|

5 Destinos de Viagem Para Casais na América do Sul

A América do Sul guarda alguns dos cenários mais bonitos e inesperados do planeta para quem quer viajar a dois — e a surpresa maior é que muitos desses lugares ficam a apenas algumas horas de vôo do Brasil.

Foto de Chris Flxxx: https://www.pexels.com/pt-br/foto/vista-deslumbrante-do-glaciar-perito-moreno-argentina-31822185/

O continente tem uma diversidade que poucos lugares do mundo conseguem reunir num raio tão próximo: praias caribenhas, desertos de sal, geleiras milenares, cidades coloniais com janelas floridas e bairros que parecem pintados à mão. Para casais, essa variedade é uma vantagem enorme — dá para escolher o destino pelo tipo de experiência que faz sentido para os dois, não apenas pela localização no mapa.

A lista abaixo reúne cinco destinos que funcionam de maneiras diferentes. Cada um tem uma personalidade própria. Nenhum é genérico.


1. Cartagena das Índias, Colômbia — o romantismo que não precisa ser forçado

Cartagena é o tipo de cidade que já nasce romântica. Não pelo esforço de ninguém, não por alguma estratégia de marketing turístico — mas pela arquitetura, pelas cores, pelo ritmo. As casas coloniais do Centro Histórico têm janelas com trepadeiras floridas, portas de madeira grossa pintadas em azul turquesa e amarelo mostarda, praças com jacarandás que filtram a luz da tarde. Caminhar por ali de mãos dadas, sem destino certo, é um programa que se sustenta por horas.

A cidade fica no Caribe colombiano e carrega séculos de história — foi um dos principais portos da América colonial e sobreviveu a ataques de piratas por trás das muralhas do Castillo San Felipe de Barajas, uma fortaleza do século XVII que ainda domina a paisagem e oferece, ao entardecer, uma das melhores vistas da cidade. O pôr do sol a partir das muralhas, com o mar ao fundo e a cidade iluminando aos poucos, é um daqueles momentos que não precisam de filtro.

Mas Cartagena também tem praias. As Ilhas do Rosário, a cerca de 45 minutos de barco, formam um arquipélago caribenho com água transparente e rasa, corais, areia branca e uma calma que contrasta com o ritmo elétrico da cidade. O passeio de um dia até a Playa Blanca é quase obrigatório — e para quem quiser mais exclusividade, há resorts nas ilhas com opções de diárias que incluem jantar privativo de frente para o mar.

À noite, Cartagena tem uma energia completamente diferente. O bairro de Getsemaní, que há alguns anos era evitado pelos guias turísticos, virou um dos mais interessantes da cidade — murais de arte de rua em cada esquina, bares de fachada aberta, música ao vivo saindo de todo lado. Para um jantar mais especial, os restaurantes dentro de casarões coloniais no Centro Histórico oferecem mesas em pátios internos com fontes, candelas e menus de frutos do mar que fazem sentido naquele contexto de calor e história.

A melhor época para ir é entre dezembro e abril, a estação seca. Entre maio e novembro chove, mas o calor existe o ano inteiro e alguns casais preferem o movimento menor da baixa temporada.


2. Mendoza, Argentina — vinho, montanha e tempo lento

Mendoza não tem praia. Não tem ruínas históricas extraordinárias. Não tem um cartão-postal óbvio. O que ela tem é uma combinação que funciona muito bem para casais que gostam de compartilhar experiências sensoriais: os melhores vinhos da América do Sul, paisagens dos Andes ao fundo, uma gastronomia séria e um ritmo de vida que convida a desacelerar.

A região produz cerca de 70% de todo o vinho argentino, com destaque para o Malbec — a uva que virou símbolo nacional. As vinícolas espalhadas pelo Vale de Luján de Cuyo e pelo Vale do Uco recebem visitantes para degustações, almoços entre parreiras e, em alguns casos, pernoites em lodges dentro das propriedades, com janelas voltadas para os vinhedos e a Cordilheira ao fundo.

Uma manhã pedalando entre vinícolas na região de Maipú é uma das atividades mais típicas e mais simpáticas de Mendoza. Você aluga as bicicletas, leva um mapa com as propriedades marcadas e vai de uma bodega em outra, provando vinho e comendo queijo patagônico com a serra no horizonte. A atmosfera é completamente diferente de uma visita formal — é mais casual, mais espontânea, do tipo que vira história para contar depois.

Para os que preferem aventura, Mendoza tem opções de rafting no Rio Mendoza, trilhas no Aconcágua (o pico mais alto das Américas, com 6.961 metros) e passeios de jeep pelos Andes até as termas de Cacheuta. Em julho e agosto, o Centro de Ski Las Leñas e o Valle Nevado atraem casais que querem combinar vinhos com neve.

A cidade em si é organizada, arborizada — tem mais árvores por habitante do que qualquer outra cidade argentina —, com uma vida gastronômica concentrada na Aristides Villanueva, a rua dos bares. Para um jantar memorável, os restaurantes dentro das bodegas, especialmente durante a colheita entre fevereiro e abril, têm algo de especial que não se encontra em nenhum outro contexto.


3. Cusco e Vale Sagrado, Peru — quando a profundidade histórica vira romance

Cusco é uma cidade que pesa. Não de um jeito ruim — de um jeito que te lembra que o ser humano é capaz de coisas extraordinárias quando tem tempo, paciência e visão. As pedras do centro histórico têm 500, 600 anos. As paredes dos templos incas, ainda mais. Andar por ali de madrugada, quando a névoa baixa sobre as ruas de pedra e os lampiões acendem, é uma experiência que tem alguma coisa de irreal.

Para casais que viajam por cultura, por história, por aquele tipo de beleza que exige silêncio, Cusco e o Vale Sagrado são difíceis de superar na América do Sul.

O Vale Sagrado dos Incas se estende entre Cusco e Machu Picchu, cortado pelo Rio Urubamba. As ruínas de Pisac, Ollantaytambo e Chinchero estão espalhadas pelo vale, cada uma com um contexto diferente — umas sobre colinas com vistas que tomam o fôlego, outras integradas a vilarejos que ainda têm feiras locais e mercados de artesanato onde se compra tecido de alpaca pelo preço justo, barganhado numa mistura de espanhol e quéchua.

Machu Picchu é o destino dentro do destino. Inevitável, sim — e justamente por isso exige planejamento. O número de visitantes por dia é controlado e os ingressos esgotam com semanas ou meses de antecedência na temporada alta. A dica para quem quer um Machu Picchu com menos multidão é chegar na abertura, às 6h da manhã, quando a névoa ainda cobre parte das ruínas e a luz é de uma qualidade que as fotos das 11h não conseguem reproduzir.

Para quem tem orçamento para isso, o Belmond Sanctuary Lodge, o único hotel dentro da zona de amortecimento de Machu Picchu, é uma experiência que se justifica para casais em datas especiais. Você dorme a metros das ruínas, tem acesso antes e depois dos horários de visitação regular e acorda com a vista da cidadela à disposição antes de mais ninguém.

Cusco em si tem uma cena gastronômica que surpreende pela qualidade — restaurantes como o MAP Café, instalado dentro do Museu de Arte Pré-colombiana, e o Cicciolina na Rua Triunfo, oferecem refeições memoráveis em ambientes que combinam pedra colonial com cozinha contemporânea.

A altitude de Cusco — 3.400 metros — merece atenção. O mal de altitude pode arruinar os primeiros dias se o casal não se adaptar com calma. A recomendação é passar os dois primeiros dias sem excursões pesadas, beber muito líquido e tomar o chá de coca que todo hotel oferece. Depois da adaptação, o corpo funciona normalmente.


4. Patagônia Argentina — para casais que se entendem bem no silêncio

Tem um tipo específico de casal que a Patagônia atinge fundo: aqueles que não precisam encher o tempo com estímulos constantes. Que conseguem ficar parados diante de uma paisagem por meia hora sem sentir que estão perdendo alguma coisa. Que têm conforto no silêncio um do outro.

Para esses casais, a Patagônia é o destino mais poderoso da América do Sul.

El Calafate é a base para o Glaciar Perito Moreno — uma parede de gelo com 70 metros de altura que despenca blocos no Lago Argentino com o barulho de uma explosão. É um dos poucos lugares do mundo onde a natureza faz algo visível, audível e fisicamente impressionante em tempo real, sem precisar de circunstâncias especiais. Você chega, senta na passarela e o glaciar faz o show.

Para casais, o minitrekking sobre o gelo tem algo de intimidade que as passarelas não oferecem. São grupos pequenos, guias especializados, e você está literalmente sobre um glaciar com milhares de anos, entre fissuras azuis e seracs que parecem esculturas. É o tipo de experiência que os dois vão lembrar do mesmo jeito, com os mesmos detalhes, décadas depois.

El Chaltén, a três horas de El Calafate pela Ruta 40, é outro mundo dentro do mesmo parque. É um vilarejo pequeno, de ruas de terra, cercado de picos de granito e florestas de lenga. A trilha até a Laguna de los Tres — com o Monte Fitz Roy refletido na lagoa no final — é exigente fisicamente, mas entrega uma das vistas mais dramáticas do continente. Para casais que gostam de caminhar juntos, passar dois dias em El Chaltén, dormindo num hostel ou pousada simples e acordando para trilhar, tem uma qualidade diferente de qualquer outra viagem.

O vento patagônico é real e não pede licença. Há dias em que é impossível ficar de pé em certos pontos das trilhas. Mas isso também faz parte — a sensação de enfrentar o clima junto, de chegar num refúgio com frio e vento e tomar um chocolate quente enquanto a janela balança, tem seu próprio tipo de romantismo.

A melhor época é entre novembro e março, o verão austral. O inverno tem charme, mas os dias são muito curtos e várias atividades ficam restritas.


5. Torres del Paine e Puerto Natales, Chile — o fim do mundo com conforto

A cinco horas de ônibus de El Calafate, cruzando a fronteira para o Chile, fica Puerto Natales — a cidade que serve de base para o Parque Nacional Torres del Paine, um dos destinos de natureza mais celebrados do planeta.

As Torres del Paine são três torres de granito que sobem verticalmente por mais de 2.800 metros acima do nível do mar, cercadas de lagos de cores impossíveis — turquesa, azul cobalto, verde opaco — e campos abertos varridos pelo vento patagônico. A fauna é generosa: guanacos aparecem às dezenas beira de estrada, condores planam sobre as trilhas, raposas olham para os turistas com uma curiosidade que parece domesticada.

O parque tem duas formas principais de ser percorrido. O Circuito W — assim chamado pelo traçado em W no mapa — é uma trilha de 4 a 5 dias que passa pelas principais atrações: as Torres, o Valle del Francés e o Glaciar Grey. É um trekking de camping ou de refúgios (domos e pousadas simples ao longo do percurso), adequado para casais com boa condição física e vontade de viver na natureza sem luxo.

Para quem prefere conforto sem abrir mão da paisagem, o parque tem alguns dos hotéis mais bem situados do continente. O explora Patagonia, por exemplo, fica dentro do parque, sobre uma colina com vista para o Lago Pehoé e as Torres ao fundo — e oferece excursões guiadas diárias para diferentes pontos do parque, com retorno ao hotel para jantar, banho quente e cama de verdade.

Puerto Natales em si tem uma cena gastronômica melhor do que o tamanho da cidade sugere. Restaurantes como o Aldea Nativa e o Afrigonia trabalham com ingredientes locais — cordeiro patagônico, trucha, mariscos do Pacífico — numa cozinha que tem peso e sabor de lugar que sabe de onde vem.

O Lago Grey, dentro do parque, tem passeios de barco que se aproximam do Glaciar Grey por água, com icebergs flutuando ao redor da embarcação. É diferente do Perito Moreno — mais silencioso, mais remoto, com uma atmosfera de fim do mundo que combina exatamente com o que a Patagônia promete.


Como escolher entre eles

Não há resposta certa. Depende do que os dois procuram numa viagem.

Se o roteiro for de lua de mel e o casal quer conforto, gastronomia e paisagem urbana com praias, Cartagena é difícil de errar. Se os dois se entendem bem na natureza e querem algo que vá além do convencional, Patagônia ou Torres del Paine entregam experiências que não têm equivalente em nenhum outro lugar do continente. Se a cultura e a história importam tanto quanto o cenário, Cusco e o Vale Sagrado oferecem uma profundidade que fica. E se o prazer de beber vinho numa tarde preguiçosa com neve nos Andes ao fundo é uma boa definição de felicidade, Mendoza é o destino.

O que todos esses lugares têm em comum é a capacidade de criar memórias que os dois vão carregar juntos. E isso, no fim, é o que uma boa viagem a dois precisa fazer.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário