Hostels bem Avaliados Para Ficar em El Calafate
Hostels em El Calafate são a prova de que dá para conhecer o Perito Moreno gastando pouco com hospedagem — sem abrir mão de conforto, limpeza e boas companhias.

Existe um preconceito silencioso entre muitos viajantes brasileiros quando o assunto é hostel. A imagem mental que aparece é a de um quarto apertado, beliche com colchão fino, banheiro coletivo sem manutenção e aquele cheiro de mochila molhada que impregna tudo. Se você carrega essa imagem, El Calafate vai destruí-la. Os hostels dessa cidade patagônica operam num nível que desafia a ideia que a maioria das pessoas tem sobre hospedagem econômica. Quartos limpos, aquecimento no chão, vistas panorâmicas para o lago e montanhas, equipes que funcionam quase como agências de turismo pessoais, e ambientes sociais onde pessoas do mundo inteiro compartilham histórias depois de um dia no gelo. Não é albergue da juventude. É outra coisa.
El Calafate é uma cidade cara. As excursões custam caro. A entrada no parque nacional custa caro. O transfer até o Perito Moreno custa caro. O cordeiro patagônico no restaurante custa caro. Quando você soma tudo isso, entende por que tanta gente experiente escolhe hostel: porque o dinheiro economizado na hospedagem vai direto para a experiência que realmente importa — o gelo, o lago, a trilha, a paisagem que te faz esquecer de tudo.
Cinco hostels se destacam em El Calafate por combinar preço acessível com qualidade real. Cada um com sua personalidade, seu público e seus diferenciais.
America Del Sur Calafate Hostel — o gigante com nota 9,5 e quase 5.000 avaliações
Quando um hostel tem 4.793 avaliações e mantém uma nota de 9,5 no Hostelworld, algo extraordinário está acontecendo ali. O America Del Sur não é apenas o hostel mais popular de El Calafate — é um dos mais bem avaliados de toda a Argentina. E entender o porquê é entender o que faz uma hospedagem funcionar de verdade.
O hostel fica a 7 minutos a pé do centro, numa posição ligeiramente elevada que lhe dá uma vista panorâmica absurda para as montanhas e o Lago Argentino. Essa vista é o cartão de visita. Imagine voltar do Perito Moreno no fim da tarde, sentar na área comum do hostel com uma cerveja na mão e olhar para aquele cenário enquanto o sol desce. É o tipo de momento que hotel nenhum de 500 dólares a diária garante, mas que o America Del Sur entrega por uma fração disso.
Os números detalhados das avaliações mostram por que o hostel funciona tão bem:
- Funcionários: 9,8 — a nota mais alta de todas as categorias. A equipe é simpática, bem preparada, fala português e está sempre pronta para explicar os passeios disponíveis e conseguir os melhores preços.
- Segurança: 9,7 — num hostel, segurança é tudo. Os hóspedes se sentem seguros ali.
- Limpeza: 9,7 — outra nota altíssima. Ninguém reclama de banheiro sujo ou quarto mal cuidado.
- Instalações: 9,5 — a estrutura física acompanha o serviço.
- Custo-benefício: 9,5 — os hóspedes sentem que pagam pouco pelo que recebem.
- Ambiente: 9,3 — social, relaxado, com música e gente do mundo inteiro.
- Localização: 9,3 — perto o suficiente do centro, longe o suficiente do barulho.
O America Del Sur oferece quartos para 1, 2, 3 e 4 pessoas. E aqui vem um detalhe que separa esse hostel de praticamente todos os outros: todos os quartos têm banheiro privativo e aquecimento no chão. Isso não é comum em hostel — na verdade, é raro. Acordar num dia frio da Patagônia e pisar no chão aquecido em vez de num piso gelado faz uma diferença enorme no conforto.
Os quartos duplos podem ter duas camas de solteiro ou cama de casal, e têm cofre de segurança. Os quartos quádruplos (que são os dormitórios) contam com um armário grande por pessoa. Todos os quartos incluem café da manhã, toalhas e roupas de cama no preço.
O hostel oferece estacionamento gratuito, mapas da cidade, Wi-Fi gratuito, translado do aeroporto, sala de reuniões e estacionamento para bicicletas. As áreas comuns são generosas — há espaço para socializar, cozinhar, jogar conversa fora.
Uma hóspede brasileira, Heloísa, resumiu bem em dezembro de 2024: “Vista incrível e um ótimo espaço pra interação. A equipe é maravilhosa.” Uma viajante francesa deu nota 10 e chamou o America Del Sur de “uma das melhores auberges da Argentina”. Outra avaliação de um brasileiro menciona ter sido recepcionado às 2h da manhã por um funcionário simpático que o cumprimentou pelo nome, em português. São detalhes assim que transformam uma nota 9,5 em algo concreto.
O check-in funciona das 0h às 23h. Check-out às 10h. A política de cancelamento é de 48 a 72 horas antes da chegada, dependendo do período da reserva.
Aonikenk House — o B&B com gatos, jardim e nota 9,3
O Aonikenk House é tecnicamente um bed & breakfast, mas funciona na prática como aquele hostel acolhedor onde o dono sabe seu nome e os gatos da casa vêm te fazer companhia no jardim. Localizado na Padre De Agostini 27, ele fica a cerca de 2 km do centro de El Calafate, numa rua tranquila, afastado do fluxo turístico principal.
Com nota 8,8 no Trivago (374 avaliações), 9,3 no Bedandbreakfast.eu (96 avaliações) e 9,9 no Airpaz (6 avaliações — amostra pequena, mas perfeita), o Aonikenk ocupa um nicho muito específico: é para quem quer a experiência de estar hospedado na casa de alguém, com a informalidade e o calor humano que isso implica.
O lugar foi recentemente reformado e tem 7 quartos, incluindo opções duplas, triplas e quádruplas. Todos com banheiro compartilhado (não privativo), roupas de cama, toalhas e vista — alguns para o lago, outros para o jardim ou o pátio interno. Os quartos são de 11 a 12 m², o que é compacto, mas funcional.
Os anfitriões, Isabel e Sebastián, são mencionados repetidamente nas avaliações como o grande diferencial do Aonikenk. A Trivago descreve o lugar como tendo uma “atmosfera caseira e acolhedora onde os donos fazem os hóspedes se sentirem como família”. Há três gatos residentes que circulam pela propriedade — detalhe que pode parecer irrelevante, mas que para muitos viajantes solitários é exatamente o tipo de companhia que torna uma estadia especial.
O café da manhã é generoso e variado, consistentemente elogiado pelos hóspedes. O Aonikenk tem Wi-Fi gratuito, estacionamento gratuito (com reserva), jardim, cozinha de uso comum, lounge compartilhado e self-check-in com código — uma praticidade para quem chega em horários incomuns.
A localização merece atenção: a 5 km do Lago Argentino, a 1,4 km do Museu Regional, a 2,3 km da Laguna Nimez e a 21 km do aeroporto. Não é o lugar mais central da lista, mas o próprio Aonikenk organiza translado pago para o aeroporto. A rua é silenciosa, o entorno é verde e a sensação geral é de refúgio.
Não aceita animais de estimação e não acomoda crianças — é voltado para adultos, casais e viajantes independentes.
Folk Hostel — o moderno feito por viajantes para viajantes
O Folk é o hostel que você recomendaria para um amigo que nunca ficou em hostel e tem medo de experimentar. É moderno, limpo, bonito e organizado de um jeito que faz qualquer resistência desaparecer. Com nota 9,4 no Hostelworld (619 avaliações), ele se posiciona como o principal concorrente do America Del Sur no segmento de hostels de qualidade em El Calafate.
Localizado a 200 metros da rodoviária e a 10 minutos a pé da área comercial, o Folk ocupa um bairro que a própria descrição do hostel define como “bastante rural e descontraído, com vista para o Cerro Calafate”. É uma localização estratégica: perto o suficiente de tudo que importa, com mercearia e farmácia nas proximidades, mas com aquela tranquilidade de bairro residencial.
O que faz o Folk funcionar tão bem é o conceito. Foi criado, literalmente, por viajantes para viajantes — e isso se reflete em cada detalhe. Os espaços são amplos, iluminados pelo sol, confortáveis. A equipe é formada por anfitriões jovens e entusiasmados que conhecem a região em detalhes e ajudam a montar roteiros personalizados. Não é aquele atendimento de recepção de hotel — é uma conversa real, com dicas reais, de gente que ama o que faz.
A estrutura de quartos é completa:
- Dormitórios compartilhados para 4 e 8 pessoas, com colchões de qualidade, roupas de cama confortáveis, armários grandes (traga seu cadeado), luzes individuais e tomadas por cama. Os banheiros compartilhados são espaçosos, com chuveiros, lavatórios, secadores de cabelo e sanitários — tipo vestiário, evitando aquele congestionamento clássico de hostel.
- Quartos privativos com banheiro compartilhado, para quem quer mais privacidade gastando menos.
- Quartos privativos com banheiro privativo (ensuite), equipados com banheira, secador de cabelo, toalhas e amenidades. Esses quartos competem diretamente com pousadas da cidade.
O café da manhã é incluído e bem avaliado. Há cozinha compartilhada completa para quem quer cozinhar, lavanderia, guarda-volumes, área para descanso com jogos de tabuleiro e livros, estacionamento e Wi-Fi.
O Folk também organiza jantares comunitários — pratos simples preparados na cozinha do hostel, servidos num ambiente social onde os hóspedes compartilham a mesa. Não é obrigatório, mas é o tipo de experiência que define a cultura de hostel na sua melhor versão. Você senta com um japonês, um alemão e um casal chileno, dividem uma garrafa de Malbec e trocam histórias sobre o gelo que viram de manhã. Essas cenas não se compram. Elas acontecem.
Outro detalhe: o Folk faz questão de comunicar valores de respeito e convivência. É um hostel que atrai um público maduro — não no sentido de idade, mas de atitude. Não é hostel de festa. É hostel de viajante.
Hostel House 64Bigüa — o pequeno e autêntico a meio quarteirão da avenida principal
O 64Bigüa é o oposto de um mega-hostel. São apenas 2 dormitórios com 4 camas cada, o que resulta em no máximo 8 hóspedes ao mesmo tempo. Essa escala mínima é justamente o que atrai quem busca uma experiência mais íntima, caseira e sem o agito de um hostel maior.
Localizado na Casimiro Bigüa 64, a meia quadra da Avenida Del Libertador — a rua principal de El Calafate —, o 64Bigüa tem uma das localizações mais práticas entre todos os hostels da cidade. Saindo pela porta, você está a passos de minimarket, lojas, banco, posto de gasolina e o anfiteatro del bosque. Para quem viaja sem carro, é uma vantagem enorme.
Os dormitórios são simples, mas bem cuidados: 2 beliches por quarto, 4 armários grandes com espaço de sobra, lençóis limpos, cobertores, álcool gel e boa ventilação. Os quartos têm vista para o pátio interno e aquecimento funcional — essencial nos meses frios.
O hostel oferece cozinha compartilhada totalmente equipada (com micro-ondas, tostadeira, chaleira, fogão, geladeira e utensílios), banheiro compartilhado com secador de cabelo e bidê, sala de estar com TV, jardim com churrasqueira, Wi-Fi gratuito e estacionamento gratuito. Há também café da manhã continental incluído, informações turísticas e câmbio de moeda.
O que o 64Bigüa promete é um ambiente caseiro — aquecido, limpo, organizado, com atenção às necessidades dos hóspedes. O check-in é das 13h às 21h, e o check-out às 10h. O pagamento é feito na chegada e apenas em dinheiro — detalhe importante para quem depende de cartão.
Para viajantes solo ou duplas que querem gastar o mínimo possível com hospedagem, estar no coração da cidade e ter uma base funcional para sair todo dia cedo e voltar à noite, o 64Bigüa entrega exatamente isso. Sem pretensão, sem excesso, sem enrolação.
Edelweiss Hostel — a opção discreta que completa o mapa
O Edelweiss Hostel opera no estilo clássico de hostel patagônico: quartos compartilhados e privativos, áreas comuns para socialização, cozinha, Wi-Fi e café da manhã. O nome remete à pequena flor alpina — símbolo de resistência e beleza em condições difíceis — o que, pensando bem, é uma metáfora razoável para qualquer hospedagem que funcione bem na Patagônia.
O Edelweiss atende um público que busca o essencial bem feito: cama limpa, banho quente, um lugar para preparar comida e informações sobre o que fazer na região. Não é o hostel com a estrutura mais impressionante da lista, nem tem o volume de avaliações do America Del Sur ou do Folk, mas tem seu público fiel.
Para quem está montando um roteiro pela Patagônia e precisa de uma base em El Calafate que caiba no orçamento de mochileiro, o Edelweiss resolve a equação sem complicação. O aquecimento funciona, a limpeza é mantida, e a localização permite acesso ao que a cidade oferece.
Hostels menores como o Edelweiss têm uma vantagem silenciosa: a escala reduzida geralmente significa menos ruído, menos fila no banheiro e mais atenção individual. Nem todo mundo quer o agito de um hostel de 50 camas. Às vezes o que se precisa é um canto quieto para dormir depois de oito horas caminhando sobre o gelo.
Como o hostel muda a experiência em El Calafate
Ficar em hostel na Patagônia não é apenas uma questão de economia. É uma escolha que transforma a viagem de forma sutil mas significativa.
A primeira transformação é financeira e óbvia. Uma cama no America Del Sur custa uma fração do que se paga num quarto de hotel 4 estrelas. Essa diferença pode significar um trekking extra no gelo, uma navegação pelos icebergs do Canal de los Témpanos, ou simplesmente mais dias na região. El Calafate não é um destino de um dia — são necessários pelo menos três ou quatro dias para aproveitar os principais passeios. Cada noite economizada na hospedagem é uma noite a mais que se pode ficar.
A segunda transformação é social. Hostels atraem gente de todo o mundo, e em El Calafate isso se amplifica: é um destino que atrai viajantes de longa distância, pessoas que estão fazendo a Patagônia inteira, mochileiros veteranos e casais aventureiros. A conversa na cozinha do Folk ou no terraço panorâmico do America Del Sur pode render informações que nenhum guia turístico publicou — trilhas alternativas, restaurantes que só os locais conhecem, dicas de como conseguir desconto numa excursão, ou simplesmente a história de alguém que acabou de fazer o mesmo passeio que você vai fazer amanhã.
A terceira transformação é prática. Hostels como o Folk e o 64Bigüa oferecem cozinha compartilhada, o que permite preparar refeições simples. Num destino onde um prato de cordeiro pode custar o equivalente a uma diária de hostel, cozinhar o próprio almoço ou jantar não é mesquinharia — é inteligência viajante. Comprar pão, queijo, presunto e frutas no minimarket e montar um lanche para levar ao parque nacional é uma estratégia que todo viajante experiente conhece.
Qual hostel escolher
A resposta depende do perfil da viagem.
Se você quer a experiência completa de hostel premium — vista espetacular, quartos com banheiro privativo, aquecimento no chão, equipe nota 10 e ambiente social vibrante — o America Del Sur é a escolha óbvia. É o hostel mais bem avaliado da cidade por um motivo.
Se você prefere algo moderno, organizado e com um público mais tranquilo, o Folk é o lugar. Criado por viajantes que sabem o que viajantes precisam, ele equilibra privacidade e convivência de um jeito que poucos hostels conseguem.
Se você busca intimidade, calor humano e a sensação de estar na casa de alguém, o Aonikenk House oferece isso com café da manhã farto, gatos simpáticos e anfitriões que tratam hóspede como amigo.
Se você quer gastar o mínimo absoluto sem abrir mão de localização central, o 64Bigüa coloca você a meio quarteirão da avenida principal com cozinha, churrasqueira e café da manhã continental por um valor que desafia qualquer orçamento.
E se você quer simplesmente um canto quieto e funcional para descansar entre excursões, o Edelweiss cumpre o papel sem drama.
Dicas práticas para quem vai de hostel em El Calafate
O frio é o fator que mais pega desprevenidos. Mesmo no verão (dezembro a fevereiro), as temperaturas podem cair à noite e o vento patagônico não perdoa. Todos os hostels desta lista têm aquecimento, mas levar um saco de dormir leve como camada extra nunca é má ideia, especialmente em dormitórios compartilhados onde você não controla a temperatura.
Leve cadeado próprio para os armários dos dormitórios. A maioria dos hostels oferece armários, mas o cadeado é por sua conta. Um cadeado pequeno de combinação resolve.
Reserve com antecedência. O America Del Sur e o Folk lotam na alta temporada (outubro a março) com semanas de antecedência. Se a viagem está marcada para dezembro, janeiro ou fevereiro, reservar dois meses antes não é exagero.
Dinheiro em mãos. Alguns hostels, como o 64Bigüa, só aceitam pagamento em dinheiro na chegada. Mesmo nos que aceitam cartão, ter pesos argentinos ou dólares em espécie é útil — caixas eletrônicos em El Calafate podem ter fila e limite de saque.
O café da manhã incluído em hostels como o America Del Sur e o Folk costuma ser simples — pão, geleia, café, chá — mas suficiente para iniciar o dia. Para excursões longas (Perito Moreno, trekking, navegação), o ideal é complementar com algo mais substancial comprado no minimarket.
E talvez o conselho mais importante: não julgue pela categoria. El Calafate é uma cidade onde um hostel com nota 9,5 pode entregar uma experiência mais memorável do que um hotel com nota 8,5. O que define a qualidade de uma hospedagem na Patagônia não é o número de estrelas — é o calor do aquecimento quando você chega molhado e exausto, a vista que te espera pela janela, e a pessoa na recepção que sabe seu nome e pergunta como foi o dia no gelo.