10 Curiosidades Fascinantes Sobre o Castelo de Edimburgo

O Castelo de Edimburgo é a atração turística paga mais visitada da Escócia — e quem sobe até ele entende por quê em questão de minutos. Não é apenas uma fortaleza bonita com vista para a cidade. É um lugar que acumula séculos de guerra, monarquia, lenda e estranheza, tudo empilhado sobre uma rocha vulcânica no coração da capital escocesa. Para quem está planejando a visita — ou simplesmente tem curiosidade sobre o lugar —, há uma série de fatos sobre esse castelo que a maioria dos guias turísticos menciona de passagem, mas que merecem mais atenção do que recebem.

Foto de Pedro Roberto Guerra: https://www.pexels.com/pt-br/foto/36088391/

1. Está Construído Sobre um Vulcão Extinto de 350 Milhões de Anos

O castelo não foi construído em cima de uma colina qualquer. A formação rochosa conhecida como Castle Rock é o remanescente de um vulcão extinto há aproximadamente 350 milhões de anos. Com 130 metros de altura acima do nível do mar, a rocha protege o castelo de forma quase natural por três dos quatro lados — as encostas íngremes tornaram o local praticamente inexpugnável por séculos.

O único acesso possível ao castelo é pelo lado leste, diretamente da Royal Mile, a rua mais famosa de Edimburgo. Não é coincidência — é arquitetura militar ditada pela própria geologia.

E tem mais: o Palácio de Holyrood, que fica no extremo oposto da Royal Mile, foi construído perto do Arthur’s Seat, outro vulcão extinto na mesma cidade. Edimburgo, por algum motivo, tem predileção por se instalar sobre crateras adormecidas.


2. O Edifício Mais Antigo de Edimburgo Fica Dentro do Castelo

A Capella de Santa Margarida (St. Margaret’s Chapel) é o edifício mais antigo não apenas do castelo, mas de toda a cidade de Edimburgo. Data de aproximadamente 1130, construída pelo rei David I em homenagem à sua mãe, a rainha Margarida, que morreu em 1093 — dizem que de desgosto, ao receber a notícia da morte do marido, o rei Malcolm III.

É uma construção minúscula para os padrões de um castelo. O interior comporta apenas uma dúzia de pessoas em pé. Mas o que impressiona é a sobrevivência: em meio a séculos de ataques, saques e reconstruções, essa capelinha de estilo românico permaneceu de pé enquanto quase tudo ao redor foi demolido e erguido de novo várias vezes.


3. Um Canhão é Disparado Todos os Dias ao Meio-Dia e Um — E Tem uma Razão Prática para Isso

Todo dia, às 13h em ponto, um estrondo ecoa por Edimburgo. Quem está caminhando pela Princes Street pela primeira vez leva um susto. Os moradores locais nem piscam.

One O’Clock Gun é uma tradição que remonta a 7 de junho de 1861. A história começa alguns anos antes, em 1852, quando foi instalada uma esfera de tempo no alto do Monumento Nelson, no Calton Hill — ela caía exatamente à 1 da tarde para que os navios no Firth of Forth pudessem acertar seus cronômetros. O problema: Edimburgo tem neblina densa com uma frequência irritante, e os marinheiros simplesmente não conseguiam ver a esfera.

A solução veio de um homem de negócios chamado John Hewat, que trouxe a ideia de Paris: disparar um canhão. O som atravessa a neblina onde a visão falha. Funcionou tão bem que a tradição nunca parou — e hoje é uma das coisas mais icônicas da cidade.

O canhão não dispara aos domingos, na Sexta-Feira Santa e no Natal. O atual modelo em uso é um canhão de campo de 105mm, instalado desde 2001. E sim, as pessoas ainda param para ver.


4. As Joias da Coroa Escocesa São as Mais Antigas da Europa

O castelo abriga os Honours of Scotland — o nome oficial das joias da coroa escocesa. Estamos falando da coroa, do cetro e da espada de Estado, um conjunto que data do século XV e que são consideradas as joias de coroação mais antigas ainda existentes na Europa.

Mas a história desses objetos não é apenas de pompa e cerimônia. Em 1707, com a união da Escócia e da Inglaterra no Reino Unido, houve uma preocupação real de que as joias fossem levadas para Londres. Elas foram então escondidas em um cofre dentro do castelo e esquecidas — por mais de cem anos. Só em 1818, após uma busca autorizada pelo escritor Sir Walter Scott, foram reencontradas.

Ficaram guardadas, sem que ninguém soubesse direito onde estavam, por mais de um século. Esse detalhe por si só diz muito sobre a relação que a Escócia tinha com a Inglaterra na época.


5. A Pedra do Destino Foi Roubada Pelos Ingleses e Ficou Fora da Escócia por Sete Séculos

Stone of Destiny — ou Pedra do Destino — é um bloco de arenisto que, por séculos, foi usada nas cerimônias de coroação dos reis escoceses. Em 1296, o rei Eduardo I da Inglaterra a levou como troféu de guerra para Londres, onde ficou guardada sob o trono na Abadia de Westminster.

Por mais de 700 anos, a pedra ficou na Inglaterra. Só em 1996 foi devolvida à Escócia, em uma cerimônia oficial, e hoje está exposta no castelo ao lado das joias da coroa.

Mas a história tem um capítulo curioso no meio: em 1950, quatro estudantes escoceses se infiltraram na Abadia de Westminster, no Natal, e roubaram a pedra de volta para a Escócia. Ela foi recuperada e devolvida pelos ingleses alguns meses depois. Os quatro nunca foram processados. É o tipo de episódio que os escoceses contam com um sorriso no rosto.


6. Há um Cemitério de Animais de Estimação Dentro do Castelo

Existe, em uma pequena varanda dentro do castelo, um cemitério de animais de estimação. Foi criado em 1840 para que os soldados da guarnição pudessem enterrar seus animais — em sua maioria cães. Há lápides minúsculas com nomes e datas, algumas bastante desgastadas pelo tempo.

Faz sentido quando você pensa no contexto: os soldados viviam isolados dentro do castelo por longos períodos. Os animais eram companhia real, não decoração. E quando morriam, mereciam ser enterrados com alguma dignidade.

É um dos cantos menos comentados do castelo, mas que causa um efeito inesperado em quem passa por lá. Há algo muito humano naquelas pedrinhas pequenas no chão.


7. O Castelo Funcionou Como Prisão de Guerra por Séculos

Durante os séculos XVII, XVIII e parte do XIX, o Castelo de Edimburgo serviu como prisão. Não qualquer prisão — os calabouços guardaram prisioneiros de guerras como a Guerra dos Sete Anos, a Guerra de Independência dos Estados Unidos, as Guerras Napoleônicas e até a Primeira Guerra Mundial.

Nas paredes de algumas celas ainda é possível ver inscrições feitas pelos prisioneiros — nomes, datas, marcações de tempo. Soldados americanos, franceses e de outras nacionalidades deixaram rastros gravados na pedra.

É um dos aspectos do castelo que as pessoas menos esperam encontrar. A ideia de que marinheiros americanos do século XVIII ficaram presos naquela rocha no norte da Escócia tem uma dimensão histórica que vai além do turismo.


8. Um Rei da Escócia Nasceu Dentro do Castelo

Em 1566, dentro de uma câmara pequena no castelo, nasceu Jaime VI da Escócia — o mesmo que, anos depois, se tornaria também Jaime I da Inglaterra, unindo as duas coroas. Sua mãe era Maria, Rainha dos Escoceses, uma das figuras mais trágicas e fascinantes da história britânica.

O quarto onde ele nasceu ainda existe e pode ser visitado. É um espaço surpreendentemente modesto para o nascimento de alguém que governaria dois reinos. As paredes são de pedra escura, sem ornamentação excessiva, e a janela é pequena. Mais sala de armazenamento do que câmara real.


9. O Rei Jaime IV Construiu um Sistema de Escuta Dentro do Castelo

No século XV, o rei Jaime IV mandou criar uma abertura estratégica em uma das paredes do Grande Salão — um espaço projetado especificamente para que ele pudesse ouvir as conversas que aconteciam sem ser visto. O sistema ficou conhecido como Lord’s Ears.

A paranoia não era exclusividade dos monarcas medievais, mas a engenhosidade de construir um mecanismo de espionagem permanente dentro da arquitetura do castelo tem algo de admirável, por mais perturbador que seja. Edimburgo tem uma longa história de segredos, e o castelo guardou muitos deles nas próprias pedras.


10. A Lenda do Gaiteiro Fantasma

Sob o castelo existe uma rede de túneis subterrâneos que conecta a fortaleza a outras partes da cidade. Quando os túneis foram descobertos, a história conta que mandaram um jovem gaiteiro explorá-los, tocando sua gaita para que as pessoas na superfície pudessem acompanhar seu progresso pelo som.

O som foi ouvido por um trecho — e depois silenciou. O gaiteiro nunca voltou.

Desde então, diz a lenda, é possível ouvir o som de uma gaita saindo de debaixo das ruas de Edimburgo. O fantasma ficou conhecido como o Lone Piper — o Gaiteiro Solitário. Não há registro histórico comprovado do episódio, mas a lenda é levada com seriedade suficiente para que o castelo seja considerado um dos lugares mais assombrados da Escócia.

Edimburgo já foi classificada como uma das cidades mais assombradas do mundo. O castelo, convenientemente, fica bem no centro disso tudo.


Visitar o Castelo de Edimburgo sabendo essas histórias muda a experiência completamente. Você não está apenas subindo uma colina bonita — está caminhando por cima de um vulcão adormecido, passando por celas onde americanos rabiscaram as paredes no século XVIII, ouvindo um canhão que os marinheiros usavam para acertar os relógios. São camadas sobre camadas de tempo comprimidas em um único lugar. Poucos castillos na Europa conseguem isso com tanta naturalidade.

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