Dicas Para Fazer uma Viagem Romântica em Capri
Dicas para uma viagem romântica em Capri: quando ir, quantas noites ficar, como chegar de Nápoles e Sorrento, Gruta Azul, Faraglioni, Monte Solaro, praias, restaurantes e o roteiro que evita a multidão.

Capri tem um problema de reputação, e é um problema curioso: a ilha é famosa por ser cara e cheia, e as duas coisas são verdade entre as dez da manhã e as cinco da tarde, de junho a setembro. O que quase ninguém conta é que Capri esvazia. Por volta das seis da tarde, quando o último day trip de Nápoles e Sorrento embarca de volta, a ilha muda de personalidade. As ruas de pedra ficam silenciosas, os terraços acendem, e a Piazzetta vira uma praça de vila italiana com dez mesas ocupadas.
Isso define tudo em relação a uma viagem romântica ali. Dormir em Capri é a diferença entre visitar a ilha e conhecer a ilha. Quem vem por um dia vê a versão pior. Quem dorme duas ou três noites entende por que Capri virou o que virou.
O resto é entender como funciona a ilha, que é pequena, íngreme e cheia de detalhes práticos que atrapalham quem chega sem noção. Vamos por partes, com valores aproximados. Preço em Capri sobe todo ano e varia muito por temporada, então use os números como referência.
Onde Capri fica e como ela é dividida
A ilha fica no Golfo de Nápoles, na ponta da Península Sorrentina, com cerca de dez quilômetros quadrados. É pequena mesmo: dá para atravessá-la de ponta a ponta a pé em algumas horas, se as pernas aguentarem as subidas.
Existem dois núcleos, e a diferença entre eles importa muito na escolha do hotel.
Capri é o centro principal, no alto de uma sela entre os dois lados da ilha, a cerca de 140 metros de altitude. É onde fica a Piazzetta, as ruas de grife, os hotéis históricos e a maior parte dos restaurantes. Movimentado de dia, elegante à noite.
Anacapri fica mais alto, uns 280 metros, na parte oeste, e é bem mais tranquilo. Casario branco, ruas mais largas, praças com laranjeiras, comércio de bairro em vez de vitrine de luxo. É onde ficam o Monte Solaro, a Villa San Michele e o Farol de Punta Carena. Para casal que busca calma e gasto menor, Anacapri costuma ser a melhor escolha.
Marina Grande é o porto, onde chegam todas as balsas. É funcional, não é bonito, e não é lugar para se hospedar. Dali sai o funicular para o centro de Capri.
Marina Piccola é a enseada do outro lado, virada para os Faraglioni, com clubes de praia e restaurantes com pé na água.
Um detalhe fundamental: Capri é vertical. Praticamente tudo é ladeira, escada ou os dois. Calçado com sola boa e sem salto resolve metade dos problemas da viagem. Aquela imagem de sandália delicada nas pedras de Capri é bonita na foto e sofrida na prática.
Quando ir, e por que isso muda tudo
Maio, começo de junho, setembro e começo de outubro são a faixa ideal. Mar já morno em maio e ainda morno em outubro, temperatura entre 22 e 28 graus, tudo aberto, e um volume de gente bem menor que no verão. Setembro é provavelmente o melhor mês da ilha: o mar está na temperatura mais alta do ano, os italianos voltaram ao trabalho depois de agosto, e o preço de hotel cai a partir da terceira semana.
Julho e agosto são o auge de tudo: calor, preço e multidão. Em agosto, especialmente na semana do dia 15, feriado de Ferragosto, a ilha recebe uma quantidade absurda de gente e os italianos todos estão de férias. Hotel custa o dobro ou mais, e restaurante bom exige reserva com semanas de antecedência. Não é impossível, mas exige planejar tudo antes e aceitar dividir os pontos famosos.
Abril e outubro funcionam bem para quem prioriza caminhada e paisagem em vez de banho de mar. Menos gente, luz bonita, preços razoáveis. O mar em abril está frio para a maioria.
Novembro a março é a Capri que quase nenhum turista vê. Boa parte dos hotéis, restaurantes e clubes de praia fecha, o serviço de barco reduz, e a Gruta Azul passa dias fechada por mar agitado. Em compensação, a ilha fica praticamente vazia e os poucos lugares abertos são frequentados por moradores. Serve para um casal específico, que aceita chuva e comércio fechado em troca de silêncio absoluto. A Semana Santa e o Natal são exceções, com movimento maior.
Sobre a Gruta Azul, e isso vale registrar logo: ela depende de mar calmo e de maré. Fecha com frequência, sem aviso, em qualquer época do ano. Nunca monte a viagem em torno dela, porque a chance de não conseguir entrar é real.
Como chegar, sem perder meio dia
Capri não tem aeroporto. Chega-se de barco, e só.
De Nápoles, as balsas saem de dois portos. O Molo Beverello opera os aliscafi, hidrofólios rápidos que fazem a travessia em cerca de 50 minutos, com bilhetes na faixa de 23 a 30 euros por pessoa. O Calata Porta di Massa opera as balsas maiores, mais lentas, cerca de 80 minutos, um pouco mais baratas e capazes de levar carro, o que não interessa a turista porque carro de não residente é proibido na ilha em boa parte do ano.
De Sorrento, a travessia é a mais curta, cerca de 20 a 25 minutos, com passagens entre 21 e 27 euros. É a rota mais prática e a preferida por quem está circulando pela Costa Amalfitana.
De Positano e Amalfi existem barcos sazonais, funcionando de abril a outubro, com trajetos entre 30 e 50 minutos e preços mais altos, na faixa de 25 a 45 euros.
Duas informações que evitam frustração. Primeira: a taxa de bagagem é cobrada à parte na maioria das companhias, algo entre 2 e 5 euros por mala. Segunda: mar agitado cancela travessia. Não é raro, principalmente entre outubro e abril. Por isso vale uma regra simples de planejamento: não coloque vôo internacional de volta no mesmo dia em que sai de Capri. Deixe uma noite em Nápoles ou Sorrento entre uma coisa e outra.
Chegando em Marina Grande, o funicular sobe até a Piazzetta em três minutos, por cerca de 2,40 euros. É a maneira mais rápida e mais divertida de subir. Alternativas: ônibus pequeno, táxi conversível, que é a opção caríssima e charmosa, entre 20 e 30 euros para o centro, ou a escada, que ninguém faz com mala.
Sobre mala: os hotéis oferecem serviço de carregador, os facchini, que buscam as bagagens no porto e levam ao hotel por algo entre 10 e 20 euros por peça. Parece luxo desnecessário, mas com as ladeiras e as escadas da ilha, é dinheiro bem gasto. Muitos hotéis incluem isso na reserva.
Quantas noites e onde dormir
Três noites é o número que faz a ilha funcionar. Dá para um dia de mar e barco, um dia de caminhada e mirante, e um dia solto. Duas noites funciona apertado. Quatro noites é confortável e permite um dia em Positano ou Nápoles.
Sobre bairro:
Capri centro é a escolha para quem quer estar no meio de tudo, com a Piazzetta a poucos passos e os melhores restaurantes ao redor. Mais caro e um pouco mais movimentado durante o dia.
Anacapri entrega tranquilidade real, preço melhor e uma vida de vila. A contrapartida é depender de ônibus ou táxi para ir ao centro, um trajeto de cerca de quinze minutos por uma estrada estreita e sinuosa.
Marina Piccola e a região de Tragara têm alguns hotéis com vista direta para os Faraglioni. É a vista clássica de Capri, e o preço reflete isso.
Sobre valores, para dar noção: hotéis de três estrelas em Anacapri e nas áreas mais afastadas ficam entre 150 e 280 euros a noite na média temporada. Quatro estrelas com vista no centro de Capri ficam entre 300 e 600. Os cinco estrelas históricos, como o Quisisana, o Punta Tragara e o Caesar Augustus em Anacapri, passam facilmente de 800 a 1.500 euros a noite no verão. Fora de temporada, tudo isso cai bastante, e vários fecham.
O que vale procurar num hotel em Capri, pensando em casal: terraço ou varanda privativa. Não é frescura. Metade do que torna a ilha especial é o fim de tarde, e ter onde sentar com uma taça olhando o golfo transforma a hospedagem em programa. Vista para os Faraglioni ou para o Vesúvio, se der.
Uma alternativa que muita gente ignora: dormir em Sorrento e visitar Capri em um dia. É bem mais barato, mas você perde justamente a melhor parte, que é a noite na ilha. Se o orçamento aperta, prefira duas noites em Capri em vez de quatro em Sorrento com um bate-volta.
Os Faraglioni e a caminhada mais bonita da ilha
Os Faraglioni são os três rochedos que saem do mar na costa sul, com 109, 82 e 104 metros de altura. O do meio, o Faraglione di Mezzo, tem um arco natural atravessado no meio, e os barcos passam por dentro dele. É tradição os casais se beijarem na passagem, e é uma dessas coisas bobas que todo mundo faz de qualquer forma. No terceiro rochedo vive a lucertola azzurra, uma lagartixa de barriga azul que só existe ali.
A melhor vista deles é do Belvedere di Tragara, e chegar lá é o passeio a pé mais fácil e mais recompensador de Capri. Sai-se da Piazzetta pela Via Vittorio Emanuele, segue pela Via Camerelle, com as vitrines de grife, e depois pela Via Tragara, uma rua arborizada de calçamento antigo entre muros de villas escondidas. São uns quinze a vinte minutos de caminhada quase plana, com buganvílias e limoeiros por todo o trajeto. No fim, o mirante se abre com os três rochedos abaixo. Gratuito, aberto sempre, e melhor no fim da tarde.
Dali, quem tiver disposição pode descer a escada íngreme até a base dos Faraglioni, onde ficam dois clubes de praia. A descida leva uns quinze minutos. A subida de volta, o dobro, e é puxada. Vale saber disso antes de descer com sandália.
O Da Luigi ai Faraglioni é o restaurante encravado na rocha ao pé dos rochedos, funcionando desde 1936. Almoçar ali é dos programas mais bonitos da ilha, com espreguiçadeiras e acesso ao mar. Custa caro, algo entre 80 e 150 euros para dois no almoço, e o aluguel de espreguiçadeira é cobrado separado. Reserva é obrigatória na temporada. Eles operam um barquinho de transporte que busca os clientes em Marina Piccola, o que resolve o problema da escada.
O La Fontelina, ao lado, segue o mesmo modelo e é ainda mais concorrido. Só acesso a pé ou de barco, sem piscina, com mergulho direto no mar sobre as pedras.
Jardins de Augusto e a Via Krupp
Os Giardini di Augusto ficam a poucos minutos da Piazzetta e cobram entrada baixa, em torno de 2 euros. São terraços em degraus, cheios de flores, debruçados sobre o penhasco. Do mirante ao fundo se vê a Marina Piccola de um lado e os Faraglioni do outro. É um dos pontos mais fotografados da Itália, e com razão.
De lá se vê também a Via Krupp, um caminho de pedestre em zigue-zague talhado na rocha entre 1900 e 1902, encomendado pelo industrial alemão Friedrich Alfred Krupp para ligar seu hotel à Marina Piccola. São curvas fechadíssimas descendo o paredão, e é uma obra de engenharia impressionante. O problema é que a via passa longos períodos fechada por risco de queda de pedra, e reabre de forma intermitente. Verifique na hora. Fechada ou não, a vista dela de cima já compensa a entrada nos jardins.
Monte Solaro: o teleférico que vale cada centavo
Do centro de Anacapri sai a seggiovia, um teleférico de cadeirinha aberta, individual, que sobe ao topo do Monte Solaro, o ponto mais alto da ilha, com 589 metros. A subida leva cerca de treze minutos, e o ingresso fica em torno de 14 euros ida e volta, ou 11 euros só a subida.
É uma experiência estranha e ótima: você vai sentado, sozinho na cadeirinha, com os pés balançando sobre hortas, muros de pedra, figueiras e telhados. Silencioso, lento, sem grade. Quem tem medo de altura sofre um pouco, mas nada radical.
No topo, a vista cobre a ilha inteira, a Península Sorrentina, o Vesúvio e, em dias limpos, as ilhas de Ischia e Procida e a costa amalfitana. É o melhor panorama de Capri, e no fim da tarde a luz é excepcional. Tem um bar simples no alto.
Detalhe prático: o teleférico funciona em horários que mudam por estação e fecha em dias de vento forte. E ele encerra as operações antes do pôr do sol na maior parte do ano, então não conte com pôr do sol lá em cima. Quem quiser ficar até mais tarde pode descer a pé por uma trilha, cerca de uma hora, passando pela pequena ermida de Santa Maria a Cetrella, que fica agarrada na encosta e tem uma vista bonita.
Villa San Michele e Villa Jovis
A Villa San Michele, em Anacapri, foi construída pelo médico sueco Axel Munthe no fim do século 19, sobre ruínas romanas. Ingresso em torno de 12 euros. A casa mistura peças arqueológicas com decoração pessoal do dono, e o ponto alto é a loggia com colunas brancas e a esfinge de granito egípcia virada para o golfo. Diz-se que tocar as costas da esfinge com a mão esquerda e fazer um pedido dá sorte. Todo mundo faz.
A vista dali é uma das mais famosas da Itália. E como a villa fica no alto, dá para ver a Escada Fenícia, os 921 degraus antigos que ligavam Anacapri a Marina Grande antes de existir estrada. Descer essa escada é possível e é bonito, mas cansa os joelhos. Subir só para quem gosta de sofrer.
A Villa Jovis fica no extremo leste da ilha e é o que sobrou do palácio do imperador Tibério, que governou Roma de Capri nos últimos dez anos de vida, a partir de 27 d.C. Foram doze villas imperiais na ilha, e essa era a maior. Ingresso em torno de 6 euros.
Chegar lá exige uma caminhada de cerca de 45 minutos a partir da Piazzetta, subindo pela Via Tiberio. É íngreme, é bonita, passa por casas e muros de pedra, e praticamente ninguém faz. Você provavelmente vai ter as ruínas quase para vocês dois. No ponto mais alto está o Salto di Tiberio, um penhasco de 330 metros de onde, segundo os relatos antigos, o imperador mandava jogar os desafetos. A vista de lá é vertiginosa. Vá pela manhã, porque não tem sombra no caminho.
Ainda no lado leste, o Arco Naturale é um arco de pedra formado por erosão, alcançado por uma trilha a partir do centro. No caminho está a Grotta di Matermania, uma caverna que os romanos usaram como ninfeu, e a descida por uma escada longa até o mar leva ao Punta Massullo, onde fica a Villa Malaparte, aquela casa vermelha modernista que aparece no filme O Desprezo, de Godard. Não abre para visita, mas é visível do mar e das trilhas.
Essa trilha, chamada Sentiero del Pizzolungo, liga o Arco Naturale ao Belvedere di Tragara e é a caminhada mais cinematográfica da ilha: cerca de uma hora e meia, com escadas, mata mediterrânea, o mar sempre à direita e os Faraglioni aparecendo no fim. Se houver um único programa a pé para fazer em Capri, é esse.
A Gruta Azul, com expectativa ajustada
A Grotta Azzurra é a atração mais divulgada de Capri e a que mais decepciona quem chega com expectativa errada. Vale entender como funciona.
É uma caverna marinha na costa norte, perto de Anacapri. A luz do sol entra por uma abertura submersa e reflete na areia branca do fundo, produzindo aquele azul luminoso característico. O efeito é real e é bonito.
O processo, no entanto, é atropelado. Você chega de barco maior, espera numa fila de embarcações balançando no mar, transfere para um barquinho a remo com quatro passageiros, deita para trás para passar pela entrada, que tem menos de um metro de altura, e fica dentro da gruta por cerca de cinco minutos. O remador costuma cantar, e costuma pedir gorjeta.
Os custos se somam: entrada oficial na gruta em torno de 15 euros, mais o barquinho a remo, mais o transporte até lá, que sai de Marina Grande por cerca de 20 euros ou de ônibus até a estrada da gruta com descida de escada. No total, entre 30 e 45 euros por pessoa para cinco minutos.
Só entra com mar calmo e sem maré alta, e o horário melhor para a cor é entre meio-dia e as duas da tarde, quando o sol está mais alto. Fecha muitas vezes.
Vale ou não? Se o dia estiver perfeito e vocês tiverem tempo sobrando, sim. Se a ideia é enfiar a gruta num roteiro apertado, não. Existem alternativas menos famosas e bem menos concorridas, como a Grotta Verde e a Grotta Bianca, visitadas nos tours de barco ao redor da ilha, sem fila e sem cobrança extra.
A volta na ilha de barco, que é o programa a dois mais certeiro
Se tiver que escolher um único gasto em Capri, escolha esse.
Um giro dell’isola, a volta completa pela ilha, leva cerca de duas horas e passa pelos Faraglioni, por baixo do arco, pelas grutas coloridas, pelo Farol de Punta Carena, pela Villa Malaparte vista do mar e por enseadas de água transparente. Os barcos coletivos, operados por cooperativas em Marina Grande como a Laser Capri e a Motoscafisti, custam entre 22 e 30 euros por pessoa.
Bem melhor, e é aqui que a coisa fica romântica: alugar um barco privado pequeno. Um gozzo, o barco de madeira tradicional da região, com skipper, para duas pessoas, custa entre 350 e 600 euros por meio dia, dependendo da temporada e do tamanho. Parece muito, e é, mas o resultado é outro programa completamente: o skipper leva vocês para as enseadas onde os barcos grandes não entram, para quando vocês quiserem nadar, e escolhe o lado da ilha em função do vento.
Existe ainda a opção de alugar um barquinho pequeno sem skipper, com motor de baixa potência, que não exige habilitação náutica. Custa entre 150 e 300 euros por meio período. Dá autonomia total e é divertidíssimo, mas exige algum bom senso com correnteza e tráfego de embarcações.
Melhor horário para o barco: início da manhã ou fim da tarde. Ao meio-dia o mar em volta dos Faraglioni fica congestionado de lanchas. Um passeio saindo às cinco da tarde, com a luz caindo, é outra coisa.
Onde nadar em Capri
Capri não tem praia de areia larga. Quem espera isso se frustra. O que existe são enseadas de pedra, plataformas de concreto sobre a rocha e clubes de praia.
Bagni di Tiberio é a mais próxima do que se entende por praia, com um trecho de areia e cascalho na costa norte, sobre ruínas de uma villa romana. Chega-se por barquinho de Marina Grande, cerca de 5 a 8 euros, ou por uma caminhada de vinte minutos. Água calma, ambiente relaxado e um restaurante bom no local. Boa escolha para casal que quer praia sem cenário de desfile.
Marina Piccola tem duas pequenas enseadas com clubes de praia, entre elas o La Canzone del Mare, aberto em 1950 pela cantora Gracie Fields, com piscina de água salgada e vista frontal para os Faraglioni. Espreguiçadeira ali custa entre 40 e 90 euros por pessoa dependendo do dia e da posição. Caro, mas é um dos lugares mais elegantes do Mediterrâneo.
Faro di Punta Carena, no extremo sudoeste, perto de Anacapri, é a melhor opção para pôr do sol com banho. É a única parte da ilha virada para oeste, e por isso o único lugar onde o sol se põe no mar. Água profunda e limpíssima, plataformas de rocha, um clube de praia com preços mais amigáveis, e ônibus direto de Anacapri. Levar sapatilha de neoprene ajuda, porque as pedras são escorregadias.
Punta dell’Arcera e a área junto ao Palazzo a Mare, na costa norte, são pontos usados por moradores, com acesso gratuito e nenhuma estrutura. Água excelente.
Uma observação prática que vale ouro: a água em volta de Capri é fria mesmo em agosto, mais fria que na costa. E é profunda quase imediatamente. Quem não nada bem deve preferir os clubes com piscina.
Comer bem e o que provar
A comida caprese é simples e é boa, e o problema em Capri não é qualidade, é preço em lugar de vitrine.
A insalata caprese, com tomate, mozzarella di bufala, manjericão e azeite, nasceu na ilha e continua sendo a melhor coisa para almoçar num dia de calor. Ravioli capresi, recheados com queijo caciotta e manjericão, ao molho de tomate fresco, são o prato local mais característico. Torta caprese, um bolo de chocolate com amêndoas e sem farinha, é a sobremesa da casa. Limoncello feito com os limões enormes da região fecha qualquer jantar, e as garrafas artesanais vendidas em Anacapri são bem melhores que as das lojas turísticas.
Endereços tradicionais que valem reserva: Da Paolino, em Marina Grande, serve o jantar debaixo de um limoeiro carregado de frutas pendendo sobre as mesas, e é provavelmente o restaurante mais fotogênico da ilha. Reserva com boa antecedência, e vale pedir mesa no limonaia, não no salão. Aurora, no centro de Capri, é famoso pela pizza all’acqua, uma pizza fininha e crocante. Il Geranio tem vista para os Faraglioni. Le Grottelle, na trilha do Arco Naturale, funciona parcialmente dentro de uma caverna, com terraço suspenso sobre o mar.
Em Anacapri, os preços caem e a comida costuma ser tão boa ou melhor. Il Cucciolo, Da Gelsomina com sua piscina e vista, e as trattorias em volta da Piazza Diaz servem bem por metade do que se paga no centro de Capri.
Para economizar sem perder graça, uma tática que funciona: almoço leve em padaria ou tavola calda, com panino de mozzarella e prosciutto, comido num mirante, e jantar sentado com calma. Duas refeições formais por dia em Capri destroem qualquer orçamento.
E há o ritual local mais barato de todos: um aperitivo na Piazzetta. Um spritz nos cafés históricos da praça, o Bar Tiberio, o Piccolo Bar ou o Gran Caffè, custa entre 12 e 18 euros. É caro para um drink, e é a coisa mais capriota que existe: sentar numa mesa minúscula ao ar livre, entre as quatro paredes de casas e a torre do relógio, e simplesmente ver a ilha passar. Faça isso depois das sete, quando os visitantes de um dia já foram.
Um roteiro de três noites, com ritmo humano
Dia da chegada. Balsa de Sorrento no meio da manhã, funicular até o centro, hotel. Nada de importante. Almoço leve, uma caminhada até o Belvedere di Tragara pela Via Camerelle, e volta com calma. Aperitivo na Piazzetta ao anoitecer, jantar reservado por perto.
Dia dois, o dia do mar. Barco pela manhã, de preferência privado ou em grupo pequeno, com a volta na ilha, passagem pelo arco dos Faraglioni e parada para nadar. Almoço em Bagni di Tiberio ou num clube de praia. Tarde de descanso no hotel. Fim de tarde no Farol de Punta Carena para o pôr do sol, jantar em Anacapri.
Dia três, o dia de terra firme. Cedo, ônibus ou táxi até Anacapri, teleférico para o Monte Solaro na abertura, quando o ar está limpo e o mirante está vazio. Descida, Villa San Michele, almoço numa trattoria de Anacapri. Tarde nos Giardini di Augusto com a luz caindo. Jantar sob o limoeiro em Marina Grande.
Dia da saída. Se sobrar manhã, o trecho do Pizzolungo entre o Arco Naturale e Tragara, ou a Villa Jovis. Balsa depois do almoço, com uma noite em Sorrento ou Nápoles antes do vôo.
O que costuma dar errado
Vir por um dia. É o erro central. Você chega junto com todo mundo, enfrenta fila no funicular, come mal e caro, e vai embora antes da parte boa começar.
Andar na ilha entre onze e três da tarde no verão. Calor e multidão nas mesmas ruas. As primeiras e as últimas horas do dia são de outra ilha.
Contar com a Gruta Azul. Ela fecha. Trate como bônus.
Levar mala grande e calçado errado. Ladeira, escada e pedra irregular por todo lado.
Não reservar restaurante. Os bons enchem, e chegar sem reserva na temporada significa comer no que sobrou.
Marcar vôo de volta no mesmo dia da balsa. Mar agitado cancela travessia, e é mais comum do que parece.
Capri é caríssima em algumas coisas e absolutamente gratuita em outras, e o que faz dela um lugar romântico está quase todo do lado de graça: a Via Tragara ao fim da tarde, o mar visto de cima em qualquer ponto da ilha, o silêncio das ruas depois que as balsas partem, a luz batendo nas paredes brancas às sete da noite. Não precisa gastar fortuna para viver isso. Precisa dormir na ilha e andar devagar.
