Descubra a Encantadora Cidade Portuária de Szczecin na Polônia

Há cidades que existem no mapa do turismo europeu de uma forma tão discreta que parecem quase propositalmente escondidas. Não estão ausentes dos guias — aparecem, geralmente numa ou duas páginas, com uma foto do castelo e uma menção ao rio. Mas ficam à sombra das grandes estrelas do país, esperando pelo viajante que tem curiosidade suficiente para perguntar: o que mais existe aqui além do óbvio?

Fonte: Get Your Guide

Szczecin é exatamente essa cidade. E a resposta à pergunta é: muito mais do que a maioria das pessoas imagina.

Capital da região da Pomerânia Ocidental (Zachodniopomorskie), no extremo noroeste da Polônia, Szczecin é a maior cidade de uma região que durante séculos foi disputada entre poloneses, suecos, prussianos e alemães — e que só se tornou definitivamente polonesa após a Segunda Guerra Mundial. Tem mais de 400 mil habitantes, um porto marítimo que é um dos mais importantes do Mar Báltico, uma filarmonca premiada internacionalmente com uma das arquiteturas mais bonitas da Europa contemporânea, um castelo medieval que foi sede de uma dinastia ducal durante quatro séculos, e uma ribeira em plena transformação que está redesenhando o modo como a cidade se relaciona com o seu rio.

E tem ainda uma curiosidade histórica que poucos associam à cidade à primeira vista: Szczecin foi a cidade natal de Catarina II, a Grande — czarina da Rússia. Nascida em 1729 como princesa alemã numa cidade que então se chamava Stettin e fazia parte da Prússia, Catarina saiu de lá aos 14 anos para Moscou, virou rainha e reinou por mais de três décadas como uma das monarcas mais poderosas da história europeia. O palácio onde nasceu — o Palácio do Globo Terrestre (Pałac pod Globusem) — ainda existe no centro da cidade.

Essa sobreposição de histórias — eslava medieval, prussiana, sueca, alemã, polonesa pós-guerra — é o que torna Szczecin uma das cidades mais complexas e, quando se está disposto a prestar atenção, mais fascinantes da Polônia.

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Uma Cidade Que Mudou de País Sem Sair do Lugar

Para entender Szczecin, é preciso entender que ela pertenceu a mais países do que a maioria das pessoas consegue contar sem ajuda.

As origens são eslavas: uma aldeia foi fundada na foz do rio Odra por tribos pomeranenses por volta do século VIII. A localização era estratégica — controlava a navegação fluvial que conectava o interior do continente ao Mar Báltico — e rapidamente o assentamento cresceu em importância comercial. No século X, quando a Polônia se consolidou como Estado sob a dinastia Piast, a região da Pomerânia foi parcialmente incorporada à esfera de influência polonesa. Mas a Pomerânia era uma terra de fronteira, sempre contestada, sempre disputada.

No século XII, a cidade caiu sob o controle da dinastia Pomerânia — a Casa dos Grifos (Haus Pommern). Foram os Duques da Pomerânia que construíram o castelo que ainda domina a paisagem do centro histórico e que governaram a região por mais de cinco séculos, num equilíbrio delicado entre vassalagem ao Sacro Império Romano-Germânico e a manutenção de uma identidade regional própria.

Quando a linhagem dos Grifos se extinguiu em 1637 — o último duque morreu sem herdeiros — a cidade foi herdada pela Suécia, que a manteve sob seu domínio por quase um século. Depois veio a Prússia, em 1720. E com a Prússia, o nome alemão que a cidade carregou por séculos: Stettin. Foi como Stettin que a cidade cresceu durante o século XIX, tornou-se o principal porto prussiano e depois alemão no Báltico, e construiu grande parte da infraestrutura arquitetônica que ainda é visível hoje.

A Segunda Guerra Mundial foi devastadora. Os bombardeios aliados e os combates do avanço soviético em 1945 destruíram uma parcela significativa da cidade. E então veio a mudança definitiva: pelas fronteiras traçadas em Potsdam, a cidade passou para a Polônia. A população alemã foi expulsa. Colonos poloneses vindos de territórios orientais que a URSS havia absorvido chegaram para habitar uma cidade que ainda cheirava a guerra.

Esse processo de reconstrução de identidade — transformar Stettin em Szczecin, reaprender a habitar um lugar com história de outra língua — deixou marcas que a cidade ainda processa. Há uma relação com o passado que é ao mesmo tempo mais complexa e mais interessante do que a história linear de outras cidades polonesas. Szczecin não tem um passado polônes medieval para celebrar sem ambiguidade. Tem um passado multiétnico, fronteiriço, portuário — e tem uma honestidade crescente em relação a isso que torna a visita mais rica.


Os Wały Chrobrego: O Terraço que Faz o Rio Parecer Cenário

Existe um lugar em Szczecin que, quando se vê pela primeira vez, cria imediatamente a necessidade de fotografar — não apenas pelo enquadramento, mas pela qualidade de espanto diante de algo que a cidade não anuncia o suficiente.

Os Wały Chrobrego — os Terraços de Chrobry — são um conjunto de terraços monumentais construídos entre 1902 e 1921, erguidos sobre a margem do Odra a cerca de 19 metros de altura sobre o nível do rio. O complexo foi concebido pelo arquiteto Wilhelm Meyer-Schwartau, o principal arquiteto da cidade na época, e originalmente chamado de Hakenterrasse — os Terraços de Haken, em homenagem ao prefeito Hermann Haken que idealizou o projeto. Após a Segunda Guerra Mundial e a transferência da cidade para a Polônia, o nome foi substituído pelo de Bolesław I Chrobry, o primeiro rei polonês.

A escala da obra é impressionante. Escadarias simétricas e monumentais descem em direção ao rio. Balaustradas elaboradas enquadram a vista do Odra e do porto. No nível superior da esplanada, três edifícios monumentais complementam o conjunto: a Politécnica Marítima, o Museu Nacional de Szczecin (Muzeum Narodowe w Szczecinie) — que abriga uma das mais ricas coleções de arte da Pomerânia — e o Escritório Regional do Governo (Zachodniopomorski Urząd Wojewódzki), num estilo neoclássico que mistura grandiosidade institucional com elegância de detalhes.

No nível inferior, ao pé das escadarias, fica uma fonte decorativa com figuras mitológicas, duas colunas altas estilizadas como faróis marítimos, e a escultura de Hércules lutando com o Centauro — obra do escultor Ludwig Manzel, instalada por volta de 1914 e que sobreviveu às destruições da guerra com uma completude surpreendente.

A vista dos Wały Chrobrego sobre o Odra e o porto é um dos panoramas urbanos mais fotografados da Polônia. E com razão. Ao entardecer, quando a luz muda de temperatura e os navios de carga ancorados no porto ganham um contorno alaranjado, a perspectiva se transforma em algo que parece desenhado para uma pintura e não para uma cidade portuária do noroeste da Polônia.

No final de fevereiro e início de março, outro espetáculo menor mas delicioso ocorre nos Wały Chrobrego: milhares de açafrões (krokusy) brotam nos canteiros e gramados do terraço, cobrindo o espaço de roxo e branco num sinal visível de que a primavera chegou à cidade.


O Castelo dos Duques da Pomerânia: Cinco Séculos de Poder Num Edifício

O Castelo dos Duques da Pomerânia (Zamek Książąt Pomorskich) é o edifício mais importante de Szczecin — e um dos mais significativos da Pomerânia histórica. Construído na Colina do Castelo no centro histórico, domina a paisagem urbana imediata com uma presença que é ao mesmo tempo imponente e, depois que se conhece a história, emocionalmente carregada.

A origem da estrutura defensiva no local é antiga — há registros de fortifications medievais no século XIII. Mas a construção do castelo propriamente dito começou em 1346, quando o Duque Barnim III iniciou o complexo residencial que seria a sede da dinastia dos Grifos. Ao longo dos dois séculos seguintes, o castelo foi expandido e modificado repetidamente. A grande transformação veio entre 1573 e 1582, quando o Duque João Frederico contratou arquitetos e construtores italianos para uma reconstrução no estilo renascentista que é essencialmente o que ainda se vê hoje — um conjunto em torno de um pátio central, com alas em diferentes estilos que refletem os diferentes períodos de construção.

Quando a dinastia dos Grifos se extinguiu em 1637, o castelo passou para a Suécia e depois para a Prússia, sendo usado para diversas funções ao longo dos séculos — armazém, sede administrativa, espaço militar. Os bombardeios da Segunda Guerra Mundial causaram danos severos. A reconstrução, realizada entre 1958 e 1980, foi cuidadosa com a estrutura exterior mas introduziu adaptações internas que transformaram o castelo no principal centro cultural da Pomerânia Ocidental.

Hoje o castelo abriga uma programação cultural impressionante para um edifício histórico: concertos de câmara e música clássica nos pátios internos, um teatro (Teatro Krypta), um cinema, exposições permanentes e temporárias, o conjunto vocal Camerata Nova, e durante o verão, os Concertos de Promenade nos pátios ao ar livre que atraem públicos de toda a região.

Um detalhe que os visitantes frequentemente descobrem com surpresa: no interior do castelo estão os sarcófagos dos Duques da Pomerânia, preservados nas câmaras funerárias originais. Caminhar por ali — especialmente nas partes menos iluminadas da criptão — tem aquela qualidade específica de lugares onde a história não é narrativa mas presença física.

A torre do relógio, reconstruída, pode ser subida. A vista do alto sobre o Odra, os Wały Chrobrego e os telhados do centro histórico é o enquadramento definitivo de Szczecin.


A Filarmônica de Szczecin: Um Edifício Que Ganhou o Mundo

Em 2015, o Prêmio Mies van der Rohe — o mais importante prêmio de arquitetura contemporânea europeia — foi entregue ao projeto da nova sede da Filarmônica de Szczecin, projetada pelo escritório espanhol Barozzi Veiga. Num campo de candidatos que incluía projetos de toda a Europa, um edifício numa cidade polonesa relativamente desconhecida internacionalmente levou a distinção máxima da arquitetura do continente.

O prêmio não foi surpresa para quem conhece o edifício. Inaugurado em 2014 no mesmo local onde funcionava a histórica Konzerthaus destruída na Segunda Guerra Mundial, o projeto de Fabrizio Barozzi e Alberto Veiga resolve um problema arquitetônico complexo com uma elegância que parece simples apenas quando está terminada.

A fachada é coberta de vidro branco translúcido com molduras que evocam as silhuetas dos telhados góticos e das frontarias do centro histórico de Szczecin — uma abstração do passado que não copia, mas dialoga. De dia, a superfície reflete a luz de um modo que muda conforme a hora e o tempo. À noite, iluminada por dentro, o edifício brilha com uma intensidade que transforma o quarteirão inteiro.

O interior é projetado para a música com uma precisão que os músicos que se apresentam ali notam imediatamente. A sala principal tem acústica considerada referência na Europa — o que não é acidental, mas resultado de meses de trabalho entre os arquitetos e especialistas em acústica que participaram do projeto.

Mais do que um edifício de concertos, a Filarmônica de Szczecin funciona como um marcador urbano do que a cidade decidiu ser no século XXI. Num lugar onde existia vazio e memória de destruição, optou-se por construir algo de beleza permanente e de utilidade cultural contínua. Isso diz muito sobre o que Szczecin tem se tornado.


A Basílica de São Tiago: O Gótico que Sobreviveu

A Basílica Catedral de São Tiago Apóstolo (Bazylika Archikatedralna Świętego Jakuba Apostoła) é o edifício gótico mais importante de Szczecin e um dos mais belos exemplares do gótico tijoleiro (Backsteingotik) da costa do Báltico — um estilo regional que se desenvolveu em cidades portuárias da Hanseática com tijolos em vez da pedra usada no gótico francês e alemão do interior.

A catedral foi construída progressivamente entre os séculos XIV e XV, com modificações posteriores. Os bombardeios de 1944 causaram danos consideráveis — a torre desmoronou, partes do interior foram destruídas. A reconstrução levou décadas. A torre foi completamente reconstruída nos anos 2000 e hoje é o ponto mais alto do horizonte de Szczecin — com 119 metros de altura, avista-se de praticamente qualquer ponto do centro.

O interior da catedral preserva elementos originais misturados com reconstruções: vitrais modernos que coexistem com fragmentos medievais recuperados, uma atmosfera de espaço que foi destruído e deliberadamente reconstruído sem fingir que a cicatriz não existe. Há algo nessa honestidade arquitetônica que torna a visita mais reflexiva do que as catedrais impecavelmente preservadas às vezes permitem.

A subida à torre vale o esforço — é de lá que se entende melhor a topografia da cidade, a relação entre o castelo dos Duques, os Wały Chrobrego e o Odra.


A Łasztownia: A Ilha que Está Virando o Novo Coração da Cidade

Do outro lado do Odra, separada do centro histórico por um canal, fica a Łasztownia — uma ilha industrial que por décadas foi dominada por galpões, estaleiros e estruturas portuárias em declínio. Nos últimos anos, vem passando por uma das transformações urbanas mais ambiciosas de Szczecin.

A palavra Łasztownia deriva do alemão Lastadie, que significa depósito de carga. Era literalmente o lugar onde as mercadorias do porto eram armazenadas. Hoje, o que resta das estruturas industriais originais está sendo ressignificado numa velocidade crescente.

O Centro de Cultura e Eventos Stara Rzeźnia — instalado no edifício de um antigo frigorífico do início do século XX — é um dos espaços mais interessantes da cena cultural de Szczecin: abriga uma restaurante premiada, uma sala para eventos e exposições, uma livraria, e escritórios de empresas criativas que escolheram a ilha como endereço.

Ao lado, o Morskie Centrum Nauki — o Centro Marítimo de Ciências — é um museu interativo com foco em oceanografia, navegação e ciências naturais, voltado especialmente para famílias e crianças. Instalado num edifício novo mas que dialoga com a linguagem industrial do entorno, é uma das atrações mais populares de Szczecin nos meses de verão.

Mas o elemento mais icônico da Łasztownia são os Dźwigozaury — os “guindastres dinossauros”, como os habitantes da cidade apelidaram os antigos guindastes portuários de metal laranja e branco que permanecem erguidos ao longo do cais. São estruturas industriais monumentais, de perfil imediatamente reconhecível, que foram preservadas quando poderiam ter sido demolidas — e que à noite, quando são iluminadas, transformam a margem do rio num cenário que mistura nostalgia industrial com teatralidade visual.

No verão, a Łasztownia vira o coração gastronômico e de lazer da cidade. O Food Port — uma concentração de food trucks instalados no cais — reúne dezenas de opções culinárias que vão da culinária polonesa tradicional até cozinhas mexicana, japonesa e tatária, numa atmosfera de fim de tarde junto ao Odra que é difícil de superar em qualidade de experiência urbana.


O Palácio do Globo Terrestre: Onde Nasceu Catarina a Grande

A poucos minutos a pé do castelo dos Duques, numa das ruas do centro histórico, fica um edifício que a maioria dos visitantes passa sem saber o que representa.

O Palácio do Globo Terrestre (Pałac pod Globusem) — o nome vem de uma esfera terrestre que decorava a fachada original — foi a residência da família Anhalt-Zerbst no século XVIII, quando Szczecin era a cidade prussiana de Stettin. Em 1729, nesse palácio, nasceu Sophie Auguste Friederike von Anhalt-Zerbst-Dornburg — nome que o mundo conheceria como Catarina II, a Grande, czarina da Rússia de 1762 a 1796.

Catarina saiu de Stettin aos 14 anos para se casar com o futuro Czar Pedro III, nunca mais voltou — e governou a Rússia por 34 anos com uma autoridade e uma inteligência política que transformaram o país e influenciaram a história europeia. Correspondia-se com Voltaire e Diderot, patronizou as artes e as ciências, expandiu o território russo e modernizou a administração imperial.

O palácio não é um museu elaborado sobre sua vida — há uma placa comemorativa, e o edifício pode ser observado externamente. Mas a mera consciência de estar diante da casa onde nasceu uma das soberanas mais poderosas da história europeia confere ao pedaço de calçada uma dimensão diferente.


Os Bulwares: A Orla do Odra Que Devolveu o Rio à Cidade

A revitalização dos Bulwares Szczecińskis — o trecho de orla ao longo do Odra que conecta o centro histórico à Łasztownia — é um dos projetos urbanos mais bem-sucedidos da cidade nos últimos anos. O que antes era um cais industrial degradado e inacessível ao público foi transformado num passeio fluvial de vários quilômetros com ciclovia, bancos, vegetação, pontos de acesso à água e toda a infraestrutura de um espaço público pensado para o uso cotidiano.

O resultado é uma cidade que reconquistou a relação com o seu rio — algo que muitas cidades portuárias perderam na industrialização do século XX e que só recuperam com muito investimento e tempo. Os Bulwares são frequentados por moradores durante a semana e por famílias nos fins de semana com uma naturalidade que indica que o projeto funcionou do modo que os projetos urbanos bons precisam funcionar: tornando-se parte do cotidiano.

Em dias de sol, há barcos de pesca parados na margem, ciclistas passando nos dois sentidos, crianças correndo e, no horizonte oposto, os guindastes da Łasztownia recortados contra o céu. É uma das experiências mais simples e mais satisfatórias que Szczecin oferece.


O Cemitério Central: Um Parque que Também É Monumento

A poucos quilômetros do centro, o Cemitério Central de Szczecin (Cmentarz Centralny) é um dos maiores cemitérios da Europa — ocupa uma área de mais de 160 hectares — e é, ao mesmo tempo, um dos parques mais bonitos da cidade.

Fundado em 1901, o cemitério foi projetado como espaço verde de alta qualidade: avenidas ladeadas de árvores centenárias, lagos artificiais, pontes, capelas em diferentes estilos arquitetônicos e uma biodiversidade vegetal que rivaliza com jardins botânicos. Em outono, quando as folhas das árvores mudam de cor e o sol baixo ilumina as alamedas, o lugar tem uma qualidade visual que fotógrafos de Szczecin exploram regularmente.

O cemitério reflete também a história multiétnica da cidade: há seções polonesas, alemãs, russas, judaicas e de outros grupos que habitaram a região ao longo dos séculos. Caminhar pelas diferentes seções é perceber, nos nomes gravados nas lápides, a sobreposição de identidades que define a Szczecin histórica.


O Rynek Sienny e o Centro Histórico Reconstruído

O centro histórico de Szczecin foi severamente destruído na guerra — mais de 60% da área foi reduzida a ruínas pelos bombardeios e pelos combates. A reconstrução nas décadas seguintes foi parcialmente fiel às plantas originais e parcialmente adaptada às necessidades de uma cidade socialista que precisava de habitação e infraestrutura rapidamente.

O resultado é um centro histórico que não tem a homogeneidade medieval preservada de Toruń nem a reconstrução de alta fidelidade do Stary Rynek de Varsóvia — é algo intermediário, com edifícios reconstruídos em estilos que evocam o passado sem replicá-lo completamente, intercalados com construções mais modernas que preenchem os vazios deixados pela guerra.

O Rynek Sienny — a Praça do Feno — funciona como centro social do bairro histórico, com restaurantes e cafés ao redor. A Câmara Municipal Vermelha (Czerwony Ratusz) — um edifício neo-gótico do final do século XIX que sobreviveu aos bombardeios — tem uma presença visual marcante com sua fachada de tijolos vermelhos e sua torre. E as Portas Real e do Porto (Brama Królewska e Brama Portowa) — dois portões barocos do século XVIII que delimitavam as entradas da cidade — foram preservados e podem ser encontrados no centro histórico como marcos da escala humana da cidade prussiana que existia antes da guerra.

O percurso a pé pelo centro histórico revela também a Casa dos Loitz (Kamienica Loitzów), um dos edifícios renascentistas mais antigos de Szczecin, datando do século XVI. Os Loitz eram uma família de banqueiros que financiou reis e imperadores — e a casa que construíram para si mesmos, embora modificada ao longo dos séculos, ainda conserva elementos da fachada original que remetem a uma época em que Szczecin era uma das praças financeiras mais importantes do Báltico.


A Pomerânia ao Redor: O Que a Cidade Oferece Como Base

Szczecin tem uma vantagem estratégica para quem quer explorar o noroeste polonês: funciona como excelente base para excursões à região da Pomerânia Ocidental.

A Ilha de Wolin (Wyspa Wolin) fica a menos de duas horas de Szczecin e abriga o Parque Nacional de Wolin — uma área protegida com falésias sobre o Báltico, florestas de faias, lagos e praias que figuram entre as mais selvagens e bonitas da costa polonesa. Em setembro, o parque é palco de um festival que recria a vida viking medieval — um dos maiores eventos do gênero na Europa.

Świnoujście — cidade litorânea na fronteira com a Alemanha, dividida entre território polonês e uma ilha acessível de barco — tem praias de areia fina e uma atmosfera de resort costeiro que é completamente diferente do tom urbano de Szczecin.

O Lago Głębokie (Jezioro Głębokie), praticamente dentro do perímetro urbano de Szczecin, é um lago natural de águas limpas cercado por floresta — e é onde os habitantes da cidade vão nos fins de semana de verão para nadar, fazer piquenique e simplesmente sair do asfalto por algumas horas.


Como Chegar em Szczecin

A localização de Szczecin no extremo noroeste da Polônia é tanto um trunfo quanto um desafio logístico. A cidade fica a apenas 140 quilômetros de Berlim — uma das menores distâncias entre uma capital europeia e uma grande cidade polonesa.

De Berlim, há trens diretos com duração de aproximadamente 2h a 2h30 pela linha regional que conecta as duas cidades. É uma das conexões transfronteiriças mais utilizadas do corredor Berlin-Varsóvia, e torna Szczecin uma opção natural como ponto de entrada na Polônia para quem chega da Alemanha.

De Varsóvia, o trem intercity cobre a distância em cerca de 4h30 a 5 horas, dependendo do tipo de serviço. É uma viagem longa para os padrões poloneses — a distância geográfica ao longo do país é considerável. Há também conexão por ônibus expressou, que pode ser uma alternativa mais económica.

De Poznań, o trem demora aproximadamente 2h30 a 3 horas, o que torna as duas cidades combináveis num roteiro pelo oeste da Polônia.

De Gdańsk, a viagem é de cerca de 3h30 a 4 horas. Quem percorre a costa báltica polonesa de leste a oeste pode encaixar Szczecin naturalmente como destino final antes de cruzar para a Alemanha.

O Aeroporto de Szczecin-Goleniów fica a cerca de 45 quilômetros da cidade e recebe voos domésticos e para destinos europeus selecionados — principalmente através da LOT e de companhias low-cost. Para viajantes vindos do Brasil, a conexão por Varsóvia, Frankfurt ou Amsterdã é a mais prática.


Quando Ir e Quanto Tempo Reservar

A primavera — de abril a junho — é o período mais agradável. As temperaturas ficam entre 12°C e 20°C, os açafrões dos Wały Chrobrego já floresceram, os Bulwares ao longo do Odra voltam a ser frequentados e a Łasztownia começa a acordar para a temporada de verão.

O verão (julho e agosto) traz o melhor de Szczecin: o Food Port na Łasztownia em plena operação, os concertos ao ar livre no pátio do castelo, as praias do Lago Głębokie frequentadas pelos moradores locais e a vibrante vida ribeirinha dos Bulwares. É também a época de maior movimento na região, mas Szczecin ainda está longe de ser uma cidade de turismo de massa — as multidões de Cracóvia ou Varsóvia simplesmente não existem aqui.

O outono tem o seu charme particular: o Cemitério Central com as folhas mudando de cor, a programação cultural de temporada na Filarmônica e no Castelo dos Duques, e uma temperatura mais fresca que convida à caminhada pelo centro histórico.

Dois dias cobrem o essencial com qualidade: os Wały Chrobrego, o Castelo dos Duques, a Filarmônica, a Catedral de São Tiago, a caminhada pelo centro histórico e uma tarde na Łasztownia. Três dias permitem incluir o Cemitério Central, o Lago Głębokie e, se o tempo ajudar, uma excursão à Ilha de Wolin.


O Que Szczecin Sabe Sobre Si Mesma — e o Que Ainda Está Descobrindo

Szczecin é uma cidade em trânsito. Não no sentido logístico, embora seja isso também — ela sempre foi um nó de rotas comerciais, um ponto de passagem entre o interior do continente e o mar. Mas em trânsito no sentido mais profundo: ainda está aprendendo a ser polonesa depois de séculos de outro nome, ainda está redescobrindo o próprio rio depois de décadas em que o porto separou a cidade da água, ainda está decidindo o que fazer com o legado de uma história que pertenceu a mais nações do que a maioria das cidades consegue processar.

O que torna esse processo interessante para o visitante é que ele está acontecendo agora. Os Bulwares novos. A Łasztownia em transformação. A Filarmônica premiada que diz ao mundo que Szczecin tem ambição cultural. O Castelo que recebeu concertos e exposições onde antes havia armazéns. Uma cidade que está, com uma lentidão que tem a cadência dos rios, reconquistando a relação com aquilo que ela sempre foi: um lugar entre águas, entre culturas, entre histórias — e cada vez mais consciente de que essa fronteira não é uma fraqueza, mas a coisa mais particular e mais valiosa que tem para oferecer.

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