Passeios Imperdíveis Para Fazer na Viagem em Melbourne

Melbourne tem uma combinação rara de passeios urbanos sofisticados, natureza espetacular a poucas horas do centro, vida cultural intensa e experiências gastronômicas que rivalizam com qualquer capital mundial.

Foto de Yanming Guo: https://www.pexels.com/pt-br/foto/cidade-meio-urbano-rua-via-18334519/

A grande pergunta de quem está planejando uma viagem para Melbourne é: o que realmente vale o tempo e o dinheiro? A cidade tem dezenas de atrações, e os roteiros padrão das agências costumam misturar passeios excepcionais com programas medianos que ocupam dias inteiros sem entregar muito em troca. Saber selecionar o que importa faz toda a diferença, especialmente em uma viagem internacional longa como essa, onde cada dia conta.

Melbourne tem a vantagem de oferecer dois universos em um só. Dentro da cidade, há atrações culturais, gastronômicas e arquitetônicas que enchem facilmente quatro a cinco dias. Fora dela, em raio de até três horas, estão alguns dos passeios mais espetaculares da Austrália inteira, como a Great Ocean Road, Phillip Island e Yarra Valley. O ideal é equilibrar os dois lados, sem ficar exclusivamente preso ao centro nem se aventurar tanto fora a ponto de perder a alma da cidade.

Vamos passar pelos passeios que realmente merecem entrar no roteiro, separando o que é imperdível do que é apenas razoável, com informações práticas que ajudam o turista brasileiro a montar um plano realista e satisfatório.

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A Great Ocean Road: o passeio mais icônico

Se houvesse um único passeio para fazer a partir de Melbourne, esse seria a Great Ocean Road. A estrada cênica de aproximadamente 240 km percorre a costa sul do estado de Victoria, oferecendo algumas das paisagens mais espetaculares da Austrália. Foi construída entre 1919 e 1932 por veteranos da Primeira Guerra Mundial como memorial aos soldados mortos no conflito, sendo considerada o maior memorial de guerra do mundo.

O ponto mais famoso da rota são os Twelve Apostles, formações de calcário que se erguem do oceano em paredes verticais que chegam a 45 metros de altura. Apesar do nome, hoje só restam oito formações visíveis, já que a erosão do mar derrubou várias ao longo dos anos, sendo a mais recente em 2005. O melhor horário para visitar é no final da tarde, quando a luz dourada atinge as paredes em ângulo perfeito para fotos. Helicópteros sobrevoam o local oferecendo passeios de 15 a 60 minutos, com vistas inesquecíveis das formações de cima.

Outros pontos imperdíveis ao longo da estrada incluem a Loch Ard Gorge, com história trágica de naufrágio em 1878 e formações rochosas dramáticas, a London Bridge, que perdeu seu arco principal em 1990 prendendo turistas no topo, a Bay of Islands, com paisagem similar aos Apostles mas geralmente menos lotada, e a Gibson Steps, escadaria que desce até a praia entre paredões gigantes.

A floresta de Otway, parte da rota, abriga colônias de coalas selvagens em árvores de eucalipto. Kennett River é o ponto mais conhecido para avistamento, com chance praticamente garantida de ver coalas e papagaios coloridos na natureza. Apollo Bay, vilarejo costeiro charmoso, é o ponto ideal para pernoite quem quer fazer a viagem com calma.

A grande decisão para o turista é entre o tour de um dia ou pernoite. Tours de um dia saem de Melbourne entre 7h e 8h, voltam por volta das 21h, e custam entre 130 e 200 dólares australianos por pessoa. São cansativos, com cerca de 12 horas de programação intensa, mas viáveis. O pernoite em Apollo Bay ou Port Campbell permite fazer o trajeto com calma, ver os Twelve Apostles ao pôr do sol e ao nascer do sol, e ainda conhecer o interior das florestas com mais tempo. Para quem alugou carro, o ideal são dois dias ou três.

Phillip Island e a parada dos pinguins

A 90 minutos de carro de Melbourne, Phillip Island é o destino do passeio noturno mais famoso da região: a Penguin Parade. Todas as noites, ao entardecer, centenas de pinguins fada saem do mar e atravessam a praia em pequenos grupos para chegar aos seus ninhos, em um espetáculo natural que dura cerca de uma hora.

A organização é completa. Existem arquibancadas de madeira voltadas para a praia, com diferentes níveis de proximidade e conforto. O ingresso geral, com lugar nas arquibancadas comuns, custa em torno de 30 dólares por adulto. Categorias premium, com plataformas elevadas, áreas restritas com guia ou experiências de subterrâneo com vidro ao nível dos pinguins, custam de 60 a 100 dólares. Vale comprar com antecedência online, especialmente em temporada alta.

Algumas regras são absolutas: nada de fotos com flash, nada de celulares ligados durante a parada, silêncio rigoroso. Os pinguins são extremamente sensíveis à luz e ao barulho, e o local mantém estrutura de proteção há décadas. A organização da reserva natural é referência mundial em turismo sustentável de fauna selvagem.

Além dos pinguins, Phillip Island oferece outras atrações que justificam fazer o passeio com tempo durante o dia. O Koala Conservation Reserve tem passarelas elevadas em meio aos eucaliptos, permitindo ver coalas selvagens de perto. The Nobbies, formação rochosa no extremo oeste da ilha, oferece trilhas com vista panorâmica e a maior colônia de focas peludas da Austrália em uma ilha próxima. The Pyramid Rock e Cape Woolamai são pontos panorâmicos espetaculares para fotografia.

A ilha também é famosa pelo automobilismo, sediando o GP da Austrália de Moto GP em outubro, evento que costuma encher hospedagem a quilômetros de distância. O circuito pode ser visitado nos dias sem corrida, com tour pelas instalações.

Yarra Valley: vinhos a uma hora do centro

A Yarra Valley é a região vinícola mais próxima de Melbourne, a cerca de 60 km do centro, e uma das mais respeitadas da Austrália para vinhos frios como pinot noir e chardonnay. A região tem mais de 80 vinícolas, das tradicionais de grande porte às artesanais de pequena produção, e oferece estrutura completa de degustação, gastronomia e até balão de ar quente.

Entre as casas mais conhecidas está a Domaine Chandon, braço australiano da francesa Moët Chandon, especializada em espumantes pelo método tradicional. A vinícola tem visita guiada, degustação e restaurante com vista para os vinhedos. De Bortoli é outra grande casa, conhecida pela qualidade dos pinots e pela sala de degustação refinada. Yering Station tem o restaurante considerado um dos melhores da região, com gastronomia premiada combinada à degustação.

Para quem busca vinícolas menores e mais autênticas, opções como Oakridge, Rochford, Coldstream Hills e Tarrawarra Estate oferecem experiências mais íntimas, geralmente com o próprio enólogo apresentando os vinhos. Tarrawarra ainda combina vinícola com museu de arte contemporânea, num conjunto arquitetônico interessante.

Uma experiência particularmente popular na região são os passeios de balão ao amanhecer. As cestas decolam por volta das 5h30 ou 6h, dependendo da estação, e flutuam silenciosamente sobre os vinhedos enquanto o sol nasce. O voo dura cerca de uma hora e meia, geralmente termina com café da manhã com espumante em uma das vinícolas, e custa em torno de 350 a 450 dólares por pessoa. Não é barato, mas é frequentemente citado como uma das melhores experiências de viagem na Austrália.

A grande questão prática da Yarra Valley é o transporte. A fiscalização de álcool ao volante na Austrália é rigorosíssima, com tolerância máxima de 0,05%. Para fazer várias degustações, contratar tour com motorista ou alugar serviço privado é praticamente obrigatório. Tours saindo de Melbourne custam entre 150 e 250 dólares por pessoa, geralmente cobrindo três a quatro vinícolas, almoço e degustação de queijos ou chocolates.

Mornington Peninsula: spas, fontes termais e praias

A Mornington Peninsula é uma língua de terra que se estende ao sul de Melbourne, a cerca de uma hora de carro, com paisagens diversas que vão de praias selvagens a vinhedos pequenos, passando por fontes termais ao ar livre famosas no país.

As Peninsula Hot Springs são o ponto alto da região, e talvez o passeio mais relaxante a fazer perto de Melbourne. O complexo tem mais de 70 áreas de banho diferentes, com piscinas naturais quentes alimentadas por águas geotermais profundas. Algumas piscinas ficam no nível do solo, outras no topo de colinas com vista panorâmica, há saunas, banhos turcos, áreas de massagem e restaurantes. A água sai a temperaturas entre 36°C e 43°C, dependendo da piscina.

A entrada básica permite acesso a todas as áreas comuns por algumas horas, custando em torno de 50 a 75 dólares dependendo do dia da semana e horário. Pacotes premium com spa, refeição e áreas exclusivas chegam a 200 dólares ou mais. O passeio é especialmente bom em outono e inverno, quando a água quente em contraste com o ar frio cria uma experiência sensorial completa. Vale reservar com antecedência, especialmente para fins de semana.

A península também tem boas vinícolas, embora menos famosas que as da Yarra Valley, e produção pequena de cidras artesanais. Os vinhedos costumam ser combinados com restaurantes em meio aos vinhedos, ideais para almoços longos. Casas como Montalto, Pt Leo Estate e Polperro são consolidadas.

As praias variam bastante. Sorrento e Portsea, no extremo da península, são as mais sofisticadas, com casas de veraneio centenárias da elite de Melbourne. Cape Schanck tem farol histórico do século XIX e trilhas em falésias com vista para o Estreito de Bass. Point Nepean tem fortaleza histórica que protegia a entrada da baía durante as guerras mundiais.

A cidade vista do alto: Eureka Skydeck

A Eureka Skydeck é o mirante mais alto de Melbourne e do hemisfério sul, no 88º andar do edifício Eureka Tower, em Southbank. A vista panorâmica de 360 graus permite identificar todos os pontos importantes da cidade, do Yarra River serpenteando pelo centro até a baía de Port Phillip ao sul, passando pelo MCG, pela Federation Square e pelos parques que circundam o CBD.

O ingresso para a área comum custa em torno de 28 dólares por adulto. Existe a opção do The Edge, uma cabine de vidro que se projeta para fora do prédio com piso transparente, oferecendo a sensação de flutuar a 285 metros de altura. O acesso ao Edge custa cerca de 12 dólares adicionais, e não é para quem tem medo de altura.

O melhor horário é o pôr do sol, quando a cidade ganha tons dourados e depois acende suas luzes gradualmente. Quem chega 30 minutos antes do horário do sol consegue ver a transição completa de dia para noite. Vale comprar ingresso com horário marcado online para evitar filas, especialmente em alta temporada.

Como alternativa gratuita ao Eureka, o Rooftop Bar do edifício Curtin House, na Swanston Street, oferece vista interessante da cidade do alto, com a vantagem de ser um bar com ambiente descontraído e cinema ao ar livre nas noites de verão. Não é tão alto quanto o Eureka, mas a vibe é única e o programa rende algumas horas.

Os museus essenciais

Melbourne tem uma cena de museus rica e diversificada, com várias opções gratuitas. A National Gallery of Victoria é o destaque absoluto, com dois prédios que merecem visitas separadas. O NGV International, na St Kilda Road, abriga obras europeias do Renascimento ao contemporâneo, com Picasso, Rembrandt, Tiepolo e Bacon, além de coleções asiáticas significativas. O NGV Australia, na Federation Square, foca em arte australiana, incluindo importante coleção de arte aborígene e dos colonos.

Ambos têm entrada gratuita para a coleção permanente. Exposições temporárias costumam ter cobrança que varia entre 15 e 30 dólares dependendo do peso da mostra. Algumas exposições internacionais grandes, especialmente de moda e design, viram fenômenos sociais na cidade.

O Melbourne Museum, em Carlton Gardens próximo ao centro, é mais voltado para ciência, história natural e cultura aborígene. Tem esqueleto do Phar Lap, cavalo lendário do turfe australiano, um dos pontos mais visitados. A área dedicada à cultura First Peoples é referência em curadoria respeitosa de patrimônio indígena. O ingresso custa em torno de 15 dólares.

O Royal Exhibition Building, ao lado do Melbourne Museum, é Patrimônio Mundial da UNESCO e foi sede do primeiro parlamento federal australiano em 1901. As visitas guiadas são pagas mas baratas, e mostram um interior decorado em estilo vitoriano espetacular.

O ACMI, Australian Centre for the Moving Image, na Federation Square, é dedicado ao cinema, televisão, jogos digitais e arte audiovisual. A exposição permanente é gratuita e fascinante para quem se interessa por mídia. Mostras temporárias frequentemente trazem retrospectivas importantes.

O Immigration Museum, em prédio histórico na Flinders Street, conta a história das ondas migratórias que formaram a Austrália moderna, incluindo seções específicas sobre comunidades europeias, asiáticas e do Oriente Médio. Para quem quer entender a alma multicultural de Melbourne, é parada obrigatória.

Os mercados de Melbourne

Os mercados são instituições em Melbourne, e visitar pelo menos um deles deveria estar em qualquer roteiro. O Queen Victoria Market é o mais famoso, funcionando há mais de 140 anos no mesmo local. Cobre toda uma quadra do centro com galpões de comida fresca, deli, queijos, frutos do mar, carnes, e uma seção de produtos não alimentícios com couros, lãs, souvenirs e roupas.

Ao fim de tarde aos mercados, vale o programa por si só. Aos miércoles à noite no verão e quartas no inverno, o Queen Vic Market vira o Night Market, com food trucks, bares, música ao vivo e vibe completamente diferente do mercado diurno. Um dos eventos urbanos mais legais da cidade.

O South Melbourne Market é menor, mais elegante e mais focado em curadoria gastronômica. Tem alguns dos melhores dim sims da cidade, queijaria especializada, ostras frescas, e cafés de torrefação artesanal. Funciona de quarta a domingo, das 8h às 16h.

O Prahran Market tem perfil similar ao South Melbourne, com forte presença de produtores especializados, frutas e verduras orgânicas, peixarias e empórios. Aos sábados pela manhã é o ápice da movimentação. Vale combinar a visita com um passeio pela Chapel Street próxima.

Os mercados de fim de semana, como o Rose Street Artists Market em Fitzroy, têm perfil completamente diferente. Focam em arte, design, roupas vintage, joias artesanais e produtos de pequenos empreendedores criativos. Para quem busca souvenirs originais e únicos, valem mais a pena que as lojas turísticas tradicionais.

Os passeios pelos laneways

Os laneways merecem capítulo próprio nos passeios essenciais de Melbourne. Caminhar pelos becos cobertos de arte, parar em cafés escondidos, descobrir bares ocultos em portas sem identificação é uma das experiências mais autênticas da cidade.

LanewayCaracterística principal
Hosier LaneArte de rua famosa mundialmente
AC/DC LaneTributo à banda australiana
Centre PlaceCafés europeus, atmosfera
Degraves StreetBrunch e café, clima parisiense
Hardware LaneRestaurantes mediterrâneos
Block PlaceTradicional, casas de chá
Hardware StreetBistrôs, vibe noturna
Howey PlaceBoutiques, arquitetura vitoriana
Manchester LaneBar speakeasy escondido
Tattersalls LaneBares asiáticos modernos

Para quem quer aprofundar, existem walking tours guiados focados especificamente nos laneways, com guias que conhecem a história dos grafites, das obras icônicas e dos artistas locais. Passeios temáticos cobrem desde arte de rua até gastronomia escondida, custando em torno de 40 a 70 dólares por pessoa para tours de duas a três horas.

Outra forma divertida é fazer um food tour pelos laneways, que combina paradas em cafés, bares, restaurantes e doceiras com a história arquitetônica e cultural da região. Os passeios cobrem normalmente três horas e quatro a cinco paradas com degustações.

Cruzeiros pelo Yarra River

O Yarra River, que corta Melbourne, oferece perspectiva diferente da cidade. Os cruzeiros saem dos cais próximos à Federation Square e têm várias opções, de 1 a 4 horas, com narração ao vivo ou áudio guia, incluindo opções com almoço ou jantar.

Os cruzeiros mais curtos cobrem o trecho do centro até Williamstown ou até os Docklands, mostrando a transformação arquitetônica da cidade ao longo do rio. Cruzeiros mais longos sobem o Yarra para o lado oposto, passando pelos Royal Botanic Gardens e por bairros residenciais com mansões históricas.

Não é o passeio mais imperdível de Melbourne, mas em dias de bom tempo, especialmente no fim de tarde, oferece descanso agradável com perspectiva nova da cidade. Os preços ficam em torno de 30 a 50 dólares para cruzeiros básicos e 80 a 150 para os com refeição.

Como alternativa gratuita, vale caminhar pela Yarra Promenade no Southbank, especialmente entre Federation Square e Crown Casino. O calçadão é animado, com músicos de rua, restaurantes com mesas externas, esculturas urbanas e vista para o skyline. À noite, ganha iluminação dramática nos prédios e nas pontes.

Esportes ao vivo: a alma de Melbourne

Assistir a um evento esportivo ao vivo em Melbourne é uma experiência cultural por si só. A cidade é considerada a capital esportiva da Austrália, com calendário cheio o ano inteiro.

A AFL, futebol australiano, é a paixão local. Os jogos no MCG, com até 100 mil pessoas nas arquibancadas, têm energia única. O ingresso para um jogo regular custa entre 30 e 80 dólares, dependendo da posição. Mesmo quem não entende as regras se diverte com a atmosfera, a velocidade do jogo e a qualidade técnica dos atletas.

O cricket, esporte ainda mais tradicional, tem temporada no verão. O Boxing Day Test no MCG, dia 26 de dezembro, atrai dezenas de milhares de torcedores e é um dos eventos esportivos mais tradicionais do calendário australiano. A partida dura cinco dias, mas pegar um deles é experiência única.

O Australian Open de tênis em janeiro é o evento esportivo mais internacional da cidade. Mesmo sem ingresso para as quadras principais, os passes para os primeiros dias custam em torno de 50 dólares e dão acesso a quadras secundárias com tenistas top, atmosfera de festival e fan zones gratuitas.

A Melbourne Cup, primeira terça feira de novembro, é a corrida de cavalos mais famosa da Austrália. Ingressos para o Flemington Racecourse variam de 50 dólares para pista geral até centenas para áreas premium. A cidade inteira para no horário da corrida, e o evento mistura esporte, moda e festa.

Royal Botanic Gardens e parques urbanos

Os Royal Botanic Gardens de Melbourne são um dos jardins botânicos mais respeitados do mundo, com 38 hectares de coleções de plantas, lagos, gramados e estruturas arquitetônicas. A entrada é gratuita, e o local merece pelo menos meio dia de visita tranquila.

Vale a pena fazer pelo menos uma das trilhas guiadas gratuitas oferecidas pelos voluntários, geralmente com tema específico como plantas medicinais aborígenes, árvores históricas ou jardins temáticos. As trilhas saem do centro de visitantes em horários fixos, sem necessidade de reserva.

O Aboriginal Heritage Walk é uma trilha guiada paga, conduzida por guias indígenas, que explora o uso ancestral das plantas pelos povos originários da região, com demonstrações de técnicas tradicionais. É uma das melhores formas de ter contato genuíno com a cultura aborígene em Melbourne.

Adjacente aos jardins fica o Shrine of Remembrance, monumento aos soldados australianos mortos em guerras, com vista panorâmica do alto da estrutura e museu interno gratuito. A arquitetura monumental e a vista que se estende em linha reta até a Swanston Street formam um dos eixos urbanos mais marcantes da cidade.

Outros parques merecem visita. O Fitzroy Gardens, próximo ao Parlamento, abriga a Captain Cook’s Cottage, casa de infância do navegador inglês James Cook que foi desmontada na Inglaterra, transportada e remontada em Melbourne em 1934. O Carlton Gardens, com o Royal Exhibition Building, é Patrimônio Mundial da UNESCO. O Princess Park, mais ao norte, oferece atmosfera mais local e menos turística.

A vida noturna da cidade

A vida noturna de Melbourne é uma das mais ricas da Oceania, com cena bem distribuída entre bares escondidos, rooftops, casas noturnas, music venues e a tradicional cena de pubs.

Os bares de speakeasy, geralmente sem fachada visível e com entrada por portas anônimas em becos, são uma marca registrada da cidade. Casas como Eau de Vie, em Malthouse Lane, e Bar Americano, em Howey Place, ficam em pontos discretos e exigem que você saiba onde procurar. A experiência de descobrir esses lugares faz parte do programa.

Para música ao vivo, Melbourne é considerada uma das capitais do rock australiano. Casas como The Corner Hotel em Richmond, The Tote em Collingwood, e Northcote Social Club no norte recebem bandas locais e internacionais quase todas as noites. A entrada custa entre 15 e 50 dólares dependendo do artista.

Os rooftop bars são outra força da cena. O já mencionado Rooftop Bar em Curtin House, o Madame Brussels com decoração dourada e tema country club inglês, o Bomba Rooftop com clima espanhol e tapas, são alguns dos mais conhecidos. Em dias de bom tempo, especialmente no verão, são programa garantido.

A cena LGBT está concentrada em torno da Commercial Road em Prahran e da Smith Street em Collingwood, com bares, clubes e restaurantes voltados especificamente ao público. O Midsumma Festival, em janeiro e fevereiro, é o principal evento da comunidade na cidade.

Roteiro sugerido por número de dias

Para encerrar com algo prático, vale sugerir como organizar os passeios em diferentes durações de viagem.

Em 3 dias, a sugestão é: dia um para o centro, com Federation Square, NGV, laneways e Eureka Skydeck ao pôr do sol. Dia dois para St Kilda durante a tarde com pinguins ao anoitecer, ou para a Yarra Valley com tour de degustação. Dia três para Phillip Island com dia inteiro na ilha terminando na Penguin Parade.

Em 5 dias, adiciona se a Great Ocean Road com pernoite em Apollo Bay, e um dia dedicado aos bairros como Fitzroy, Carlton e Brunswick com gastronomia e cultura.

Em 7 dias ou mais, vale incluir Mornington Peninsula com Hot Springs, um jogo esportivo no MCG, mais tempo nos museus e mercados, e ao menos uma experiência guiada como food tour pelos laneways ou tour de arte de rua.

Melbourne é uma cidade que recompensa quem combina o ritmo urbano com as escapadas naturais ao redor. A grande riqueza não está em fazer todos os passeios possíveis, mas em escolher alguns com qualidade e dar tempo para que cada um respire dentro do roteiro. A Austrália que se descobre por aqui é diferente da que se vê em Sydney ou em Cairns, mais sutil, mais cultural, com personalidade que se revela à medida que você cede ao ritmo da cidade. Quem viaja com essa disposição costuma sair de Melbourne com a sensação de já estar planejando o retorno.

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