Quais Países Europeus não Fazem Parte do Espaço Schengen?
Conheça os países europeus que ficam fora do Espaço Schengen e o que isso muda na prática para quem está planejando uma viagem combinando vários destinos pelo continente.

Quando o assunto é Europa, muita gente parte do princípio de que todo o continente funciona dentro de uma única lógica de fronteiras abertas. Não é bem assim. Existem países europeus, alguns bastante populares entre turistas brasileiros, que ficam completamente fora do Espaço Schengen, mantendo controle próprio de imigração. Isso afeta diretamente o planejamento de roteiro, principalmente para quem pretende combinar vários destinos numa mesma viagem e precisa calcular dias de permanência com cuidado.
Vamos detalhar quais são esses países, por que ficaram fora do acordo, e o que isso significa na prática para quem está organizando uma viagem pelo continente.
Reino Unido
Provavelmente o caso mais conhecido. O Reino Unido nunca fez parte do Espaço Schengen, mesmo durante o período em que era membro pleno da União Européia. O país sempre manteve controle de fronteira próprio, com seu próprio sistema de visto e suas próprias regras de entrada.
Isso significa que, ao viajar de qualquer país do Schengen para o Reino Unido, ou vice-versa, existe controle de imigração completo, com checagem de passaporte e, dependendo da nacionalidade, exigência de visto específico. Para brasileiros, a boa notícia é que, desde 2023, o Reino Unido introduziu seu próprio sistema de autorização eletrônica de viagem, o ETA (Electronic Travel Authorisation), que se tornou obrigatório também para visitantes brasileiros a partir de 2025. É parecido com o ETIAS europeu, mas é um sistema completamente independente, exigido especificamente pelo Reino Unido.
Vale lembrar que o Brexit não mudou o fato de o Reino Unido já estar fora do Schengen antes mesmo da saída da União Européia. O que mudou, de fato, foi a relação do país com o restante do bloco em outros aspectos econômicos e regulatórios.
Irlanda
A Irlanda é outro caso que confunde bastante gente. O país é membro pleno da União Européia, mas optou por ficar fora do Espaço Schengen, justamente para manter uma área de livre circulação própria com o Reino Unido, conhecida como Common Travel Area, que existe desde décadas antes mesmo da criação do Schengen.
Na prática, isso significa que ao viajar de qualquer país do Schengen para a Irlanda, existe controle de fronteira completo. E quem pretende visitar tanto Irlanda quanto Reino Unido numa mesma viagem encontra uma situação interessante: entre esses dois países específicos, a circulação é facilitada, mas para entrar ou sair deles em direção ao restante da Europa, o controle de imigração volta a existir normalmente.
Chipre
Chipre é membro da União Européia desde 2004, mas ainda não faz parte do Espaço Schengen. As razões são mais complexas e envolvem a situação política particular da ilha, dividida entre a República de Chipre, reconhecida internacionalmente, e a parte norte, sob controle turco, não reconhecida pela maioria dos países.
Existe a expectativa de que Chipre eventualmente adira ao Schengen, mas isso ainda não tem data definida. Por enquanto, quem viaja para Chipre precisa passar por controle de fronteira normal, mesmo vindo de outro país da União Européia que já pertença ao bloco Schengen.
Bulgária e Romênia: o caso que mudou recentemente
Até pouco tempo, Bulgária e Romênia também estavam nessa lista de países fora do Schengen, mesmo sendo membros da União Européia desde 2007. Essa situação, no entanto, mudou de forma significativa. Os controles de fronteira aérea e marítima entre esses dois países e o restante do Schengen foram removidos em março de 2024, e a etapa final, a remoção dos controles de fronteira terrestre, foi completada em janeiro de 2025.
Isso significa que, atualmente, Bulgária e Romênia já fazem parte plena do Espaço Schengen, e não devem mais ser incluídos na lista de países fora do acordo. É um detalhe importante para quem estiver consultando informações um pouco mais antigas sobre o tema, já que essa mudança é bem recente e ainda gera confusão em conteúdos desatualizados pela internet.
Países dos Balcãs fora da União Européia
Vale mencionar também países que ficam na região dos Balcãs e que, além de não fazerem parte do Schengen, também não são membros da União Européia. É o caso de Sérvia, Bósnia, Macedônia do Norte, Albânia, Montenegro e Kosovo. Esses países mantêm seus próprios sistemas de controle migratório, com regras específicas de entrada para brasileiros, que em geral também são isentos de visto para estadias turísticas, mas com prazos e condições próprias, diferentes da regra dos 90 em 180 dias do Schengen.
Essa região, aliás, costuma ser muito usada por viajantes que pretendem ficar mais de três meses na Europa, justamente porque permite “resetar” o período de permanência no Schengen, já que esses países não contam dentro do cálculo dos 90 dias do bloco.
Mônaco, San Marino e Vaticano
Esses três microestados europeus têm uma situação peculiar. Tecnicamente, não são membros formais do Espaço Schengen, mas, na prática, funcionam como se fossem parte dele, já que não mantêm fronteiras controladas com os países vizinhos (Mônaco com a França, San Marino e Vaticano com a Itália). Não existe posto de imigração ao entrar nesses territórios vindo de um país Schengen, então, do ponto de vista prático do viajante, a experiência é exatamente igual a estar dentro do bloco.
Tabela resumo dos países europeus fora do Espaço Schengen
| País | Membro da UE | Situação |
| Reino Unido | Não (saiu em 2020) | Controle de fronteira próprio, exige ETA |
| Irlanda | Sim | Mantém Common Travel Area com Reino Unido |
| Chipre | Sim | Ainda não aderiu ao bloco |
| Sérvia | Não | Controle migratório independente |
| Bósnia e Herzegovina | Não | Controle migratório independente |
| Albânia | Não | Controle migratório independente |
| Montenegro | Não | Controle migratório independente |
| Macedônia do Norte | Não | Controle migratório independente |
| Kosovo | Não | Controle migratório independente |
O que isso muda na prática para o roteiro de viagem
Entender essa divisão é essencial para quem está montando um roteiro que combine vários países europeus. Se a viagem incluir, por exemplo, França, Itália e Reino Unido, é preciso considerar que existirá controle de fronteira ao entrar e sair do Reino Unido, mesmo que entre França e Itália a circulação seja livre.
Da mesma forma, quem pretende visitar Chipre dentro de um roteiro que passa por Grécia ou Itália precisa se programar para o controle de imigração adicional, já que Chipre, apesar de europeu e membro da União Européia, segue fora do Schengen.
Outro ponto prático importante: os dias passados em países fora do Schengen, como Reino Unido, Irlanda, Chipre, ou qualquer país dos Balcãs não pertencente ao bloco, não contam para o cálculo da regra dos 90 dias em 180 dias. Isso é especialmente útil para quem planeja ficar mais tempo na Europa e quer intercalar períodos dentro e fora do Schengen, como forma de gerenciar melhor o tempo de permanência total na região sem ultrapassar os limites legais.
Por que alguns países optam por ficar fora do bloco
Vale entender rapidamente as razões por trás dessas escolhas. No caso do Reino Unido e da Irlanda, a decisão remonta a acordos históricos de livre circulação entre os dois países, que já existiam antes mesmo do Schengen ser criado, e que os governos preferiram manter intactos em vez de substituir pelo modelo europeu mais amplo.
Já no caso de Chipre, a questão é mais política e territorial, ligada à situação particular da ilha. E quanto aos países dos Balcãs que não são membros da União Européia, a explicação é simples: eles ainda não completaram o processo de adesão ao bloco europeu como um todo, e portanto, naturalmente, também não fazem parte do Schengen, que é restrito a membros (ou parceiros específicos, como Suíça, Noruega e Islândia).
Considerações Importantes Para a Viagem para quem planeja a viagem
Quem está organizando uma viagem pela Europa precisa ter esse mapa mental bem claro antes de montar o roteiro definitivo. Misturar países dentro e fora do Schengen na mesma viagem não é problema nenhum, é, inclusive, uma prática comum e às vezes vantajosa para gerenciar o tempo de permanência total no continente. Mas é fundamental saber, com antecedência, onde vai existir controle de fronteira, quais documentos serão exigidos em cada trecho, e como isso impacta o cálculo dos dias dentro do bloco Schengen.
Ignorar essas diferenças pode gerar surpresas desagradáveis, desde atraso inesperado em fronteiras que o viajante não esperava encontrar controle, até problemas reais relacionados ao cálculo incorreto dos 90 dias permitidos dentro do Espaço Schengen. Vale sempre revisar essas informações antes de fechar vôos e reservas, principalmente considerando que algumas regras, como no caso recente da Bulgária e Romênia, podem mudar e atualizar a lista de países dentro e fora do acordo.