Destinos de Viagem na República Tcheca Fora do Comum

Conheça a República Tcheca que escapa dos roteiros tradicionais: cidades barrocas sem multidões, labirintos de pedra onde filmaram Nárnia, abismos de 138 metros e vilarejos que parecem ter parado no século XVI. Um país que vai muito além de Praga e Český Krumlov.

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A República Tcheca sofre de um problema curioso: tem tanta coisa extraordinária concentrada em Praga que a maioria dos visitantes nunca sai da capital. E quando sai, vai direto para Český Krumlov, que também já não é segredo para ninguém. O resultado é que regiões inteiras do país permanecem praticamente intocadas pelo turismo internacional de massa, mesmo oferecendo paisagens que rivalizam com qualquer destino badalado da Europa Central.

O país, também chamado de Chéquia desde 2016, tem 10,9 milhões de habitantes e um território que cabe quase sete vezes dentro de Minas Gerais. As distâncias são curtas, as estradas são boas, o transporte público funciona com pontualidade suíça e os preços, fora dos centros turísticos óbvios, ainda são surpreendentemente acessíveis. Dá para tomar uma cerveja excelente por menos de 3 euros, comer bem por 10 e dormir em hotéis familiares charmosos por valores que em Praga seriam piada.

Mas o que realmente interessa aqui não é logística. É descobrir lugares que provocam aquela sensação rara de estar vendo algo que não aparece em todos os feeds de Instagram. Lugares que fazem você pensar: como é que isso existe e eu nunca ouvi falar?

Olomouc: a capital secreta da Morávia

Olomouc é a sexta maior cidade do país, tem uma universidade fundada em 1573, uma coluna barroca que é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2000 e uma das praças centrais mais bonitas da Europa Central. E mesmo assim, a maioria dos brasileiros que visitam a República Tcheca nunca ouviu falar dela.

A cidade fica a cerca de três horas de carro de Praga, ou duas horas e meia de trem, já na região da Morávia. A atmosfera lembra a capital tcheca de uns 25 anos atrás: arquitetura impecável, ruas de paralelepípedo, igrejas góticas e barrocas em quantidade, mas sem a sensação de estar disputando espaço com excursões de cruzeiros fluviais.

A Coluna da Santíssima Trindade domina a Horní náměstí, a praça superior. É a maior escultura barroca isolada da Europa Central, com 35 metros de altura, construída entre 1716 e 1754. Está passando por uma restauração que deve terminar no final de 2026 e, mesmo coberta por andaimes em parte desse período, impressiona.

Mas o que realmente surpreende em Olomouc é o relógio astronômico. Enquanto o relógio de Praga atrai multidões com seus apóstolos medievais, o de Olomouc foi completamente redesenhado nos anos 1950, durante o regime socialista, no estilo do realismo soviético. Os santos e figuras religiosas deram lugar a operários, camponeses, atletas e cientistas. Os mostradores são decorados com mosaicos coloridos que celebram o trabalhador. É uma peça de história viva, um documento do século XX incrustado numa fachada renascentista do século XV. Nenhum guia turístico convencional prepara você para essa mistura.

A universidade Palacký, com seus mais de 20 mil estudantes, dá à cidade uma vibração jovem que contrasta com a arquitetura centenária. Bares, cafés e cervejarias artesanais ocupam porões abobadados. O queijo local, o Olomoucké tvarůžky, é famoso por ter um dos aromas mais intensos da Europa. Aviso sincero: o cheiro é forte. Muito forte. Mas no pão, com manteiga e cebola, é uma experiência gastronômica autêntica que entrega mais memória do que qualquer restaurante turístico do centro de Praga.

Adršpach-Teplice: o labirinto de pedra que Hollywood descobriu

No nordeste da Boêmia, perto da fronteira com a Polônia, existe uma formação geológica que desafia a lógica. São centenas de torres de arenito com até 100 metros de altura, esculpidas pela erosão ao longo de milhões de anos, criando um labirinto de corredores estreitos, pontes naturais, lagos cristalinos e paredões que parecem ter sido cinzelados por um artista obsessivo.

As Rochas de Adršpach-Teplice formam o maior complexo de formações areníticas da Europa Central. O conjunto se divide em duas áreas: Adršpach propriamente dito, acessível pelo vilarejo de mesmo nome, e Teplice, acessível por Teplice nad Metují. Dá para fazer os dois circuitos num dia inteiro de caminhada, ou escolher um deles e passar a tarde explorando os arredores.

A trilha principal de Adršpach tem cerca de 3,5 quilômetros e é bem sinalizada, com escadas, passarelas e pontes de madeira. Não exige preparo físico de montanhista, mas tem trechos com degraus íngremes e passagens tão estreitas que mochilas grandes precisam ser carregadas na mão. O circuito inclui um passeio de barco num lago verde-esmeralda cercado por paredões, com um barqueiro que conduz a embarcação empurrando as rochas com as mãos enquanto conta histórias e aponta formações com nomes como Prefeito, Prefeita, Dente e Ponte do Diabo.

O lugar foi usado como locação para as cenas de inverno do primeiro filme de As Crônicas de Nárnia. Olhando aquelas torres de pedra cobertas de musgo, com a névoa baixa se enrolando entre os corredores, a escolha faz todo sentido. Parece um mundo paralelo.

Informação prática importante e que poucos guias mencionam: o número de visitantes por hora é limitado. Em alta temporada, entre junho e setembro, é essencial comprar ingresso online com antecedência. Quem chega no local sem reserva corre o risco real de não conseguir entrar, especialmente nos fins de semana. Os preços são dinâmicos e a compra antecipada, além de garantir a visita, costuma sair mais barata.

A cidade de Broumov, a cerca de 20 quilômetros dali, é uma excelente base para explorar a região. Tem um mosteiro beneditino impressionante, vários restaurantes honestos e um ritmo de cidade pequena que ajuda a desacelerar depois de um dia de caminhada.

O Carste da Morávia e o Abismo de Macocha

Imagine uma paisagem de 92 quilômetros quadrados esculpida pela água ao longo de dezenas de milhões de anos, com mais de mil cavernas catalogadas, rios subterrâneos navegáveis, formações calcárias de todos os tamanhos possíveis e um abismo de 138 metros que parece não terminar nunca. Isso fica a cerca de 30 quilômetros ao norte de Brno, a segunda maior cidade tcheca, e a maioria dos turistas que passam de trem entre Praga e Viena olham pela janela sem fazer ideia do que está ali embaixo.

O Carste da Morávia, ou Moravský kras, é uma área protegida desde 1956. Das mais de mil cavernas identificadas, cinco são abertas ao público. A mais espetacular, e também a mais disputada, é a Punkva.

O passeio pelas Cavernas Punkva combina dois tipos de experiência que dificilmente se encontram juntos: uma caminhada por galerias repletas de estalactites e estalagmites iluminadas, seguida de um passeio de barco pelo rio subterrâneo Punkva, na mais completa escuridão, até o ponto em que a caverna se abre abruptamente para o fundo do Abismo de Macocha. Olhar para cima e ver a luz do dia entrando por uma abertura de 138 metros de altura, depois de estar navegando no escuro, é uma das experiências mais impactantes que a natureza tcheca pode oferecer.

O abismo tem duas plataformas de observação. A superior, a 138 metros do fundo, é acessível por trilha ou teleférico. A inferior fica a 92 metros e permite enxergar o lago no fundo com clareza. Há uma lenda local sobre uma madrasta má que jogou o enteado no abismo e depois saltou atrás; a criança sobreviveu milagrosamente, mas em dias de tempestade ainda se ouve o choro da madrasta ecoando nas paredes de calcário. Macocha, aliás, significa madrasta em tcheco.

A temperatura dentro das cavernas oscila entre 7 e 8 graus o ano inteiro. Em pleno verão europeu de 30 graus, você vai querer um casaco. E as visitas esgotam com semanas de antecedência nos meses de julho e agosto, então convém planejar com tempo.

O acesso é feito a partir de Blansko, que tem estação de trem. De lá, um ônibus (linha 226) leva até Skalní Mlýn, o centro de visitantes. Do centro até a entrada da caverna é possível ir a pé (20 minutos) ou num trenzinho ecológico. A logística exige atenção aos horários, porque as opções de ônibus são limitadas, mas a recompensa vale cada minuto de planejamento.

A Suíça Boêmia e o maior arco de arenito da Europa

No extremo norte da República Tcheca, colado na fronteira com a Alemanha, o Parque Nacional da Suíça Boêmia, ou České Švýcarsko, protege uma paisagem que pintores românticos do século XVIII compararam à Suíça original. O nome pegou, e hoje o parque é uma das áreas naturais mais singulares do país, embora ainda pouco visitado por brasileiros.

A estrela do parque é Pravčická brána, o maior arco natural de arenito da Europa. A estrutura tem 16 metros de altura e 26,5 metros de largura, e sua silhueta é tão cinematográfica que foi usada como cenário digital em As Crônicas de Nárnia. O arco em si não pode ser atravessado pelos visitantes — a estrutura é frágil demais –, mas os mirantes ao redor oferecem ângulos espetaculares.

Ao lado do arco fica o Sokolí hnízdo, ou Ninho do Falcão, um chalé em estilo alpino construído em 1881 pelo príncipe Edmund Clary-Aldringen. Originalmente um hotel, hoje funciona como restaurante, e tomar uma cerveja naquele terraço, com o arco de arenito enquadrado pela vegetação e o silêncio das montanhas ao redor, é um programa que justifica a viagem por si só.

O parque sofreu um incêndio florestal devastador em 2022 que queimou grandes áreas de vegetação. A recuperação está em curso, e a boa notícia é que o desfiladeiro Edmund, ou Edmundova soutěska, um dos passeios de barco mais bonitos do parque, foi reaberto em julho de 2025 após três anos fechado. A reabertura, porém, veio com uma restrição: o limite diário é de apenas 50 visitantes, e os ingressos são vendidos presencialmente no centro de visitantes de Hřensko, pela manhã. Não há venda online. Se o Edmund Gorge estiver na sua lista, chegue cedo.

O parque faz parte de um sistema maior que inclui o Parque Nacional da Suíça Saxônica, do lado alemão. Dá para cruzar a fronteira a pé por trilhas sinalizadas, e muitas pessoas baseiam-se em Hřensko, do lado tcheco, ou em Bad Schandau, do lado alemão, para explorar os dois lados.

Para quem prefere algo ainda mais fora do radar, a vila de Doubice e o Vale de Kyjov, ou Kyjovské údolí, oferecem trilhas por cânions de arenito onde o silêncio é tão denso que o som mais alto costuma ser o da água batendo nas pedras. Centenas de esculturas de madeira — dragões, criaturas mitológicas, figuras políticas — estão espalhadas pela vila e pelas trilhas, obra de um artesão local chamado Karel Fiala. É um lugar onde a realidade parece ligeiramente inclinada, e exatamente por isso é inesquecível.

A Boêmia do Sul além de Český Krumlov: Třeboň, Telč e Slavonice

Český Krumlov é merecidamente famosa. Patrimônio da UNESCO, castelo espetacular, rio que serpenteia pelo centro medieval. Mas a Boêmia do Sul tem um triângulo de cidades menores que, juntas, entregam uma experiência mais íntima e igualmente encantadora.

Třeboň é uma pequena cidade spa com um centro histórico preservado e um castelo que merece a visita. Mas o que realmente define Třeboň são os lagos. A região tem um sistema de viveiros de peixes e canais artificiais que remonta ao século XVI, tombado como Patrimônio da UNESCO. A carpa da Boêmia, que os tchecos comem na ceia de Natal, vem quase toda daqui. A cidade é plana, cercada por ciclovias que percorrem os diques entre os lagos, e alugar uma bicicleta para pedalar ao entardecer, com o sol baixo refletindo nos espelhos d’água, é um programa que não aparece nos roteiros convencionais e entrega uma paz difícil de encontrar em qualquer destino turístico saturado.

Telč é outra coisa completamente diferente. A praça principal, Zachariáš z Hradce, é um conjunto de casas renascentistas e barrocas com fachadas decoradas em tons pastéis, cada uma com um frontão diferente, alinhadas como se tivessem sido projetadas por um cenógrafo obsessivo por simetria. A praça é alongada, ladeada por arcadas contínuas, e termina num castelo renascentista com jardins geométricos. Telč é Patrimônio da UNESCO desde 1992, e andar por ali num fim de tarde de outono, com a luz dourada batendo nas fachadas coloridas e quase ninguém na rua, provoca uma sensação de estar dentro de um quadro.

Slavonice fica a poucos quilômetros da fronteira com a Áustria e durante a Guerra Fria esteve na zona proibida do regime comunista, perto da Cortina de Ferro. Esse isolamento forçado preservou a cidade num estado quase intacto. O centro tem fachadas renascentistas com esgrafitos originais, ruelas que não mudaram em 400 anos e uma atmosfera de lugar que o tempo simplesmente esqueceu — no melhor sentido possível. A poucos quilômetros dali, na aldeia de Maříž, uma olaria produz cerâmica artesanal colorida que virou símbolo da região. Levar um prato ou caneca de Maříž para casa é um souvenir com história e identidade.

As termas da Boêmia Ocidental além do óbvio

Karlovy Vary é uma das cidades termais mais famosas do mundo. O festival de cinema, as colunatas, as fontes de água mineral que brotam a 73 graus, os turistas bebendo água em canecas de porcelana com bico. Tudo isso é lindo e vale a visita. Mas a região tem outras cidades termais que oferecem a mesma arquitetura deslumbrante com uma fração dos visitantes.

Mariánské Lázně, ou Marienbad, é a elegância em forma de cidade. Colunatas brancas, fontes cantantes, parques impecáveis, hotéis do século XIX que receberam Goethe, Chopin, Kafka e inúmeras cabeças coroadas europeias. A cidade é menor e mais tranquila que Karlovy Vary, e os preços de hospedagem são consistentemente mais baixos, especialmente fora da alta temporada de verão.

Františkovy Lázně é ainda menor e ainda mais pacata. Tem um dos centros históricos termais mais bem preservados da Europa, com pavilhões neoclássicos, galerias cobertas e uma atmosfera que remete diretamente ao século XIX. Para quem quer a experiência termal sem o burburinho, é a melhor escolha da região.

As três cidades, junto com outras oito europeias, foram inscritas como Patrimônio da UNESCO em 2021 sob a chancela “Great Spa Towns of Europe”. A região tem cerca de 100 fontes termais e minerais naturalmente aflorando, a maior concentração de fontes curativas quentes do mundo. A água tem gosto forte, mineral, medicinal. O conselho local é beber devagar, em goles pequenos, e não esperar sabor de água mineral engarrafada.

Para quem quer algo completamente diferente na mesma região, o vilarejo de Loket, a 15 minutos de carro de Karlovy Vary, tem um castelo medieval que parece saído de uma ilustração de livro de contos, empoleirado numa curva do rio Ohře. A vila é minúscula, as ruas são de paralelepípedo, e a sensação de isolamento é tamanha que parece mentira estar tão perto de uma das cidades termais mais visitadas do continente.

A igreja dos fantasmas de Luková

Na pequena vila de Luková, na região de Hradec Králové, uma igreja gótica do século XIV passou décadas abandonada depois que o telhado desabou parcialmente durante um funeral. O prédio estava condenado ao esquecimento até que um artista local, Jakub Hadrava, teve uma ideia ao mesmo tempo perturbadora e genial: instalou 32 figuras de gesso cobertas com lençóis brancos nos bancos da igreja, simulando fantasmas assistindo à missa.

O efeito é hipnótico e desconfortável na medida certa. A luz natural que entra pelas janelas gera sombras que acentuam a presença das figuras, o piso de madeira range, e por mais que você saiba que são esculturas, a sensação de estar sendo observado não desaparece. A instalação é também uma campanha de arrecadação de fundos para restaurar o edifício, e as doações dos visitantes têm ajudado a manter a igreja de pé.

Luková tem algumas centenas de habitantes e não aparece nos guias convencionais. Chegar lá exige carro ou muita disposição com transporte público regional, mas a experiência vale para quem gosta de arte, história e uma pitada de arrepio. É o tipo de lugar que você visita em uma hora e passa o resto da viagem contando para as pessoas.

Lipnice nad Sázavou e as esculturas na rocha

Na região de Vysočina, entre a Boêmia e a Morávia, a vila de Lipnice nad Sázavou abriga um castelo medieval em ruínas e uma tradição de cantaria que remonta a séculos. As pedreiras da região forneceram material para igrejas e construções em toda a área. Mas o que torna Lipnice realmente única é um conjunto de relevos esculpidos diretamente nas paredes das antigas pedreiras, transformando uma caminhada pela floresta numa galeria a céu aberto.

A Orelha de Bretschneider é uma orelha gigante esculpida na rocha, uma referência ao Grande Irmão e à vigilância. A Boca da Verdade é uma boca de pedra inspirada na Bocca della Verità romana, da qual às vezes brota uma minicachoeira. Os Olhos Dourados são dois olhos estilizados cravados na pedra, com uma esfera de granito giratória de 80 quilos. O conjunto forma o que o artista chamou de Monumento Nacional da Escuta, uma obra que mistura ironia política, arte bruta e a paisagem da Vysočina.

A trilha circular que conecta as obras tem cerca de 3 quilômetros, é fácil e adequada para famílias. A região de Vysočina como um todo é um destino para quem gosta de alternar pequenas caminhadas com visitas a cidades históricas compactas, sem pressa e sem multidão.

Informações práticas para quem quer sair do roteiro convencional

A melhor época para explorar essas regiões vai de abril a outubro. O verão tcheco (junho a agosto) tem temperaturas agradáveis, entre 20 e 30 graus, mas é também quando os destinos de natureza, especialmente Adršpach e o Carste da Morávia, recebem mais visitantes locais e de países vizinhos. Setembro e outubro trazem o outono europeu, com as florestas tingidas de dourado e vermelho, temperaturas amenas e uma redução significativa no número de turistas.

Alugar um carro é, de longe, a melhor maneira de explorar esses destinos. As estradas tchecas são de boa qualidade, as distâncias são curtas (a maior distância entre dois pontos quaisquer do país raramente ultrapassa cinco horas de direção) e a liberdade de parar em vilarejos minúsculos, lagos escondidos e castelos que não aparecem no mapa é parte essencial da experiência. O aluguel de um carro compacto em Praga custa a partir de 30 a 40 euros por dia, e o litro da gasolina fica na faixa de 1,50 a 1,70 euros.

Para quem prefere transporte público, trens e ônibus conectam praticamente todas as cidades mencionadas, mas é preciso paciência com os horários em rotas regionais menos movimentadas. O aplicativo IDOS é a ferramenta padrão para consultar conexões e cobre todo o país. Os trens entre as cidades principais são pontuais, confortáveis e acessíveis.

A moeda local é a coroa tcheca (CZK). Embora a República Tcheca faça parte da União Europeia, não adotou o euro, e muitos estabelecimentos fora das zonas turísticas não aceitam pagamento em euro. Levar coroas ou usar cartão é a melhor opção. A cotação em julho de 2026 gira em torno de 25 CZK por euro, mas é sempre bom conferir antes de viajar.

Os preços fora de Praga e Český Krumlov caem consideravelmente. Uma refeição completa com bebida em Olomouc ou Telč sai por 12 a 18 euros. Hospedagem em hotéis familiares de bom padrão custa entre 50 e 80 euros por noite para um casal. As entradas para cavernas, castelos e parques naturais raramente ultrapassam 10 euros por pessoa.

Por que sair do roteiro convencional na Chéquia faz tanto sentido

A República Tcheca tem uma densidade de patrimônios históricos e naturais por quilômetro quadrado que rivaliza com qualquer país europeu. São 17 sítios inscritos na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, quatro parques nacionais, centenas de castelos e uma rede de trilhas sinalizadas que soma dezenas de milhares de quilômetros.

O que torna especial a experiência de viajar pelas regiões menos conhecidas do país não é apenas a beleza dos lugares. É o fato de que, na maior parte do tempo, você vai estar dividindo esses lugares com tchecos, não com excursões internacionais. A conversa no café vai ser na língua local. O dono da hospedagem vai recomendar o restaurante favorito dele, não o que aparece no guia. O ritmo vai ser o ritmo real do país, não o ritmo artificial de um destino que se moldou para agradar visitantes estrangeiros.

E num mundo em que os pontos turísticos mais famosos estão cada vez mais saturados, ter a chance de sentar sozinho numa praça renascentista em Slavonice, ou ouvir o eco da própria voz ricocheteando nas paredes de arenito de Adršpach, ou ver a luz do fim da tarde bater nas colunatas de Mariánské Lázně sem precisar disputar o melhor ângulo da foto, é um luxo que nenhum hotel cinco estrelas consegue oferecer.

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