Os Melhores Destinos na Rota 66 nos Estados Unidos
Os melhores destinos na Rota 66 vão de Chicago a Santa Monica, passando por Cadillac Ranch, Tucumcari, Grand Canyon, Seligman e Oatman. Veja onde vale parar.

Os melhores destinos na Rota 66 não são necessariamente os maiores ou os mais famosos. Muitas vezes, o lugar que fica na memória é um posto de gasolina restaurado no meio do nada, uma lanchonete com torta caseira ou uma cidade de cem habitantes que insiste em manter o letreiro de neon aceso. É isso que faz a estrada ser diferente.
São quase 4 mil quilômetros entre Chicago e Santa Monica, cruzando Illinois, Missouri, Kansas, Oklahoma, Texas, Novo México, Arizona e Califórnia. Dá para fazer tudo em uma semana correndo, mas a graça está nas paradas. E com tanta coisa pelo caminho, saber onde vale a pena reduzir a velocidade ajuda bastante.
O roteiro abaixo segue o sentido tradicional, de leste para oeste, como faziam as famílias que migravam para a Califórnia nos anos 1930. Algumas paradas pedem um dia inteiro. Outras se resolvem em quinze minutos, com uma foto e um café. As duas coisas fazem parte da viagem.
E vale lembrar: em 11 de novembro de 2026, a Rota 66 completa 100 anos. O clima de celebração está espalhado pela estrada inteira, com cidades caprichando ainda mais em suas atrações.
Illinois: o começo de tudo
Chicago e a placa mais fotografada da rota
A viagem começa no centro de Chicago, na Adams Street, onde fica a placa “Begin Route 66”. É uma placa marrom simples, presa num poste, e mesmo assim tem fila de gente querendo foto. Faz sentido. É o ponto zero de uma das estradas mais conhecidas do planeta.
Chicago por si só já é um destino enorme. A arquitetura da cidade é impressionante, e o passeio de barco pelo rio Chicago, com guia explicando os prédios, costuma ser apontado como um dos melhores programas da cidade. O Millennium Park, com a escultura espelhada conhecida como “The Bean”, e o Art Institute of Chicago ficam bem perto do início da rota.
Para o café da manhã antes de pegar a estrada, o tradicional é o Lou Mitchell’s, na Jackson Boulevard, aberto desde 1923. É simples, movimentado e tem aquele clima de lanchonete americana antiga.
Joliet e Wilmington: os primeiros personagens
Saindo da cidade, a primeira parada curiosa é Joliet, com o Joliet Area Historical Museum, que tem um espaço dedicado à rota. A cidade também ficou conhecida pela antiga penitenciária que aparece no começo do filme “Os Irmãos Cara de Pau”.
Mais adiante, em Wilmington, está o Gemini Giant, uma estátua de fibra de vidro de quase 9 metros, vestida de astronauta e segurando um foguete. Ele foi criado nos anos 1960 para chamar atenção para um restaurante, o Launching Pad. É exatamente o tipo de atração que só faz sentido na Rota 66. Meio esquisito, meio encantador.
Dwight e Odell: postos de gasolina que viraram relíquias
Em Dwight fica o Ambler’s Texaco Gas Station, posto que funcionou por décadas e hoje é um centro de visitantes. Em Odell, o antigo Standard Oil Gas Station, de 1932, foi restaurado e é um dos postos mais bonitos da estrada. São paradas rápidas, mas que mostram bem como era a vida na beira da rota.
Pontiac: murais e museu
Pontiac é uma das cidades mais simpáticas de Illinois para quem faz a rota. Ela tem o Illinois Route 66 Hall of Fame & Museum, com objetos, fotos e histórias da estrada, e o centro é cheio de murais pintados nas paredes. Dá para passar uma ou duas horas caminhando sem pressa.
Atlanta e Funks Grove
Em Atlanta, uma cidadezinha pequena, está o Tall Paul, uma estátua gigante de um homem segurando um cachorro-quente. Ele ficava originalmente em um restaurante de Cicero, perto de Chicago, e foi levado para Atlanta anos depois.
Pertinho dali, em Funks Grove, uma família produz xarope de bordo há muitas gerações. Eles escrevem “sirup”, com i, e não “syrup”. Comprar uma garrafinha é quase um ritual entre quem faz a viagem.
Springfield, a capital de Lincoln
Springfield é a capital de Illinois e a cidade de Abraham Lincoln. O Abraham Lincoln Presidential Library and Museum é muito bem feito, e a casa onde ele viveu pode ser visitada gratuitamente. Também fica ali o túmulo de Lincoln, no Oak Ridge Cemetery.
Para comer, o Cozy Dog Drive In é parada clássica. O lugar diz ter criado o corn dog no palito, uma salsicha empanada em massa de milho. Combina bem com o espírito da estrada.
Missouri: a estrada ganha curvas e personalidade
St. Louis: o arco e a ponte com curva
Logo depois de cruzar o rio Mississippi, a rota chega a St. Louis. O símbolo da cidade é o Gateway Arch, um arco de aço com 192 metros de altura. Dá para subir até o topo em pequenas cápsulas, e a vista lá de cima vale o aperto.
Para quem segue a rota, a Chain of Rocks Bridge é uma das atrações mais interessantes. A ponte antiga cruza o Mississippi e tem uma curva de 22 graus bem no meio, algo bem incomum. Hoje ela é aberta só para pedestres e ciclistas.
E à noite, o Ted Drewes Frozen Custard, no antigo traçado da estrada, junta filas enormes. É um sorvete cremoso, denso, servido de um jeito tão espesso que eles viram o copo de cabeça para baixo para provar que não cai.
Route 66 State Park
Saindo de St. Louis, existe o Route 66 State Park, em uma área que já foi a cidade de Times Beach. A cidade foi evacuada nos anos 1980 por contaminação química e depois recuperada como parque. O centro de visitantes funciona em uma antiga casa de beira de estrada dos anos 1930.
Meramec Caverns
Em Stanton ficam as Meramec Caverns, cavernas que foram divulgadas por décadas com propagandas pintadas em celeiros ao longo da estrada. O passeio guiado mostra formações rochosas bonitas e conta algumas lendas locais, inclusive uma que liga o lugar ao fora da lei Jesse James.
Cuba e Devil’s Elbow
Cuba se apresenta como a “Route 66 Mural City”, com dezenas de murais espalhados pela cidade. Ali também fica o Wagon Wheel Motel, de 1936, um dos mais antigos da rota.
Mais adiante, a região de Devil’s Elbow guarda um dos trechos mais bonitos do Missouri. A estrada passa por uma ponte antiga sobre o rio Big Piney, cercada de mata e penhascos. Muita gente nem imagina que a Rota 66 tenha paisagens assim.
Springfield, Missouri, e o nascimento do nome
Sim, existe outra Springfield. Foi em Springfield, Missouri, que em 1926 autoridades enviaram o telegrama propondo o número 66 para a nova rodovia. A cidade se apresenta como o “Birthplace of Route 66” e tem murais e placas sobre essa história.
Paris Springs e Carthage
Perto de Ash Grove, em Paris Springs, fica o Gary’s Gay Parita, uma réplica de um posto Sinclair dos anos 1930, cheia de objetos antigos. O posto ficou famoso pela simpatia de Gary Turner, que recebia os viajantes por anos. Ele faleceu em 2015, mas o lugar continua como ponto de visita.
Em Carthage está o 66 Drive-In Theatre, um cinema ao ar livre de 1949 que ainda exibe filmes na temporada. Assistir a um filme de dentro do carro, na Rota 66, é um programa e tanto. Perto dali existe também o Red Oak II, uma pequena vila montada por um artista local com construções antigas trazidas de outros lugares.
Kansas: poucos quilômetros, muitas histórias
O trecho da Rota 66 no Kansas tem só cerca de 21 quilômetros. Mesmo assim, as três cidades do caminho fazem questão de mostrar que o pedaço é pequeno, mas cheio de vida.
Galena e o caminhão que virou personagem
Em Galena fica o Cars on the Route, um antigo posto de gasolina reformado. Na frente dele está o caminhão-guincho que inspirou o personagem Mate, do filme Carros. Para quem viaja com crianças, ou para quem simplesmente gosta do filme, é parada obrigatória.
Riverton e a ponte do arco-íris
Perto de Riverton está a Rainbow Bridge, ou Brush Creek Bridge, construída em 1923. É uma ponte branca em arco, de concreto, a última do seu tipo ainda de pé na rota. Fica linda nas fotos, principalmente no fim da tarde.
Baxter Springs
Baxter Springs tem um centro de visitantes instalado em um antigo posto Phillips 66 dos anos 1930, e um museu de história local. É a última cidade antes de entrar em Oklahoma.
Oklahoma: o estado que mais vive a rota
Oklahoma tem um dos trechos mais longos da Rota 66 e é, para muita gente, o estado que mais celebra a estrada. Faz sentido. Foi daqui que saiu boa parte das famílias que fugiam das tempestades de poeira nos anos 1930.
Miami e a estrada estreita
Em Miami, o Coleman Theatre, de 1929, chama atenção pelo estilo espanhol e pelo interior decorado. Visitas guiadas costumam ser oferecidas.
Perto da cidade existe um trecho curioso chamado Sidewalk Highway ou Ribbon Road. É um pedaço antigo da estrada com cerca de 9 pés de largura, menos de 3 metros. Dá para entender como era dirigir na rota nos primeiros anos, quando dois carros mal cabiam lado a lado.
Catoosa e a baleia azul
A Blue Whale of Catoosa é uma das atrações mais queridas de Oklahoma. Foi construída nos anos 1970 por Hugh Davis como presente de aniversário para a esposa, à beira de um lago. Simples, sorridente, meio ingênua. E todo mundo adora.
Tulsa: arte déco e história
Tulsa tem papel especial. Foi a cidade de Cyrus Avery, conhecido como o “Pai da Rota 66”. O Cyrus Avery Centennial Plaza fica à beira do rio Arkansas, com uma escultura grande mostrando a família Avery em um carro antigo encontrando uma carroça.
O centro tem prédios art déco lindos, herança do dinheiro do petróleo. O Gathering Place, um parque enorme às margens do rio, costuma ser elogiado pelos visitantes. Tulsa também tem o Greenwood Rising, centro de história que conta o Massacre Racial de Tulsa, de 1921. É uma visita pesada, mas muito importante para entender a cidade.
Stroud, Chandler e Arcadia
Em Stroud, o Rock Café funciona desde 1939, num prédio de pedra. Ele também serviu de inspiração para o filme Carros.
Em Arcadia estão duas paradas que vale juntar. A primeira é o Round Barn, um celeiro redondo de madeira construído em 1898. A segunda é o Pops, uma loja e lanchonete com uma garrafa gigante de refrigerante iluminada na entrada, que fica bonita à noite. Lá dentro, as prateleiras têm centenas de sabores de refrigerante.
Oklahoma City
A capital tem a região de Bricktown, com um canal, bares e restaurantes. O Oklahoma City National Memorial homenageia as 168 vítimas do atentado de 1995 e é uma das visitas mais emocionantes do estado. As cadeiras vazias, uma para cada vítima, ficam na cabeça por muito tempo.
Clinton e Elk City: museus da estrada
Em Clinton fica o Oklahoma Route 66 Museum, que conta a história da rota década por década. Em Elk City está o National Route 66 & Transportation Museum. Quem gosta de história vai se divertir nos dois.
Texas: o Panhandle e suas esquisitices maravilhosas
A Rota 66 cruza só a parte norte do Texas, uma região plana chamada Panhandle. Parece monótono no mapa, mas tem algumas das paradas mais divertidas da viagem.
Shamrock e o posto art déco
Em Shamrock está o U-Drop Inn, ou Tower Station, de 1936. É um posto de gasolina e café em estilo art déco, com torres e detalhes que parecem saídos de um desenho. Ele inspirou o posto do personagem Ramone, em Carros. À noite, iluminado com neon verde, fica ainda mais bonito.
McLean e Groom
Em McLean fica o Devil’s Rope Museum, dedicado ao arame farpado. Parece um tema estranho para museu, mas o arame farpado mudou a ocupação das terras no oeste americano, e o lugar explica isso bem. Tem também uma parte sobre a Rota 66 no Texas.
Em Groom existem duas imagens marcantes. Uma é a caixa d’água inclinada, colocada propositalmente torta para chamar atenção de quem passa. A outra é uma cruz gigante, com cerca de 58 metros, visível de longe na planície.
Amarillo e o Cadillac Ranch
Amarillo é a grande cidade da rota no Texas. Ali está o Cadillac Ranch, instalação criada em 1974 por um grupo de artistas chamado Ant Farm. São dez Cadillacs enterrados de bico no chão, em fila, no meio de um campo. Os visitantes podem pintar os carros com spray. Levar uma lata e deixar sua marca faz parte da experiência.
Outro ponto famoso é o Big Texan Steak Ranch, restaurante com o desafio do bife de 72 onças, cerca de 2 quilos. Quem come tudo, com os acompanhamentos, em uma hora, não paga.
A antiga rota passa pela Sixth Avenue, com antiquários e bares antigos. E a cerca de 40 minutos de carro fica o Palo Duro Canyon, considerado o segundo maior cânion dos Estados Unidos. Um desvio que muita gente não conhece e que vale bastante.
Adrian: metade do caminho
Em Adrian fica o Midpoint Cafe, que marca aproximadamente o meio do caminho entre Chicago e Los Angeles. A placa do outro lado da rua indica 1.139 milhas para cada lado. Peça uma fatia de torta e tire a foto.
Novo México: o oeste começa de verdade
Tucumcari e seus letreiros de neon
Tucumcari é uma daquelas cidades que valem a noite. De dia, parece meio parada. À noite, os letreiros acendem e o cenário muda. O Blue Swallow Motel, de 1939, é um dos lugares mais fotografados de toda a Rota 66. A cidade também tem dezenas de murais pintados pelas paredes.
Santa Rosa e o Blue Hole
Em Santa Rosa fica o Blue Hole, um poço natural de água azul e cristalina, muito procurado por mergulhadores. A água é fria o ano todo, por volta de 17 a 18 graus, e no verão é comum ver gente pulando das pedras. A cidade também tem o Route 66 Auto Museum, com carros antigos.
Santa Fé: o desvio histórico
Até 1937, a Rota 66 passava por Santa Fé. Depois o traçado mudou e ficou mais direto. Mesmo assim, a cidade continua sendo um dos desvios mais bonitos da viagem. As construções de adobe, a praça central, as galerias da Canyon Road e a comida típica com pimenta verde fazem de Santa Fé um destino à parte.
O Georgia O’Keeffe Museum, dedicado à pintora que viveu no Novo México, é uma das visitas mais procuradas.
Albuquerque e a Central Avenue
Albuquerque é a maior cidade do Novo México. A rota passa pela Central Avenue, com motéis antigos e letreiros de neon. A Old Town, com praça e igreja antiga, é o lugar mais agradável para caminhar.
Uma experiência que vale a pena é o Sandia Peak Tramway, teleférico que sobe até o alto das montanhas Sandia, a mais de 3 mil metros, com vista enorme sobre a região. E em outubro acontece o Albuquerque International Balloon Fiesta, com centenas de balões no céu.
Acoma Sky City
Um desvio menos conhecido e muito especial é o Acoma Pueblo, chamado de Sky City. É uma vila indígena construída no alto de uma mesa de pedra, habitada há muitos séculos. A visita é feita com guias locais e precisa respeitar as regras da comunidade, inclusive sobre fotos.
Gallup e a cultura indígena
Gallup tem forte presença das culturas navajo e zuni. É um bom lugar para comprar joias de prata e turquesa, de preferência em lojas sérias que indicam a origem das peças. O El Rancho Hotel, de 1937, recebeu muitos astros de Hollywood que gravavam faroestes na região, e o saguão vale a visita mesmo para quem não vai dormir ali.
Arizona: o trecho que muita gente considera o mais bonito
Petrified Forest e Painted Desert
Logo depois de entrar no Arizona aparece o Petrified Forest National Park, o único parque nacional atravessado pela Rota 66. O parque tem troncos de árvores que viraram pedra ao longo de milhões de anos, com cores que vão do vermelho ao roxo.
Na parte norte do parque fica o Painted Desert, com colinas listradas em tons de rosa, laranja e cinza. Existe até um velho Studebaker enferrujado marcando o ponto onde a rota passava dentro do parque. Uma parada que mistura natureza e história da estrada.
Holbrook e o Wigwam Motel
Em Holbrook está o Wigwam Motel, com quartos em formato de tenda indígena, feitos de concreto. O lugar inspirou o Cozy Cone Motel, de Carros. Mesmo sem dormir ali, vale passar para ver as tendas e os carros antigos estacionados na frente.
A cidade também tem dinossauros de concreto espalhados por algumas lojas, coisa típica da rota.
Winslow e a esquina da música
Winslow ficou famosa pela música “Take It Easy”, dos Eagles, que fala em estar parado numa esquina da cidade. Hoje existe o Standin’ on the Corner Park, com estátua, mural e uma caminhonete vermelha. É uma foto rápida, mas divertida.
A grande joia da cidade é o La Posada Hotel, de 1930, projetado pela arquiteta Mary Colter. O prédio, os jardins e o restaurante The Turquoise Room merecem uma visita, mesmo que seja só para almoçar.
Meteor Crater
A cerca de meia hora de Winslow está o Meteor Crater, uma cratera formada pelo impacto de um meteorito há cerca de 50 mil anos. Tem mais de um quilômetro de diâmetro e uns 170 metros de profundidade. É uma das crateras de impacto mais bem preservadas do mundo e já foi usada em treinamentos de astronautas. É uma área particular, com entrada paga.
Flagstaff: montanhas e céu estrelado
Flagstaff fica a mais de 2 mil metros de altitude, cercada por pinheiros. O centro é animado, com cervejarias e restaurantes, e o clima é bem mais ameno que o deserto em volta.
O Lowell Observatory, onde Plutão foi descoberto em 1930, oferece programas noturnos de observação do céu. Flagstaff foi reconhecida como a primeira cidade do mundo a receber o título de International Dark Sky City, em 2001, por causa do controle da poluição luminosa.
Por perto ficam o Walnut Canyon, com moradias antigas construídas nas paredes de pedra, e o Sunset Crater Volcano. E Sedona, com suas montanhas vermelhas, está a cerca de 45 minutos a 1 hora de carro.
Williams e o Grand Canyon
Williams é a porta de entrada mais tradicional para o Grand Canyon. A borda sul do parque, o South Rim, fica a pouco mais de uma hora de carro. A cidade foi a última da Rota 66 a ser contornada pela Interstate, em 1984, e o centro é todo dedicado à estrada.
O Grand Canyon Railway sai de Williams e vai até o Grand Canyon, com apresentações durante a viagem. É uma alternativa prática para evitar o estacionamento lotado no parque.
Sobre o Grand Canyon em si, qualquer tentativa de descrever fica pequena. Chegar no mirante e ver aquela imensidão pela primeira vez costuma ser um dos momentos mais fortes da viagem inteira. Reserve pelo menos um dia inteiro.
Seligman: a cidade que salvou a rota
Seligman é a cidade de Angel Delgadillo, o barbeiro que ajudou a fundar, em 1987, a associação que lutou para preservar a Rota 66 no Arizona. A barbearia dele virou ponto de visita, e a cidade inteira é colorida, cheia de carros antigos e lojinhas.
O Delgadillo’s Snow Cap Drive-In, criado pelo irmão de Angel, Juan, é famoso pelas brincadeiras com os clientes. Peça um hambúrguer e prepare-se para alguma pegadinha.
Grand Canyon Caverns e Hackberry
Entre Seligman e Kingman ficam as Grand Canyon Caverns, cavernas secas visitadas com descida de elevador. Elas têm até um quarto de hotel instalado lá embaixo, a cerca de 65 metros de profundidade.
Em Hackberry, o Hackberry General Store é uma antiga loja e posto cheia de placas, objetos e carros antigos. É uma das paradas mais fotogênicas do Arizona.
Kingman e Oatman
Kingman tem o Arizona Route 66 Museum, no prédio da antiga Powerhouse. Dali, a estrada sobe pelas Black Mountains e passa pelo Sitgreaves Pass, com curvas fechadas e sem muita proteção lateral. Exige atenção, mas a paisagem é linda.
Do outro lado fica Oatman, antiga cidade de mineração onde burros andam soltos pela rua principal. Eles descendem dos animais usados pelos mineiros. É possível comprar comida apropriada nas lojas para alimentar os bichos. O Oatman Hotel conta que Clark Gable e Carole Lombard passaram ali a noite de núpcias, em 1939, e as paredes do bar são cobertas de notas de dólar deixadas pelos visitantes.
Califórnia: deserto e mar
Needles e a travessia do Mojave
A rota entra na Califórnia por Needles e atravessa o deserto de Mojave. É um trecho quente, principalmente no verão, quando as temperaturas passam fácil dos 40 graus. Tanque cheio, água no carro e atenção ao horário fazem diferença.
Amboy e o letreiro do Roy’s
Em Amboy, uma cidade quase vazia no meio do deserto, está o Roy’s Motel and Cafe, com um letreiro dos anos 1950 que virou um dos símbolos da Rota 66. Perto dali fica o Amboy Crater, um cone vulcânico que pode ser visitado por uma trilha, de preferência nas horas mais frescas.
Newberry Springs e o Bagdad Cafe
Em Newberry Springs está o Bagdad Cafe, onde foi filmado o filme “Bagdad Café”, de 1987. O lugar é simples e recebe muitos fãs europeus do filme. As paredes têm recados deixados por visitantes do mundo todo.
Barstow e Oro Grande
Barstow tem o Route 66 Mother Road Museum, dentro da antiga estação Casa del Desierto, uma Harvey House.
Entre Barstow e Victorville, em Oro Grande, fica o Elmer’s Bottle Tree Ranch, uma espécie de floresta de “árvores” feitas de garrafas coloridas e objetos antigos. Com o sol batendo nas garrafas, o efeito é bonito. Em Victorville está o California Route 66 Museum.
San Bernardino e Rialto
Em San Bernardino fica um museu não oficial dedicado ao primeiro McDonald’s, no local onde os irmãos McDonald abriram o restaurante em 1940. Em Rialto está o outro Wigwam Motel ainda ativo na rota, com as mesmas tendas de concreto de Holbrook.
Pasadena
Pasadena é uma cidade elegante, com a região de Old Pasadena cheia de lojas e restaurantes. É famosa pelo Rose Parade, desfile de Ano Novo, e pela The Huntington, com biblioteca, museu de arte e jardins botânicos enormes.
Santa Monica: o fim da trilha
O fim simbólico da viagem é o Santa Monica Pier, onde fica a placa “Santa Monica 66 End of the Trail”. O píer tem roda-gigante, montanha-russa pequena e vista para o Pacífico. Chegar ali depois de semanas na estrada tem um peso especial.
Vale ficar para o pôr do sol. Depois, uma caminhada até Venice Beach, vizinha de Santa Monica, completa bem o dia.
Como escolher os destinos certos para o seu roteiro
Quem tem duas semanas
Com cerca de duas semanas, dá para percorrer toda a rota em ritmo bom. O segredo é escolher alguns lugares para passar mais tempo, como Chicago, St. Louis, Tulsa, Amarillo, Albuquerque, Flagstaff e Williams, e tratar o resto como paradas rápidas.
Quem tem mais tempo
Com três semanas, entram os desvios: Santa Fé, Acoma, Palo Duro Canyon, Sedona, Meteor Crater e até uma esticada até Las Vegas a partir de Kingman, que fica a cerca de 170 quilômetros.
Quem tem pouco tempo
Para quem tem só uma semana, a sugestão mais comum é fazer o trecho entre Albuquerque e Los Angeles. É ali que estão muitas das imagens clássicas da rota: neon, deserto, Grand Canyon, Seligman e Oatman.
Dicas para aproveitar melhor as paradas
Use as placas marrons e guias específicos
O GPS comum tende a mandar você direto para a Interstate. Para seguir o traçado antigo, ajudam muito as placas marrons de “Historic Route 66” e os guias impressos ou aplicativos voltados para a rota.
Confira horários antes
Muitas atrações são pequenas e familiares. Algumas fecham cedo, em certos dias da semana ou na baixa temporada. Conferir antes evita a frustração de chegar e encontrar a porta fechada.
Melhor época para viajar
Primavera e outono costumam ser as épocas mais agradáveis, de abril a junho e de setembro a outubro. O verão é muito quente no deserto e o inverno pode trazer neve em Illinois, no Missouri e nas partes altas do Arizona e do Novo México.
Vôos e carro
Para brasileiros, o mais prático é comprar vôos multidestinos, com chegada em Chicago e volta saindo de Los Angeles. Isso evita refazer o caminho. Lembre que retirar o carro em um estado e devolver em outro costuma gerar uma taxa extra, que varia bastante entre locadoras. Visto americano e passaporte válidos são obrigatórios, e a Permissão Internacional para Dirigir é recomendada junto com a CNH.
Deixe espaço para o improviso
Muitas das melhores paradas não estão em lista nenhuma. Uma lanchonete com torta caseira, uma loja de antiguidades, um morador que puxa conversa no posto. Roteiro muito apertado tira esse espaço.
Os destinos que fazem a Rota 66 ser o que é
Olhando a estrada inteira, os grandes destinos chamam atenção primeiro: Chicago, St. Louis, Santa Fé, Grand Canyon, Santa Monica. Mas quem volta da viagem costuma falar mais da baleia azul de Catoosa, dos Cadillacs pintados em Amarillo, do neon de Tucumcari, da barbearia de Seligman e dos burros de Oatman.
A Rota 66 funciona assim. É uma sequência de lugares pequenos que, juntos, contam a história de um país. Cada parada tem seu motivo de existir, quase sempre ligado a alguém que decidiu chamar atenção de quem passava de carro.
Escolha seus destinos favoritos, mas não tente ver tudo. A estrada é longa, e cada trecho tem algo para mostrar a quem dirige com calma e para quando sente vontade.
