|

Roteiro de Viagem de Carro na Umbria na Itália

Roteiro completo de carro pela Úmbria saindo de Assis, atravessando o Monte Subasio até Spello, passando por Bevagna e Montefalco, descendo pela Valle di Spoleto até Trevi e terminando em Spoleto. Com sugestões de hospedagem em cada região, custos de combustível e pedágios, dicas de GPS e sinal de celular, cuidados com a direção em estradas de montanha, alimentação típica e como aproveitar a região mais verde e autêntica da Itália central.

Foto de George Piskov: https://www.pexels.com/pt-br/foto/arquitetura-medieval-na-praca-historica-de-perugia-33502723/

A Úmbria tem fama injusta de ser apenas a região vizinha da Toscana, aquela que fica ali do lado e que pouca gente inclui no roteiro. Quem se permite essa parada descobre rápido o engano. A Úmbria tem paisagens igualmente belas, cidades medievais melhor preservadas em alguns casos, gastronomia mais autêntica, vinhos potentes como o Sagrantino de Montefalco, e muito menos turistas correndo pelos centros históricos. É a Itália central como deveria ser, sem filas absurdas, sem cardápios em quatro idiomas, sem ônibus turísticos despejando grupos a cada hora.

O roteiro de carro proposto faz um circuito perfeito pela área central da região. Sai de Assis, atravessa o Monte Subasio em estrada panorâmica, desce para Spello, passa por Bevagna e Montefalco, e termina em Spoleto, depois de uma parada em Trevi. Dois a quatro dias dão conta do percurso, dependendo do ritmo e da quantidade de paradas extras.

Powered by GetYourGuide

Antes de pegar a estrada, os ajustes que valem cada minuto

Aluguel de carro para a Úmbria

A região não tem aeroporto internacional grande. Quem vem de fora costuma chegar por Roma, Florença ou Pisa, e seguir de carro alugado.

O aeroporto de Perugia, chamado de San Francesco d’Assisi, fica a poucos quilômetros da cidade e tem voos europeus operados por Ryanair e outras low-cost. As locadoras principais como Hertz, Avis, Europcar, Sixt e Maggiore têm balcões no aeroporto.

Para o tipo de rota proposta, prefira carro pequeno ou compacto. As ruas das cidades altas e as estradas de montanha são estreitas, com curvas fechadas e pouco espaço para manobra. Um Fiat Panda, Lancia Ypsilon ou Volkswagen Polo passa onde um SUV grande se complica. Aluguel diário entre quarenta e oitenta euros conforme a estação e a categoria.

Câmbio manual sai mais barato que automático na Itália. A diferença pode chegar a vinte euros por dia. Quem dirige confortavelmente com câmbio mecânico economiza valor relevante numa viagem de vários dias.

A habilitação brasileira precisa estar acompanhada da Permissão Internacional para Dirigir, conhecida como PID, emitida pelo Detran do seu estado. Vale tirar antes da viagem para evitar problemas com fiscalização. As locadoras podem aceitar só a habilitação brasileira, mas a polícia italiana pode exigir a PID em uma blitz.

Cartão de crédito internacional é obrigatório para a caução do veículo. O bloqueio costuma variar entre quinhentos e dois mil euros, conforme a categoria do carro.

Sobre o seguro do veículo

O seguro básico, o CDW, vem embutido no contrato, mas com franquia alta, entre mil e três mil euros. Para reduzir essa franquia, a locadora oferece coberturas adicionais que praticamente dobram o valor da diária. Existem alternativas mais baratas em sites como RentalCover, iCarHireInsurance e outros, com proteção comparável a preço mais acessível, em geral entre cinco e dez euros por dia.

Alguns cartões de crédito premium oferecem seguro para aluguel de carro internacional. Vale verificar antes da viagem, porque pode evitar gasto desnecessário.

Combustível na Úmbria

A gasolina na Itália custa entre um euro e oitenta e dois euros por litro, com pequena variação conforme a região. A Úmbria, por ser interior, costuma ter preços um pouco mais altos que nas grandes cidades, especialmente em postos próximos aos pontos turísticos.

Postos de autoatendimento, chamados de fai da te, oferecem desconto de cinco a dez centavos por litro. Postos atendidos por funcionário, chamados de servito, têm preço mais alto e exigem gorjeta. Em pequenas cidades, alguns postos fecham no horário do almoço, entre meio-dia e meia e duas e meia da tarde, e à noite após as oito. Em zonas rurais, melhor abastecer com antecedência.

Atenção ao tipo de combustível. A maioria dos carros de aluguel é diesel, gasolio em italiano. Confirme com a locadora antes de pegar o carro, porque trocar entre gasolina e diesel causa problema sério no motor.

Pedágios na Úmbria

Boa notícia. A Úmbria é praticamente toda atravessada por estradas livres de pedágio. A E45, principal eixo da região, é gratuita. Para esse roteiro específico, não há pedágios significativos. Apenas se precisar pegar a Autostrada A1 para chegar do norte ou sair em direção a Roma, terá pedágios. Entre Florença e o entroncamento para Assis o pedágio fica em torno de doze a quinze euros.

GPS, mapas e sinal de celular

Google Maps e Waze funcionam bem em toda a região. A maior parte das estradas principais tem sinal de celular estável. Em vales mais fechados, especialmente na subida do Monte Subasio, em alguns pontos do percurso entre Bevagna e Montefalco, e em estradas secundárias de Trevi, o sinal pode oscilar. Vale baixar mapas offline da região antes de partir.

Para internet móvel, contrate um chip italiano ou europeu antes ou na chegada. As operadoras TIM, Vodafone e Iliad oferecem pacotes turísticos a partir de dez euros por mês com gigas suficientes para navegação e mapas. eSIM internacional via Airalo, Holafly ou Saily também resolve, com planos a partir de quinze euros por semana.

Carregue sempre carregador veicular USB. As distâncias entre pontos são curtas, mas o GPS consome muita bateria, e ficar sem celular no meio da estrada de montanha é situação a evitar.

Conduzir nas estradas de montanha da Úmbria

A travessia do Monte Subasio entre Assis e Spello é o ponto mais delicado do roteiro em termos de direção. A estrada sobe, sobe e sobe, com curvas em ferradura, alguns trechos em pista única e poucos guard-rails. Não é difícil para motorista atento, mas exige cabeça presente e direção defensiva.

Velocidades. Em estradas rurais, limite máximo de noventa, mas na prática muitos trechos pedem trinta a cinquenta. Em cidades, cinquenta. Os locais conhecem o caminho e dirigem mais rápido. Mantenha-se à direita, não force ultrapassagens, e deixe passar quem cola atrás.

Atenção redobrada para ciclistas, motociclistas e pedestres em zonas rurais. Os ciclistas usam as estradas como rotas de treinamento, especialmente nos fins de semana. Sempre ultrapasse com distância suficiente.

ZTL nas cidades históricas. Assisi, Spello, Bevagna, Montefalco, Trevi e Spoleto têm áreas centrais fechadas para tráfego não autorizado. Estacione sempre fora dos centros, em estacionamentos públicos que ficam nas bordas das muralhas. Multas por entrar em ZTL chegam por meses pela locadora, com taxa administrativa que dobra o valor original.

Limite de álcool no sangue para dirigir é de zero vírgula cinco gramas por litro. Para motoristas com menos de vinte e um anos ou habilitação inferior a três anos, tolerância zero. Se a programação inclui degustações em vinícolas, planeje motorista de plantão ou contrate motorista local.

Etapa 1: Assis, ponto de partida da viagem

Assis é uma das cidades mais carregadas de espiritualidade da Itália. Tudo gira em torno da figura de São Francisco, nascido aqui em mil cento e oitenta e dois, e da Santa Clara, fundadora das Clarissas. Mesmo quem não tem ligação religiosa especial sente a atmosfera diferente, com uma quietude que sobrevive mesmo no auge do turismo.

A Basilica di San Francesco é parada obrigatória. Dividida em duas igrejas sobrepostas, a inferior e a superior, abriga ciclos de afrescos que estão entre os mais importantes da história da arte ocidental. Giotto pintou a sequência da vida de São Francisco na igreja superior, em obras que marcaram a virada do bizantino para o renascimento. Cimabue, Simone Martini e Pietro Lorenzetti também deixaram obras nas duas igrejas. Entrada gratuita, com doação sugerida. Reserve duas a três horas.

A Basilica di Santa Chiara, do outro lado do centro, guarda o corpo da santa e o crucifixo que teria falado com São Francisco em San Damiano. A Cattedrale di San Rufino, onde Francisco e Clara foram batizados, vale rápida visita.

Para experiência mais introspectiva, vale o Eremo delle Carceri, no caminho para Spello, mencionado mais adiante no roteiro. E o Santuário de San Damiano, fora das muralhas, onde Francisco recebeu a missão de restaurar a Igreja.

Onde dormir em Assis

Assis tem boa oferta hoteleira para todas as faixas de preço, em parte por receber peregrinos religiosos durante todo o ano. Pernoitar uma noite faz sentido para começar o roteiro com calma.

Hotel Giotto é hotel histórico no centro, com diárias entre cento e cinquenta e duzentos e cinquenta euros. Hotel Umbra fica em pátio tranquilo perto da Piazza del Comune, com diárias entre cento e cinquenta e duzentos euros. NUN Assisi Relais & Spa Museum, instalado em antigo convento do século treze com escavações romanas no spa, é experiência mais sofisticada, com diárias a partir de trezentos euros.

Para opções mais econômicas, bed and breakfasts e hospedagens religiosas oferecem diárias entre cinquenta e cento e vinte euros. La Cittadella, ligada a instituição religiosa, é boa opção econômica. Vários conventos da cidade abrem para hospedagem secular, com preços baixos e regras de silêncio noturno.

Para experiência rural, agriturismos nas colinas em volta oferecem diárias entre oitenta e cento e cinquenta euros, com café da manhã farto e estacionamento gratuito.

Etapa 2: a travessia do Monte Subasio até Spello

Essa é talvez a parte mais cenicamente impressionante do roteiro. Saia de Assis pela manhã, depois do café, e pegue a estrada que sobe pelo Monte Subasio. O caminho passa primeiro pelo Eremo delle Carceri.

O Eremo delle Carceri é local de retiro espiritual onde São Francisco se recolhia para orar nas grutas do bosque. A floresta densa em volta, com carvalhos centenários, sobrevive porque foi protegida desde a Idade Média como floresta sagrada. Reserve uma hora para visita tranquila, caminhada pelos bosques e contemplação no terraço sobre o vale.

Continuando a subida, a estrada vai abrindo para vistas espetaculares, com a planície da Úmbria se estendendo até onde a vista alcança. Em dias claros, dá para ver Perugia ao norte e Spoleto ao sul. A estrada chega ao alto do Monte Subasio, onde há áreas abertas em altitudes de mais de mil metros, com campos de pastoreio, ovelhas, vacas e cavalos soltos. Pare em um dos mirantes para uma caminhada curta.

A descida em direção a Spello passa por Collepino, vilarejo minúsculo de poucas casas em pedra empilhadas na encosta. Vale parada rápida para fotos. A estrada continua serpenteando até chegar em Spello.

Spello, a cidade da Úmbria que mais merece atenção

Spello é cidade pequena mas absurdamente bonita. As muralhas e portas romanas estão entre as melhor preservadas da região, e as ruas internas se enchem de flores nas janelas e portais. A famosa Infiorata, festa anual que acontece no Corpus Christi, transforma as ruas inteiras em tapetes de flores em desenhos artísticos.

A parada principal é a Chiesa di Santa Maria Maggiore, no centro histórico. A Cappella Baglioni dentro da igreja guarda um dos ciclos mais belos de Pinturicchio, com cenas da vida de Jesus em afrescos brilhantes de mil e quinhentos a mil quinhentos e um. As cores ainda intensas, os detalhes nos panejamentos e nas paisagens de fundo, fazem dessa capela um dos tesouros menos visitados da Itália. Entrada com doação simbólica.

A Pinacoteca Civica de Spello guarda outras obras importantes, incluindo peças adicionais de Pinturicchio. Ingresso modesto, em torno de cinco euros.

Reserve uma a duas horas em Spello, com tempo para um café na Piazza della Repubblica e caminhada pelas ruas floridas.

Etapa 3: estradas secundárias até Montefalco, passando por Bevagna

Saindo de Spello, pegue as estradas secundárias em direção a Montefalco. O caminho passa por colinas com vinhedos e oliveiras, em uma das regiões produtoras dos melhores azeites e vinhos da Úmbria.

Bevagna, a parada inesperada

Bevagna é um vilarejo que poucos turistas conhecem, e justamente por isso preserva atmosfera autêntica. A Piazza Silvestri, no centro, é uma das praças medievais mais harmônicas da Itália, com três igrejas românicas dispostas em lados opostos, um palácio do século treze e uma fonte. Tudo tem proporções modestas, sem grandiosidade, mas a composição é perfeita.

As igrejas de San Silvestro e San Michele Arcangelo merecem entrada rápida. Os portais e capitéis em pedra trabalhada datam do século doze. O palácio dei Consoli abriga o pequeno teatro Torti, joia neoclássica do século dezenove com camarotes em formato de ferradura. Visitas guiadas eventuais, vale perguntar no escritório de turismo.

Bevagna conserva também tradições medievais ativas. Durante o festival do Mercato delle Gaite, que acontece em junho, a cidade volta a viver como na Idade Média, com oficinas de pergaminhos, ferraria, tecelagem e moeda funcionando como há séculos. Mesmo fora do festival, alguns desses espaços ficam abertos com horários reduzidos. Reserve uma hora a uma hora e meia para Bevagna.

Montefalco, a varanda da Úmbria

A cidade ganhou o apelido de varanda da Úmbria pela vista panorâmica que se estende em trezentos e sessenta graus a partir da praça central, no alto da colina. Em dias claros, dá para ver Perugia, Assis, Spello, Trevi, Spoleto e as cumeeiras dos Apeninos ao fundo. Visualmente, é um dos pontos mais espetaculares da região.

O destaque cultural é o complexo museológico instalado na ex-Chiesa di San Francesco. Os afrescos de Benozzo Gozzoli na capela-mor contam a vida de São Francisco em treze cenas vívidas, pintadas entre mil quatrocentos e cinquenta e dois e mil quatrocentos e cinquenta e dois. Gozzoli pintaria depois a famosa Procissão dos Reis Magos em Florença, mas em Montefalco ele já mostrava o talento de narrador visual. Outras obras de Perugino e mestres locais completam o acervo. Ingresso em torno de oito euros.

Outras igrejas merecem visita rápida, como Sant’Agostino e Santa Chiara da Montefalco. Cada uma guarda obras importantes da arte umbria medieval.

Para os apreciadores de vinho, Montefalco é o coração da produção do Sagrantino, tinto potente que recebeu denominação DOCG. Várias enotecas no centro oferecem degustação. Para visitas a vinícolas como Arnaldo Caprai, Adanti, Tabarrini e Antonelli San Marco, precisa agendar e contar com motorista designado.

Reserve duas a três horas em Montefalco, com almoço incluído.

Onde dormir entre Spello, Bevagna e Montefalco

Essa área central da Úmbria oferece uma das melhores experiências de agriturismo da Itália. Diárias entre oitenta e cento e cinquenta euros para quartos confortáveis com café da manhã caprichado.

Em Spello, a Residenza Olivieri e a Palazzo Bocci oferecem hospedagem central, com diárias entre cento e duzentos euros. La Bastiglia tem hotel quatro estrelas com restaurante reconhecido, diárias entre cento e cinquenta e duzentos e cinquenta euros.

Em Bevagna, L’Orto degli Angeli é hotel boutique instalado em palácio histórico, com diárias entre duzentos e trezentos euros. Para opções mais simples, o Hotel Palazzo Brunamonti oferece diárias entre noventa e cento e cinquenta euros.

Em Montefalco, o Palazzo Bontadosi Hotel & Spa é boa opção central, com diárias entre cento e cinquenta e duzentos e cinquenta euros. Villa Pambuffetti é referência histórica, instalada em villa do século dezenove, com diárias entre cento e oitenta e trezentos euros.

Para experiência rural, agriturismos como La Veneranda, Agriturismo Casale Bonanni e Tenuta Castelbuono oferecem hospedagem em vinhedos e olivais, com diárias entre noventa e cento e oitenta euros.

Etapa 4: descida para a Valle di Spoleto e subida a Trevi

A descida de Montefalco em direção à Valle di Spoleto abre paisagem nova, com campos cultivados se estendendo ao longo do vale. A estrada segue para o sul, contornando o rio Clitunno, em região conhecida desde a Antiguidade pelas suas nascentes sagradas, mencionadas por Virgílio e Plínio. O templo do Clitunno, pequeno monumento paleocristão construído sobre estruturas pagãs anteriores, vale uma parada rápida para quem se interessa por arqueologia.

Trevi, a cidade menos visitada da região

Trevi sobe abruptamente da planície, em uma das posições mais dramáticas da Úmbria. A cidade é literalmente colada na encosta, com casas em pedra empilhadas em vários níveis ao longo da colina. As ruas internas são íngremes, estreitas e silenciosas, com pouquíssimos turistas mesmo em alta temporada.

A Piazza Mazzini, no alto, é o coração da cidade. A Igreja de Sant’Emiliano, padroeiro da cidade, foi reconstruída sobre estruturas medievais e mantém portal românico do século doze. O Museo della Civiltà dell’Olivo conta a história da produção de azeite na região, que é uma das mais respeitadas da Itália. Trevi é considerada uma das capitais do azeite, e os DOP locais estão entre os mais premiados.

A Igreja da Madonna delle Lacrime, fora dos muros, guarda afrescos de Perugino e do Spagna. Vale a descida.

Reserve uma hora e meia a duas horas em Trevi. A cidade não pede pressa.

Spoleto, o destino final do roteiro

A chegada em Spoleto encerra o circuito de forma adequada. A cidade é maior e mais cosmopolita que as outras paradas, com história romana, lombarda e medieval visível em camadas a cada esquina.

O Duomo de Spoleto é parada obrigatória. A fachada com rosáceas e mosaico bizantino dourado é uma das mais belas da Itália. O interior abriga afrescos de Filippo Lippi, executados na última fase da vida do artista. Lippi morreu em Spoleto antes de terminar o trabalho, e foi sepultado na própria catedral, em túmulo projetado por seu filho Filippino. As cenas da vida da Virgem nas absides centrais são deslumbrantes, com cores intensas e composições inovadoras para a época.

A Rocca Albornoziana, fortaleza no alto da colina, foi residência papal e prisão pontifícia durante séculos. Hoje abriga o Museo Nazionale del Ducato di Spoleto, com peças que contam a história lombarda da cidade, capital de ducado independente nos séculos sete e oito. Ingresso em torno de oito euros.

O Ponte delle Torri, viaduto medieval construído sobre estruturas romanas, atravessa o vale do Tessino em vão impressionante. A caminhada pelo Giro dei Condotti, sendeiro que parte do ponte e contorna a encosta do Monteluco, é uma das melhores experiências da cidade. Vista espetacular do ponte e da fortaleza, sombra dos bosques e silêncio total. Reserve uma hora e meia para o passeio.

O Teatro Romano, ainda usado para apresentações no verão durante o Festival dei Due Mondi, e a Casa Romana, residência atribuída à mãe do imperador Vespasiano, completam o circuito histórico.

Onde dormir em Spoleto

A cidade tem boa oferta hoteleira, com diárias entre cento e duzentos e cinquenta euros para hotéis bem localizados.

Palazzo Leti Residenza d’Epoca é hotel boutique instalado em palácio histórico, com vista do vale, diárias entre cento e cinquenta e duzentos e cinquenta euros. Hotel San Luca, central e acolhedor, tem diárias entre cento e dez e cento e oitenta euros.

Gattapone Hotel é hotel histórico com vista para o Ponte delle Torri, diárias entre cento e vinte e duzentos euros. Para experiência mais sofisticada, o Eremito Hotelito del Alma, um pouco fora da cidade, oferece estadia com proposta de retiro e silêncio, diárias entre duzentos e quatrocentos euros.

Para opções mais econômicas, bed and breakfasts no centro histórico oferecem diárias entre setenta e cento e vinte euros. La Macchia, fora da cidade, tem boa relação custo benefício.

Resumo dos custos para a viagem

ItemValor estimado por dia
Aluguel de carro compacto50 a 90 euros
Combustível25 a 40 euros
Pedágios0 a 5 euros
Estacionamento nas cidades8 a 20 euros
Hospedagem para casal100 a 280 euros
Refeições para duas pessoas60 a 130 euros
Ingressos e visitas25 a 60 euros
Degustação em vinícola (opcional)30 a 80 euros por pessoa

Para um casal, em viagem de quatro a cinco dias pela Úmbria seguindo esse roteiro, o orçamento total fica entre mil e quinhentos e três mil euros, dependendo do nível de conforto nas hospedagens e da frequência de refeições em restaurantes mais sofisticados.

Sugestão de distribuição dos dias

DiaEtapaPernoite
1Chegada e visita a AssisAssis
2Travessia do Monte Subasio até Spello, com Eremo delle CarceriSpello ou agriturismo próximo
3Bevagna, Montefalco com degustação de vinhosMontefalco ou agriturismo
4Templo do Clitunno, Trevi, chegada em SpoletoSpoleto
5Spoleto com calma, retorno ou continuação para outras regiõesSpoleto ou saída

Gastronomia da Úmbria, o que provar em cada parada

A Úmbria é a única região italiana sem saída para o mar, e a gastronomia reflete a tradição de cozinha de montanha, com carnes, embutidos, queijos, ervas espontâneas, trufas e legumes. Vale provar em cada parada.

Trufas negras de Norcia aparecem em massas, ovos e bruschettas. Em alta temporada, entre novembro e março, ficam mais baratas e perfumadas. Pratos com tartufo nero costumam custar entre vinte e trinta euros.

Embutidos de Norcia, especialmente o prosciutto de Norcia DOP e os salames de javali, dominam as tábuas iniciais. Os açougueiros da região são chamados de norcini, e o nome virou sinônimo de qualidade na Itália inteira.

Strangozzi al tartufo, umbricelli all’aglione e pici cacio e pepe são massas frescas da região. Costumam custar entre doze e vinte euros em trattorias.

Lenticchie di Castelluccio, as lentilhas pequenas dos altiplanos vizinhos, são vendidas em todo lugar da Úmbria. Vale comprar para levar para casa.

Olivicoltura. Os azeites de Trevi, Spoleto e Spello estão entre os melhores da Itália. Compre em ateliers locais, não em supermercados turísticos. Preços razoáveis variam entre quinze e trinta euros por garrafa de meio litro de boa procedência.

Sagrantino di Montefalco DOCG é o vinho da viagem. Tinto potente, tânico, perfeito com carnes de caça e queijos curados. Em adegas de Montefalco, garrafas de produtores reconhecidos custam entre vinte e cinquenta euros.

Cuidados e o que evitar

Não tente fazer o roteiro completo em apenas dois dias. A tentação de comprimir é grande, mas a Úmbria pede ritmo lento. Em dois dias, a corrida estraga justamente o que a região tem de melhor. Três a cinco dias funcionam muito melhor.

Evite restaurantes nas praças centrais turísticas com cardápio em vários idiomas. Procure trattorias e osterias em ruas laterais, frequentadas por locais. A diferença de qualidade e preço é considerável.

Cuidado com estacionamentos não autorizados nas cidades. As multas chegam meses depois pela locadora, com taxa administrativa que dobra o valor. Use sempre os parcheggios públicos identificados.

Evite a viagem em pleno mês de agosto se possível. É o mês mais quente do ano, com temperaturas que podem ultrapassar trinta e cinco graus, especialmente nos vales. Muitos restaurantes e algumas hospedagens fecham por férias dos proprietários. Os meses ideais são abril, maio, junho, setembro e outubro.

Cuidado com aceitar ingressos ou tours de vendedores na rua. Comprometido sempre nas bilheterias oficiais ou em plataformas reconhecidas como GetYourGuide e Tiqets.

Não compre azeite, vinho ou trufas em lojas turísticas genéricas. Vá direto a produtores reconhecidos, oleifícios, vinícolas e açougueiros tradicionais. A diferença em qualidade e em preço é grande.

Em estradas de montanha, evite dirigir à noite quando possível. Não há iluminação na maior parte dos trechos, animais silvestres podem cruzar a pista, e o cansaço acumula rápido.

Conselhos que valem a pena

A Úmbria premia quem desacelera. O ritmo certo é parar quando dá vontade, almoçar com tempo, sentar nas praças à tarde para tomar café, dormir cedo e acordar cedo. Quem corre, perde o ponto.

Cada cidadezinha tem dia de feira ou mercado. Vale perguntar nos hotéis ou nos escritórios de turismo. Mercados de produtos locais aparecem em dias fixos da semana, com queijos, embutidos, mel, conservas e artesanato.

Conventos e mosteiros oferecem hospedagem barata. Para quem busca experiência diferente, vários conventos da região recebem hóspedes seculares com diárias entre quarenta e oitenta euros. Os horários costumam ser mais rígidos, com portão fechando entre vinte e duas e vinte e três horas, e silêncio noturno respeitado.

Reserve sempre os restaurantes para o jantar. Os bons endereços enchem rapidamente, especialmente nos fins de semana e em alta temporada. Telefone, WhatsApp ou Google resolve.

As fontes públicas das cidades têm água potável. Carregue garrafa reutilizável e economize compras desnecessárias.

E o conselho mais importante de todos. A Úmbria não é a Toscana, e a comparação direta sempre vai injustiçar uma das duas. A Úmbria tem identidade própria, ritmo próprio, encantos próprios. Quem chega esperando achar uma Toscana barata e menos turística, encontra uma região completamente diferente, com força própria, espiritualidade pulsante, tradições vivas e uma quietude que pouca região da Europa preservou tão bem. Aceite a Úmbria pelo que ela é, e ela retribui com lembranças que ficam.

Artigos Relacionados

Deixe um comentário