Roteiros Pelas Praias Mais Bonitas do Alentejo
Roteiro pelas praias mais bonitas do Alentejo, com paradas imperdíveis entre Comporta, Porto Covo, Vila Nova de Milfontes, Almograve, Zambujeira do Mar e Odeceixe.

Roteiro pelas praias mais bonitas e imperdíveis do Alentejo
O litoral do Alentejo tem um tipo de beleza que não tenta agradar de imediato. Ele é mais bruto, mais aberto, mais silencioso. As praias não costumam ter aquela estrutura exagerada de destinos muito turísticos, e talvez seja exatamente por isso que a região tenha ficado tão especial. Há falésias, dunas, mar frio, areia clara, vilas pequenas, estradas rurais e miradouros onde dá vontade de ficar mais tempo do que o planejado.
Para conhecer bem as praias mais bonitas do Alentejo, o carro faz muita diferença. Algumas ficam perto de vilas com boa estrutura, como Comporta, Porto Covo, Vila Nova de Milfontes e Zambujeira do Mar. Outras exigem pequenas estradas, caminhadas curtas ou um pouco mais de paciência para estacionar na alta temporada. Nada complicado demais, mas é um tipo de viagem que funciona melhor com liberdade.
O roteiro abaixo segue de norte para sul, começando na região da Comporta e descendo pela Costa Vicentina até Odeceixe, já na divisa com o Algarve. É uma rota perfeita para 5 a 7 dias, dependendo do ritmo. Se a ideia for fazer sem pressa, 7 dias é o ideal. Se o tempo for curto, dá para adaptar para 4 ou 5 dias escolhendo menos bases.
Visão geral do roteiro pelas praias do Alentejo
| Dia | Base sugerida | Praias e paradas principais |
|---|---|---|
| 1 | Comporta ou Carvalhal | Praia da Comporta, Praia do Carvalhal, Praia do Pego |
| 2 | Melides ou Santiago do Cacém | Praia da Galé-Fontainhas, Praia de Melides, Lagoa de Santo André |
| 3 | Porto Covo | São Torpes, Praia Grande de Porto Covo, Praia dos Buizinhos, Ilha do Pessegueiro |
| 4 | Vila Nova de Milfontes | Praia do Malhão, Praia da Franquia, Praia do Farol, Praia das Furnas |
| 5 | Almograve ou Vila Nova de Milfontes | Praia do Almograve, Praia de Nossa Senhora, Praia do Brejo Largo |
| 6 | Zambujeira do Mar | Cabo Sardão, Praia da Zambujeira do Mar, Praia do Carvalhal, Praia dos Alteirinhos |
| 7 | Odeceixe | Praia da Amália, Praia de Odeceixe, retorno ou continuação para o Algarve |
Esse roteiro não precisa ser seguido de forma rígida. O litoral alentejano combina muito com ajustes de última hora. Às vezes o vento muda, o mar está mais mexido, uma praia está cheia ou o dia simplesmente pede menos deslocamento. O importante é entender a lógica da costa e escolher bem onde dormir.
Melhor época para conhecer as praias do Alentejo
A melhor época para fazer esse roteiro vai de maio a outubro, mas cada período tem um estilo diferente.
Junho e setembro costumam ser os meses mais equilibrados. O clima já está bom, os dias são longos, há mais restaurantes abertos e o movimento ainda não é tão intenso quanto em agosto. Julho e agosto são ótimos para quem quer clima de verão, mas algumas praias, especialmente Comporta, Carvalhal, Porto Covo, Vila Nova de Milfontes e Zambujeira, podem ficar bem movimentadas.
Maio e outubro são meses excelentes para quem quer caminhar, fotografar, aproveitar a paisagem e viajar com mais calma. O banho de mar pode ser mais difícil para quem sente frio, porque o Atlântico nessa região não costuma ser quente. Mesmo no verão, a água pode surpreender.
No inverno, o litoral continua bonito, mas a proposta muda. É mais uma viagem de paisagem, trilhas, restaurantes tranquilos e vilas vazias. Para banho de praia, não é a melhor escolha.
Quantos dias ficar no litoral alentejano
Dá para fazer uma amostra em 3 dias, mas fica corrido. Para conhecer as praias mais bonitas e imperdíveis, eu consideraria pelo menos 5 dias. Com 7 dias, o roteiro fica muito melhor, porque permite dormir em bases diferentes e não transformar cada dia em uma sequência cansativa de paradas.
Uma divisão prática seria:
| Duração | Melhor tipo de roteiro |
|---|---|
| 3 dias | Comporta, Porto Covo e Vila Nova de Milfontes |
| 5 dias | Comporta, Porto Covo, Milfontes, Almograve e Zambujeira |
| 7 dias | Roteiro completo até Odeceixe, com tempo para praias mais selvagens |
Se for a primeira vez no Alentejo, 7 dias no litoral não é exagero. A região parece pequena no mapa, mas cada praia tem um clima próprio.
Dia 1: Comporta, Carvalhal e Pego
A região da Comporta é uma das portas de entrada mais bonitas para o litoral alentejano. Tecnicamente, ela fica no começo da costa, ainda muito ligada ao estuário do Sado, aos arrozais e às dunas. O visual é diferente do restante da Costa Vicentina. Aqui, as praias são longas, abertas, com areia clara e um ar mais elegante.
Praia da Comporta
A Praia da Comporta é uma das mais famosas da região. É ampla, bonita e tem boa estrutura em comparação com praias mais selvagens do Alentejo. O acesso é fácil, há estacionamento e restaurantes de praia, o que a torna uma ótima primeira parada.
O charme da Comporta não está só no mar. O caminho entre arrozais, pinheiros e casas discretas cria uma atmosfera bem particular. É uma praia boa para passar algumas horas, caminhar na areia e começar o roteiro sem pressa.
Na alta temporada, chegue cedo. A região ficou bastante procurada nos últimos anos, e os estacionamentos podem lotar.
Praia do Carvalhal
A Praia do Carvalhal fica um pouco mais ao sul e costuma agradar bastante quem quer uma praia bonita com alguma estrutura, mas sem perder o clima natural. Tem areia extensa, mar aberto e bons acessos.
É uma daquelas praias que funcionam bem para famílias, casais e grupos de amigos. Não é a praia mais selvagem do roteiro, mas é muito agradável. Se o dia estiver bonito e sem muito vento, vale ficar até o fim da tarde.
Praia do Pego
A Praia do Pego fecha muito bem o primeiro dia. Ela tem um visual parecido com o Carvalhal, mas costuma passar uma sensação um pouco mais reservada, dependendo da época. É uma praia longa, elegante e boa para caminhar.
Se quiser escolher apenas duas praias no primeiro dia, eu faria Comporta pela manhã e Pego ou Carvalhal à tarde.
Onde dormir
Para esse trecho, as melhores bases são Comporta, Carvalhal, Melides ou Santiago do Cacém. Comporta e Carvalhal tendem a ser mais caras. Melides pode ser uma alternativa interessante para quem quer continuar descendo a costa no dia seguinte.
Dia 2: Galé-Fontainhas, Melides e Lagoa de Santo André
O segundo dia começa a mostrar uma face mais tranquila e menos óbvia do litoral alentejano. Ao sair da região da Comporta, a paisagem muda aos poucos. As praias continuam longas, mas aparecem falésias coloridas, lagoas e acessos mais discretos.
Praia da Galé-Fontainhas
A Praia da Galé-Fontainhas é uma das praias mais bonitas dessa parte do Alentejo. O grande destaque são as falésias avermelhadas e alaranjadas, que criam um cenário muito diferente das praias abertas da Comporta.
É uma praia para contemplar com calma. A luz do fim da tarde costuma valorizar bastante as cores das falésias. Como em muitos pontos da costa portuguesa, é importante respeitar a sinalização e evitar ficar muito perto da base das escarpas, porque pode haver risco de deslizamento.
Praia de Melides
A Praia de Melides é extensa, aberta e ligada à Lagoa de Melides. Tem um ambiente mais simples e menos sofisticado do que a Comporta, o que pode ser uma vantagem para quem busca uma experiência mais tranquila.
É uma boa parada para caminhar e sentir essa transição entre praia, dunas e lagoa. Dependendo do vento, o mar pode estar mais agitado. Ainda assim, o cenário é bonito e merece entrar no roteiro.
Lagoa de Santo André
A Lagoa de Santo André não é exatamente uma praia de mar clássica, mas vale muito a visita. A região mistura lagoa, dunas, observação de aves, passadiços e acesso ao Atlântico. É uma parada diferente dentro do roteiro e boa para quebrar a sequência de praias parecidas.
Para quem gosta de paisagens mais naturais, a Lagoa de Santo André pode ser um dos pontos mais interessantes do dia. Não espere agito. A graça está justamente na calma.
Onde dormir
Você pode dormir em Melides, Santiago do Cacém, Sines ou já seguir para Porto Covo. Se quiser acordar perto das praias do dia seguinte, Porto Covo é a escolha mais charmosa.
Dia 3: São Torpes, Porto Covo e Ilha do Pessegueiro
O terceiro dia entra em uma das partes mais bonitas do litoral alentejano. Porto Covo é pequena, branca, agradável e cercada por praias recortadas, falésias e enseadas. É um ótimo lugar para passar pelo menos uma noite.
Praia de São Torpes
A Praia de São Torpes fica ao norte de Porto Covo, perto de Sines. Ela é conhecida por ter água relativamente menos fria em alguns períodos, por causa de características locais da região. Mesmo assim, não espere um mar tropical. Continua sendo Atlântico.
A praia é ampla, de fácil acesso e muito procurada para esportes como surf. Pode ser uma boa primeira parada antes de chegar a Porto Covo, principalmente se você estiver vindo do norte.
Praia Grande de Porto Covo
A Praia Grande é a praia mais prática de Porto Covo. Fica perto da vila, tem acesso simples e é uma boa opção para banho quando as condições do mar ajudam.
Ela não é a mais selvagem da região, mas é muito conveniente. Para quem está hospedado em Porto Covo, é aquela praia fácil para ir a pé, passar um tempo e voltar para almoçar no centro.
Praia dos Buizinhos
A Praia dos Buizinhos é pequena, bonita e bem fotogênica. Ela fica próxima ao centro de Porto Covo e tem aquele visual típico da região, com pedras, falésias e mar azul forte.
Por ser menor, não é necessariamente a melhor praia para passar o dia inteiro. Mas é imperdível para caminhar, fotografar e observar o litoral recortado. Em maré baixa, o cenário fica ainda mais interessante.
Ilha do Pessegueiro
A Ilha do Pessegueiro é um dos cartões-postais dessa parte do Alentejo. A praia em frente à ilha tem um cenário lindo, com a fortificação e a ilha compondo a paisagem. É um lugar que mistura beleza natural e história.
A Praia da Ilha do Pessegueiro é boa para passar parte da tarde. O mar pode variar bastante, então vale observar as condições antes de entrar. Mesmo que você não entre na água, a vista já compensa.
Onde dormir
Durma em Porto Covo, se possível. A vila é pequena, mas muito agradável para terminar o dia. Caminhar pelo centrinho no fim da tarde, jantar sem pressa e acordar perto do mar fazem diferença nesse roteiro.
Dia 4: Praia do Malhão, Vila Nova de Milfontes, Franquia, Farol e Furnas
O quarto dia mistura praias selvagens com uma das vilas mais conhecidas da costa alentejana: Vila Nova de Milfontes. É uma base prática, com boa oferta de hospedagem, restaurantes e serviços.
Praia do Malhão
A Praia do Malhão é uma das mais bonitas do Alentejo para quem gosta de paisagem aberta e selvagem. Ela fica entre Porto Covo e Vila Nova de Milfontes, com acesso por estrada e áreas de estacionamento.
O visual é forte: dunas, rochas, areia ampla e mar de energia. É uma praia bastante procurada por surfistas, mas também funciona muito bem para quem quer caminhar e aproveitar o cenário. Em dias de vento, pode ficar menos confortável para ficar parado na areia, mas continua linda.
É uma praia que merece tempo. Não passe correndo.
Praia da Franquia
Já em Vila Nova de Milfontes, a Praia da Franquia tem um perfil diferente. Ela fica junto ao rio Mira, com águas mais calmas do que as praias diretamente voltadas para o Atlântico. Por isso, costuma ser uma opção interessante para famílias e para quem quer um banho mais tranquilo.
A paisagem da foz do Mira é muito bonita. A mistura de rio, areia, vila e mar cria um cenário bem característico de Milfontes.
Praia do Farol
A Praia do Farol fica perto da Franquia e tem uma posição bonita, na transição entre o rio e o mar. É uma praia agradável para caminhar e observar o encontro das águas.
O fim de tarde nessa região costuma ser muito bonito. Se você não quiser dirigir mais nesse dia, pode simplesmente deixar o carro parado e circular a pé entre o centro, o forte, a Franquia e o Farol.
Praia das Furnas
A Praia das Furnas fica do outro lado do rio Mira. O acesso pode ser feito de carro, contornando pela estrada, ou por travessias sazonais quando disponíveis. Ela tem uma vista linda para Vila Nova de Milfontes e costuma ser uma das praias mais especiais da região.
É uma praia ampla, com uma sensação mais aberta. Dependendo da maré e das condições do rio, a experiência muda bastante. Vale conferir localmente antes de ir.
Onde dormir
Vila Nova de Milfontes é uma das melhores bases do roteiro. Se você quiser reduzir trocas de hotel, pode dormir duas noites aqui e visitar Almograve e Cabo Sardão no dia seguinte.
Dia 5: Almograve, Nossa Senhora e Brejo Largo
O quinto dia é para quem gosta de praias mais naturais, com falésias, rochas e menos cara de balneário. Almograve é uma vila pequena, mas a praia é uma das mais marcantes da Costa Vicentina.
Praia do Almograve
A Praia do Almograve é, sem exagero, uma das praias mais bonitas do Alentejo. Ela tem uma combinação poderosa de areia, rochas escuras, falésias, poças na maré baixa e um mar que muda bastante conforme o dia.
É uma praia para ir com tempo. Na maré baixa, o visual fica mais interessante para caminhar e observar as formações rochosas. Na maré alta, algumas áreas podem ficar mais reduzidas. Como sempre nessa costa, é importante respeitar as indicações de segurança e não arriscar perto de falésias instáveis.
Almograve tem um clima menos arrumado do que Comporta e menos turístico do que Milfontes. Isso dá personalidade ao lugar.
Praia de Nossa Senhora
A Praia de Nossa Senhora fica próxima a Almograve e pode ser uma boa opção para quem quer explorar um pouco mais a região. É menos famosa, mais discreta e com aquele visual típico da costa alentejana.
Nem sempre será a praia ideal para banho, dependendo das condições do mar, mas é muito bonita para caminhar e fazer uma parada curta.
Praia do Brejo Largo
A Praia do Brejo Largo é mais selvagem e exige mais disposição. O acesso pode envolver caminhada, e por isso ela não é a melhor opção para todo mundo. Para quem gosta de praias menos frequentadas e paisagens naturais, porém, ela pode ser uma das boas surpresas do roteiro.
Aqui vale uma regra simples: vá com calçado adequado, água, proteção solar e atenção ao horário. Praias mais isoladas são lindas, mas pedem bom senso.
Onde dormir
Você pode dormir em Almograve, Vila Nova de Milfontes ou seguir para Zambujeira do Mar. Para o roteiro fluir melhor, eu dormiria em Zambujeira se a ideia for continuar descendo a costa no dia seguinte.
Dia 6: Cabo Sardão, Zambujeira do Mar, Carvalhal e Alteirinhos
O sexto dia passa por um dos trechos mais cênicos da costa alentejana. Aqui as falésias ganham protagonismo, o mar parece mais dramático e as vilas continuam pequenas.
Cabo Sardão
O Cabo Sardão não é uma praia para banho, mas é uma parada obrigatória entre Almograve e Zambujeira. O farol, as falésias e a vista do Atlântico formam um dos cenários mais bonitos do roteiro.
É também uma área conhecida pela presença de cegonhas que nidificam nas falésias, algo bem característico dessa parte da costa. Se você gosta de fotografia ou de caminhadas curtas, reserve um tempo aqui.
Vá com cuidado nas bordas. As falésias são lindas, mas não são lugar para distração.
Praia da Zambujeira do Mar
A Praia da Zambujeira do Mar fica encaixada entre falésias, logo abaixo da vila. É uma das imagens mais clássicas do litoral alentejano. O acesso é fácil, a vila tem restaurantes e hospedagens, e o conjunto é muito bonito.
No verão, pode ficar cheia, mas ainda assim vale. Fora da alta temporada, a praia ganha um clima bem mais tranquilo. É um bom lugar para passar algumas horas, almoçar na vila e voltar para ver o fim de tarde.
Praia do Carvalhal
Não confunda com a Praia do Carvalhal da região da Comporta. Esta Praia do Carvalhal fica perto de Zambujeira do Mar e tem um visual bem diferente, mais encaixado e cercado por vegetação e falésias.
É uma praia muito bonita, com acesso relativamente simples e ambiente mais reservado. Pode ser uma excelente alternativa se a praia principal da Zambujeira estiver muito movimentada.
Praia dos Alteirinhos
A Praia dos Alteirinhos fica ao sul da Zambujeira e é uma das praias mais interessantes da região. Tem falésias, formações rochosas e um clima mais selvagem. O acesso exige um pouco mais de atenção, mas não chega a ser uma aventura complicada para quem está acostumado a caminhar.
É uma praia para quem gosta de cenário natural e menos estrutura. Leve o que precisar e evite depender de serviços por perto.
Onde dormir
Zambujeira do Mar é a melhor base para esse dia. A vila é pequena, mas tem uma atmosfera muito gostosa. Para quem prefere lugares mais calmos, também há hospedagens rurais nos arredores de São Teotónio e Odemira.
Dia 7: Praia da Amália e Praia de Odeceixe
O último dia fecha o roteiro em grande estilo, com duas praias muito especiais. A Praia da Amália é mais escondida. Odeceixe é mais conhecida, ampla e visualmente impressionante.
Praia da Amália
A Praia da Amália é uma das mais bonitas e delicadas da costa alentejana. O acesso envolve uma caminhada curta por uma área mais natural, e isso já muda a experiência. Ela não tem a praticidade das praias urbanas, mas entrega um cenário lindo.
O nome é associado à fadista Amália Rodrigues, que teve ligação com essa região. A praia é pequena, cercada por falésias e vegetação, com uma sensação de refúgio. Em dias de mar bom e pouca gente, é uma das paradas mais memoráveis do roteiro.
Como o acesso não é tão direto, vá com pouca bagagem, calçado confortável e atenção ao caminho. Não é uma praia para chegar cheio de coisas, guarda-sol enorme e cooler pesado.
Praia de Odeceixe
A Praia de Odeceixe fica na foz da Ribeira de Seixe, já na fronteira natural entre Alentejo e Algarve. É uma das praias mais bonitas de Portugal, com um desenho muito particular: de um lado, o rio; do outro, o mar; ao redor, falésias e miradouros.
Ela funciona bem para diferentes perfis. Quem quer banho mais calmo pode aproveitar a parte do rio, dependendo da maré. Quem gosta de mar aberto fica do lado oceânico. Quem prefere só olhar a paisagem também sai satisfeito.
A vista do alto é indispensável. Antes ou depois de descer para a areia, procure um miradouro para observar o formato da praia. É uma daquelas paisagens que explicam por que a Costa Vicentina é tão especial.
Fim do roteiro
De Odeceixe, você pode voltar para Lisboa, seguir para o Algarve ou subir novamente com calma pela costa. Se o voo for em Lisboa no mesmo dia, saia com bastante antecedência. A viagem é longa e não vale fechar um roteiro tão bonito com pressa.
Praias mais imperdíveis do Alentejo, se você tiver pouco tempo
Se você não tiver 7 dias e precisar escolher apenas as mais marcantes, eu priorizaria estas:
| Praia | Região | Por que vale a pena |
|---|---|---|
| Praia da Comporta | Comporta | Areia longa, dunas e bom acesso |
| Praia da Galé-Fontainhas | Melides | Falésias coloridas e visual diferente |
| Ilha do Pessegueiro | Porto Covo | Cenário histórico e paisagem fotogênica |
| Praia do Malhão | Milfontes | Beleza selvagem e ótima para caminhada |
| Praia das Furnas | Milfontes | Vista linda para a foz do rio Mira |
| Praia do Almograve | Almograve | Uma das mais bonitas da Costa Vicentina |
| Praia da Zambujeira do Mar | Zambujeira | Clássica, bonita e com vila ao lado |
| Praia da Amália | Brejão | Pequena, escondida e muito charmosa |
| Praia de Odeceixe | Odeceixe | Rio, mar, falésias e visual espetacular |
Com 3 dias, eu faria Porto Covo, Vila Nova de Milfontes e Zambujeira do Mar. Com 5 dias, incluiria Comporta e Odeceixe. Com 7 dias, faria o roteiro completo.
Melhor base para dormir no roteiro
A escolha da hospedagem muda muito a experiência. Não é obrigatório dormir em todas as vilas, mas algumas bases ajudam bastante.
| Base | Melhor para quem quer |
|---|---|
| Comporta ou Carvalhal | Praias longas, conforto e bons restaurantes |
| Melides | Clima mais discreto e acesso a lagoas |
| Porto Covo | Vila charmosa e praias recortadas |
| Vila Nova de Milfontes | Estrutura, restaurantes e localização prática |
| Almograve | Sossego e praias naturais |
| Zambujeira do Mar | Falésias, pôr do sol e vila pequena |
| Odeceixe | Fechar o roteiro com uma praia espetacular |
Se você prefere menos trocas de hotel, uma boa estratégia é dormir 2 noites em Comporta ou Melides, 2 noites em Vila Nova de Milfontes e 2 noites em Zambujeira do Mar. A partir dessas bases, dá para fazer bons bate-voltas.
Cuidados importantes nas praias do Alentejo
O litoral alentejano é lindo, mas pede atenção. O mar pode ser frio, forte e com correntes. Nem toda praia tem vigilância o ano inteiro, e algumas têm acessos mais rústicos.
Antes de entrar no mar, observe as bandeiras, as condições locais e o comportamento das ondas. Em praias mais isoladas, evite entrar sozinho se o mar estiver mexido. Parece conselho básico, mas faz diferença.
Outro cuidado importante é com as falésias. Muitas praias têm escarpas bonitas, mas não é seguro ficar encostado nelas ou caminhar na beira sem atenção. O melhor ângulo para foto nunca vale um risco desnecessário.
Também leve água, protetor solar, chapéu e algum lanche em praias menos estruturadas. Em julho e agosto, chegue cedo para conseguir estacionar melhor. Fora da alta temporada, confira se restaurantes e bares de praia estarão abertos, especialmente em lugares menores.
Vale a pena fazer trilhas entre as praias?
Sim, especialmente se você gosta de caminhar. A costa alentejana faz parte da região atravessada por trilhas famosas, como trechos da Rota Vicentina, incluindo caminhos junto às falésias. Algumas caminhadas entre praias são lindas, mas é importante planejar bem.
Não é necessário fazer uma trilha longa para aproveitar. Pequenos trechos já entregam vistas incríveis, principalmente perto de Porto Covo, Almograve, Cabo Sardão, Zambujeira e Odeceixe.
Use calçado adequado. Chinelo pode funcionar para a areia, mas não é o melhor amigo em trilhas com pedra, areia solta e desníveis.
O que esperar das praias do Alentejo
As praias do Alentejo não têm o mesmo clima do Algarve mais turístico. Elas são menos urbanizadas, mais abertas, mais ventosas em alguns dias e com água mais fria. Em compensação, têm uma beleza mais natural e uma sensação de espaço que hoje é cada vez mais rara.
Não vá esperando beach clubs em sequência, mar morno e infraestrutura em todas as paradas. Vá esperando estrada bonita, vilas pequenas, falésias, peixe fresco, pôr do sol, silêncio e praias que parecem maiores do que a pressa da viagem.
Essa diferença é justamente o encanto.
Roteiro recomendado em 7 dias, sem correria
Para fechar de forma prática, eu organizaria assim:
Dia 1: chegada pela região da Comporta, com Praia da Comporta, Carvalhal e Pego.
Dia 2: Galé-Fontainhas, Melides e Lagoa de Santo André.
Dia 3: São Torpes, Porto Covo, Buizinhos e Ilha do Pessegueiro.
Dia 4: Praia do Malhão e Vila Nova de Milfontes, incluindo Franquia, Farol e Furnas.
Dia 5: Almograve, Nossa Senhora e Brejo Largo, com noite em Milfontes ou Zambujeira.
Dia 6: Cabo Sardão, Zambujeira do Mar, Carvalhal e Alteirinhos.
Dia 7: Praia da Amália e Praia de Odeceixe.
Se tiver que escolher só uma região para se apaixonar pelo litoral alentejano, eu ficaria entre Porto Covo, Vila Nova de Milfontes, Almograve e Zambujeira do Mar. Esse trecho concentra algumas das praias mais bonitas, mantém a viagem prática e mostra bem o espírito da Costa Vicentina.
O Alentejo de praia não é uma viagem para marcar pontos no mapa. É melhor quando sobra tempo para parar sem planejar, repetir uma praia no fim da tarde, mudar o almoço de horário porque o mar está bonito ou simplesmente sentar numa falésia e olhar o Atlântico por alguns minutos. A região combina com esse tipo de liberdade. E, de carro, ela fica ainda melhor.