Guia de Destinos Caribenhos Organizados por Faixa de Orçamento
Guia de destinos caribenhos organizados por faixa de orçamento: quanto custa viajar para República Dominicana, Cuba, San Andrés, Cancún, Aruba, Curaçao, Jamaica, Bahamas, Turks and Caicos, Anguilla e St. Barth, com dicas reais de voos, hospedagem, vistos e melhor época para ir.

Destinos de Viagem Caribenhos Baratos, Médios e Caros
O Caribe tem uma fama que atrapalha um pouco: a de ser caro. E é meia verdade. Existe um Caribe de 6 mil reais a semana e existe um Caribe de 60 mil reais a semana, e os dois ficam no mesmo mar, às vezes a menos de uma hora de avião um do outro. A água é igualmente azul. O que muda é a estrutura, o público, a taxa de importação de tudo o que entra na ilha e, principalmente, quanto o destino resolveu se posicionar como refúgio de gente rica.
Para quem sai do Brasil, a conta muda ainda mais, porque a passagem aérea pesa muito. Um voo para Punta Cana, por exemplo, sai de várias capitais brasileiras e costuma custar bem menos que um voo para uma ilha pequena que exige duas ou três conexões. Isso reordena a lista de “barato” e “caro” de um jeito que nem sempre é intuitivo.
Vale organizar isso com calma, porque escolher errado no Caribe custa dinheiro de verdade.
Por que algumas ilhas são baratas e outras não
Antes de falar de destino, vale entender a lógica. Isso ajuda a prever preço em qualquer ilha, inclusive nas que não estão nesta lista.
Primeiro: tamanho e produção local. República Dominicana e Cuba são ilhas grandes, com agricultura, população numerosa, mão de obra abundante e comércio interno. Produzem comida, têm transporte público, têm hotel de todo tipo. Já Anguilla e St. Barth são pedaços pequenos de terra onde quase tudo chega por barco ou avião. Alface importada é alface caríssima.
Segundo: volume de turismo e concorrência. Punta Cana recebe milhões de visitantes por ano e tem centenas de resorts disputando o mesmo hóspede. Quando existe concorrência, existe promoção. Em ilhas com vinte hotéis e alta demanda, ninguém precisa dar desconto.
Terceiro: posicionamento político e fiscal. Algumas ilhas escolheram o turismo de massa, outras escolheram o turismo de poucos pagando muito. St. Barth é território francês e opera como uma vitrine europeia de luxo no meio do Caribe. Não existe hostel lá por acidente; existe porque o modelo é esse.
Quarto: acesso aéreo. Ilha com aeroporto grande, que recebe voo direto de Nova York, Miami, Madri, Panamá, Bogotá e São Paulo, tem passagem barata. Ilha que só recebe avião pequeno vindo de outra ilha tem passagem caríssima, porque você paga dois trechos e ainda depende de operação regional.
Quinto: moeda. Peso dominicano e peso cubano funcionam a favor do turista. Florim de Aruba e euro em St. Barth funcionam contra.
Com essas cinco variáveis na cabeça, a divisão em três faixas faz muito mais sentido.
A faixa econômica: onde o Caribe caberia numa viagem de férias normal
República Dominicana, o melhor custo-benefício do Caribe para brasileiro
Se existe um destino que resolve a equação “quero Caribe sem quebrar”, é a República Dominicana. Punta Cana concentra a maior parte dos visitantes e tem uma estrutura de resorts all inclusive que praticamente não existe em outro lugar na mesma escala e no mesmo preço.
O que torna a Dominicana barata não é só o hotel. É a combinação: voo com boa oferta a partir do Brasil, incluindo saídas diretas em temporada, hospedagem all inclusive que elimina o gasto com comida e bebida, e um câmbio favorável para o que você gastar fora do hotel.
O sistema all inclusive é o pulo do gato para orçamento apertado. Você paga uma diária e come, bebe, usa piscina, praia, espreguiçadeira, e às vezes esportes náuticos sem motor. Dá para passar sete dias gastando quase nada além do que já foi pago. Quem já viajou para Europa sabe como comer fora todos os dias destrói um orçamento; aqui esse risco desaparece.
Nem tudo é perfeito. A qualidade dos resorts varia muito, e o mesmo bairro pode ter um hotel excelente e outro sofrível. Ler avaliações recentes é obrigatório, porque hotel no Caribe envelhece rápido com sal, sol e umidade. Outro ponto: em Punta Cana existe o fenômeno das algas sargaço, que em alguns meses chegam à praia e mudam bastante a experiência. A ocorrência tende a ser maior entre o fim da primavera e o começo do outono no hemisfério norte, ou seja, mais ou menos de maio a agosto ou setembro, variando muito de ano para ano e de trecho de praia para trecho de praia.
Fora Punta Cana, a Dominicana tem coisas que muita gente ignora. Samaná, com colinas verdes e a Playa Rincón, é outro país em comparação com a área dos megarresorts. Entre janeiro e março, as baleias jubarte aparecem na Baía de Samaná, e é uma das melhores observações de baleias do Atlântico. Las Terrenas tem cara mais europeia e relaxada. Puerto Plata e Cabarete atraem quem gosta de kitesurf e vento. Santo Domingo, a capital, tem a Zona Colonial, primeira cidade europeia permanente nas Américas, com catedral do século XVI. Vale um ou dois dias, mesmo para quem só quer praia.
Brasileiro não precisa de visto para turismo na República Dominicana. Existe um formulário eletrônico de entrada e saída que precisa ser preenchido antes do embarque, e mudanças em taxas turísticas embutidas na passagem já acontecem por lá, então checar as regras vigentes perto da viagem é o certo.
San Andrés, a ilha caribenha mais fácil de encaixar no bolso
San Andrés é colombiana, mas fica geograficamente muito mais perto da Nicarágua. É um arquipélago pequeno, com San Andrés, Providencia e Santa Catalina, e um mar que os locais chamam de mar de sete cores. O nome não é exagero de marketing: a combinação de bancos de areia, corais e profundidades diferentes cria faixas de azul e verde muito nítidas.
O que faz de San Andrés um destino econômico é o conjunto: por ser território colombiano, a viagem passa por Bogotá, Medellín ou Cartagena, com voos domésticos que costumam ter tarifas competitivas. A ilha tem porto livre, com isenções que historicamente tornaram o comércio mais barato. A hospedagem tem opções muito simples, incluindo posadas nativas na parte da ilha onde vive a comunidade raizal, descendente de africanos e ingleses, que fala creole além do espanhol.
A ilha é pequena o suficiente para ser explorada de carrinho de golfe ou moto alugada em um dia. Johnny Cay, Acuario, Rocky Cay, La Piscinita, Hoyo Soplador e West View são paradas clássicas. O centro, chamado de El Centro ou North End, é onde estão hotéis, comércio e vida noturna. San Luis é mais calmo e com cara mais caribenha.
Providencia é o capítulo mais bonito e menos visitado. Chega-se de voo curto ou de catamarã, e é uma ilha vulcânica, montanhosa, com Crab Cay e a barreira de corais em volta. Depois do furacão Iota, em 2020, a ilha passou por reconstrução pesada, e a recuperação da infraestrutura foi gradual, então checar o estado atual da hospedagem e do transporte é importante antes de fechar.
Detalhe operacional que muita gente esquece: para entrar em San Andrés é preciso comprar a Tarjeta de Turismo, uma taxa de ingresso na ilha, geralmente paga no aeroporto de origem ou junto com a passagem. Também existe cobrança de taxa ambiental na saída em determinados momentos, e as regras mudam.
Cuba, barata em algumas coisas e complicada em outras
Cuba entra na faixa econômica por causa da hospedagem e da comida em casas particulares, mas merece um aviso claro: o custo baixo vem junto com dificuldades práticas reais.
O que Cuba oferece de valor único é a experiência de Havana, com arquitetura colonial e do começo do século XX em estado de decadência fotogênica, carros americanos dos anos 50, música ao vivo em qualquer esquina de Habana Vieja. Trinidad, com ruas de pedra e casas coloridas, é patrimônio da Unesco. Viñales tem morros calcários chamados mogotes e plantações de tabaco. Varadero tem uma faixa de praia de mais de vinte quilômetros com resorts all inclusive que costumam custar menos que os do resto do Caribe. Cayo Coco, Cayo Santa María e Cayo Largo têm água absurda.
As casas particulares, hospedagem em residências licenciadas, são o melhor jeito de viajar por Cuba com pouco dinheiro e ainda ter contato real com quem mora lá. O café da manhã servido nessas casas costuma ser generoso e barato.
Agora as dificuldades. A economia cubana passa por escassez crônica de produtos, apagões frequentes e problemas de abastecimento. Isso afeta o viajante de forma concreta: falta de itens em farmácia, cardápio de restaurante que muda porque não tem ingrediente, hotel com gerador. Internet melhorou com dados móveis, mas continua instável e caro em comparação com o padrão a que estamos acostumados.
Dinheiro é o ponto mais delicado. Cartões emitidos por bancos americanos não funcionam, e a orientação prática de sempre é levar dinheiro em espécie, preferencialmente em euros, e trocar em canais oficiais. O câmbio informal existe e é comum, com taxas muito diferentes das oficiais, mas envolve risco e ilegalidade. Vale pesquisar a situação vigente pouco antes de viajar, porque o assunto muda com frequência.
Outro detalhe: turistas precisam de visto de turista, o cartão de turista, e há exigência de seguro de viagem com cobertura médica. Quem visita Cuba também pode enfrentar restrição futura no programa de isenção de visto dos Estados Unidos, o ESTA, por causa da legislação americana sobre países listados. Não impede viajar para os EUA, mas pode obrigar a solicitar visto tradicional. Isso pega muita gente de surpresa.
Cuba é uma viagem de curiosidade cultural forte. Quem só quer praia bonita e conforto encontra melhor relação em outros lugares.
A faixa intermediária: mais conforto, mais infraestrutura, preço ainda administrável
Cancún e a Riviera Maya, o Caribe que dá para combinar com história
Cancún é mexicano, banha o Mar do Caribe e tem uma coisa que quase nenhuma ilha caribenha oferece: contexto cultural gigantesco a poucas horas de carro. Chichén Itzá, Tulum, Cobá, Ek Balam, os cenotes do interior de Yucatán. Isso muda a natureza da viagem. Não é só deitar na praia.
O preço de Cancún é intermediário e extremamente elástico. Existe hostel na área urbana e existe suíte de 5 mil dólares a noite na zona hoteleira. Existe all inclusive de padrão médio e existe resort de padrão europeu top. Voos do Brasil incluem opções diretas e conexões via Panamá, Cidade do México e cidades americanas, com boa oferta.
A zona hoteleira, aquele desenho de número sete cercado de água, tem praias de areia branquíssima e mar em degradê. O lado norte tem mar mais calmo, o lado leste tem ondas maiores e ressaca em certos dias. Playa Delfines é a mais fotografada e é pública.
Ao sul, a Riviera Maya muda o clima. Puerto Morelos é vila de pescadores com recife pertíssimo. Playa del Carmen tem a Quinta Avenida, cheia de restaurante e loja. Akumal tem tartarugas marinhas em área rasa. Tulum virou destino de estética própria, com hotéis de bambu e preço que subiu muito nos últimos anos, hoje bem acima da média da região. Isla Mujeres, Holbox e Cozumel são as ilhas do entorno, cada uma com personalidade.
Holbox merece uma nota: sem carros, ruas de areia, mar raso e, em determinada época do ano, aproximadamente de meados de maio a setembro, tem os passeios de nado com tubarão-baleia na região. Cozumel é referência mundial de mergulho por causa do sistema de recifes de Palancar e Colombia.
O ponto negativo é o sargaço, novamente. A costa leste de Quintana Roo é uma das mais afetadas do Caribe em determinados meses, e a alta ocorrência tende a se concentrar mais ou menos entre abril e agosto, com variação forte ano a ano. Hotéis grandes fazem limpeza diária de praia, o que ajuda.
Brasileiro não precisa de visto para o México, mas há um formulário migratório e, na prática, a imigração mexicana costuma pedir comprovação de hospedagem, passagem de volta e meios financeiros. Já houve casos de brasileiros barrados, o que gerou até discussão diplomática. Levar tudo impresso e organizado poupa dor de cabeça.
Aruba, previsibilidade climática com preço médio-alto
Aruba faz parte do Reino dos Países Baixos e fica bem ao sul do Caribe, fora do cinturão principal dos furacões. Isso é um argumento comercial forte e verdadeiro: o risco de furacão é significativamente menor do que no Caribe central e norte, embora nenhuma ilha tenha garantia absoluta.
O clima de Aruba é seco. A vegetação é de cactos e divi divi, aquelas árvores tortas pelo vento constante. Chove pouco, o vento é forte quase todos os dias, e o sol aparece com uma constância que quase nenhum destino tropical entrega. Para quem tem só uma semana e não pode arriscar chuva, isso tem valor.
Eagle Beach e Palm Beach são as praias mais conhecidas. Eagle Beach é largíssima e regularmente aparece nas listas de melhores praias do mundo. Palm Beach é onde ficam os hotéis de rede grande, com mais movimento, bares e restaurantes. Baby Beach, no extremo sul, é uma piscina natural rasa, ótima para quem viaja com criança. O Parque Nacional Arikok cobre boa parte da ilha e tem paisagem árida, formações rochosas e a Conchi, uma piscina natural entre pedras.
Oranjestad, a capital, tem construções coloniais holandesas coloridas e é bem organizada. O idioma oficial inclui papiamento e holandês, mas o inglês e o espanhol são falados com naturalidade quase total.
Onde Aruba pesa no bolso: hospedagem e restaurante. A ilha é pequena, importa quase tudo e tem público americano com poder de compra alto. Jantar sai caro, e o modelo all inclusive é menos dominante do que na Dominicana. A moeda é o florim arubano, atrelado ao dólar, e dólar americano circula em todo lugar. Do Brasil, os voos costumam envolver conexão, com rotas comuns via Panamá, Bogotá e cidades americanas.
Aruba vale como intermediário porque entrega estrutura de primeiro mundo, segurança percebida alta, praia excelente e clima previsível. Mas o intermediário aqui está mais próximo do topo dessa faixa do que da base.
Curaçao, personalidade própria e um dos melhores mergulhos do Caribe
Curaçao é a irmã maior e mais interessante culturalmente do trio ABC, formado por Aruba, Bonaire e Curaçao. Willemstad, a capital, é patrimônio mundial da Unesco, com aquelas fachadas coloridas na beira do canal em Punda e Otrobanda, e a ponte flutuante Queen Emma, que se abre para passar navio.
O que diferencia Curaçao é a quantidade de praias pequenas encaixadas em enseadas de falésia. Cas Abao, Grote Knip, Kleine Knip, Playa Porto Mari, Playa Lagun, Playa Kenepa. São calas, não faixas infinitas de areia. Muitas têm recife começando a poucos metros da areia, o que faz o snorkel ser sério, não passatempo. Mergulho de cilindro em Curaçao é referência, com naufrágios acessíveis e paredes de coral perto da costa, incluindo o famoso Tugboat.
Curaçao também está na região de menor incidência de furacões, mesma vantagem de Aruba. O clima é seco, com vento constante.
Em preço, Curaçao geralmente sai um pouco abaixo de Aruba. Tem mais opção de apartamento, guesthouse e hotel médio, e a ilha é maior, com mais vida local e supermercado de verdade, o que permite economizar cozinhando. Alugar carro é praticamente obrigatório para aproveitar as praias, porque transporte público não cobre bem os pontos de interesse. Do Brasil, houve períodos com voo direto, então vale checar a malha aérea vigente, além das conexões via Panamá, Bogotá e Amsterdã.
A moeda é o florim das Antilhas, também atrelado ao dólar. Idiomas: papiamento, holandês, inglês, espanhol.
Jamaica, cultura forte e preço que depende muito de onde você fica
Jamaica é grande, montanhosa e tem identidade cultural que atravessa o mundo inteiro por causa da música. Não é ilha de paisagem só de praia; tem serra, rio, cachoeira, floresta. As Blue Mountains produzem um dos cafés mais caros do planeta.
Os polos turísticos são bem distintos. Montego Bay tem aeroporto internacional movimentado e concentração de resorts. Negril tem a Seven Mile Beach, uma faixa longa de areia com mar calmo, e os penhascos de West End, onde fica o Rick’s Café com os saltos no mar ao pôr do sol. Ocho Rios tem as Dunn’s River Falls, cachoeira em degraus que se sobe a pé, e recebe navio de cruzeiro. Port Antonio, na costa leste, é a parte menos turística e mais bonita para muita gente, com a Blue Lagoon e Frenchman’s Cove. Treasure Beach, no sul, é rústica e tranquila.
O preço na Jamaica é intermediário por causa da oferta grande de all inclusive, incluindo redes locais fortes. Existe hospedagem simples e existe resort só para adultos com preço alto. Comida de rua é barata e boa: jerk chicken, patty, festival, ackee com bacalhau.
Dois pontos práticos. Primeiro, transporte: a ilha é maior do que parece no mapa, e ir de Montego Bay a Port Antonio leva horas em estrada sinuosa. Planejar deslocamento com folga evita frustração. Segundo, segurança: a Jamaica tem índices de criminalidade elevados em determinadas áreas urbanas, e governos estrangeiros emitem alertas específicos por região. As zonas turísticas são policiadas e a maioria das viagens transcorre sem problema, mas não é destino para sair andando à noite em qualquer bairro. Vale consultar orientações atualizadas antes de ir.
A faixa de luxo: onde o preço deixa de fazer sentido matemático e passa a ser posicionamento
Bahamas, luxo com escala e opções que quase ninguém conhece
Bahamas é um arquipélago com centenas de ilhas e milhares de cayos, e é onde está Nassau, com o Paradise Island e o complexo Atlantis, além de resorts de altíssimo padrão em Exuma, Eleuthera, Harbour Island e Abaco.
O motivo de Bahamas estar na faixa caríssima é dupla. Primeiro, a proximidade com a Flórida transformou o país num destino natural de americano com dinheiro, o que puxou preços para cima. Segundo, os resorts mais desejados estão em ilhas pequenas que exigem voo doméstico ou barco, e cada trecho extra encarece.
O que justifica o gasto: Harbour Island tem a Pink Sands Beach, com areia realmente rosada por causa de fragmentos de foraminíferos vermelhos misturados ao coral moído. Exuma tem os porcos que nadam em Big Major Cay, os bancos de areia que aparecem na maré baixa e uma paleta de azul que parece editada. Andros tem o terceiro maior sistema de barreira de corais do mundo e os blue holes. Dean’s Blue Hole, em Long Island, é um dos buracos azuis mais profundos conhecidos e é palco de competições de apneia.
Existe uma Bahamas menos caríssima, e ela mora fora de Nassau e fora dos resorts famosos. As chamadas Out Islands ou Family Islands têm guesthouses e hotéis pequenos com preço bem mais civilizado. Mas comida continua caríssima em qualquer lugar do país, porque tudo é importado.
Bahamas fica na rota de furacões. O furacão Dorian, em 2019, devastou Abaco e Grand Bahama e deixou marcas por anos. A temporada oficial de furacões no Atlântico vai de 1º de junho a 30 de novembro, com pico entre agosto e outubro. Viajar nessa janela pede seguro com cobertura de cancelamento e flexibilidade de data.
Turks and Caicos, a praia que muita gente considera a melhor do Caribe
Turks and Caicos é território britânico de ultramar, e a ilha principal do turismo é Providenciales, a Provo. Grace Bay Beach é frequentemente eleita a melhor praia do mundo em rankings de viajantes, e o motivo é concreto: recife de barreira logo à frente quebra a ondulação, o que cria uma faixa de água transparente, rasa e quase sem onda, com areia branca fina e sem pedra.
O luxo aqui é discreto. Não é festa, é resort de padrão altíssimo, villa privada, restaurante caro e sossego. Muito americano rico, muita lua de mel. A moeda oficial é o dólar americano, o que já elimina qualquer ilusão de câmbio favorável.
Além de Grace Bay, vale citar Long Bay Beach, onde o kitesurf reina, Chalk Sound, uma laguna interna de azul irreal cheia de ilhotas de rocha, e Bight Reef, onde dá para fazer snorkel saindo da praia. As ilhas menos visitadas, como North Caicos, Middle Caicos, Salt Cay e Grand Turk, têm cara mais rústica, cavernas, salinas antigas e, na temporada de janeiro a abril, a passagem de baleias jubarte pelo canal entre Grand Turk e Salt Cay.
O que dói no bolso: praticamente tudo é importado, restaurantes cobram preços de grande cidade americana, e existe cobrança de taxa de serviço e imposto turístico que se soma às contas. Alugar carro é útil, mas o trânsito é pela esquerda. Do Brasil, a chegada envolve conexão nos Estados Unidos, o que puxa a exigência de visto americano mesmo em trânsito, ou rotas via Canadá e Europa com escalas longas.
Anguilla, luxo silencioso para quem não quer ser visto
Anguilla é pequena, plana, seca e também território britânico. Não tem montanha, não tem floresta densa, não tem vida noturna intensa. Tem praia. Muita, e de qualidade que sustenta a fama.
Shoal Bay East costuma aparecer entre as melhores praias do Caribe. Rendezvous Bay é longa e tem vista para St. Martin. Meads Bay, Maundays Bay e Little Bay compõem a coleção. A água é clara, o fundo é de areia, e o volume de gente é muito menor do que em qualquer outro destino desta lista.
O jeito mais comum de chegar é voar até St. Martin ou Sint Maarten e pegar balsa ou voo curto até Anguilla. Esse trecho final é o que encarece e, ao mesmo tempo, filtra o público.
Anguilla tem uma cena gastronômica desproporcional ao tamanho, com restaurantes de chef reconhecidos e também os famosos beach shacks, quiosques de praia onde se come lagosta grelhada e frango barbecue com música ao vivo. O contraste é interessante: hotel de dez mil dólares a noite e almoço de plástico com prato de papel na areia, os dois no mesmo dia.
O que não esperar: preço baixo em nada. Hospedagem econômica praticamente não existe, e apartamento de aluguel também é caro. É destino de quem quer sossego absoluto e está disposto a pagar por ele.
St. Barth, França tropical com etiqueta de preço europeia premium
St. Barthélemy, ou St. Barth, é coletividade francesa de ultramar. Usa euro, tem supermercado com queijo francês, padaria com croissant de verdade, boutiques de grandes marcas em Gustavia e uma clientela que inclui gente muito famosa, especialmente entre o Natal e o Ano Novo, quando iates enormes lotam a baía.
A ilha é pequena e montanhosa, com praias em enseadas. Saline e Gouverneur são as mais selvagens, sem construção na areia. Flamands é elegante. St. Jean é a mais movimentada e fica ao lado da pista de pouso do aeroporto Gustaf III, famosa por ser curtíssima e exigir certificação especial dos pilotos. Os aviões passam baixíssimo sobre a estrada antes de tocar o solo, e virou atração por si só.
O preço em St. Barth é o mais alto da lista na média. Um almoço simples pode custar o que custaria um jantar bom em São Paulo. Hospedagem em alta temporada, especialmente na virada do ano, atinge valores que só fazem sentido para quem não olha valores. Alugar villa é o modelo dominante entre quem passa mais dias.
Existe uma versão mais viável: baixa temporada, entre maio e o começo de junho ou em novembro, quando as tarifas caem de forma significativa, e hospedagem em hotel pequeno em vez de resort de marca. Ainda vai ser caro, só não absurdo. Uma alternativa comum é se hospedar em St. Martin, que é mais barata, e fazer o passeio de barco de um dia até St. Barth.
Quando ir: a variável que muda tudo no preço
O Caribe tem estações bem definidas em termos de turismo e clima.
A alta temporada vai mais ou menos de meados de dezembro a meados de abril. Clima mais seco, temperatura agradável, umidade menor, e é quando norte-americanos e europeus fogem do inverno. Os preços são os mais altos do ano, e a virada do ano é o pico absoluto.
A baixa temporada, de meados de abril a novembro, coincide com calor mais forte, umidade maior, chuvas mais frequentes, geralmente pancadas de tarde, e com a temporada de furacões, de 1º de junho a 30 de novembro, com pico em agosto, setembro e outubro. Setembro é historicamente o mês mais barato e o mais arriscado.
Os melhores meses de equilíbrio, na prática, são maio, começo de junho e novembro. Preço já caiu, o risco climático não está no pico, e os destinos estão menos cheios.
Para quem quer reduzir o risco de furacão de forma estrutural, o trio Aruba, Bonaire e Curaçao é a resposta, por estar bem ao sul. Não é imunidade, é probabilidade muito menor.
Onde o dinheiro realmente vaza numa viagem ao Caribe
Vale falar de custos escondidos, que são os que estragam planejamento.
Taxas de hotel. Muitos hotéis no Caribe cobram resort fee, uma taxa diária obrigatória que não aparece no preço da busca, e ainda somam imposto e taxa de serviço. Em ilhas caras, isso pode adicionar de dez a vinte e cinco por cento à conta. Ler a letra miúda antes de reservar é o que separa o orçamento certo do errado.
Transporte interno. Táxi em ilha caribenha costuma ter tarifa fixa por trajeto, definida por regulação local, e não é barato. Em ilhas como Aruba, Curaçao e Turks and Caicos, alugar carro compensa rápido. Em Punta Cana, se você não pretende sair do resort, não compensa.
Passeios. Excursão de barco, mergulho, entrada de parque e nado com animais custam caro e quase sempre em dólar. Reservar direto com operador local, e não pelo balcão do hotel, geralmente sai bem melhor.
Bebida. Fora do all inclusive, bebida alcoólica em ilha importadora é um dos itens mais caros. Comprar em supermercado local muda a conta.
Escalas nos Estados Unidos. Muita rota para o Caribe passa por Miami, Nova York ou Fort Lauderdale, e isso exige visto americano mesmo para conexão, porque os EUA não têm trânsito internacional isento. Quem não tem visto precisa priorizar rotas via Panamá, Bogotá, Cidade do México, Lisboa, Madri ou Paris, dependendo do destino.
Seguro viagem. Em algumas ilhas é exigência formal de entrada, como em Cuba. Em todas, é bom senso, porque atendimento médico em ilha turística é caro e evacuação aeromédica é caríssima.
Como escolher, na prática
Se o orçamento é o fator dominante e a prioridade é praia bonita com muitos dias, República Dominicana em all inclusive é a escolha mais racional para brasileiro. San Andrés vem logo atrás, especialmente para quem já quer combinar com Colômbia.
Se a ideia é misturar praia com cultura, história e comida boa sem gastar como europeu, Cancún e a Riviera Maya entregam mais variedade do que qualquer ilha.
Se o objetivo é conforto, previsibilidade de clima e segurança percebida alta, com preço médio-alto, Aruba e Curaçao resolvem, e Curaçao sai mais em conta com paisagem mais interessante.
Se a viagem é sobre música, montanha, rio e identidade cultural forte, Jamaica.
Se o dinheiro não é o limite e o desejo é a melhor praia possível com sossego, Turks and Caicos e Anguilla.
Se a ideia é cenário social, gastronomia refinada e estética europeia no trópico, St. Barth.
Se a viagem envolve navegação, cayos, água em tom impossível e disposição para gastar em deslocamento interno, Bahamas.
Uma última observação que vale mais que qualquer lista: no Caribe, o que define a qualidade da viagem raramente é o quanto se gastou. É a escolha da época do ano, a posição exata do hotel na praia e a disposição para sair do perímetro do resort ao menos algumas vezes. Já vi orçamento modesto render experiência muito melhor que orçamento alto mal planejado, simplesmente porque a pessoa foi em maio, escolheu bem a praia e comeu onde comem os locais.
