Hospedagem Para Mochileiros em Viena na Áustria

Viena tem a reputação de cidade cara, e ela não é completamente injusta. A capital austríaca cobra o que cobra porque entrega uma densidade de cultura, beleza e refinamento que poucas cidades europeias conseguem manter no mesmo nível. Palácios imperiais que foram centros de poder de um dos maiores impérios da história. Museus com coleções que levam dias para ver. Ópera funcionando com tradição ininterrupta desde 1869. Cafés históricos onde Freud e Mahler sentavam para pensar, e que seguem servindo café com chantilly como se o século XX tivesse sido apenas um intervalo.

a&o Wien Stadthalle

O problema não é Viena ser cara — é que muitos viajantes acham que hospedagem cara é inevitável. Não é. A rede a&o tem duas unidades em Viena, com localizações diferentes e propostas complementares, e as duas entregam o que importa para quem quer a cidade sem pagar como se o quarto fosse parte da experiência: o a&o Wien Stadthalle, no bairro de Ottakring a oeste do centro, e o a&o Wien Hauptbahnhof, ao lado da estação principal, com terraço panorâmico sobre a cidade. Para famílias, grupos escolares, viajantes solo ou quem mistura turismo com trabalho, as duas opções existem, e a escolha depende mais de estilo do que de qualidade.


O a&o Wien Stadthalle: Ottakring, a Linha U6 e o Lado Vienense da Vida

O a&o Wien Stadthalle fica no Lerchenfelder Gürtel, 9-11, no bairro de Ottakring — a cerca de 2,3 quilômetros do centro histórico, com acesso direto pela linha U6 do metrô, que tem parada Burggasse-Stadthalle a três minutos a pé. A Westbahnhof — a estação de trem do oeste de Viena, que conecta para Salzburgo, Munique e o resto da Europa Central — fica a uma parada de metrô ou a 900 metros a pé.

Ottakring é um bairro com personalidade. Historicamente habitado por trabalhadores, imigrantes e artistas, desenvolveu ao longo do século XX uma identidade multicultural e uma cena boêmia que hoje inclui mercados de rua, bares nos arcos da ferrovia (Stadtbahn-Bögen) entre Josef-Städter-Straße e Alserstraße, e o 7º distrito vizinho — Neubau — que é o favorito dos estudantes, fãs de vintage e artistas vienenses. Do lado oposto do hostel fica o Lugner City, um centro comercial de grande escala com supermercados e lojas de conveniência que facilitam a logística da viagem.

No Trip.com, com 117 avaliações, o a&o Stadthalle tem nota geral 8,5 — com localização em 8,7, limpeza em 8,7, serviço em 8,5. O staff recebe elogios consistentes. Os quartos têm banheiro privativo, TV de tela plana e ar-condicionado. Há bar no lobby, café da manhã buffet disponível (cobrado à parte), aluguel de bicicletas, estacionamento, salas de reunião, serviço de lavanderia e guarda de bagagem. Animais são aceitos por €15 adicionais por noite.


O a&o Wien Hauptbahnhof: A Estação Central, o Belvedere e o SkyBar

O a&o Wien Hauptbahnhof fica ao lado da estação central de Viena — o Wien Hauptbahnhof, inaugurado em sua forma definitiva em 2015 como o hub ferroviário mais moderno da Áustria. A posição é estratégica: de lá saem trens para Salzburgo, Graz, Bratislava, Budapeste e praticamente toda a Europa Central. A linha U1 do metrô conecta ao centro em poucos minutos. O Palácio Belvedere fica a distância caminhável — menos de quinze minutos a pé pela Prinz-Eugen-Straße.

O diferencial desta unidade é o SkyBar na cobertura. Uma vista panorâmica sobre os telhados de Viena, onde a silhueta da Catedral de Santo Estêvão aparece no horizonte, é o tipo de experiência que nenhum quarto de hotel comum oferece — e aqui está incluída na hospedagem como espaço de convivência. O Hostelworld registra nota 7,2 com mais de 3.200 avaliações, com menção frequente ao staff prestativo, à localização excepcional e ao diferencial da varanda com vista.

Ambas as unidades têm recepção vinte e quatro horas, bar com lanches e bebidas, salas de reunião e conferência equipadas, serviço de lavanderia e dormitórios femininos para quem viaja sozinha e prefere essa configuração. O hostel organiza eventos regulares — noites de comédia, música ao vivo, piano evenings — que transformam o saguão num espaço social funcional além do simples pernoite.


A Catedral de Santo Estêvão e o Coração do Primeiro Distrito

Toda viagem a Viena começa naturalmente no Stephansplatz — a praça onde a Catedral de Santo Estêvão (Stephansdom) existe desde o século XII e nunca parou de ser construída, ampliada ou reformada. O telhado de telhas coloridas em padrão geométrico é visível de quase qualquer ponto do centro histórico. As torres assimétricas — a sul completada em 1433, a norte inacabada até hoje com um capacete renascentista que o dinheiro dos Habsburgos nunca completou — contam uma história de ambição que a realidade eventualmente interrompeu.

O interior tem uma escala desconcertante. A nave central tem 107 metros de comprimento e os pilares góticos sobem dezesseis metros antes de se encontrarem. Os túmulos imperiais e as capelas laterais acumulam séculos de história austríaca. Subir a torre sul — 343 degraus — dá uma vista sobre os telhados de Viena que ainda hoje, com os edifícios modernos ao fundo, tem uma beleza poderosa. A entrada no interior da catedral é gratuita; as torres, a cripta e o tesouro têm ingressos separados a preços acessíveis.

Do Stephansplatz, o centro histórico se abre em todas as direções. A Graben — a rua pedonal que liga a praça ao centro comercial mais elegante da cidade — tem a Coluna da Praga (Pestsäule), o monumento barroco erguido em 1693 para agradecer o fim de uma epidemia de peste que matou 76.000 vienenses. A Kohlmarkt leva ao Michaelerplatz e à entrada principal do Palácio Hofburg, que foi a residência dos Habsburgos por seis séculos.


O Palácio Hofburg: Onde os Habsburgos Viviam, Trabalhavam e Governavam

O Hofburg não é um palácio. É um complexo de palácios, museus, arquivos, apartamentos imperiais e salas de estado que se acumularam ao longo de séculos sem um plano unificado — cada imperador construía o que queria, e o resultado é uma cidade dentro da cidade com 2.600 salas, 19 pátios e uma área de 240 mil metros quadrados.

O Imperial Apartments preservam os quartos onde o Imperador Francisco José e a Imperatriz Sissi viveram. O Museu Sisi, integrado na visita, conta a história da Imperatriz Elisabeth de uma forma que vai além do glamour das pinturas oficiais — uma mulher profundamente infeliz com o protocolo da corte, que passava horas fazendo ginástica, viajava obsessivamente para escapar de Viena e foi assassinada em Genebra em 1898 por um anarquista italiano que escolheu a vítima ao acaso. A coleção inclui seus utensílios de ginástica, os espartilhos que usava para manter a cintura de 51 centímetros e a réplica da faca com que foi morta.

O Tesouro Imperial (Schatzkammer) guarda as jóias da coroa dos Habsburgos, incluindo a Coroa do Sacro Império Romano-Germânico — o objeto mais antigo e mais simbolicamente carregado da coleção, fabricado provavelmente no século X.

A Escola Espanhola de Equitação, também dentro do Hofburg, é um espetáculo em si: os cavalos Lipizaner brancos realizam apresentações de haute école — a forma mais refinada de equitação, desenvolvida durante séculos pela corte imperial — num picadeiro barroco do século XVIII. Os ingressos para as apresentações esgotam com antecedência; os treinos matinais são acessíveis a preços menores e igualmente impressionantes.


O Palácio de Schönbrunn: 1.441 Salas e o Jardim Mais Bonito da Áustria

Se o Hofburg era o palácio de trabalho dos Habsburgos, Schönbrunn era o de descanso — o Versalhes austríaco, construído e ampliado ao longo dos séculos XVII e XVIII até chegar às suas 1.441 salas atuais. A fachada amarela-ocre característica, que gerou a cor conhecida até hoje como Schönbrunn-gelb, domina o horizonte do sul de Viena com uma imponência que ainda surpreende mesmo para quem já viu dezenas de fotografias.

O palácio é a atração mais visitada da Áustria, e os ingressos esgotam nos fins de semana de alta temporada. A reserva antecipada online é altamente recomendada. Existem dois tipos principais de visita: a Grand Tour, com acesso a 40 aposentos, e a Imperial Tour, com 22 aposentos. O que mais impressiona, além da arquitetura e dos interiores dourados, é o Jardim Privy e os terraços em cascata que sobem até a Gloriette — a estrutura neoclássica no topo da colina que oferece a vista mais fotografada de Viena, com o palácio em primeiro plano e a cidade se espalhando ao fundo.

O zoológico de Schönbrunn (Tiergarten Schönbrunn), dentro dos jardins, foi fundado em 1752 e é o zoológico mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Os jardins formais são de acesso gratuito durante o dia.


O Palácio Belvedere e O Beijo de Klimt

O Belvedere é provavelmente o palácio mais fotografável de Viena — não pela grandiosidade opressiva do Schönbrunn, mas pela elegância do conjunto: dois palácios barrocos separados por jardins formais em terraços, com o Belvedere Superior refletindo no espelho d’água dos canais. Foi construído para o Príncipe Eugênio de Sabóia no início do século XVIII, e hoje é Patrimônio Mundial da Unesco.

O que atrai a maioria dos visitantes é O Beijo — a pintura de Gustav Klimt de 1907-1908, hoje no Belvedere Superior, que mostra um casal abraçado numa explosão de ouro e ornamentos que definem a estética da Secessão Vienense. É uma das pinturas mais reproduzidas do mundo, e vê-la ao vivo — com suas dimensões reais de 180 por 180 centímetros, o ouro genuinamente dourado e os detalhes de têmpera que nenhuma reprodução digital captura — é uma experiência diferente de qualquer cópia.

O Belvedere Superior também abriga a maior coleção de obras de Klimt do mundo, além de Egon Schiele, Oskar Kokoschka e toda a escola austríaca do Jugendstil e da Secessão. O ingresso para o Belvedere Superior — a partir de €19,50 — é um dos mais bem aproveitados de Viena.


A Ringstrasse e o MuseumsQuartier

A Ringstrasse é o mais audacioso projeto urbanístico da Viena imperial. O Imperador Francisco José mandou demolir as antigas muralhas medievais em 1857 e construir no seu lugar um bulevar circular de cinco quilômetros ladeado pelos edifícios mais representativos do Estado austríaco: a Ópera Estatal (Wiener Staatsoper), o Parlamento de mármore branco, a Prefeitura neogótica, o Burgtheater, o Kunsthistorisches Museum e o Naturhistorisches Museum — dois museus gêmeos em frente um ao outro, separados pela escultura de Maria Teresa.

Caminhar pela Ringstrasse é uma aula de arquitetura histórica europeia concentrada num único bulevar. Não custa nada. Já visitar os museus dentro dele — o Kunsthistorisches com sua coleção de Vermeer, Bruegel, Tiziano e Cellini, o Naturhistorisches com sua Vênus de Willendorf de 28 mil anos — custa a partir de €15 cada.

O MuseumsQuartier, logo atrás dos museus gêmeos, é um dos maiores complexos culturais do mundo: antigas cocheiras imperiais transformadas em museus modernos — o Leopold Museum com Klimt, Schiele e a maior coleção de arte austríaca do século XX, o MUMOK com arte moderna e contemporânea, o Kunsthalle — em torno de um pátio central que funciona como espaço de encontro dos vienenses nas noites quentes de verão.


Os Cafés Históricos: Uma Instituição Protegida pela Unesco

Viena levou a cultura dos cafés tão a sério que a Unesco incluiu o Wiener Kaffeehauskultur — a cultura dos cafés vienenses — na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2011. Não é exagero. Os grandes cafés de Viena — Café Central, Café Landtmann, Café Hawelka, Café Sacher, Café Demel — não são simplesmente lugares para tomar café. São instituições com história literária e intelectual que atravessa séculos.

O Café Central, no Palais Ferstel perto do Hofburg, tem um interior de abóbadas góticas e colunas de mármore que rivaliza com qualquer espaço arquitetônico da cidade. Foi aqui que Leon Trotsky jogava xadrez com regularidade antes de 1917, que Freud se reunia com colegas, que a intelligentsia austro-húngara discutia política e estética. O café serve Melange — o café com espuma de leite vaporizado que é o equivalente vienense do cappuccino — e pastéis como o Apfelstrudel morno com creme e o Topfenpalatschinken, os crepes recheados com queijo ricota da tradição austríaca.

Sachertorte é o bolo mais famoso da Áustria — e um dos raros casos em que um bolo virou objeto de disputa judicial. O Hotel Sacher e a Confeitaria Demel brigaram nos tribunais por décadas pela receita original e pelo direito de chamar o produto de Original Sachertorte. O Sacher ganhou. O bolo é um bolo de chocolate denso com uma camada de geleia de damasco e cobertura de chocolate. Não é particularmente complexo. Mas o peso histórico da sobremesa — criada em 1832 pelo jovem cozinheiro Franz Sacher para o Chanceler Metternich — e o ambiente do Café Sacher ao lado da Ópera fazem de comer uma fatia ali uma experiência que vai além da gastronomia.


A Ópera de Viena: Como Ver Sem Pagar Preço de Camarote

A Wiener Staatsoper é uma das casas de ópera mais prestigiadas do mundo. O edifício — inaugurado em 1869, parcialmente destruído em 1945 e reconstruído com o mesmo esplendor nos anos 1950 — tem uma temporada de praticamente trezentos espetáculos por ano, com um elenco e uma orquestra que mantêm o padrão que o nome exige.

Os ingressos para as melhores posições custam dezenas ou centenas de euros e esgotam com antecedência. Mas existe uma alternativa que poucos guias mencionam: os ingressos em pé (Stehplätze), vendidos nas bilheterias do teatro nas horas anteriores ao espetáculo, custam €3 a €4 e permitem assistir à ópera na plateia de pé — numa tradição de democratização que a Ópera de Viena mantém há décadas. A fila começa horas antes. Mas chegar cedo, fazer a fila e assistir a uma ópera completa na Staatsoper por €3 é uma das experiências mais extraordinárias que uma cidade europeia oferece a um orçamento limitado.


A Gastronomia Vienense: O Wiener Schnitzel e o Naschmarkt

Wiener Schnitzel autêntico é feito com vitela — não com porco, que tecnicamente deve ser chamado de Schnitzel Wiener Art (estilo vienense). A carne é batida e afinada, empanada em farinha, ovo e farinha de rosca, e frita em banha ou manteiga clarificada até dourar. Servido com fatia de limão e salada de batatas com vinagre, é um dos pratos mais simples e mais satisfatórios da culinária centro-europeia. Encontrar um bom num restaurante de bairro fora das áreas turísticas mais intensas — especialmente nos distritos além da Ringstrasse — custa substancialmente menos do que nos restaurantes com letreiro em cinco idiomas próximos do Stephansplatz.

O Naschmarkt é o mercado mais famoso de Viena — um mercado coberto e ao ar livre na Linke Wienzeile, fundado no século XVI e ainda funcionando com bancas de especiarias, queijos austríacos, peixes fumados, oliveiras, vinhos da Baixa Áustria e comida de rua de dezenas de culturas. Aos sábados, um mercado de pulgas estende-se ao longo do mercado principal, transformando a área num dos melhores encontros entre gastronomia e antiguidades da Europa Central. É de acesso gratuito, os preços nas bancas são os de um mercado real e não de uma atração turística.


Quando Ir e Como Chegar

Viena funciona bem em qualquer época, mas a primavera — de abril a junho — e o início do outono — setembro e outubro — são os períodos com clima mais equilibrado, multidões gerenciáveis e preços de hospedagem fora do pico absoluto. O verão vienense pode ser quente, com julho e agosto sendo a temporada mais cara e mais lotada.

O período natalino, de meados de novembro até o Natal, tem uma magia própria: os mercados de Natal (Christkindlmärkte) surgem em frente ao Palácio Schönbrunn, ao Rathaus e em diversas praças do centro, com barracas de Glühwein, artesanato e doces tradicionais que transformam as praças frias em lugares generosos. O inverno depois do Natal é mais sossegado e mais barato.

O Aeroporto Internacional de Viena (VIE) fica a 18 quilômetros do centro. O City Airport Train (CAT) faz o percurso em 16 minutos sem paradas; o trem local S7 leva 30 minutos com mais uma parada e custa menos da metade. Da Westbahnhof, o a&o Stadthalle fica a novecentos metros. Da Hauptbahnhof, o a&o Hauptbahnhof é literalmente vizinho.


Viena não é uma cidade que se convence facilmente a ser barata. Mas tem a generosidade de uma cidade que construiu museus públicos extraordinários, mantém a cultura como parte do serviço público e entende que o acesso à arte não deveria ser restrito por classe social — mesmo que os Habsburgos nunca tenham pensado exatamente assim. O a&o resolve a hospedagem dos dois lados desta equação: do lado do viajante que quer gastar o orçamento na Ópera e no Belvedere, não no quarto onde vai dormir.

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