O que Visitar em Oxford na Inglaterra?

O que visitar em Oxford na Inglaterra: o guia das principais atrações, colleges históricos, museus gratuitos e cantinhos imperdíveis dessa cidade universitária encantadora.

Fonte: Civitatis

Oxford é pequena, mas engana. Você chega achando que vai dar conta de tudo numa manhã e, quando vê, já passou o dia inteiro e ainda ficou faltando coisa. É uma cidade densa, no melhor sentido da palavra. Cada rua tem história, cada esquina tem um detalhe, cada college esconde um pátio que parece ter parado no tempo. Então, se você está montando o roteiro, vale entender o que realmente merece a sua atenção, porque tentar ver absolutamente tudo é receita para correria e cansaço.

Vou te guiar pelo que considero essencial, separando por tipo de atração, para você montar um passeio que faça sentido com o seu ritmo e o seu interesse.

Os colleges, o coração de Oxford

Não dá pra falar de Oxford sem começar pelos colleges. A universidade é formada por dezenas dessas faculdades, cada uma com seus próprios prédios, jardins, capelas e refeitórios. São elas que dão à cidade aquele visual inconfundível.

A mais famosa de todas é a Christ Church. É a maior, a mais imponente e, convenhamos, a mais turística. Tem aquele pátio gigante, a catedral própria e o salão de jantar que inspirou o refeitório de Hogwarts nos filmes de Harry Potter. Os fãs do bruxinho costumam sair de lá realizados. Vale o ingresso, mas confira os horários, porque parte dela fecha para eventos da universidade.

A Magdalen College, que se pronuncia algo como “môdlin”, e isso confunde todo mundo, é a minha preferida em termos de beleza. Tem jardins lindos, uma torre que vira cartão postal e até um caminho de cervos. É mais tranquila que a Christ Church e, na minha opinião, mais charmosa.

Outras que valem a visita são a New College, que apesar do nome é antiquíssima e tem claustros usados em cenas de Harry Potter, e a Trinity College, com jardins encantadores. Se o tempo for curto, escolha uma ou duas para visitar por dentro e admire o resto pelas fachadas. Cada uma cobra entrada separada, então faça as contas antes.

A biblioteca Bodleian e o entorno

A Bodleian Library é uma das bibliotecas mais antigas da Europa e um dos lugares mais impressionantes de Oxford. Não é só uma biblioteca, é praticamente um monumento ao conhecimento. Tem salas que parecem catedrais, tetos trabalhados, prateleiras que sobem até o teto.

Dá pra fazer visitas guiadas, que variam de tamanho e preço dependendo de quanto da biblioteca você quer ver. Recomendo, especialmente se você curte história e livros. A sensação de estar num lugar onde gerações e gerações estudaram por séculos é poderosa.

Logo ao lado fica a Radcliffe Camera, aquele prédio redondo, de cúpula, que aparece em praticamente todo cartão postal de Oxford. Não dá pra entrar livremente, já que faz parte do sistema de bibliotecas, mas a vista externa é obrigatória. É um dos lugares mais fotografados da cidade, e com razão.

E bem perto está a Bridge of Sighs, a ponte dos suspiros, que liga duas partes da Hertford College por cima da rua. Lembra a ponte de mesmo nome em Veneza. Pequeno detalhe, mas rende ótimas fotos e fica no caminho de quase tudo.

Os museus, e o melhor: quase todos gratuitos

Aqui Oxford surpreende muita gente. A cidade tem museus de altíssimo nível, e a maioria não cobra entrada. Isso mesmo, gratuitos.

O Ashmolean Museum é o museu universitário mais antigo do mundo. Tem coleções de arte e arqueologia que vão do Egito antigo a pinturas europeias famosas. É grande, bem organizado e poderia tranquilamente cobrar ingresso, mas não cobra. Reserve algumas horas se gosta do tipo.

O Oxford University Museum of Natural History é um prédio lindo, em estilo neogótico, cheio de esqueletos de dinossauros, fósseis e animais. Agrada adultos e crianças. E dentro dele, conectado, fica o Pitt Rivers Museum, que é uma experiência à parte. É uma coleção etnográfica enorme, com objetos do mundo inteiro amontoados em vitrines antigas, à luz fraca. Tem até cabeças encolhidas. É meio caótico, meio assustador, e absolutamente fascinante.

AtraçãoTipoEntradaTempo sugerido
Christ ChurchCollege históricoPaga1h a 1h30
Magdalen CollegeCollege e jardinsPaga1h
Bodleian LibraryBiblioteca históricaTour pago1h
Radcliffe CameraMarco arquitetônicoVista externa grátis15 min
Ashmolean MuseumArte e arqueologiaGratuito2h
Museu de História NaturalCiências naturaisGratuito1h
Pitt Rivers MuseumEtnografiaGratuito1h

Para os fãs de literatura

Oxford é território sagrado para quem ama livros, e já falei disso antes, mas vale apontar os lugares concretos que você pode visitar.

A livraria Blackwell’s é parada obrigatória. Tem uma sala subterrânea enorme, a Norrington Room, que já entrou no Guinness como a maior sala de venda de livros do mundo em determinada época. Mesmo que você não vá comprar nada, vale entrar só pra sentir o ambiente.

O pub The Eagle and Child é onde Tolkien e C.S. Lewis se reuniam com o grupo dos Inklings. Tomar algo ali tem um valor simbólico enorme pra quem cresceu com O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. Vale checar o funcionamento antes de ir, pois o pub passou por períodos de reforma e mudanças.

E quem é fã de Alice no País das Maravilhas pode procurar a pequena loja Alice’s Shop, em frente à Christ Church, ligada à história de Lewis Carroll e à verdadeira Alice.

Passeios ao ar livre

Oxford não é só prédio antigo. Tem natureza e momentos de respiro que equilibram o passeio.

O passeio de punting no rio Cherwell é uma das experiências mais clássicas da cidade. Você aluga um barco de fundo chato e o empurra com uma vara comprida, ou paga alguém pra fazer isso por você, o que confesso ser bem mais relaxante. É charmoso, divertido e tipicamente inglês. No verão, vira quase um programa obrigatório.

O University Parks e o Oxford Botanic Garden são ótimos para uma pausa verde. O jardim botânico, aliás, é o mais antigo da Grã-Bretanha, com mais de quatrocentos anos. Lugar perfeito pra sentar, respirar e descansar as pernas no meio do dia.

E se você quiser uma vista do alto, suba a torre da igreja University Church of St Mary the Virgin. São alguns degraus apertados, mas lá de cima você tem a melhor panorâmica das torres dos sonhos de Oxford, aquele horizonte recortado que dá nome à cidade.

O Covered Market e a hora da comida

Para uma pausa gostosa, o Covered Market é uma ótima pedida. É um mercado coberto histórico, funcionando há mais de duzentos anos, cheio de barraquinhas, cafés, lojas e comida. Dá pra comer bem sem gastar muito e ainda sentir o clima local.

Os pubs de Oxford também merecem atenção. Além do já citado Eagle and Child, há o Turf Tavern, escondido numa viela apertada, com aquele clima de pub antigo de filme. É difícil de achar na primeira tentativa, mas faz parte da graça. Dizem que muita gente ilustre passou por lá ao longo dos séculos.

Como organizar tudo isso num dia

Se você só tem um dia, e é o caso de muita gente que faz o bate e volta a partir de Londres, dá pra montar um roteiro decente sem sufoco.

Comece pelo centro histórico de manhã, vendo a Radcliffe Camera, a Bodleian e a Bridge of Sighs, que ficam todos coladinhos. Entre em pelo menos um college, de preferência a Christ Church ou a Magdalen. Pare para almoçar no Covered Market. À tarde, escolha um museu, sendo o Ashmolean ou o de História Natural, dependendo do seu gosto. Se sobrar energia e o tempo estiver bom, encerre com um punting no rio ou subindo a torre de St Mary para o pôr do sol.

Não tente ver tudo. É a dica mais valiosa que posso dar. Oxford recompensa quem caminha devagar, entra num pátio sem pressa, senta num café e observa. A cidade tem uma alma que só aparece pra quem desacelera.

No fundo, o melhor de Oxford não está numa atração específica, mas na soma de tudo. É andar por ruas de pedra com quase mil anos de história, esbarrar em estudantes de toga, ver uma torre gótica surgir no fim de uma viela. Você vai embora com a sensação de ter visitado um lugar que parece existir fora do tempo. E é exatamente isso que faz tanta gente querer voltar.

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