLM. Isso mostra como o mercado é fluido.

A crítica mais comum à SkyTeam entre os especialistas em viagens é a fragmentação dos benefícios. Muitas vezes, as regras para acesso a salas VIP ou franquia de bagagem extra possuem muitas exceções, o que obriga o passageiro a ler as letras miúdas antes de contar com um benefício garantido.

Companhia Aérea (SkyTeam)Principal Base (Hub)
Delta Air LinesEstados Unidos
Air FranceFrança
KLMPaíses Baixos
Korean AirCoreia do Sul
AeroméxicoMéxico
Aerolíneas ArgentinasArgentina
SASEscandinávia

O verdadeiro poder de conhecer essas alianças surge quando entramos no mundo dos programas de fidelidade, as famosas milhas. É aqui que o jogo fica sério e altamente lucrativo para quem sabe as regras.

Você não precisa ter conta no programa de milhagens de todas as companhias aéreas do mundo. Aliás, tentar fazer isso é a pior estratégia possível, pois seus pontos ficarão pulverizados e não servirão para nada. A regra de ouro é concentrar seus esforços. Você deve escolher um programa principal dentro de cada aliança.

Se você voa de United Airlines para Nova York, você não precisa creditar essas milhas no programa da United (MileagePlus). Você pode informar o número do seu programa da TAP (Miles&Go) ou da Copa Airlines (ConnectMiles). As milhas caem na conta que você escolheu, porque elas são parceiras da Star Alliance.

Isso permite que você junte milhas de diferentes viagens, voadas com diferentes companhias, em um único “pote”. Quando você tiver milhas suficientes nesse pote, poderá usá-las para emitir uma passagem prêmio (award ticket) em qualquer empresa daquela mesma aliança. Por exemplo, você pode usar milhas acumuladas em vôos da American Airlines para resgatar uma passagem para voar de Qatar Airways para as Maldivas. As possibilidades são infinitas e costumam render emissões com valores de mercado muito superiores ao custo das milhas.

Além do acúmulo e resgate de milhas, existe a questão do status de passageiro frequente (Elite Status). Quando você atinge um nível alto no programa de uma companhia, esse status é traduzido (mapeado) para um nível global da aliança.

Na Star Alliance, os níveis globais são o Silver e o Gold. O Star Alliance Gold é o grande objetivo de muitos viajantes. Ele garante check-in prioritário, embarque preferencial, franquia de bagagem extra e, o mais importante, acesso a mais de mil salas VIP ao redor do mundo, independentemente da classe em que você esteja voando (desde que seja um vôo operado pela aliança).

Na Oneworld, o sistema tem três degraus práticos: Ruby, Sapphire e Emerald. O Sapphire já garante acesso às salas VIP executivas (Business Class lounges) e embarque prioritário. O Emerald, como já citado, abre as portas dos santuários da aviação, as salas VIP de Primeira Classe. Esperar um vôo no lounge da Qantas First Class em Sydney ou no The Pier da Cathay Pacific em Hong Kong, bebendo champanhe safrado antes de um vôo na econômica, é o tipo de experiência que mostra o valor real de entender o sistema de alianças.

Na SkyTeam, os níveis se dividem em Elite e Elite Plus. O Elite Plus garante os benefícios tradicionais de prioridade, bagagem e acesso aos lounges das companhias parceiras em vôos internacionais.

É importante frisar um detalhe que confunde muita gente na hora de planejar a viagem. Comprar passagens usando milhas de parceiros requer disponibilidade. As companhias aéreas não liberam todos os assentos vazios para serem comprados com milhas por membros de outras empresas da aliança. Elas liberam um número restrito de vagas na classe “Award”. Encontrar essa disponibilidade, especialmente em cabines premium (executiva e primeira classe), exige flexibilidade de datas, paciência e conhecimento das ferramentas de busca adequadas. Não é raro o sistema mostrar um assento disponível que na verdade não existe, o temido assento fantasma (phantom availability), fruto de problemas de sincronização entre os sistemas de TI de companhias diferentes.

Outro produto fantástico criado pelas alianças, mas que pouca gente usa hoje em dia, é o bilhete de Volta ao Mundo (Round the World ou RTW). O RTW é uma tarifa especial baseada na distância total voada ou no número de continentes visitados. Você compra um único bilhete e monta um roteiro global. As regras são estritas. Você precisa seguir sempre em uma direção (leste ou oeste), cruzar o Atlântico e o Pacífico apenas uma vez, e o bilhete tem validade de um ano. Comprar um bilhete desses em classe executiva usando as ferramentas da Star Alliance ou da Oneworld custa uma fração do valor que você pagaria comprando os trechos separadamente. É o auge da utilização da rede conectada.

Entretanto, o mercado da aviação é extremamente dinâmico e as alianças não são a resposta para tudo. Existe uma tendência forte no mercado atual de formação de Joint Ventures (JVs). As JVs são parcerias muito mais profundas que as alianças. Em uma JV, as companhias efetivamente dividem os custos e os lucros de rotas específicas. Elas coordenam horários de vôos e preços para não competirem entre si. A parceria Delta, Air France e KLM é uma Joint Venture gigante sobre o Atlântico Norte. Nessas situações, o grau de integração é tão alto que parece que você está voando em uma única empresa global. Muitas vezes, as regras da Joint Venture se sobrepõem às regras da aliança mais ampla.

Também não podemos ignorar o fato de que gigantes da aviação optaram por jogar fora do sistema de alianças. O maior exemplo mundial é a Emirates. Baseada em Dubai, a Emirates construiu um hub tão monstruoso e uma malha tão conectada que ela se tornou a sua própria aliança. A Etihad Airways, em Abu Dhabi, tentou um modelo diferente comprando participações em companhias menores em dificuldades, o que não deu muito certo no passado. No Brasil, a Azul Linhas Aéreas também não faz parte de nenhuma grande aliança global, preferindo costurar acordos bilaterais específicos com empresas como a United e a TAP (ambas da Star Alliance) e a Emirates.

A própria LATAM, após sair da Oneworld, adotou a postura de empresa independente. Ela forma laços fortíssimos com a Delta e tem parcerias valiosas com a Qatar Airways e a British Airways, mostrando que é possível sobreviver e prosperar fora do sistema de clubes, desde que você tenha um mercado doméstico forte para barganhar.

Outro ponto cego das alianças são as companhias aéreas de baixo custo (Low Cost Carriers ou LCCs). Empresas como Ryanair e EasyJet na Europa, Southwest nos Estados Unidos, ou AirAsia no sudeste asiático, dominam vôos curtos regionais e não participam de aliança nenhuma. O modelo de negócios delas, focado em operações ponto a ponto sem oferecer conexões garantidas ou transferência de bagagem, é incompatível com o sistema complexo de uma Star Alliance da vida. Portanto, ao planejar roteiros muito fragmentados internamente em continentes como a Europa, muitas vezes vale mais a pena financeiramente comprar vôos avulsos de low costs do que tentar encaixar tudo na rede de uma aliança.

Toda essa engrenagem funciona incrivelmente bem na maior parte do tempo. Você compra o bilhete, ganha os pontos, acessa o lounge e chega ao destino. Porém, é nas situações de crise (os chamados IRROPS, operações irregulares) que a força de uma aliança é testada. Se um vulcão entra em erupção, ou uma nevasca fecha um aeroporto, os passageiros com status alto nas alianças são os primeiros a serem reacomodados nas parceiras. Se o seu vôo da Lufthansa for cancelado por greve, o sistema da Star Alliance permite que os agentes tentem te colocar rapidamente num vôo da United ou da Air Canada que saia do mesmo aeroporto, minimizando o impacto na sua viagem.

Em resumo, o viajante moderno e inteligente precisa olhar para as opções de vôos não apenas pelo preço estampado na tela do buscador, mas pelo ecossistema que aquele vôo oferece. Decidir viajar sempre por empresas da mesma aliança cria um efeito bola de neve de benefícios. Quanto mais você concentra as viagens, mais milhas acumula na mesma conta e mais rápido sobe de categoria. Ao atingir as categorias superiores, a qualidade da sua jornada em aeroportos pelo mundo inteiro muda de patamar. O estresse das conexões diminui, as salas VIP oferecem refúgio e a malha global garante que você chegue ao destino. Escolha a sua aliança com base nos lugares que você mais costuma visitar, estude os programas de fidelidade atrelados a ela, e use as regras do jogo a seu favor. A aviação comercial é complexa, mas altamente recompensadora para quem entende como os bastidores funcionam.

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