5 Países que Estão Abrindo os Braços Para Turistas em 2026
Enquanto cidades como Veneza, Barcelona e Amsterdã impõem taxas, limites de cruzeiros e multas para conter o excesso de turistas, cinco países do outro lado do espectro — Namíbia, Canadá, Brasil, Lituânia e Vietnã — estão expandindo aeroportos, flexibilizando vistos e criando campanhas ativas para atrair mais visitantes internacionais em 2026, apostando em um crescimento sustentável e em infraestrutura planejada desde o início.

O mundo do turismo entrou em 2026 vivendo uma contradição fascinante. De um lado, alguns dos destinos mais famosos do planeta passaram a tratar turistas como um problema a ser gerenciado. Veneza cobra taxa de entrada em dias de pico. Barcelona proíbe novos aluguéis de curta temporada. Amsterdã baniu cruzeiros grandes no centro. Santorini limita o número de visitantes diários. Dubrovnik reduziu desembarques simultâneos de navios. Do outro lado, porém, existem países fazendo exatamente o oposto — rolando o tapete vermelho, rasgando formulários de visto, ampliando pistas de aeroporto e investindo pesado em marketing internacional.
A BBC Travel publicou em março de 2026 uma reportagem assinada pela jornalista Lindsey Galloway analisando essa contramão. Sob o título “Cinco países que estão ativamente recebendo viajantes em 2026”, a matéria aponta que o turismo movimentou quase 12 trilhões de dólares na economia global em 2025, segundo o World Travel and Tourism Council — cerca de 10% do PIB mundial — e foi responsável por um em cada três novos empregos criados no planeta. Para esses cinco países, o turismo não é um incômodo: é uma estratégia de desenvolvimento.
O diferencial da lista é que esses destinos têm uma vantagem sobre os que cresceram sem controle nas décadas anteriores: eles viram o que deu errado em outros lugares. E estão aproveitando isso para construir, desde o começo, modelos mais cuidadosos — infraestrutura sustentável, campanhas de turismo lento, modelos comunitários de gestão. A seguir, os cinco escolhidos pela BBC e o que cada um oferece para quem quer entrar nessa onda antes que ela vire multidão.
1. Namíbia: um dos últimos lugares verdadeiramente vazios do planeta
A Namíbia é o segundo país menos povoado do mundo (só fica atrás da Mongólia). Com cerca de 2,6 milhões de habitantes em uma área maior que a França e o Reino Unido juntos, sobra paisagem e falta gente — exatamente a combinação que viajantes cansados das multidões europeias estão procurando. Nos últimos anos, o governo namibiano tem investido em facilitar a vida do turista: a política de isenção de visto foi ampliada para incluir brasileiros (que não precisam mais de visto para entradas de até 90 dias), além de cidadãos de mais de 30 países.
O coração da viagem à Namíbia é o Sossusvlei, no deserto do Namib — o deserto mais antigo do mundo, com mais de 55 milhões de anos. As dunas alaranjadas ali, especialmente a Big Daddy (chegando aos 325 metros de altura) e a Dune 45, criam um contraste surreal com o Deadvlei, planície branca de argila cravada de árvores mortas há 900 anos, perfeitamente preservadas pelo clima seco. É uma das paisagens mais fotografadas e mais irreais do continente africano.
Depois disso, o roteiro clássico segue para o norte, até o Parque Nacional de Etosha, onde os safáris funcionam de forma diferente dos safáris tradicionais do leste africano: em vez de sair atrás dos animais, você simplesmente espera eles chegarem nas lagoas salgadas. Elefantes, girafas, rinocerontes-negros, leões, leopardos e zebras aparecem em números que impressionam quem está acostumado apenas com o Quênia ou a Tanzânia.
E tem a Costa dos Esqueletos (Skeleton Coast), onde carcaças de navios naufragados aparecem no meio das dunas e o Atlântico bate com força na areia. Paisagem pós-apocalíptica que inspirou filmes e continua atraindo fotógrafos de todo o mundo.
Observação prática: a Namíbia é destino ideal para self-drive — alugar um 4×4 e cruzar o país por estradas de terra que funcionam surpreendentemente bem. Alguns viajantes combinam com o Parque Nacional do Chobe (Botsuana) e as Cataratas Vitória (Zimbábue/Zâmbia) para um roteiro sul-africano mais completo.
2. Canadá: o gigante do norte investe pesado em novos voos e fronteiras abertas
O Canadá entrou para a lista por uma razão interessante: o país tem apostado de forma agressiva em atrair viajantes internacionais, especialmente de mercados emergentes como o Brasil, Índia e América Latina. Em 2024, o Canadá introduziu a elegibilidade para visto eletrônico (eTA) para brasileiros que já tenham tido visto canadense nos últimos dez anos ou possuam visto americano válido — uma mudança que simplificou drasticamente a vida de quem quer visitar.
O segundo país em extensão territorial do mundo oferece um cardápio de destinos que ainda assusta pela diversidade. Vancouver e Whistler, no oeste, combinam cidade cosmopolita com uma das estações de esqui mais premiadas do mundo. Banff e Jasper, no coração das Montanhas Rochosas, entregam paisagens alpinas com lagos turquesa (Moraine Lake e Lake Louise) que parecem renderização digital. Toronto e Montreal, no leste, oferecem vida urbana vibrante, com Montreal mantendo seu charme francófono único na América do Norte.
Para 2026, o Canadá promove agressivamente dois destinos que ainda são pouco explorados por brasileiros: Newfoundland e Labrador, na costa atlântica, onde icebergs passam à deriva entre maio e junho e é possível ver baleias-jubarte de terra firme; e Yukon, o território ao norte onde a aurora boreal é visível em pelo menos 200 noites do ano, com muito menos turistas do que os destinos auroras clássicos da Islândia e Noruega.
A malha aérea também se expandiu. A Air Canada reabriu voos diretos entre São Paulo e Toronto/Montreal, e a demanda levou ao anúncio de novas frequências para 2026. De cidades intermediárias brasileiras, conexões via Bogotá (Copa Airlines) ou Nova York (várias) funcionam bem.
Ponto prático: o Canadá é caro, sem disfarce. Orçamento diário médio começa em cerca de 150 dólares canadenses para viajantes econômicos e sobe rápido. A boa notícia é que há muito o que fazer gratuitamente — os parques nacionais cobram entrada baixa e os cartões Discovery Pass para parques nacionais saem por valores razoáveis para visitas múltiplas.
3. Brasil: o maior crescimento global (+37%) reforçado com isenção de vistos
O Brasil, que já tinha surgido como o destino de maior crescimento global em 2025, aparece também nesta lista da BBC pelos investimentos ativos em abrir portas. A medida mais impactante foi a isenção de visto para americanos, canadenses e australianos, implementada em 2025. Esses três mercados somados representam mais de 1 bilhão de pessoas com alto poder aquisitivo que agora podem visitar o país sem burocracia.
Soma-se a isso a expansão da malha aérea. A Azul, Latam e Gol ampliaram voos internacionais, e companhias estrangeiras como Emirates, Qatar Airways, Ethiopian, Turkish Airlines e Air France voltaram a apostar fortemente em voos diretos para São Paulo, Rio e, crescentemente, Fortaleza — que se consolidou como hub para conexões entre Europa e América do Sul.
Para o viajante estrangeiro, o Brasil é praticamente um continente disfarçado de país. Rio de Janeiro segue como porta de entrada emocional, com o Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana, Ipanema, Santa Teresa e o Centro histórico redescoberto. São Paulo oferece a cena gastronômica mais sofisticada da América do Sul e o melhor da produção cultural brasileira. O Nordeste, de Fernando de Noronha aos Lençóis Maranhenses, passando por Jericoacoara, Pipa e Chapada Diamantina, concentra as paisagens naturais mais fotografadas. A Amazônia ganha espaço com o turismo de base comunitária, com destaque para pousadas como o Anavilhanas Lodge e o Mirante do Gavião. E o Pantanal, cada vez mais procurado por quem quer ver onças-pintadas em liberdade — as taxas de avistamento em regiões como Porto Jofre ultrapassam 90% na seca.
Para o leitor brasileiro, a lista da BBC funciona quase como um lembrete: o mundo está olhando para o Brasil com olhos que os próprios brasileiros, por proximidade, às vezes deixam de ter. Vale redescobrir o país pela ótica de quem atravessa oceano para vir até aqui.
4. Lituânia: a porta báltica que a maioria dos brasileiros ignora
A Lituânia é o destino mais surpreendente da lista da BBC — e provavelmente o menos conhecido pelos brasileiros. O pequeno país báltico (quase do tamanho do Espírito Santo em área, com 2,8 milhões de habitantes) tem investido em campanhas internacionais desde que conquistou independência da União Soviética, em 1990, mas só recentemente começou a aparecer nos radares mais amplos do turismo global.
O trunfo da Lituânia é combinar o charme da Europa Central com preços que continuam acessíveis, fora da bolha do euro mais caro. Vilnius, a capital, tem um dos centros históricos mais preservados da Europa, patrimônio da Unesco, com igrejas barrocas, ruas medievais e um bairro boêmio autodeclarado independente chamado Užupis — que tem constituição própria (com artigos como “todos têm o direito de amar” e “os gatos não são obrigados a amar seus donos”), presidente informal e embaixadas.
A cidade de Kaunas, segunda maior do país, foi capital europeia da cultura em 2022 e mantém uma cena artística vibrante. Na costa do Báltico, o Istmo da Curlândia (Curonian Spit), também patrimônio da Unesco, é uma faixa de areia estreitíssima com dunas enormes, florestas de pinheiros e vilarejos de pescadores. E a Colina das Cruzes (Hill of Crosses), perto de Šiauliai, guarda mais de 100 mil cruzes depositadas ao longo de mais de dois séculos como símbolo de resistência religiosa e política — lugar impressionante e silencioso.
A gastronomia lituana é um descoberta à parte. Pratos como cepelinai (bolinhos de batata recheados com carne), šaltibarščiai (sopa fria de beterraba de cor rosa-choque) e o pão preto fermentado são experiências sensoriais únicas. E a cena de cervejas artesanais e fermentados tradicionais tem crescido rapidamente.
Ponto prático: Vilnius é servida por companhias low-cost europeias (Ryanair, Wizz Air) com voos baratos a partir de hubs como Londres, Frankfurt, Milão e Varsóvia. Para brasileiros, a combinação clássica é voar até Varsóvia, Frankfurt ou Helsinki e seguir para Vilnius. A Lituânia entra em Schengen, então visto europeu vale. Combina bem com Letônia e Estônia em um roteiro báltico de duas semanas.
5. Vietnã: da guerra ao destino mais vibrante do Sudeste Asiático
O Vietnã completou em 2025 um feito notável: ultrapassou a marca histórica de 18 milhões de turistas internacionais, resultado de uma política ativa de abertura que inclui isenção de visto para mais de 25 nacionalidades e o e-visa válido por até 90 dias disponível para brasileiros. O país que há cinquenta anos estava no centro de uma guerra devastadora virou, em 2026, um dos destinos mais procurados do Sudeste Asiático.
As razões são práticas. O Vietnã é barato (você faz uma refeição farta de rua por menos de 3 dólares, dorme em hotel bom por 30 a 60 dólares), seguro, bonito e razoavelmente fácil de percorrer de norte a sul. A infraestrutura aérea melhorou drasticamente — a Vietnam Airlines e companhias low-cost regionais conectam as principais cidades com voos curtos e baratos.
O roteiro clássico vai do norte ao sul. Hanói, a capital, é caótica, cheia de cheiros, motocicletas e cafés escondidos em prédios antigos. A cidade velha, os cafés com egg coffee e os restaurantes de pho (a famosa sopa de macarrão) são experiências obrigatórias. A duas horas dali fica a Baía de Halong, com seus milhares de pináculos de calcário emergindo do mar — patrimônio da Unesco e uma das paisagens mais reconhecíveis do planeta. Cruzeiros de um ou dois dias permitem dormir a bordo e acordar entre as ilhas.
No centro do país, Hoi An é uma cidade histórica perfeitamente preservada, com lanternas coloridas, ruas sem carros, cafés elegantes e uma das gastronomias mais refinadas do Vietnã. Perto dali, Hue guarda a antiga cidade imperial.
No sul, Ho Chi Minh (antiga Saigon) é o oposto de Hanói: mais moderna, mais vertical, mais caótica no bom sentido. É base para visitar o Delta do Mekong, onde barcos cruzam canais entre mercados flutuantes, vilarejos e plantações de frutas tropicais.
Para quem quer ir além do clássico, Sa Pa, no noroeste montanhoso, oferece trekking entre terraços de arroz e vilarejos de minorias étnicas como os H’mong e os Dao. E Phong Nha, no centro, abriga a maior caverna do mundo (Son Doong), com expedições que exigem reserva com mais de um ano de antecedência e orçamento próximo de 3 mil dólares — mas há várias outras cavernas no parque com preços muito mais acessíveis.
Ponto prático: do Brasil, os caminhos mais comuns são via Doha (Qatar Airways), Dubai (Emirates) ou Paris (Vietnam Airlines/Air France). A melhor época varia muito conforme a região — o Vietnã é comprido e tem microclimas bem distintos. De modo geral, de novembro a abril funciona melhor para o sul e centro, e de setembro a novembro é ideal para o norte.
Comparando os cinco destinos
| País | Diferencial principal | Exigência de visto para brasileiros | Orçamento diário médio |
|---|---|---|---|
| Namíbia | Paisagens desérticas, safári | Isento (até 90 dias) | US$ 120–200 |
| Canadá | Natureza, cidades, aurora | eTA (alguns casos) ou visto | CAD 200–350 |
| Brasil | Variedade continental | N/A (doméstico) | R$ 400–800 |
| Lituânia | Cultura, preços acessíveis | Schengen | € 80–120 |
| Vietnã | Custo-benefício, gastronomia | e-visa (até 90 dias) | US$ 40–90 |
O que esses cinco países têm em comum
Olhar a lista em conjunto revela um padrão interessante. Nenhum dos cinco está entre os destinos mais famosos do mundo em termos absolutos — nem Canadá, com toda sua estrutura, compete em volume com França, Espanha ou Itália. Todos eles têm em comum o fato de oferecerem paisagens ou experiências culturais que não podem ser replicadas em outros lugares. Namíbia tem o deserto do Namib. Canadá tem as Rochosas e as auroras. Brasil tem a Amazônia e o Pantanal. Lituânia tem o Istmo da Curlândia e Užupis. Vietnã tem a Baía de Halong e o Delta do Mekong.
E todos estão fazendo algo que vai além do marketing: estão investindo em infraestrutura para sustentar o crescimento. A Namíbia expandiu os aeroportos de Hosea Kutako e Walvis Bay. O Canadá anunciou investimentos bilionários em aeroportos regionais. O Brasil concedeu dezenas de aeroportos à iniciativa privada, que os reformou. A Lituânia modernizou o aeroporto de Vilnius. O Vietnã inaugurou em 2025 o novo Aeroporto Internacional de Long Thanh, ao sul de Ho Chi Minh.
A BBC aponta também uma característica decisiva: esses cinco países estão construindo turismo aprendendo com os erros dos outros. O turismo comunitário na Namíbia, modelos de slow travel no Canadá, ecoturismo certificado no Brasil (com muito espaço para melhorar), a ênfase lituana em experiências culturais em pequena escala, os investimentos vietnamitas em distribuir a demanda entre regiões em vez de concentrar tudo em Hanói e Ho Chi Minh. Nenhum deles é perfeito. Mas todos estão tentando crescer sem repetir os estragos de Veneza ou Barcelona.
Klook.comPor que essa lista importa para quem planeja viagem em 2026
Para quem decide fechar viagem em 2026 e está em dúvida entre destinos tradicionais e essas cinco apostas, vale pensar em três pontos práticos.
Primeiro: preço-experiência. Em quatro dos cinco países (exceto Canadá), o custo da viagem é substancialmente menor do que em destinos europeus ou norte-americanos equivalentes em qualidade de experiência. Um safári na Namíbia sai por uma fração do que custa no Quênia ou na Tanzânia. Duas semanas no Vietnã custam menos do que uma semana na Itália em alta temporada.
Segundo: menos filas, menos plataformas. Quem já foi ao Louvre em julho, visitou a Fontana di Trevi em maio ou subiu a Torre Eiffel em agosto sabe que, em muitos destinos clássicos, a experiência virou mais sobre navegar a multidão do que sobre apreciar o lugar. Nos cinco países desta lista, você ainda tem a chance de chegar em atrações icônicas e tê-las quase só para você em determinados horários.
Terceiro: a janela está se fechando. Não se engane — esses cinco destinos não vão continuar vazios para sempre. O crescimento anual que o Brasil, a Namíbia e o Vietnã vêm registrando indica que daqui a cinco ou dez anos essas experiências podem estar muito diferentes. Ir agora é entrar na onda antes dela virar tsunami.
Uma última observação sobre viajar na contramão
Existe uma beleza específica em escolher destinos que ainda estão crescendo. Você chega num lugar onde o turismo é visto como oportunidade, não como ameaça. Onde os moradores ainda cumprimentam, explicam, convidam para provar alguma coisa. Onde o atendimento não está automatizado. Onde há curiosidade genuína de ambos os lados.
É diferente de Paris em agosto, quando o garçom já viu 200 turistas iguais a você antes das 11h da manhã. É diferente de Amsterdã, onde os moradores passaram a evitar o centro. É diferente de Barcelona, onde cartazes pedem para turistas irem embora.
A lista da BBC de 2026, no fundo, aponta para uma mudança silenciosa no ato de viajar. O viajante que já viveu o bastante entendeu que a qualidade da experiência está, cada vez mais, ligada à disposição do destino em recebê-lo bem — e não apenas à fama do lugar. Escolher países que querem ser visitados, em vez de países que já não sabem o que fazer com tantos visitantes, é uma forma de viajar mais inteligente e mais humana.
Namíbia, Canadá, Brasil, Lituânia, Vietnã. Cinco nomes que dificilmente aparecem juntos em uma mesma lista de “destinos imperdíveis”, mas que em 2026 compartilham algo raro: portas abertas, planos ambiciosos e ainda aquele grau de descoberta que torna a viagem inesquecível.
Fonte do artigo original: BBC Travel — “Five countries that are actively welcoming travellers in 2026”, por Lindsey Galloway, publicado em 7 de março de 2026. Dados adicionais: World Travel and Tourism Council, Relatório Global 2025.