Monumentos, Galerias e Parques Para Visitar em Nairóbi

Conheça o lado histórico e cultural de Nairóbi através de seus monumentos, galerias de arte e parques urbanos. De Uhuru Gardens ao Karura Forest, um guia completo das atrações que contam a alma da capital do Quênia.

Fonte: Get Your Guide

Nairóbi não é só safári e bicho grande. Quem reduz a capital queniana à porta de entrada das savanas perde a metade mais interessante da cidade, aquela que conta a história de um país que se ergueu do colonialismo, formou identidade própria e ainda assim conseguiu preservar pulmões verdes no meio do concreto. A cidade tem monumentos que pesam, galerias que surpreendem e parques urbanos que rivalizam em beleza com qualquer reserva natural mundo afora.

Andar por Nairóbi com olhar atento é cruzar com nomes que definiram o destino da África Oriental. Jomo Kenyatta, Tom Mboya, Dedan Kimathi. Esses não são só nomes de avenidas e estátuas, são pedaços vivos de uma luta que terminou com a bandeira queniana sendo hasteada num gramado em pleno dezembro de 1963. E é exatamente por ali que vale começar.

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Monumentos que contam a história do Quênia

Uhuru Gardens

Em 12 de dezembro de 1963, a bandeira do Quênia foi hasteada pela primeira vez nesse gramado. Foi ali, em Uhuru Gardens, que o país nasceu como nação independente. Hoje é o maior parque memorial do Quênia e abriga a famosa escultura do 20º Aniversário, levantada para celebrar duas décadas de independência.

É aquele tipo de lugar que parece comum à primeira vista, com gramado, árvores, gente passeando. Mas quando você lembra do que aconteceu naquele chão, a paisagem ganha outro peso. Vale parar, ler as inscrições, observar o monumento. Tem coisas que só fazem sentido quando você sabe a história.

Monumento a Tom Mboya

No centro da cidade, na Moi Avenue, está o monumento erguido em 2011 em homenagem a Tom Mboya. Ele foi um pan-africanista carismático, líder sindical, articulador político e ficou conhecido pelos chamados “African airlift projects”, programas que levaram estudantes africanos para universidades nos Estados Unidos nos anos 1950 e 1960. Entre esses estudantes esteve, inclusive, o pai de Barack Obama.

Mboya também ajudou a formar o KANU, o partido mais antigo do Quênia. Foi assassinado em 1969, num episódio que até hoje gera debate político no país. A estátua na Moi Avenue é a forma como Nairóbi escolheu lembrar dele.

Estátua de Dedan Kimathi

Na Kimathi Street, em frente ao Hilton Hotel, está uma das estátuas mais simbólicas da cidade. Dedan Kimathi foi líder do Mau Mau, movimento que liderou a luta armada contra o governo colonial britânico no Quênia durante os anos 1950.

Ele aparece vestido com traje militar, segurando um rifle na mão direita e uma adaga na esquerda, representando as últimas armas que carregou na sua resistência. Foi capturado pelos britânicos em 1956 e executado pouco depois. A estátua, inaugurada décadas após sua morte, é também um gesto de reconciliação histórica do Quênia com o próprio passado.

Estátua de Jomo Kenyatta

Essa é uma obra-prima. O escultor britânico James Butler tinha 80 anos quando finalizou a estátua sentada de Jomo Kenyatta, primeiro presidente do Quênia. A peça tem 12 pés de altura, dobro do tamanho real, e foi inaugurada em 1969 no centro do KICC (Kenyatta International Convention Centre).

O detalhamento é absurdo. O artista capturou até a marca de nascença no rosto de Kenyatta e suas sandálias de bico aberto características, aquelas que ele usava em todas as fotos oficiais. Quem passa rápido nem percebe o cuidado. Mas quem olha de perto entende por que a obra é considerada uma das melhores estátuas presidenciais do continente africano.

Estátuas Memoriais da Guerra

Na Kenyatta Avenue, três soldados africanos esculpidos lado a lado representam os quenianos que lutaram e morreram na Primeira e na Segunda Guerra Mundial. É uma homenagem que poucos turistas notam, mas que conta uma camada da história colonial pouco lembrada: o papel das tropas africanas em conflitos que não eram delas.

Monumento a Galton Fenzi

Também na Kenyatta Avenue, ao lado do correio principal, está o monumento a Galton Fenzi, figura que teve papel importante na concepção do sistema rodoviário do Quênia. É pequeno, discreto, mas faz parte do mosaico de homenagens que conta como o país se construiu pedaço por pedaço.

Galerias de arte que valem a parada

Banana Hill Art Gallery

Na cidade de Banana Hill, ao norte do famoso Village Market, essa galeria expõe alguns dos trabalhos mais impressionantes da arte contemporânea da África Oriental. Pinturas e esculturas de artistas quenianos, tanzanianos e ugandenses dividem o espaço, com curadoria voltada para o cenário contemporâneo africano.

Quem gosta de arte sem o filtro turístico encontra ali peças autênticas e, muitas vezes, com preços bem mais honestos do que em galerias do centro. Site: bananahillartgallery.com

Nairobi Gallery

Na esquina da Kenyatta Avenue com a Uhuru Highway, no coração da cidade, fica a Nairobi Gallery. O prédio foi construído em 1913 e funcionava como o Old Provincial Commissioner’s Office, conhecido carinhosamente como “Hatches, Matches and Dispatches” por causa dos registros de nascimentos, casamentos e mortes feitos ali.

Hoje é Monumento Nacional e abriga exposições temporárias de arte. Mas o destaque mesmo é a Murumbi Gallery dentro dela, dedicada a Joseph Murumbi, ex-vice-presidente queniano e colecionador obsessivo de arte africana. A coleção dele já foi descrita como “a melhor coleção conhecida de patrimônio e artefatos africanos”. Pesado de ver. Vale o tempo.

Paa ya Paa Arts Centre

Na Ridgeways Road, saindo da Kiambu Road, está esse centro que serve de espaço de inspiração e desenvolvimento para artistas indígenas e amantes de arte. A programação cobre artes visuais, música, dança, teatro e fotografia.

Aberto todos os dias das 9h às 17h, é o tipo de lugar para quem quer fugir do circuito turístico óbvio e ver o que está borbulhando na cena artística local de verdade. Site: paayapaa.kbo.co.ke

The GoDown Arts Centre

Esse foi o primeiro espaço multidisciplinar de artes do Quênia. Abriga organizações que trabalham com diferentes linguagens artísticas, programas de residência, uma galeria de exposições e auditório para reuniões e apresentações.

Se você está em Nairóbi por mais tempo e quer entender a cena cultural ativa da cidade, vale conferir a programação antes de ir. Sempre tem algo acontecendo. Site: www.thegodownartscentre.com

Museu Ferroviário de Nairóbi

A casa da famosa “Lunatic Line”, apelido dado à ferrovia que ligou Mombasa ao Lago Vitória entre 1896 e 1901, fica num antigo prédio ferroviário na Station Road, saindo da Haile Selassie Avenue. A história dessa ferrovia é meio absurda. Foi construída pelos britânicos com mão de obra trazida principalmente da Índia, custou caríssimo, milhares de vidas, e ainda enfrentou os famosos “leões devoradores de Tsavo”, que viraram filme em Hollywood.

O museu tem galeria principal, centro de pesquisa, auditório e uma coleção ao ar livre de locomotivas, vagões e carruagens originais. Aberto diariamente das 8h às 17h. Para quem curte história industrial e ferroviária, é um achado. Site: www.krc.co.ke

Parques urbanos: o verde que sobreviveu

Jeevanjee Gardens

Esse parque é o respiro do centro de Nairóbi. Bonito, com árvores que dão sombra generosa contra o sol tropical, bancos artísticos espalhados pelo gramado e esculturas que dão personalidade ao espaço. Em qualquer dia útil você encontra gente descansando, lendo, conversando ou só passeando.

Curiosidade: é uma das poucas zonas de fumantes designadas oficialmente na cidade. O parque é cercado pela Moi Avenue, Monrovia Street, Muindi Mbingu Street e Moktar Daddah Street, na parte norte do centro. Acesso aberto e gratuito.

Ngong Hills

A 22 km a sudoeste da cidade, as colinas Ngong são o destino preferido de moradores de Nairóbi nos fins de semana. As atividades clássicas são caminhada, piquenique e corrida pelas trilhas. A vista do alto, com Nairóbi de um lado e o Vale do Rift do outro, é dessas que ficam marcadas.

Quem leu Karen Blixen lembra que ela queria ser enterrada justamente nessas colinas, e Denys Finch Hatton de fato foi sepultado por lá. Tem peso histórico além da paisagem.

Karura Forest

A Reserva Florestal de Karura é uma das maiores florestas urbanas demarcadas dentro dos limites de uma capital no mundo. Nos arredores de Nairóbi, oferece um pacote completo: cavernas usadas pelos guerrilheiros Mau Mau, trilhas naturais, vida selvagem, cachoeiras cênicas e uma floresta de bambu que parece cenário de cinema.

A história dessa floresta também é bonita. Foi salva da especulação imobiliária graças à luta da Wangari Maathai, queniana ganhadora do Nobel da Paz em 2004, que mobilizou movimentos sociais para impedir o loteamento da área. Hoje é orgulho local. Site: www.friendsofkarura.org

Oloolua Nature Trail

Escondidas no bairro nobre de Karen estão 250 hectares da floresta tropical seca nativa de Oloolua, que abriga o Instituto de Pesquisa de Primatas (IPR), administrado pelos Museus Nacionais do Quênia. As atividades incluem corrida, piquenique, camping, caminhadas curtas, tours guiados pela floresta e visitas a cavernas, pântanos e cachoeiras.

É menos visitado que Karura, então tem aquele clima de descoberta. Bom para quem quer fugir das multidões.

Central Park

Atrás do Nairobi Serena Hotel, cercado pela Kenyatta Avenue, Nyerere Avenue e Uhuru Highway, é parque urbano clássico, com piquenique e parquinho infantil. Não é o mais espetacular da cidade, mas funciona bem para uma pausa rápida durante a maratona de pontos turísticos do centro.

Nairobi City Park

Uma das poucas florestas indígenas que sobreviveram na região, na área de Parklands. Tem jardim botânico, marcos históricos e várias espécies de árvores endêmicas do Quênia. Atrações incluem o jardim de esculturas, o Murumbi Memorial Park, áreas de piquenique e trilhas.

É menos movimentado e tem uma atmosfera quase secreta. Quem gosta de observação de aves encontra material farto.

Uhuru Park

O parque recreativo mais popular de Nairóbi. Funciona como ponto de encontro para celebrações de feriados nacionais, comícios políticos em períodos eleitorais e reuniões de oração de grupos religiosos diversos. As atrações incluem passeios de barco no lago artificial, áreas de piquenique e monumentos espalhados.

Em fim de semana de sol, o parque enche de família, casais, vendedores ambulantes e uma energia urbana que vale ver com calma.

Paradise Lost

A 10 km de Nairóbi, perto de Kiambu Town, esse oásis fica no meio de uma fazenda de café. O nome já vende a expectativa, e o lugar entrega. Tem passeio de barco, pesca, observação de aves, alimentação de avestruzes, passeio a cavalo e camelo, visita a cavernas e cachoeiras, camping e trilhas.

Bom programa para um domingo, especialmente com crianças. A combinação de fazenda de café com atividades de natureza não é comum nessa proporção.

Rowallan Camp

Na Kibera Drive, ao lado da Reserva Florestal Ngong Road, a 9 km do centro. As atividades giram em torno de camping, trilhas e caminhadas curtas até as cavernas dentro da reserva. Administrado pela organização escoteira do Quênia, tem clima mais rústico e voltado para grupos.

August 7th Memorial Park

Esse aqui pesa diferente. Na Haile Selassie Avenue, exatamente onde aconteceu o atentado terrorista de 1998 contra a então embaixada dos Estados Unidos. O memorial lista os nomes das pessoas que perderam a vida em 7 de agosto daquele ano.

O parque tem ainda um Centro de Visitantes com museu que exibe imagens e materiais sobre o atentado, com o objetivo de promover paz e tolerância, e um auditório onde passa um documentário sobre a tragédia. Não é visita alegre, mas é importante. Lembra que Nairóbi também viveu o terrorismo internacional de perto, anos antes do mundo entender direito o que era aquilo. Site: www.memorialparkkenya.org

Como organizar essa parte do roteiro

Os monumentos do centro dá para fazer todos a pé num período da manhã, começando pelo KICC (Jomo Kenyatta), passando pela Kimathi Street, Moi Avenue e Kenyatta Avenue. É uma caminhada que mistura história política com arquitetura colonial e centros comerciais movimentados.

As galerias pedem mais planejamento. Banana Hill e Paa ya Paa ficam afastadas do centro, então vale agrupar com outras atrações da mesma região. A Nairobi Gallery e o Museu Ferroviário, por outro lado, encaixam bem num dia de centro.

Os parques merecem dia próprio. Karura Forest sozinho consome uma manhã inteira, e Ngong Hills é viagem de dia inteiro com almoço incluído. Uhuru Park e Central Park são paradas rápidas para encaixar entre outros compromissos.

Sobre segurança, vale o aviso de sempre. O centro de Nairóbi durante o dia é tranquilo, mas evite andar com objetos de valor à mostra. À noite, prefira Uber ou táxi de hotel. Os parques mais isolados são melhores em grupo ou com guia local.

A combinação dessas atrações com os parques nacionais e orfanatos da região de Karen e Lang’ata é o que faz Nairóbi ser uma capital realmente completa. Tem cidade que oferece só natureza. Tem cidade que oferece só cultura. Aqui o pacote vem inteiro, e dá para fazer tudo sem precisar pegar avião nenhum entre uma coisa e outra. Por isso ela merece mais do que aquela passagem corrida de 24 horas que muito turista faz antes do safári começar.

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