Guanacaste na Costa Rica: A Jóia da Costa de Ouro

O nome vem do Nahuatl. Quahnacaztlan — “lugar das árvores-orelha”, uma referência à árvore de vagem larga e copa enorme que os povos indígenas chamavam assim por causa da forma das suas sementes, que lembram orelhas humanas. Os espanhóis chegaram, adaptaram o nome, e ele ficou. Hoje, essa mesma árvore — o guanacaste (Enterolobium cyclocarpum) — é a árvore nacional da Costa Rica, aparece no brasão do país e pontilha as pastagens e praças da província com uma presença física que justifica o nome dado à região.

Fonte: Get Your Guide

Isso, por si só, já diz algo sobre o peso que Guanacaste carrega dentro da identidade costarriquenha. Não é uma região que o restante do país simplesmente tolera. É a região que lhe deu a árvore nacional, parte do imaginário cultural, o folclore mais reconhecível — e uma data de celebração anual que é feriado provincial em todo o país. O 25 de julho, Día de la Anexión del Partido de Nicoya, comemora o momento em 1824 em que Guanacaste escolheu pertencer à Costa Rica em vez da Nicarágua — por decisão própria, em votação popular. O lema da província diz tudo sobre esse orgulho: “De la Patria por nuestra voluntad.” Da pátria por nossa vontade.

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Uma terra que escolheu a qual país queria pertencer

Antes de 1824, o território de Guanacaste — então chamado Partido de Nicoya — estava ligado administrativamente à Nicarágua. A história é complexa no detalhe, mas simples na essência: quando a América Central se independizou da Espanha em 1821, a região ficou numa zona de disputa entre o que viria a ser a Nicarágua e o que viria a ser a Costa Rica. Em 1824, o povo de Nicoya e Guanacaste fez uma consulta popular e decidiu se unir à Costa Rica. A anexão foi pacífica, sem guerra, sem imposição.

Esse detalhe histórico moldou o caráter da província de uma forma que ainda hoje é perceptível. Guanacaste tem uma relação com a Costa Rica que não é de subordinação — é de escolha. E essa consciência histórica produz uma identidade regional muito mais assertiva do que a maioria das províncias do país. O guanacasteco não é apenas costarriquenho. Primeiro, é guanacasteco.

A independência como província em si veio em 1854, trinta anos após a anexão. Até então, Guanacaste era administrada como parte de outras unidades territoriais. Quando finalmente se constituiu como província, a 5ª do país, com capital em Liberia, o que ela já tinha construído em termos de identidade cultural era suficiente para que a distinção geográfica apenas formalizasse o que a população já sentia na prática.


A Cordilheira de Guanacaste: a espinha dorsal vulcânica que tudo organiza

A geografia de Guanacaste é ditada por dois elementos que definem tudo o mais: a Cordilheira de Guanacaste a leste, com os vulcões alinhados do norte ao sul, e o Oceano Pacífico a oeste, com mais de 400 quilômetros de costa. Entre esses dois extremos, as planícies abertas do Vale do Tempisque — a chamada pampa guanacasteca — onde o gado pastou por séculos e onde o arroz e outros grãos ainda são cultivados em extensões que não aparecem nos roteiros turísticos mas que alimentam boa parte do país.

A cordilheira começa no norte com o Volcán Orosí e o Volcán Cacao, continua pelo Volcán Rincón de la Vieja — o mais ativo do conjunto — e termina no sul com o Volcán Miravalles, que tem atividade geotérmica intensa explorada comercialmente para geração de energia. Essa cadeia vulcânica não é apenas paisagem. Ela organiza o clima, aquece as termas, alimenta os rios que descem para as planícies e determina a divisão entre o lado úmido das montanhas e a planície seca que se abre em direção ao Pacífico.

O Volcán Rincón de la Vieja, com seus 1.916 metros e cratera ativa, é o coração vulcânico de Guanacaste. O parque nacional que o protege tem mais de 14.000 hectares de ecossistemas que variam da floresta tropical seca na base à floresta nublada nas cotas mais altas. Os campos geotérmicos de Las Pailas — onde a lama vulcânica borbulha na superfície, as fumarolas saem das fissuras do solo e a terra muda de cor para amarelo e laranja ao redor das caldas — são um dos cenários mais singulares da América Central. Não se parece com nenhum outro lugar de Guanacaste. Aliás, não se parece com nenhum outro lugar em qualquer parte.

O parque tem mais de 75 quilômetros de trilhas e um acesso bem organizado a partir de duas portarias principais. As cachoeiras La Cangreja e La Escondida ficam dentro do parque e exigem trilhas de meia dificuldade para chegar — um deslocamento de algumas horas na floresta que termina em quedas d’água de água fria em piscinas naturais onde o calor acumulado na caminhada se dissolve em segundos.


O povo Chorotega e a herança que o turismo ainda não sabe contar direito

Antes dos espanhóis, antes da pecuária, antes dos resorts de cinco estrelas de Papagayo, Guanacaste era território Chorotega. Um povo que migrou do México central por volta do ano 800 d.C., trouxe consigo técnicas agrícolas sofisticadas adaptadas ao clima seco — milho, feijão, abóbora em sistemas de cultivo intercalado que a ciência agronômica atual chama de milpa —, e desenvolveu uma cerâmica que está entre as mais elaboradas da América pré-colombiana.

A influência Chorotega não desapareceu com a colonização espanhola. Ela foi absorvida, transformada e, em alguns lugares, preservada com uma continuidade impressionante. Em Guaitil, um pequeno vilarejo do cantão de Santa Cruz, artesãs — e são principalmente mulheres — ainda produzem cerâmica usando técnicas e designs que descendem diretamente da tradição Chorotega. As peças têm padrões geométricos e zoomórficos que reconhecem os mesmos motivos de vasos e figuras encontradas nos sítios arqueológicos da região, mas que continuam sendo feitas com as mãos, moldadas manualmente sem torno, queimadas em fornos ao ar livre.

Visitar Guaitil e entrar numa das oficinas artesanais não é uma experiência de museu. É encontrar pessoas que continuam fazendo uma coisa que seus ancestrais faziam mil anos atrás, com a diferença que hoje sabem o contexto histórico do que estão produzindo. A cerâmica Chorotega de Guaitil é vendida em todo o país, mas comprá-la direto das artesãs no vilarejo tem um sentido que comprar numa loja de souvenir em Tamarindo não tem.

A língua Chorotega já não é falada, mas os topônimos resistiram: Nicoya, Tamarindo, Nandayure, Nosara, Hojancha — todos nomes de origem indígena que o espanhol não conseguiu apagar.


O sabanero: o cowboy que a Costa Rica inteira adotou como ícone

Se existe uma figura humana que representa Guanacaste de forma imediata e reconhecível, é o sabanero — o vaqueiro das planícies, o condutor de gado que trabalha nas fazendas das terras baixas do Vale do Tempisque e das pastagens que se estendem até os contrafortes da cordilheira.

O sabanero não é uma invenção do turismo. É uma realidade econômica que existe desde os primeiros séculos da colonização espanhola, quando os encomenderos perceberam que as planícies abertas de Guanacaste eram ideais para a criação de gado bovino. As haciendas ganaderas se estabeleceram, as técnicas de manejo se desenvolveram, e um modo de vida específico emergiu — com cavalos, laço, chapéu de aba larga, botas de couro e uma relação com a terra que é ao mesmo tempo trabalho e identidade.

As festas tradicionais de Guanacaste giram em torno dessa cultura. Os topes — desfiles de cavalos com cavaleiros em traje típico que percorrem as ruas das cidades e vilas em datas comemorativas — são eventos de participação massiva, não de apresentação folclórica para turistas. As montadas de touros — que na versão costarriquenha são diferentes das corridas espanholas, com touros que não são feridos — acontecem nas festas de cantão durante o ano inteiro e atraem multidões de locais que se reúnem nas arquibancadas de madeira improvisadas com o entusiasmo de quem foi a esse espetáculo desde a infância.

Santa Cruz, chamada de La Cuna de la Tradición — o berço da tradição — é o cantão onde essas festas têm seu epicentro. As Fiestas Típicas Nacionales de Santa Cruz, em janeiro, são declaradas Patrimônio Cultural Imaterial da Costa Rica e reúnem durante dias os elementos mais representativos da cultura guanacasteca: bailes folclóricos com as danças típicas da região, marimba ao vivo, gastronomia local, topes, montadas de touros. Não é uma feira de turismo. É uma celebração que a população de Santa Cruz faz para si mesma, e que os visitantes têm a sorte de poder observar de dentro.


A marimba e a alma musical de Guanacaste

A música tradicional de Guanacaste tem um instrumento central que define tudo o mais: a marimba. Um instrumento de percussão de madeira — tecnicamente um idiofone de teclado — cujas origens africanas chegaram à América Central através dos escravizados trazidos pelo comércio colonial que passou pelo que hoje é a Guatemala. A marimba africana foi adaptada, ganhou ressonadores de cabaça, depois de tubos de metal, e se tornou o instrumento por excelência da identidade guanacasteca.

O som da marimba — rico, complexo, com uma reverberação que fica no ar mais tempo do que a nota inicial — é o que toca nos bailes folclóricos, nas festas de cantão, nos eventos públicos da província. Não é um som nostálgico de museu. Em Guanacaste, a marimba ainda toca em praças abertas, ainda acompanha casamentos e festas de família, ainda é ensinada em escolas de música locais para crianças que nunca foram a um recital formal na vida.

As danças que acompanham a marimba têm nomes que descrevem movimentos ou situações — o Punto Guanacasteco, a dança folclórica nacional da Costa Rica, nasceu aqui. As saias rodadas das dançarinas, os chapéus e bandanas dos dançarinos, os movimentos que alternam galanteria e brincadeira — tudo isso codifica uma forma de sociabilidade específica que a música tornou possível de transmitir entre gerações sem texto escrito.


A gastronomia que as praias de Guanacaste escondem

O turismo de resort e o turismo de surf criaram uma camada gastronômica em Guanacaste que cobre a cozinha local com hambúrgueres artesanais, açaí bowls e sushi de atum. Essas coisas existem, têm qualidade, e têm o seu lugar. Mas embaixo dessa camada existe uma cozinha guanacasteca que tem raízes Chorotega e coloniais e que aparece nos mercados locais, nos comedores de beira de estrada e nas casas da comunidade com uma consistência que os restaurantes turísticos raramente reproduzem.

O milho é a base. Não é novidade no contexto centroamericano, mas em Guanacaste ele aparece em preparações específicas que o restante da Costa Rica não tem da mesma forma. As tortillas guanacastecas são feitas de milho branco e têm espessura e textura diferentes das tortillas mexicanas — mais densas, assadas na brasa, com um sabor defumado sutil que combinado com queijo derretido e pico de gallo constitui um café da manhã que nenhum buffet de resort vai reproduzir com fidelidade.

O gallo pinto — a mistura de arroz e feijão que é o prato nacional costarriquenho por excelência — tem em Guanacaste variações que usam o feijão mungo ou o feijão gurrubí, cultivados nas planícies do Tempisque e com um sabor diferente do feijão preto do restante do país. Servido com ovos mexidos, natilla (creme azedo local) e tortilla guanacasteca, é o café da manhã que os caminhoneiros e fazendeiros tomam antes das seis da manhã nas estradas do interior.

O chifrijo — um prato popular costarriquenho que combina arroz, feijão, carne de porco frita e chimichurri local servido em tigela — tem variações guanacastecas com ingredientes locais que os bares de Liberia e Santa Cruz servem na mesa ao som de marimba ao vivo no final de semana.

E há o guaro — a aguardente de cana costarriquenha, destilada, limpa, que se bebe com fruta fresca ou misturada em coquetéis simples. Em Guanacaste, o guaro de cana aparece em festas locais e em bares que não têm menu de drinks elaborado — tem uma garrafa e tem gelo, e a conversa se faz da mesma forma que em qualquer barzinho de interior do mundo.


A Área de Conservação Guanacaste: o Patrimônio da Humanidade que a maioria dos turistas não visita

Em 1999, a UNESCO declarou a Área de Conservação Guanacaste (ACG) como Patrimônio Natural da Humanidade. O reconhecimento abrange três parques nacionais — Santa Rosa, Guanacaste e Rincón de la Vieja — e uma área de proteção marinha associada, totalizando mais de 163.000 hectares de ecossistemas que vão da floresta tropical seca na costa até a floresta úmida nas encostas vulcânicas.

O Parque Nacional Santa Rosa é o núcleo histórico e ecológico da área. Foi no rancho colonial da Casona de Santa Rosa que, em 1856, forças costarriquenhas derrotaram o exército do filibusteiro americano William Walker, que tentava conquistar a América Central para transformá-la em estados escravagistas. O rancho original foi incendiado por vândalos em 2001 e reconstruído com exatidão histórica em 2002 pela mobilização da própria população. A Casona de Santa Rosa não é apenas monumento turístico — é o lugar onde a Costa Rica prova que a sua identidade de país pacífico não significa que não sabe se defender.

A biodiversidade de Santa Rosa representa um dos maiores fragmentos contínuos de floresta tropical seca do mundo. Durante a estação chuvosa, a floresta explode em verde. Na seca, as árvores perdem as folhas em sincronia e revelam a estrutura desnuda dos galhos contra um céu limpo. Os dois estados são espetaculares de formas diferentes — e os pesquisadores que estudam os ciclos sazonais da floresta tropical seca aqui vêm de todo o mundo, porque o ACG tem um dos programas de monitoramento ecológico de longo prazo mais completos do hemisfério.

Playa Naranjo, dentro de Santa Rosa, tem ondas que estão entre as melhores da Costa Rica para surfe — a quebra da Witch’s Rock (Roca Bruja) produz tubos longos que atraem surfistas experientes do mundo inteiro. O acesso exige estrada de terra de alta dificuldade (4×4 obrigatório) ou barco a partir de Playas del Coco. Essa dificuldade de acesso é parte da proteção. Quem chega na Witch’s Rock chegou com intenção.


O Golfo de Papagayo e a costa norte: onde o luxo encontrou a geografia certa

A Península Papagayo e o golfo que a envolve são o polo de turismo de alto padrão de Guanacaste — talvez de toda a Costa Rica. A combinação de baías protegidas com águas calmas, visibilidade excepcional para mergulho e snorkeling, e uma infraestrutura hoteleira que inclui redes como Four Seasons, Andaz e Secrets criou aqui um corredor de resorts que tem poucos paralelos na América Central.

Mas o que torna Papagayo diferente de outros polos de resorts tropicais do mundo não é apenas o padrão das propriedades. É o contexto em que elas estão inseridas. A dez minutos de barco dos molhes dos resorts, o fundo do mar tem tartarugas, raias e tubarões-lixa. A uma hora de carro, o Rincón de la Vieja tem lama vulcânica borbulhando. A meia hora, o Parque Nacional Santa Rosa tem pumas e deer atravessando a estrada ao entardecer. O luxo de Papagayo funciona como acesso, não como destino final — e quem entende isso aproveita o melhor dos dois mundos.

Os Ventos Papagayo — os alísios que sopram do nordeste durante a estação seca com intensidade considerável — criaram acidentalmente uma das melhores condições de kitesurf e windsurf da América Central. O Golfo de Papagayo, especialmente na área de Bahía Salinas perto da fronteira com a Nicarágua, recebe esses ventos com uma consistência que profissionais do kitesurf reconhecem como de classe mundial. Nos meses de dezembro a março, quando os ventos chegam ao pico, é possível ver dezenas de pipas coloridas no ar acima das praias do norte ao mesmo tempo.


A Península de Nicoya: o sul de Guanacaste que tem alma própria

A Península de Nicoya se projeta para o sul a partir da costa de Guanacaste como um braço longo que abraça o Golfo de Nicoya. Geograficamente é parte de Guanacaste no norte e de Puntarenas no sul, mas culturalmente funciona como um território com identidade contínua: praias que resistiram ao desenvolvimento massivo, comunidades que preservaram um ritmo de vida que vai desaparecendo em outras partes da costa costarriquenha, e a distinção de ser uma das cinco Zonas Azuis do planeta — regiões onde a expectativa de vida é significativamente mais alta do que a média global.

Nicoya, a cidade que dá nome à península e foi uma das primeiras urbes coloniais da Costa Rica, tem a Igreja de San Blas — uma das igrejas mais antigas do país, construída em estilo colonial espanhol com paredes de dois metros de espessura que mantêm o interior fresco mesmo no calor intenso da estação seca. A praça em frente à igreja, com árvores de guanacaste adultas e velhas que fazem sombra densa, é um dos lugares mais serenos de toda a província num meio de tarde ensolarado.

Mais ao sul da península, Nosara manteve uma regulação urbana que proibiu por anos construções de grande porte em primeira linha de praia — o resultado é visível na chegada: a floresta ainda chega até a areia, os galhos das árvores cruzam sobre a estrada, e as praias não têm fileira de guarda-sóis de hotel até o horizonte. Playa Guiones, a principal praia de surf de Nosara, quebra de forma consistente para todos os níveis e tem uma comunidade de surfistas permanentes que mora no vilarejo há décadas, chegando de manhã cedo e indo embora depois da sessão da tarde sem o barulho que as praias turísticas acumulam.

Sámara tem uma enseada protegida por recife de coral que deixa o mar excepcionalmente calmo — perfeito para famílias com crianças pequenas, para snorkeling sem onda, para caiaque que sai e volta sem drama. O vilarejo tem praça central com árvores antigas, uma padaria que abre às seis da manhã, e restaurantes que servem peixe do dia que foi pescado na mesma enseada naquele amanhecer.


O que a Costa de Ouro guarda além das praias famosas

O apelido de Costa de Ouro que alguns roteiros usam para o litoral de Guanacaste é uma referência ao tom dourado que a areia das praias adquire no final da tarde, quando o sol do Pacífico bate de lado e transforma cada grão de quartzo num reflexo quente. É também uma referência implícita ao valor do que está lá — não apenas natural, mas econômico e cultural.

Mas a Costa de Ouro tem joias que o turismo de massa ainda não descobriu completamente, e que merecem ser nomeadas sem exagero:

Ostional, na península de Nicoya, tem a maior concentração de desova da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) da Costa Rica. Durante as chamadas arribadas — eventos de desova coletiva que acontecem entre junho e dezembro, especialmente nos meses de setembro e outubro — milhares de tartarugas chegam à praia numa mesma noite, num espetáculo de escala que poucos eventos naturais do planeta conseguem igualar. Ostional tem um programa de manejo comunitário único no mundo: a comunidade local pode coletar legalmente os ovos das primeiras 36 horas de cada arribada — um período em que os ovos seriam destruídos pelas tartarugas seguintes de qualquer forma — e vender esses ovos com autorização do governo. O dinheiro financia a proteção do restante da temporada. É uma das políticas de conservação mais inteligentes e bem-sucedidas da Costa Rica.

Palo Verde, no Vale do Tempisque, é um parque nacional de zona úmida que a maioria dos visitantes de Guanacaste nunca visita. Em vez de praias e vulcões, Palo Verde tem canais, manguezais, campos inundáveis sazonalmente e a maior concentração de aves aquáticas da América Central. Jaçanás, colhereiros-rosados, espátulas, garças em quantidade que torna difícil fotografar uma sem ter quinze outras no enquadramento. Os passeios de barco pelos canais do Tempisque ao amanhecer são um dos melhores momentos de observação de aves de todo o país — e são frequentados principalmente por ornitólogos e pesquisadores, não por turistas de praia.


Por que Guanacaste é diferente de todo o resto

A maioria dos destinos turísticos tem uma camada de apresentação para visitantes e uma camada de vida real para os que moram lá. Essas duas camadas raramente se tocam de forma significativa.

Guanacaste tem camadas também — os resorts de Papagayo e os vilarejos de pescadores do sul da Nicoya existem no mesmo espaço geográfico mas em realidades distintas. Mas a diferença aqui é que a camada cultural local tem profundidade suficiente para resistir à pressão da camada turística. A cultura guanacasteca — com suas raízes Chorotega, sua herança do sabanero, sua marimba, seus topes, suas festas de cantão, sua cerâmica de Guaitil, seu gallo pinto de feijão mungo — não é uma reconstituição folclórica para fotografia de viajante. É a vida real de pessoas que moram aqui e que fazem essas coisas porque faziam antes de o turismo chegar e vão continuar fazendo quando o turismo eventualmente mudar de endereço.

Isso é raro. E é, talvez, a coisa mais valiosa que Guanacaste tem — mais do que qualquer praia, mais do que qualquer vulcão, mais do que qualquer coucher de soleil sobre o Pacífico. Um destino com raízes que se aprofundam muito além do que um roteiro de sete dias consegue alcançar.

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