Turismo em El Calafate sem Gastar uma Fortuna

El Calafate sem gastar uma fortuna: o que fazer, o que levar e quais apps instalar antes de embarcar.

Fonte: Civitatis

El Calafate é um dos destinos mais completos da Patagônia argentina, e quem chega achando que vai gastar o dia inteiro pagando excursão acaba se surpreendendo com o que a cidade oferece de graça.

Sim, o Perito Moreno é o grande motivo pelo qual a maioria das pessoas voa até aqui. Mas El Calafate tem uma camada que vai além do glaciar, e entender isso muda bastante a forma de organizar os dias por lá.


O que fazer sem pagar nada

A cidade fica às margens do Lago Argentino, um dos maiores lagos da América do Sul, e só isso já justifica caminhar pela orla sem pressa nenhuma. Mas há quatro pontos gratuitos que merecem atenção real.

O Mirador del Cerro Calafate entrega uma das vistas mais abertas da região. Do alto, o lago se revela em toda a sua extensão azul-turquesa, com as montanhas ao fundo e a cidade embaixo. Subir até lá leva menos de uma hora e não exige nenhum equipamento especial. É o tipo de passeio que todo mundo deveria fazer no primeiro dia, antes mesmo de qualquer excursão, só para ter a dimensão real do que é estar naquele lugar.

A Laguna Nimez é outro nível. A reserva natural fica a poucos minutos do centro a pé e concentra uma quantidade impressionante de aves aquáticas. Flamingos, patos patagônicos, cisnes de pescoço negro. Tem passarelas de madeira que permitem chegar perto sem perturbar os animais, e a luz da manhã, especialmente em dias de céu aberto, faz desse lugar um dos mais fotogênicos de toda a Patagônia. Quem vai atrás de fauna e não passa pela Nimez está perdendo algo sério.

O Anfiteatro del Bosque é diferente dos outros dois. Fica num bosque urbano com bancos de madeira, luz filtrada pelas árvores e um silêncio que contrasta com o agito das excursões. É o tipo de lugar que não aparece nas listas principais, mas que quem descobre valoriza muito. Ótimo para uma tarde mais tranquila entre um dia de trilha e outro.

E o Cartel de El Calafate, aquela estrutura com o nome da cidade em letras grandes perto da entrada, virou um ponto de parada espontânea para quase todo mundo. Não precisa de justificativa além da foto.

Atividade gratuitaTempo estimadoMelhor horário
Mirador del Cerro Calafate1h a 2hManhã cedo ou fim de tarde
Laguna Nimez1h a 2hManhã (melhor luz e mais aves ativas)
Anfiteatro del Bosque30min a 1hQualquer horário
Cartel de El Calafate15minFim de tarde (luz dourada)

Três apps que fazem diferença real na viagem

A Patagônia não é o tipo de destino onde dá para improvisar muito com o celular descarregado e sem nada instalado. O sinal de internet varia, as condições do parque mudam rápido e ter as ferramentas certas no bolso economiza tempo e evita confusão.

El Calafate Turismo é o app oficial da cidade. Reúne informações sobre clima, eventos locais, atrações e serviços. Não substitui um bom planejamento prévio, mas é útil para checar condições no dia e não depender só de conexão com internet para achar o que precisa.

PeakVisor é o que muda a experiência de quem gosta de entender o que está vendo. O app usa a câmera do celular para identificar montanhas e picos em tempo real, sobrepondo os nomes na paisagem. Na Patagônia, onde os horizontes são gigantes e as formações rochosas são inúmeras, isso transforma qualquer parada de ônibus em algo mais rico. Fica muito mais fácil entender a geografia do lugar quando você consegue nomear o que está na frente.

Google Maps parece óbvio, mas aqui tem um uso específico que pouca gente aproveita: baixar os mapas offline antes de sair do hotel. A conexão dentro do Parque Nacional Los Glaciares e nas estradas da estepe patagônica é zero ou muito instável. Salvar os pontos de interesse com antecedência, incluindo trilhas, paradas de ônibus e hospedagens, faz toda a diferença quando você está no meio do nada tentando descobrir para onde virar.

Uma viagem de férias em El Calafate custa, em média, de R$ 8.000 a R$ 18.000 por pessoa, dependendo da passagem aérea, dos passeios no Glaciar Perito Moreno e do padrão de hospedagem.

Qual o custo real de uma viagem de férias em El Calafate?

El Calafate parece, à primeira vista, uma viagem simples: uma cidade pequena na Patagônia Argentina, alguns passeios clássicos, poucos dias de roteiro e uma paisagem que praticamente resolve metade da viagem sozinha. Mas o custo real costuma surpreender.

Não porque El Calafate seja necessariamente luxuosa. Ela não tem aquele perfil ostensivo de destino caro. O problema é outro: quase tudo que vale muito a pena fazer por lá depende de logística, ingresso, transporte, guia, navegação ou operação especializada. E isso pesa.

Hoje, pensando em uma viagem de férias bem planejada, com 6 noites em El Calafate, saindo do Brasil, o custo mais realista fica assim:

Perfil de viagemCusto por pessoa
Econômico, mas sem passar apertoR$ 8.000 a R$ 11.000
Confortável e bem equilibradoR$ 12.000 a R$ 16.000
Com passeios caros e bons hotéisR$ 17.000 a R$ 25.000 ou mais

Esses valores consideram passagem aérea, hospedagem, alimentação, passeios principais, seguro viagem, traslados e uma margem mínima para gastos locais. Não é aquele orçamento “bonito de planilha” que ignora café, gorjeta, táxi, câmbio ruim e uma jaqueta impermeável comprada às pressas. É o custo mais perto da vida real.

O que mais encarece El Calafate

O item que mais muda o orçamento é a passagem aérea. O segundo são os passeios.

El Calafate não é Buenos Aires, onde dá para andar muito a pé, entrar em cafés, visitar atrações gratuitas e montar uma viagem boa gastando pouco. Em El Calafate, a estrela da viagem é a natureza, mas a natureza fica longe, dentro de parque nacional, atravessando lago, estrada, geleira e áreas controladas.

O Glaciar Perito Moreno, por exemplo, fica a cerca de 80 km da cidade. Você até pode ir de forma mais simples, mas não existe aquela liberdade de simplesmente “chegar ali” como se fosse um mirante urbano.

Além disso, os passeios mais famosos são caros mesmo. O Minitrekking no Glaciar Perito Moreno aparece em operadoras com valores na faixa de US$ 270 por pessoa, podendo subir dependendo da temporada. Algumas agências também exibem preços acima de ARS 320.000. Já o passeio Todo Glaciares, uma navegação longa pelo Lago Argentino, aparece em torno de ARS 240.000 em referências de excursões para 2026.

E ainda tem a entrada do Parque Nacional Los Glaciares. Para estrangeiros, a referência atual encontrada é de ARS 50.000 por pessoa, sujeita a alteração. Parece um detalhe, mas em uma viagem com mais de uma visita ao parque, vira dinheiro de verdade.

Câmbio: o detalhe que muda tudo

Para converter os valores, usei como referência o dólar perto de R$ 5,17 comercial e algo em torno de R$ 5,40 no turismo, valor mais próximo do que o viajante realmente paga quando compra dólar, usa cartão, Wise, Nomad, Western Union ou alguma combinação parecida.

Na prática, o custo final depende de três coisas:

  1. Como você paga
  2. Em qual moeda o passeio é cobrado
  3. Qual câmbio a agência usa no dia

Na Argentina, isso ainda exige mais atenção. Alguns lugares trabalham em pesos argentinos, outros informam em dólar, outros aceitam cartão com conversão própria. Não dá para montar orçamento olhando apenas o preço em pesos e convertendo no Google, porque o câmbio usado pelo viajante brasileiro pode ser diferente.

Minha recomendação prática é simples: para não se iludir, converta os passeios caros pelo dólar turismo ou por um câmbio conservador. Se depois sair mais barato, ótimo. O contrário dói mais.

Passagem aérea para El Calafate

A passagem costuma ser o grande susto da viagem.

Para quem sai do Brasil, normalmente a rota passa por Buenos Aires. Em muitos casos, o viajante compra Brasil para Buenos Aires e depois Buenos Aires para El Calafate, ou encontra uma passagem combinada com conexão.

Saindo de Belo Horizonte, a lógica costuma ser parecida: Confins para Buenos Aires, muitas vezes com conexão em São Paulo, Rio ou outro aeroporto, depois o trecho interno até El Calafate.

Um orçamento realista de passagem, por pessoa, fica assim:

Tipo de passagemValor provável por pessoa
Promoção muito boaR$ 2.800 a R$ 3.800
Compra normal com antecedênciaR$ 4.000 a R$ 6.000
Alta temporada ou compra em cima da horaR$ 6.500 a R$ 9.000 ou mais

Dá para pagar menos? Dá. Mas não é prudente montar a viagem contando com isso.

A Patagônia tem uma sazonalidade forte. Janeiro, fevereiro, feriados, Natal, Ano Novo e períodos de férias escolares costumam puxar os preços para cima. Se a ideia é viajar com mais controle financeiro, março, abril, outubro e novembro podem ser meses interessantes, dependendo do roteiro e das condições climáticas desejadas.

Hospedagem em El Calafate

El Calafate tem hospedagem para vários bolsos, mas não espere preços de cidade grande argentina barata. A oferta é boa, só que a procura também é forte na temporada.

Para uma viagem de férias de 6 noites, os custos médios ficam mais ou menos assim:

Tipo de hospedagemCusto por noiteCusto por pessoa em 6 noites, dividindo quarto
Hostel ou quarto simplesR$ 180 a R$ 350R$ 1.080 a R$ 2.100
Hotel simples confortávelR$ 400 a R$ 700R$ 1.200 a R$ 2.100
Hotel médio bem localizadoR$ 700 a R$ 1.200R$ 2.100 a R$ 3.600
Hotel superiorR$ 1.300 a R$ 2.500 ou maisR$ 3.900 a R$ 7.500 ou mais

Aqui tem um ponto importante: localização conta. Ficar perto da Avenida del Libertador, que é a região central mais prática, ajuda bastante. Você consegue sair para jantar, comprar algo no mercado, resolver câmbio e encontrar agências sem depender de táxi toda hora.

Hotéis mais afastados podem ter vista linda para o Lago Argentino, e isso tem seu charme, mas o deslocamento entra na conta. Em El Calafate, às vezes o barato da diária vira um gasto chato em transporte, especialmente em noites frias ou com vento.

Alimentação: dá para economizar, mas não tanto

Comer em El Calafate não precisa ser absurdo, mas também não é uma pechincha. É uma cidade turística, isolada e com custos logísticos altos. Isso aparece no prato.

Um viajante econômico, comprando algumas coisas em mercado e escolhendo restaurantes simples, pode gastar algo entre R$ 130 e R$ 220 por dia com alimentação.

Um viajante que quer sentar em restaurantes, provar cordeiro patagônico, tomar vinho e não ficar calculando cada refeição deve pensar em algo entre R$ 250 e R$ 450 por dia.

Para 6 ou 7 dias, isso dá:

Estilo de alimentaçãoGasto estimado por pessoa
EconômicoR$ 800 a R$ 1.400
EquilibradoR$ 1.500 a R$ 2.400
Mais confortávelR$ 2.500 a R$ 3.500

O café da manhã incluído no hotel ajuda. Ajuda muito, inclusive. Em destino frio, com passeio saindo cedo, tomar um café decente antes de entrar numa van faz diferença no bolso e no humor.

Também vale lembrar que alguns passeios de dia inteiro não incluem almoço. Ou incluem algo simples. Então é comum comprar lanche, água, chocolate, frutas, sanduíche ou alguma refeição rápida para levar. Parece pequeno, mas entra no orçamento.

Passeios em El Calafate

Aqui está o coração financeiro da viagem.

Você pode ir a El Calafate e fazer só o básico? Pode. Mas, sinceramente, quem atravessa meio continente para chegar até a Patagônia geralmente quer viver pelo menos uma ou duas experiências marcantes.

Os principais custos de passeio são estes:

PasseioValor aproximado por pessoa
Glaciar Perito Moreno com passarelasR$ 450 a R$ 900
Entrada do Parque Nacional Los GlaciaresCerca de ARS 50.000 para estrangeiros
Navegação curta em frente ao Perito MorenoR$ 200 a R$ 400
Minitrekking no Perito MorenoCerca de US$ 270 a US$ 310
Todo GlaciaresCerca de ARS 240.000 ou mais
Bate e volta a El ChalténR$ 500 a R$ 1.000
Experiências 4×4, estâncias ou cavalgadasR$ 500 a R$ 1.200

O passeio das passarelas do Perito Moreno é o essencial. Se tiver que escolher apenas um, é esse. Ele entrega muito visual, é menos caro do que o trekking no gelo e funciona para praticamente todo tipo de viajante.

O Minitrekking é outro nível de experiência, mas pesa no orçamento. Convertendo US$ 270 por um dólar turismo perto de R$ 5,40, o passeio já passa de R$ 1.450, sem contar possíveis taxas, entrada do parque, almoço e variações de tarifa. Se subir para US$ 310, passa de R$ 1.670.

É caro. Mas também é o tipo de passeio que muita gente coloca como motivo principal da viagem. O erro não é pagar. O erro é esquecer esse valor na hora de calcular a viagem e depois se assustar.

Roteiro econômico: quanto custa?

Um roteiro econômico realista seria algo assim:

  • 5 ou 6 noites em hospedagem simples
  • Passagem comprada com antecedência
  • Alimentação controlada
  • Perito Moreno com passarelas
  • Uma navegação curta
  • Talvez um bate e volta simples a El Chaltén
  • Poucos táxis
  • Seguro viagem básico

O custo aproximado por pessoa:

ItemValor
Passagem aéreaR$ 3.500 a R$ 5.000
HospedagemR$ 1.100 a R$ 1.800
AlimentaçãoR$ 800 a R$ 1.400
PasseiosR$ 1.200 a R$ 2.200
Traslados e transporte localR$ 300 a R$ 600
Seguro viagemR$ 100 a R$ 250
ExtrasR$ 500 a R$ 900
TotalR$ 7.500 a R$ 12.150

Na prática, eu diria que R$ 8.500 a R$ 10.500 por pessoa é uma faixa mais honesta para esse perfil. Abaixo disso, começa a depender de promoção aérea, hospedagem muito barata ou corte de passeio.

Roteiro confortável: o custo mais comum

Esse é o perfil que costuma fazer mais sentido para férias.

Não é luxo. É uma viagem com hotel decente, bons passeios, alimentação sem sofrimento e alguma folga para imprevistos.

Um roteiro confortável teria:

  • 6 noites em hotel bem localizado
  • Perito Moreno com passarelas
  • Minitrekking ou Todo Glaciares
  • Um passeio extra, como El Chaltén ou estância
  • Restaurantes em alguns dias
  • Seguro viagem
  • Traslados sem muita economia forçada

O custo fica assim:

ItemValor
Passagem aéreaR$ 4.500 a R$ 6.500
HospedagemR$ 2.000 a R$ 3.500
AlimentaçãoR$ 1.500 a R$ 2.500
PasseiosR$ 2.800 a R$ 5.000
Traslados e transporte localR$ 500 a R$ 900
Seguro viagemR$ 150 a R$ 350
ExtrasR$ 800 a R$ 1.500
TotalR$ 12.250 a R$ 20.250

Aqui, a faixa que eu consideraria mais realista é R$ 12.000 a R$ 16.000 por pessoa. Se incluir Minitrekking e Todo Glaciares na mesma viagem, o orçamento tende a encostar mais nos R$ 16.000 ou passar disso.

Roteiro com mais conforto ou alta temporada

Se a viagem for em janeiro, fevereiro, Natal, Ano Novo ou férias escolares, o custo sobe com facilidade.

Some a isso hotéis melhores, passeios mais caros, restaurantes bons e passagem aérea comprada sem muita antecedência. O orçamento pode ficar assim:

ItemValor
Passagem aéreaR$ 6.000 a R$ 9.000
HospedagemR$ 4.000 a R$ 7.500
AlimentaçãoR$ 2.500 a R$ 4.000
PasseiosR$ 5.000 a R$ 8.000
Transporte e trasladosR$ 800 a R$ 1.500
Seguro e extrasR$ 1.200 a R$ 2.500
TotalR$ 19.500 a R$ 32.500

Não é difícil uma viagem confortável para casal passar de R$ 35.000 no total, principalmente se os dois fizerem trekking no gelo e pegarem voos caros.

Quanto custa para um casal?

Para casal, o custo por pessoa cai um pouco na hospedagem, já que o quarto é dividido. Mas não cai nos itens principais: passagem, passeio, entrada de parque e alimentação continuam praticamente individuais.

Um casal em viagem confortável deve considerar:

PerfilCusto total para casal
Econômico realistaR$ 16.000 a R$ 22.000
ConfortávelR$ 24.000 a R$ 32.000
Com passeios caros e bons hotéisR$ 35.000 a R$ 50.000 ou mais

El Calafate é daqueles destinos em que viajar em casal ajuda na diária, mas não faz milagre. O grosso do orçamento está nos deslocamentos e nas experiências.

Quantos dias ficar para o custo valer a pena?

Eu não acho El Calafate uma viagem boa para poucos dias, especialmente saindo do Brasil. O deslocamento é longo e caro demais para passar apenas 3 noites, a menos que esteja combinando com outro destino.

O mínimo razoável seria:

  • 4 noites, para fazer Perito Moreno e mais um passeio
  • 5 ou 6 noites, para uma viagem mais redonda
  • 7 noites ou mais, se quiser incluir El Chaltén com mais calma

Para férias, eu olharia com carinho para 6 noites. É tempo suficiente para encaixar passeios, lidar com clima ruim e não transformar a viagem numa maratona.

A Patagônia tem vento, chuva, mudança de temperatura e passeios sujeitos a condição climática. Ter um dia de folga não é luxo. É estratégia.

Custos escondidos que muita gente esquece

O orçamento de El Calafate raramente estoura por causa de um único item. Ele vai crescendo em pequenos gastos.

Alguns exemplos:

  • Roupa térmica
  • Jaqueta corta-vento ou impermeável
  • Bota confortável
  • Luvas, gorro e segunda pele
  • Lanches para passeios
  • Táxis em dias frios
  • Câmbio desfavorável
  • Taxas de cartão
  • Entrada de parque não incluída no passeio
  • Alimentação em aeroporto
  • Bagagem despachada
  • Seguro viagem com cobertura melhor

Roupa é um ponto delicado. Se você já tem jaqueta, fleece, bota e acessórios, ótimo. Se não tem, pode gastar fácil de R$ 500 a R$ 1.500 antes mesmo de embarcar.

Não precisa comprar equipamento de expedição. Mas também não dá para subestimar a Patagônia. Vento frio muda completamente a sensação térmica, mesmo fora do inverno.

Dá para economizar em El Calafate?

Dá, mas com escolhas inteligentes.

A primeira economia está na passagem. Comprar com antecedência e evitar datas óbvias de férias pode fazer diferença enorme.

A segunda está na hospedagem. Não precisa ficar em hotel caro, mas vale ficar bem localizado. Um hotel simples no centro costuma ser melhor negócio do que um hotel mais bonito e afastado, se o preço da diária for parecido.

A terceira está nos passeios. Em vez de tentar fazer tudo, escolha bem. Uma combinação equilibrada seria:

  • Perito Moreno com passarelas
  • Uma navegação
  • Um passeio de dia inteiro, como El Chaltén ou Todo Glaciares
  • Um dia livre para caminhar pela cidade, ver o lago e descansar

Se o Minitrekking for prioridade, talvez seja melhor cortar outro passeio caro. O orçamento fica mais limpo.

Vale a pena pagar pelo Minitrekking?

Depende do perfil.

Para quem sonha em caminhar sobre uma geleira, sim, pode valer muito. É caro, mas é uma experiência bem específica, difícil de repetir em outros lugares com essa estrutura.

Para quem só quer ver o Perito Moreno de perto, as passarelas já entregam uma experiência fortíssima. A vista é ampla, o acesso é mais simples e o impacto visual é enorme.

Eu não colocaria o Minitrekking como obrigatório para todo mundo. Colocaria como o passeio caro que precisa ser escolhido com intenção. Se ele entrar no roteiro, aceite que a viagem mudou de faixa de preço.

Melhor época e impacto no orçamento

A temporada mais procurada vai de outubro a abril, com pico no verão. Dezembro, janeiro e fevereiro têm dias longos, clima mais favorável e preços mais altos.

Março costuma ser um mês interessante. Ainda há boa operação turística, o clima pode colaborar e a pressão de preços tende a ser menor do que no auge do verão.

Outubro e novembro também podem ser bons, mas com aquele clima patagônico sempre meio imprevisível.

No inverno, a cidade pode ter preços melhores, mas nem todos os passeios funcionam da mesma forma. Se o foco é economizar, tudo bem olhar essa época. Se o foco é fazer passeios clássicos com mais variedade, a temporada tradicional costuma ser mais segura.

Orçamento final recomendado

Se alguém me perguntasse quanto reservar para não passar aperto em El Calafate, eu responderia assim:

SituaçãoValor recomendado por pessoa
Mochilão econômico com poucos passeiosR$ 8.000
Viagem econômica bem planejadaR$ 10.000
Viagem confortávelR$ 14.000
Viagem confortável com MinitrekkingR$ 16.000 a R$ 18.000
Alta temporada com bons hotéisR$ 20.000 ou mais

Para um brasileiro saindo de Belo Horizonte ou de outra capital que não tenha rota direta prática, eu não montaria uma viagem de férias para El Calafate com menos de R$ 10.000 por pessoa, a não ser que a passagem já estivesse comprada em promoção.

O número mais honesto, para uma viagem boa, sem luxo e sem aperto, é algo perto de R$ 14.000 a R$ 16.000 por pessoa.

Então, qual é o custo real?

O custo real de uma viagem de férias em El Calafate é mais alto do que muita gente imagina porque o destino cobra caro pela logística. Não é só hospedagem e comida. É avião, parque nacional, traslado, navegação, guia, câmbio e passeio especializado.

Para resumir bem:

  • R$ 8.000 a R$ 11.000 por pessoa: viagem econômica, com escolhas bem controladas.
  • R$ 12.000 a R$ 16.000 por pessoa: viagem confortável e mais realista.
  • R$ 17.000 a R$ 25.000 por pessoa: viagem com passeios caros, hotéis melhores ou alta temporada.

El Calafate não é um destino barato. Mas também não precisa ser uma extravagância sem controle. A chave é decidir antes quais experiências realmente importam. Se o Perito Moreno é o grande objetivo, dá para montar uma viagem enxuta e memorável. Se a ideia é fazer Minitrekking, Todo Glaciares, El Chaltén, comer bem e ficar em hotel charmoso, aí o orçamento precisa acompanhar essa ambição.


O que colocar na mala, sem exagerar

A Patagônia tem um clima que não segue as regras normais. Em pleno verão, sol forte de manhã pode virar vento cortante à tarde com uma velocidade que desorienta quem não está acostumado. Não adianta trazer mala cheia de roupas de moda. O que importa é funcionalidade.

Rompevientos é o item número um. Uma jaqueta corta-vento impermeável, de preferência com capuz ajustável. Pode ser leve, não precisa ser aquela jaqueta pesada de inverno, mas precisa bloquear o vento. O vento patagônico não é frio da mesma forma que o frio de altitude, ele é lateral, constante e sutil na hora de tirar calor do corpo.

Protetor solar com FPS alto é igualmente obrigatório, e isso pega muita gente desprevenida. A altitude e a pureza do ar na Patagônia intensificam a radiação ultravioleta de um jeito que quem vem do Brasil subestima. Passar um dia inteiro nas passarelas do Perito Moreno sem protetor é receita para uma queimadura feia, mesmo em dias nublados.

Óculos de sol com proteção UV completam o trio básico. A claridade refletida no gelo e na água dos lagos é intensa. Não é só conforto visual, é proteção real para os olhos.

Tênis ou bota confortável fecha a lista. Para as atividades gratuitas dentro da cidade e para caminhos mais curtos no parque, um bom tênis de trilha já resolve. Para quem vai ao gelo no Minitrekking ou Big Ice, a agência já fornece crampões, então não precisa se preocupar com isso.

ItemPara que serveEssencial?
Rompevientos impermeávelProteção contra o vento constanteSim
Protetor solar FPS 50+Radiação UV intensa em altitudeSim
Óculos de sol UVReflexo do gelo e dos lagosSim
Tênis ou bota confortávelTrilhas e caminhadas urbanasSim
Mochila leve de diaCarregar água, lanche e camadas extrasRecomendado
Garrafa de água reutilizávelHidratação nas trilhasRecomendado

Uma última coisa que faz diferença

El Calafate tem um ritmo próprio. As excursões saem cedo, o vento aparece no meio do dia e as tardes ficam longas no verão, com sol até quase as 22h. Aproveitar essa luz do fim do dia para visitar o Mirador ou caminhar pela Nimez, quando a maioria dos turistas já voltou para o hotel, é uma das melhores decisões que dá para tomar na cidade.

Planejar bem os dias pagos e encaixar os passeios gratuitos nos momentos certos transforma El Calafate de uma parada rápida rumo ao glaciar em uma experiência muito mais completa do que a maioria das pessoas imagina antes de chegar.

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