Jóias da Costa Amalfitana na Itália

Costa Amalfitana reúne joias do Mediterrâneo italiano: do mítico Fiordo di Furore às ruínas de Pompeia, das grutas marinhas de Capri aos terraços perfumados de Ravello, um roteiro que mistura história, mar e vertigem em poucos quilômetros de litoral.

Fonte: Get Your Guide

Costa Amalfitana: dez lugares que fazem essa faixa de litoral ser o que é

Quem chega na Costiera Amalfitana pela primeira vez costuma levar um susto. A estrada é estreita, cheia de curvas, com penhascos que despencam direto no mar Tirreno. E é justamente esse exagero geográfico que torna a região tão particular. Os vilarejos brancos pendurados em encostas, as plantações de limão sustentadas por muros de pedra antigos, as torres de vigia que sobraram dos tempos em que sarracenos rondavam essa costa. Cada cidade tem sua personalidade, e cada parada vale por motivos diferentes.

A seguir, um olhar sobre dez pontos que ajudam a entender por que esse trecho da Campânia é considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1997, e por que tanta gente volta sempre que pode.

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Fiordo di Furore

É o tipo de lugar que não parece real quando você vê pela primeira vez. O Fiordo di Furore fica entre Praiano e Amalfi, e é uma fenda profunda na rocha, com uma praia minúscula no fundo, alcançada por uma escadaria que desce do alto da estrada. Por cima, passa uma ponte que faz parte da SS163, a famosa Strada Amalfitana.

O nome “fiordo” é meio licença poética, já que tecnicamente não é um fiorde de origem glacial como os noruegueses. É mais um ria, formado pela ação da água doce do córrego Schiato encontrando o mar. Mas pouco importa a tecnicalidade. O efeito visual é impressionante.

A vila de pescadores que existe ali embaixo, com casinhas brancas presas na rocha, é praticamente desabitada hoje. Sobraram poucas estruturas usadas como museu rural, lembrando o tempo em que famílias viviam isoladas, dependendo do mar e de uma única trilha. Em julho, acontece o Marmeeting, campeonato mundial de saltos de penhasco. Os atletas pulam da ponte, vinte e tantos metros acima da água. É um espetáculo curioso de assistir, mesmo de longe.

Quem quer fotografar o fiorde costuma parar em um pequeno mirante na própria estrada. Não há estacionamento decente ali, e o trânsito não perdoa. Vale fazer o esforço logo cedo, antes do fluxo de ônibus turísticos começar.

Sítio Arqueológico de Pompeia

Pompeia não está exatamente na Costa Amalfitana, mas está tão próxima que praticamente todo roteiro pela região inclui uma visita. E faz sentido. Ignorar Pompeia estando ali do lado seria desperdício.

A cidade foi soterrada pela erupção do Vesúvio em 79 d.C., e o que se vê hoje é um dos sítios arqueológicos mais completos do mundo. Não são apenas ruínas. São ruas inteiras, casas com afrescos preservados, padarias com fornos intactos, termas, anfiteatros, lupanares com pinturas eróticas nas paredes, jardins, fontes. Um retrato congelado de como funcionava uma cidade romana de porte médio no auge do Império.

O que mais marca quem visita são os moldes em gesso dos corpos. Quando os arqueólogos perceberam que havia cavidades nas camadas de cinza endurecida, formadas pelos corpos das vítimas que se decompuseram, começaram a injetar gesso nesses espaços. O resultado são figuras humanas em posições finais, algumas abraçadas, outras tentando se proteger. É perturbador. E também necessário.

A área visitável é gigantesca. Recomenda-se reservar pelo menos meio dia, com sapato confortável de verdade, porque o calçamento original é irregular e cansativo. No verão o sol castiga, e há pouca sombra. Levar água, chapéu e protetor solar não é luxo, é sobrevivência.

A entrada principal fica na Porta Marina, e o ingresso pode ser comprado online com antecedência, o que evita filas que costumam ser longas em alta temporada.

Catedral de Amalfi

A cidade de Amalfi é pequena, mas teve passado grande. Foi uma das quatro Repúblicas Marítimas italianas, junto com Veneza, Gênova e Pisa, e dominou o comércio mediterrâneo por séculos. Desse esplendor antigo, o que restou de mais visível é a catedral.

O Duomo di Sant’Andrea, ou Catedral de Santo André, fica no alto de uma escadaria longa que sai direto da praça principal. A subida já é parte da experiência, porque a fachada vai se revelando aos poucos, com os mosaicos dourados refletindo o sol. Esse tipo de fachada, em estilo árabe-normando, com listras pretas e brancas e arcos pontiagudos, mostra o quanto a região esteve em contato com a cultura árabe durante a Idade Média.

Dentro, vale prestar atenção em três coisas. A cripta, onde estão guardadas as supostas relíquias de Santo André, apóstolo de Cristo, trazidas de Constantinopla em 1208. O Claustro do Paraíso, com colunas finas e arcos entrelaçados, lindo de manhã quando a luz entra de viés. E o museu diocesano, instalado na antiga basílica do Crucifixo, com peças que mostram o passado bizantino e medieval da cidade.

A catedral fica aberta a maior parte do dia, mas há restrições durante missas. Convém checar antes.

Gruta Esmeralda

Entre Amalfi e Praiano, dentro do território de Conca dei Marini, existe uma caverna marinha conhecida como Grotta dello Smeraldo. O acesso é feito por elevador a partir da estrada, ou por barco saindo do porto de Amalfi.

O nome vem da cor da água. Por causa de uma abertura submarina por onde a luz solar entra de baixo para cima, o interior da gruta fica banhado por uma luminosidade verde intensa, quase fluorescente em certos horários. Não é o azul vibrante da Gruta Azul de Capri, é um verde mais sereno, denso, parecido com a pedra esmeralda que dá nome ao lugar.

Lá dentro, pequenos barcos a remo conduzem os visitantes em um passeio curto, de uns dez minutos. O guia aponta as estalactites, as estalagmites que estão submersas (porque o nível do mar subiu desde que se formaram), e um curioso presépio de cerâmica colocado no fundo da água, visitado anualmente por mergulhadores no Natal.

É uma parada rápida, não exige muito tempo, mas vale como experiência diferente. Em dias nublados, o efeito da cor não é tão impressionante. Sol é fundamental aqui.

Villa Rufolo

Ravello é uma cidade que fica acima de Amalfi, no alto da montanha. Para chegar, é preciso subir uma estrada cheia de curvas que parece nunca acabar. Mas chegar lá vale cada minuto. Ravello tem uma tranquilidade que falta nas cidades do nível do mar, e duas villas históricas que são paradas obrigatórias. Uma delas é a Villa Rufolo.

Construída no século XIII pela família Rufolo, mercadores ricos da época, a villa passou por períodos de abandono e foi restaurada no século XIX por um aristocrata escocês, Francis Nevile Reid. O resultado é um conjunto de jardins em terraços, com vista direta para o golfo de Salerno, ruínas medievais, torres, claustros e uma das vistas mais fotografadas da Itália.

Foi nesses jardins que Richard Wagner se inspirou para o cenário do segundo ato de Parsifal, em 1880. Ele escreveu no livro de visitas que havia encontrado o “jardim mágico de Klingsor”. Em homenagem, todo verão acontece o Ravello Festival, com concertos ao ar livre em um palco montado sobre o penhasco. Tocar Wagner ali, ao pôr do sol, com o mar de fundo, é experiência rara.

Mesmo fora do festival, a villa vale a visita. Os jardins são bem cuidados, com canteiros que mudam ao longo do ano, e o belvedere com vista para Maiori e Minori é hipnótico.

Faraglioni di Capri

Capri é uma ilha pequena no golfo de Nápoles, e seus rochedos mais famosos são os Faraglioni. São três pilares de pedra calcária que surgem do mar bem na costa sul da ilha, perto dos Giardini di Augusto.

Cada um tem nome próprio. Stella é o que está colado na ilha. Faraglione di Mezzo é o do meio, e tem um arco natural por onde os barcos passam. Scopolo é o mais distante, e abriga uma espécie endêmica de lagarto azul, que só existe ali, com uma coloração impressionante por causa da adaptação ao ambiente.

O passeio de barco contornando os Faraglioni é praticamente uma assinatura de Capri. Atravessar o arco do Faraglione di Mezzo é ritual. Dizem que dar um beijo bem na hora da passagem traz sorte no amor. Esse tipo de lenda turística pode parecer bobagem, mas é difícil não entrar no clima.

Para quem prefere ver os Faraglioni de cima, o melhor mirante é o dos Giardini di Augusto, em Capri vila, ou o caminho do Pizzolungo, uma trilha que sai de Tragara e contorna parte da costa, com vistas que deixam qualquer um sem ar.

Gruta Azul, Capri

A Grotta Azzurra é provavelmente a atração mais famosa de Capri, e talvez de todo o golfo. É uma caverna marinha onde a luz do sol, ao entrar por uma abertura submersa, ilumina a água de um azul elétrico difícil de descrever. Quem já viu, sabe. Quem não viu, mesmo as fotos não fazem total justiça.

A entrada é minúscula. Os visitantes precisam se transferir para barcos a remo bem pequenos, deitar quase dentro do barco, e o barqueiro puxa uma corrente fixada na rocha para entrar no momento certo da onda. Lá dentro, o silêncio é estranho, e o azul parece vir de baixo.

Há controvérsias sobre o passeio. As filas costumam ser longas, especialmente entre 11h e 15h, quando o sol está mais alto e o azul mais intenso. O tempo dentro da gruta é curtíssimo, normalmente menos de cinco minutos. E o custo somando barco, taxa de entrada e gorjeta acaba não sendo trivial. Em dias de mar agitado, ela simplesmente fecha, sem aviso.

Mesmo com tudo isso, é uma das experiências mais singulares do Mediterrâneo. Os romanos já a conheciam. Foram encontradas estátuas dentro da gruta, e acredita-se que ela funcionava como uma espécie de ninfeu particular do imperador Tibério, que tinha villa em Capri.

Gruta Branca, Capri

Bem menos visitada que a irmã azul, a Grotta Bianca fica do outro lado da ilha, no lado leste, perto de Punta Vivara. O nome vem das formações de calcário branco que cobrem as paredes internas, criando um contraste forte com o azul-escuro da água profunda.

A entrada é mais alta e mais larga que a da Gruta Azul, o que permite a passagem de barcos maiores. Muitos passeios de volta à ilha incluem a Grotta Bianca no roteiro, junto com a Grotta Verde, que fica ali do lado e tem uma luminosidade esverdeada, e a Grotta Meravigliosa, com estalactites finas que descem do teto como cabelos.

Por estar fora do circuito mais óbvio, a Grotta Bianca tem um charme extra. É possível, em alguns passeios, até nadar perto da entrada. A água é cristalina, e o fundo de areia branca devolve a luz para cima, criando um efeito quase irreal.

Quem está em Capri por mais de um dia tem tempo de fazer um tour completo de barco pela ilha, e essas grutas menores, somadas, acabam rendendo mais lembranças que a passagem rápida pela Grotta Azzurra.

Reserva Marinha Punta Campanella

Na ponta extrema da Península Sorrentina, no exato ponto onde ela aponta para Capri, fica a Área Marinha Protegida de Punta Campanella. Foi criada em 1997 e abrange cerca de 1.500 hectares de mar, com regras rígidas de pesca, ancoragem e mergulho.

O nome vem de uma torre de vigia construída no século XIV, que tinha um sino. Quando os vigias avistavam navios sarracenos se aproximando, tocavam o sino para alertar os vilarejos. A torre ainda está lá, em ruínas, como testemunha desse passado tenso.

Para quem gosta de mergulho, a reserva é um dos melhores pontos de toda a Campânia. As águas são limpíssimas, a fauna marinha inclui polvos, moreias, garoupas, e até golfinhos eventualmente. Os pontos mais populares para snorkel são a Baía de Ieranto, acessível por uma trilha que sai de Nerano, e o entorno da própria Punta Campanella.

A Baía de Ieranto merece menção à parte. É administrada pelo FAI, o equivalente italiano de um trust nacional para proteção de patrimônio, e o acesso é feito a pé, em uma caminhada de uns 40 minutos descendo por entre oliveiras antigas. Quando se chega na praia, sem construções, sem barracas, sem barulho, dá para imaginar como toda a costa devia ser antes do turismo de massa.

Península Sorrentina

A Península Sorrentina é a faixa de terra que separa o Golfo de Nápoles do Golfo de Salerno, e é nela que fica boa parte da Costa Amalfitana propriamente dita, do lado sul, e Sorrento e arredores, do lado norte.

Sorrento, a cidade mais conhecida da península, tem um charme diferente das vilas amalfitanas. É maior, mais plana, com um centro histórico bem preservado, ruas para pedestres, lojas de marchetaria (uma tradição local de marcenaria com madeiras coloridas), e uma vida noturna mais animada. A Piazza Tasso, no coração da cidade, é o lugar onde tudo acontece. As varandas com vista para o mar, especialmente do Hotel Excelsior Vittoria e da Villa Comunale, dão para o Vesúvio do outro lado do golfo.

Além de Sorrento, vale a pena conhecer Massa Lubrense, vilarejo mais quieto e autêntico, e Sant’Agata sui Due Golfi, no alto da península, de onde se enxerga os dois golfos ao mesmo tempo em dias claros. A vista do Mosteiro do Deserto, em Sant’Agata, é um dos panoramas mais completos da região.

A cozinha da península é especial. É a terra do limoncello, feito com os limões IGP de Sorrento, enormes e perfumados. Os gnocchi alla sorrentina, com tomate, mussarela de búfala e manjericão, são clássicos. Os peixes do dia, grelhados com nada além de azeite, limão e sal, lembram que comida boa não precisa ser complicada. Provolone del Monaco, um queijo curado típico da região, vai bem com um vinho branco da costa, como o Falanghina ou o Greco di Tufo.

Como organizar o roteiro

A logística da Costa Amalfitana não é simples. A estrada é única, estreita, cheia de curvas, e em alta temporada (junho a setembro) o trânsito chega a parar completamente. Quem aluga carro precisa ter paciência e estômago. Estacionar é caro e difícil em qualquer cidade.

Para muita gente, a melhor solução é se hospedar em uma base e fazer passeios diários, alternando entre carro, ônibus SITA, ferry e excursões organizadas. Positano e Amalfi são as bases mais populares, com mais infraestrutura. Praiano fica entre as duas e tem hotéis com vistas espetaculares e ambiente mais calmo. Ravello é outra opção, mais alta, mais fresca, mais sofisticada.

Para Capri, o ideal é dormir uma ou duas noites na ilha. Os passeios bate e volta funcionam, mas a ilha tem uma vida noturna e uma luz no início da manhã que só quem fica para dormir conhece. Os ferries saem de Sorrento, Positano, Amalfi, Salerno e Nápoles, com mais frequência no verão.

Pompeia funciona bem como parada no caminho de chegada ou saída da costa, indo ou voltando de Nápoles. Combinar Pompeia com Vesúvio em um único dia é cansativo, mas factível.

A melhor época é provavelmente a virada da estação. Maio e início de junho oferecem temperaturas agradáveis, mar já navegável, e menos gente. Setembro e início de outubro também. Em julho e agosto, o calor pode ser intenso e tudo fica lotado. No inverno, muitos estabelecimentos fecham, mas a costa fica deserta, com luz dourada e clima nostálgico, para quem topa um perfil mais contemplativo de viagem.

Comparativo rápido das principais atrações

LugarMelhor forma de chegarTempo sugerido
Fiordo di FuroreCarro ou ônibus SITA1 hora
PompeiaTrem CircumvesuvianaMeio dia
Catedral de AmalfiA pé pelo centro1 a 2 horas
Gruta EsmeraldaBarco ou elevador30 a 45 minutos
Villa RufoloCarro ou ônibus até Ravello2 horas
Faraglioni di CapriBarco saindo da Marina Grande2 horas
Gruta AzulBarco a remo1 a 2 horas com fila
Gruta BrancaTour de barco pela ilhaIncluído no tour
Punta CampanellaTrilha a pé ou barcoMeio dia
Península SorrentinaCarro alugado1 a 2 dias

A Costa Amalfitana é daqueles destinos que poucos lugares no mundo conseguem rivalizar em concentração de beleza e história em poucos quilômetros. A combinação de mar, montanha, vilas medievais, ruínas romanas e tradição gastronômica forma um pacote difícil de igualar. Cada visita revela detalhes novos, e há sempre uma vila menor, uma trilha menos conhecida, uma trattoria escondida que ficou de fora da vez anterior. Talvez seja por isso que tanta gente volta. A Costiera tem um jeito de plantar saudade antes mesmo da despedida.

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