Guia Sobre Dinheiro na Viagem na Coréia do Sul
Como funciona o dinheiro na Coréia do Sul: cédulas e moedas de won, conversão para real, onde trocar, uso de cartão, WOWPASS, T-money, saques e quanto levar em espécie para não passar aperto na viagem.

O won sul-coreano confunde brasileiro no primeiro contato porque os números são grandes. Você olha o preço de um lanche e vê 8.000. Parece caro, dá um susto, e só depois cai a ficha: são uns trinta reais. A Coréia é um país onde a matemática mental vira parte do passeio, ao menos nos primeiros dias. Depois disso, o cérebro se adapta e você começa a pensar direto em won, sem tradução.
Vale começar entendendo o que existe fisicamente na sua mão, porque isso ajuda muito.
Klook.comAs cédulas do won: quatro notas e nada mais
O sistema é enxuto. São quatro cédulas em circulação no dia a dia, e todas cabem numa carteira comum sem drama.
A nota de ₩1.000 é azulada e é a menor de todas. Em coreano, cheonwon. É o troco básico, a nota que sobra no bolso, aquela que você usa em máquina de bebida, em bala, em pequeno acréscimo. Estampa o rosto de Yi Hwang, um dos grandes pensadores confucianos coreanos, também conhecido como Toegye.
A de ₩5.000 é avermelhada, ocheonwon, e traz Yi I, outro filósofo, conhecido como Yulgok. Curiosidade que quase ninguém comenta: ele era filho de Shin Saimdang, que aparece na nota de 50.000. Mãe e filho, cada um numa cédula. Poucos países têm isso.
A de ₩10.000 é a esverdeada, manwon, e é a nota mais usada do país. Se você tivesse que escolher uma só para andar com bastante, seria essa. Traz o Rei Sejong, o Grande, o monarca por trás da criação do hangul, o alfabeto coreano. Ou seja, o cara que fez você conseguir minimamente decifrar placas depois de duas horas de estudo.
A de ₩50.000 é amarelada, omanwon, e é a maior em valor. Traz Shin Saimdang, artista e figura respeitadíssima na história coreana, e foi a primeira mulher a estampar uma cédula sul-coreana, lançada em 2009. É a nota que você recebe quando saca no caixa eletrônico ou troca dinheiro, e é a que exige um pouquinho mais de cuidado no bolso.
Não existe nota corrente acima disso para uso comum. Para valores altos, os coreanos usam cheque cashier ou transferência bancária, coisa que turista praticamente não encontra.
As moedas: quatro peças que você vai acumular sem querer
As moedas são de ₩10, ₩50, ₩100 e ₩500.
A de ₩10 é a menorzinha, cor de cobre, e vale algo perto de quatro centavos de real. Ela é quase decorativa. Você vai receber, vai guardar e provavelmente vai voltar para o Brasil com ela no fundo da mochila.
A de ₩50 é prateada e pequena, com uma espiga de arroz estampada.
A de ₩100 é a mais útil no cotidiano, com o rosto do almirante Yi Sun-sin, herói naval coreano. Serve em máquina de vending, em armário de estação, em lavanderia self-service.
A de ₩500 é a maior e a mais pesada, com um grou desenhado. É a moeda que você realmente quer ter no bolso, porque cobre boa parte dos armários automáticos de metrô e de shopping.
Um detalhe prático que quase ninguém avisa: os armários automáticos nas estações são um dos melhores serviços do país para quem chega de mala e quer passear leve. Muitos já aceitam cartão de transporte, mas ter moedas evita frustração.
Como converter won para real sem calculadora
Existe um truque simples que funciona muito bem e é fácil de fazer olhando um menu.
Corte os três últimos zeros do preço e multiplique o resultado por algo em torno de 3,70. Esse número é a cotação aproximada do momento. No começo de setembro de 2026, o won está por volta de R$ 0,00376, o que dá cerca de R$ 3,76 por mil won. Ou seja, o famoso “3,70” continua sendo uma referência mental confortável, com uma margem pequena de erro que sempre joga a seu favor, porque você acaba superestimando levemente o gasto.
Na prática:
₩1.000 fica em torno de R$ 3,76. ₩5.000 dá aproximadamente R$ 18,80. ₩10.000 gira em R$ 37,60. ₩50.000 fica perto de R$ 188.
Se quiser algo ainda mais rápido, existe outra conta de padeiro: divida o preço em won por 265 e você tem o valor em reais. Hoje 1 real compra por volta de 266 won. Só que dividir de cabeça é chato, então o método dos três zeros ganha na praticidade.
Uma coisa importante: essa cotação oscila, e não pouco. Nos últimos noventa meses de histórico recente, o won já esteve em R$ 0,0033 e já bateu R$ 0,0039 no espaço de poucos meses. Isso significa uma variação de quase 14% dependendo do período em que você viaja. Não é detalhe, é diferença real no orçamento de uma viagem de duas semanas. Vale checar a cotação uma semana antes de embarcar e ajustar seu multiplicador mental.
O won não usa centavos e isso simplifica tudo
Preço em won é sempre número redondo. Você não vai ver ₩8.437,52. Vai ver ₩8.400 ou ₩8.500. A menor unidade prática é a moeda de 10 won, e mesmo essa está caindo em desuso. Muitos estabelecimentos arredondam.
Consequência boa: leitura de preço fica limpa, sem vírgula, sem casa decimal. Consequência estranha para brasileiro: você olha o extrato do cartão e vê números com cinco ou seis dígitos, o que dá aquela sensação passageira de que gastou uma fortuna. Não gastou.
Outro ponto de linguagem: os coreanos usam vírgula como separador de milhar, igual ao inglês. Então ₩10,000 significa dez mil won, não dez won com casa decimal. Parece óbvio quando alguém explica, mas confunde quem está cansado de voo.
Cartão funciona na Coréia? Funciona, e muito bem
A Coréia do Sul é um dos países mais avançados do mundo em pagamento eletrônico. Praticamente todo comércio formal aceita cartão, inclusive por valores baixíssimos. Comprar um café de ₩3.000 no cartão é absolutamente normal, ninguém torce a cara.
Máquina de pagamento por aproximação está em quase tudo. Visa e Mastercard rodam sem problema na esmagadora maioria dos lugares. American Express tem aceitação menor, então não vale depender só dela.
Ainda assim, existe uma armadilha clássica: cartão internacional não resolve tudo na Coréia. Existem nichos em que ele simplesmente não é aceito, e são justamente nichos que o turista encontra.
O primeiro deles é a compra e recarga do cartão de transporte T-money em loja de conveniência. Segundo a orientação oficial de turismo coreana, atualizada em 2026, a compra e a recarga do T-money pré-pago em conveniência são feitas em dinheiro, e cartões emitidos no exterior não são aceitos nesses caixas. Houve uma mudança importante em março de 2026: o metrô de Seul instalou 440 quiosques novos em 273 estações das Linhas 1 a 8 que passaram a aceitar cartões estrangeiros e pagamentos por celular para compra e recarga de cartão de transporte. Cobra taxa de serviço de 3,7% nas transações com cartão estrangeiro, mas resolve o problema. Fora dessas estações, volta a valer a regra do dinheiro.
O segundo nicho é o mercado tradicional. Barraca de comida de rua, banca de mercado antigo, feirinha em cidade menor. Muita gente aceita cartão hoje, mas nem todos, e o cara que faz hotteok há trinta anos não está muito interessado em modernizar a operação.
O terceiro é o templo, o pequeno guichê rural, a máquina antiga, o ônibus intermunicipal em cidade pequena.
Por isso a regra que realmente funciona: use cartão como principal e mantenha dinheiro em espécie como reserva de segurança. Não é caso de andar com maço de notas, é caso de nunca estar com carteira vazia.
Quanto dinheiro em espécie levar
Não existe número mágico, mas existe uma lógica que se sustenta.
Para uma viagem de sete a dez dias com hospedagem e voos já pagos, algo entre ₩150.000 e ₩300.000 em espécie cobre com folga tudo aquilo que insiste em ser pago em dinheiro. Isso equivale a mais ou menos R$ 560 a R$ 1.130 na cotação de hoje. Esse valor não é seu orçamento de viagem, é seu colchão de espécie.
Se você pretende passar muito tempo em mercados tradicionais, em cidades menores como Gyeongju, Andong ou no interior de Jeolla, aumente essa margem. Se sua viagem é basicamente Seul e Busan em roteiro urbano de shopping, café e restaurante, você pode ficar tranquilo com menos.
Uma preferência pessoal que vale compartilhar: pedir para o câmbio ou o caixa eletrônico entregar parte do valor em notas de ₩10.000 em vez de tudo em ₩50.000. Trocar nota grande em barraca de rua é chato, e às vezes o vendedor não tem troco. Chegar com notas médias resolve muita coisa.
Onde trocar dinheiro na Coréia e onde não trocar
Aqui tem uma diferença grande de taxas, e ela pesa.
Aeroporto de Incheon é o pior lugar em termos de câmbio, como em quase todo país do mundo. As casas de câmbio do aeroporto praticam spread mais salgado. Só que é o lugar mais conveniente para pegar um valor inicial pequeno, e essa conveniência tem valor real quando você acabou de desembarcar depois de trinta horas de trajeto. A solução do meio: troque ali só o suficiente para os primeiros dois dias e resolva o resto na cidade.
Casas de câmbio de rua em Seul costumam oferecer taxas bem melhores. As mais conhecidas ficam em Myeongdong e no entorno de Namdaemun. São operações pequenas, algumas em lojinhas de conveniência ou joalherias, e as taxas são competitivas. Vale comparar duas ou três, porque a diferença aparece.
Bancos coreanos oferecem taxas razoáveis, mas exigem passaporte, horário comercial e alguma paciência com burocracia.
Um detalhe crucial para brasileiro: real brasileiro é moeda exótica na Coréia. Levar reais em espécie para trocar lá é péssima ideia, quando aceitam. O caminho normal é levar dólar americano em espécie e trocar por won na Coréia, ou usar cartão e saque. Dólar é a moeda com melhor aceitação e melhor taxa nas casas de câmbio coreanas. Euro também funciona bem.
Ou seja, para o viajante que sai do Brasil, existem basicamente três estratégias:
Comprar dólar no Brasil, levar em espécie e trocar por won na Coréia. Funciona, tem duas conversões, mas as taxas coreanas são boas o suficiente para compensar.
Levar cartão pré-pago internacional ou conta multimoeda carregada, e sacar won em ATM na Coréia conforme a necessidade. Bom controle, boa taxa, mas atenção às tarifas de saque.
Usar cartão de crédito para tudo que aceitar e sacar espécie pontualmente. Mais simples, mas atenção ao IOF e ao spread do emissor.
Na prática, muita gente combina as três.
WOWPASS: a solução que virou favorita dos turistas
Vale falar disso com atenção, porque mudou bastante o jogo em Seul.
O WOWPASS é um cartão pré-pago feito para estrangeiros de curta permanência. Custa cerca de ₩5.000 pela emissão e você o compra em máquinas espalhadas por estações de metrô, hotéis e pontos turísticos. A grande sacada: você insere dinheiro estrangeiro em espécie na própria máquina, ela converte para won na cotação do dia e carrega o cartão. O sistema aceita 16 moedas diferentes.
A partir daí você tem um cartão de débito que funciona no comércio coreano como cartão local, resolvendo justamente aqueles casos em que o cartão estrangeiro é recusado. E ele acumula função de transporte, funcionando como T-money.
Para quem chega com dólar em espécie, é uma das formas mais eficientes de transformar aquele dinheiro em algo utilizável, sem fila de casa de câmbio. A cotação praticada nas máquinas é considerada competitiva, geralmente melhor que a do aeroporto.
Ponto de atenção: as máquinas às vezes rejeitam notas amassadas, rasgadas ou muito antigas. Leve dólares em boas condições. Nota americana velha, com risco de caneta ou dobra profunda, tende a ser cuspida de volta.
T-money e o transporte: onde o dinheiro em espécie ainda manda
O T-money é o cartão de transporte universal do país. Custa cerca de ₩5.000 na versão padrão e existe uma versão pensada para estrangeiros, o T-money Travel Card, por volta de ₩4.000. O antigo Korea Tour Card foi descontinuado e absorvido pela versão Travel.
O cartão serve para metrô, ônibus, boa parte dos táxis e até compras pequenas em conveniência e máquinas automáticas. É um dos objetos mais úteis da viagem.
Klook.comDuas regras que evitam prejuízo:
Sempre encoste o cartão ao entrar e ao sair. Vale para ônibus e metrô. Se você não encosta na saída, perde o desconto de transferência e pode levar multa de tarifa. O sistema coreano calcula por distância e concede transferência gratuita ou barata dentro de trinta minutos, o que é uma das melhores vantagens do transporte de lá.
Não carregue valor alto perto do fim da viagem. O reembolso de saldo tem limites e é feito em espécie em pontos específicos, com pequena taxa de serviço. Sobrar ₩60.000 no cartão no último dia é um problema chato de resolver no aeroporto.
Sobre a versão no celular: o T-money no Apple Wallet exige cartão de crédito ou débito emitido na Coréia para compra e recarga. Ou seja, para turista brasileiro, o cartão físico continua sendo a escolha segura. Depender do celular para pagar transporte na Coréia é um risco desnecessário.
Existe ainda o K-Pass, um programa de reembolso de transporte que aparece em muitos guias antigos como dica para turistas. Não é. Ele exige registro de residência estrangeira, o ARC, e não está disponível para visitante comum. Ignore.
O Climate Card, ou Cartão do Clima de Seul, é diferente: é um passe de uso ilimitado em ônibus e metrô dentro de Seul, com opções de um a sete dias, e passou a ser comprável com cartão estrangeiro nos quiosques novos desde março de 2026. Para quem vai usar metrô muitas vezes por dia dentro da capital, faz sentido matemático. Para quem viaja entre cidades, menos.
Saque em caixa eletrônico na Coréia
Sacar won em ATM funciona bem, mas exige escolher a máquina certa. Não todo caixa eletrônico coreano aceita cartão internacional. Procure as máquinas com etiquetas de Global ATM, ou logos de Visa, Plus, Mastercard, Cirrus e Maestro visíveis.
Os caixas dos aeroportos, das estações grandes e das lojas de conveniência das redes principais geralmente aceitam. Bancos com boa reputação de aceitação internacional incluem Woori, KEB Hana, Shinhan e os caixas da Citibank onde ainda existem.
Cada saque cobra uma taxa fixa da máquina, normalmente entre ₩3.000 e ₩5.000, mais o que o seu banco brasileiro cobra por operação internacional. Somando tudo, saque pequeno sai proporcionalmente caro. Melhor sacar menos vezes com valores maiores do que fazer cinco saques miúdos.
Detalhe importante: se a máquina perguntar se você quer ser cobrado na sua moeda de origem, recuse. Aceitar essa conversão feita pela máquina, chamada de conversão dinâmica, quase sempre entrega taxa pior que a do seu emissor. Escolha sempre ser cobrado em won.
Muitas máquinas coreanas também têm horário de funcionamento limitado, algumas fecham à noite, e o menu em inglês existe mas às vezes está escondido atrás de um botão pequeno.
IOF, spread e o custo invisível de gastar no exterior
Para o viajante brasileiro, existe uma camada de custo que não aparece na vitrine.
Compra internacional no cartão de crédito tem IOF. Compra de moeda em espécie e carga de cartão pré-pago também têm IOF, historicamente com alíquota diferente e mais baixa para pré-pago e espécie. Essas alíquotas passaram por mudanças nos últimos anos, então vale confirmar a alíquota vigente com seu banco antes de decidir a estratégia, porque essa diferença é justamente o que faz o pré-pago ser vantajoso ou não.
Além do imposto, existe o spread do emissor, que é a diferença entre a cotação de mercado e a que ele te cobra. Emissores tradicionais cobram mais. Contas digitais e fintechs com câmbio próprio costumam cobrar menos.
Regra que funciona: compare o valor final em reais de uma compra hipotética de ₩100.000 nas suas duas ou três opções de pagamento antes de viajar. Cinco minutos de planilha economizam algumas centenas de reais numa viagem longa.
Gorjeta na Coréia: não existe, e insistir é estranho
Isso alivia muito o orçamento e a cabeça.
A Coréia do Sul não tem cultura de gorjeta. Restaurante, táxi, café, cabeleireiro, nada disso espera gorjeta. O preço na etiqueta é o preço final, e o imposto já está incluído. Deixar dinheiro na mesa pode gerar confusão genuína, com o garçom correndo atrás de você para devolver o troco esquecido.
Existem exceções pontuais em hotéis de luxo com padrão internacional e em serviços de guia privado, onde a prática ocidental se infiltrou. Fora disso, guarde o dinheiro.
Isso também significa que a conta de um restaurante em Seul é exatamente o que está no menu. Sem 10%, sem taxa de serviço, sem couvert surpresa.
Restituição de imposto para turista: dinheiro de volta que quase ninguém pega
A Coréia tem um sistema de tax refund bem estruturado, e é dinheiro fácil sendo deixado na mesa por desinformação.
Compras acima de um valor mínimo, historicamente em torno de ₩30.000 numa mesma loja no mesmo dia, dão direito à devolução parcial do imposto sobre valor agregado. Existem duas formas.
A primeira é o refund imediato, feito na própria loja, quando ela tem o sistema. Você apresenta o passaporte no ato da compra e já paga o valor com desconto. É o caminho mais simples e vale sempre pedir. Muitas lojas em Myeongdong, Hongdae e nos grandes shoppings fazem isso.
A segunda é guardar as notas fiscais e processar a devolução no aeroporto, em quiosques automáticos antes do embarque. Funciona, mas exige tempo e organização. Chegue mais cedo se pretende fazer isso, porque a fila é real.
Detalhe: o refund tem regras sobre mercadoria não consumida e prazo de saída do país. Compra de comida consumida no local e serviço não entram. Roupas, cosméticos e eletrônicos entram.
Cosméticos, aliás, são o campeão de compra brasileira na Coréia, e o refund faz diferença sensível numa sacola de skincare.
Falsificação, segurança e a tranquilidade coreana
Vale dizer com clareza: a Coréia do Sul é um país de segurança altíssima, e isso muda a relação com dinheiro.
Falsificação de won é raríssima. Roubo de carteira é incomum. Ver alguém deixar notebook e celular na mesa do café e ir ao banheiro é cena diária, especialmente em Seul. Caixas eletrônicos em rua movimentada não são pontos de risco como em outros lugares.
Isso não é convite para descuido total, mas permite andar com espécie sem o nível de paranoia que a gente cultiva no Brasil. Também significa que perder algo tem chance real de recuperação, o sistema de achados e perdidos das estações de metrô funciona surpreendentemente bem.
Erros comuns que custam dinheiro
Alguns tropeços aparecem com frequência entre brasileiros.
Trocar todo o dinheiro no aeroporto por comodidade. Perde-se percentual relevante que poderia virar duas ou três refeições.
Depender exclusivamente do cartão internacional e ficar travado na conveniência tentando carregar o T-money às onze da noite.
Aceitar a conversão em reais oferecida pela maquininha ou pelo caixa eletrônico. Sempre pior.
Carregar valor alto no cartão de transporte no penúltimo dia e depois brigar pelo reembolso.
Levar reais em espécie esperando trocar por won.
Ignorar o refund de imposto em compra grande de cosmético ou eletrônico.
Confiar no T-money do celular sem ter o cartão físico como plano B.
Não avisar o banco brasileiro sobre a viagem e tomar bloqueio antifraude na primeira compra em Seul, o que é um jeito muito ruim de começar a viagem.
Uma referência de custos para calibrar o bolso
Para ter noção do que os números significam na prática, alguns valores típicos ajudam a criar régua mental.
Uma corrida curta de metrô em Seul fica na casa de ₩1.400 a ₩1.700 com cartão de transporte, algo perto de R$ 5 a R$ 6,50. Um café em cafeteria de rede sai por ₩4.500 a ₩6.000. Uma refeição simples de bibimbap ou kimchi jjigae em restaurante de bairro gira em ₩8.000 a ₩12.000, ou seja, R$ 30 a R$ 45. Churrasco coreano de porco em lugar comum costuma ficar entre ₩15.000 e ₩25.000 por pessoa. Uma garrafa de soju em conveniência custa por volta de ₩2.000, o que sempre impressiona brasileiro.
Comida de rua em Myeongdong fica na faixa de ₩3.000 a ₩8.000 por item, e é justamente ali que o dinheiro em espécie brilha.
Transporte de trem-bala KTX entre Seul e Busan fica na casa de ₩60.000, algo próximo de R$ 225, e pode ser pago com cartão internacional no site ou nas máquinas das estações grandes.
A estratégia que faz mais sentido para quem sai do Brasil
Juntando tudo, o desenho que costuma funcionar melhor é mais ou menos assim.
Antes de embarcar, compre uma quantia moderada em dólar em espécie, em notas em bom estado. Tenha ao menos dois cartões internacionais de bandeiras diferentes, de preferência de emissores distintos, guardados em lugares separados da bagagem. Avise os bancos da viagem. Confira a cotação do won na semana da partida e defina seu multiplicador mental.
Ao chegar em Incheon, troque um valor pequeno na casa de câmbio do aeroporto, o suficiente para transporte e primeiros gastos, ou vá direto a uma máquina de WOWPASS se estiver disponível no seu terminal. Compre o cartão de transporte físico logo.
Nos primeiros dias em Seul, resolva o câmbio principal numa casa de câmbio de Myeongdong ou carregue o pré-pago com o dólar que trouxe. A partir daí, cartão para tudo que aceitar, espécie para mercado, barraca e recarga.
Nos últimos dias, pare de carregar o cartão de transporte, gaste o saldo em espécie que sobrou em conveniência e no aeroporto, e processe o refund de imposto se tiver compras que valham.
Isso não é receita rígida. É a ordem que reduz atrito, e atrito com dinheiro no exterior é o tipo de coisa que estraga um dia de viagem por motivo bobo.
O won depois de uma semana
Existe um momento curioso que acontece por volta do quarto ou quinto dia. Você para de converter. Um prato de ₩9.000 deixa de ser “trinta e quatro reais” e passa a ser simplesmente “um almoço normal”. ₩30.000 vira “caro para jantar sozinho”. O cérebro constrói uma escala própria de valor em won, e aí a viagem fica mais leve.
Até chegar lá, o método dos três zeros multiplicados por 3,70 é seu melhor amigo. Depois disso, ele fica desnecessário, e você começa a se preocupar com coisas mais interessantes, como qual fila de comida de rua vale a espera e se dá tempo de subir o Namsan antes do pôr do sol.
