Cuidados com Carro Alugado na Rota 66 nos Estados Unidos

Cuidados com carro alugado na Rota 66: seguro, taxa de devolução, pedágio, combustível, calor no deserto e regras de trânsito para viajar sem dor de cabeça.

Cuidados com carro alugado na Rota 66: seguro, taxa de devolução, pedágio, combustível, calor no deserto e regras de trânsito para viajar sem dor de cabeça

Alugar um carro para fazer a Rota 66 parece simples até o momento em que você está no balcão da locadora, em Chicago, com uma fila atrás e um atendente oferecendo cinco tipos de seguro com siglas que ninguém entende. É ali que muita viagem começa a ficar mais cara do que deveria. E é também ali que pequenos descuidos viram problema lá na frente, no meio do deserto do Arizona.

O carro é o centro dessa viagem. São quase 4 mil quilômetros entre Chicago e Santa Monica, atravessando oito estados, com trechos de cidade grande, estrada de interior, montanha cheia de curva e deserto onde o posto seguinte pode estar bem longe. Ele vai ser sua casa sobre rodas por duas, três semanas. Vale cuidar bem dele, e cuidar bem do contrato também.

A boa notícia é que quase todos os problemas comuns são evitáveis. Basta saber onde estão as armadilhas.

Antes de reservar: o que pesa no bolso

A taxa de devolução em outra cidade

O primeiro custo que pega muita gente de surpresa é a chamada one-way fee. Como a Rota 66 começa em um lugar e termina em outro, o normal é retirar o carro em Chicago e devolver em Los Angeles. As locadoras cobram uma taxa extra por isso, porque depois precisam lidar com o carro longe da base original.

O valor varia muito. Depende da empresa, da categoria do carro, da época do ano e até da antecedência da reserva. Em algumas cotações a taxa já vem embutida no preço da diária, em outras aparece separada no resumo final. Por isso, compare sempre o valor total da locação, e não só a diária anunciada.

Uma dica útil: faça simulações mudando a cidade de retirada ou de devolução. Às vezes retirar no aeroporto O’Hare sai diferente de retirar no centro de Chicago. E devolver no LAX pode custar diferente de devolver em uma loja de Santa Monica. Pequenos ajustes chegam a fazer uma diferença boa no total.

Quilometragem livre: confirme mesmo assim

A maioria das locações nos Estados Unidos tem quilometragem ilimitada, o famoso unlimited mileage. Mas em alguns contratos de devolução em outro estado, ou em certas promoções, pode haver limite. Numa viagem de milhares de quilômetros, um limite escondido vira uma conta assustadora no final. Leia essa linha do contrato com atenção.

Cartão de crédito é praticamente obrigatório

As locadoras americanas trabalham com cartão de crédito no nome do motorista principal. Elas fazem um bloqueio de caução, que pode ser de algumas centenas de dólares, e liberam depois da devolução. Cartão de débito até é aceito por algumas empresas, mas costuma vir cheio de exigências extras, e cartões estrangeiros de débito raramente funcionam.

Leve um cartão com limite folgado. Lembre que o bloqueio da caução consome parte desse limite durante toda a viagem, e você ainda vai precisar do cartão para hotel, combustível e o resto.

Idade do motorista

Nos Estados Unidos, a idade mínima para alugar costuma ser 21 anos na maioria das locadoras, e quem tem menos de 25 paga uma taxa diária extra, a young driver fee. Em uma viagem longa, essa taxa pesa bastante. Se houver mais de um motorista no grupo e um deles tiver mais de 25, vale colocá-lo como motorista principal.

Motorista adicional

Dividir o volante numa viagem dessas faz todo sentido. Só que cada motorista extra precisa estar registrado no contrato, e normalmente existe cobrança por dia. Algumas locadoras isentam cônjuge ou companheiro, e na Califórnia a lei garante essa isenção para o cônjuge. Mesmo assim, confira a regra da empresa escolhida. Dirigir sem estar no contrato pode anular toda a cobertura do seguro em caso de acidente.

Seguro: a parte que mais confunde

Aqui mora a maior fonte de dúvida e de gasto inesperado. As siglas mudam um pouco de empresa para empresa, mas a lógica é parecida.

CDW ou LDW: proteção para o carro

O CDW (Collision Damage Waiver) ou LDW (Loss Damage Waiver) cobre danos ao próprio carro alugado, e no caso do LDW também roubo. Sem ele, se o carro for batido ou levado, quem paga é você. Numa viagem longa como a Rota 66, ficar sem essa proteção é arriscado demais.

Alguns cartões de crédito brasileiros, principalmente das categorias mais altas, oferecem cobertura para carro alugado no exterior. Mas cada cartão tem suas regras: às vezes é preciso pagar a locação inteira com aquele cartão, recusar o seguro da locadora, emitir um certificado antes da viagem e, em caso de dano, pagar primeiro e pedir reembolso depois. Ligue para a central do cartão e peça tudo por escrito. Não dá para confiar só no que está no site.

SLI ou LIS: proteção para terceiros

O SLI (Supplemental Liability Insurance), também chamado de LIS, cobre danos que você causar a outras pessoas e a outros veículos. Esse é o seguro que muita gente esquece, e talvez seja o mais importante. Os Estados Unidos têm custos médicos altíssimos e processos judiciais caros. A cobertura mínima exigida por lei em cada estado é baixa perto do que um acidente sério pode custar.

Os cartões de crédito geralmente não cobrem responsabilidade civil. Ou seja, mesmo usando o seguro do cartão para o carro, essa parte normalmente precisa ser contratada à parte.

PAI e PEC: pessoas e pertences

O PAI (Personal Accident Insurance) cobre despesas médicas de quem está no carro. O PEC (Personal Effects Coverage) cobre objetos roubados de dentro do veículo. Se você já tem um bom seguro viagem com cobertura médica e de bagagem, essas duas opções costumam ser dispensáveis. Vale comparar o que seu seguro viagem já oferece antes de pagar em dobro.

Pacotes fechados: muitas vezes compensa

Para brasileiros, uma saída bastante prática é reservar pelo site brasileiro das locadoras ou por agências que vendem pacotes já com os seguros principais incluídos. Esses pacotes costumam juntar CDW ou LDW, SLI e às vezes o primeiro tanque de combustível ou o motorista adicional. O preço final no balcão fica mais previsível.

E aqui vai um alerta: mesmo com tudo pago, o atendente pode oferecer upgrades e coberturas extras. É prática comercial. Se você já sabe o que contratou, basta recusar com educação. Leve o voucher impresso ou salvo no celular para mostrar exatamente o que está incluído.

Assistência na estrada

Algumas locadoras vendem à parte uma proteção de assistência, que cobre coisas como chave perdida, pane seca ou chave trancada dentro do carro. Em uma viagem longa, por regiões isoladas, é uma opção a avaliar. Pane mecânica do próprio carro normalmente já é responsabilidade da locadora, mas o resto pode ser cobrado.

No balcão: documentos e conferências

Quais documentos levar

Brasileiros precisam do passaporte válido, do visto americano de turista e da CNH brasileira válida. A carteira de motorista brasileira costuma ser aceita para turistas nos Estados Unidos, mas a recomendação é levar também a Permissão Internacional para Dirigir (PID), emitida pelo Detran do seu estado. Ela não substitui a CNH, funciona como uma tradução oficial e evita mal-entendidos com policiais ou atendentes. A CNH digital sozinha não serve: leve a física.

O cartão de crédito precisa estar no nome do motorista principal.

Escolhendo o carro certo

A tentação de pegar um carro pequeno para economizar é grande. Mas pense no uso real. Duas ou três semanas de estrada, malas grandes, horas de direção por dia, trechos de calor forte. Um sedã médio ou um SUV compacto costuma ser mais confortável e tem porta-malas que esconde a bagagem, o que é importante para segurança.

E sim, existe o sonho do conversível na Rota 66. É lindo nas fotos. Na prática, o porta-malas é minúsculo, a bagagem fica mais exposta e, no Mojave em pleno verão, dirigir com a capota aberta ao meio-dia é castigo. Muita gente prefere alugar um conversível só para um trecho curto, ou aceitar o carro comum.

Carros americanos de locação são quase sempre automáticos. Para quem não tem costume, vale dar umas voltas no estacionamento antes de sair.

Vistoria com fotos e vídeo

Esse é um cuidado simples que evita muita discussão depois. Antes de sair da locadora, filme o carro inteiro, devagar, com boa luz. Fotografe cada arranhão, amassado, risco no para-brisa e marca nas rodas. Mostre também o painel, com a quilometragem e o nível de combustível.

Se encontrar algum dano que não está no documento de vistoria, volte ao balcão e peça para registrar. Muitas locadoras americanas têm sistemas de vistoria rápidos e às vezes nem há um funcionário conferindo com você. Por isso o vídeo é sua melhor prova.

Confira também se o estepe e as ferramentas estão no carro. Alguns modelos novos vêm só com kit de reparo e compressor, sem pneu reserva.

Ajustes antes de partir

Antes de pegar a estrada, ajuste bancos e espelhos, conecte o celular ao sistema do carro e descubra onde ficam farol, limpador e pisca-alerta. Parece bobagem, mas procurar o botão do limpador de para-brisa debaixo de uma tempestade em Oklahoma não é divertido.

Combustível: como abastecer sem stress

Autoatendimento é a regra

Nos Estados Unidos, quase todos os postos são de autoatendimento. Você mesmo coloca a gasolina. A bomba normalmente aceita cartão diretamente, mas tem um detalhe que trava muitos brasileiros: ela costuma pedir o ZIP code, o código postal americano ligado ao cartão. Cartão brasileiro não tem ZIP code.

A solução é simples. Entre na loja do posto, diga ao caixa o número da bomba e o valor que quer abastecer, pague antes e depois volte para encher. Se sobrar valor, ele devolve a diferença. Também é possível deixar o cartão no caixa em alguns postos, ou pagar em dinheiro.

Qual combustível colocar

A gasolina comum é a Regular, normalmente com octanagem 87. É o que a grande maioria dos carros de locação usa. As opções Plus e Premium são mais caras e só fazem sentido se o carro exigir, o que costuma estar escrito na tampa do tanque. Nunca coloque diesel por engano: a bomba de diesel geralmente tem bico de outra cor e está identificada, mas vale a atenção.

Abasteça com folga

Nos trechos mais vazios do Texas, do Novo México, do Arizona e principalmente do deserto de Mojave, na Califórnia, os postos podem ficar distantes. Alguns pequenos fecham cedo. A regra mais segura é abastecer sempre que o tanque chegar na metade. Não espere a luz de reserva acender.

Nas cidades muito isoladas, o preço do galão costuma ser mais alto. Mesmo assim, compensa pagar um pouco mais do que ficar parado na estrada.

Tanque pré-pago ou devolver cheio?

Na retirada, a locadora pode oferecer o tanque pré-pago. Você paga o tanque cheio antecipadamente e pode devolver vazio. Parece prático, mas só compensa se você realmente devolver com o tanque quase seco, o que é difícil de calcular. Na maioria dos casos, a opção mais barata é devolver cheio, abastecendo num posto perto do local de devolução. Se devolver com menos combustível sem ter contratado o pré-pago, a locadora cobra o que falta, quase sempre com preço bem acima do mercado.

Guarde o recibo do último abastecimento. Ele serve de prova caso haja questionamento.

Pedágios: pouco frequentes, mas existem

O traçado histórico da Rota 66 é praticamente livre de pedágio. Mas quem usa as Interstates para ganhar tempo pode passar por alguns trechos pagos.

Illinois e Oklahoma

Na região de Chicago existem rodovias da Illinois Tollway com cobrança eletrônica. Em Oklahoma, a Interstate 44 tem trechos pagos, como a Will Rogers Turnpike, perto da divisa com o Missouri, e a Turner Turnpike, entre Tulsa e Oklahoma City. As rodovias pedagiadas de Oklahoma passaram para cobrança eletrônica, sem cabines com dinheiro. A placa do carro é fotografada e a conta vai para o dono do veículo, ou seja, a locadora.

Como as locadoras cobram

A locadora repassa o valor do pedágio e costuma acrescentar uma taxa administrativa, que pode ser cobrada por dia de uso ou por cada passagem. Algumas oferecem um pacote de pedágio com valor diário fixo durante toda a locação, mesmo nos dias em que você não passa por nenhum. Para a Rota 66, que tem poucos pedágios, esse pacote raramente compensa.

Uma alternativa é simplesmente evitar os trechos pagos, seguindo o traçado antigo, que, convenhamos, é o objetivo da viagem. O próprio Google Maps permite marcar a opção de evitar pedágios. Em Oklahoma, a Rota 66 histórica corre paralela à Turner Turnpike e passa por cidades como Chandler, Stroud e Arcadia, com muito mais graça.

Regras de trânsito que pegam o brasileiro de surpresa

Velocidade em milhas

Tudo é medido em milhas por hora. Uma placa de 65 mph equivale a cerca de 105 km/h. Uma de 25 mph, comum em áreas residenciais e escolares, é por volta de 40 km/h. O velocímetro dos carros americanos mostra milhas em destaque, então basta seguir o número da placa.

Os limites mudam de estado para estado e de trecho para trecho. Nas Interstates do oeste, podem chegar a 75 mph. Na Rota 66 antiga, que corta cidadezinhas, a velocidade cai bruscamente ao entrar na área urbana.

Cuidado com as cidadezinhas

E aqui vale um alerta bem prático. Muitas cidades pequenas ao longo da rota têm fiscalização rigorosa de velocidade. A estrada vem num ritmo mais rápido, aparece uma placa de 35 mph, depois de 25 mph, e logo adiante tem uma viatura esperando. Reduza assim que ver a placa. A multa chega e, em alguns casos, a polícia faz a abordagem na hora.

Parada obrigatória de verdade

A placa de STOP significa parar completamente, com o carro imóvel, e não só diminuir. Nos cruzamentos com placa “4-Way” ou “All-Way”, todos os lados param, e a preferência é de quem chegou primeiro. Se dois chegarem juntos, passa quem está à direita.

Conversão à direita no sinal vermelho

Na maioria dos estados é permitido virar à direita no sinal vermelho, depois de parar totalmente e conferir que não vem ninguém. A exceção é quando existe placa dizendo “No Turn on Red”. Fique atento a ela.

Ônibus escolar parado

Isso é muito sério nos Estados Unidos. Quando um ônibus escolar amarelo para e aciona as luzes vermelhas piscando e a plaqueta de STOP lateral, os carros nos dois sentidos devem parar, salvo quando há separação física entre as pistas. Passar direto rende multa pesada e pode trazer outras consequências.

Pedestres e veículos de emergência

Pedestres na faixa têm preferência absoluta. Quando ambulância, polícia ou bombeiros se aproximam com sirene, encoste à direita e pare. Muitos estados também têm a chamada lei “Move Over”: ao passar por uma viatura ou guincho parados no acostamento com luzes acesas, mude de faixa ou reduza bastante a velocidade.

Álcool e cinto

O limite de álcool no sangue para motoristas adultos é de 0,08% na grande maioria dos estados, mas o melhor é simplesmente não dirigir depois de beber. Também existem leis de “open container”, que proíbem garrafas ou latas de bebida alcoólica abertas no carro. Se comprar uma garrafa de vinho, deixe fechada e no porta-malas.

Cinto de segurança é obrigatório. Crianças precisam de cadeirinha adequada à idade e ao peso, conforme a lei de cada estado. As locadoras alugam, mas o custo diário pode compensar trazer a sua ou comprar uma em loja nos Estados Unidos.

Se a polícia parar você

Ao ver as luzes da viatura atrás, sinalize e encoste em local seguro. Fique dentro do carro, desligue o motor, acenda a luz interna se estiver escuro e mantenha as mãos no volante. Não saia do carro nem procure documentos antes que o policial peça. Seja educado, responda com calma e, se não entender, diga que é turista e fala pouco inglês. Essa postura é o padrão esperado por lá.

Fusos horários: atenção na hora de devolver o carro

Pouca gente pensa nisso, mas a Rota 66 atravessa três fusos horários: o Central, em Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma e Texas; o Mountain, no Novo México e Arizona; e o Pacific, na Califórnia.

O Arizona tem um detalhe a mais. A maior parte do estado não adota horário de verão, enquanto a Nação Navajo, dentro do Arizona, adota. O celular costuma ajustar sozinho, mas o relógio do carro às vezes não.

Por que isso importa para o carro alugado? Porque o contrato conta as diárias em períodos de 24 horas, a partir do horário de retirada. Chegar uma ou duas horas atrasado na devolução pode gerar a cobrança de uma diária a mais. Planeje o último dia com folga e confira o horário local de Los Angeles.

Os trechos da Rota 66 que pedem atenção ao volante

Cidades grandes no começo e no fim

Chicago e Los Angeles são os trechos mais estressantes da viagem. Trânsito pesado, muitas faixas, saídas que aparecem de repente. Em Chicago, uma estratégia comum é aproveitar a cidade a pé e de metrô e só retirar o carro no dia de partida, o que também economiza estacionamento, que é bem caro no centro.

Na chegada a Los Angeles, o trânsito pode ser intenso em boa parte do dia. Evite os horários de pico e deixe margem para chegar à devolução.

O Sitgreaves Pass, no Arizona

Entre Kingman e Oatman, a antiga rota sobe as Black Mountains pelo Sitgreaves Pass. A estrada é estreita, cheia de curvas fechadas, em alguns pontos sem muita proteção lateral. Carros comuns fazem o trajeto normalmente, mas o recomendado é ir devagar, de dia, sem pressa e sem tentar ultrapassar. Motoristas com medo de altura podem ficar tensos. Caminhões e trailers grandes devem evitar esse caminho.

Os burros de Oatman

Em Oatman, burros andam soltos pela rua principal. Eles param na frente dos carros, encostam a cabeça na janela, ficam no meio da pista. Dirija muito devagar, não buzine e não tente passar raspando. E nada de deixar comida exposta com o vidro aberto, porque eles são bem curiosos.

Estradas de terra e trechos antigos

Alguns trechos do traçado original da Rota 66 viraram estradas de cascalho ou terra, especialmente em partes de Oklahoma, Texas, Novo México e Arizona. Muitos contratos de locação proíbem ou limitam o uso de estradas não pavimentadas. Se houver dano nesse tipo de via, a cobertura do seguro pode ser negada. Antes de entrar num pedaço de terra só para seguir o “traçado mais original”, leia o contrato.

Também há um ou outro trecho muito antigo de asfalto ruim, com buracos ou remendos. Nesses casos, vale reduzir para proteger pneus e rodas.

Calor, poeira e clima: o carro também sofre

O deserto de Mojave no verão

No trecho da Califórnia entre Needles e Barstow, as temperaturas no verão passam com facilidade dos 40 graus. O carro sofre com isso, e o motorista também. Antes de atravessar, encha o tanque, confira se o ar-condicionado está funcionando bem e leve bastante água. Se o painel indicar superaquecimento, encoste em local seguro, desligue o ar e espere. Nunca abra a tampa do radiador com o motor quente.

Uma boa estratégia é atravessar o deserto de manhã cedo, quando o calor ainda está mais suportável.

Tempestades de poeira

No Arizona, especialmente na temporada de monções, entre o meio e o fim do verão, podem acontecer tempestades de poeira que reduzem a visibilidade a quase zero em poucos minutos. O departamento de transportes do estado tem até uma campanha com o lema “Pull Aside, Stay Alive”. A orientação é sair da pista o máximo possível, desligar todas as luzes, inclusive os faróis, puxar o freio de mão e tirar o pé do freio. Assim, outros motoristas não seguem suas luzes achando que você está em movimento.

Chuvas fortes e inundações rápidas

No sudoeste, chuvas fortes podem causar inundações repentinas, as chamadas flash floods. Nunca atravesse um trecho alagado. Pouca água em movimento já pode arrastar um carro. A orientação oficial americana é “Turn Around, Don’t Drown”, algo como dê meia-volta e não se afogue.

Inverno, neve e tornados

No inverno, Flagstaff e Williams, no Arizona, ficam a mais de 2 mil metros de altitude e podem ter neve forte. Illinois e Missouri também enfrentam frio intenso. Na primavera, as planícies de Oklahoma, Kansas e Texas ficam na região conhecida pelos tornados. Acompanhe a previsão do tempo, preste atenção nos alertas que chegam ao celular e, se houver aviso de tornado, procure abrigo em construção firme. Carro não é lugar seguro nessa situação.

Animais na pista

Ao amanhecer e ao entardecer, cervos e outros animais costumam cruzar as estradas, principalmente nas áreas rurais e nas florestas do norte do Arizona. Em regiões abertas, gado solto também aparece. Dirigir à noite em trechos isolados aumenta muito esse risco. Sempre que possível, faça os deslocamentos longos com luz do dia.

Segurança: proteja o carro e o que está dentro dele

Bagagem fora de vista

Arrombamento de carro para roubar bagagem existe, principalmente em cidades grandes, estacionamentos de pontos turísticos e áreas de Los Angeles. A regra é não deixar nada à vista. Malas no porta-malas, coberta fechada, nenhuma mochila no banco de trás, nenhum celular ou GPS no painel.

Um cuidado extra: coloque as malas no porta-malas antes de chegar ao destino, e não no estacionamento da atração. Quem observa o movimento vê exatamente onde você guardou tudo.

Documentos sempre com você

Passaporte e dinheiro em espécie devem ficar com você ou no cofre do hotel, nunca dentro do carro estacionado. O contrato de locação e a cópia do seguro podem ficar no porta-luvas, mas vale ter uma foto deles no celular.

Onde parar à noite

Escolha hotéis com estacionamento iluminado. Nos motéis de beira de estrada, o carro fica estacionado na porta do quarto, o que facilita o controle. Se possível, evite deixar o carro em estacionamentos de rua escuros nas cidades grandes durante a noite.

Navegação: não confie em uma ferramenta só

GPS do celular e mapas offline

O celular com Google Maps ou Waze resolve a maior parte da navegação. Mas o sinal some em vários trechos, principalmente no Novo México, no Arizona e no Mojave. Baixe os mapas offline antes de sair de cada cidade grande. Ter um carregador veicular também é básico.

O GPS da locadora costuma ser cobrado por dia e raramente vale a pena.

O GPS quer mandar você para a Interstate

Um detalhe chato: os aplicativos sempre buscam o caminho mais rápido, que geralmente é a Interstate. Para seguir a Rota 66 histórica, ajuda muito usar guias impressos, aplicativos específicos da rota e prestar atenção nas placas marrons de “Historic Route 66”. Às vezes o traçado antigo some no meio de uma cidade e só reaparece depois de algumas quadras.

Se acontecer algum problema na estrada

Pane ou pneu furado

Ligue para o número de assistência da locadora, que costuma estar no contrato, no chaveiro ou num adesivo do carro. Explique onde você está, usando a placa da estrada, a milha indicada nos marcos ou a localização do celular. Se o carro apresentar defeito mecânico, a locadora deve providenciar socorro ou troca.

Acidente

Em caso de acidente, a primeira coisa é segurança. Sinalize com o pisca-alerta e, se houver feridos ou risco, ligue para o 911, o número de emergência americano. Mesmo em acidentes pequenos, vale chamar a polícia para fazer um boletim, o police report. A seguradora e a locadora vão pedir esse documento.

Fotografe tudo: os carros, a posição deles, as placas, os documentos do outro motorista, o local. Troque informações de contato e de seguro com a outra parte. Não assine nada que você não entenda e não assuma culpa verbalmente. Depois, comunique a locadora o quanto antes.

Multas

Multas de estacionamento, de câmera de velocidade ou de pedágio não pago chegam depois para a locadora, que repassa o valor ao cartão de crédito com uma taxa administrativa. Às vezes isso aparece semanas ou meses depois da viagem. Por isso, guarde o contrato e os recibos por um bom tempo.

Fronteiras: nada de esticar até o México

Algumas pessoas que fazem a rota pensam em dar uma escapada até o México, já que a Califórnia e o Arizona são vizinhos do país. Atenção: a maioria das locadoras proíbe ou restringe muito a entrada no México com carro alugado nos Estados Unidos, e quando permite, exige seguro mexicano específico. Entrar sem autorização pode anular todas as coberturas. Se a ideia for visitar o país, é melhor fazer isso sem o carro da locação.

Também vale perguntar se há restrição para algum estado específico. Normalmente não há, mas é bom confirmar.

A devolução: o último cuidado

Combustível, limpeza e objetos

Perto do local de devolução, abasteça e guarde o recibo. Retire todo o lixo do carro. Uma sujeira normal de viagem é aceita, mas excesso de areia, manchas no estofado ou cheiro forte de cigarro podem gerar taxa de limpeza. Fumar em carro alugado costuma ser proibido e a multa é alta.

Depois, confira porta-luvas, bolsões das portas, embaixo dos bancos e o porta-malas. Carregador de celular, óculos de sol e documentos esquecidos são os campeões.

Nova vistoria

Filme o carro de novo na devolução, mostrando cada lado, o painel com o tanque e a quilometragem. Se houver funcionário, peça para acompanhar a vistoria e para entregar o recibo de fechamento do contrato. Se a devolução for fora do horário, com entrega da chave numa caixa, esse vídeo vira ainda mais importante.

Tempo para chegar ao vôo

Na região de Los Angeles, a devolução no aeroporto LAX pode levar mais tempo do que parece. Há trânsito, filas e transporte de ônibus entre a locadora e os terminais. Para pegar o vôo de volta ao Brasil, reserve uma margem generosa. Chegar correndo na devolução depois de três semanas de estrada é a pior forma de terminar a viagem.

Pequenos detalhes que fazem diferença

Ter o número da locadora salvo no celular, uma cópia digital da CNH e do passaporte e o endereço de todas as reservas de hotel facilita muito em qualquer imprevisto.

Levar um cabo USB e um suporte de celular para o painel, de preferência daqueles de encaixar na saída de ar, deixa a navegação mais segura. Segurar o celular na mão enquanto dirige é proibido em vários estados.

Manter uma caixa térmica pequena com água e lanches ajuda bastante nos longos trechos sem estrutura. Dá para comprar uma barata em supermercados como Walmart e Target logo no começo da viagem.

E um último conselho prático: não programe dias de direção longos demais. A Rota 66 tem limites de velocidade menores que as Interstates, passa por dentro de muitas cidades e convida a parar a cada pouco. Cansaço ao volante é um risco real, principalmente nas retas infinitas do Texas e do Novo México. Revezar a direção e parar a cada duas horas faz diferença.

O carro certo, bem cuidado, faz a viagem fluir

Quando o carro está bem escolhido, o contrato está claro e você sabe o que esperar da estrada, a Rota 66 fica muito mais leve. O tempo que seria gasto com preocupação vai para o que importa: a baleia azul de Catoosa, os Cadillacs pintados de Amarillo, o neon de Tucumcari, o Grand Canyon visto de perto e o pôr do sol no píer de Santa Monica.

Leia o contrato antes, filme o carro na retirada e na devolução, abasteça com folga e respeite o clima e as regras locais. São cuidados simples, e quase todos podem ser resolvidos ainda em casa, antes de embarcar no vôo para Chicago. Na estrada, sobra espaço só para aproveitar.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário