Dúvidas Comuns de Viagem de Avião com Bebês
Descubra se bebê paga passagem aérea, qual a franquia de bagagem permitida, documentação necessária para embarque, regras sobre assento, carrinho e berço de bordo nas principais companhias brasileiras.

Planejar uma viagem de avião com bebê levanta uma série de perguntas que nem sempre têm respostas claras nos sites das companhias aéreas. A informação existe, mas está espalhada em páginas diferentes, misturada com regras para crianças maiores ou adultos. O resultado é que muitos pais chegam ao aeroporto com dúvidas que poderiam ter sido resolvidas em casa, com calma.
Este texto reúne as seis dúvidas mais frequentes sobre voar com bebê, com base nas regras da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e nas políticas oficiais das principais companhias que operam no Brasil: GOL, LATAM e Azul. A ideia é simples: você lê, entende o que precisa fazer e viaja com tranquilidade.
Bebê paga passagem aérea?
A resposta curta é: depende do tipo de vôo e da idade do bebê.
Bebês de até 2 anos incompletos, quando viajam no colo de um adulto, não pagam passagem em vôos domésticos. Em vôos internacionais, pagam 10% do valor da tarifa do adulto. Essa é a regra geral aplicada pela maioria das companhias aéreas brasileiras.
A GOL, por exemplo, permite que bebês de até 2 anos incompletos embarquem gratuitamente em vôos nacionais, desde que viajem no colo de um responsável maior de 18 anos. Em vôos internacionais da GOL, o bebê paga 10% da tarifa adulta. A LATAM segue a mesma lógica. A Azul também.
Mas atenção: o bebê precisa estar incluído na reserva, mesmo quando não paga passagem. Na hora de comprar o bilhete do adulto, há uma opção para adicionar o bebê de colo. Se você esquecer de fazer isso no momento da compra, precisa entrar em contato com a central de atendimento da companhia antes do dia do vôo para incluir o nome do bebê na reserva.
Outro ponto importante: só é permitido um bebê de colo por adulto. Se a família tiver gêmeos, precisa haver dois adultos pagantes na reserva. Essa regra existe por questões de segurança, já que cada bebê precisa estar sob os cuidados de um responsável durante eventuais turbulências.
Se os pais quiserem que o bebê viaje em assento próprio, precisam comprar uma passagem infantil, que geralmente tem desconto em relação à tarifa adulta. Nesse caso, é obrigatório usar uma cadeirinha de carro homologada para uso em aeronaves.
| Tipo de vôo | Bebê de colo (até 2 anos) | Bebê com assento próprio |
| Doméstico | Gratuito | Passagem infantil (com desconto) |
| Internacional | 10% da tarifa adulta | Passagem infantil (com desconto) |
O bebê tem direito à mesma franquia de bagagem dos pais?
Não exatamente. A franquia de bagagem do bebê depende da companhia aérea e do tipo de tarifa comprada, mas existe uma regra clara: equipamentos de bebê como carrinho, bebê conforto e moisés são transportados gratuitamente, fora da franquia de bagagem, em todos os vôos.
A Resolução ANAC nº 400/2016 determina que equipamentos de mobilidade, incluindo carrinhos de bebê, devem ser transportados gratuitamente pelas companhias aéreas. Qualquer cobrança pelo despacho do carrinho é ilegal.
Na prática, isso significa que você pode levar o carrinho, o bebê conforto ou o moisés sem que esses itens contem como parte da sua franquia de bagagem despachada.
A GOL permite levar um carrinho ou um bebê conforto gratuitamente em vôos domésticos quando o passageiro viaja com bebê de colo. Em vôos internacionais da GOL, o bebê de colo tem direito a uma mala despachada de até 23 kg, além do carrinho ou bebê conforto.
A LATAM permite que bebês de até 2 anos levando tarifa bebê transportem na cabine um artigo pessoal, como carrinho dobrável, moisés portátil ou cadeirinha de carro certificada. Se não houver espaço na cabine, o item vai para o bagageiro sem custo adicional. A tarifa bebê da LATAM não inclui bagagem despachada, mas é possível comprar com desconto até 6 horas antes do vôo.
A Azul, por sua vez, é a única companhia brasileira que inclui uma mala de 23 kg na tarifa básica para bebês de colo em vôos domésticos, além do transporte gratuito de carrinho e bebê conforto.
Um detalhe prático: você pode conduzir o carrinho até a porta da aeronave. A equipe de solo recolhe o carrinho no portão, ele é guardado no compartimento de carga e devolvido na porta da aeronave ao chegar no destino. Isso evita que você fique carregando bebê e carrinho fechado pelos corredores do aeroporto.
| Companhia | Carrinho/bebê conforto | Bagagem despachada do bebê |
| GOL | Gratuito (fora da franquia) | Doméstico: não inclui; Internacional: 1 mala de 23 kg |
| LATAM | Gratuito (fora da franquia) | Não incluída na tarifa bebê (pode comprar com desconto) |
| Azul | Gratuito (fora da franquia) | 1 mala de 23 kg incluída (mesmo na tarifa básica) |
Qual a documentação necessária para embarque com bebê?
A documentação varia conforme o tipo de vôo (doméstico ou internacional) e a idade do bebê, mas a regra geral é: bebê precisa de documento de identificação para embarcar.
Para vôos domésticos, a certidão de nascimento é aceita para crianças de até 11 anos incompletos. Pode ser a versão original em papel ou cópia autenticada em cartório. Desde maio de 2026, a ANAC emitiu ofício determinando que as companhias aéreas aceitem também a certidão de nascimento digital, aquela emitida eletronicamente pelos cartórios brasileiros, com a mesma validade jurídica da versão impressa.
Antes desse ofício, alguns funcionários de aeroporto faziam interpretação própria e recusavam o documento digital. Agora a regra está clara: vale a versão em papel e vale a versão eletrônica. O importante é que o documento esteja legível e em boas condições.
Se o bebê já tiver RG próprio, também pode ser usado. Mas a certidão de nascimento é o documento mais comum para bebês, já que o RG nem sempre é emitido logo nos primeiros meses de vida.
Para vôos internacionais, a história muda completamente. Bebê precisa de passaporte próprio, sem exceção. Não existe mais a possibilidade de o bebê constar no passaporte dos pais. Essa prática foi abolida há décadas.
O passaporte brasileiro para menores é emitido pela Polícia Federal e tem validade de cinco anos (ao contrário dos dez anos para adultos). Para solicitar, ambos os pais precisam comparecer pessoalmente ao posto da PF com a criança, ou um deles precisa apresentar autorização do outro por escritura pública.
Os documentos necessários para tirar o passaporte do bebê são: certidão de nascimento original, documento de identidade dos pais e comprovante de agendamento no site da Polícia Federal. O custo em 2026 é de R$ 257,25.
O prazo de emissão costuma ser de até seis dias úteis após o pagamento da taxa, mas a recomendação prática é solicitar com pelo menos 60 dias de antecedência da viagem. Imprevistos acontecem, o sistema da PF pode apresentar problemas, a foto pode precisar ser refeita, e você não quer passar perrengue em cima da hora.
Se o bebê for viajar para o exterior desacompanhado de um dos pais ou com apenas um deles, pode ser necessária autorização judicial ou autorização por escrito do pai ou mãe que não vai viajar, com firma reconhecida em cartório. Para vôos internacionais, verifique também as exigências de visto do país de destino, mesmo para bebês.
| Tipo de vôo | Documento aceito | Observação |
| Doméstico | Certidão de nascimento (papel, cópia autenticada ou digital) | Aceito até 11 anos incompletos |
| Internacional | Passaporte próprio | Validade de 5 anos; solicitar com 60 dias de antecedência |
O bebê pode ocupar um assento?
Pode, mas depende da idade e da vontade dos pais.
Bebês de até 2 anos incompletos podem viajar de colo, sem assento próprio, pagando tarifa reduzida ou gratuitamente conforme o tipo de vôo. Essa é a opção mais comum, especialmente em vôos curtos.
Mas os pais podem optar por comprar um assento para o bebê, mesmo ele tendo menos de 2 anos. Nesse caso, precisam adquirir uma passagem infantil, que geralmente tem desconto em relação à tarifa adulta.
A grande vantagem de comprar assento para o bebê é a segurança. Em caso de turbulência, o bebê fica protegido em uma cadeirinha de carro homologada para uso em aeronaves, fixada na poltrona com o cinto de segurança do avião.
A desvantagem é o custo extra e a logística. Você precisa levar a cadeirinha de carro, que precisa ser compatível com as dimensões da poltrona da aeronave e ter o selo de homologação para uso em avião. Nem todas as companhias aceitam qualquer modelo, então vale conferir antes.
A partir dos 2 anos completos, o bebê (que já não é mais bebê, tecnicamente) precisa obrigatoriamente de assento próprio. Aí entra nas regras de passagem infantil ou juvenil, dependendo da idade.
Se você está pensando em comprar assento para um bebê de poucos meses, considere o tamanho do vôo. Em vôos curtos, de uma ou duas horas, o colo funciona bem. Em vôos longos, acima de quatro horas, ter um assento próprio com cadeirinha pode fazer diferença no conforto do bebê e dos pais.
Outra opção em vôos internacionais longos é solicitar o bassinet, o berço de bordo que se acopla à parede da antepara. Vou falar sobre isso na próxima seção.
Eu posso levar um carrinho de bebê a bordo do avião?
Pode, mas com algumas restrições dependendo do modelo do carrinho e do espaço disponível na cabine.
A regra geral é: o carrinho de bebê é transportado gratuitamente pelas companhias aéreas, fora da franquia de bagagem, conforme determina a Resolução ANAC nº 400/2016. Isso vale para todos os vôos domésticos e internacionais operados por companhias brasileiras.
Agora, se o carrinho pode ir na cabine ou precisa ser despachado, depende do modelo.
Carrinhos do tipo guarda-chuva, completamente dobráveis e compactos, podem ser levados na cabine se couberem nos compartimentos superiores de bagagem. As dimensões máximas para bagagem de mão são 55 x 35 x 25 cm, com peso máximo de 10 kg. Se o carrinho dobrado couber nessas medidas e houver espaço no compartimento, pode ir a bordo.
Carrinhos maiores, mais robustos, precisam ser despachados. Mas você não precisa carregá-los pelo aeroporto. A prática padrão é: você conduz o carrinho até a porta da aeronave, a equipe de solo recolhe o carrinho no portão de embarque, ele é etiquetado e guardado no compartimento de carga. Ao chegar no destino, o carrinho é devolvido na porta da aeronave, não na esteira de bagagem.
Isso é uma vantagem enorme. Significa que você pode usar o carrinho para transportar o bebê pelo aeroporto, fazer o check-in, passar pela inspeção de segurança e esperar o embarque, tudo com o bebê acomodado no carrinho. Só na hora de entrar no avião é que o carrinho é recolhido.
A LATAM permite que bebês de até 11 anos com assento comprado transportem carrinho gratuitamente. A GOL e a Azul seguem a mesma lógica para bebês de colo.
Se você viaja com bebê conforto, a regra é parecida. O bebê conforto pode ser levado a bordo se você comprou assento para o bebê e o modelo é compatível com as dimensões da poltrona da aeronave. Nesse caso, ele precisa ser fixado na poltrona com o cinto de segurança do avião.
Outro equipamento que pode ser transportado gratuitamente é o moisés portátil. Se couber na cabine, pode ir a bordo. Se não couber, vai para o bagageiro sem custo.
| Tipo de carrinho | Pode ir na cabine? | Observação |
| Guarda-chuva (dobrável compacto) | Sim, se couber nas dimensões de bagagem de mão | Precisa caber no compartimento superior |
| Carrinho grande/pesado | Não | Despachado gratuitamente; devolvido na porta da aeronave |
| Bebê conforto | Sim, se houver assento comprado para o bebê | Precisa ser fixado na poltrona com cinto de segurança |
A companhia aérea oferece berço para bebês?
Oferece, mas não em todos os vôos e nem em todas as aeronaves. O berço de bordo, chamado de bassinet, está disponível principalmente em vôos internacionais de longa duração operados por aeronaves de corpo largo.
O bassinet é um berço pequeno que se acopla à parede da antepara, aquela parede que separa as classes da aeronave. Ele suporta bebês de até aproximadamente 11 kg e 70 cm de comprimento, dependendo do modelo da aeronave.
A LATAM oferece bassinet em vôos internacionais e em vôos domésticos operados com aeronaves de corpo largo. O bebê precisa ter menos de 10 kg e menos de 71 cm de comprimento. A solicitação precisa ser feita com pelo menos 48 horas de antecedência do vôo.
A GOL não oferece bassinet em suas aeronaves. Em vez disso, a GOL disponibiliza cadeirinha emprestada para crianças de até 25 kg, que precisa ser solicitada com pelo menos 7 dias de antecedência.
A Azul oferece bassinet em vôos internacionais de longa duração, mas a disponibilidade depende do modelo da aeronave. A solicitação deve ser feita no momento da reserva ou com antecedência mínima.
O bassinet é uma bênção em vôos acima de seis horas. Em vez de ficar com o bebê no colo o tempo todo, os pais podem colocá-lo ali para dormir com mais conforto. Mas tem algumas limitações importantes.
Primeiro: a demanda é grande e a oferta é limitada. Geralmente há apenas um ou dois berços disponíveis por aeronave, e eles são alocados por ordem de solicitação. Quanto antes você pedir, maior a chance de garantir.
Segundo: o bassinet só pode ser usado durante o vôo em cruzeiro. Na decolagem, pouso e sempre que o sinal de apertar os cintos estiver aceso, o bebê precisa estar no colo do adulto com o cinto de segurança fechado. Os comissários são rigorosos quanto a isso, e com razão.
Terceiro: para ter acesso ao bassinet, você precisa estar sentado na fileira da antepara. Esses assentos têm espaço extra para as pernas, mas também têm limitações. As mesas de refeição ficam dentro do apoio de braço, o que reduz a largura do assento. E as poltronas da antepara muitas vezes não reclinam completamente.
Se você quer garantir o bassinet, solicite no momento da reserva da passagem. Ligue para a companhia ou faça a solicitação pelo canal de atendimento assim que confirmar o vôo. Não deixe para depois.
| Companhia | Oferece bassinet? | Condições |
| LATAM | Sim | Vôos internacionais e domésticos com corpo largo; bebê < 10 kg e < 71 cm; solicitar com 48h de antecedência |
| GOL | Não | Oferece cadeirinha emprestada (solicitar com 7 dias de antecedência) |
| Azul | Sim | Vôos internacionais de longa duração; solicitar na reserva |
Considerações práticas
As regras existem, mas a aplicação prática pode variar. Nem sempre o funcionário do check-in está atualizado sobre as políticas da companhia, e às vezes você precisa explicar com calma o que está previsto nas regras oficiais.
Ter em mãos os links das páginas oficiais das companhias aéreas sobre viagens com bebês pode ajudar em situações de dúvida no aeroporto. A ANAC também tem uma resolução clara sobre transporte de equipamentos de bebê, e citar a Resolução nº 400/2016 costuma resolver discussões sobre cobrança indevida de despacho de carrinho.
Outro ponto: as políticas podem mudar. O que vale hoje pode ser diferente daqui a seis meses. Por isso, sempre consulte o site oficial da companhia aérea antes de cada viagem, especialmente se faz tempo que você não voa com bebê.
A documentação do bebê merece atenção especial. Certidão de nascimento rasgada, molhada ou ilegível pode ser recusada. Passaporte vencido impede embarque internacional. Esses detalhes parecem óbvios, mas acontecem com mais frequência do que se imagina.
O planejamento antecipado faz toda a diferença. Solicitar o bassinet com antecedência, incluir o bebê na reserva no momento da compra, verificar a validade dos documentos e entender as regras de bagagem evita estresse desnecessário no dia do embarque.
Viajar com bebê de avião não é complicado quando você sabe o que fazer. A informação está disponível, basta organizar as ideias e seguir o passo a passo. O resto é aproveitar o vôo e chegar no destino com a sensação de dever cumprido.

