Aeroporto El Dorado de Bogotá: O Maior Hub Aéreo da Colômbia

Conhecer o Aeroporto Internacional El Dorado (BOG) é entender por que Bogotá se consolidou como uma das portas de entrada mais movimentadas da América do Sul, com 31 companhias aéreas, 103 destinos em 30 países e vôos diretos que chegam até Istambul, na Turquia.

Vídeo mostra um pouco do El Dorado Airport

Quem chega em Bogotá pela primeira vez costuma se surpreender. O El Dorado não é só um aeroporto grande, é o tipo de lugar que dá a sensação de que a cidade inteira começa ali. Localizado a uns 15 quilômetros do centro, ele recebe um fluxo constante de viajantes que vão para os Andes, para o Caribe colombiano, para a Amazônia, ou que apenas fazem conexão rumo a outros cantos da América Latina. E faz isso com uma eficiência que, sinceramente, nem todo aeroporto sul-americano consegue entregar.

Antes de entrar nos detalhes das companhias, das rotas e da estrutura, vale entender o que torna o BOG um caso à parte no continente.

Por que o El Dorado é tão estratégico

A localização da Colômbia no mapa explica muita coisa. O país fica praticamente no meio do caminho entre a América do Norte e o sul do continente, e Bogotá, a 2.640 metros de altitude, virou um ponto natural de conexão. Isso não foi planejado da noite para o dia. Foi resultado de décadas de investimento, da força da Avianca como companhia de bandeira e de uma política aérea que abriu espaço para que outras operadoras crescessem por ali.

Hoje, o aeroporto carrega o código IATA BOG e o ICAO SKBO. Esses códigos aparecem em qualquer bilhete, qualquer etiqueta de bagagem, qualquer sistema de reserva. Para quem viaja com frequência pela região, eles acabam virando referência quase automática.

O El Dorado também figura constantemente entre os aeroportos mais movimentados da América Latina em volume de carga. Isso tem a ver com a posição geográfica e com o fato de a Colômbia ser um dos maiores exportadores de flores e de café do mundo. Quem já passou pelos terminais de carga sabe: o cheiro de flor fresca embarcando para Miami é coisa que marca.

As companhias que operam em Bogotá

Ao todo, 31 companhias aéreas operam vôos de e para o El Dorado. Mas a maioria do tráfego se concentra em um grupo menor, que praticamente define como a malha funciona. Olhando os números de destinos atendidos, dá para perceber claramente quem domina o jogo:

Companhia AéreaCódigoDestinos Atendidos
AviancaAV69
LATAMLA24
SATENA9R23
WingoP518
EasyFlyVE14
JetSmartJA11
VivaAerobusVB4
VolarisY43
Air CanadaAC2

A Avianca, com 69 destinos, é praticamente onipresente. Não é exagero dizer que metade do aeroporto respira no ritmo dela. Quem voa Avianca a partir de Bogotá tem acesso a uma malha que cobre desde cidades pequenas dentro da própria Colômbia até hubs como Madri, Nova York e Buenos Aires.

A LATAM aparece logo atrás, com 24 destinos, e tem um peso forte tanto em rotas internacionais quanto em vôos para Lima, Santiago e São Paulo. É a opção mais natural para quem está vindo do Brasil e quer continuidade dentro da mesma aliança (a oneworld).

Já a SATENA é uma surpresa para quem não conhece. Com 23 destinos, ela é uma companhia operada pela Força Aérea Colombiana e cumpre um papel quase social: conecta Bogotá a cidades remotas, muitas vezes na Amazônia ou no Pacífico colombiano, onde nenhuma outra companhia comercial chega. Se você quer ir para Leticia, Mitú ou Bahía Solano, provavelmente vai voar SATENA.

A Wingo é a low-cost que mais ganhou espaço nos últimos anos. Com 18 destinos, virou queridinha de quem busca passagens baratas para o Caribe colombiano, Panamá e algumas cidades do México. O serviço é bem básico, mas o preço compensa.

A EasyFly atende o mercado regional, com 14 destinos quase todos dentro da Colômbia. É útil quando você quer evitar conexões longas e ir direto a cidades intermediárias.

A JetSmart, chilena, e a Volaris e VivaAerobus, mexicanas, completam o time das low-cost internacionais. A Air Canada faz a ponte com Toronto e Montreal, geralmente em vôos noturnos.

A malha de destinos: 103 cidades, 30 países

Esse número impressiona. 103 destinos não-stop em 30 países. Para se ter ideia, isso coloca o El Dorado em pé de igualdade com aeroportos como Lima e bem à frente de muitos outros na região.

Dentro da Colômbia, são 44 vôos domésticos. Isso significa que praticamente qualquer cidade colombiana com aeroporto comercial tem alguma conexão com Bogotá. Cartagena, Medellín, Cali, Santa Marta, San Andrés, Pereira, Bucaramanga, todas aparecem com frequência diária e, muitas vezes, com várias opções de horário.

No lado internacional, a malha cobre:

  • América do Norte: Miami, Nova York, Los Angeles, Toronto, Cidade do México, Cancún, entre outros
  • América Central e Caribe: Cidade do Panamá, San José, Havana, Punta Cana, Aruba, Curaçao
  • América do Sul: São Paulo, Buenos Aires, Lima, Santiago, Quito, Montevidéu, Caracas
  • Europa: Madri, Barcelona, Paris, Londres, Frankfurt, Istambul
  • Outros: vôos sazonais e de cargueiros para destinos asiáticos

A diversidade é grande. E o que chama atenção é a presença de rotas que você não esperaria encontrar tão facilmente, como a ligação direta com Istambul.

O vôo mais longo: Bogotá a Istambul

Esse é um dos pontos mais curiosos do El Dorado. O vôo mais longo a partir de BOG é o que vai até Istambul (IST), operado pela Turkish Airlines. São 6.663 milhas, ou cerca de 10.723 quilômetros, em um trajeto direto que dura por volta de 13 horas e 25 minutos.

Para colocar em perspectiva, é praticamente o limite do que aviões comerciais conseguem fazer hoje sem escala. A Turkish Airlines opera essa rota como parte da sua estratégia de conectar a Turquia com a América Latina, e Bogotá virou um dos pontos-chave dessa malha. O vôo costuma decolar no fim da tarde e chegar em Istambul na manhã seguinte, o que ajuda quem quer continuar viagem para a Ásia ou o Oriente Médio sem perder muito tempo.

Quem já fez esse trajeto sabe que treze horas e meia em cabine não é nada trivial. Vale escolher bem o assento, hidratar-se direito e, se possível, evitar o pico de cansaço logo no embarque.

Estrutura do aeroporto

O El Dorado tem dois terminais principais: o Terminal 1, que concentra a maior parte dos vôos internacionais e domésticos das grandes companhias, e o Terminal Puente Aéreo, usado principalmente pela Avianca para rotas domésticas de alta frequência.

A modernização do aeroporto, concluída em fases ao longo da última década, transformou bastante a experiência de quem passa por ali. Os saguões são amplos, há boa oferta de restaurantes (com destaque para o café colombiano em quase todo canto), lojas duty-free razoáveis e Wi-Fi gratuito que, na maioria das vezes, funciona bem.

A imigração colombiana costuma ser eficiente para passageiros sul-americanos, mas em horários de pico, especialmente entre seis e nove da manhã, as filas podem assustar. Vale chegar com folga, principalmente em conexões internacionais.

Como chegar ao centro de Bogotá

Saindo do El Dorado, você tem basicamente três opções:

  1. Táxi oficial: o mais prático. Os pontos ficam logo na saída do desembarque e o preço varia conforme a região da cidade. Em geral, sai entre 25.000 e 45.000 pesos colombianos para os bairros mais procurados como Chapinero, Usaquén ou La Candelaria.
  2. Aplicativos de transporte: Uber, Cabify e DiDi funcionam, mas a operação no aeroporto é meio cinzenta legalmente. Os motoristas costumam pedir para você embarcar fora da área oficial, o que pode dar uma sensação estranha na primeira vez.
  3. TransMilenio: o sistema de ônibus rápido de Bogotá. Mais barato, mas com bagagem grande não compensa. Funciona melhor para quem está viajando leve.

Importante lembrar da altitude. Bogotá está a 2.640 metros, e algumas pessoas sentem o efeito ao desembarcar. Pode dar uma leve falta de ar, dor de cabeça ou cansaço nos primeiros dias. Beber bastante água e evitar esforço físico no primeiro dia ajudam a se adaptar.

Dicas práticas para quem vai usar o El Dorado

Algumas coisas que fazem diferença:

  • Chegue com tempo. Para vôos internacionais, três horas de antecedência é o ideal. Pode parecer exagero, mas em dias movimentados as filas do check-in e da imigração comem o tempo rapidamente.
  • Cuidado com a moeda. As casas de câmbio do aeroporto não oferecem as melhores taxas. Se puder, troque um valor pequeno só para o táxi e deixe o resto para fazer na cidade ou usar cartão.
  • Conexões apertadas. Se você está fazendo conexão entre vôo internacional e doméstico, considere pelo menos três horas de margem. Bagagem precisa ser retirada e despachada novamente em alguns casos.
  • Lounges. O El Dorado tem opções razoáveis de salas VIP, incluindo a Avianca Lounge e algumas que aceitam Priority Pass. Em vôos longos como o de Istambul, isso faz uma diferença real.
  • Compras. O duty-free não é dos mais baratos da região. Café colombiano e esmeraldas são as compras mais clássicas, mas vale comparar preços com lojas fora do aeroporto.

Bogotá como hub de conexão na América Latina

Pensar no El Dorado apenas como um aeroporto que serve a capital colombiana é subestimar o papel dele. Para muitos viajantes brasileiros, por exemplo, ele virou alternativa interessante para chegar a destinos do Caribe, da América Central e até dos Estados Unidos, com tarifas que às vezes saem mais em conta que conexões via Panamá ou Miami.

A Avianca, junto com a Star Alliance, e a LATAM, dentro da oneworld, oferecem essa malha integrada que torna possível combinar trechos de forma flexível. Para quem acumula milhas, BOG é um aeroporto onde dá para fazer redenções inteligentes, especialmente em rotas que envolvem a Europa.

A presença das low-cost mexicanas e chilenas também mudou o jogo. Vôos para Cancún, Cidade do México e Santiago ficaram mais acessíveis, e isso fez com que a Colômbia entrasse no radar de viajantes que antes nem cogitavam parar por lá.

O que esperar do El Dorado nos próximos anos

O aeroporto vem passando por expansões constantes. A demanda cresceu mais rápido do que a estrutura, e há projetos em andamento para aumentar a capacidade dos terminais e modernizar pistas. A ideia é que o BOG mantenha o posto de hub estratégico do norte da América do Sul e consiga absorver o aumento previsto no tráfego internacional.

Para o viajante, isso significa um aeroporto cada vez mais funcional, com mais opções de rota e, em tese, menos gargalos operacionais. As obras geram alguns transtornos pontuais, claro, mas o resultado a médio prazo tende a ser positivo.

Vale a pena passar por Bogotá?

Se a pergunta é se vale considerar o El Dorado como ponto de conexão ou destino, a resposta curta é: sim. É um aeroporto bem servido, em uma cidade que tem muito mais a oferecer do que se imagina, e que conecta praticamente qualquer canto relevante das Américas e parte da Europa. A combinação de companhias, a diversidade de rotas e a infraestrutura colocam o BOG em um patamar que poucos aeroportos sul-americanos alcançam.

E se sobrar um dia ou dois entre conexões, vale sair do aeroporto. Bogotá tem um centro histórico que merece tempo, museus que estão entre os melhores do continente (o Museu do Ouro é quase obrigatório), e uma cena gastronômica que vem chamando atenção há alguns anos. O frio das alturas surpreende quem chega esperando o calor caribenho da Colômbia, mas a cidade compensa.

O El Dorado não é apenas um ponto de passagem. É a primeira impressão de um país que costuma encantar quem decide ficar.

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