Roteiro de Viagem Pela Grande Rota Sul na Islândia
Grande Rota Sul na Islândia: roteiro completo saindo de Reykjavík, passando por Snæfellsnes, Círculo Dourado, Landmannalaugar, Skaftafell, Jökulsárlón e Höfn, com dicas de estrada, paradas e melhor época.

Grande Rota Sul na Islândia: roteiro destrinchado para viajar sem correr demais
A chamada Grande Rota Sul da Islândia é uma daquelas viagens que parecem simples no mapa, mas ganham outra dimensão quando se começa a olhar os detalhes. Ela mistura capital charmosa, península vulcânica, gêiseres, cachoeiras, montanhas coloridas, geleiras, praias de areia preta, lagoas glaciais e uma cidade portuária famosa pela lagosta.
O roteiro da imagem faz um desenho muito inteligente: começa em Reykjavík, sobe para a península de Snæfellsnes, volta para o Círculo Dourado, entra nas terras altas em Landmannalaugar, segue pela costa sul até Skaftafell, alcança a lagoa glacial de Jökulsárlón e termina em Höfn.
É um roteiro de paisagens grandes. Não é uma viagem de cidade em cidade, no sentido tradicional. Na Islândia, o caminho é parte central da experiência. Às vezes, a parada mais bonita do dia não está marcada no mapa. Pode ser um campo de lava coberto de musgo, uma cachoeira sem nome famoso, um cavalo islandês parado perto da cerca ou uma montanha que aparece de repente atrás de uma curva.
Abaixo vai uma forma bem prática de destrinchar essa rota, pensando em quem quer viajar de carro, com tempo suficiente para aproveitar, mas sem transformar a viagem numa maratona cansativa.
Antes de tudo: quantos dias reservar para a Grande Rota Sul?
Dá para fazer uma versão corrida em 7 dias, mas eu não recomendo para quem quer aproveitar com calma. O ideal é pensar em 10 a 12 dias, principalmente se a rota incluir Snæfellsnes e Landmannalaugar, que fogem um pouco da linha clássica da costa sul.
A versão mais equilibrada fica assim:
| Dia | Base sugerida | Foco do dia |
|---|---|---|
| 1 | Reykjavík | Chegada, centro histórico e adaptação |
| 2 | Snæfellsnes | Saída para a península e primeiras paisagens |
| 3 | Snæfellsnes | Kirkjufell, costa, vilas e glaciar Snæfellsjökull |
| 4 | Círculo Dourado | Þingvellir, Geysir e Gullfoss |
| 5 | Landmannalaugar | Montanhas coloridas e banho geotermal |
| 6 | Costa Sul | Seljalandsfoss, Skógafoss e Vík |
| 7 | Vík | Reynisfjara, Dyrhólaey e arredores |
| 8 | Skaftafell | Parque Nacional Vatnajökull e trilhas |
| 9 | Jökulsárlón | Lagoa glacial, Diamond Beach e geleiras |
| 10 | Höfn | Cidade portuária e retorno gradual |
| 11 | Retorno | Volta pela costa sul com paradas extras |
| 12 | Reykjavík ou Keflavík | Últimas compras, Blue Lagoon ou voo |
Se você tiver menos tempo, corte Snæfellsnes ou Landmannalaugar. Eu sei que dói, mas é melhor fazer menos com qualidade do que passar a viagem inteira dirigindo contra o relógio.
Melhor época para fazer a rota
A Grande Rota Sul muda completamente de acordo com a estação.
Entre junho e setembro, os dias são longos, as estradas principais costumam estar em melhores condições e há mais chance de acessar Landmannalaugar. É também o período com mais turistas e preços mais altos.
Entre outubro e abril, a paisagem pode ficar ainda mais dramática, com neve, gelo e chance de aurora boreal. Só que dirigir exige mais cautela. Algumas estradas podem fechar, o clima muda rápido e Landmannalaugar geralmente não é acessível por conta própria em carro comum.
Para este roteiro completo, com Landmannalaugar incluída, os meses mais seguros costumam ser julho, agosto e início de setembro. Mesmo assim, nada na Islândia deve ser tratado como garantido. Antes de pegar estrada, consulte sempre:
- road.is, site oficial das condições das estradas
- SafeTravel.is, para alertas de segurança
- Previsão do tempo local
- Regras específicas de acesso às estradas F
Landmannalaugar exige atenção especial, porque fica nas chamadas Highlands, as terras altas islandesas. O acesso normalmente envolve estradas F, que exigem veículo 4×4 autorizado e podem ter rios, trechos de cascalho e mudanças bruscas de condição.
Dia 1: Reykjavík, a capital pequena que merece algumas horas
Reykjavík é a capital da Islândia e costuma ser o ponto de chegada de quase todo roteiro pelo país. O aeroporto internacional fica em Keflavík, a cerca de 45 a 50 minutos de carro da capital.
A cidade é pequena para padrões de capital europeia, mas tem personalidade. Casas coloridas, cafés, livrarias, restaurantes, arte urbana, porto antigo e um ritmo tranquilo. Ela não compete com as paisagens naturais da Islândia, e nem precisa. Reykjavík funciona melhor como introdução.
Comece pela igreja Hallgrímskirkja, que tem uma das silhuetas mais reconhecíveis da cidade. Se o tempo estiver aberto, subir na torre ajuda a entender o desenho urbano e ver as montanhas ao redor. Depois, caminhe pela rua Laugavegur, onde ficam lojas, bares e restaurantes.
Também vale passar pela área do porto antigo e pelo edifício Harpa, a sala de concertos com fachada de vidro. Se quiser algo mais local, procure uma piscina geotermal pública. Os islandeses levam piscina a sério, e isso diz muito sobre o país. Não é só turismo. É hábito cotidiano.
O que fazer em Reykjavík
| Parada | Por que vale a pena |
|---|---|
| Hallgrímskirkja | Vista da cidade e arquitetura marcante |
| Laugavegur | Rua principal para caminhar, comer e comprar |
| Harpa | Arquitetura moderna junto ao porto |
| Porto antigo | Restaurantes, barcos e clima mais local |
| Piscinas geotermais | Experiência bem islandesa |
Minha sugestão é dormir em Reykjavík na primeira noite, retirar o carro no dia seguinte e começar a rota descansado. Chegar de voo longo e já pegar estrada na Islândia pode parecer eficiente, mas nem sempre é uma boa ideia. O clima muda, as distâncias enganam e o cansaço pesa.
Dias 2 e 3: Snæfellsnes, a Islândia em miniatura
A península de Snæfellsnes fica a noroeste de Reykjavík e aparece no roteiro como uma espécie de desvio antes da costa sul. Embora não esteja no sul propriamente dito, ela faz sentido na Grande Rota porque concentra muitos tipos de paisagem em uma área relativamente compacta.
Snæfellsnes costuma ser chamada de “Islândia em miniatura”. A expressão é repetida, mas tem fundamento. Há campos de lava, falésias, praias, vilas de pescadores, montanhas, igrejas isoladas e o glaciar Snæfellsjökull, que domina a paisagem em dias claros.
A viagem de Reykjavík até a região leva em torno de 2h30 a 3h30, dependendo da base escolhida e das paradas no caminho. O ideal é dormir uma ou duas noites na península, em lugares como Grundarfjörður, Stykkishólmur, Hellnar ou Arnarstapi.
Principais paradas em Snæfellsnes
Kirkjufell
A montanha Kirkjufell, perto de Grundarfjörður, é uma das imagens mais fotografadas da Islândia. A composição clássica inclui a montanha ao fundo e a pequena cachoeira Kirkjufellsfoss na frente.
É uma parada fácil, mas pode ficar cheia. Se quiser uma experiência mais tranquila, tente ir cedo ou no fim do dia. No verão, com luz até tarde, isso ajuda bastante.
Arnarstapi e Hellnar
Essas duas pequenas localidades na costa sul da península são ótimas para caminhar. Há formações rochosas, arcos naturais, aves marinhas e trilhas curtas com vista para o oceano. O trecho entre Arnarstapi e Hellnar é uma das caminhadas mais agradáveis da região.
Djúpalónssandur
A praia de Djúpalónssandur tem areia preta, pedras arredondadas e restos de um antigo naufrágio. É bonita, mas tem um ar mais severo. Como em várias praias islandesas, não se deve subestimar o mar. As ondas podem ser perigosas.
Snæfellsjökull
O glaciar aparece no centro da península e dá um caráter quase mítico ao lugar. Mesmo que você não faça atividade no gelo, a presença dele muda o cenário. Em dias de céu aberto, é uma das visões mais bonitas do roteiro.
Dia 4: Círculo Dourado, o trio clássico da Islândia
Depois de Snæfellsnes, volte em direção ao sudoeste e encaixe o Círculo Dourado, uma das rotas mais famosas da Islândia. Ela reúne três paradas principais: Þingvellir, Geysir e Gullfoss.
É uma região bem estruturada, com estradas melhores e grande fluxo turístico. Por isso, ela também pode parecer mais movimentada do que outras partes da viagem. Ainda assim, vale muito a pena.
Þingvellir
O Parque Nacional Þingvellir é importante por dois motivos. O primeiro é geológico: ali é possível ver a separação entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia. O segundo é histórico: o local foi sede do antigo parlamento islandês, um dos mais antigos do mundo.
É uma parada que mistura paisagem e contexto. Caminhar pelas fendas de lava e saber que aquele território tem peso histórico deixa a visita mais interessante.
Geysir
A área geotermal de Geysir deu nome ao termo “gêiser”. O grande Geysir atualmente não entra em erupção com regularidade, mas o Strokkur costuma jorrar água quente a cada poucos minutos.
É turístico, sim. Tem gente esperando com câmera na mão. Mas ver a água explodindo do chão continua sendo uma experiência curiosa, principalmente para quem nunca esteve numa área geotermal ativa.
Gullfoss
A cachoeira Gullfoss fecha o trio clássico. Ela é larga, poderosa e tem um desenho diferente, com a água despencando em dois níveis antes de desaparecer numa garganta. Em dias de sol, pode aparecer arco-íris. Em dias nublados, ela fica mais dramática.
Onde dormir neste dia
Para seguir para Landmannalaugar no dia seguinte, procure hospedagem na região de Hella, Hvolsvöllur, Flúðir ou arredores. Isso evita voltar desnecessariamente para Reykjavík.
Dia 5: Landmannalaugar, as montanhas coloridas das Highlands
Landmannalaugar é uma das partes mais especiais da rota, mas também uma das que mais exigem planejamento. O lugar fica nas terras altas da Islândia e é famoso pelas montanhas de riolito, que criam tons de amarelo, vermelho, verde, marrom e rosa. Parece exagero até ver fotos reais. Ao vivo, dependendo da luz, fica ainda mais estranho e bonito.
O acesso costuma ser feito por estradas F, como a F208 ou a F225, dependendo do ponto de partida. Essas estradas só devem ser feitas com 4×4 permitido pela locadora e com condições abertas oficialmente. Não basta o carro “parecer alto”. Seguro, autorização da locadora e condição da estrada importam muito.
Se você não quer dirigir em estrada F, há uma saída simples: contratar um passeio de ônibus 4×4 ou tour especializado saindo de Reykjavík, Hella ou região. Para muita gente, essa é a opção mais tranquila.
O que fazer em Landmannalaugar
A atividade principal é caminhar. Há trilhas curtas e longas, mas mesmo uma caminhada de poucas horas já revela bem a paisagem.
Trilhas comuns
| Trilha | Perfil |
|---|---|
| Laugahraun | Caminhada relativamente curta por campo de lava |
| Brennisteinsalda | Uma das trilhas mais famosas, com montanhas coloridas |
| Bláhnúkur | Mais exigente, com vista ampla da região |
| Início da Laugavegur Trail | Para quem quer provar um trecho da trilha clássica |
Também há um banho geotermal natural na região. Não é um spa arrumadinho. É mais rústico, e justamente por isso tem charme. Leve roupa de banho, toalha e uma sacola para roupa molhada.
Dica importante
Não force Landmannalaugar em dia de previsão ruim. Neblina, chuva forte, vento e estrada em condição instável podem transformar uma visita linda numa experiência tensa. Na Islândia, mudar plano não é fracasso. É bom senso.
Dia 6: Seljalandsfoss, Skógafoss e chegada a Vík
Depois das Highlands, a rota volta para a costa sul, uma das regiões mais acessíveis e cinematográficas da Islândia. O caminho até Vík passa por duas cachoeiras clássicas: Seljalandsfoss e Skógafoss.
Seljalandsfoss
A cachoeira Seljalandsfoss é famosa porque permite caminhar por trás da queda d’água, quando as condições permitem. É uma experiência bonita, mas molha bastante. Leve capa de chuva, proteja câmera e celular, e use calçado com boa aderência.
Perto dela fica Gljúfrabúi, uma cachoeira parcialmente escondida dentro de uma fenda. Muita gente passa batido, mas vale procurar. O acesso pode molhar ainda mais.
Skógafoss
Skógafoss é outra cachoeira icônica, larga e poderosa. Dá para vê-la de baixo e também subir a escadaria lateral para observar do alto. A vista compensa, embora a subida tire um pouco o fôlego.
A partir do topo, começa a trilha Fimmvörðuháls, uma das mais famosas da Islândia. Não precisa fazer a trilha inteira, mas caminhar um pequeno trecho já mostra uma sequência bonita de quedas d’água.
Chegada a Vík
A vila de Vík í Mýrdal é pequena, mas estratégica. Ela fica perto de algumas das paisagens mais marcantes da costa sul. Durma aqui pelo menos uma noite. Se tiver tempo, duas noites deixam a viagem mais confortável.
Dia 7: Vík, Reynisfjara e Dyrhólaey
Vík merece um dia próprio porque a região ao redor tem muita coisa.
Reynisfjara
A praia de Reynisfjara é uma das mais famosas da Islândia, com areia preta, colunas de basalto e formações rochosas no mar chamadas Reynisdrangar.
É linda, mas exige respeito absoluto. A praia é conhecida pelas chamadas sneaker waves, ondas traiçoeiras que avançam com força e podem arrastar pessoas. Não vire as costas para o mar, não chegue perto demais da água e obedeça à sinalização local.
Dyrhólaey
O promontório de Dyrhólaey oferece vista ampla da costa, com arco natural, falésias e, em certas épocas, aves como papagaios-do-mar. É uma das melhores vistas do roteiro. O acesso pode variar conforme época do ano e proteção de aves, então vale verificar as condições no dia.
Igreja de Vík
A igrejinha no alto de Vík aparece em muitas fotos por um motivo simples: ela emoldura bem a vila, o mar e as montanhas. É uma parada curta, mas bonita.
Onde dormir
Se o orçamento permitir, dormir uma segunda noite em Vík evita pressa. Se preferir avançar, siga no fim do dia para a região de Kirkjubæjarklaustur, que encurta a ida a Skaftafell no dia seguinte.
Dia 8: Skaftafell e o Parque Nacional Vatnajökull
A próxima grande parada é Skaftafell, dentro do Parque Nacional Vatnajökull, uma área onde geleiras, montanhas e trilhas se encontram.
O caminho entre Vík e Skaftafell atravessa paisagens extensas, campos de lava, rios glaciais e planícies abertas. Não é uma estrada para fazer distraído. Mesmo nos trechos em que “não há nada”, há muita paisagem acontecendo.
Svartifoss
A trilha mais conhecida em Skaftafell leva à cachoeira Svartifoss, emoldurada por colunas de basalto escuro. A caminhada não é difícil para quem está acostumado a trilhas leves, mas tem subida. Reserve algumas horas para ir, voltar e fotografar sem pressa.
Caminhadas em geleira
Skaftafell também é uma das bases para caminhadas guiadas em geleira. Essa atividade deve ser feita com guia e equipamento adequado. Não é uma aventura para improvisar sozinho.
Caminhar sobre gelo, com crampons, olhando fendas e formações glaciais de perto, é uma das experiências mais fortes da Islândia. Se você tiver orçamento e disposição, vale considerar.
Onde dormir
Procure hospedagem entre Skaftafell, Fosshotel Glacier Lagoon, Hof ou arredores. A oferta é limitada e cara em alta temporada. Reserve cedo.
Dia 9: Jökulsárlón e Diamond Beach
A lagoa glacial Jökulsárlón é um dos pontos altos da Grande Rota Sul. Ela fica aos pés do Vatnajökull e recebe icebergs que se desprendem da geleira, flutuam pela lagoa e seguem em direção ao mar.
É um lugar que muda o tempo todo. A quantidade, o tamanho e o formato dos blocos de gelo variam conforme clima, maré e atividade glacial. Por isso, duas visitas nunca são exatamente iguais.
Passeio de barco em Jökulsárlón
Durante a temporada, há passeios de barco pela lagoa, geralmente em embarcações anfíbias ou zodiac. O zodiac costuma chegar mais perto dos icebergs, mas é mais caro e depende das condições.
Mesmo sem passeio, vale parar nos mirantes e caminhar pela margem. O som do gelo se mexendo na água é uma daquelas coisas discretas que ficam na memória.
Diamond Beach
Do outro lado da estrada fica a Diamond Beach, uma praia de areia preta onde pedaços de gelo são levados para a margem. O contraste do gelo transparente com a areia escura é fotogênico e muito bonito.
Também aqui vale a regra islandesa: cuidado com o mar. Não entre em áreas de risco só por foto.
Dica de ritmo
Tente visitar Jökulsárlón em dois horários diferentes, se dormir perto. Um fim de tarde e uma manhã cedo podem entregar luzes completamente distintas.
Dia 10: Höfn, lagosta e o extremo leste da rota
Höfn marca o ponto final dessa Grande Rota Sul apresentada no mapa. A cidade é pequena, portuária e conhecida pela lagosta, ou mais precisamente pelo lagostim islandês, chamado muitas vezes de lobster nos cardápios locais.
Depois de tantos dias de cachoeiras, estradas e gelo, Höfn funciona como uma pausa. Não é uma cidade cheia de atrações grandiosas, mas tem bons restaurantes, vista para montanhas e clima de fim de rota.
Se o tempo estiver limpo, a estrada na região pode render vistas incríveis do Vatnajökull e das montanhas próximas. Também dá para esticar até a península de Stokksnes, famosa pela vista da montanha Vestrahorn, areia preta e dunas. Essa parada não aparece como ponto principal no mapa, mas combina muito com Höfn.
O que fazer em Höfn
| Programa | Comentário |
|---|---|
| Comer lagostim | Clássico local, mas costuma ser caro |
| Caminhar pelo porto | Simples e agradável |
| Ver Vestrahorn | Uma das paisagens mais fotogênicas da região |
| Descansar | Depois de vários dias intensos, faz sentido |
Como voltar: retornar pela costa ou seguir pela Ring Road?
A rota da imagem termina em Höfn, mas a logística precisa ser resolvida. Você tem duas possibilidades principais.
Voltar pela mesma costa sul
É a opção mais comum para quem não vai dar a volta completa pela Islândia. A vantagem é poder rever lugares com outra luz, fazer paradas que ficaram de fora e dormir novamente em Vík ou região.
Não encare como repetição. Na Islândia, a mesma estrada pode parecer outra dependendo do tempo. Um lugar coberto de neblina na ida pode abrir completamente na volta.
Seguir pela Ring Road
A outra opção é continuar pela Rota 1, dando a volta completa na ilha. Só vale se você tiver mais dias, normalmente pelo menos 14 a 16 dias no total. Caso contrário, vira uma corrida longa demais.
Para a Grande Rota Sul especificamente, voltar pela costa é mais coerente.
Mapa mental da rota
Pense na viagem em blocos:
| Bloco | Paisagem dominante | Base ideal |
|---|---|---|
| Reykjavík | Cidade, cultura e chegada | Reykjavík |
| Snæfellsnes | Península, vulcões, costa e glaciar | Grundarfjörður ou Arnarstapi |
| Círculo Dourado | Geologia, gêiseres e cachoeira | Hella, Flúðir ou Selfoss |
| Landmannalaugar | Highlands e montanhas coloridas | Hella ou tour especializado |
| Costa Sul | Cachoeiras e praias negras | Vík |
| Skaftafell | Trilhas e geleiras | Skaftafell ou Hof |
| Jökulsárlón | Lagoa glacial e icebergs | Região de Glacier Lagoon |
| Höfn | Porto, lagostim e Vestrahorn | Höfn |
Carro comum ou 4×4?
Para Reykjavík, Snæfellsnes, Círculo Dourado, costa sul, Skaftafell, Jökulsárlón e Höfn, um carro comum pode funcionar bem no verão, desde que você fique nas estradas principais e as condições estejam boas.
Para Landmannalaugar, a conversa muda. O acesso por estradas F exige 4×4 e autorização da locadora. Algumas rotas podem ter travessia de rios. Se você não tem experiência com esse tipo de direção, melhor contratar tour.
Uma boa solução é alugar carro comum para a maior parte da viagem e fazer Landmannalaugar em passeio organizado. Às vezes sai mais barato e menos estressante do que alugar 4×4 por todos os dias apenas por causa de uma etapa.
O que reservar com antecedência
A Islândia é cara e a oferta de hospedagem fora das cidades é limitada. Em alta temporada, reservar em cima da hora pode sair muito caro ou obrigar a dormir longe do ponto planejado.
Reserve antes:
- Hospedagem em Snæfellsnes
- Hospedagem em Vík
- Hospedagem perto de Skaftafell e Jökulsárlón
- Carro alugado
- Tour de geleira, se quiser fazer
- Tour para Landmannalaugar, se não for dirigir
- Passeio de barco em Jökulsárlón, se for alta temporada
Dicas práticas para não errar na Grande Rota Sul
Não confie demais na duração do Google Maps
Na Islândia, uma viagem de 2 horas pode virar 4 facilmente. Não necessariamente por trânsito, mas por vento, chuva, paradas fotográficas, estrada de cascalho, ovelhas na pista e aquela vontade constante de encostar o carro.
Monte dias com folga. O roteiro fica muito melhor assim.
Leve comida no carro
Entre uma vila e outra, pode haver longos trechos sem restaurante. Ter pão, queijo, frutas, chocolate, castanhas, água e algo simples para lanche ajuda muito.
Abasteça sempre que puder
Não espere o tanque chegar no limite. Em áreas mais remotas, postos podem ser raros. Alguns são automáticos e exigem cartão.
Vista-se em camadas
Mesmo no verão, o clima muda muito. O ideal é pensar em camadas:
- Segunda pele ou camiseta térmica
- Fleece ou casaco intermediário
- Jaqueta impermeável e corta-vento
- Calça confortável
- Bota ou tênis impermeável
- Gorro e luvas, dependendo da época
Respeite as placas e bloqueios
Na Islândia, bloqueio de estrada não é sugestão. Também é proibido dirigir fora das estradas marcadas, porque a vegetação é frágil e pode levar décadas para se recuperar.
Vale a pena fazer a Grande Rota Sul?
Vale muito, especialmente para quem quer uma primeira viagem forte pela Islândia sem necessariamente dar a volta inteira no país. A rota reúne alguns dos cenários mais emblemáticos da ilha e ainda inclui variações que deixam o roteiro mais rico, como Snæfellsnes e Landmannalaugar.
O ponto mais importante é aceitar que a Islândia não combina com pressa. As paisagens são grandes, o clima manda no roteiro e alguns lugares precisam de silêncio para fazer efeito. Você pode até listar as paradas principais, mas a viagem acontece mesmo nos intervalos.
Se eu tivesse que resumir a lógica da Grande Rota Sul, seria assim: Reykjavík prepara o olhar, Snæfellsnes amplia o mapa, o Círculo Dourado apresenta a geologia, Landmannalaugar mostra a Islândia mais selvagem, a costa sul entrega o drama visual, Skaftafell aproxima você das geleiras, Jökulsárlón dá o grande momento de gelo e Höfn fecha tudo com clima de porto no fim do mundo.
É um roteiro intenso. Mas, bem organizado, não precisa ser cansativo. E essa é a diferença entre apenas atravessar a Islândia e realmente viajar por ela.